quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Pitacos diversos: hábitos presidenciais e vexames notáveis. Brasil pária: a Crítica ridícula ao globalismo; o projeto das Fake News

Hábitos e costumes presidenciais

É fato de domínio público que Juscelino era um presidente que gostava de serestas, bailes e de dançar, o que lhe valeu fama de autêntico pé de valsa. A essa lista de preferências acrescentava-se a música do folclore mineiro que o acompanhou em todas os momentos importantes de sua vida pública: o Peixe Vivo.

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Jânio Quadros ficou famoso por seu gosto pela bebida, fosse uma boa cachaça ou um bom whisky, o que lhe rendeu uma série de histórias curiosas, e frases engraçadas. A mais conhecida delas ao responder ao ser questionado de porquê bebia: “Bebo porque é líquido, se fosse sólido come-lo-ia.”

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De Collor, fica a marca do uso político de atividades esportivas, que ele cultivava para apresentar-se como um atleta resoluto, vigoroso, capaz de abater com um só tiro de uma ‘bala  de prata’ o tigre da inflação. Isso além de dar curso a sua caçada fake aos marajás.

Olhar transtornado, olhos crispados, ‘capazes de soltarem fogo’ (citação do senador Pedro Simon, referindo-se a outra ocasião), Collor se caracterizou ainda pela utilização de suas camisetas como “out-doors” quando de seus exercícios dominicais por Brasília.

Das frases, uma que ficou célebre trazia um presságio:  “O tempo é o senhor da razão”. Não passou muito tempo para a loucura de viés autoritário e a corrupção escancarada da república das Alagoas dar lugar ao impeachment e ao retorno à democracia.

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Itamar gostava de carnaval. É o que me lembro. E fotos extravagantes conseguiram captar seu gosto.

FHC era um erudito que, em minha opinião, sempre gostou mais de si mesmo, incapaz de guardar dentro de seu gigantesco ego.

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Lula sempre foi um apreciador de uma boa cachaça e de um churrasco, além de festas juninas que ficaram famosas. Além de futebol e do Corínthians.

A ele, o amigo Emílio Odebrecht se refere como um bon vivant, enquanto a impressão que me transmite é a de ser um animal político, dotado de grande oportunismo.

Dilma sempre teve uma vida privada bastante resguardada e Temer, famoso por interpretar o papel de Judas sempre gostou de dinheiro, bolsas de dinheiro passeando pela Pauliceia, além de mesóclises.

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Quanto a Bolsonaro, sempre demonstrou seu apreço por bravatas, piadas de mau gosto e humor questionável, pela prática do peculato por meio de empregados fantasmas e das famosas ‘rachadinhas’, e de não fazer nada, exceto intrigas e crises.

A isso, soma-se sua sempre presente necessidade de se apresentar como um esportista, sempre fazendo referências a seu passado de atleta no Exército. Equitação, passeios de moto e jet-sky e uma preocupação de sempre de criar oportunidades para estar nos braços do povo (aquele que os seguranças permitem que se aproximem ou até convocam), em eventos cuja única preocupação é politiqueira: demonstrar sua postura e seu comportamento menos sofisticado, fruto de sua origem mais simples e popular.

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Assim, é de conhecimento público que o chefe do Executivo gosta de futebol, e está sempre disposto a se deixar fotografar com camisetas de times mais populares.

Quanto a seus hábitos alimentares, sabe-se que gosta de pão com leite condensado, cachorro quente, e uma mesa de café da manhã frugal.

Em que gasta ou como gasta ou justifica os gastos milionários liquidados por meio do cartão corporativo (dados do Portal da Transparência indicam 20,1 milhões de reais em 2020) não são informação disponível, como assinala o Correio Brasiliense de 27/01/2021, com base nas informações daquele Portal, dado que mais de 19 milhões de reais são atribuídos a um CPF sob sigilo.

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No entanto, de tudo aquilo a que sempre faz questão de dar publicidade, na criação de uma imagem de um homem do povo, não consta, não vi menção a qualquer apreço por pizza.

O que não o impede de, em sua última estada em Nova York, ter decidido que ia comer um alimento mais frugal, mais simples ou popular. Quanto a isso, não há crítica alguma a fazer.

Afinal, gosto é gosto.

 

O Papelão do Brasil isolado, na ONU

O problema não é saber o tipo de alimento, ou o que come o Jair.

O problema nem é, como os bolsopatetas insistem em divulgar nas redes sociais, o contraponto com jantares mais sofisticados e mais caros, verdadeiros banquetes, atribuídos a representantes e a delegações de governos tidos como de inspiração mais esquerdista e, como tal, mais populares.

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A crítica contida nas manifestações dos bolsotários é tola e vazia. Porque qualquer que seja o nome do ocupante do cargo, o fato e a foto de o presidente brasileiro estar comendo uma pizza, em si mesmo, não é o problema.

Significativo é o fato de que, o presidente e os integrantes da delegação representante do Brasil estavam proibidos de frequentar o  interior de uma pizzaria para, sentados à mesa,  apreciarem uma pizza. E a razão disso é o PRESIDENTE do Brasil não ter cumprido o ACORDO DE CAVALHEIROS tácito a que se submeteram todas as demais delegações estrangeiras presentes à abertura da Assembleia Geral da ONU.

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O que houve foi a ruptura de um pacto, por força do negacionismo em relação à vacina, ao uso de máscaras, até mesmo à gravidade da pandemia, que tem caracterizado e colocado o nosso país na condição de um país PÁRIA, em todo o mundo.

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Situação que apenas reforça as críticas  A TODOS NÓS, bolsotários ou brasileiros de bom senso, ou até aos ignorantes, omissos ou analfabetos políticos, feitas por toda a mídia internacional e que tem nossa delegação como foco. Seja pelo comportamento do presidente no encontro com o primeiro ministro inglês, depois de ter sido confrontado com a falta de vacinação; seja pelo comportamento do prefeito de Nova York, indicando locais de postos de vacinação; seja pelo discurso caricato e fake com que brindou aos presentes na ONU; seja pelo gesto obsceno feito (a apresentação de seu dedo médio) por seu ministro da Saúde,  antes de passar pelo outro vexame de ter de comunicar oficialmente estar contaminado pela Covid.

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Se a intenção do presidente era a de mostrar a oposição explícita desse governo a uma eventual  degradação que caracteriza o mundo, atribuída ao processo de internacionalização que estamos vivendo, a comitiva brasileira não poderia ser mais contundente.

A título de criticar o mundo, o presidente optou por  isolar o Brasil. E por chocar a todos que, de forma incoerente e contraditória com seu discurso mágico e distópico, pretende atrair para nosso país.

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A razão do Projeto de Lei das Fake News

Tendo o Senado devolvido a Medida Provisória destinada a restringir o direito de as redes sociais combaterem fake news, aquela MP perde seu efeito, o que se corrobora com a decisão da Ministra Rosa Weber do STF, de suspender tal medida.

Em razão disso, o Executivo resolveu enviar ao Congresso, agora, um Projeto de Lei com o mesmo conteúdo.

Dois detalhes: a satisfação do presidente da Câmara, Arthur Lira, com a remessa de tal matéria para discussão e análise pelo caminho formalmente mais adequado, o de um PL, sem qualquer crítica ao conteúdo absurdo nele tratado.

Segundo, o engano cometido por todos os analistas para quem a intenção de tal MP, lavrada antes do fatídico 7 de setembro, data do autogolpe fracassado, destinava-se a permitir e alimentar notícias do golpe frustrado.

Na verdade a razão da MP e do PL, por mais que contemplem a rede do ódio e das inverdades favoráveis ao governo é, em minha opinião, eliminar qualquer possibilidade de punição a todos os acusados de cometer Fake News, alguns até presos, por força de inquérito no STF.

Afinal, se não há tolerância à divulgação de tais mentiras, não há razão para punir os mentirosos. 

quinta-feira, 16 de setembro de 2021

Os pitacos precisam tratar do marco temporal e de precatórios. Afinal, tal discussão nunca foi pensando nos interesses genuínos do povo brasileiro

Precisamos tratar do marco temporal: a pretensa data que, de acordo com os interesses dos invasores de terras indígenas – produtores do agronegócio, pecuaristas, mineradores, madeireiros, grileiros de todo tipo, a Constituição de 1988 teria fixado como base para definir a posse de terras por tribos indígenas.

Em outras palavras, segundo esta tese, apenas aquelas terras ocupadas pelos povos indígenas quando da promulgação da Constituição cidadã, em 5 de outubro de 1988, poderiam ser reinvidicadas por estes povos e reconhecidas oficialmente por meio de sua demarcação.

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Apenas para registro e não cometer qualquer injustiça deixando de mencionar algum tipo especial de grupo invasor, importa reconhecer que invasores fomos e somos todos nós que, desde 1500 no mínimo, aportaram a essas terras e tiraram o sossego, a liberdade, além de provocar uma verdadeira degradação do modo de vida dos povos que aqui habitavam.

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Para esclarecer, analisar, debater e nos manifestar quanto à interpretação da Constituição Federal em relação à tese do marco temporal, importa verificar o que está expresso em nossa lei maior,em seu Capítulo  VIII, intitulado Dos Índios, especialmente em seu artigo 231.

Em seu caput o artigo 231 estabelece que:

São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.

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A partir de uma primeira interpretação, literal – vemos que o advérbio TRADICIONALMENTE significa “de maneira tradicional, de acordo com a tradição, com os hábitos, saberes, conhecimentos passados de uma geração para outra .... De modo costumeiro, habitual.” (extraído do site https://www.dicio.com.br › tradicionalmente).

 

Não há qualquer menção a uma data fixada. Muito menos à fixação do índio à terra. Ao contrário, o que se vê em vários outros sites disponíveis para consulta no Google, nos informa que os índios sempre se caracterizaram como povos nômades ou seminômades.

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Se em algum momento se tornaram sedentários e vinculados a atividades agrícolas, provavelmente tenha sido resultado muito mais de ações de órgãos criados na estrutura do governo, como o Serviço de Proteção ao Índio, criado a partir de 1910 e extinto em 1967.

Entre os objetivos do SPI, constava a implementação da política nacional indigenista, destinada a civilizar o índio e transformando-o em um trabalhador nacional.

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Destaca-se que na época os silvícoloas eram considerados plenamente incapazes pelo Código Civil, o que os colocava sob tutela do SPI.

Não é de se estranhar que, procurando uma proteção junto ao órgão que consistia em seu algoz, os povos indígenas fossem sendo forçosamente mantidos em áreas ou regiões territoriais limitadas, restritas em tamanho, transformando-se em povos sedentários ligados à atividade agrícola.

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O artigo 231 da Constituição conta com 7 parágrafos, que apenas esclarecem e reforçam o que o seu caput já diz de forma explícita sendo, de fato, uma lei de alforria e reconhecimento de plenos direitos desses povos ditos originários, sempre prejudicados.

Para não ficar cansativa a leitura, transcrevo sem comentários adicionais, mas com grifos seu:

§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.

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Nenhuma menção a data. Logo, a tese do marco temporal é apenas a defesa de interesses que contrariamente à Constituição, privilegiam interesses de setores do capital produtivo e especulativo, que apenas promovem a deterioração do meio ambiente, o desmatamento, a agressão predatória dos recursos naturais e, por fim, o aquecimento global com prejuízos que cada vez mais se evidenciam, para todos.

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Argumentar que a vitória da tese contrária, que cumpre a Constituição e respeita o direito dos índios irá significar o fim do agronegócio no Brasil, como já feito pelo inepto e mal intencionado que ocupa o Executivo não é somente discutível. É mentirosa.

Primeiro porque os índios não reivindicam para si, por ganância toda e qualquer terra produtiva, mas apenas as vinculadas a sua tradição, história, costumes e usos.

Segundo porque o agronegócio, diferente daquele tipo de atividade praticada pelos OGROSapoiadores do incompetente do Executivo, utilizam cada vez mais tecnologias que, para além de sua elevada produtividade – e menor custo – procuram preservar o meio ambiente em que operam, o que muitas vezes, ao contrário do que pensam aqueles ogros, ajuda a reduzir custos por reaproveitamento e reciclagem de resíduos.

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Assegurada a produção das commodities que asseguram nossas vultosas receitas de exportação, o que falar quanto à geração de emprego e produção de alimentos para atender às necessidades da população brasileira?

Face ao uso cada vez maior de tecnologia sofisticada, altamente capitalizada e CONHECIMENTO INTENSIVA, não é o agronegócio exportador que vai gerar as oportunidades de trabalho destinadas a retirar parte dos 14,8 milhões de brasileiros da estatística degradante do desemprego.

Por outro lado, a fixação de mão de obra no meio rural é muitas vezes devida à pequena produção familiar, aos pequenos produtores rurais que, estatisticamente são os principais responsáveis pela produção dos produtos que se destinam ao sustento alimentar do país.

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Por tudo isso, é urgente que a sociedade se manifeste, contrária a mais um abuso que se busca praticar contra os povos aqui já existentes há mais de 5 séculos, em movimentos de REPÚDIO firme ao conceito ilegal e inconstitucional do marco temporal.

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Opções frente a recursos escassos

 

Conto uma breve histórinha: minha mulher e filhos estão trabalhando em regime de ‘home office’ desde o início da pandemia. Em todo esse período, como aconteceu com a maioria dos trabalhadores que tiveram a oportunidade de manterem seu emprego e trabalharem de forma remota, suas produtividades não apenas se ampliou: o fato de ser difícil a mensuração física de produtividade vinculada à prestação de serviços, levou a que ampliassem a própria jornada de trabalho.

Isso sem contar com o medo do contágio, da decisão de autorestrição de contatos com familiares, amigos, e de abdicarem da vida social tão necessária para a manutenção de nossa saúde mental (quanto à mulher! Os filhos nem se contiveram tanto assim!)

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Agora, com todos já tendo completado o esquema vacinal, demandam todos – merecidamente – a realização de uma viagem.

Mas, dados os gastos e compromissos já assumidos anteriormente e considerado o momento de incertezas atravessadas pela economia brasileira e o custo elevado da viagem, encontro-me em um dilema: devo decidir pelo gasto benéfico do ponto de vista da condição de vida de meus familiares ampliando meu endividamento, colocando em risco minha solvência ou optar pelo gasto que privilegia a condição de saúde familiar, deixando de pagar contas como luz, celular, água, aluguel, e até mesmo as parcelas de faturas de cartão de crédito e outras formas de crediário?

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Pedindo desculpas aos amigos que insistem em ler estes pitacos, e que nesse momento devem estar me condenando como caloteiro, fanfarrão, demagogo (com os meus!) é essa a proposta que esse estropício que ocupa o ministério da Economia está interessado em fazer e está propondo.

Deixar de pagar os compromissos assumidos por total falta de respeito e consideração aos direitos dos cidadão, o que os obriga a recorrer à Justiça onde seus direitos são reconhecidos -  versus a opção de dar o calote nos PRECATÓRIOS, obtendo recursos destinados a financiar o aumento do bolsa família, é um calote de pior espécie, comportamento típico da pior espécie de rufião. Que é o que o ministro representa.

E tudo por uma questão de turbinar o programa – aquele que comprava os votos no interior, explorando a ingenuidade e pobreza do povo – tido HOJE como um verdadeiro ativo a ser vendido na campanha eleitoral de 22.

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O problema ( e aqui reconheço que minha ilustração  seja algo infeliz!) é que nunca foi pelos 20 ou 50%, nunca foi parte de uma política de redução das disparidades de emprego, oportunidades e renda – que respeitem os trabalhadores brasileiros.

Sempre foi tratar o povo como manada.

 

terça-feira, 14 de setembro de 2021

Declaração à nação é uma fakeletter, engana apenas aos que acreditam que o escorpião pode mudar sua natureza

 Parte do pitaco hoje se dedica a trazer comentários sobre a Declaração à Nação, produzida por Temer e assinada pelo presidente da República, no dia 9 passado, depois do malogro da tentativa de golpe patrocinada pelo desequilibrado que ocupa o Executivo.

Suficientemente analisada pela mídia, a carta, como também tem sido chamada, não passa de mais uma MENTIRA, uma “fakeletter” desse ser pútrido que ocupa o poder. O que, convenhamos, não poderia ser nem diferente nem causar surpresa.

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Diferente agora, é a presença de um ser saído das sombras, figura vampiresca, como Temer. Sempre ardiloso, sempre subreptício, sempre a favor de interesses inconfessáveis e contrários à grande massa de cidadãos brasileiros.

Temer, infelizmente, passa para a história de nosso país como aquele político sem votos, alçado ao cargo de presidente às custas das maiores intrigas, desfaçatez e traição de nossa República. Um Silvério dos Reis que deu certo. E cuja boca continua torta, pelo uso continuado do cachimbo.

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Não admira portanto, que no tumulto que se seguiu ao golpe frustrado desse Messias de araque, tenha corrido para se apresentar como um homem de diálogo, apaziguador das forças em conflito, representante dos interesses mais abjetos e sempre, SEMPRE, contrários aos interesses, desejos e necessidades da ampla maioria do povo brasileiro.

Não à toa, seu surgimento das sombras se fez justo quando o mercado financeiros começava a sofrer perdas e danos da aposta equivocada que fez em 2018, e que vinha sustentando até o presente.

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Afinal: já há muito a teoria econômica, Keynes à frente, tinha mostrado a importância da manutenção de um ambiente de tranquilidade, capaz de aplacar as expectativas,  por si só naturalmente incertas, de decisões adotadas no presente e resultados a serem apurados no futuro.

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Agindo e falando em nome dos interesses da casta que compõe o mercado financeiro, Temer se apressou a tentar por panos quentes na situação conflituosa do pós 7 de setembro.

Afinal, nem ele pode negar, nem nós esquecermos sua frase síntese: “tem que manter isso aí”.

Dessa feita, o isso aí contra os interesses da população que constrói essa nação com sua luta e sacrifícios. A favor dos interesses do capital financeiro e do grande empresariado, das privatizações, das reformas na Câmara, como a da tributação que apenas amplia a carga, sem nem tentar cumprir minimamente qualquer interesse distributivista; a reforma administrativa, destinada a destruir a administração do Estado, pelo retorno de política de favorecimentos e compadrios, retirando de seu corpo funcional, as condições para trabalharem em prol de interesses outros que não os particulares; ou a reforma trabalhista, para eliminar direitos e fragilizar o cada vez mais precário elenco de direitos do trabalhador.

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Mas, o pitaco não é sobre Temer, e sim sobre o miliciano genocida, golpista que ocupa o governo. E sobre sua declaração mentirosa.

Suficientemente divulgada e conhecida, não seria necessário voltar a abordar o documento, não fosse uma recomendação do próprio fantoche que a assina: “O cara não lê a nota e reclama. Leia a nota. Duas, três vezes. Bem curtinha. São 10 pequenos itens. Entenda. A gente vai acertando”...

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Como gosta  de dizer o Pazueira, missão dada, missão cumprida. Mas vou pinçar apenas alguns itens. A começar pelo título, de declaração à nação, por si só uma inverdade que se manifesta em sua inteireza no item final, quando afirma “10. “Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro...”

Vindo de um presidente cujos índices de popularidade despencam de forma acelerada, e que depois de 2 meses preparando o ambiente para um golpe, com recursos públicos, consegue reunir apenas 125 mil bolsotários em seu apoio, é de se questionar, até como simples figura de retórica o tal extraordinário apoio. Pior, por que ele se refere ao povo não como um todo, mas ao seu curral cativo: “com quem alinho meus princípios e valores...”

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Ora, foram poucos,  muito poucos em termos de representatividade, embora um número absoluto elevado (125 mil) o povo que saiu com armas e faixas e cartazes pregando o golpe, autorizando o golpe e querendo a volta da ditadura, da intervenção militar – com o infeliz!- e o fechamento das instituições do Estado de Direito.

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Na introdução da nota, faz uma afirmação supérflua, desnecessária: “ No instante em que o país se encontra dividido entre instituições ...”.

Completamente ociosa já que ou as instituições ou Poderes da República por definição são 3. Autonômas e independentes. Mais, harmônicas. Como ele reconhece no item seguinte, em que manifesta que “ A harmonia entre eles (os PODERES)  não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar.”

Logo, dizer que as instituições não são uma unidade deve ter outra interpretação. E nessa outra visão, o problema é elas estarem em conflito aberto. Mas, é verdadeira essa afirmativa?

E se for, quem ou porque o conflito?

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Todos sabemos a resposta: tendo manipulado verbas e votos para as presidências das casas legislativas, o presidente ainda assim tem sofrido derrotas em seus projetos. Até mesmo depois de acordos com o Centrão e liberação de verbas orçamentárias em verdadeira enxurrada, o presidente não consegue ter toda sua pauta analisada, votada, aprovada.

Sem perceber que o Centrão é isso aí, ou seja, quanto mais ele, o presidente se enfraquecer, mais esse bloco conquista recursos e cargos e transforma o presidente numa peça que reina mas não governa: uma autêntica rainha da Inglaterra.

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Já com relação ao Judiciário, a briga é provocada pela disposição de interferir na pauta de assuntos, e no andamento de processos que envolvem ninguém menos que sua familícia. Os irmãos Bolsonalhas, os metralhas do nosso país.

Por isso, sua reação agressiva e sua disposição para a briga. Afinal, não é apenas o caso de “ conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news”.

Trata-se também dos inquéritos sobre as rachadinhas, ou o gabinete do ódio, o financiamento irregular de campanha, a impossibilidade de fraudar as eleições via voto com a participação humana, não digital. Isso sem contar com a corrupção e o assassinato de centenas de milhares de brasileiros em razão de sua inação na pandemia, como a CPI da Covid está mostrando a todo o Brasil.

E o medo pânico de, por culpa do professor, seus filhos acabarem todos no lugar onde merecem estar: na cadeia. Todos presos. Em celas separadas, inclusive daquela desse Messias caído.

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Para não merecer qualquer crédito, a nota diz em seu primeiro item que “Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes..”

Fake. Afinal, não foi a primeira vez que alimentou as ações de seu povo/gado, destinadas a fechar o Supremo.

Ainda naquela reunião fatídica de 22 de abril de 2020, não fez qualquer crítica ao comentário de Weintraub, sobre os membros do Supremo. Nem repreendeu ao seu filho, Edu bananinha, o fritador de hamburguers, que propôs fechar o STF com um cabo e um soldado.

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Sua fala no 7 de setembro, destemperada como de costume, frustrada pelo golpe abortado, foi apenas MAIS UMA agressão de uma série ao Poder e a um de seus membros. Pior, depois de uma tentativa canhestra como é de seu nível de inteligência, de exigir que o ministro Fux enquadrasse um ministro.

A Moraes, a agressão foi por demais óbvia. A ponto de se dizer disposto a não considerar ou cumprir ordens dali emanadas, em clara desobediência civil.

Alegar que suas palavras foram no calor do momento é outra fantasia que engana apenas aos incautos. Exceto se o calor do momento seja uma figura de linguagem, ou uma homenagem ao aquecimento global.

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Quanto às naturais divergências em relação a decisões do Ministro, para um energúmeno cujo conjunto de leis se compõe daquelas que, por atenderem a todas as suas vontades são as que ele acredita que devam vigorar – sempre de privilégios para os seus e seus cúmplices, são apenas a demonstração de sua pouca adaptação ao regime democrático de distintos interesses.

Disposição que se torna clara no primeiro ponto, quando afirma não ser sua vontade a harmonia entre os poderes.

Nesse ponto, ao menos reconhece que tal harmonia decorre de disposição constitucional, da mesma Constituição que ele não procura cumprir, salvo no que for compatível com sua ideia de fundamento legal.

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Por fim, mente ao dizer que “Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles.”

Só não mente ao utilizar o lema integralista com que finaliza a carta.

Nem quando reclama que seus seguidores não leram a carta, e cobram dele coerência. Por isso afirmou na live da mesma quinta, dia 9, que não pediu desculpas.

E tenta vender a ideia de que adotou uma postura estratégica.

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Aqui é fato. Apenas recuou momentaneamente, para arregimentar suas forças, avaliar suas estratégias e partir para novos ataques, com a esperança de que sejam exitosos.

Quanto à reação dos presidentes das casas do Congresso, de elogios à retomada da harmonia e do diálogo, e a postura aliviada do mercado financeiro, apenas revelam que sabem que é o tempo disponível para que concluam o ataque aos direitos dos brasileiros, e que vão procurar utilizar tal tempo com a maior dedicação, antes que nova tentativa de golpe seja lançada, como um troféu aos “manifestantes que foram às ruas em Brasília no Dia da Independência.”

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De minha parte, os movimentos populares de oposição a essa besta fera, que acreditam na possibilidade de vencer as eleições de 2022, estão iludidas com esse recuo e esse tempo de espera.

Enquanto esperam unir as forças para as eleições democráticas, custam a se dar conta de que o jogo desse genocida é partir para o golpe do desespero, impedindo as eleições.

quinta-feira, 9 de setembro de 2021

Reações ao terrorista que ocupa o Planalto e ao golpe frustrado de 7 de setembro

Muito lembrado e citado nesses últimos e agitados tempos que o país atravessa, por força de processo de demolição estrategicamente posto em prática pelo criminoso democraticamente eleito para ocupar a chefia do Executivo a partir de 2018, o parágrafo único do Art. 1º da Constituição Federal de 1988, estabelece que: 

Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.

Embora possa parecer ociosa, a referência importa para rebater palavras de ordem que têm frequentado os espetáculos nazifascistas patrocinados pelo principal culpado da morte de mais de 586 mil brasileiros, sem adjetivação, para cumprir o pedido de "chega de frescura, de mimimi". 

Mas, a menos que eu esteja enganado, embora o parágrafo traga alternativas, houve uma clara opção dos constituintes pelo exercício do poder político por meio de representantes. Ou seja: democracia representativa, com representantes escolhidos pelo voto (como se vê, por exemplo, no art. 45, que trata do Poder Legislativo. 

Assim, a menos que fosse aprovada nova legislação criando formas diretas de poder é, no mínimo ignorância repetir as falas falsas daqueles que, sem perceber, apenas são margem de manobra para a invocação da queda do regime democrático de Direito que vigora no país. 

E o fazem sob a justificativa de defenderem a Constituição.

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Mas, como fiz referência ao processo de demolição planejada posto em prática pelo cúmplice dos milicianos atualmente na presidência do país, sinto-me na obrigação de transcrever o que, por não ser da área da engenharia, aprendi no site https://www.escolaengenharia.com.br:

"Demolição é o ato de se destruirde forma medida e calculada, alguma construção para então dar espaço para a construção de uma nova."

Depreende-se daí que o desgoverno a que estamos submetidos não é por acaso. É pensado. 

Em parte por alguns militares ávidos por poder, um desejo de vingança por terem sido expulsos da vida pública em 1985, ao fim da ditadura militar, iludidos com a possibilidade de colocarem cabresto na mula, ou Cavalão, colega de alguns na Academia Militar. 

Isso, antes de se mostrar o terrorista que é.

Mas, embora a lorota de patriotismo e nacionalismo seja especialmente útil para enganar alguns outros cidadãos que confundem valores nacionais maiores - que dizem respeito a  um modo concreto de vida - com meros e vazios símbolos abstratos da pátria. 

Estes brasileiros pretendem estar defendendo o que afirma o caput do art. 5, que garante, sem distinção de qualquer natureza, que todos são iguais perante a lei, e assegura aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

Ingênuos muitos que participam de tais eventos, mal intencionados outros, o que os caracteriza é se prestarem a uma estratégia de destruição dessa nacionalidade, fruto de um movimento de inspiração internacional, da ultradireita conservadora, tradicionalista, e apátrida, que conta com a contribuição de figuras como Steve Bannon e seu pet Eduardo Bolsonaro; Olavo de Carvalho, o astrólogo .... que "pisava nos astros" e Aleksandr Dugin, da Rússia.

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Longa, a digressão acima, não é vã, pois a Constituição Federal que vários brasileiros de bem acreditam defender como instrumento fundante e base da democracia, da soberania do Povo, do Estado de Direito e seu corolário da separação dos Poderes, é justamente o que os artífices do CAOS desejam destruir e enterrar. 

É a essa demolição que os bolsonaristas autorizam ao se conglomerarem para venerar o mito fake. 

Um miliciano genocida capaz de convocar manifestações que, sob o disfarce da defesa da liberdade de expressão consagrada na Carta, abrem espaço e oportunidade para criação de mais um momento de divisionismo, de disseminação do ódio, em suma, o oposto do que apregoa. 

Infelizmente, tais mensagens encontram ressonância e transformam pessoas de bem em colaboradores passivos da implantação de um desgoverno de terror. 

Pior, transforma a todos os participantes, conscientes ou não, ingênuos, estúpidos ou apenas ignorantes, em cúmplices de CRIME previsto no inciso transcrito a seguir:

XLIV - constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático;

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E o crime não se caracteriza apenas pela concretização da ação contra a ordem constitucional, aí identificada qualquer ato contra os demais Poderes, especialmente o Supremo Tribunal Federal. 

Insuflar a ocorrência de ações contra o STF, como agredir a seus membros, por atos ou palavras, caluniar, ameaçar não cumprir as ordens emanadas daquela Corte ou de seus membros, mais que desobediência civil, é ato de  terrorismo quando praticado por detentor de mandato público e de responsabilidades cujo cumprimento o responsável jurou defender. 

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Fux, em seu discurso sério, duro, mas pouco incisivo na capitulação de crimes do "chefe da gangue das rachadinhas e funcionários fantasmas" chegou até a dizer que o comportamento do irresponsável do Executivo era ILÍCITO. 

Ou seja, é crime. Tipificado. E poderia se aproveitar da presença ao seu lado do Procurador Geral da República, Aras, para dizer com todas as letras que ali há havia sido cometido um crime comum. 

Ao contrário, preferiu falar de possíveis crimes de responsabilidade que também ocorreram, mas cuja responsabilidade pela análise, investigação e até julgamento cabe ao Congresso, parte na Câmara de Lira e do Centrão, com o desfecho final no Senado de Rodrigo Pacheco. 

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Tendo perdido a oportunidade de colocar o dedo na ferida ou no crime com mais vigor, Fux deu oportunidade a Aras para se manifestar com um discurso que, apesar da defesa da Constituição e da forma de poder no país, quase que de forma aliviada teceu elogios à urbanidade, à "ordem cívica da festa da democracia."

Uma quimera, se se quiser explorar os atos de vandalismo de partidários do genocida na Esplanada dos Ministérios, ou as tentativas de invasão do palácio do STF, ou ainda a ameaça de invasão do Ministério da Saúde, um dia após a tentativa frustrada de golpe. 

Mais ilusória se se computa como violência também o conteúdo e não apenas a realização formal que revestia os atos. 

O miliciano genocida subiu não apenas vários tons. Incitou o golpe. Pregou o golpe, travestido da forma da desobediência civil. 

Não precisa de nada mais para caracterizar o evento todo como extremamente violento. E terrorista. 

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No Legislativo, embora não classificando de mesma forma o comportamento ganancioso e aproveitador de Lira e seu Centrão com o demonstrado por Pacheco, a proposta de ambos é muito próxima:  pacificar, por panos quentes, negociar, procurar harmonizar e conter os arroubos e bravatas do covarde com os interesses mais democráticos e republicanos (?) daqueles que são sempre vítimas das trapaças e traições de quem tem ouvidos surdos para soluções que não incluam a proteção de suas atividades ilícitas e de seus filhos. 

De Lira, não era de se esperar coisa diferente, já que qualquer negociação cria a oportunidade para que o ocupante preguiçoso do Planalto ganhe tempo para continuar na escalada contra a democracia, enquanto serve também para aumentar o prêmio a ser pago pela manutenção do estado de total inoperância e instabilidade em que estamos inseridos. Para Lira e o Centrão, isso dá espaço a que mais recursos possam vir a jorrar para financiamento de interesses minúsculos e subalternos. 

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Dia 12 estão previstas manifestações da direita golpista e arrependida contra o desgoverno. 

Dividida, a esquerda teme apenas aumentar o número de participantes de movimentos que por terem pautas contrárias aos reais interesses populares, não têm qualquer apelo.

No entanto, manifestações contra o governo, sem povo, podem gerar a interpretação equivocada de que não há nem pressão nem clima para que o país se veja livre de seu principal problema: o terrorista que finge que o preside. 

Por outro lado, já não há mais tempo para organizar um movimento contra o terrorista, com as bandeiras capazes de atrair o apoio popular, cuja agenda traz: vacinas, emprego, qualidade de vida, segurança, renda e respeito aos direitos dos trabalhadores. 

Ir às ruas para não deixá-las vazias, com roupas coloridas, vermelhas, pretas, e faixas pelo impeachment e pró agenda popular,  nesse momento de manifestações todas pelo fora Bozo, pode servir para que os movimentos populares criem uma janela de oportunidade que seja o embrião de um processo de mudanças em direção à formação de uma sociedade mais igualitária. 

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Martela em minha cabeça uma frase que ouvi, atribuída a Daniel Cohn-Bendit, sobre de que não é hora de querer trocar as peças, é hora de tirar o tabuleiro.