terça-feira, 31 de maio de 2016

Queda de ministros é apenas por reação da sociedade, apesar da vontade de temer e Cunha; e falando de economia, cortes e malvadezas, chegamos ao estupro. Da menor do Rio, um absurdo e de Dilma.

Mais um ministro de temer cai, antes ainda de passados vinte dias da posse desse governo usurpador.
Apesar de que, uma consulta simples ao dicionário demonstre que o título de usurpador, em uma de suas acepções mais empregadas seja mais apropriado a Eduardo Cunha que ao próprio temer.
Afinal, como consta das transcrições de falas de Romero Jucá, constante das fitas gravadas por Sérgio Machado, é Cunha, na verdade, quem está por trás e manipula e controla o governo temer, como foi exposto, com todas a letras, por Dilma, na entrevista concedida a Mônica Bergamo da Folha.
Na entrevista, a presidente afastada foi clara e precisa: temer e seu (des)governo terão que ficar de joelhos para o presidente, também afastado, da Câmara dos Deputados.
E, embora ministros venham sendo derrubados em sequência, como a derrubada de peças de um domínó, ainda não consigo divisar, ao longe, o menor ruído de panelas sendo batidas, ou de buzinaços de cidadãos enfezados, em combate ferrenho contra a corrupção que grassa no país.
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Também não ouço ou vejo qualquer reação mais enérgica de temer, como um tapa na mesa, quem sabe até como um gesto teatral para que ele possa dizer que sabe tratar com bandidos.
Cena que ele já protagonizou na semana passada, ao anunciar o pacote de medidas fiscais de seu desgoverno.
O que pode indicar que o ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo tenha se esquecido de como é que se deve agir quando se está tratando com bandidos e se quer extirpar a sociedade dos comportamentos por eles praticados.
Uma alternativa seria a de que, de tanto combater o crime, sem êxito em sua extinção, o ex-secretário acabou acostumando-se, ou até associando-se como acontece em filmes, com as práticas criminosas que visava combater.
Mas, convenhamos que essa alternativa citada está muito mais para roteiro de filmes, seja de Hollywood, seja mesmo filme brasileiro, como Tropa de Elite.
E, seria injusto e absurdo que, das telas, tal situação viesse pular para a vida real, como em A Rosa Púrpura do Cairo de Woody Allen.
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Na verdade, minha crença maior é em que o ex-secretário Segurança de São Paulo sabia lidar sim com bandidos, desde que vindos das favelas ou comunidades carentes, pretos, pobres, desamparados pelo Estado, em geral analfabetos, e invisíveis aos olhos da sociedade dita de bem.
Bandidos, para usar a expressão de Collor, descamisados, o que pode explicar as razões de temer não saber lidar com crimes de quem vista camisas, de colarinho azul ou branco, gravatas sofisticadas, ternos de grife e palavreado adequado a quem tem o domínio da última flor do lácio, inculta e bela. Flor que esforçar-me-ei para defender, em homenagem à nossa personificação de Boris Karloff.
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Afinal, para temer, nem Jucá, antes, nem agora o Fabiano cometeram qualquer deslize, o que não torna-los-ia passíveis de qualquer censura.
A menos que houvesse reação, no Congresso ou na sociedade, nas ruas, de forma que o amigo, mesmo merecedor de todos os elogios quanto a sua honra e honestidade, deveria pedir para sair, para não trazer constrangimentos a um governo que já nasceu eivado de constrangimentos, o pior deles, o de não ter sido eleito pelo povo.
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Entretanto, é possível que algumas pessoas bem intencionadas de nossa sociedade, algumas daquelas que foram manifestar sua indignação nas ruas contra o PT, petralhas e corrupção se sintam confortados de verificarem que temer age e pune, com a perda do cargo, mesmo seus amigos mais próximos.
Digo isso porque vi, e lembro-me muito bem, algumas dessas pessoas que reputo ingênuas, aplaudindo e elogiando o início do governo Dilma, também ela responsável por uma faxina no ínicio de seu primeiro mandato.
Então, temos um presidente que age e pune, mostrando que sabe dar, além de tapas na mesa, o tratamento que os meliantes (termo mais sofisticado para bandidos) merecem.
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Enquanto isso a economia desanda, e ao invés de se fazer um corte, como o pretendido por Nelson Barbosa, o que implicaria em pesado contingenciamento e déficit de 97 bilhões, chegamos à cifra de 170 bilhões de déficit orçamentário.
Enquanto isso, as medidas duras e amargas de elevação de impostos que já haviam sido anunciadas por Dilma e sua equipe não são sequer aventadas, embora se saiba da inevitabilidade de que sejam adotadas, caso o país queira fazer superávits primários antes de 2020.
Enquanto isso, a reforma estrutural da Previdência, necessária, mas feita sob a abertura e discussão de todo o orçamento que envolve a seguridade social no nosso país, deve ficar apenas para setembro. E não por que vamos finalmente abrir as contas e discutir com todos os segmentos sociais o que deve ou não continuar sendo financiado pelo fundo pago com a contribuição apenas de parcela da população, a que trabalha com carteira assinada. A mão de obra formal.
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Como vimos a imprensa comemora, junto com os mercados, a peça orçamentária e seus remendos aprovados, como sinal de transparência e seriedade: afinal, no valor do novo déficit, não há mais cadáveres ocultos.
Mas, querendo estar bem com a sociedade que não o elegeu, nem às suas propostas, o que temer e Meirelles fizeram foi tão somente manter os privilêgios, herdados de Dilma, de concessões de desonerações, incentivos, subsídios, benesses e outras transferências para o andar de cima da sociedade, especialmente, o pagamento dessa vergonhosa conta de juros da dívida.
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Isso a imprensa não vê, não assinala, e assim, a sociedade não percebe. Mas, vamos devagar por que estou com pressa, já anuncia cortes nos programas de assistencialismo, sendo vítimas os programas Minha Casa Minha Vida, os que financiam a Educação, os que tratam de bolsas famílias.
Em relação ao Bolsa Família, é interessante aliás, assinalar como a imprensa é ágil para repercutir os númeos de benefícios pagos de forma irregular, para pessoas que recebem mais que um benefício, ou recebem sem se enquadrarem nas condições exigidas pelo Programa.
O que faz com que, em uma primeira análise, sejam contabilizadas milhares de pessoas recebendo benefícios indevidos, o que é um crime.
E, como crime que é e ninguém em sã consciência pode negar, a imprensa destaca e fortalece os argumentos dos que querem, por tal motivo, paralisar o programa... para reavaliações.
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Pergunto-me porque a imprensa, por meio de seus órgãos e pessoal de comando, não tem a dignidade de dizer que o programa tem sim, falhas e pontos críticos, mas que esses pontos - em especial a da existência de benefícios irregulares, não são responsabilidade do governo federal, já que a responsabilidade por cadastrar, acompanhar, fiscalizar as famílias cadastradas no Bolsa Família, são de responsabilidade das prefeituras municipais.
Até porque são as prefeituras que mais conhecem a situação de sua população carente. Pela proximidade de tais famílias.
Mas, omitindo essa pequena informação, acaba deixando a sociedade na crença de que as falhas do programa são responsabilidade do governo central.
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A consequência é que Meirelles irá cortar, como já analisei em outro pitaco, os gastos que beneficiem os mais carentes, e vai manter os gastos com privilégios de quem é empresário.
Talvez, mais uma vez, seja essa a receita para a retomada do crescimento: concentrar benefícios e renda, e aproveitar que, já tendo todos os bens necessários a uma vida abastada, os setores beneficiários de tais ganhos possam então poupar e financiar, na falta do que fazer de diferente, projetos de investimento.
Isso, em um mundo em que aplicações finaneiras estruturadas cada vez mais são criadas para que, sem os riscos de produzir e vender, e receber depois, os donos do capital possam valorizar sua massa de capital dinheiro.
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Tudo bem, a imprensa não alardeia, a sociedade não discute sem apelar para o confronto, e os movimentos sociais serão bem monitorados, de perto, por militar desde jovem ligado à repressão de grupos de terroristas ou subversivos, já que filho e sobrinho de outros militares que ocupam páginas do relatório do Comitê da Verdade, no papel pouco meritório decolabodores com a tortura.
Bem é esse general que tem a Abin sob sua direção, no gabinete de Segurança Institucional, o que mostra o apreço que temer tem por movimentos sociais e suas causas.
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Nesse intervalo, para compensar que não viu nenhuma mulher com capacidade para constar de seu ministério, talvez até por serem honestas, agora temer quer criar na Polícia Federal um departamento ou o que o valha de combate a crimes contra a mulher. O que, parece-me não é função da PF, o que a faz, ampliando suas atribuições, quem sabe perder o foco principal de suas atividades. Vai saber...
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E para concluir, embora não tendo nada a ver com a política, é um absurdo grave o estupro coletivo contra uma menor praticada em favela do Rio, independente de ter havido, em algum dos contatos, algum assentimento, mesmo que expresso. Afinal, uma relação, com um homem se teve assentimento, não significa que está aberta a porteira para que outros 30 animais tenham alvará para agir.
Mas, caracterizado o estupro, pelos 30 ou apenas por alguns, é quase um outro estupro submeter a menor ao delegado que a atendeu que, dentro da cultura e perfil machista de que deve estar impregnado, não tomou as medidas imediatas que o caso requeria.
Felizmente, agora na mão de uma delegada mulher, o caso tem sequência.
E eu gostaria de manifestar minha solidariedade à menor e o meu repúdio ao ato animalesco e selvagem, de tantos machos... de araque.
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Termino lembrando que, no Congresso, Dilma e a vontade da maioria da sociedade brasileira, mais de 54 milhões de votos foram vítima de um estupro, figurado, nos dois últimos meses.
Mas aqui o culpado foi o mordomo...

terça-feira, 24 de maio de 2016

Medidas econômicas de ajuste recessivo não farão o país voltar a crescer

Nada contra o corte de gastos anunciado hoje para conter o déficit fiscal do governo, e deter o crescente índice Dívida Pública/Pib, que assusta a tanta gente do mercado e da mídia que lhe serve de porta-voz.
Mas, por favor, não venham dizer como já andei vendo nos sites de notícias que as medidas visam criar as condições para propiciar a retomada do crescimento econômico do país.
Primeiro, porque corte de gastos, e na magnitude declarada é medida de redução da demanda agregada. Logo, se como diz o modelo keynesiano, no curto prazo, dadas as condições de produção e tecnologia do país, o produto, a renda e o emprego são determinados pela demanda efetiva, movendo-se instantaneamente com alterações da demanda, o que podemos concluir é pelo aprofundamento da recessão.
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Não à toa, já na semana passada, em uma das várias entrevistas concedidas a programas da rede Globo, Meirelles deu a entender que o desemprego poderia atingir os 14%, 15% da força de trabalho até o final do ano.
Destaco apenas, nesse pitaco, que acho que ele foi parcimonioso, nesse quesito, que acredito poderá atingir mais, chegando quem sabe, aos 18%.
Parcimônia que, para se cacifar e ter margem de manobra, ele não adotou ao elevar a meta de resultado fiscal para o ano, de cerca de 97 bilhões de reais, para 170 ou 180 bilhões.
Agora fica claro. Não era, como eu postei ontem, para dar algum resultado melhor que o ministro pudesse vender aos mercados como sinal de austeridade e êxito de sua gestão.
Na verdade, era para dar um refresco para o corte pretendido de gastos, já que no novo valor de resultado, algumas despesas foram até ampliadas.
Quem sabe, para não bater a marca recorde de desemprego e recessão que ele sabe estar promovendo.
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Há também que se deixar claro que a queda da produção e vendas, com suas consequências como a queda do nível de emprego e renda, é um dos principais fatores que explicam a queda das receitas tributárias, responsável pelo aumento, a cada mês, do déficit fiscal.
Afinal, cai a produção, a circulação de produtos, a renda e com ele as receitas dos principais impostos como o IPI, o ICMS e o IR.
O que aprofunda o problema ao invés de corrigi-lo.
Daí a minha opinião, de acordo com a leitura de Keynes, mesmo a feita conforme os manuais, de que o governo deveria era estar preocupado em aumentar os seus gastos, em especial, com investimentos em infra-estrutura, para destravar os estrangulamentos e abrir as oportunidades reais necessárias à retomada dos investimentos privados e ao crescimento.
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Para financiar esses gastos, elevaria sua dívida, resultado que seria compensado posteriormente quando, com a demanda agregada voltando a se elevar, e a produção, emprego e renda, a arrecadação voltasse a crescer.
Diga-se que tal solução contraria frontalmente o consenso dos mercados e sua ótica imediatista e conservadora.
Mas é keynesianismo, mesmo que meia boca.
Com a elevação da arrecadação, o governo poderia gerar superávits fiscais e reduzir a dívida que ampliou.
E, por favor, não me venham falar em equivalência ricardiana, alegando que, política como essa seria inóqua, porquanto os agentes econômicos individuais percebendo que teriam que, no futuro, pagar pelo aumento da dívida, iriam desde já começar a poupar recursos para quando fossem chamados a contribuir.
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Mas, entre as medidas anunciadas, vemos a definição de um teto para os gastos governamentais, que não poderão crescer mais que a inflação no ano anterior.
Ou seja, isso significa que os gastos reais ficam congelados, fixados no montante estabelecido para o ano presente, pelo orçamento, agora revisto. Ou seria aquele elaborado em 2015, pelo governo Dilma?
Também para mim não está claro se o limite é para cada uma das principais classificações de gastos ou se para o gasto total.
No segundo caso, o governo estaria patrocinando um embate de proporções imprevisíveis entre, por exemplo, os setores sociais que, para terem seus benefícios majorados, forçariam o governo a cortar, por exemplo, em pagamento da folha de funcionários.
Seria curioso assistir a esses setores de situação mais precária e maior necessidade de atendimento pelos prestadores de serviços públicos, terem que ser assistidos e até reclamarem da melhoria da qualidade dos serviços prestados por profissionais que seriam os que teriam perdas causadas, justamente por suas conquistas.
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Fixar esse congelamento de gastos é cruel também sob outro aspecto. Afinal, se a população do país amplia-se, como é natural, e demanda mais bens e serviços públicos, a decisão de não elevação dos gastos públicos implica que, no médio prazo, mais pessoas terão que ser atendidas e se virarem com os mesmos recursos destinados a um número inferior de pessoas.
Ou seja, o gasto por habitante ou gasto por demandante de serviço público tenderá a cair, partindo já de um patamar de qualidade ridiculamente baixa, o que apenas indica que a qualidade irá despencar ladeira abaixo.
Ao menos em relação ao atendimento ao povão.
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Outra questão: como limitar gastos com educação e saúde, que não estão indexadas à inflação, mas vinculadas à elevação da receita.
No caso muito remoto de o país voltar a crescer, o que não acredito irá acontecer até 2018, ao menos como consequência das medidas anunciadas, como ficará a situação dos gastos voltados para essas funções?
Ou o governo irá fazer passar uma PEC no Congresso, alterando a conquista da população brasileira, obtida com a aprovação da Constituição considerada cidadã, certa ocasião?
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Outra medida, como o fim do fundo soberanao com recursos do petróleo da extração do pré-sal, nada acrescenta, ao repassar 2 bilhões de reais para o governo poder abater sua dívida.
Ora, o que significa essa quantia, para um déficit cuja meta anunciada é de 170 bilhões?
Tal medida apenas sinaliza que nada em relação ao pré-sal será mantido, como foi delineado nos governos anteriores.
O que inclui a possibilidade de retirar da exploração dessa nossa riqueza, a participação obrigatória mínima da Petrobrás, como já o determina projeto do senador José Serra, que tramita no Senado.
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O final dos subsídios vai atingir aquela parte de gastos que o governo faz para permitir ao pequeno agricultor familiar sobreviver, com o fruto de sua atividade produtiva precária. Ou aquela parcela de gastos que o governo banca para a população de baixa renda ter acesso a sua casa própria, dentro das condições do programa Minha Casa, Minha Vida.
Não vi, nem sei informar se a medida vai alcançar e reduzir ou eliminar subsidios em taxas de juros e outros que afetam não aquela parcela da população mais necessitada, porque mais carente.
Porque os subsídios concedidos nos financiamentos liberados por órgãos públicos a empresários não foram objeto de maior detalhamento.
Como também não foi tocada a questão das isenções e desonerações e outras, que atingem ao andar superior do estrato social.
O que, do ponto de vista de corte de gastos para proceder a um ajuste fiscal é curioso. Ou não, já que os beneficiários desses cortes são os beneficiários de sempre.
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No mais, a outra medida anunciada é a antecipação da parcela que o Tesouro passou ao BNDES, para ampliação de seu potencial de fornecimento de crédito, ainda no governo Dilma.
Essa medida, que poderá carrear até 100 bilhões para o Tesouro, por um lado, vai reduzir a capacidade do Banco financiar projetos de investimento que permitiriam ao país retomar o crescimento desejado.
Por outro lado, há que analisar ainda e preliminarmente, se isso não seria considerado uma antecipação de recursos junto a banco público controlado, o que caracterizaria um tipo de pedalada fiscal.
Muito embora, nesse caso, os órgãos de imprensa já assinalam que o governo está verificando a possibilidade  de tal medida ser contrária à lei de Responsabilidade Fiscal que veda operações de antecipação de receita efetuada por banco público. Caso isso pudesse juridicamente ser considerado como uma operação vedada, restaria ao governo alterar o contrato do BNDES com o Tesouro, para escapar da acusação de obter recursos de banco controlado.
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Tudo bem. Mas pau que dá em Chico, se não dá em Francisco é porque tem algo de podre no ar. Pois foi exatamente esse argumento de Dilma em sua defesa de que não fez operações de crédito, já que as operações caracterizadas como pedaladas fiscais eram geridas por contratos de convênios de prestação de serviços financeiros, dos bancos com a União.
No entanto, há mais coisas entre o céu e a terra que supõe nossa vã filosofia.
E, como o sabemos, há algo de podre, muito podre onde a democracia não é respeitada como o ilustra o país e o momento em que vivemos.


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Sobre a volta de Marcelo e a melhora do time, fazendo contraponto às conversas republicanas e moralizadoras de Jucá e o agravamento da situação política do país

Já foi outro o time do Atlético que jogou ontem contra o seu xará do Paraná.
E não por força da mudança de nomes dos jogadores escalados para iniciarem a partida matutina. Para minha surpresa, Patric voltou a ser escalado, da mesma forma que Carlos, no ataque, o que deixou Dátolo de fora, além de Lucas Pratto poupado.
Mas mudou a postura do time que, como eu já imaginava, passou a fazer a marcação de saída de bola da defesa paranaense, buscando forçar o erro do adversário.
Conforme a definição de Levir, cujo time adotava o mesmo padrão de marcação e, parece-me com quem Marcelo trabalhou há alguns anos no Galo, o Atlético entrou com a marcação mais alta.
E, pressionando, conseguiu envolver o rubro negro que, a rigor, teve muito poucas jogadas de gol, embora retivesse a bola em seus pés por mais tempo, ao menos no início do jogo.
Numa dessas jogadas, depois de matar a bola no peito, Sidcley, completamente livre. trocou passes  na intermediária do campo com o bom atacante Ewandro, a quem a bola foi lançada pelo lado esquerdo do ataque paranaense.
Como sempre acontece, sem ter cobertura para suas avançadas, Marcos Rocha não conseguiu impedir o cruzamento para a área, que desviou em Edcarlos, tirando Erazo do lance, e foi parar no fundo das redes de Victor.
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O que me chamou a atenção na jogada não foi apenas a falta de cobertura à Marcos Rocha, uma das principais peças de nossas jogadas ofensivas. Foi que, como em outras ocasiões em que estava apoiando o time, nosso lateral voltou em desabalada carreira tentando evitar a investida do Furacão e, dessa forma, entrou de primeira na jogada, sendo facilmente batido.
Em minha opinião, que gosto e defendo o excelente lateral nosso, sempre injustiçado nas convocações para a seleção brasileita, não dá para um jogador do nível de Marcos Rocha entrar de primeira nesse tipo de jogada, mesmo reconhecendo seu esforço em voltar em correria para dar combate ao ponta adversário.
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Por outro lado, embora melhor que o paranaense, especialmente no segundo tempo do jogo, algumas observações merecem ser feitas, algumas das quais o próprio Marcelo já abordou.
Carlos é um excelente jogador, com posicionamento dentro da área que o torna um talismã. Mas, talvez por estar sempre longe da área, onde se destacou desde novo, parece estar precisando de treinar mais as cabeçadas, além de precisar colocar mais potência em seus chutes.
Seus chutes são muito fracos, e na maior parte das vezes, de maior distância, o que facilita para o goleiro do outro time, já que parece mais um lance de bola atrasada.
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Clayton ainda não correspondeu à fama que o trouxe ao time do Galo. Além de tentar por duas vezes seguidas dar passes de calcanhar, enfeitando jogadas e matando o lance que poderia levar algum perigo à defesa paranaense.
Patric mostrou mais uma vez que é muito esforçado. E só. O que sobra em disposição, falta-lhe em técnica.
Pratto faz muita falta no ataque do Atlético e seria interessante poder ver Robinho em campo,  no time de Marcelo.
Cazares não pode e não poderia ficar fora do time. De qualquer time brasileiro, considerando-se sua facilidade de jogar bola, habilidade e visão de jogo.
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Agora, em função da Copa América, o Galo fica desfalcado de Cazares, Erazo e Douglas Santos, os dois primeiros servindo à seleção do Equador, e o lateral, servindo tanto á seleção principal quanto a olímpica.
Especialmente Cazares e Douglas Santos farão muita falta ao nosso time, que segue na disputa do Brasileirão.
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Por fim, uma observação: como é bom ver o time jogar futebol, com Donizete fora do campo.
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Medidas de Política Econômica prontas para serem anunciadas

Começa a semana e além do escândalo das gravações de Romero Jucá, o homem forte do governo incorruptível de temer, os meios econômicos e os mercados aguardam, com ansiedade, o anúncio das medidas de cortes de gastos e ajustes fiscais que Meirelles e temer prometem para amanhã, terça.
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Quanto ao escândalo, apenas manifesto minha curiosidade. Não ouvi qualquer panela sendo batida nas janelas. Não ouvi manifestações de fora temer. Não ouvi os bravos conhecidos que tanto desejavam moralizar o nosso país, botando fora do governo esse cancro em que o PT se transformou, fazerem qualquer movimento revelador de indignação.
Percebo que mais que a Lava Jato e sua seletividade calculada, a indignação da sociedade é também ela seletiva.
Vale para alguns, mas não alcança a todos.
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Nesse meio tempo, dá até para entender as razões de temer ir e vir, fazer e desfazer apenas para depois tornar a fazer e voltar atrás.
Como já se anunciava, pelas medidas adotadas e comportamento de seus membros, temer inaugurou o governo mais errático dos últimos tempos. trazendo uma instabilidade política que será difícil controlar.
Fico perplexo e de ainda ver pessoas, jornalistas e outros tantos, expressando sua fé em que, agora vai. Os investimentos irão retornar ao país, o país vai voltar a crescer.
Não apenas temer passará a história como um golpista, usurpador, mas também como o ocupante do Planalto que conseguiu criar o ambiente mais deteriorado jamais imaginado.
Prova disso é a recriação do Ministério da Cultura, que nem deveria ter sido extinto, para começo de conversa.
E a recriação de vários cargos cujo corte foi anunciada.
Mas, isso não é o pior. Junte-se a isso, seu ministro da saúde, que deseja eliminar o SUS, já que os planos de saúde que financiaram sua campanha devem prestar melhor atendimento à população. Ou não.
Afinal, para o ministro ricardo barros, e corretamente dentro da lógica do mercado, os planos privados não têm que ter sua qualidade vigiada ou regulada ou questionada pelo governo. Como são serviços contratados, basta apenas que a população (a que pode pagar, bem entendido!) faça valer seu direito de parar de pagar. Parar de demandar o bem ou serviço, mesmo que a alternativa seja ficar sem condições de tratamento de saúde.
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Por outro lado, o programa Minha Casa, Minha Vida também sofreu cortes, com a paralisação das últimas contratações de construção residencial assinadas.
Na EBC, empresa de comunicação do governo federal, um absurdo legal foi perpretado, com Ricardo Melo não tendo seu mandato respeitado, para que se colocasse em seu lugar um dos amigos de temer.
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Em meio a todo o tumulto, anuncia-se um rombo de 180 bulhões no orçamento, uma elevação de 10 bilhões no rombo previsto para a Previdência no ano em curso, valores que já não sensibilizam mais ninguém, nem impressionam, tamanha a manipulação de que são portadores.
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Evidente está, a cada instante, que os números de temer e sua equipe procuram sempre dar a pior impressão possível, serem os mais catastróficos apenas para tirarem de seus ombros o peso do desastre iminente. E, de quebra, permitirem que, qualquer ajuste para a realidade menos trágica, permitir que se cantem vitórias improváveis.
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Esquecem-se que, ao divulgarem situações de forma tão exagerada, em sua deterioração, apenas afastam cada vez mais do ambiente econômico os investidores que acreditavam conseguir trazer para o país.
Ao criarem ou aprofundarem ficticiamente o caos, ao contrário da opinião dos mercados e seus analistas, e seus bonecos de ventrílocos, os jornalistas econômicos de Globos e outras redes de bobos, apenas afastam mais a possibilidade de retomada da confiança nos negócios, dos investimentos, do crescimento e da elevação da arrecadação, isso sim, que contribuiria para reduzir parte do déficit primário que só se agiganta.
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Aguardemos até amanhã, para vermos em ação a tesoura do governo e as propostas para cortar direitos sociais e outros benefícios que tanto agradam ao setor mais rico, poderoso e mais atrasado que engendrou o golpe a que estamos submetidos.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Finalmente Aguirre fora e alguns dados da Previdência e sua necessária reforma

Previsível a queda de Diego Aguirre, após a desclassificação da Copa Libertadores, apesar da vitória frente ao São Paulo.
Surpreendente foi a forma em que ela se deu, ou foi anunciada, com o técnico uruguaio declarando que já tinha entregado o cargo após a classificação do time na primeira fase do torneio, a fase de grupos.
Curiosa a declaração, uma vez que em entrevista que ele concedeu logo após o jogo no Independência nessa última quarta-feira, ele dava a nítida impressão que estava pronto e disposto a continuar comandando o Galo. Inclusive dando a entender que, qualquer questão ligada a sua permanência, deveria ser encaminhada à diretoria do clube.
Na entrevista, em tom bastante desolador e até desmotivado, deu a entender que iria focar agora na conquista do Brasileiro.
Mas, isso foi antes da notícia do Fox Sports, de que a comissão técnica e a diretoria estavam reunidos a portas fechadas no vestiário vazio, já que todos os jogadores já teriam deixado o Horto.
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Seja como for, os boatos, como esse pitaco já havia mencionado antes do jogo, davam conta de que independente do resultado, a direção do Atlético já teria tomado a decisão de não permanecer com o treinador à frente do comando do time. E já estaria, inclusive, apalavrado, ou mais, de pré-contrato firmado com outro treinador.
Segundo os comentários, a diretoria, insatisfeita com o trabalho apresentado pelo técnico, aproveitaria o período de interrupção da Libertadores, motivado pela disputa da Copa América.
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E, conforme os boatos, a insatisfação não se prendia à perda do título do Mineiro para o América, embora isso contribuísse, naturalmente, para a avaliação do trabalho do técnico.
A questão central do desgaste de Aguirre foi o pouco futebol que o time comandado por ele apresentou durante todo o tempo que ele esteve à frente do comando técnico. Pouco futebol, com aquele que era considerado, por 11 entre 10 comentaristas como o melhor plantel individual, ou para ser mais exato, o melhor conjunto de 11 jogadores de qualquer time nacional.
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Claro que ninguém que sempre afirmou as qualidades de Victor, o São Victor do Horto não poderia imaginar que ele cometeria falhas gritantes, como as que resultaram no gol do São Paulo, ou nos gols, tanto no Morumbi, quanto no Horto.
O do jogo aqui em BH então foi uma falha clamorosa.
O que não diminui os méritos do goleiro, nem o fato de que, infelizmente falhar é humano e que, se ele falhou nos dois gols, em outras intervenções nas próprias partidas contra o time paulista, ele conseguiu verdadeiras façanhas e cometeu defesas heróicas.
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Tampouco os comentaristas não poderiam imaginar que, justo para a partida decisiva, o Atlético não contaria com seu principal jogador de meio, Rafael Carioca. Ou não poderia contar com Júnior Urso, o outro volante que sabe jogar bola no time, restando apenas Donizete, exatamente o jogador que, joga sob a alegação de que impõe respeito, porque não tem qualquer cacoete de jogador de futebol.
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Mas, foram os erros insistentes de Aguirre, mais que essas questões comuns ao futebol, de contusões ou baixas por suspensão, que culminaram com seu desgaste.
Sua insistência em alterar o time a cada jogo, sob a alegação de que queria ver todos os jogadores prontos para entrarem a qualquer instante, é no mínimo inusiitada.
Principalmente se lembrarmos, como é sabido por todos, que o futebol é um esporte coletivo, e portanto que o entrosamento entre os jogadores é essencial para a prática de um bom futebol.
Entrosamento que vem da repetição, da manutenção do time e não do rodízio.
Manutenção da qual Aguirre também mostrou-se adepto. Afinal, que outro técnico manteria Patric no time titular, mesmo tendo Dátolo, Clayton, Hyuri, Carlos Eduardo no banco?
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Nada contra o aguerrido jogador do Galo, voluntarioso e lutador, que é um excelente jogador para ocupar a reserva da nossa lateral direita.
Mas, convenhamos que, inexplicavelmente, Patric tinha lugar no time independente do adversário, da situação, da posição. Era o homem de Aguirre.
Logo ele, que depois dos adjetivos elogiosos já citados, merece agora que continuemos traçando seu perfil: de pequena capacidade técnica, se alguma. Incapaz de fazer uma leitura mais atenta do jogo, ou de fazer um passe, ou mesmo de participar de uma troca de passes ou uma triangulação mais elaborada.
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Patric, como alguém que não me recordo comentou, só não entrou no gol do Galo, quando da contusão de Victor e de Giovani, por estar também ele, na mesma ocasião, contundido.
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Mas não foi só a teimosia com Patric. Houve também a inexplicada atitude em relação a Cazares, para alguns, resultado do comportamento extra-campo do atleta e de uma postura disciplinadora do técnico.
Se houve de fato, algum comportamento reprovável, importa assinalar, talvez em função da idade do equatoriano, que toda vez que entrou em campo, ele não deixou de correr. Além disso, não faltava a treinos ou não chegava alcoolizado, nem tinha comportamento incompatível com suas obrigações, já que caso isso fosse notado, imediatamente a imprensa e os cronistas responsáveis pela cobertura do time, teriam denunciado o mau comportamento.
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Depois de excelentes partidas no torneio dos EUA, Cazares começou a ser substituído por Robinho, depois de sua chegada, tornando o desejo da torcida em ver o ídolo jogar, um suplício, já que para que ela fosse atendida, ela sempre via deixar o campo o jogador mais eficiente.
O que valeu inúmeras vaias a Aguirre e mostrava uma certa antipatia do técnico em relação a Cazares, ou então, uma ação deliberada para jogar a torcida contra o jogador.
Certo é que o futebol do equatoriano caiu de produção, o que seria natural. Como também caiu a qualidade do futebol de Hyuri, tão veloz e aplaudido nos jogos do torneio dos Estados Unidos, e depois de uma contusão, tão pouco ou mal utilizado.
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Além disso, reconhecidamente, Aguirre escalava mal, mexia pior ainda o time e na hora errada. E, desde os tempos do Internacional, todos eram unânimes em afirmar que seu time não aguentava fisicamente o ritmo de jogo de 90 minutos.
Ora, de minha parte, com tantos senões, eu gostaria de saber o porque de sua contratação. Ou ainda, o porque de sua manutenção no comando do time, se acreditarmos na versão de que ele já tinha pedido para sair antes.
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Vá lá. Se for verdade a versão apresentada, e já que não disponho de qualquer informação capaz de desmenti-la, qual o legado de Aguirre?
Dois torneios, o mineiro e a Libertadores, e duas derrotas. Duas perdas. Um semestre inteiro jogado pela janela.
Pura perda de tempo. E de expectativas e esperanças.
Razão porque, antes do jogo do Galo na última quarta, eu já tinha dito que acreditava que se tomasse um gol, ao contrário de 2014, na Copa do Brasil, ou ainda na Libertadores de 2013, o time não teria condições ou força para reverter o resultado.
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Bem ao contrário da equipe do Atlético Nacional da Colômbia que mostrou na noite de ontem, vontade e capacidade de ir buscar o resultado que necessitava. E que o permitiu eliminar o Rosário Central e avançar para enfrentar o São Paulo.
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Reforma da Previdência

Enquanto isso, Cunha aparece na Câmara e insiste que, mesmo sendo o beneficiário último e final dos depósitos na Suíça, as contas estão em nome do Trust e não dele.
O governo temer convida Pedro Parente para a Petrobrás, e o ex-ministro aceita o convite por pressão do PSDB.
E a reforma da Previdência ocupa as páginas principais dos jornais.
Nesse meio tempo, para deixar registrada a informação, reproduzo aqui, nesse pitaco, números publicados ontem por Vinícius Torres Freire, em sua coluna na Folha.
De um déficit que em março de 2014 alcançava 57 bilhões de reais, a Previdência atingiu um déficit de 72 bilhões no mesmo mês de 2015, para bater agora, em março, nos 97 bilhões de rombo.
Uma evolução preocupante.
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Outro dado interessante e digno de reflexão: dos 96,7 bilhões de déficit, 93,6 são devidos à Previdência Rural, programa mais assistencialista que previdenciário, já que dadas as condições dos trabalhadores do campo, pequena parcela dos beneficiários chegou a contribuir para a Previdência. E não por não terem sofrido os descontos legais.
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Em sendo assim, se a sociedade por justiça admite conceder benefícios a esse grupo de trabalhadores, deveria financiar tal decisão de gasto por meio de impostos, recursos mais gerais, e nao com recursos de parcela apenas da sociedade, aquela parcela que trabalha com contrato formalizado e que contribui compulsoriamente para a Previdência.
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Ainda segundo os dados, 38% de toda a despesa federal, não incluídos os gastos com juros, a chamada bolsa banqueiro, se referem a despesas da Previdência.
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Mas, antes de pensar em combater a sonegação, de acabar com as isenções concedidas para diversos tipos de entidades, inclusive clubes de futebol, ou de estudar a fundo e eliminar as desonerações, que complementam a bolsa empresário, o governo temer acha melhor alterar as regras para a concessão de benefícios da previdência dos trabalhadores urbanos, até por ser a medida mais fácil.
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Ok, Admito que a Previdência tem mesmo que rediscutir os critérios de concessão de benefícios, incluindo a questão da fixação de idade mínima.
Mas não a toque de caixa e sem dar oportunidade de todos os setores da sociedade poderem participar e contribuirem com sugestões para a solução do problema.


quarta-feira, 18 de maio de 2016

Equipe econômica, autonomia do BC e mais respeito com Tombini. Desmandos do governo e o Galo hoje

Como era esperado por todo o mercado, Ilan Goldfajn, ex-diretor da instituição e até então, economista-chefe do Itaú-Unibanco foi o indicado por Meirelles para ocupar a presidência do Banco Central, cargo que mantém temporariamente o status de ministro.
Além do nome, que deverá ser sabatinado e aprovado pelo Senado, Meirelles sinalizou que está preparando envio ao Congresso de proposta delegando autonomia técnica ao Banco Central. 
Menos mal, que não se trata da ideia de independência da Autoridade Monetária, nem a de fixação de mandatos - que parece, temer não respeita muito, mesmo com seu perfil legalista e constitucionalista.
Caso a PEC seja enviada, trará um novo arranjo que deverá eliminar o status atual do presidente, mantendo, contudo, o foro privilegiado.
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Foro que é bom lembrar, merece ser mantido, já que são inúmeros os casos noticiados pela imprensa, de presidentes do Banco que tiveram que se esconder e sair escondidos por força de mandados que juízes de primeira instância concederam a ações impetradas por populares, insatisfeitos por decisões adotadas pelo órgão que, ao critério de cada indivíduo, prejudicavam seus direitos.
Como a Autoridade Monetária não acatava algumas das decisões dos juízes de primeira instância, ordens até de condução coercitiva, quando não de prisão, eram lavradas, obrigando a autoridade a empreender fugas.
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Assim, se há suficientes motivos para justificar a decisão de aprovar o foro privilegiado para a diretoria do Banco, sguramente esse não foi o caso de Meirelles, quando Lula concedeu-lhe o status de ministro, decisão adotada para permitir que Meirelles, como presidente de banco que foi, não pudesse constar, nem ser avaliado administrativamente, em processos administrativos punitivos do BC.
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Mas, voltando à indicação de Goldfajn, considerado um economista de formação acadêmica sem qualquer crítica, muito ao contrário, ventilou-se no mercado, especialmente junto aos operadores das mesas de operações das grandes instituições, que seu perfil seria menos conservador. Na expressão em inglês, tão a gosto dos mercados, menos hawkish. Em bom português, mais tolerante com a inflação, embora não permissivo. Para valer, mais disposto a admitir a redução dos patamares da inflação em prazo um pouco mais dilatado. 
Se bem entendi, foi essa também a interpretação de Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central: a de terem sido estipuladas metas intermediárias para fazer a inflação voltar a entrar nos limites.
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A alternativa, de custos extremamente elevados, seria a de praticar-se um forte aperto de juros, o que elevaria em muito o custo social do combate à inflação, em termos de desemprego e aprofundamento da recessão. 
Caso se confirme a afirmação de Pastore, o que podemos esperar é, de imediato, uma elevação significativa da taxa Selic, já na próxima reunião do COPOM, mesmo que ainda não conduzida ou com a presença de Goldfajn.
Situação que poderíamos considerar bastante curiosa: deixando o Banco, acusado de ter sido mero fantoche de Dilma e suas vontades e devaneios, Tombini (que foi chamado de Pombini, pelos mesmos analistas de mercado, quando tomou a decisão de reduzir os juros básicos da economia brasileira), deverá ser agora praticamente forçado, para limpar o caminho, a elevar os mesmos juros básicos.
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Dito de outra forma: aquele mesmo Tombini, acusado, em minha opinião, injustamente, de ter obedecido aos desmandos de Dilma, e não às determinações dos mercados, deverá agora adotar uma postura de tão pouca autonomia quanto a anterior. Apenas que, agora, na direção desejada pelos mercados o que o livrará, em parte de passar para a lembrança, como simples pau mandado da presidenta.
O que, de novo, em minha opinião é uma tremenda injustiça.
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Aos fatos: foi Tombini, que ocupando Diretoria do Banco, foi um dos principais mentores do Sistema de Metas de Inflação implantado no país. O que deveria ser reconhecido como comportamento suficiente para indicar não ser ele leniente com a inflação.
Além disso, participou da diretoria da instituição em todo o período, ao menos desde o início dos anos 2000, em que ela consolidou, como é reconhecido por vários economistas de renome, uma sólida reputação de autonomia técnica, ou seja, a que trata de objetivos e como conquistá-los.
De mais a mais, há sérias dúvidas de que Tombini tenha agido, em agosto de 2011, apenas atendendo a comando de Dilma. Embora não seja lembrado, nem reconhecido seja pela imprensa, seja pelo mercado que perdeu rios de dinheiro com as apostas que se frustraram naquela oportunidade, Tombini havia acabado de retornar de encontro de líderes econômicos, patrocinado pelo FMI, em que o cenário traçado havia sido o pior possível. De crises e recessão, capaz de espalhar-se e aprofundar-se como depressão para todos os quadrantes do planeta.
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O que Tombini fez diante de tantos maus presságios foi tentar se antecipar, Estimulando a economia, não para se preparar para enfrentar uma marolinha, como em 2009, mas como se fôssemos ter de nos defrontar com um tsunami. De grandes proporções.
Isso, mais que qualquer outra coisa, na ocasião pareceu-me e a alguns colegas de trabalho, a razão por detrás das decisões relativas aos juros.
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Mas, embora também ninguém se lembre, Tombini, embora como presidente tivesse todas as condições para influenciar os demais membros da diretoria da instituição e com assento no COPOM, não era membro único. 
O que significa tão somente que ele não agiu como pau mandado de Dilma, nem poderia, salvo se avançarmos na ideia de que todos os diretores do COPOM curvaram-se às determinações presidenciais. 
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Não foi Tombini que não manteve a altivez e resguardou a autonomia do Banco. Porque a decisão, embora pudesse ser a que mais agradasse à presidenta, não foi tomada apenas por ele. Todo o Comitê votou. E é bom lembrar que fazia parte do Comitê de Política Monetária, pessoas que vieram do mercado e com perfil menos tolerante à resilência da inflação.
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Voltando a Goldfajn e às expectativas do mercado, podemos agora entender a fala de Meirelles de que o desemprego poderá bater na casa dos 14%, caso medidas urgentes e drásticas não sejam adotadas. 
É o combate à inflação, que mesmo não sendo de demanda, utiliza como única arma a taxa de juros, que irá ser deflagrado, já que a elevação generalizada dos preços é hoje considerado o principal problema do país.
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Aliás, voltamos em parte a uma situação que vivíamos em 1976, quando o ministro da Fazenda da ocasião, Simonsen, a cada quadrimestre escolhia como principal inimigo da economia do país, um de dois problemas: ora era a dívida externa, ora a inflação.
Mudou agora a dupla de inimigos, que passa a ser a inflação, que se mantém e perpetua. E que tem agora a crise das finanças públicas como principal adversária.
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No mais, a entrevista de temer ao Fantástico, em que ele afirmou que não tinha intenção de promover mudanças no regime de Previdência para os que já estivessem no mercado de trabalho é exemplo do que é o governo usurpador, auto-proclamado o governo capaz de acabar com incertezas e colocar o país de novo no eixo. Voltado para o desenvolvimento e crescimento.
Confrontado pela jornalista com declarações de Meirelles, para quem as reformas teriam que atingir, com regras de transição que já estava inserido no mercado, foi enfático, em voltar atrás: é isso teremos que discutir e definir.
Já no dia seguinte, afirmava que expectativas de direito não são direito adquirido, e que direitos adquiridos não podem se sobrepor aos interesses do país.
Ou seja, voltou atrás em tudo que afirmava. 
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Espanta-me que empresários - da indústria farmacêutica, por exemplo, conforme mostrado ontem no Jornal da Band, venham dizer que estão dispostos a investir, tendo em vista o quadro que se apresenta de maior estabilidade e de melhoras no ambiente econômico.
Quais melhoras????
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Talvez o desprezo pela lei, ao decidir exonerar o jornalista Ricardo Melo, da presidência da EBC, para no lugar, instalar um pau mandado de Cunha, jornalista trazido para a Câmara pelo deputado presidente daquela Casa, temporariamente suspenso, por ser réu de vários crimes.
Mas não há problemas, a estabilidade política não se agrava, já que isso não afeta aos mercados.
O único senão é que Ricardo Melo tem mandato para 4 anos, e conforme a lei, não poderia ser tirado do cargo, exceto se 2 membros do Conselho Curador da empresa o censurassem. O que, definitivamente não aconteceu, nem poderia, já que sua posse foi agora no início do mês.
Mas temer está pagando, e caro, ao acordo espúrio que fez com Cunha, que lhe valeu a presidência, mesmo que sem legitimidade alguma.
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E não é só esse o embate de temer, haja vista a situação da cultura e do Ministério que a representava, agora extinto.
Mas aqui, o pior são todos os brasileiros, alguns que se acham até cultos, formalmente educados, e que criticam a classe artística e manifestam-se nas redes sociais, favoráveis a temer ter decidido acabar com o ministério.
Esses pobres coitados, mesmo os que são meus amigos, o que não impede de não enxergarem um palmo à frente do nariz, a menos que sejam guiados pela Rede Globo ou pelo pasquim do Estado de Minas aqui em nossa cidade, esses pobres coitados, não percebem que a lei Rouanet, não se extinguiu apenas por ter sido extinta a estrutura. E que o período que o país irá atravessar agora, quem sabe não será de censura. Situação que se dará por meio da não aprovação de projetos que não sejam de interesse do governo ou de amigos, que por esse motivo, não terão mais autorização para arrecadar recursos e patrocínios de empresas privadas. 
Sorte nossa, da humanidade, que tais pessoas que postam em redes sociais a lista de artistas e valores arrecadados, segundo eles, por cooptação feita pelo corrupto governo petista, não se deu antes do surgimento da figura tão cultuada dos Mecenas. 
Mas... vivemos era de obscurantismo no país.
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O que não impede de Ricardo Barros, ministro da Saúde, e deputado cuja eleição se deu por amplo financiamento dos Planos de Saúde privados, não se manifeste dizendo que o SUS não deve ser alterado nem reduzido, ou sequer eliminado.
Afiinal, o deputado apenas foi mal interpretado em suas palavras.
Assim como foi mal interpretado o novo ministro da Justiça, aquele que declarou que temer não deveria indicar procurador geral a partir de lista tríplice nem, necessariamente, obedecer o critério adotado de longa data, de sua escolha recair sobre o mais votado da lista.
É verdade que temer o desautorizou, mas vendo agora o que está em curso na EBC, é difícil não perceber que o problema do ministro da justiça foi tão somente de "timing".
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Bem, as redes sociais indicam que Cláudia Leite ganhou milhões do Ministério da Cultura.
Talvez por esse motivo, tenha sido convidada e NÃO ACEITOU tornar-se secretária da Cultura.
Se tal fato não é verdade, tampouco foi desmentido por temer ou quem quer que seja do governo.
Como também não foram desmentidos os convites feitos a Bruna Lombardi, mais recente, a Marília Gabriela, e outras mulheres que mostram que têm vergonha na cara, e tradição democrática, não golpista.
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Atlético e São Paulo decidem hoje quem avança

Confesso que não consigo entender como um time que tem jogadores de frente considerados leves, ágeis, rápidos e velozes, como os que compõem o elenco do Galo - incluindo aqui o grandalhão Lucas Pratto não conseguiram apresentar qualquer futebol, ou jogada de velocidade no primeiro jogo no Morumbi, semana passada.
Aliás, tenho uma tese de que isso é responsabilidade do fraquíssimo treinador que o time tem. Capaz de retirar velocidade de jogo até mesmo de Rafael Carioca e Júnior Urso, considerados jogadores que sabem sair jogando em velocidade.
E consegue acabar com qualquer futebol técnico de Marcos Rocha, pilhado logo no início do jogo, dando tapas em adversários.
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Acho que toda culpa é do técnico, que deve ter dado ordens de que se praticasse o anti-futebol. Para conforme ficou claro, tentar marcar ao menos um golzinho fora de casa.
Não tentar ganhar o jogo, o que até poderia acontecer, por sorte, nem jogar bem. Apenas, se contentar mesmo em perder, contanto que fizesse um golzinho fora.
Medíocre em seus objetivos, tornou um time ligeiro, pesadão e lento, apenas preocupado em bater. 
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No início do jogo, tentando ainda dar crédito ao uruguaio, até cheguei a acreditar que a escalação de Patric se explicava pela necessidade de cobertura da lateral direita, situação que permitiria que Marcos Rocha avançasse mais ao ataque, estando protegido contra os velozes atacantes do São Paulo. E olhe que Michel Bastos não estava em campo, logo no início do jogo.
Que nada!
Patric foi posto para ficar lá na frente, inventando moda e jogadas. E pior, fazendo rodízio de posição com Hyuri, após a entrada desse jogador em lugar de Robinho. 
***
E há quem diga que Patric pode voltar a estar escalado hoje. 
Em jogo que teremos só o brucutu do Donizete no meio, pronto para ser expulso por alguma agressão logo no início do jogo, e de novo, uma defesa pesadona e já avançada em idade, contra três atacantes rápidos e muito bons e eficientes do São Paulo.
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Tomara que prevaleça o mantra: EU ACREDITO.
E que os boatos de que o uruguaio volta para casa, independente do resultado, sejam mais que meros boatos. Especialmente se estiver vindo Marcelo. 
Que os céus tenham carinho com o Galo e a gente possa avançar. 
Mas que é difícil, é...

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Vencedores e perdedores da chegada do novo governante

Desde a semana passada, vindo de lá das bandas de Tietê, exala um odor prá lá de esquisito.
Nada a temer, diria Zé Simão, para quem a chegada à presidência de seu novo ocupante, com seu semblante e fisionomia de personagem de filme de terror à la Bela Lugosi, pode apenas ter como consequência a proibição de que o sol volte a brilhar, no país.
Mas, ainda não foi banido o alho, muito embora, acompanhado de seu ministro das Relações Exteriores, José Serra, pode ser que tal medida não venha a tardar.
Afinal, não há como não reconhecer a semelhança de Serra com Nosferatu, assim como a de temer com Drácula. Embora pare aí, na semelhança física. a irreverência de Zé Simão.
Por mim, acredito que ainda a ironia poderia ser levada mais adiante, com o povo sendo exposto às mordidas e ataques necessários a proporcionarem o sangue que deverá alimentar e dar nova vida, ao menos ao capital financeiro.
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Do ponto de vista pessoal, apenas o elogio necessário ao homem de 75 anos, que em aparência, consegue manter ao seu lado uma bela e jovem mulher, que a mediocridade e conservadorismo daquele lixo que consegue ser a principal revista semanal da Editora Abril, definiu como "bela, recatada e do lar..."
Ou seja, a que acompanha e dá suporte a, mas não procura se envolver em assuntos de reconhecido domínio masculino.
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E, não é que a revistinha tinha razão?
Ao ver o ministério notável anunciado por temer, chamou a atenção o fato de não ter qualquer mulher. E mesmo que temer possa vir a dizer que há sim, uma mulher no primeiro escalão, atuando como uma das mais importantes assessoras, por ocupar o cargo de chefe de seu gabinete, a verdade é que a sua resposta à entrevista dada com exclusividade ontem ao Fantástico, quase resvala para o ridículo maior, caso fosse dada a interpretação de que aos olhos de temer, o papel da mulher redurzir-se-ia, tão somente ao de secretária.
E olhe que o papel de secretaria executiva,  bilingue ou trilingue, exige cada vez mais qualificação, formação especializada, profissional, e cada vez mais as mulheres que se graduam nesse tipo de curso,para o qual já tive a honra de lecionar a matéria de Economia, devem estar cada vez mais preparadas.
Para fazer justiça, à questão da diversidade de gênero, nas turmas de secretariado executivo, havia também a presença de alunos, com reconhecida dedicação ao curso.
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Mas, o meu medo, que não tem nada a ver necessariamente com o ocupante ilegítimo do Planalto, é que sua secretaria pudesse exercer muito mais o papel de uma recepcionista. Essa, talvez, bela e recatada, mas não do lar...
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Já citei a entrevista concedida com exclusividade ao Fantástico, na noite de ontem.
Antes contudo, de fazer qualquer observação ou emitir opinião sobre o conteúdo da entrevista ou das respostas dadas, há que fazer, por nunca ser demais, uma homenagem.
Faço aqui, mais uma vez, como já fiz em outras ocasiões, uma homenagem a Raul de Matos Paixão, com quem tive o prazer de trabalhar na Superintendência de Estatística e Informações, da Secretaria de Planejamento de Minas Gerais, no grupo por ele liderado, de Análise de Conjuntura.
Disse-me o saudoso Raul, logo quando de minha chegada à equipe: "preste atenção a quem ganha, a quem se beneficia com as medidas de política adotadas. A partir daí, você terá condições de verificar quais os verdadeiros objetivos, por trás daqueles apenas declarados".
Sempre interessante relembrar que os objetivos declarados, em geral muito amplos, servem apenas para conquistar o apoio e a simpatia de tantos quantos forem afetados ou se dispuserem a analisar os projetos e ideias.
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Pois bem, antes de prosseguir o pitaco, quem se beneficiou, imediatamente com a movimentação que vimos assistindo, desde que a decisão de se suspender a presidenta eleita Dilma foi levada adiante, no Senado, e já que a adoção do termo golpe não é de bom alvitre, mesmo que não tenha havido o cumprimento exigido pela legislação em vigor, para a caracterização do crime de responsabilidade imputado à presidenta?
Inegavelmente, em primeiro lugar, beneficiou-se temer e sua equipe de ministros, já toda definida antes de o resultado da suspensão de Dilma ter sido votado, o que o próprio senador Cristovam Buarque reconheceu ter sido um açodamento constrangedor.
De carona, ganhamos eu e outros que passamos a conhecer melhor o senador Cristovam, atualmente representante do PPS, e pudemos perceber como o ressentimento pode levar um político a se rejuvenescer, de tal forma, que abandona seus ideiais de esquerda, classificados como envelhecidos.
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Devo fazer um comentário: que nossos partidos ditos de esquerda nos decepcionaram, não há como negar. Que o principal partido dito e tido e havido como de esquerda, o PT negou, no poder tudo que se pensava ou acreditava dele, fazendo composições esdrúxulas e alianças as mais improváveis, com tudo o que caracterizaria o atraso, em função da montagem de um governo de coalizão, de loteamento de cargos e crenças, também não há como negar.
Afinal, o próprio PSDB era também de esquerda, em algum momento da história política do país. A ponto de muitos terem chegado a acreditar que a solução para o país seria a fusão entre o partido tucano e o PT.
Mas, senador Cristovam, não foi a esquerda nem as suas ideias que envelheceram, nem os sonhos e as utopias.
O que está velho é a estrutura de poder, a mesma e de sempre, que fazemos questão de manter aqui no Brasil.
E que o senhor, por seu discurso e seu voto, na sessão do Senado da semana passada, ajudou a preservar.
Ou devemos achar, como talvez o senhor esteja achando, que temer representa o contrário de tudo aquilo que o senhor sabe estar na origem de nossa corrupção endêmica?
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O segundo grande beneficiário de todo o processo foi o pessoal do PSDB, indicados a cargos, no caso de Serra, ou na posição de indicar nomes para integrarem o ministério, como Alckmin, ou ainda de aparecer, mesmo que de papagaio de pirata nas fotos que oficializavam a usurpação de poder, via tapetão, como o senador mineiroca Aécio e seu ridículo papel na posse.
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Ganhou também a rede Globo, a que promoveu o golpe e se incumbiu de disseminar não as informações ou verdades, mas a parte daquilo que acontecia e que atendia a seus interesses.
A rede Globo teve como compensação já no dia seguinta à posse, a entrevista exclusiva com o então homem forte do governo e da economia, Meirelles.
É importante reconhecer que o prestígio da empresa é tanto, que só horas depois, o ministro repetiu tudo aquilo que já havia antecipado na tevê líder, na coletiva de imprensa que concedeu.
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Ganhou o mercado financeiro, com todo o conjunto de acenos feitos por Meirelles, embora ninguém tivesse a hombridade de reconhecer que seu discurso foi justamente muito semelhante ao de Joaquim Levy, quando assumiu a mesma pasta.
E, se em Levy as propostas foram recebidas com agrado pelo mercado financeiro, mas trituradas pelo mundo político e pelos derrotados e maus perdedores das eleições anteriores, sob a pecha de serem a parte principal do estelionato eleitoral de Dilma, agora elas são saudadas como corretas.
De minha parte, mantenho hoje a mesma opinião da época de seu anúncio pelo ministro de Dilma: não funcionarão. Penalizam os mais pobres e os setores empresariais produtivos, em benefício dos interesses financeiros.
O Brasil não pode se submeter e tentar, até porque cada vez mais tardiamente, adotar o receituário liberal que jogou Grécia, Espanha e tantos outros países em situação caótica, seja no tocante ao nível de emprego, ao crescimento econômico e a outros indicadores de desenvolvimento econômico e social.
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Ganhou Meirelles, que tantas vezes esteve indicado para assumir o governo Dilma, para o mesmo cargo, por indicação de Lula e seus novos amigos, integrados por todos os que pagam suas propriedades e reformas e etc.
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Ganharam vários dos ministros que com citações nas delações da Lava-Jato, poderão obter o foro privilegiado que foi negado a Lula. Aquele que não pode tomar posse por obra e graça do divino gilmar mendes.
Geddel Vieira Lima, para citar apenas um, deve estar rindo efusivamente por ter conquistado o foro especial. A ponto de dizer que deseja procurar e se encontrar com Lula, para solicitar ao ex-presidente, o seu apoio.
Escárnio puro.
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Ganha Jucá, que ontem no Fantástico mostrou a todo o Brasil, que temer não é covarde, como não foi sua antecessora, e não vai deixar o amigo na mão, caso ele se torne réu.
Vai apenas estudar o caso, se ele vier a se concretizar.
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Novamente ganhou Aécio, que teve os argumentos de sua defesa aceitos, o que motivou gilmar, o imaculado, a mandar paralisar as investigações contra sua pessoa.
E teve em Teori o auxílio que necessitava, de resto, para não confundir as delações, mesmo as feitas na operação Lava Jato, com outras de outra espécie, o que levou o ministro Zavascki a sugerir a remessa dos detalhes da investigação a quem? quem? o sacrossanto gilmar...
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Ganhou também Moreira Franco, responsável por toda a parte de venda de ativos, concessões, etc, do governo liberal de temer, em razão de sua experiência e de tanta manobra interessante por ele posta em prática, quando governava o Rio.
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Ganham também todos os brasileiros que se deixarem iludir que o país vai receber investimentos, que permitirão a retomada do crescimento econômico e da geração de emprego, como que por um passe de mágica.
Ganham aqueles que irão pagar mais impostos, por saberem que isso será apenas de forma provisória, como a CPMF.
Ganham os que acreditaram que o pato da Fiesp era aliado na luta contra a corrupção, logo ela Fiesp, que também tem apoio de recursos públicos, além de pagamentos compulsórios, muitos deles, feitos por empresários que não entendem porque irão pagar mais, se foi contra isso que sua representação deveria estar criticando.
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Ganham todos os ingênuos, que acreditarem que o Estado deve parar de investir em Cultura, mesmo que nessa questão, poucos saibam que a Lei Rouanet, de anos antes da chegada do PT ou PSDB ao poder, concede  incentivo fiscal, que consiste em parte (6% do imposto de renda de pessoa física e 4% de pessoa jurídica) do valor de imposto devido à União. Que tais recursos é que permitiram que nossas artes apresentassem uma evolução recente não desprezível.
Ganham os que acreditarem que vai parar a corrupção em nosso país.
Ganham os que acreditaram que todo o mal do mundo teve início com a chegada do PT ao poder, e que desconhecem que, até o famoso estelionato eleitoral que o PSDB tanto criticou no ano passado, já havia sido testado e usado por ele mesmo, em 1999,  na crise cambial vivida pelo país, como reconhece, agora o ex-presidente FHC, nos volumes de seus diários na presidência.
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 Perdemos nós, o povo, que deveríamos estar mais presentes nas discussões, menos sujeitos a manipulações de informações, e mais informados (que deformados) quanto às verdadeiras questões que estão por trás da crise da Previdência - que é real, e merece ser discutida amplamente, para ter a aprovação de todos que nutrem o sonho de uma velhice tranquila.
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Por fim, perde o povo trabalhador, que se sujeitará a uma reforma trabalhista, a tal flexibilização que, a título de contribuir com o aumento de produtividade do trabalho, irá precarizar os direitos de uma população que tem como principal responsabilidade, o de não ter tido a educação com a qualidade que merecia, a  qualidade capaz de elevar sua produtividade de forma sustentada.



quarta-feira, 11 de maio de 2016

O dia do início do julgamento do impeachment; Delcídio, o mau caráter; e o Galo em São Paulo

11 de maio. Dia de o Senado decidir pela abertura de processo contra a presidenta Dilma Roussef, por crime(s) de responsabilidade.
Eleição que, por antecipação já se sabe, terá a vitória da oposição, que conta com pouco mais de 50 votos a favor do afastamento da presidenta do exercício do cargo pelo período de 180 dias.
Curioso em todo o episódio é que há um reconhecimento tácito de que Dilma Roussef é honesta. Ao menos, não pesa, AINDA, contra ela, qualquer suspeição nem existem indícios que apontem irregularidades visando o beneficiamento pessoal, como aqueles que pesam contra vários dos senadores que irão julgá-la hoje.
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Também há o reconhecimento de que não ficaram comprovados os crimes de responsabilidade que foram elencados no pedido de abertura do processo de impeachment, seja em relação às chamadas pedaladas fiscais, seja em em relação à assinatura de decretos orçamentários.
Por uma questão de justiça, reconheça-se que a histriônica Janaína, advogada que foi uma das autoras do documento inicial, deixou claro e manteve sua opinião em todo o depoimento que prestou no Senado, de que houve sim, crime. E que tal crime tem muito mais a ver com a assinatura dos decretos. 
A tal ponto que afirmou categoricamente, em resposta a questionamento do Senador de Amapá, Ranulfe Rodrigues, de que os decretos orçamentários por ele enumerados, eram sim, crime, discorrendo sobre as razões que guiavam seu parecer.
Infelizmente para a advogada, os decretos, em número de 9 e valor de algo próximo de 10 bilhões de reais, foram assinados pelo vice-presidente temer, razão que levou a advogada, apanhada em contradição flagrante, começar a tergiversar, com alegações toscas a respeito de que, como vice, havia a obrigação dele de assinar. Assinatura em documentos que ela mesma caracterizou com crimes.
Mas, convenhamos, no afã de comover, e em seu comportamento completamente destemperado, fruto do descontrole emocional e de sua raiva insana contra a presidenta ou o PT, a advogada nem percebeu pelas cifras sequer, que Ranulfe se referia a ações do vice.
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Embora uma pegadinha, o fato foi uma manifestação inequívoca de que, como o Senador Ranulfe deixou claro ontem, em entrevista concedida ao programa Espaço Público (canal 3 da Net, Rede Brasil), chegamos a um momento de nossa história em que as contradições se agudizaram e provocaram uma relativização da leitura da realidade. Como o senador lembrou, citando o professor e sociólogo Florestan Fernandes, pai de um dos jornalistas que integram o elenco fixo de entrevistadores do programa, vivemos um período de contradições antagônicas. 
Afinal, o mesmo motivo que levou Janaína e Miguel Reale e o advogado Hélio Bicudo a pedirem o impedimento da presidenta, não vale para justificar o mesmo ato e comportamento de seu vice. 
Agrava o quadro, o fato de que os decretos do vice foram em valor 4 vezes maior que os assinados pela titular e eleita pela maioria do povo brasileiro, nas urnas, em 2014.
***
A recepção do pedido de impeachment pelo presidente da Cãmara, o denunciado e já réu Eduardo Cunha levou-o a, imediatamente, tomar as medidas necessárias ao início do processo, que culminou com o show de horrores visto na Câmara, em decisão de admissibilidade do pedido e seu encaminhamento para conhecimento e julgamento do Senado.
Recordar que a medida do presidente da Casa se deu no mesmo dia que o Partido dos Trabalhadores decidiu não procrastinar mais e posicionar-se a favor da continuidade de processo de quebra do decoro parlamentar contra Cunha, que se arrastava na Comissão de Ética já há muito tempo, é desnecessário. Afinal, até quem nada sabe de coisa alguma tem a exata noção de que Cunha tomou a sua decisão monocrática, por vingança.
Logo ele, que no mesmo mês teve o pedido da suspensão de seu mandato encaminhado pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, ao STF, onde ficou dormitando por inexplicáveis 4 meses. 
Período de um quadrimestre que mudou os rumos da história, da política do país, e do impeachmennt, apenas não tendo o condão de modificar a crise econômica, pois essa, ao contrário do que esperam os temerários será muito mais prolongada.
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Mas, se se acusa a Justiça no país de lentidão, então temos que convir que 4 meses constituem um prazo até razoável. Especialmente se levarmos em conta que o Executivo não havia aprovado a solicitação de aumento salarial para o Poder Judiciário, que lhe foi encaminhada por seu presidente. 
E afinal, há causas que, por sua complexidade, ficam mesmo anos, às vezes muitos anos, quem sabe décadas, sendo analisadas, ou tão somente descansando nas gavetas, até que surja um momento oportuno para que sejam julgadas.
Nisso, o Brasil está repleto de ilustrações e exemplos.
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Tudo bem que outros eventos e circunstâncias em torno do caso do impeachment atual, foram imediatamente levados a plenário. Mas, o caso de Cunha não. E o presidente que o próprio Supremo reconheceu como não tendo qualquer legitimidade, pode agir para que sua vingança se completasse.
O processo de Dilma avançou ao Senado.
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Não sem antes dois outros movimentos de extrema gravidade e interesse. 
O primeiro a entrada do pedido de impeachment também do vice, que não foi acatado por Cunha, até que o Ministro Marco Aurélio se manifestasse, obrigando Cunha a dar andamento ao pedido, com a finalidade de recobrar um mínimo de coerência e lógica.
Afinal, pau que dá em Chico, tem que dar em Francisco também.
O segundo evento foi que Cunha - que não cumpriu a determinação  de Marco Aurélio, tendo ficado tudo na mesma, o dito pelo não dito - recebeu documento do ministro Cardozo da Advocacia Geral da União, questionando várias nulidades do andamento do pedido, que foi direto aterrissar na gaveta do ainda e então presidente da Câmara.
Foi esse requerimento que Waldir Maranhão tirou da gaveta, acatou parcialmente os argumentos e fez o pronunciamento que anulava a sessão do impedimento, o que atrasaria em alguns dias apenas, o resultado final da questão. 
Mas, restauraria a legalidade.
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Todos vivemos estarrecidos o espetáculo que se seguiu, destinado a deixar qualquer redator de programa de comédia envergonhado, sentindo-se tão pouco inspirado.
E Maranhão, por mais intempestivo que pudesse ter sido, foi alvo de uma saraivada de acusações e ataques que mostram o caráter da crise que estamos vivendo no país, tanto pelas manifestações agressivas e preconceituosas no Congresso, quanto pela quantidade de asneiras a que estamos submetidos nas redes sociais.
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Recomposta a ordem, por decisão monocrática do presidente do Senado Renan Calheiros, extraí daí a conclusão de que decisões monocráticas, apesar de muito comuns e perfeitamente aceitáveis para os ritos vigentes, são sempre acatadas, se favoráveis ao que pensa a maioria.
Mesmo que uma maioria de ocasião.
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O responsável pela AGU impetrou novo pedido de anulação do impedimento de Dilma, pelas nulidades todas que já foram mencionadas antes, no requerimento enviado à Cunha e atendido por Maranhão.
Tal pedido foi encaminhado a Teori, o ministro que levou 4 meses para julgar o caso do afastamento de Cunha. 
Otimista que sou, estimo que em setembro, entrada da primavera, tenhamos algum pronunciamento do ministro Teori.
Talvez, naquela oportunidade, já com Dilma de volta ao cargo para o qual foi eleita por mais de 54 milhões de brasileiros, cujo desejo e votos estão sendo expurgados agora, sem motivações para tanto. 
O Senador Ranulfe pode até dizer que não chegaria a classificar de golpe o que estamos vivenciando, mas de contradições com alto conteúdo de seletividade.
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Pois bem, concordo com o Senador que a economia vai piorar, que medidas duras todas visando minar os avanços sociais conquistados em prol dos menos favorecidos irão ser adotadas, que as brigas por cargos e poder e recursos - inexistentes, tornar-se-ão agudas, o que levará a população para as ruas. 
Concordo com o Senador que, em um quadro de caos, não será difícil obter quem sabe os 8 ou 9 votos de senadores capazes de tentarem restabelecer a ordem constitucional. Afinal, a temer o sem voto, falta tudo, até legitimidade. 
Concordo que melhor seria uma, mais uma, eleição, referendando ou não a escolha de dois anos atrás. 
Afinal, Cunha fez escola no tempo que ocupou a presidência da Câmara: não venceu a eleição, faz-se outra, e outra, até que o resultado de seu interesse seja obtido.
Aliás, essa prática nem é nova, nem é de Cunha. Ela vem dos tempos de reuniões de Diretórios Acadêmicos, já de muitos anos.
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Apenas discordo de Ranulfe pelo fato de que, em não tendo motivação suficiente para tipificar o crime de responsabilidade, não há como se falar em impedimento, o que vicia o processo todo. Ou então, caso exista mesmo o tipo criminal, também temer teria que, automaticamente ser afastado, o que nos deixaria no vácuo de poder.
Nesse caso, o que está em curso é sim, em minha opinião, um golpe.
A tentativa desesperada de candidatos derrotados nas últimas eleições, virarem o resultado do jogo.
O que, vindo de temer é bastante razoável esperar. Como disse Ranulfe, o PMDB tem mesmo a vocação golpista, sempre pronto para integrar o poder, custe o que custar. 
Sua vocação golpista é tão evidente, que não se incomoda de sempre trair suas próprias convicções, se é que existe alguma.
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Mas, confesso não esperar do neto de um reconhecido lutador pela democracia, o ex-governador Tancredo Neves, o gene do golpe, embora Aécio tenha em sua linhagem pessoas ligadas ao espectro político mais conservador, não raro com afinidades muito salientes com a UDN, talvez o mais golpista de tantos partidos que existiram no país.
Tudo bem: vale a máxima, o resultado não conquistado no campo de luta, a gente muda fora daquele espaço. 
Reverte-se a legislação e atua-se no Tapetão.
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Por isso, não acredito que, caso analisado antes do final desse mês por Zavascki, o pedido da AGU, de declaração de nulidade do processo em andamento, vá ter êxito.
Sob a alegação de não ferir a estabilidade política, ou social, etc.
E nisso, o Supremo tem longa tradição. 
Que me lembro, desde a sessão que julgou que o confisco de conta corrente e contas de poupança patrocinado por Collor era lícito, dadas as circunstâncias tumultuadas que o país vivia, embora contrário à legislação vigente. 
Agora, deverá ser a mesma lógica  a ser adotada. Para não contribuir ainda mais com um acirramento preocupante dos ânimos, o STF deverá não querer se imiscuir em assuntos internos do Senado e da Câmara, preferindo se omitir. 
Embora tal omissão seja patentemente contra a lei maior: afinal, o STF não se manifestou nem irá fazê-lo ao que parece, em relação a se há ou não fundamento para tratar como crime os atos de Dilma. 
Interna corporis, é o argumento, que pode ser muito bem utilizado para acobertar, quem sabe, alguma incapacidade de emitir juízo legal contendo algum mérito. 
Aliás, é preferível que se pense que alguns julgadores não têm ou não demonstram a competência que lhes é atribuida, do que a outra opção, a de que não são juízes, apenas partidários, torcedores.
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Pois é nesse caso que prefiro ver o ministro gilmar mendes, sua divindade de toga. Em situações como mais uma a que se expôs ontem, quando se manifestou dizendo que o pedido do AGU pode ser feito aos céus, ao inferno, a Deus e ao diabo e não terá êxito.
Prefiro acreditar que o ministro não tenha feito tal afirmação descabida para um membro de um colegiado que terá de julgar a questão. 
Mas, se não o afirmou, tampouco desmentiu a publicação, o que é no mínimo estranho, por mostrar a que se submete um juizinho, para obter seus 15 segundos de fama.
Mesmo que esses 15 segundos possam se reproduzir, já que a midia cultiva muito certas amizades.
Pois bem, como declarar-se impedido é questão de foro íntimo de gente honrada, o ministro não o fará, por óbvio, e irá votar um voto que todos já conhecemos, pois definido de antemão, antes da análise do que se pede. Quem sabe, guiado por interesses sempre inconfessáveis e escusos. 
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Como não há muito o que esperar de um colegiado onde ministros atuam como cheerleaders. infelizmente, se quisermos que se restabeleça o direito, devemos esperar. E quem sabe, rezar, para que o povo não tenha que sofrer muito, ou venha a sofrer menos que o que se afigura pela frente.
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Que venha o governo que embora não tendo nada a ver, dá um belo slogan: tudo a temer.



Delcídio, o mau caráter

Cassado em sessão de ontem, 10 de maio, no Senado, por 74 votos a favor, nenhum contrário  e apenas uma abstenção, o mau caráter do senador Delcídio.
Tão mau caráter, que sequer se fez representar, pessoalmente ou por representante legal, em manobra para tentar anular o julgamento. 
Manobra que o esperto Renan percebeu e o levou a convocar um advogado dativo.
Não tendo aparecido nem lá, não deveria aparecer aqui também.
Mas, pensando bem, se já apareceu até um Cunha, no pitaco de hoje, ou uma Janaína, ou até mesmo um gilmar, mais um para aumentar o lixo tratado não faz muita diferença.

Galo e São Paulo hoje

Sem saber qual a próxima invenção de seu comando, o Galo entra em campo hoje, para enfrentar o São Paulo.
Lembro-me de 78, quando estive presente ao Morumbi, para ver o Galo vencer o São Paulo por 2 a 1, uma das razões que justificam o avanço do time do Atlético na Libertadores daquele ano, em que caiu para os argentinos do River e Boca.
Tomara que Robinho seja escalado e esteja em noite inspirada. Que a defesa falhe pouco. Que a chegada, sempre violenta e merecedora de cartão de Donizete, seja para que Ganso, em especial, desapareça em campo.
Para que Lucas Pratto esteja em noite inspirada. E que Aguirre adote a mesma tática de Feola, que dormia para não atrapalhar o time.
Que dê o Galão da Massa, em São Paulo.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Economia em compasso de espera; política fervendo, mas não para ser levada a sério; América campeão e nós, sofrendo com Aguirre

Economia em compasso de espera, torna mais difícil a tarefa de dar os pitacos com maior frequência. A não ser que nos detivéssemos a analisar as várias conjecturas e as apostas que os jornais insistentemente nos têm trazido, especialmente sob a forma de entrevistas, a  maior parte das quais realizadas com diretores ou consultores de grandes instituições financeiras.
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Antes, contudo de tratarmos do conteúdo de algumas dessas entrevistas, é importante que algum pitaco seja direcionado para tratar de toda a imensidão da crise econômica, já depressão, que nos assola.
Primeiro para falar da resiliência, a insistência de a inflação permanecer em níveis elevados, acima do limite superior do intervalo estabelecido legalmente pelo sistema de metas, apesar da crise que o país atravessa representada por queda de vendas, queda de crediário, elevação sempre preocupante dos níveis de desemprego, e manutenção da taxa básica de juros da economia, a taxa Selic, em níveis extremamente elevados.
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Que a inflação que já estava elevada em nosso país, embora contida dentro do intervalo do sistema de metas até o final de 2014, ganhou combustível com as medidas adotadas por Dilma e o ex-ministro Levy, no início do ano anterior, de 2015,  ninguém discute. Claramente, os primeiros atos do segundo mandato de Dilma foram caracterizados por medidas destinadas à promoção de uma inflação corretiva de preços. 
Preços e tarifas públicas, defasados e causadores de prejuízos que dilapidavam o patrimônio das empresas que a elas estavam sujeitas, foram corrigidos tendo, principalmente as tarifas de energia elétrica peso importante na alta generalizada de preços.
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Para reforço da inflação, há que se admitir, contribuíram ainda a questão hídrica vivida pelo país e seus efeitos sempre deletérios sobre a produção de alimentos e os preços desses bens fundamentais. 
A tudo isso, deve ser somado o comportamento do dólar que, começando um movimento de valorização acentuado cada vez mais pela situação política vivida no país, acarretou elevação de vários preços de insumos, contribuindo para colocar mais lenha na fogueira da inflação.
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Mas, se os motivos principais da inflação eram os listados acima, por dever de consciência há que se fazer sempre uma observação fundamental. Nenhuma das principais causas se vincula ou tinha qualquer vinculação com elevação de demanda, o que claramente indica que medidas destinadas à elevação e posterior manutenção da Selic em alta, não iria resolver nada.
Muito pelo contrário. Ao elevar o valor dos juros pagos aos credores da dívida pública mobiliária, de caráter interno, apenas ampliava o nível de desembolsos que o governo deveria fazer junto aos seus grandes financiadores, a maior parte formado de bancos, agentes e instituições do mercado financeiro, grandes empresários. 
Ao todo, perto de 15 mil famílias que detêm o grosso dos títulos da dívida pública e receberam, no ano passado, a bagatela de mais de 500 bilhões de reais, apenas de juros.
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Claro está que, em meio à recessão que as medidas adotadas ou sugeridas por Levy contribuíram para fortalecer, compromissos com o pagamento de juros dessa magnitude iriam, muito mais que qualquer gasto social, com a Previdência ou com programas como o Bolsa Família, ou com os gastos obrigatórios com saúde ou educação, ou ainda com o pagamento da folha do funcionalismo, privocariam a expansão do endividamento público.
Como consequência e por força apenas de cálculos matemáticos simples, o aumento da conta de transferência de juros implicaria aumento do déficit nominal e, com a queda do PIB, aumento da relação dívida pública/PIB. Indicador que todo mundo fala, analisa e mostra que está apresentando evolução preocupante em nosso país, embora ainda situado na casa dos 70 a 80% do PIB.
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Observação: ninguém nega que o percentual é elevado, mas significativamente inferior a de outros países, desenvolvidos ou em situação de desenvolvimento, como o Brasil.
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Mas, se os juros não resolvem o problema de forçar a queda dos preços, por não serem o remédio adequado ao problema identificado como responsável pela doença, embora sejam muito eficientes em provocarem e aprofundarem a recessão, a queda das receitas do governo, qual a razão de continuarem sendo utilizados pela Autoridade Monetária. 
E pior, terem sua manutenção recomendada, ao menos no curto prazo, por alguns dos principais nomes apontados, pela imprensa, como possíveis candidatos a ocuparem o cargo de presidente do Banco Central em eventual governo temer, como foi mostrado em reportagem da Folha de São Paulo nesse final de semana?
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Discutindo o caráter mais conservador ("hawkish") das águias do mercado, que acreditam em que as taxas de juros deverão ser mantidas, ao menos por mais um bom  período de tempo, ou mais "dovish" menos conservador, mais cordato, de pombo dos que, como Tombini é acusado, gostariam de poder alterar os juros já a partir do início do segundo semestre, a reportagem traz nome de candidatos que pregam até mesmo a elevação das taxas... Tudo para combater um problema que já mostrou que tem outras origens. 
E não me venha falar que a elevação de juros não será suficiente para fazer declinarem os preços. Claro que vai conseguir seu intento. Afinal, todos sabem que a febre do doente irá cair de forma importante se ele morrer em função dos medicamentos que o intoxicarem.
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Curioso também é que os citados falcões parecem não considerar que em processos de elevação de preços, generalizados, os empresários passam a embutir em seus preços as expectativas de futuras elevações de preços. 
Como é natural, em estratégias defensivas, esses empresários não apenas não querem ser os últimos a elevarem seus preços, mas também não querem embutir uma expectativa que poderá ser superada pelo movimento real da economia.
Resultado?
Eles corrigem seus preços em maior valor que a inflação média, elevando a inflação futura, que fica mais difícil de ser controlada, em face do nível de dispersão que põe em marcha. 
E é bom alertar: fazem isso, por terem poder de fixação de preços no mercado. Ou seja: por terem poder de monopólio. 
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Tudo bem. Não serão os falcões do mercado financeiro, prontos a explorar o governo e o povo, que irão tomar medidas duras contra o poder empresarial de fixação de preços. Afinal, se o mercado aceita e paga??????
Seja sempre, tudo, com a desculpa de ser sancionado pelo mercado.
Mas que é curioso ver como falcões bravios viram meras cotovias, quando as coisas mudam de perspectiva, isso lá é de dar risadas...
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Temos mais de 370 bilhões de reservas em dólares, que não deveriam ser utilizadas para financiar, em minha opinião, nenhum projeto de desenvolvimento interno. Como todos sabemos, essas reservas funcionam como colchão de amortecimento contra possíveis problemas futuros, no âmbito externo. 
Mas, quanto custaria permitir o gasto de alguma parte dessa reserva, visando importar alguns produtos cujo poder de fixar preços dos empresários estivesse sendo uma ameaça ao controle inflacionário?
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Uma outra curiosidade. Em todas as entrevistas, como a feita com diretor do Credit Suisse, também pela Folha, há afirmações como as seguintes, que não reproduzo, mas apresento como as entendi. O que significa que se houver erro de interpretação, assumo o erro. Mas, em tese, as ideias expostas são:

Os funcionários públicos tiveram aumentos muito elevados, e está na hora de recair sobre eles parte do ônus do ajuste. 
Ou então: não tem sentido os aumentos de salários mínimos que agem como indexadores da economia serem tão acima da inflação, como foram no período recente. É necessário desvincular o salário mínimo de outras obrigações do governo, em especial de benefícios previdenciários. 
Ou algo como deve ser revista a lei do salário mínimo. 
Ao que se complementa, dizendo que os gastos públicos deveriam ser desvinculados completamente. 

Para ser justo, há sempre críticas ao fato de ser necessário fazer cortes em desonerações, em incentivos dados aos empresários e nunca correspondidos, e até mesmo se falou em revisão de situações tão esdrúxulas como as da Zona Franca de Manaus e outros benefícios, além de alteração de cobrança de impostos de profissionais liberais, transformados em PJ (pessoa jurídica) para, no regime de micros e pequenas empresas, de caráter individual, poderem evitar de pagar a parcela de tributos que seria compulsoriamente paga, caso se mantivessem como assalariados. 
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Claro que essa questão dos PJ's, implica em redução de custos e direitos sociais para alguns empregados, o que mostra que sua manutenção auxilia as empresas e o capital. Mas, para isso,  todos os analistas sempre se lembram de que é necessária uma flexibilização na legislação trabalhista, da qual um dos carros chefes é o projeto de terceirização. 
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Ou seja, a julgar pela recomendação dos sábios do mercado financeiro (há economistas outros, de outras tendências e escolas e formação, ou até mesmo que atuam em outras áreas que não concordariam com grande parte da receita) o Brasil corre o sério risco de, com apoio das classes mais ricas, empresariais, da imprensa, e até de parcela da classe média de maior poder aquisitivo, implantar esse conjunto de medidas, no governo que se pretende impor à sociedade, pela vontade das elites. 
E, se é quase certo que em dois anos, talvez, o país estivesse com as condições econômicas recuperadas, e sanadas suas dificuldades, com o governo com um tamanho mínimo, adequado a um governo moderno, ágil, que apenas toma conta das regras de funcionamento e do ambiente econômico, na verdade, do ponto de vista da grande maioria de sua população, da maioria esmagadora dos trabalhadores, dos funcionários públicos, sempre bodes expiatórios, o que teríamos seria uma involução, um retrocesso que nos mandaria de volta para os anos 40, com muita boa vontade, anos 50.
Época em que, mesmo sem lutas, já que as conquistas foram uma forma de cooptação (corrupção, para usar a linguagem mais moderna), os trabalhadores tiveram alguns benefícios reconhecidos.
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Em minha opinião, é isso que nos espera: os mercados financeiros e seus associados cada vez mais inseridos no mundo da modernidade, da evolução e da financeirização internacional. Vivendo no melhor dos mundos.
Os trabalhadores e a grande maioria da população tendo que se virar para poder ter acesso a direitos mínimos que passarão a ser fornecidos por mercados privados, o que os alijará da possibilidade de competir, com alguma condição, nos mercado de trabalho.
5% da população bem, no paraíso. 90% da população apenas na corrida frenética para tentar sobreviver.
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Enquanto nos bancos os problemas, e as crises, são outros

Mas queria comentar no pitaco de hoje, como fiquei preocupado, ao saber que, em razão da crise e de seu aprofundamento, os bancos principais do país experimentaram uma queda brutal em sua lucratividade, no primeiro trimestre desse 2016. 
Felizmente, nada que significasse aumento pronunciado de desemprego no setor. Ainda não.
Mas, ter uma redução de lucros para uma média de apenas 5 bilhões, é de tirar o sono de qualquer um. 
O que justifica a preocupação dos grandes jornais com a queda brutal, de lucros, enquanto atividades produtivas, e geradoras de riqueza real, fecham as portas. 
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Muitos se preocupam, claro, pelo fato de os bancos estarem experimentando uma elevação de seus níveis de inadimplência, o que os faz reconhecer a possilidade de perdas, e a obrigatoriedade de constituição de provisões. 
O que significa aumento de despesas e explica parcialmente a queda dos lucros.
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Mas poucos explicam que as provisões são cautelares. E se as prestações das operações de crédito concedidas forem pagas, os bancos poderão até mesmo providenciar a reversão dessas provisões, voltando a contabilizar esse recurso como receitas e lucros. 
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Mas, isso não é falado, porque implicaria em discutir medidas para evitar a inadimplência. Ou seja: medidas destinadas a assegurar emprego e salários dos endividados. Ou a renegociação de débitos, em condições menos draconianas. 



América Campeão

Saudações ao grande Givanildo a quem admiro e respeito muito. Parabéns ao América, o Coelhão, campeão mineiro de 2016.
Apesar de acreditar, sem querer desmerecer o Coelho, que perdemos para a incompetência de nosso treinador, e para nossos erros. Que na verdade têm como fulcro o erro maior: o que esse Aguirre está fazendo aqui no Galo?????

Política

A política e a situação do país está tão curiosa, especialmente quando todos saem atacando, sem quererem averiguar motivos, razões e, principalmente competências para adoção de medidas quaisquer que sejam, que não é sensato fazer comentário algum sobre os últimos acontecimentos.
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Mas,  ver as agressões feitas ao deputado Maranhão, presidente da Câmara, por seus próprios colegas, ou por senadores; assistir ao "ministro" gilmar mendes, que pelo respeito que aprendi a nutrir por seus atos e comportamentos merece as aspas e o nome na forma grafada, vir a público manifestar sua discordância com a medida adotada na Câmara; assistir ao tal "ministro" ferir a harmonia e a autonomia dos poderes (nesse caso, parece-me que não há problema no desrespeito à harmonia), logo ele que, como "ministro", pode ter que se pronunciar sobre o tema, apenas mostra que o Brasil não é, definitivamente um país para ser levado a sério.
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Vejam bem. Ele é um país sério. Tudo está sendo feito seguindo um script, habilmente traçado para que a vontade do povo fosse deixada de lado, trocada pela vontade das poderosas elites. 
Isso mostra um grau de seriedade e compromisso que não há como se negar. 
Mas, é golpe e é antidemocrático, por não respeitar a maioria. 
Então, embora sério, é para não ser levado a sério, ao menos da perspectiva do povo. 
Mas, afinal, como diria o campeão de votos que agora conquista o governo, temer, para que interessa o povo????

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Governo já mostra, em sua montagem, a expressão de sua pequenez e hoje tem Galo (e tomara que Aguirre não atrapalhe)

No jogo de falsidades que vamos vendo se formar, que responde também pelo nome de formação do governo Temer, de conciliação nacional, ou como disse FHC em programa da Band, de emergência nacional, alguns fatos merecem algum destaque.
Mesmo que, acreditando como acredito que esteja em curso um golpe contra a democracia brasileira, nem era mesmo de se esperar muito ou qualquer coisa diferente desse pretenso governo temer, salvo isso que a cada dia chega, mesmo que filtrado pela grande midia, a nosso conhecimento.
***
Mas, devemos reconhecer que é curiosa a pequena nota da primeira página da Folha de São Paulo, edição de hoje, 4 de maio, de que o ministério de temer causa insatisfação em aliados.
Antes, uma observação: a Folha coloca tanto ministério como temer em maiúsculas.
De minha parte, enquanto deputado paulista e presidente licenciado do PMDB, e vice-presidente da República, Temer será tratado com a distinção que toda pessoa me merece. E seu nome virá em maiúsculas.
Mas, o governo de um golpista, de alguém que não tem nem nunca teve votos para almejar e agora, cavalgando um golpe vergonhoso, chegar ao assento de presidente da República, será tratado de agora em diante, nesse espaço, apenas em minúsculas.
Como merece.
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Pois bem, a equipe de temer, que iria iniciar promovendo os cortes desejados e cobrados pelo pensamento conservador no número de ministérios, e que a cada dia mostra mais o quanto é difícil promover os cortes exigidos, por questões de nossa composição de forças e alianças no Congresso, já está causando insatisfações nos principais partidos aliados.
E não por não estar havendo o tal corte, mas pelos nomes que têm sido apontados ou sondados pelo golpista.
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A ponto de no caderno Poder, coluna Painel, a nota que encabeça a coluna já estampar o receio de uma rápida reversão de expectativas, do golpista em relação ao seu mandato.
Bem que a nota ainda reconhece que ele não passa de um desconhecido, já que nunca foi conhecido nem mesmo em São Paulo, onde nunca teve votos suficientes para qualquer tentar se eleger por qualquer cargo majoritário.
O problema identificado por pessoas ligadas a sua equipe é sua incapacidade de apresentar qualquer resultado, em especial, aqueles que são manifestamente fruto de medidas que, ainda que necessárias não serão adotadas em ano eleitoral, caso da reforma da Previdência.
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Mas, a coluna segue afirmando que Renan optou por não indicar qualquer nome para a pasta de Minas e Energia, enquanto o PSDB se recusou a indicar nome para o ministério das Cidades.
O que não significa grande coisa: Eduardo Cunha já trabalha para implicar um de seus aliados em liderança da Câmara, o que indica que o réu que pode virar presidente do país mantém, se é que não aumentou seu prestígio.
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E a verdade é que é até possível que temer consiga reduzir de 39 para 26 pastas, o número de ministérios. Não irá, certamente é reduzir o número de cargos comissionados.
Até porque a história de seu principal ministro falado, Meirelles mostra o contrário.
Pelo menos foi assim no Banco Central, onde quis e teve derrotado seu projeto de contratar, de forma ilegal 7 assessores de segurança pessoal. Caso que ficou conhecido internamente como o dos sete gatinhos...
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Para mostrar o que não se deve esperar do governo ou desgoverno do golpista, entretanto, vale a nota também publicada na Folha de ontem, a respeito de opinião emitida pelo Senador do PSDB, José Serra, agora sondado para o ministério de Relações Exteriores, a respeito de Meirelles, quando este ainda era presidente do Banco Central.
Diz a Folha; Serra chamou Meirelles, seu provável colega de ignorante. E prossegue relatando que, em eventos com empresários em outubro do ano passado, Serra teria feito duras críticas a seu possível colega, afirmando desconhecer um presidente do Banco Central tão ignorante ou tão comprometido com especulação cambial como esse senhor.
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Ora, nem precisava da reportagem da Folha para lembrar que, desde muito tempo atrás, desde a época em que mantinha desnecessariamente a taxa Selic de juros elevada, apesar de a inflação encontrar-se abaixo do centro da meta, Meirelles já era alvo de Serra, um economista que sabe a importância para a econonia do setor industrial. Setor que foi destruído por políticas destinadas a favorecer a entrada de dólares em nosso país, para provocar sua desvalorização e imediata saída, com ganhos cambiais espetaculares para os donos do capital internacional.
Isso porque a desvalorização da moeda americana destruía a capacidade de nossa indústria fornecer em moeda nacional valorizada artificialmente as partes, peças, insumos, componentes, etc. necessárias para a produção nacional.
A política de Meirelles, embora saudada com ênfase pelos mercados financeiros condenou ao sucateamento nossa indústria de auto-peças, componentes, etc.
E Serra, tanto quanto Bresser Pereira sempre afirmaram isso, embora com ênfase distinta.
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A mesma matéria da Folha lembra de outra crítica de Serra ao ex-presidente do Banco Central, por não considerar que aquela autarquia fosse a Santa Sé, ou seja, por não concordar com a ideia de o Banco Central nunca cometa erros.
Para isso, a ideia de um Serra, à época candidato a presidência era da necessidade de o governo ter poder e controle sobre os erros passíveis de serem cometidos pela Autoridade Monetária.
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Mudou o país, muito e para pior. Mudou Serra, talvez. Ou ele está apenas tentando se cacifar para nova postulação à presidência em 2018.
Mas, a verdade é que toco nessa questão porque frequenta já a agenda de debates de temer a ideia de dar independência ao Banco Central, sugestão contida em proposta anterior de Renan, e que é classificada como de muito boa aceitação junto ao mercado financeiro.
Na verdade, nem sei porque...
Talvez porque o mercado já ganhou muito com o ex-presidente e atual nome forte para ocupar a Fazenda.
Talvez porque o mercado como qualquer pessoa de senso mediano e conhecimento idem, já ouviu falar e sabe da possibilidade fortíssima de ocorrência da chamada situação estudada como a teoria da captura.
Para aqueles que não são da área: a captura da agência reguladora (posto que o BC ocupa), pelos que deveriam estar sob sua regulação ou fiscalização.
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De minha parte, até por acreditar que temer é uma aventura sem qualquer possibilidade de união como se prentende, acho que a elogiar, na proposta do BC independente, apenas a inclusão nos objetivos desse órgão, da questão de manutenção de metas de emprego.
Isso se o mercado financeiro aceitar. E se essa preocupação não se tornar letra morta.
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Mudando de assunto, enquanto a histriônica, destemperada e golpista Janaína, que tanto mal está fazendo ao país com sua pantomima chinfrim de defensora dos direitos e da legalidade, dá espetáculos para ocupar as manchetes dos órgãos da imprensa, quem sabe atrás de uma oportunidade em algum programa da Globo, ouvi ontem uma argumentação sóbria e que exige, no mínimo a reflexão de todos que, de fato quiserem contribuir para um país melhor.
Foi de um dos convidados a falar no Senado em prol da defesa do governo, quando disse que, caso venha a prevalecer a ideia conservadora e dos setores conservadores, que entendem pouco ou quase nada de economia, de que o governo não pode, sob qualquer hipótese manter déficits fiscais, então não há mais o que se falar em política fiscal.
E Keynes deverá estar dando voltas em seu túmulo enquanto Roosevelt deverá estar preocupado, já que estará chegando à conclusão que a história não ensinou nada ou muito pouco a muita gente.
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Ou não. Afinal, é exatamente deixar a raposa tomar conta do galinheiro. É tirar o governo da condição de gestor dos interesses daquelas frações de classes mais desprotegidas da sociedade, é manietar o poder público e emascular o governo o objetivo principal de todos que acreditam que o mercado sozinho e soberando dá conta de resolver suas pendências.
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E como dizia Samuelson: o povo de Zig ou Zog teria muito a comemorar, já que os mercadores ricos, estariam produzindo a alimentação necessária, a que preço fosse, para a meia dúzia de sobreviventes do reino.



Mudando de assunto

O Galo enfrenta hoje seu principal desafio: vencer apesar de seu infeliz e inoportuno técnico, Aguirre.
Se vencer, o uruguaio terá mais alguma sobrevida, e o coração do atleticano ficará em condições de stress por mais tempo.
Não quero nem pensar na outra opção, que com um técnico que escala mal, mexe mal e não conseguiu dar padrão algum de jogo ao time, ganha muita força.
Afinal, de Aguirre, o máximo que se pode dizer é que deve jogar Patric. Não se sabe onde, nem quando, nem em que posição, nem mesmo que o reserva de nossa lateral jogue alguma coisa....
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