sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A respeito de porcos e do voto nordestino

Confesso que embora às vezes eu tivesse vontade de publicar textos de outros autores em meu blog, sempre evitei tal prática.
Poder-se-ia alegar que é por mero despeito ou medo. Seja de descobrir que meu texto é muito inferior, seja para evitar que todos que me honram lendo meu blog, começassem a pedir que eu deixasse esse espaço de minha manifestação para quem se manifeste de forma melhor.
Por esse motivo, quando encontro um texto ou opinião, ou artigo que me faz querer compartilhá-lo, costumo transcrever apenas partes, não o todo. Claro que sempre faço a referência para que aqueles que o desejarem possam ter acesso a todo o conteúdo.
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Mas não é o que ocorre dessa feita. Primeiro por que muito me incomodou uma série de postagens, com curtidas e comentários elogiosos, que vi no facebook, logo depois de proclamado o resultado eleitoral, com a vitória de Dilma. Tratava-se de uma frase, reproduzida à exaustão, que falava dos porcos, e de como eles babam com a mão que os alimenta, mesmo que, à la Augusto dos Anjos, seja também a mão que os apedreja (ou mata).
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O pior de tal frase, acho, era estar sempre nas redes associada a outros comentários que demonizavam o povo nordestino, por terem dado a maioria esmagadora de seus votos, à reeleição da presidenta e o PT com seus programas assistencialistas.
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Pois bem, Fernando Simões, colega do Banco e grande amigo é nordestino. Baiano. E também ficou deverasmente incomodado com tais comentários e apoios.
E mandou-me um texto para que, caso eu gostasse o publicasse em meu blog.
Correndo o risco de depois ser cobrado de deixar só o Fernando escrevendo nesse espaço, eis o texto. Com que concordo em gênero, número e grau. Em sua beleza e poesia.
Que todos possam apreciá-lo.
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Não consegui trazer para publicar uma tabela que encimava o texto, mostrando os votos tanto de FHC quanto de Lula, nos anos de 1994, por estado nordestino, cuja fonte é o TSE.

Sobre porcos, pérolas e nordestinos
(O escrevinhamento de um Nordestino-pertencente a um Nordestino-envergonhado)

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso venceu Lula no Nordeste na eleição para presidente pelo placar de 58,67% a 28,18% (67,55% dos votos válidos) e depois, em 1998, por 48,19% a 29,95% (61,67% dos votos válidos). Antes, Collor havia derrotado Lula, em 1989, com significativo apoio do Nordeste. Nas três ocasiões votei em Lula, portanto, estive do lado dos derrotados (como dizemos lá na terrinha: “peguei no cabo da raposa”).
O Nordeste foi protagonista nas quatro vitórias presidenciais do PT (2002, 2006, 2010 e 2014). Assim como, a região fora determinante nas vitórias de Getúlio Vargas (1950) e Juscelino Kubitschek (1956). Nasci em abril de 1963, mas a história nos conta sobre a relevância dos governos de Vargas e JK. Votei no PT quando o partido elegeu seus representantes. Assim, nas derradeiras eleições, meu lado venceu (“soltei o cabo da raposa”).
Naturalmente, estou satisfeito com os últimos resultados das eleições presidenciais e me aborreceram as derrotas que o nordeste impingiu ao meu candidato. Além dessas derrotas, também me aporrinharam as adesões de Gonzagão à ditadura militar e de Jorge Amado à ACM. Também as críticas ácidas (e no meu entender, injustas) de João Ubaldo a Dilma contrariaram as minhas expectativas em relação ao posicionamento político do meu escritor baiano mais querido. (Poderia passar um dia inteiro relatando dessabores semelhantes, mas creio que esses já sejam suficientes ao meu intuito). Todavia, em nenhum momento passou por mim a ideia de desqualificar o povo nordestino ou de diminuir (um punhado que fosse) os talentos do “Rei do Baião”, do Amado Jorge (outrora comunista), do criador da obra prima “Viva o povo brasileiro” ou de qualquer outro adorável nordestino que tenha assumido posição que me tenha desgostado.
O fato de alguém nascer em um lugar (ou mesmo crescer nesse lugar) não significa que esse alguém pertença a esse lugar. O local de nascimento é uma ocorrência independente da vontade ou da ação do indivíduo, obviamente. A nacionalidade ou naturalidade é o resultado da loteria geográfica. O pertencimento, ao contrário, é fruto de um processo contínuo de percepção crítica, identificação e comprometimento. É, portando, uma construção autónoma, própria do livre arbítrio. Ninguém escolhe onde nascer, mas pode decidir (mesmo que intuitivamente) a que “lugar” pertencer.
A percepção crítica nos dá a capacidade de recolher, ao longo do nosso existir, as pérolas que nos encantam (acontecimentos, testemunhos, tradições, valores éticos, metafísicos e estéticos etc.) e guardá-las no nosso alforje cultural. A coleção dessas pérolas é a identidade cultural de um indivíduo. A cultura de um povo é conjunto das pérolas mais comuns nos alforjes dos indivíduos que o compõem. E o comprometimento é defesa dessa riqueza, acumulada em forma de pérolas. Portanto, um indivíduo faz parte de um dado grupo se, além das pérolas que lhe são mais caras, ele é também guardião das pérolas mais comuns. Se um indivíduo desconhece essas pérolas comuns não há como defendê-las, assim com, se perceber parte do todo. E não se consubstancia o pertencimento. O pertencimento, portanto, não se antagoniza com a individualidade, já que não há dois alforjes idênticos, senão, faz parte dela.
Todos os indivíduos são capazes, em alguma dimensão, de produzir pérolas. Assim, a convivência, a observação, a comunicação e, sobretudo, a solidariedade e a empatia enriquecem a todos, fazendo aumentar a oferta no mercado de pérolas, que tem como moedas tão somente o tempo e o querer. E é por isso que há uma relação direta entre proximidade espacial e semelhança de alforjes, fazendo surgir a cultura local, que é dinâmica, se transformando a cada novo conhecimento endógeno ou importado. “O povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe” (Gilberto Gil). Assim, o aumento do saber é também o aumento do querer e do buscar.
Quando um brasileiro desdenha, desqualifica ou ofende o POVO NORDESTINO pelo simples fato de ele ter majoritariamente feito uma opção (a partir da sua realidade) que difere da escolha de uma elite econômica (egoísta e perversa) – e que dessa forma explicita o desejo de estabelecer uma aristocracia de fato em um ambiente de democracia de direito –, intuo que, além da incapacidade da empatia, a ignorância lhe serve como um poderoso entorpecente: fazendo com que um tolo preconceituoso (incapaz de superar a mixórdia/indolência cognitiva) se perceba sábio quando na verdade é só um idiota instruído (quando muito).
Quando um nativo do nordeste expõe publicamente sua “vergonha” também pelo fato de os seus conterrâneos (de direito) não adotarem suas certezas encasteladas – chegando ao ponto de nos comparar a porcos famintos, adoradores dos nossos (supostos) algozes, por também serem eles quem nos alimentam –, constato que esse o Nordestino-envergonhado, além de ter sido acometido pelos dos males da ignorância e do egoísmo já expostos, é absolutamente desprovido do sentimento de pertencimento ao Nordeste. Seu alforje não contém nossas pérolas comuns. Senão como explicar a absoluta falta de solidariedade, empatia e respeito aos seus irmãos. Como explicar o carecimento de espírito democrático para aceitar a vontade da maioria dos que deveriam ser seus pares. E ainda, como explicar a ausência no irmão da altivez inerente ao POVO NORDESTINO.
Assim, irmão Nordestino-envergonhado, eu, um Nordestino-pertencente, lhe trago uma boa nova: não há mais porque se envergonhar! Você até pode ter nascido no Nordeste, por obra e graça (ou desgraça, a depender do observador) da loteria geográfica, mas, definitivamente, o irmão não pertence ao Nordeste. Pois, “só é [nordestino] quem trás no peito o cheiro e a cor da sua terra, a marca de sangue dos seus mortos e a certeza de luta dos seus vivos”[i] (Vital Farias).
E, assim sendo, o irmão está alijado do sentimento da vergonha. E, por conseguinte, o irmão está livre e habilitado para galgar um pertencimento mais “nobre”. E “Que Deus te guie porque eu não posso guiar” ou “Que [Joaquim Nabuco o] resgate”[ii] (Caetano Veloso). Só não ofereça as nossas pérolas aos porcos reacionários e racistas, tão corriqueiros ultimamente nas mídias sociais, pois elas são o tesouro dos Nordestinos-pertencentes.
Axé a todos e Inté intão (Uai sô, tô vivendo em Belzonte e já ajuntei um cadin de pérolas de cá, mas meu alforje é grande e não precisei e nem vou precisar me desfazer das antigas)!




[i] Texto original: “Só é cantador...”.

[ii] Texto original: “Que Chico Buarque de Holanda nos resgate”.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Então, o fim do mundo: juros altos e Galo em baixa

Bem que alguns conhecidos haviam previsto que a reeleição de Dilma representaria o fim do mundo.
Pois bem, estavam certos.
Começou.
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Em reunião que terminou na tarde de ontem, o Copom resolveu elevar mais uma vez a taxa de juros básica de nossa economia, a Selic, que alcançou o patamar de 11,25%.
Dessa forma, aquele colegiado conseguiu surpreender a todo o mercado, que não contava com alteração da taxa, salvo na reunião de dezembro.
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Como justificativa para a decisão, a deterioração das contas públicas, e o fato de a taxa de inflação ter extrapolado o limite superior do intervalo permitido, quando considerado o período de 12 meses concluídos em setembro de 2014.
É importante recordar que o sistema de metas inflacionárias leva em consideração o período de janeiro até dezembro, não tendo qualquer significado mais importante a variação do INPC alcançado em setembro, de 6,75% (superior ao limite de 6,5%).
Entretanto, o acompanhamento da variação ocorrida a cada mês acaba sendo importante balizador dos rumos da aceleração dos preços, assim como as placas ao longo de uma estrada sinalizam ao motorista se a direção por ele tomada está correta.
Analisando por essa ótica, a variação do INPC em setembro serviria como alerta para a possibilidade de o limite não ser alcançado conforme compromisso da Autoridade Monetária para o ano em curso. Especialmente considerando-se que, o último trimestre do ano costuma ser um período de mais forte pressão inflacionária, em função das compras de fim de ano, reposição de estoques por parte do comércio, etc.
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Dessa forma, elevando-se os juros e tornando o crediário mais caro, o Banco Central poderia estar visando conter a elevação quase que natural da demanda, o que serviria para limitar o desejo e a oportunidade do comércio para praticar ajustes de seus preços.
Por outro lado, talvez estivesse já preparando o terreno para as necessárias correções de preços de serviços públicos que se encontram represados, como o de tarifas de energia elétrica e de combustíveis.
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Sob esse ponto de vista, ao arrefecer o ímpeto de uma elevação de preços por força da contenção de uma demanda crescente no fim do ano, abriria espaço para começar a praticar uma política mais realista, atendendo aos reclamos dos analistas de mercado.
De quebra, tal política poderia representar um aceno aos empresários de uma tentativa de se resgatar a confiança abalada por uma política econômica considerada fortemente intervencionista.
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Se há então argumentos em defesa da medida de elevação dos juros, de minha parte, duas questões persistem, alimentando minhas dúvidas do acerto do COPOM.
A primeira, o fato de a política de juros ser um instrumento típico para debelar reajustes de preços, provenientes de uma demanda muito aquecida, o que não me parece estar sendo o caso em nosso país nessa oportunidade.
Ao contrário, em função das reclamações dos empresários, o que estamos assistindo é a desaceleração da demanda, com os consumidores preocupados em limitar gastos, até por força da perda da confiança na manutenção dos empregos, face ao pequeno crescimento do PIB.
Assim, se nossa inflação tem um componente choque de oferta, em função de seca, por exemplo, ou de inflação de custos, os juros deixam de ter a funcionalidade que a eles costuma ser atribuída.
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A segunda dúvida é a da capacidade de a economia reagir a essa elevação de juros, no curto período de menos de dois meses, que nos separa do final do ano. Afinal, há um período de ajuste ou um lapso de tempo entre a adoção da medida e o início de seus efeitos no ambiente econômico.
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Por isso, creio que o que o BC está fazendo é sinalizar ao mercado que continua mantendo uma certa autonomia, em relação não apenas ao governo, mas também às pressões desse mercado, por um lado; e por outro lado, a preocupação em tentar resgatar a confiança dos mercados resgatando o discurso e o compromisso em manter nossa inflação sob controle mais rigoroso.
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O segundo sinal de fim do mundo: a derrota do Galo


Mas não foram apenas os juros.
Também o Atlético, mais uma vez foi ao Maracanã e não conseguiu um resultado que lhe fosse, se não favorável, ao menos mais fácil de administrar.
Novamente, como que parece seguindo uma sina, o Galo sai derrotado pelo placar de 2 a zero, o que torna muito longínqua qualquer chance de se avançar na Copa do Brasil.
Nada que não seja possível reverter, como os jogos mata-mata das etapas finais da Libertadores, ou até mesmo o jogo contra o Corínthians, tão recente em nossa memória.
Mas, precisava de o Galo fazer sua fanática torcida sofrer tanto assim?
Por que tudo para o torcedor do Atlético tem de ser conquistado no sufoco, vencendo a tudo e a todos? Com o coração querendo saltar fora da boca? Apenas para que a vitória venha com um sabor especial, extra,  proveniente da fé na mística da camisa preta e branca e no lema gritado aos ares: Eu acredito!
Ah! Galo! Que brincadeira é essa de colocar a toda essa massa em uma montanha russa de sensações e emoções???
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Ou seria a ira da Dilma? Ou a ira dos deuses que reprovam a vitória da presidenta?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Segundo turno e o engodo do povo soberano. Só que não.

Curiosa essa eleição de segundo turno, idealizada para permitir ao eleitorado se debruçar sobre as propostas de governo apresentadas pelos candidatos mais votados em primeiro escrutínio, para analisá-las e, finalmente, decidir por aquela julgada mais adequada ao país.
Desta forma, assegura-se a formação de um consenso em torno de um candidato, visando conferir-lhe legitimidade para implantar seu programa de governo, aceito pela maioria.
Da dispersão de diagnósticos, interesses atendidos e propostas iniciais, elaboradas pelos vários partidos em disputa, avança-se, assim, para um afunilamento das propostas, permitindo que haja espaço para uma negociação e que a proposta original possa ser complementada por melhorias e novas ideias, capazes de ampliarem os interesses atendidos. Daí, selados os acordos entre as facções políticas que apresentem alguma afinidade, chega-se a uma solução de compromisso que, vitoriosa, será a linha mestra das ações do governo.
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Em minha opinião, deveria ser assim, caso cada partido, independente do número de agremiações, fosse obrigada a apresentar ao público um documento que trouxesse sua visão de país e de mundo; a identificação das questões problemas principais presentes em sua agenda; as diretrizes e ações prioritárias a serem atacadas e, mesmo que não descendo a um nível de detalhamento excessivo, uma indicação das medidas imediatas a serem adotadas para dar início a seu governo.
Isso exigiria dos partidos mais compromisso com seu programa de governo, seu matiz ideológico, seus afiliados e simpatizantes e seus eleitores, dando oportunidade para a captura até de não simpatizantes cujos interesses poderiam ter sido privilegiados pontualmente.
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Mas nossa legislação eleitoral não dá conta nem mesmo de punir o candidato que, eleito por um partido, usado como sigla de aluguel, depois vira a casaca, no famoso jogo de acomodação de interesses que caracteriza nossa realidade política.
Dessa forma, não obriga a apresentação e nem a existência de um mínimo de compromisso com o cumprimento, no mínimo das linhas gerais de seu programa. Também não permite que seja discutida e adotada pelos representantes do povo medidas destinadas a destituírem o governo eleito por descumprimento de suas propostas.
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Tudo bem, não estamos no parlamentarismo onde o voto de rejeição acaba levando à queda do gabinete. Estamos em um tipo de democracia em que o Executivo exerce um mandato imperial. Como já foi falado, a configuração de uma ditadura temporária. Com a reeleição, uma ditadura de oito anos.
Mas, tal como o sistema de metas inflacionárias exige que o governo, não cumprindo a meta prometida à sociedade, deva se justificar e, caso essa justificativa não seja acatada pode trazer punições, um esquema semelhante deveria ser pensado para funcionar para o próprio chefe do Executivo. Descumpriu seu plano e não apresentou justificativas válidas, seria instaurado um processo não de crime de responsabilidade, por não se tratar de ações ilícitas, mas destinada a levá-lo a se afastar do governo, por quebra de confiança.
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Sei que isso que estou pensando é utopia. E, dado o comportamento de nossa classe política e de nossa representação congressual, apenas daria margem para se ampliarem as negociatas, a chantagem, as trocas de favores e benefícios escusos.
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Mas, não sendo assim que funciona nosso sistema eleitoral, o segundo turno em nosso país (e não tenho condições de avaliar se apenas em nosso país ou se também em outros) acaba transformando-se em um grande plebiscito.
Vota-se não no que acreditamos ser o melhor. Votamos no menos pior. Não votamos em propostas e ideias. Votamos na não proposta.
Não concordo e não concordava com o que o PSDB representa; com os interesses que legitimamente representava e que, claro, devem ser representados sempre, mesmo que com eles não concordemos. Não achava que os interesses que estavam por trás, ou apoiando o candidato e especialmente aquele que foi indicado para ministro da Fazenda eram os que seriam os melhores para o Brasil que em meus sonhos ou delírios vejo construído.
Por isso, votei no outro. No caso, na outra.
Isso não significa que seja mais ou menos ignorante, mais ou menos responsável, mais ou menos conivente; não significa que seja corrupto, aqui não admitindo qualquer gradação; não significa que esteja ou estivesse me locupletando ou mamando nas tetas do governo ou tendo benesses, etc. etc.
Minha proposta e meu voto no primeiro turno foram outros. Em outra direção.
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Particularmente, acho PSDB e PT muito iguais. Muito semelhantes. Aliás, não apenas eu. Lembro-me da época que Lula e FHC, antes de a conquista do poder se transformar em uma briguinha que parece, às vezes, disputa de dois meninos ou dois egos super-inflados, discutirem a possibilidade de unir os dois partidos, tamanha as semelhanças entre eles.
Mas, não via no capital financeiro internacional, todo apoiando Aécio e Armínio, o parceiro ideal para nossa nação.
Testemunhei o que esse capital fez com a Islândia, com países da Europa, pude acompanhar os desdobramentos da especulação e crise nos Estados Unidos, e agora, como todo o mundo se debate para voltar a crescer.
Vi o que o capital especulativo fez com a população mais pobre dos Estados Unidos, empobrecendo-a ainda mais. E acho que no Brasil, ainda temos de criar para a grande maioria da população o mesmo padrão de vida que nos países mais avançados do mundo as populações aproveitavam nos anos 60 e 70.
Um mínimo de estado do bem estar tem de ser assegurado para nossa população, antes que possamos começar a deixar o capital fazer também aqui os estragos que fez no resto do mundo. E continua fazendo.
Basta ver o filme Inside Job. (em português Trabalho Interno, disponível no Youtube) laureado com o Oscar para documentário, para perceber do que estou falando.
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Caro amigo Tarcísio, colega de trabalho, não sou petista. Nunca fui. Acho que pela primeira vez votei no PT. Com certeza foi a primeira vez que votei em Dilma. A presidenta que você sabe como eu, como negocia, por exemplo, salários dos funcionários públicos. Negociação do tipo ou aceita assim ou assim aceita.
Não vou tratar de desmandos e roubalheiras e corrupção. Tivemos a oportunidade de ver, acontecendo ao nosso lado, caso de punições de colegas até então de reputação ilibada. E nenhum de nós sabia...
Ambos concordamos que há a necessidade de se punir todos os corruptos e mandá-los para a cadeia. Mas que nem isso vai impedir de que a corrupção e os corruptores e corrompidos continuem existindo. E nem é só na base do enriquecimento material que os prêmios são liquidados.
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Minha postagem ontem teve uma chamada em que eu falava do povo soberano, essa ficção.
Povo dependente não pode ser soberano.
Ora, todo assalariado no sistema em que vivemos não pode ser soberano, já que a sua única e exclusiva propriedade não pode ser posta para trabalhar PARA ELE. De render para ele, enquanto ele curte o ócio e o lazer.
O proprietário de trabalho apenas pode trabalhar. Não lhe sobrando tempo para mais nada.
Ah! nem nos esqueçamos que além de trabalhar, ele não pode trabalhar e produzir quando quiser. Ele depende da vontade dos outros, donos de terras e capital, para poder assegurar sua simples sobrevivência e a de seus filhos.
Tem vagabundos na sociedade. Claro que eles existem. E nem estou me referindo aos que não trabalham porque sua terra rende aluguel, ou suas máquinas geram riqueza. Se as máquinas gerassem mesmo só riquezas, nem seria possível ficar contrário a elas.
Ninguém é contra máquinas ou a existência de instrumentos do trabalho.
Eu acho que é injusto é a falta de oportunidade e de acesso a tais máquinas.
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Então, que povo soberano é esse, que tanta gente estranhou?
Povo soberano é o que tem sonhos e ainda quer lutar. Que acredita. Que acha que pode construir seu futuro, promovendo as mudanças necessárias e começando pelas mudanças de seu próprio modo de pensar e de se comportar.
Povo soberano foi uma expressão para poder dizer: olha, já passou a eleição e toda a baixaria que ela nos permitiu acompanhar, nessa que foi uma das eleições mais bizarras do nosso país, tamanha a baixaria e nível de agressão. Essa campanha mais despolitiza. Ou não? Estávamos discutindo autonomia do Banco Central nas praças, ruas e botecos?
Tudo bem, se todos que discutiam soubessem o que é um banco central e seu papel e funções.
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Povo soberano como diz o professor Galbraith em "A Economia e o Interesse Público" é como o consumidor soberano. Aquele que a teoria econômica insiste em apresentar como o que toma as decisões no mercado de que bens irá desejar e quais devem ser produzidos. Isso porque, segundo o professor, os bens são importantes. E o pensamento dominante mostra que já que os bens além de importantes são escassos, as empresas devem tentar descobrir, prever, e atender ao consumidor, produzindo o que ele deseja.
Não sendo inocente útil, o professor lembra que as empresas são grandes e têm poder. E, por óbvio, devem procurar atender também a seus interesses. Ou só a eles. E, por isso, adotam a estratégia mais antiga do exercício do poder: sua negação.
Assim, vendem a ideia de que o consumidor, que tratam como massa de manobra é o soberano no LIVRE MERCADO pelo qual muitos, esses sim, inocentes, ainda lutam.
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O povo não é soberano, mas a maioria deve ser respeitada. Sem que tentativas de golpe possam ser articuladas, porque não devem ser sequer toleradas.
Se a democracia é ruim, ainda não inventaram nada melhor.
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Volto aos interesses do capital financeiro que Armínio representava, junto a Aécio.
Não há qualquer possibilidade de que parem os fluxos de capital para nosso país. Ainda ontem, os dados mostravam que de nossa dívida de 2,1 trilhões, aproximadamente, 28 % dos títulos estavam em poder dos bancos e instituições financeiras (em queda, é verdade). Mais de 20% estavam na mão dos fundos de investimento, também em declínio a participação.
Mas aumentou e já estava em 19% a participação dos capitais externos no total de títulos da dívida brasileira.
Quanto a isso, podemos ficar descansados, o capital vai atrás não da bandeira vermelha do PT ou azul dos tucanos. Vai atrás de lucros. E aqui no Brasil, com os juros que pagamos, vale a pena o risco. Que não é tão grande assim, até por força da forte regulação exercida, na área financeira pelo Banco Central.
A dívida pública aumentou pouco, em comparação com agosto, mas sua comparação com o PIB não dá demonstrações de ter saído de controle. É preciso estar atento a ela e a seu comportamento, para evitar que os déficits primários continuem acontecendo. Mas, tais déficits ainda não estão fora de controle.
Por mais que assim o digam os economistas mais conservadores.
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E, de mais a mais, para terminar essa nota que já vai ficando demasiadamente longa: Samuel Pessôa, do Insper e que integrava a equipe de Aécio; e o professor da UFMG, de Ciências Políticas, Leonardo Avritzer, em excelente análise para o portal UOL de ontem, mostram que toda essa estrutura de estado do  bem estar, entendido aqui os programas de bolsa dos governos petistas, foram criados não pelos partidos que disputam sua paternidade.
Esses benefícios foram criados com a Constituição de 88, e constituem, não benesses para a população, mas obrigação constitucional dos governos de os proporcionarem.
Não são do PT ou do PSDB. São nossos, da sociedade brasileira (nem organizada, nem soberana).
Os partidos podem brigar para ver quem fez os programas mais focados (PSDB) ou mais abrangentes, mais universais, mais inclusivos para o povo.
Mas é preciso dar destaque, muito destaque a esse fato: não há nesses programas nenhuma vontade de transformar-se nosso pais em Cuba ou Venezuela, como a imprensa que presta um desserviço ao país costuma divulgar ou não informar corretamente.
Ainda somos o Brasil. E nossa Constituição quer que nosso povo seja tratado de forma mais digna.
Nada que prejudique as filhinhas de papai ou os playboys a terem seu carrinho zero, ou poderem passear nos shoppings e nos centros de consumo, exceto pelo fato de que pode ser que assistam a um rolezinho, de vez em quando.
Só isso.
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E compete a nós, mais que percebermos que queremos o mesmo para o país, seu bem estar e riqueza para todos, percebermos que está em nossas mãos lutarmos, dentro das regras do jogo democrático, para poder fazer valer nossa vontade. Soberana ou não.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições e democracia. E o convite para os aecistas ajudarem Dilma a construir um país melhor. Sem irem embora

Às 18:30 da tarde de ontem, teve início uma carreata acompanhada de um buzinaço pelas ruas de Belo Horizonte. Gritos de Aécio presidente podiam ser ouvidos, enquanto as redes sociais martelavam a grande notícia: o presidente do IBOPE teria ligado para o tucano e cumprimentado por sua eleição.
Em seguida, ficamos sabendo que FHC já estaria em um helicóptero, deslocando-se para a capital mineira onde, na casa de Andreia Neves, seu irmão daria início à festa da vitória.
Bombardeado por tanta comemoração antecipada, enquanto esperava o término das eleições nos estados em que o fuso horário somado ao horário de verão nos obrigava a aguardar a chegada das 20 horas, lembrei-me do episódio ocorrido no Rio de Janeiro, em 1982, que passou à história como o caso Proconsult.
Para os mais novos, que não têm conhecimento dos fatos, é importante esclarecer os fatos. Regressando do exílio em 1979, graças à Lei da Anistia, uma das primeiras medidas adotadas por Brizola foi a tentativa de recriar o Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB de Getúlio, de Jango e de tantas conquistas para o trabalhismo histórico.
Temendo a força do político e a mística da sigla, o governo militar e a Justiça acabaram impedindo que a sigla passasse a pertencer ao político gaúcho que, por este motivo, fundou o PDT.
Em 1982, tendo crescido nas pesquisas de intenção de voto durante toda a campanha, Brizola chegava às eleições como o principal candidato ao governo do Rio, pela nova agremiação. Foi então que as forças instaladas no poder resolveram alterar a vontade das urnas para não darem a oportunidade de Brizola tornar-se vencedor.
Embora os votos ainda usassem cédulas de papel, o TRE carioca contratou uma empresa para que fosse a responsável pela totalização dos votos, lançados nos mapas relativos a cada urna eleitoral.
No meio do caminho, entretanto, enquanto os dados eram lançados, o "software" ou programa utilizado para a operação tinha um "fator delta" cuja função era retirar um percentual dos votos de Brizola e torná-los nulos ou computá-los para outros candidatos.
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Acompanhando os resultados direto da sede do Tribunal, a Globo, tendo ou não conhecimento da maracutaia, passou a anunciar o resultado oficial forjado. Mas, a rádio do Jornal do Brasil, acompanhando de cada seção eleitoral os mapas de votos, informava números completamente distintos.
Brizola foi à imprensa, denunciou a fraude e acabou desmontando todo o esquema. E acabando com a comemoração do candidato que estava à frente da apuração.
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O Caso da cadeira do Prefeito

Em 1985, em outro caso célebre, FHC concorria à prefeitura de São Paulo pelo PMDB e por estar liderando todas as pesquisas de intenção de voto,  foi convidado a fazer uma matéria para a revista Veja (sempre ela!!!).
Na matéria, já contando com a eleição assegurada, e querendo já estar com a capa pronta da edição semanal, a revista pediu e Fernando Henrique concordou em se assentar para tirar uma foto na cadeira do Prefeito.
Repórteres outros ao virem o ato solicitaram ao candidato o direito de também fotografarem o episódio, com o compromisso tácito de não publicar até depois de conhecido o resultado das urnas.
Dando como líquida e certa a eleição do favoritíssimo FHC, a Folha de São Paulo estampou a foto na matéria de capa da primeira página no dia da eleição.
A foto considerada de extrema arrogância derrotou FH e contribuiu para a vitória de Jânio Quadros. Que começou sua gestão, desinfetando a cadeira da Prefeitura, em um de seus vários gestos teatrais.
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Agora o Ministro Armínio

O mesmo fato aconteceu agora, na campanha eleitoral de Aécio, com a indicação antecipada de que seu ministro da Fazenda seria Armínio Fraga. Medida que poucos se detiveram a analisar ou comentar, mas que Dilma não deixou passar sem recibo. E lembrou, em um comentário, que foi o ex-presidente FHC que sentou na cadeira que não lhe pertencia.
E foi derrotado por isso.
O anúncio de Aécio tinha uma motivação óbvia, que era o de assegurar para si o apoio de toda a mídia internacional especializada em economia e finanças, o apoio de toda a banca internacional e de todo o capital financeiro especulativo e de todo o pensamento econômico conservador.
Não acredito que, naquele momento, houvesse muito mais que essa tentativa de crescer os olhos nesses setores que dominam o poder financeiro global e, por tal motivo, são os detentores do poder hegemônico.
Aécio como não é bobo, sabia da importância desse apoio dos donos do capital. Mas ao tomar essa medida, antipática e até arrogante, dependendo de como ela poderia ser apresentada e explorada pelo partido contrário, acabou dando a munição para que Dilma e seu PT virassem o jogo.
O PT soube explorar a presença de Armínio, ligando-o como seria de se esperar a fracassos do último mandato de FHC, como a falta de controle da meta de inflação, ligando-o aos processos de privatização que tanto lesaram o patrimônio público e que creio que, mesmo concordando, nem Armínio participava, ao menos diretamente. Ligando Armínio à quebra internacional do país, que levou o Brasil a correr atrás do socorro do FMI - a maior operação de empréstimo jamais feita pelo Fundo - e até mesmo ao apagão e queda do PIB em período em que foi o presidente do BC.
Não creio que Aécio tenha feito a indicação por considerar-se já eleito, ou por acreditar que isso seria um trampolim para sua vitória.
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Comemorações antecipadas e festas de rua

Mas, parece que os simpatizantes do PSDB não se emendam. Não aprendem.
Embora não dê para generalizar, já que muitos dos atuais eleitores de Aécio talvez nem tivessem participado de outras eleições ou manifestações cívicas anteriores, há uma parcela de eleitores mais velhos que já deveriam ter aprendido.
A festa eleitoral de véspera, ou quando ainda faltam duas horas para o encerramento das eleições, é só barulho à toa. Ou a queima de fogos já comprados por quem não tem onde guardá-los.
Porque embora não tivesse feito o comentário antes, ou apenas o tenha delineado sem aprofundar, as comparações da campanha e dos partidários/torcedores/eleitores de Aécio com a campanha de Collor em 1989 têm muitas semelhanças.
A começar de que Collor e seus coloridos eram os representantes dos bem nascidos, dos moços que foram caracterizados como playboy em sua juventude, de governadores que chegaram ao poder jovens e fizeram gestões que foram bem avaliadas. Ambos tinham uma bandeira semelhante. Um, à caça de marajás, e desejando cortar os gastos públicos, inclusive todos os subsídios. Outro, à caça de corruptos (nunca dos corruptores, claro!), desejando reequilibrar as finanças públicas mesmo que para isso, com cortes de gastos sociais subsidiados.
Collor tinha uma obsessão em domar a inflação, a que abateria com um só tiro, ou um ippon. Aécio e Armínio tinham a meta de trazer a inflação para 3%, custasse o que custasse.
Ambos eram tidos como rapazes bem apessoados, conquistadores, galanteadores e ... com alguns casos de tratamentos menos elegantes dispensado a suas companheiras.
Além disso, Collor resolveu que ia assumir para si as cores da bandeira brasileira, o hino, os símbolos da pátria.
A turma do Aécio queria ir votar com as cores da bandeira, ocuparam praças com as cores verde e amarela como se fossem os donos da brasilidade.
Collor pediu para todos irem às praças manifestar-lhe apoio em um 7 de setembro. Fomos todos de preto, para mostrar que o povo não estava com ele.
Agora a turma de Aécio, para não deixar de usar o pretinho básico comprado para a comemoração que não haverá, solicita que todos vistam o preto no dia de hoje.
Como dizia Ataulfo, nunca vi ter tanta coincidência.
***

Agora a hora do Impeachment

Mas o pior é como os aecistas tratam essa tal democracia. A maioria deles, ao menos os recém-formados, sem Pronatec, mas com um diploma conquistado com a ajuda do FIES da Dilma.
E justo eles, que mostram agora o tão pouco foram capazes de aprenderem que democracia não são nossas vitórias e conquistas, mas a realização dos sonhos do povo.
Que povo é esse?
O mesmo povo que, como eles, optaram por coisas distintas, por outras mudanças, dotados de uma visão diferente de mundo. E quem não tem visão diferente do mundo e das coisas que nele acontecem?
E quem não vive os reflexos e os efeitos dos eventos de forma distinta, subjetiva? Não foi isso que estava escrito nos livros texto de Microeconomia? A satisfação ou utilidade de um pode não ser a do outro? O valor é subjetivo?
Porque pensar que o nosso valor ou modo de ver é o melhor ou único?
Talvez porque a presidenta reeleita por vontade da maioria do povo - no Nordeste redesenhado para incluir agora os Estados do Rio de Janeiro e Minas, onde Aécio perdeu também -, tenha tocado na ferida e esses recém bacharéis nada entenderam do curso que fizeram?
Porque afinal de contas, quem disse que curso superior é para ensinar a trabalhar e obter emprego? Cursos universitários podem até contribuir com isso, mas nunca deixar de exercer sua função principal, que é ensinar as pessoas a observarem, classificarem, analisarem e identificarem problemas em sua realidade e de seu meio, e depois buscarem identificar opções ou alternativas de solução para os problemas.
Curso superior ou da universidade é para ser universal. Para fazer pensar, não para criar máquinas. "Não sois máquinas, homens é o que sois. " Chaplin,
Ora, para aprender um ofício e ter uma colocação, devemos sim procurar o Pronatec. Mas, se você puder ser contratado porque não sabe apenas como apertar o botão, mas qual o botão que deve ser apertado. Ou até se não está na hora de trocar os botões todos, tentando saídas inovadoras, então o curso superior teve esse duplo benefício para você. Facilitou até a obtenção de emprego.
***
Mas, e quanto aqueles que, sendo mais maduros, não tendo esses arroubos inconsequentes dos primeiros anos de vida ou profissão também acham que democracia é, como dizia Millor, quando o outro respeita a minha vontade. E não quando eu devo respeitar a vontade do outro. Ou seja, democracia é quando eu mando em você e ditadura é quando você manda em mim.
Então é assim? O povo vai penar nos próximos anos, por ter escolhido mal?
Então onde a força do povo e o respeito ao fato de que o povo faz acontecer, quando assim o deseja e não quando nós desejássemos que fosse?
Ah! vamos propor o impeachment da presidenta?
Quem sabe melhor não era essa turma ir estudar e aprender que a presidenta ainda está no poder, se mantém no poder, e que há leis muito criteriosas estabelecendo as condições para que tal medida possa surtir efeito?
Ora a presidenta sabia de tudo? Comprove-se isso e o líder da oposição no Senado, Aécio Neves tome as medidas que devem ser tomadas para conseguir abrir um processo por crime administrativo, ou coisa que o valha. Mas antes uma questão: Aécio irá querer se expor e ir ao embate, tornando-se líder da oposição, coisa que ele não fez nos quatro primeiros anos de seu mandato?
E a oposição não estaria melhor com líderes como Álvaro Dias, ou Aloysio, o vice de Aécio, ou Serra?
***
Ah! vamos de impeachment só para mostrar que não gostamos que nosso candidato tenha sido derrotado.
Ah! Minas que vergonha você me faz passar!
Ah! povo do Nordeste que nada vale!
Olha para quem matou o doleiro e até enterrou, ainda vivo!
Para quem comemorou a vitória que não houve, Para quem não sabe ou não quer mais viver no país, por que a Dilma ganhou, um conselho: livre-se de seu preconceito de classe. Você não é melhor que ninguém por mais rico, ou abastado, ou educado ou até mais carioca (desculpe, esse também não é mais do sudeste!). E depois de ver que você também não é paulista e não pode dar uma lição e impor uma derrota acachapante a Aécio, como eles fizeram ontem, então venha apenas deixar-se viver nesse país e ver como ele deverá melhorar muito. Afinal é um governo com preocupações mais populares, sem ser populista e mais social que o que o seu candidato estaria propenso a fazer.
Fique aqui. Quem sabe você até não ajude a construir esse país grande e de futuro radioso como é o sonho de todos nós. Com todos incluídos no barco. Que é o mesmo.
***

Derrota de Aécio

Os tucanos paulistas venceram. Aécio venceu em São Paulo por larga e ampla margem. E o que isso significa, depois de Aécio ter mostrado por duas vezes como é tão pouco confiável.
Agora veja bem. Se ele não pode ser confiável nem em relação a seu partido, o que dirá em relação ao povo?
Em 2006 foi a chapa Lulécio em Minas, com Aécio jogando contra Alckmin. Em 2010, deu a chapa Dilmasia contra o tucano José Serra.
Alguém acha que o PSDB esqueceu-se disso? Agora, eles fizeram Aécio vitorioso como a querer lhe mostrar, olha menino do Rio, aqui nós cumprimos o combinado. Não roemos a corda. Não fazemos acordos espúrios por baixo do pano.
Entendeu o recado Aécio? Entenderam aecistas? Porque agora vem a cobrança. E com juros, já que e Minas???
O que aconteceu com o povo que conhece Aécio? Não foi votar por estar na praia?
Aécio, envergonhado agradeceu ao PSDB e seus líderes. Todos paulistas.
Não falou nada do Estado que ele foi tão bem avaliado???
Nem agradeceu a sua mulher, companheira em toda essa campanha?

Mas há aecistas que ele deveria agradecer. Aqueles que não sabem perder. E que já estão prontos para entrarem em campo no terceiro tempo.
Ops! não tem terceiro tempo não?
Então tome Lula em 2018.

Ou venha para o partido que de fato quer fazer do Brasil uma democracia social:  o PSOL.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Chega ao fim a campanha e o Brasil que já estava, segue dividido. Sem negar, é hora de reconhecer a divisão e procurar o entendimento

Nesta sexta-feira que é o último dia que antecede as eleições que definirão os rumos do país nos próximos quatro anos, e que marca também o último debate entre os candidatos à presidência Dilma e Aécio, acho importante tecer algumas considerações sobre todo esse período eleitoral que vai se encerrando.
Começo minhas reflexões reforçando minha visão de que o país CHEGOU já profundamente dividido ao ano eleitoral de 2014 e às eleições que acontecem nesse domingo, dia 26. Ele NÃO SAI dividido, nem por força da baixaria que dominou a campanha, nem por força do discurso ou da virulência que, a partir de certo instante, os candidatos passaram a imprimir a suas participações.
***
Em minha avaliação foi o povo que chegou bastante dividido ao processo eleitoral e, foi por terem percebido essa fissura evidente que os marqueteiros de plantão planejaram as campanhas de seus produtos-candidatos, não o contrário.
Afinal, não podemos ignorar ou desconhecer que já de há muito circulavam pelas redes sociais textos, artigos, comentários que se destacavam por serem carregados de sentimentos de raiva, rancor, repletos de acusações e inverdades.
Não raro, as postagens mais impregnadas dessas características eram de pessoas que, pertencendo ao que se convencionou chamar de classe média, pronunciavam-se, ora contra o peso excessivo da carga de impostos que os sufocava, ora da aceleração dos preços nas gôndolas dos supermercados, ora de notícias de malfeitos e corrupção que volta e meia eram descobertos e vinham à luz.
Parece-me que ocupando o centro de toda essa indignação difusa, o caso do mensalão, o julgamento transformado mais em espetáculo que em um exemplo de rigor da aplicação da legislação e da punição aos culpados.
Certo que os culpados foram punidos. Certo que, como nunca antes na história desse país, gente graúda foi parar atrás das grades. Mas a transformação de todo esse processo em show, permitindo atuação histriônica até de alguns personagens que deveriam manter postura mais compatível com a liturgia da posição que ocupavam e até do momento, foi o rastilho que incendiou reações passionais por toda parte.
***
Só que, em minha opinião, essa classe média que se mostrava tão indignada não tinha motivos para o comportamento que adotava. Não pelas razões que manifestava ao menos.
Porque na maior parte das vezes eram aqueles que haviam sido contemplados por exemplo, pela política de tarifas de energia elétrica mais baratas, do consumo de suas residências. Na sua ampla maioria, proprietários de automóveis, foram as pessoas que se beneficiaram do preço contido dos combustíveis nas bombas dos postos de gasolina.
Na saúde, foram aqueles que sempre puderam contar com a facilidade e a vantagem dos planos de saúde, de que há mais de 20 anos utilizam e não abrem mão, por conhecerem as agruras de toda a população que tem de recorrer ao SUS.
E ainda na questão dos planos de saúde foram os que assistiram a uma série de decisões adotadas pela agência reguladora de tais planos, todas destinadas a assegurarem maior e mais ampla cobertura aos planos já contratados, impedindo que as prestadoras de serviços abusassem do privilégio de estarem tratando de produtos que, quando necessários sempre encontram os usuários em condições menos favoráveis.
Ora, na mesma ocasião, os remédios da farmácia popular e uma série de outros tratamentos passaram a ser assegurados pelos órgãos oficiais e, embora a qualidade tenha sempre deixado a desejar, o certo é que a garantia de acesso sempre os beneficiou, se necessário.
Na educação, grande parte das famílias puderam ver seus filhos aproveitando-se de financiamentos a juros subsidiados, e para os estudantes das áreas de engenharias, ou físicas, há que se recordar que houve grande apoio ao intercâmbio cultural tão cobrado, e possibilitado pelo programa Ciência sem Fronteiras.
Vários filhos de amigos tiveram a oportunidade que não tivemos, nós os pais, de irem fazer períodos de estágio e cursos no exterior. Seguramente, não se tratavam dos filhos das classes menos favorecidas que utilizavam-se do programa do financiamento estudantil, mas não podiam deixar os seus empregos e ocupações, de onde obtinham o sagrado dinheirinho que não podia faltar em casa.
Bem diferente da nossa classe média, cujos filhos aproveitaram-se para viajar e, assim, poderem ampliar seus horizontes.
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Então, se tais benefícios eram criados e deles se aproveitavam a classe média, como essa parcela da população poderia estar fazendo as críticas todas que fazia, do descontrole dos preços (eles que contavam com subsídios nas tarifas de energia e combustíveis)? Como podiam falar mal da qualidade da saúde, se usavam planos de saúde privados? Como podiam falar mal da educação, com os filhos aproveitando para fazer estudos e até turismo e lazer no exterior? Como poderiam criticar a corrupção se grande parte dessas pessoas tinham sua fonte de renda proveniente, senão diretamente dos órgãos envolvidos, ao menos de forma indireta de relações comerciais com as empresas que participaram dos crimes todos citados e levantados ou descobertos, só que na parte do lado de lá do balcão: o dos corruptores?
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A verdade, em minha avaliação, é que todos passaram a perceber os benefícios criados ou, na maior parte das vezes, expandido pelos governos do PT, e talvez por força de uma reação natural de quem se sente prejudicado, porque "na minha época não era assim", porque "hoje ficou tudo mais fácil", porque hoje "qualquer um pode", porque "eu tive que ralar muito para obter, contra tudo e contra todos, tudo isso que as pessoas hoje têm de mão beijada, sem esforço" passaram a atacar as políticas do governo que favoreciam aos "outros".
Muitos nem se deram conta de que eram eles os favorecidos, talvez até pela maior visibilidade dos programas que, corretamente o governo desenvolvia e implantava, de bolsas e assistência aos excluídos e que geraram as discussões das cotas, por exemplo. Claro que, atingindo um número de pessoas muito maior, vítimas até aquele momento da muito maior e mais discriminatória divisão de nossa sociedade, datada de tempos que remetiam ainda à nossa própria colonização, o governo fez maior divulgação e maior campanha de propaganda para a melhoria das condições de vida e o resgate da dignidade e cidadania dos que, aos olhos das tais classes médias tinham que ser auxiliados, por já estarem acostumados a esse tipo de situação.
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Ou seja, a classe média que acusava os programas sociais do governo, raciocinavam como aquele que não se dá por satisfeito por ter tido algum benefício, mesmo que tenha tido um grande benefício. Mas fica contra porque seu vizinho, seu conhecido obteve ainda mais vantagens.
Nem considera que o pequeno ganho que obteve, digamos 10% de vantagens, supera em muito os 200% ou 500% de benefícios direcionados ao menos favorecido, até em termos absolutos, uma vez que 10% sobre uma base maior, necessariamente é mais que 200% de nada ou de muito pouco.
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Mas, o fato de que algumas categorias estavam ganhando mais, foi explorada por todos quanto acham que o valor dos gastos com demandas sociais não poderia ter tanto apoio e atenção, simplesmente por tirarem a previsibilidade de seus negócios, ou levarem à uma elevação perigosa dos gastos públicos, perigosa por poder colocar em risco o pagamento dos juros de seus créditos.
Ou seja, os detentores do grande capital, e beneficiários últimos das políticas de cunho conservador que eram cobrados ao governo e que serviam de material à crítica, esses em conluio com seus associados, vinculados à grande midia foram os que criaram os argumentos contrários aos pacotes de bondades do governo. Foram eles que disseminaram as mentiras da perda de controle da política econômica, da volta do fantasma da inflação e outras, que levaram a massa da população a criarem o medo.
Disso se aproveitou aquela parte que, por ter perdido privilégios ou ter visto uma redução cada vez mais perceptível de diferença no acesso a tais privilégios, passou a manifestar-se também contra o governo.
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E tudo isso acontecia já antes das eleições. No mínimo, desde o meio do ano passado, em que movimentações de rua, no início por vinte centavos de aumento no preço das passagens de transporte coletivo foram tratados com violência ímpar da polícia militar, que foi o fato que fez explodir a insatisfação popular para outras regiões e cidades do país.
Daí, aproveitando-se da confusão que se instalou, vários interesses começaram a tirar proveito das manifestações, algumas delas, infiltradas nesse movimento de rua, de caráter popular, para por mais combustível na fogueira das críticas ao governo e a políticas que tinham outros alvos de interesse.
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Não foram poucos os que reclamaram dos navios de cruzeiros lotados, das estradas e ruas de nossas cidades cheias de automóveis, dos aeroportos abarrotados de farofeiros, ocupando o lugar antes destinado ao desfile das famílias de bem nascidos e elegantes e mais cultos.
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Chegando a tal situação a divisão de nosso país, é natural que tudo isso fosse explorado pelo marketing das campanhas, mesmo que obrigando um partido, como o PSDB, de tradição social democrata ou centrista, a adotar postura e encampar reivindicações da direita, até mesmo a mais raivosa.
Sobrando ao PT, a opção de se bandear todo para os interesses ditos mais populares, mesmo que sua prática no poder possa revelar que o PT já não seja mais tão vermelho ou popular como o foi em sua origem
***
Talvez por isso, vários analistas chegam/têm chegado à conclusão de que os embates tenham se tornado mais duros, mais agressivos. Simplesmente pelo fato de que as distinções entre partidos e candidatos sejam mais oportunistas, de localização temporária no xadrez eleitoral que de fundo. Menos de conteúdo e mais de forma de transformação da discussão em espetáculo.
***
Deixei de fora em minha análise a questão da segurança, cada vez mais debatida e usada como principal argumento muitas vezes.
É que a segurança pública não é questão relativa à esfera administrativa da União. Diz respeito mais à questão das instâncias subnacionais, basicamente Estados.
Claro que a União, sendo a cabeça da Federação poderia dar o pontapé inicial em uma discussão que envolvesse a todos os estados, para que problemas fossem debatidos e soluções encontradas. Mas não cabe a essa instância, nem ao presidente da República implantar qualquer ação nesse sentido.
Daí que, a questão da segurança ter ficado de fora, embora seja a preocupação maior de grande parte de nossa população.
***
Mas até nessa questão, devemos encarar que a violência tem agido muito mais discricionariamente, batendo, matando, atacando preferencialmente, jovens, negros, de periferia.
O que ajuda a entender a reação de alguns desses elementos escolhidos para serem vítimas do sistema de repressão policial e sua recusa de desempenharem o papel que lhe foi atribuído nessa representação.
Eles apenas reagem, se mal ou agressiva ou violentamente, eles apenas mostram que nossas mazelas sociais são mais profundas e mantidas sob um disfarce que não pode continuar existindo.
***
Bem, que essa divisão que não vai acabar a partir da próxima segunda, dia 27 de outubro, não seja esquecida, encostada em algum canto de nossa vida, para que possa ser brandida dentro de mais quatro anos.
Que possa servir para que o país tenha condições de, vitoriosos e derrotados sentados em torno da mesa de discussão, permitir à sociedade debater os problemas, os interesses, as prováveis soluções ou os pontos de consenso, e de acordo para que possamos construir uma sociedade mais justa e tolerante.
***
Quanto ao debate de hoje, acredito que nada irá servir para alterar o quadro da disputa, com os candidatos, especialmente Dilma, adotando uma postura mais tranquila e propositiva. Para não alimentarem o ódio e rancor e as divisões que, qualquer que seja o eleito, deixarão marcas profundas e devem, ser evitadas, mesmo que reconhecidas.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os projetos dos candidatos revelam que a divisão do Brasil não vem dessa eleição. Mas só agora está sendo percebida

No jornal Metro de hoje, duas colunas chamam minha atenção e merecem algum comentário.
A primeira delas, do comentarista político do grupo Band Minas, Carlos Lindenberg que, ao dar sequência à análise dos resultados da última pesquisa Datafolha, que continua repercutindo em toda midia, parece ter de se esforçar muito para não manifestar sua insatisfação com a dianteira assumida por Dilma.
Tanto que, Lindenberg faz questão de realçar o fato de que há um empate técnico entre os dois candidatos, sem em qualquer momento fazer menção a que tal empate se dá no limite do intervalo de tolerância. Ou seja: precisaria de o resultado apontado para Dilma estar 2 pontos errados, para baixo e o de Aécio dois pontos errados para cima.
Considerando tal situação, a pesquisa estaria sendo lida com Aécio "obtendo" 4 pontos a mais, o que é forçar muito a barra, mesmo das estatísticas. Principalmente porque, como esses comentaristas torcedores dizem, a pesquisa não deixa de revelar uma vantagem numérica para Dilma.
***
Mas, parecendo inconformado com a situação, Lindenberg vai trazer números que mostram que Aécio saiu na frente, com vantagem sobre Dilma nas pesquisas de intenção de voto nesse segundo turno, situação que ele explica como sendo consequência da súbita elevação que ele demonstrou no final da primeira parte da campanha, que o levou a derrotar Marina e chegar ao segundo turno.
Para não ser injusto com o comentarista ele comenta que mesmo naquele momento, havia já empate técnico.
E passa a comentar o resultado da segunda avaliação em que, mesmo mantido o empate técnico e perdendo um ponto, Aécio estava na liderança.
Até chegar na terceira pesquisa, em que Dilma ultrapassava Aécio, situação que, ao que aparenta ser para desespero de Lindenberg, parecia que o tucano tinha atingido seu teto.
Por fim, analisa que os pontos que Dilma vem ganhando e que lhe dão o primeiro lugar nas pesquisas, são fruto não de perda de Aécio, mas de redução do nível de indecisos.
Logo, Aécio pode ainda ter êxito em promover alguma ação que consiga capturar o número daqueles que ainda não têm sua decisão firmemente tomada.
Lindenberg parece dizer: Ainda há chances Aécio! Eia, vamos!
***
Calma Lindenberg e outros torcedores, travestidos de comentaristas ou não: a pesquisa verdadeira só será feita no dia 26. Não há motivos, até lá, para medo ou ansiedade.
***
Mas, ansioso pelo resultado das novas pesquisas que estão anunciadas para o dia de hoje, o colunista passa a considerar que, seja qual for o eleito, vários problemas esperam e deverão merecer a atenção especial do vitorioso.
O mais grave deles, a questão de apaziguar ou serenar os ânimos de um país completamente cindido ao meio, o que para Lindenberg só poderá obter bom resultado caso seja promovida uma reforma política, capaz de impedir que o estado atual de coisas possa ser mantido.
Pelo que dá a entender, o país não suportaria, sem consequências nefastas, a continuidade de tais divisões.
***
Ao fim, tece comentários sobre o que seriam algumas consequências desastrosas, como a de o nível do debate ter descido tanto, a ponto de os dois candidatos entrarem em uma verdadeira guerra de acusações pessoais, de nível baixíssimo e sem levar em conta as tais propostas de governo - "essas sim, que precisariam de estar sendo apresentadas ao eleitor, para que ele pudesse fazer uma boa escolha", como eles costumam dizer.
***
Em minha opinião, a frase que pus entre aspas revela apenas o fato de que, para esses comentaristas, o povo não sabe acompanhar as ações colocadas em marcha, desenvolvidas pelo atual governo, o que implica na obrigação de fazer propostas, discursos, promessas mesmo que demagógicas, o que beneficiaria muito mais ao menino do Rio e toda sua desfaçatez e jogo de cintura.
Dilma, como todos estão cansados de saber, é ruim de discurso (e até questiono se apenas de palavras ou também de alguma ação).
***
Mas, como nem tudo apresenta apenas um lado, na página seguinte, com muito menos espaço e, indubitavelmente muito mais brilho, o que até torna aceitável o menor espaço, há uma pequena matéria assinada pelo cientista político e professor Fábio Wanderley, da UFMG.
Ali, em poucas linhas, o professor ataca o ponto central de toda a discussão a que temos assistido: há sim dois projetos antagônicos de Brasil em discussão.
Um que favorece os excluídos e menos aquinhoados pela sorte: o projeto de Dilma e seu PT, já suficientemente mostrado ao país nos doze anos de poder do petismo.
Outro, destinado a favorecer as minorias privilegiadas, representado pelo tucano.
***
Com a sua experiência, e ao contrário do jornalista antes citado, Wanderley mostra que não há necessidade de que os candidatos fiquem brandindo papéis, com palavras ociosas, já que toda a sociedade sabe o que move cada  um dos projetos apresentados.
***
Ao final, o que fica para minha reflexão e indagação é como deixamos a situação econômica e social, principalmente essa última, ter chegado a tal ponto de provocar uma tal fratura na nossa sociedade, incapaz de fechar apenas pelo nosso desejo de continuar simulando que vivemos numa sociedade justa, igualitária, democrática e de oportunidade iguais para todos.
Todos nós, que temos um mínimo de bom senso e compreensão, e que não estamos apenas preocupados em correr atrás de nossas vitórias e conquistas pessoais, ou na manutenção das nossas conquistas egoísticas, por mais que tenhamos nos esforçado e dado o melhor de nós para as conseguirmos, sabemos que esse nosso esforço só pode ser coroado de êxito por causa de tantos a que, mesmo sem perceber, fomos explorando e mantendo em situação de degradação.
As oportunidades que nós tivemos e  lhes foram negadas: essa a explicação para que tivéssemos sucesso e vitórias e glórias,
Que se tornam vitórias de Pirro, caso não sejam passíveis de serem compartilhadas, divididas com aqueles que nos cercam. Como tem mostrado as queixas de tantos que se acham possuidores de mais méritos, e que tanto reclamam da violência que não lhes deixa serem o que nunca se preocuparam em ser quando apenas procuravam suas conquistar suas vantagens: seres sociais.
***
Nada como um dia depois do outro.
E uma eleição, para que possamos despertar de nossos sonhos embalados em berço esplêndido, e alicerçados na manjedoura mais simples, em chão de terra, onde nossos irmãos disputam a sobrevivência de maneira mais dolorosa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O que foi mesmo o choque de gestão

Cláudio Gontijo, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, em entrevista que pode ser vista no youtube, no endereço abaixo, analisa o que foi o choque de gestão do governo Aécio.

https://www.youtube.com/watch?v=5exPwKuv3Pg

Aliás como o professor deixa claro logo no início, o programa que consistiu em uma cópia adotada pela equipe técnica do governo de Minas, de plano do Banco Mundial, para ajustar as finanças públicas de Minas para completar ajuste já iniciado no governo Itamar Franco, que antecedeu ao nosso esse que é o mais carioca dos meninos de Minas aproveitando das delícias de nosso litoral.
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E em que consistiu o tal ajuste? Corte de despesas, principalmente arrocho dos salários de funcionalismo, ou como diz Cláudio, congelamento de salários. Queda de investimentos, principalmente com efeitos desastrosos na segurança pública. Com isso, a taxa de homicídios cresceu exponencialmente, como vem sendo apresentado nos programas e debates da campanha.
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Cláudio elogia as medidas de simplificação tributária, adotadas pelo governo Aécio. E considera louváveis medidas de melhoria na administração, embora lembrando que apenas davam sequência a ações já iniciadas no governo Itamar.
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No entanto, lembra que a essência do choque de gestão foi um atraso de pagamento no valor de R$ 250 milhões que deveria ter sido feito à Cemig. E nos informa que Aécio recebeu do presidente Lula, mais outros R$230 milhões, destinados à manutenção da rede de estradas federais no nosso Estado.
Diga-se de passagem que esse recurso faz parte do pacote de recursos que FHC recusou-se a mandar para Minas, como punição ao governo Itamar.
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Melhorou também, como o professor nos lembra, a situação do orçamento do Estado, embora no total o déficit piorado algo em torno de 2,5 bilhões de reais.
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Muito interessante ouvir um professor da UFMG tratando desse tipo de questão e tentando esclarecer o público, que vem sendo muito mal-tratado por gente que, mesmo sem entender de assunto algum, se atreve a vir discutir todos os assuntos seja economia, seja questões internacionais, etc.
Dá vontade de rir como pode ter tanta gente disposta a falar bobagem, apenas para confirmar aquilo que já suspeitávamos deles: sua completa falta de informação e de embasamento para tratar do assunto em pauta.
Isso para não falar de sua completa ignorância que é a palavra mais adequada ao caso.
Pior é que, achando-se cientes, deixam de se preocupar em ir ler, buscar informações, aprender. Ou seja, agem como Lula, que tanto gostam de atacar, especialmente por não ter tido interesse em estudar, quando teve a oportunidade.
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No fundo, são apenas pessoas que se consideram de elite, que se acham bem formadas e "de bem".
São pessoas que não conseguem engolir o fato de que, nos governos recentes, houve uma melhoria muito grande das condições de vida das pessoas dos estratos sociais menos privilegiados.
Só para deixar claro: não houve uma distribuição de renda como tradicionalmente se encara um processo desse tipo. Houve sim, melhoria das condições de vida da população antes marginalizada.
E é isso que essa nossa "classe média" não consegue admitir: que os lá do andar de baixo possam ter ajuda para subir alguns degraus ou até andares da nossa escala social.
Triste, tal constatação.
Mas nada diferente do que já ocorreu em outros países, quando políticas inclusivas e de cunho social foram também combatidas e criticadas pelos que se sentiam ameaçados por não poderem manter sua posição relativa superior.
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No fundo, apenas questões ideológicas, que não mereceriam maiores considerações, não fora o fato de algumas das pessoas que as emitem até terem algum conhecimento e merecerem algum respeito por seu comportamento e padrão de conduta.
Mas, como ninguém é perfeito...

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Aécio: O boneco de cara de pau ou o irmão de Pinóquio

Embora concorde com o professor e cientista Rogério Cézar de Cerqueira Leite, e com sua opinião de que "Aécio não mente jamais" (risos à farta!), o certo é que poucas vezes a verdade dos fatos tem sido tão maltratada, quanto o candidato tucano o tem feito.
Infelizmente para nós brasileiros, que corremos o risco de ver um candidato tão ruim e tão despreparado chegar ao poder, Aécio não apenas mente, IMPUNE MENTE, como faz, como é peculiar em seu partido e no tipo de político e de política que ele representa, um jogo de cena que não passa de uma cortina de fumaça para embaçar os olhos do eleitor.
Isso quando não usa dos recursos mais abjetos como o uso da censura que utilizou para amordaçar a imprensa mineira, enquanto governou nosso estado.
***
E, mentindo desesperadamente, acaba pisando no pescoço de todos aqueles que estiveram ou estiverem a seu lado, até mesmo daqueles que o ajudaram e não merecem tal retribuição.
Mas, esse, infelizmente, é o caso de Itamar Franco, a quem o menino do Rio e das baladas e colunas sociais, sucedeu.
***
Antes e apenas para registro, devemos ter em mente que a história política brasileira revela, exceto no período da República Velha, caracterizada pelo domínio dos coronéis e seus votos de cabresto e de marmita, que nenhum dos presidentes da República conseguiu fazer seu sucessor. 
Foi assim com Dutra, derrotado por Getúlio, em seu período democrático. Depois, o processo repetiu-se com Juscelino, que por maior estadista e mais revolucionário e visionário que tenha sido, foi derrotado por Jânio Quadros e as forças conservadoras da UDN. Foi assim até mesmo no período militar, quando alguns grupos conseguiam impor o nome do comandante desejado, mesmo a contra-gosto de outras correntes. 
Aí veio Sarney, a quem o general Figueiredo nem se dignou a apertar a mão, ou proceder à passagem da faixa. E o processo repetiu-se com a derrota imposta por Collor ao governo. 
Mas, tudo terminou quando Itamar Franco assumiu o cargo como vice de Collor e, por força do plano Real que decidiu adotar, por ato de vontade política sua, já que há informações de que seu ministro da Fazenda não acreditava e nem apoiou o plano como hoje faz crer, Itamar conseguiu eleger seu sucessor. Justamente o ministro da Fazenda descrente do plano e que dele mais se beneficiou. A ponto de  nunca ter tido a hombridade de dar ao seu verdadeiro patrono o reconhecimento devido.
***
Itamar morreu, sabe-se, magoado com FHC e sua falta de reconhecimento. 
Mas, tendo se tornado governador das Minas Gerais logo em seguida, e depois de ter interrompido uma das negociatas mais nefastas que foi a venda de pequena parcela das ações da Cemig para a AAS, empresa de capital americano, tendo a venda embutido na negociação/negociata, a aberração de que o controle da gestão passaria ao sócio (minoritário).
Itamar brecou a negociata, conseguiu anular a venda nos tribunais judiciais, e chegou a colocar a Polícia Militar de Minas em Furnas para impedir que ela também fosse alvo da privataria dos tucanos. Exatamente esse processo que tanto agrada a Aécio que ele o quer de volta, como se depreende das falas de seu ministro indicado para a Fazenda, caso o povo mostre mesmo que é míope.
***
Diga-se a título de justiça, que a AAS, empresa americana que assumiu outras empresas energéticas no processo de privataria administrado pelo PSDB, conseguiu adquirir tais companhias, por força de  financiamento obtido junto ao BNDES. 
E apenas a título de complementação: não estava pagando, tornando-se inadimplente com o banco público. 
***
Mas, tendo reagido à espoliação do patrimônio do povo mineiro, Itamar ficou condenado a receber qualquer repasse ou recurso devido pela União, líquido da parcela da dívida do Estado com aquela instância administrativa. Minas foi, então, obrigado a pagar as parcelas de sua dívida, enquanto outros Estados eram tratados com vista grossa. 
Mas,  se sem recursos Itamar  pouco pode fazer, ao menos consta que as finanças do Estado estavam em melhor situação. A ponto de Itamar fazer Aécio seu sucessor, dando-lhe apoio em sua candidatura.
***
E agora vem o menino do Rio e das praias cariocas, dizer em propaganda que pegou as finanças do Estado em péssimas condições. 
Assim elas ficaram ao final de seu mandato!
***
Mas não apenas mente e mostra-se mal agradecido. Aécio é acusado de confundir público e privado como poucos já o fizeram, embora não possa ser publicado, porque tem no bolso a imprensa chapa branca de Minas, o que aliás não é nenhuma vantagem. 
Basta olhar, nos últimos 60 anos, se o Estado de Minas, dito grande jornal dos mineiros, em algum momento deixou de dar apoio, de olhos fechados a qualquer ocupante do Palácio da Liberdade. Exceto, claro, Newton Cardoso que assumiu o governo ameaçando destruir aquele jornal. Infelizmente, sem êxito. 
***
Está hoje na coluna de Ricardo Melo, na Folha, a quantidade de trapalhadas e mentiras que o tucano adota para passar por tudo que não é: sério, competente, confiável. A pessoa certa para o lugar certo. Aécio viu publicada notícia no blog de Juca Kfouri a respeito do empurrão que teria dado em sua acompanhante, em festa da Calvin Klei
Tentou na justiça impedir o blog, ou censurá-lo. 
Não teve êxito. Simplesmente porque  o episódio aconteceu. Agora, ameaça a campanha de sua adversária de difamação. Ora, como sabe que não irá ter êxito, faz a bravata apenas para chegar o dia das eleições. Depois, esquece na gaveta a ameaça.
***
O aeroporto de Cláudio, cuja chave ficava de posse de seus familiares, não tinha necessidade de ser feito, especialmente por sua proximidade da cidade de Divinópolis, onde existe de fato, um núcleo econômico importante.
Deixar de soprar o bafômetro, alegando estar inabilitado, por estar com sua carteira vencida é só outra das malandragens que ele se acostumou a fazer para evitar punições.
Como ele mostrou ontem no debate da Record, sempre escorregando, lavando a mão como Pilatos. Tergiversando. Acusando de mentirosas as verdades sobre sua gestão incompetente na área da saúde, por exemplo. 
***
Quanto ao nepotismo de que é acusado, nem adianta ficar discutindo muito. Todos sabem que a cabeça do seu governo sempre foi Anastasia e Andrea, sendo questionável se a ordem era essa.
Aécio não é muito afeito a trabalho, assim como acusam Lula de ser. 
Está mais para  banquetes e reuniões em salões da alta sociedade.
O que impede que tenha disposição para o trabalho no dia seguinte. 
***
Não vou falar da publicidade do governo mineiro, feita em suas empresas de comunicação.
Mas, vou falar de como confunde o público com o privado, a ponto de tornar isso peça chave de seu governo: a parceria público-privada. 

***
Para terminar, até que enfim, o debate de ontem na Record teve mais críticas mas menos agressões pessoais, o que é um avanço. 
Afinal como Aécio se comporta quando há mulheres envolvidas, adjetivando-as de forma grosseira, para Dilma tal mudança de comportamento pode ter  sido tranquilizadora.
Mas, Aécio não acertou quase nenhuma concordância que tentou fazer. E Dilma continua falando muito mal, de atropelo.
***

Por fim: discutia com um amigo que vai votar em Aécio, apenas por desejar a alternância de poder.
Na esfera federal, porque votou pela continuidade do péssimo governo do PSDB em Minas. 
E nem reparou, esse amigo, que Aécio em encontro com Marina, falou por duas vezes, que nos oito anos... 
Isso porque já afirmou que é contra e que vai mandar projeto  ao Congresso propondo o fim da reeleição.
E ainda há quem nele acredite. O que me dá frouxos de riso.

sábado, 18 de outubro de 2014

O choque de gestão e o fracasso e mentiras a respeito do tal choque

Professor emérito da Unicamp, o físico Rogério Cézar de Cerqueira Leite é, aos 83 anos, um dos cientistas mais renomados de nosso país, além de membro do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia.
Também integra o Conselho Editorial da Folha, onde publicou no dia de ontem um artigo de opinião (primeiro caderno, página A3) que deveria ser objeto de leitura e reflexão por todos os que, bombardeados pelas campanhas publicitárias dos candidatos à presidência da República acreditam na capacidade administrativa de Aécio Neves, face aos expressivos resultados obtidos por seu choque de gestão.
Só que não.
O que leva o professor a dar ao seu artigo o sugestivo título de "O choque de indigestão de Aécio", cujo texto em destaque, transcrevo a seguir: "Do ponto de vista financeiro, o choque de gestão em Minas foi um fracasso tão grande quanto o foi do ponto de vista social. Mas Aécio não concorda."
No corpo do artigo, depois de iniciar fazendo referências ao documento com que o governo do Estado tece referências auto-elogiosas ao programa, o cientista se propõe a abordar as áreas tratadas como aquelas selecionadas para receberem os "investimentos destinados a melhorar a qualidade de vida das pessoas", a saber: saúde, educação, segurança.
***
Inciando sua análise pela saúde, o professor revela que em termos do percentual de receita alocada ao setor, o estado mineiro ocupou apenas a 22ª posição, dentre todos os 27 estados da federação, o que representou  metade do percentual dedicado a essa área por estados como Amazonas, Bahia, Pernambuco. Desempenho pífio, para dizer o mínimo.
Mas, segundo a conclusão do professor, que vai se transformar em um bordão de seu artigo, "Aécio não mente jamais."
***
Na educação, o professor destaca a importância do choque de gestão o sucesso do governo no setor. Entretanto, revela que, em 2009, reservou para essa área prioritária o menor percentual dedicado no Orçamento de qualquer outro estado do país, salvo o Espírito Santo.
Naquele ano, o orçamento destinou metade dos recursos alocados, por exemplo, pelo Ceará, ficando atrás de estados mais pobres e menos desenvolvidos.
Mais uma vez, o professor conclui que "mas Aécio não mente jamais."
***
Na segurança, o choque de gestão foi o responsável por uma elevação do número de ocorrências policiais de 69%, entre os anos de 2002 e 2008.
E, dos investimentos de 2004 até 2008, apenas 6,57% foram aplicados para a Educação, 8,78% em saúde, com minúscula mesmo; e apenas 6,87% em segurança.
Ao contrário e para mostrar o jeito aecista de governar, 77,8% dos gastos foram com a construção de obras monumentais, principalmente na Capital. Obras de grande visibilidade para o público mas, distante daquelas classificadas como de interesse imediato do cidadão.
***
Por fim, o déficit do Estado, considerado alarmante em 2003 atingia o valor de R$ 2, 3 bilhões. A dívida pública que ao fim do governo Azeredo estava em 18, 5 bilhões, em 1998, disparou para R$ 56, 4 bilhões em 2009, enquanto os gastos com serviço da dívida se expandiram junto com a dívida, em mais de R$ 40 bilhões.
Um aumento de mais de 100%, no governo exemplar do melhor e mais reconhecido administrador público do país.
Em 2009, Minas passou à situação de terceiro Estado mais endividado em percentagem de seu Orçamento anual,  ficando à frente apenas de Rio Grande do Sul e Alagoas.
Daí a conclusão já citada, como destaque do artigo: o choque foi um rotundo fracasso financeiro, tanto quanto o fracasso do tratamento dispensado às questões sociais.
E o professor encerra: "Mas Aécio não concorda e Aécio não mente jamais."
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Esse o retrato em números do candidato que está prometendo trazer previsibilidade; maiores investimentos e crescimento do país; e, de quebra, mais atenção e melhoria dos programas sociais que, bem ou mal, o governo Dilma conseguiu desenvolver.
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Tudo indicando que o voto melhor e mais consciente é aquele no tucano. Para síndico do aviário do zoológico, se não surgir outro tucano de plumagem mais vistosa e crível.
Mas, vá lá. A plumagem de Aécio merece respeito. Afinal, Aécio não mente jamais.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Quando não se pune o crime por força da discussão de detalhes técnicos quanto à (má) condução de sua investigação

Não pude ver o debate ontem, no SBT, por força de estar me deslocando para os compromissos de aula. Pelo que pude ficar sabendo, mais uma vez perdeu o debate quem ficou parado à frente da televisão, esperando ver mais que agressões entre os candidatos, que chegaram, agora, ao nível pessoal.
Assim sendo, e procurando não dar pitaco sobre o que desconheço, situação que sempre tenho criticado nesse blog, vou tratar hoje da excelente coluna de Contardo Calligaris publicada na Folha de ontem, tratando de celulares e da questão da Petrobras.
Segundo  o articulista da Folha, a reação de Dilma e de seus assessores à divulgação de parte do conteúdo dos depoimentos dados pelo ex-diretor da empresa, a que acusaram de um golpe para favorecer o seu opositor, lembra muito a situação várias vezes exposta em cenas de cinema, em que a polícia invade a residência de alguma pessoa, a tempo de vê-la acabando de cometer um assassinato.
Entretanto, independente da evidência do crime, o fato de a polícia não ter cumprido as tecnicalidades que configuram exigências legais, como a de ter um mandado para entrar na residência, acaba permitindo que o processo contra o réu seja considerado nulo, permitindo ao homicida livrar-se da pena a que de outra forma seria condenado.
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Brilhante a analogia. A questão deixa de ser relativa a se houve mesmo o crime ou quanto à sua autoria. Nem dos motivos ou de quem teria se beneficiado do ilícito, para deslocar-se para a questão da invasão dos direitos individuais do criminoso. O que serve para, senão inocentá-lo, livrá-lo de pagar pelo seu erro.
No caso da Petrobrás, parece que o governo tem se preocupado menos em apurar a fundo a verdade dos fatos delatados, procurando saber os valores envolvidos no desvio, quem  desviou esses recursos, de onde, de que obra, e quem deles se beneficiou  para poder punir exemplarmente os envolvidos: corruptos e corruptores.
Como na situação do cinema, ao desviar o foco do debate para a forma de como a informação foi obtida ou divulgada, um erro menor em relação ao escândalo, muito mais importante, o governo perde uma oportunidade excelente, para mostrar à sociedade não tolerar de forma alguma esse tipo de crime, que lesa a toda a sociedade, e não compactuar com a impunidade que alimenta e estimula esse tipo de comportamento. Além disso, perde uma excelente oportunidade de, ao evitar discutir os caminhos da corrupção, criar condições para que o debate seja ampliado e que novas soluções possam vir a ser apresentadas para que controles mais rígidos venham a ser criados e que atos como os examinados nunca mais sejam passíveis de serem examinados.
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Sem entrar no mérito da questão de fundo do problema das tecnicalidades mencionadas: até que ponto os fins justificam os meios, até que ponto a polícia e alguns interesses podem superar as liberdades e desrespeitar os direitos do cidadão, para poder chegar enfim à comprovação da existência do ato ilegal, a verdade é que a sociedade brasileira clama, em uníssono, para que se dê um basta na impunidade e nessa corrupção que grassa a tal ponto, que chega agora a envolver até mesmo o partido da oposição e, até então, o maior beneficiário eleitoral da divulgação que o governo tanto critica.
Como amplamente divulgado ontem, o nome envolvido  no escândalo desta feita é o de ninguém menos que o de Sérgio Guerra, que já falecido não terá como se defender, e que ocupava o cargo de presidente do PSDB. Aliás, um dos principais responsáveis pela candidatura de Aécio pelo partido dos tucanos.
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Mas, refiro-me à coluna de Calligaris porque na mesma Folha de ontem, ao analisar frases marcantes do debate havido na Band, como é comum, o jornal procurou verificar se o que afirmavam os candidatos era verídico, ou parcialmente verdadeiro, ou se uma mentira.
E, aí o que se verifica na reportagem mais que um excelente instante de reflexão é como que seus autores teriam tanto a se beneficiar, caso lessem o texto de Calligaris, publicado em outro caderno.
De minha parte, gostaria de ver como o colunista reagiu à matéria do debate.
Porque entre outros exemplos, a Folha mostra que Dilma declarou que Aécio praticou nepotismo citando que ele empregou, enquanto governador de Minas Gerais, uma irmã, três primos, três primas, tios etc.
Ora, o que diz a Folha? Que a verdade era parcial já que, de fato a irmã foi empregada, o pai foi indicado para participar do Conselho, remunerado, da Cemig, um ou dois primos prestaram serviços de assessoria ao DER, departamento que cuida das estradas de rodagem e transporte intermunicipal no estado.
Então, o que houve foi um certo exagero no número mencionado de Dilma, que o jornal criticou, deixando de lado que houve sim o problema principal, o nepotismo denunciado.
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Também em relação à saúde, a Folha mostra que houve uma verdade parcial, já que o governo mineiro incluiu como gastos naquela área, para poder atender ao preceito constitucional a gastos que, na verdade, eram de saneamento.
Mais uma vez, o principal, o desvio, o não cumprimento da exigência em relação à saúde parece ter passado para segundo plano.
Por fim, criticou os números de desemprego apresentados por Dilma para o ano de 2002. É que, embora corretos, os números eram de um ano ou dois antes.
Mais uma vez, a mim, pareceu que por questões menores, a Folha optou por "absolver" o candidato tucano, livrando sua barra.
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Pena que a equipe de repórteres da Folha não leem o jornal, pelo que parece. Ou teriam que fazer algum ERRAMOS no dia de hoje, pedindo a Calligaris perdão por terem, tanto quanto Dilma, deixado de lado o que é a essência para tratar de detalhes.
***
Na mesma Folha, o excelente Juca Kfouri mostra, pelo lado do futebol, quem são os amigos e companhias de Aécio. E como o ensaboado político mineiro não é nem um pouco sério ou confiável. Ou como apresenta duas caras com a mesma tranquilidade de Maluf.
No caso, acompanhado de José Maria Marin, de Eurico Mirando, de Zezé Perrela. Isso para não mencionar outras companhias suas: Gustavo Perrela, seu ex-vice Clésio Andrade, etc.
E até Sarney. Ou se esquecem de que foi Sarney que foi vice escolhido para compor com seu avô Tancredo a chapa vitoriosa em 1985? E que foi Sarney quem o indicou e a seu parente Francisco Dornelles, respectivamente, Diretor de Loterias da Caixa e ministro?
***
Diga-me com quem tu andas... porque nos primeiros anos de seu mandato como senador o candidato que deveria ter assumido o papel de líder maior da oposição não ocupou esse posto, papel que coube ao senador agora reeleito pelo Paraná?
Incompetência? Inaptidão para a oposição? Oportunismo ou o que?
Álvaro Dias, esse sim, merece muito mais o destaque que o candidato Aécio.
***
Aécio que pretende dirigir os destinos do país e que, como parece ter admitido ontem no debate, já foi flagrado dirigindo sob o efeito de drogas. Bêbado.
Embora, ao que parece, ato ilícito que só cometeu por estar com sua carteira vencida. Outra irregularidade! Mais uma a somar ao conjunto de pequenos detalhes que desviam a atenção das pessoas para distante do verdadeiro problema, conforme Calligaris.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A virada histórica do Galo; a derrota e o alerta ao time do Cruzeiro e mais do debate da Band

Não dá para começar meu comentário hoje, se não for pelo Galo e o sofrimento que ele nos impôs a todos os atleticanos. E não apenas por termos conquistado uma vitória e uma classificação que eu mesmo não acreditava que pudesse acontecer. Mas por ter começado o dia comemorando, ainda no Mineirão a virada épica sobre o Corínthians.
***
Épica, uma vez que o time de Mano dificilmente é derrotado por um placar acima de 2 gols, e tendo feito o primeiro gol ontem, jogando já com a vantagem indiscutível de poder perder por diferença de dois gols, praticamente eliminava o Vingador das Minas Gerais.
Sim, vingador, já que a vitória não apenas nos reabilita em relação ao péssimo jogo de ida em São Paulo, mas também vinga a derrota que o time paulista impôs ao Cruzeiro.
Por isso, nosso hino estampa o verso Galo forte e vingador. 
***
Mas confesso que, ao ver o Galo entrar em campo ontem, bateu em mim uma tristeza e um mau presságio muito grande. 
Afinal, mais uma vez, e sem qualquer motivo ou explicação aparente, o Atlético não entrou em campo com sua camisa principal, a da mística do Galo Carijó, a camisa alvinegra. Justamente a camisa a quem Roberto Drummond, homenageou ao afirmar em verso que se existir uma camisa preta e branca pendurada no varal, durante uma tempestade, o atleticano torce contra o vento. 
Pois bem, o Atlético, entrou de branco, o uniforme que sempre nos traz lembrança de derrotas e decepções.
Mau sinal, que a noite inspirada de Guilherme e todos os anjos e santos dos céus se uniram para modificar.
***
Quanto ao jogo em si, com mais de 32 mil pagantes em plena noite de quarta feira, no péssimo horário da Globo, das 22 horas, o que se viu foi um time - com uma posse de bola muito maior que seu adversário, que levava muito perigo em todas as bolas lançadas para o seu avante, Guerrero.
Porque é preciso se reconhecer que nunca Jemerson, o becão que veio da base e se firmou, destacando-se em vários jogos, inclusive por sua maturidade, nunca jogou tão mal. Nunca bateu tanta cabeça, não ganhando, que eu me lembre, nenhuma disputa de bola com o peruano.
Para completar, se Jemerson estava inseguro, intranquilo, perdendo bolas infantis e sempre chegando atrasado na marcação, Edcarlos não conseguia acertar também, o que fazia o rápido e oportunista ataque corinthiano levar sempre perigo ao gol de Victor.
Mas, se o miolo da zaga estava completamente fora de jogo, Marcos Rocha e Douglas conseguiam jogar bem, especialmente na saída do time ao ataque. 
Embora seja necessário alguém chamar a atenção de Marcos Rocha mostrando-lhe que não dá para enfeitar em certas jogadas mesmo lá na frente, que podem armar contra-ataques perigosos, especialmente, se ele não tiver pernas para voltar no constante movimento de vai e vem que lhe cabe.
***
Para somar-se ao nosso desespero, não vi Donizete jogar bem, e atribuo, à sua saída de campo lesionado, parte da nossa vitória. 
Donizete marca mal, ontem marcou mal, não cobriu, como devido, nossa lateral direita nas subidas de Marcos Rocha. Pior ainda, passa mal e comete faltas em número excessivo. 
Nossa felicidade é que Vuaden, o juiz, resolveu que não ia marcar faltas, o que começou a fazer apenas no segundo tempo, sempre para o Corínthians. 
Sobre o juiz, ainda há que comentar de sua tolerância, incompreensível com a cera técnica feita pelo time paulista, que acabou se transformando em seu merecido castigo. 
***
Na frente, nitidamente cansado, Tardelli se esforçava, não tendo encontrado quem pudesse ajudá-lo, em função de uma partida - mais uma - muito insípida do jovem Carlos.
Carlos é um bom jogador, e mostrou isso, na única jogada em que partiu para cima da zaga do time paulista, acertando a trave de Cássio. 
Muito pouco, para quem tem tanto potencial para mostrar.
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Mas o Atlético foi superior em tudo, não apenas na posse de bola, que deve ter chegado a mais de 60% do tempo. 
Teve mais finalizações, mais escanteios, mais coração.
Ao Coringão, restou ficar fazendo mais tempo de cera,  na reposição de bola. Principalmente com o bom goleiro Cássio.
***
Mas se Luan correu e se entregou como é sua característica, tanto atrás quanto na frente, a noite ontem foi de Guilherme. 
Que começou apagado, até meio disperso, mas conseguiu acertar um belo chute em que Cássio, atrapalhado por Luan que não tocou na bola, acabou deixando entrar.
Em seguida, em outro chute de fora da área, conseguiu virar o jogo, com a bola que acertou o defensor paulista e acabou, mais uma vez, traindo ao goleiro.
O terceiro gol, para fazer justiça, foi dele mesmo. 
Mas restava o gol que nos asseguraria a classificação e esse saiu da cabeçada/ombrada de um improvável Edcarlos. 
***
Galo 4 a 1. Classificado. E festa da massa. Como toda a nossa festa, com sofrimento e, por isso, um sabor a mais.

***

Quanto ao Cruzeiro, prejudicado pelo juiz, pelo que me contam e os comentaristas das tevês confirmam, Fox em especial, deve ficar atento, às arbitragens.
Afinal, quem era o juiz ontem? De onde, de que estado ele vinha?
Porque pode estar em curso um plano para desestabilizar o time mineiro, o que não seria nada estranho.
Embora até secando o nosso adversário, é importante que se lembre que, principalmente com falhas do juiz, uma série de derrotas consecutivas pode abalar o trabalho que vinha sendo feito e dando certo. 
Como Minas está por cima, em todas as competições principais, isso pode não ser tolerado. 
Portanto, olho vivo.

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Galo e Flamengo reeditam grandes decisões. Tomara que dessa vez, sem o time carioca escalar seu principal jogador, o árbitro. 
Chega de tanta roubalheira e ajuda ao urubu.
Porque futebol por futebol, dificilmente o Flamengo tem para mostrar.

***

De volta ao debate da Band

Como já havia comentado ontem, quem ganhou o debate para os eleitores de Dilma foi a presidenta, que inclusive levou o seu oponente a mostrar clara irritação em algumas perguntas.
Quem ganhou o debate para os que não conhecem ou não fazem questão de ignorar o mal que o PSDB já ocasionou ao país, foi o político vaselina que governou Minas que venceu. 
Para esses Aécio não foi agressivo, embora o tenha sido, e se saiu sempre muito bem, embora seu discurso vago, cheio de ideias que nunca foram mais que promessas. 
Para quem estava indiferente, ganhou o debate quem foi dormir mais cedo. 
E é isso que as pesquisas estão mostrando. O debate nada solucionou. Nem debate algum o fará, salvo se algum dos candidatos demonstrar sinais flagrantes de fraqueza ou despreparo, o que não é o caso.

Para os que insistem em ignorar o que é e representa o PSDB, embora sejam todos da classe mais elitista, o que não significa que pertençam à elite de fato, esse partido é tão ruim, que enquanto esteve no governo conseguiu até mesmo eleger o PT, em 2002.
Claro que 1998 não conta, com a fantasia mentirosa de que o Plano Real foi sua decisão, o que levou Itamar a romper com seu sucessor, e com o estelionato eleitoral, do câmbio e sua propalada não desvalorização. 
Aliás, diga-se de passagem, a desvalorização que levou Cacciola a cobrar do governo e obter vantagens para cobrir o rombo de suas contas, que autoridades do BC e da área econômica o fizeram assumir. 
Para os desavisados, o que deu origem ao escândalo que foi dos poucos que a Justiça teve a oportunidade de apreciar, e condenar a diretores do Banco Central, um deles, inclusive, tornado diretor depois do imbróglio, como prêmio por sua disposição de fazer mal feitos.
***
Mas tem gente que se esquece de que, por culpa de tanta corrupção e desmandos, o PSDB as levou a votar no Lula. 
De matar de rir, especialmente quando são esses que agora, mais acusam a corrupção sem limites do PT.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Um debate em que todos perdem. Dia do Professor e o Galão hoje à noite

Curioso, e talvez nem um pouco estranho, que os debates entre os candidatos nas redes de televisão acabam se transformando e parecendo cada vez mais como uma partida de futebol e deixando de lado sua principal justificativa: a discussão de propostas.
E quanto digo discussão de propostas, estou me referindo a um candidato escolher um tema, mostrar o que sua equipe identificou como principal problema relativo ao tema (um diagnóstico), mostrar as soluções alternativas debatidas para solucionar o problema, a sua escolha e os passos necessários para implementar tal proposta. Ao final, deveria apresentar alguma informação de quanto custaria a adoção de sua sugestão e de onde viriam os recursos para ´viabilizar sua proposta, tirando-a  do papel e colocando-a em prática.
Fantasia? Também concordo com quem classifica de uma quimera um debate desse tipo. Mas esse debate sim, ajudaria ao eleitor se decidir por um projeto de políticas, de país e até de vida.
E seria muito mais esclarecedor, principalmente, por obrigar o candidato a definir suas prioridades e mostrar o grau de seriedade envolvido na resolução do problema.
Ao final e ao cabo, permitiria que se delineasse, com clareza quem seriam os beneficiários, a quem as medidas trariam vantagens e quem deveria bancar a tal solução.
Enfim, para quem o candidato estaria disposto a governar, e que forças sociais ele procuraria aglutinar.
***
Do outro lado, em cima do tema escolhido, o outro candidato iria mostrar o que considera ter sido deixado de lado, ou as falhas percebidas na proposta, discutindo à luz de seus eleitores e forças de apoio, quais as propostas seriam de fato as melhores, ou até se haveria outras alternativas, e fazendo considerações desde a questão das opções preferenciais de público alvo da proposta do adversário, até das dificuldades de implantação, questões relacionadas à falta de viabilidade técnica ou mesmo financeira.
***
Exemplificando, com o debate realizado ontem pela rede Bandeirantes, Aécio mostrou ter entre seus objetivos, o de criar um programa que facilitasse o acesso à educação integral para crianças de 4 anos ou menos, e falou também em resgatar alguns milhões de brasileiros que abandonaram os estudos, antes de sua conclusão.
Ou em outro exemplo, falou em criar o programa um programa de poupança jovem, algo semelhante.
Muito bem, até então, o que se viu foi uma promessa, uma intenção.
Não vamos aqui questionar se uma boa intenção ou não. Mas, sem dizer, até por não ter tempo para tal, dado o formato do debate, quantas crianças seriam assistidas, de que forma faria essa inclusão na integralidade da educação, fornecendo que tipo de conteúdo para as crianças, em que prédios, com que professores, habilitados de que forma, ou a que custo, em que regiões. Sem dizer como aproveitaria de cada localidade ou região as suas vantagens e habilidades locais; sem dizer de onde cortaria gastos para poder financiar tais ideias, ou se ampliaria a tributação, etc, o que ele disse fica na base da torcida gritando na arquibancada: Eu acredito!
Só que não. Talvez fosse mais fácil gritar o seu oposto: eu não acredito.
***
Citei Aécio, mas o mesmo vale para a presidenta Dilma, fosse outro o formato do debate.
Mas, o que se vê ou se viu é que a torcida - nós povo ou nós eleitores, ficamos sem informação alguma concreta, prática, participando do espetáculo deprimente do ponto de vista de sua contribuição para a formação política do país "a la Datena", como se estivéssemos em um jogo de futebol. De categoria duvidosa.
Em seu Brasil Urgente, o apresentador Datena, que não tem a função ou finalidade de educar e permitir a melhoria da formação ou educação de seus espectadores, e por esse mesmo motivo, abusa da liberdade de promover a deseducação, falava que queria ver algo que de forma exagerada poderia ser "sangue".
Quero ver bate-boca, discussão, ou algo parecido, afirmava ele.
E em que isso contribui para que escolhemos em quem votar de forma consciente?
Nada.
Por isso, os debates estão no nível em que estão. E na opinião da torcida afoita, ganha o debate, sai melhor o candidato que bater mais em seu adversário. Por isso, as propostas são todas vazias.
Aliás, justiça seja feita, Aécio se especializou na formulação de milhares de promessas, todas baseadas em declarações de intenções sem qualquer maior profundidade.
Vou manter a política do salário mínimo, vamos dar transparência aos bancos públicos, vamos manter o programa bolsa família e ampliá-lo. Vamos gerar investimentos....gerar empregos.
Quantos empregos? Qual o nível de investimentos pretendidos? Ou ele quer, mas sabendo que essa decisão depende menos da intenção dos governantes e mais do lado dos empresários, será que ele já combinou com o outro lado?
Vazio, oco, tolo e pueril, ou no plural, algumas de suas propostas.
***
Mas isso pouco importa. No debate, importa que ele acusou mais uma vez Dilma de não ter sido quem demitiu Paulo Costa da Petrobras. Importa que ele saiu com um elogio na Ata, o que é praxe em todas essas formalidades. Apesar dos mal-feitos, ele ainda deu alguma contribuição, sempre positiva. Curioso, que no Conselho da Petrobras que aprovou tal Ata têm assento alguns dos mais comemorados e respeitados empresários nacionais...
Ou importa que Dilma conseguiu rebater, pela primeira vez com serenidade, citando alguns dos casos em que o partido do candidato esteve envolvido. "Eu fiz, me indignei e todos estão presos." E no caso do seu partido: todos estão soltos...
Aécio nada pode responder, exceto levantando o nível de agressividade para chamar de leviana a presidenta.
Tão somente por ela ter falado do aeroperto (dos amigos e familiares) de Cláudio. Aécio nem tratou da outra acusação de outro aeroporto que recebeu melhorias para que o ex-governador mineiro delas se aproveitasse.
Ora, no caso de Cláudio, embora o Ministério Público não viu motivos para instaurar procedimento criminal contra Aécio, sabe-se que não o fez por não ser de sua alçada o que julgou irregular. E, apenas por isso, devolveu à instância estadual a análise do que considerou ter havido: IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA.
Poucos sabem disso, porque a midia não teve interesse em divulgar, ao menos em seu inteiro teor a decisão: para ela bastava a primeira parte, que inocentava o escorregadio político mineiro.
***
Para não deixar Aécio sem resposta, por duas vezes, em outras oportunidades, Dilma chamou Aécio de leviano ou de estar sendo leviano, empatando o jogo em 2 acusações de leviandade para cada lado.
E, nas poltronas de casa, a torcida fez um UHHHHHH, como na arquibancada.
***
Muito ruim o debate. Ou melhor, o duelo.
E Dilma mais tranquila, inclusive levando Aécio a, em determinado momento, falar que a presidenta se muniu de estatísticas, dando á discussão um caráter menos passional, talvez.
Em certos momentos Dilma fazia cara de paisagem ou de quem está incomodada pelo filho do chefe: louca de vontade para dar uma espinafrada ou para dar uma palmada, que ela até acabou dando, por duas vezes, no microfone à sua frente.
Muito engraçada a sua fisionomia de enfado.
Já Aécio, que começou como o galã, o rapazinho bem comportado, foi perdendo sua calma. Em dado momento, pareceu que ia fazer birra.
Bem diferente de um Paulo Maluf, em quem parece estar se mirando: só que Maluf, ao ser questionado sobre qualquer assunto, é ensaboado o suficiente para não se apertar, e responder o que ele deseja. Tipo assim: quem você acha que se classifica hoje, o Atlético ou o Corínthians? E ele: você pode perguntar a qualquer pessoa em São Paulo, se quando fui governador, sua vida não estava melhor, se as obras que fiz na cidade não melhoraram sua volta para casa, economizando tempo precioso que ele ficava preso nos engarrafamentos, etc....
Ora, para ser vaselina, tem que ser muito mais que um mero aspirante à se tornar mais um dos que se arriscam a, no futuro, se tornar um integrante da turma do 171. E nesse quesito, embora já bastante desenvolvido, Aécio ainda engatinha. Aliás, nem dá muita demonstração de que tem tanta capacidade assim.
***
Ao final do debate, focalizado em close pela câmara, pude perceber pelo gestual um Aécio mais apreensivo, torcendo e mordendo os lábios, bem diferente daquele que chegou ao estúdio da Band.
Também percebi que ele contorceu as mãos, o que permite uma leitura de que ele estava se cobrando um desempenho melhor.
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Mas uma dúvida me assaltou, e não apenas a mim, ao longo dos hora e vinte de debate: porque Aécio tanto olhava para um ponto do auditório, não focalizado? Porque em alguns instantes parecia que alguém lhe soprava daquele lado, em que estava sentada a claque do PSDB, alguma resposta, a ponto de em  um momento ele ter esboçado um sorriso, e embora a pergunta não tratasse do tema, ter sido lembrado de falar de Armínio, e que a candidata Dilma parecia estar enxergando nele o ex-presidente FHC.
Aí fiquei me perguntando: se não dá para a platéia gritar ou passar cola, já que o som seria captado pelos microfones, seriam sinais que estariam sendo feitos?
Ou os candidatos já se modernizaram a ponto de também usarem ponto eletrônico, como o fazem os jornalistas, apresentadores e artistas?
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Bem, ontem, ambos mostraram que são sim, uns artistas. Alguns de formação prática, outros de frequência a algum curso de formação de atores para teatro.
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Quem ganhou o debate?
Em minha opinião, para o eleitor de Aécio, o político mineiro.
Na opinião do eleitor de Dilma a presidenta.
Na opinião dos indecisos, como diria o Zé Simão da Folha de São Paulo, quem foi dormir.
Não sei se o Datena gostou do que viu. Não rolou sangue e ele não poderá explorar a imagem em seu noticioso da tevê.
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Debates assim dão audiência para a rede que os promovem. E acho que é só quem ganha de fato.
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Dia do Professor

Com tanto desserviço à causa da educação prestado, inclusive por nossas televisões, que não precisariam de fugir do entretenimento, desde que levassem a sério sua função de UTILIDADE PÚBLICA  de bem informar, de elevar o nível cultural da população, e de dar informação completa de qualidade fica cada vez mais difícil e árduo o papel do Professor.
Fica cada vez mais difícil criar em sala de aula, um ambiente em que o primeiro objetivo seja o de criar uma visão crítica, uma consciência para o aluno, de si próprio, de sua presença no mundo e de sua realidade. E de como ele pode explorar tal realidade. Aprender e vivenciar experiências com sua vida, no que ela tem de mais trivial. E de aproveitar para estimular a imaginação e a importância e o sentido da descoberta.
Em relação aos colegas que trabalham em cursos com jovens adolescentes e/ou adultos, em faculdades, fica cada vez mais difícil quebrar a desinformação, a alienação, para revelar a cada um não a verdade absoluta (que existe sim, mas é individual, de cada um, e forjada ao longo de toda sua vida!) mas facetas distintas de uma realidade que sempre insiste em ser parcial, moldada por visões de mundo e de vida distintos.
Parabéns aos professores, nesse dia. E que tenham Fé em que seu trabalho de semeadura, mesmo em época de falta de chuvas e de seca, possa encontrar terra fértil para germinar. E contribuir para a construção de um Brasil melhor. De um mundo melhor.


Galão hoje

Difícil, muito difícil, vencer um time como o Corínthians, que joga mais retrancado que time de interior, em especial pelo placar de três gols de diferença. Mercê da bobagem que possibilitou ao Atlético levar dois gols do time paulista, para quem um a zero já é grande goleada.
Mas, não é impossível, convenhamos.
E quem viu Victor pegando um pênalte no último minuto já dos descontos. E quem virou placares contra times como o Olímpia, pode acreditar. Pelo menos em levar a decisão para as penalidades.
O que viria apenas confirmar a mística de o Galo ser o time que mais faz sofrer a sua apaixonada torcida.
É isso, Galo:
Andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá (Gilberto Gil)