Também quero dar pitaco
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
O presidente do Banco Central e a proposta de política monetária contracionista: alguns comentários
youtube: https://youtu.be/WRF1HTsPFeg
É a demanda, o desejo de gastos dos agentes econômicos, que estimula os empresários a manterem ou ampliarem sua produção e aumentarem a oferta. Sem demanda, o empresário racional não vai correr o risco de investir seus recursos visando lucros.
Enquanto a maioria das pessoas demanda e gasta em bens de consumo, para assegurarem um padrão digno de vida, de acordo com sua renda, a demanda dos donos de empresas por investimento, na compra de instalações, máquinas e equipamentos é a base da produção de um país ou de seu crescimento. Quando mais investimento, maior a capacidade produtiva, maior a oferta e maior o crescimento do país.
Por isso o investimento é considerado a demanda mais importante para o crescimento de um país, de forma contínua ou sustentada. ao longo do tempo.
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Os gastos públicos constituem uma terceira espécie de demanda ou gastos para garantir o funcionamento do governo (pagamento ao funcionalismo público, de prédios públicos). São gastos que permitem que o governo forneça bens e serviços ao público que, embora necessários à sociedade têm características especialíssimas, que impede ou dificulta sua produção pelo setor privado. (saúde e educação pública, lazer, mobilidade urbana).
Em todo o mundo, mas em especial no Brasil, o governo também gasta em investimentos, como a construção de infraestrutura (rede de distribuição de energia e gás, estradas, canais, pontes) e outros feitos para estimular os empresários a investirem, assegurando demanda para seus negócios. Um exemplo disso é a implantação pelas estatais na área de novas fontes de energia, que estimulam a fabricação de material para instalação de pás de moinhos, turbinas, armazenamento da energia gerada, os cabos e fios para sua transmissão, geradores, transformadores, etc.
Essa demanda tem o efeito de multiplicar novos empreendimentos e investimentos.
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No Brasil, o crescimento econômico do primeiro mandato de Lula foi apoiado pela demanda de consumo depois de vencida a inflação e assegurado o poder de compra das famílias. Foi também estimulado pelo aumento dos gastos feitos por estrangeiros, em especial comprando os grãos, os minérios aqui gerados (nossas exportações).
Dessa forma, ao criticar a fragilidade do processo de crescimento amparado pelo consumo, em evento patrocinado na semana passada por agente regulado pelo Banco Central - o Santander – as afirmações feitas pelo presidente do Banco estavam na direção correta..
Correto também estava ao afirmar que se a demanda cresce e a oferta não acompanha, ou seja, a capacidade produtiva não cresce, a economia vai alcançar o pleno emprego, situação em que não tendo recursos para aumentar a produção, vai surgir o fenômeno da carestia ou falta de produtos, gerando inflação.
Questionável é sua afirmação definitiva de o país estar em pleno emprego, em razão de políticas de crescimento da renda e do crédito acima da produtividade do país. Fala que o aproxima da postura de Fukuyama a respeito do fim da História, ao decretar o encerramento do debate já “que nem os grandes debates teóricos entre economistas deveriam se aplicar. A gente está em um momento de pleno emprego com uma economia que vem crescendo com a demanda acima da oferta … “(conforme artigo de Beatriz de Cicco, no JOTA de 17/08/2026).
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Para em seguida afirmar que “o déficit das ações correntes … a inflação daqueles itens que você não pode importar do resto do mundo – componentes de serviços, por exemplo, que vem rodando bastante acima da meta – (indicam que ser) uma economia que está em pleno emprego já”. E concluir que, como em política monetária, “é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar oferta e demanda, … é por isso que a gente coloca a taxa de juros num patamar restritivo", e assegurar que “a autarquia não está “pilotando” a política monetária “pensando em colocar para cima, de novo, uma maneira para colaborar com o crescimento, puxado por mais consumo e mais demanda. Está muito mais pensando em colocar um patamar contracionista".
Em evento patrocinado por agente para quem os juros elevados geram lucros extraordinariamente elevados, não deveria soar estranho o raciocínio do presidente de um órgão de governo fazendo coro às críticas aos objetivos e ao modelo adotado pelo governo a que serve e com as políticas de quem deveria mostrara mais compatibilidade e coerência, ainda que com autonomia operacional.
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A título de contraponto sobre sua opinião quanto ao pleno emprego: as estatísticas vêm mostrado aumento recorde de pessoal ocupado, principalmente em atividades informais, ligadas à ideia equivocada das vantagens do empreendedorismo. De mais baixa qualificação, a produtividade desses trabalhadores autônomos é menor que a dos que atuam no mercado formal, em especial na indústria. O que permite supor que uma política capaz de expandir o mercado de trabalho com carteira assinada promoveria um aumento da produtividade, da produção e do crescimento, com melhor utilização dos mesmos recursos. Ou seja: o ponto intangível do pleno emprego pode não estar na próxima esquina.
Mas isso é impedido pela política contracionista, como mostrou em artigo sobre juros, publicado na Folha de domingo último, o ex-ministro José Dirceu.
Em sua análise, Dirceu critica as explicações que responsabilizam os gastos públicos e a demanda sobreaquecida, como causa da inflação e da necessidade dos juros pornográficos determinados pelo Banco Central.
Fosse verdadeiro o diagnóstico de elevação da demanda e pressão sobre a capacidade, não teria sido necessário a manutenção de juros elevados em períodos em que o governo apresentou superávits fiscais. os juros não teria sido mantidos elevados como o foram quando o governo.
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Até porque juros mais civilizados permitiriam ao empresariado “ampliar uma fábrica, desenvolver tecnologia, contratar trabalhadores” o que não é estimulado a fazer quando “Compara o retorno incerto da produção com o ganho seguro … dos títulos … aos juros”.
Sem querer estimular irresponsabilidade fiscal, o autor aponta características de nosso mercado financeiro, não levadas em conta, em geral, que mereciam atenção do Banco Central: mercado financeiro oligopolizado, sistema financeiro concentrado, dívida pública fortemente ligado à taxa básica de juros.
Até porque os juros praticados desanimam o empresário, que poderia correr os riscos de investir, a optar por aplicar no mercado financeiro. E conclui: afinal a “taxa de juros …. Define ganhadores e perdedores, redistribui renda, reorganiza investimentos e condiciona o projeto de país”.
Em sua apresentação, Galípolo deixa claro a que proposta se vincula.
,,,,,,,,,,É isso.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Economia estável a passos mais lentos, juros ainda em órbita, dívida e populismo e os interesses da grande imprensa
link youtube: https://youtu.be/wpI70rvrQUU
Em A Elite do Atraso (2025), ao tratar de mudanças cruciais herdadas dos anos 90 do século passado, como a transformação do capital financeiro em fração hegemônica do capital, Jessé Souza assinala a importância dessa evolução, e seus impactos para o desmonte do Estado de bem-estar do pós guerra e para a corrosão da base financeira de sustentação do Estado.
Para o autor, a tributação no Estado de bem-estar apresentava ao menos duas características: uma base econômica constituída por empresas de grande porte, com grandes plantas industriais e massas de capital fixo; e adotava uma visão distributivista, onde quem tem mais paga mais impostos. Já o capital financeiro, sem amarras ou grilhões pode se deslocar em instantes de um lugar para outro, o que incentiva a fuga de capitais e alimenta chantagens e ameaças aos Estados.
Essa nova realidade, agravada por cada vez mais importante concentração de renda, permite aos privilegiados ficarem livres do pagamento de impostos e arruína a base financeira do Estado, que, sem forças para cobrar os recursos necessários para cumprir sua função junto à sociedade, opta por obter estes recursos se endividando junto ao 1% de sua população mais rica.
Substitui-se o Estado fiscal pelo Estado devedor.
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No Brasil, embora as estatísticas indiquem algum espaço para o aumento da arrecadação, o que se confirma pelos recordes divulgados a cada mês, o Estado amplia seus gastos em velocidade muito maior. O que dá material suficiente para críticas pesadas e constantes feitas pela grande mídia: ou pela fúria arrecadadora, ou pela irresponsabilidade fiscal, de natureza populista.
O que a imprensa não aborda de forma isenta, é que o crescimento da receita se dá em razão de ampliação da base, dado o crescimento (embora cada vez mais reduzido) do PIB, e o aumento do nível de ocupação e emprego e do nível de renda; além do surgimento de novas atividades econômicas, passíveis de tributação, até para evitar seus efeitos danosos à população, como as apostas on-line.
Quanto aos gastos exorbitantes, cobrar imparcialidade dos grandes oligopólios e grupos empresariais do setor de comunicações e mídia seria ingenuidade e pedir demais. Eles teriam que falar do 1 trilhão de gastos com pagamentos de juros, aos privilegiados que não pagam impostos; ou dos mais de 525 bilhões de reais em renúncias fiscais para grandes empreendimentos empresariais (alguns até pagam impostos e depois recebem a devolução); ou de valores destinados pelo governo ao Plano Safra, de 525 bilhões apenas na faixa de agricultura empresarial.
Muito mais cômodo, para não lhes afetar a lucratividade do negócio, criticar os gastos do programa Desenrola e sua prorrogação – MERAMENTE ELEITORAL; os gastos com bolsa família e outros programas previdenciários atrelados ao salário mínimo e, como tal, reajustados acima da inflação. Todos gastos com os menos privilegiados ou a ralé, que ampliam o déficit primário (quando os gastos para funcionamento da máquina do governo e outros destinados às camadas menos favorecidas são maiores que receitas). Note-se que o déficit primário não considera os juros pagos aos que pouco pagam de impostos.
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A imprensa não fala da prévia da inflação de 0,06% em junho; não se lembra de falar da criação de mais de 145 mil vagas formais de carteira assinada em junho, que totalizam 48 milhões de vínculos ativos; do aumento do salário médio.
Divulga que os números estão perdendo força, a economia mais enfraquecida, a indústria apresentando queda expressiva, sem considerar que a causa principal desse desaquecimento é a pornográfica taxa de juros, baixada ontem em 0,25%, para o patamar de 14%, ainda 9% acima da inflação. Juros que os ricos que emprestam e compõem a elevadíssima e recorde Dívida Pública recebem e com cinismo ou falta de vergonha, recebem satisfeitos, mesmo criticando a perda de controle do governo em sua gestão, o que lhes permite cobrar mais juros para dívidas de prazo mais longo.
Alegam risco de o governo não conseguir pagar. A cara de pau é tanta, que escondem que a dívida é na moeda que o governo é quem cria. Ou seja, basta criar mais se quiser trocar dívida que paga juros (em títulos), por dívida em moeda, que não paga juros.
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Para a mídia, gastos com a ralé são os que incomodam e são os populistas, já que não são direcionados a seus bolsos.
A economia está bem, o ambiente é tranquilo e positivo, em crescimento, mesmo que dando sinais de desaquecimento.
A pauta do fim da jornada de 6 x 1, obrigatória para dar mais liberdade e dignidade ao trabalhador e permitir que passe mais tempo com a família, para o lazer, sem perda de salários, o que seria uma nova etapa em direção ao fim da escravização é tratada sempre de forma viesada, dando voz a industriais, comerciantes, empresários e financistas. Essa pauta fundamental poderá, inclusive provocar aumento da produtividade do trabalhador mais feliz e saudável.
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Embora a leitura de Keynes seja sempre deturpada por interpretações equivocadas e míopes, que o apresentam como o pai da ideia da gastança do Estado, para aumentar a demanda agregada e o emprego, mas gerando apenas inflação, essa interpretação carece de fundamento e verdade.
Para ele, na interpretação da abordagem pós-keynesiana, o papel do Estado é criar e manter um ambiente de negócios que permita ao empresário criar expectativas positivas. Essas expectativas é que o estimularão a investir, já que acreditarão que terão mais demanda e aumentos de vendas, em um mercado sempre cheio de incertezas. Ao Estado compete reduzir as incertezas e volatilidades o que poderá, no limite, tomar a forma de aumento de seus gastos.
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Embora pareça estarmos vivendo uma economia dominada pela monotonia, o que o governo Lula tem feito é preservado essa estabilidade. Daí que o país cresce, apesar dos pesares e dos juros pesados.
Incertezas vêm de fora, de bravatas e arroubos dignos do império decadente, patrocinados pelo poder destruidor de agentes laranjas.
Foi o fanfarrão alaranjado americano que iniciou gratuitamente a agressão ao Brasil e ao mundo, inclusive aliados, com tarifação comercial. Foi ele que voltou a tarifar o país, de forma autoritária, cuja única negociação ou acordo possível seria a capitulação. Foram eles que deixaram clara a intenção de interferir no processo eleitoral de um país amigo. Que chantageiam e cortam vistos de representantes diplomáticos.
Mas a imprensa, a mídia e grupos empresariais desejam é que nos curvemos de joelhos, para não terem seus interesses particulares prejudicados. E criticam o governante que mostra um mínimo de amor próprio e noção de dever com a ampla maioria dos que não têm outro país para chamar de seu.
terça-feira, 16 de junho de 2026
Da arte da Política, da politicagem e das raposas e das galinhas
No youtube o link é: https://youtu.be/7uPiVsTA-h4
Tem início hoje mais uma reunião do COPOM, o Comitê formado pela Diretoria Colegiada do Banco Central, com a finalidade de definir a taxa básica de juros – a Selic – a vigorar em nossa economia pelos próximos 45 dias. O objetivo, como exaustivamente difundido, é fixar uma taxa de juros que permita à Autoridade Monetária levar a inflação do país ao centro da meta – fantasiosa por excessivamente ambiciosa – de 3%.
Economistas de competência reconhecida insistem em demonstrar o irrealismo da meta fixada pelo governo Lula, como meta contínua, o que significa que, a cada novo mês (por exemplo, junho de 2026), a inflação medida para o período de 12 meses - de julho de 2025 a junho de 26 – deverá ficar em 3%.
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Em economia como a brasileira, onde mecanismos de indexação insistem em transferir a inflação passada para preços futuros (como a prática de se corrigir uma série de preços pela inflação passada, inclusive salários, alugueis e serviços públicos), apenas uma vez – julho de 2009, a meta foi alcançada. Feito alcançado quando a meta era maior e a meta devia ser obtida a cada ano.
A tais mecanismos, devem ser somados outros fatores capazes de afetarem a inflação. É o caso das guerras que afetam os preços de gás e petróleo, combustíveis, e insumos agrícolas, como fertilizantes. Outro importante fator é consequência de fatores e desastres climáticos, que afetam os preços dos alimentos e o custo de vida de toda a população. Ou ainda a estrutura da economia brasileira, exportadora de matérias primas e bens de pouco grau de transformação e importadora de bens muito mais caros, como manufaturados, máquinas e equipamentos, em situação onde os fluxos de capitais e controles cambiais são praticamente inexistentes.
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Para todos estes fatores que realimentam o processo de elevação da espiral de preços, a visão clássica adotada pelo Banco Central recomenda a retirada de dinheiro de circulação (enxugamento de liquidez) de forma a impedir a expansão dos gastos da demanda do conjunto de agentes econômicos, seja em bens de consumo ou investimento. É essa restrição monetária que torna o dinheiro raro e caro, e se manifesta por elevação da taxa de juros.
Os raros leitores perceberão que a manutenção de taxas elevadas de juros não será capaz de combater elevações de preços cujas causas passam longe de excesso de gastos, tanto privados quanto públicos.
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Aqui há que se destacar: com preços elevados por fatores alheios à um excesso de gastos pela população, os juros altos apenas aumentam o endividamento das famílias e o seu grau de inadimplência, exigindo que o governo amplie os seus gastos sociais, de forma a permitir um mínimo de condições dignas de vida pela ampla maioria da população. Gastos que a grande imprensa e os analistas do mercado financeiro criticam como gastança desenfreada.
Por seu aspecto curioso, vale a pena registrar: o desgoverno anterior e a gestão do liberal Guedes, para reduzir custos, deu sequência e aprofundou a destruição em andamento do programa de manutenção de estoques reguladores de alimentos e preços de produtos agrícolas. Só no governo anterior 27 armazéns foram fechados, cuja retomada é acusada de gastança desnecessária.
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A elevação da Selic, determinada pelo Banco Central, não causa problemas de endividamento apenas para as famílias. Também o governo é afetado por tal política inócua para combater a inflação e sua multiplicidade de causas. De longe, com pagamento de mais de 1 trilhão de reais, os juros pagos sobre a dívida pública é, de longe o maior e mais nocivo gasto do governo. E aumenta o endividamento ao tempo que provoca a queda do nível de atividade e do PIB do país.
Em resumo: amplia o grau de endividamento do governo, o que leva os financiadores da dívida pública – os agentes financeiros – a exigirem juros maiores para continuarem rolando a dívida. Com isso, as expectativas de juros e preços não convergem para o centro da meta no longo prazo e o BC aumenta os juros, que beneficiam apenas os donos dos títulos públicos.
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Trato desse tema em razão de a finalidade primeira do Banco Central ser sempre considerada o combate à inflação, não levando em conta outros importantes objetivos, como a manutenção do nível de emprego, a estabilidade do sistema financeiro, a manutenção da solvabilidade dos bancos e outras instituições financeiras. Como visto, a política adotada, dependente apenas de juros altos está mais próxima de se tornar um fracasso, não tendo apresentado os resultados desejados.
O que resta então ao Banco Central? Regular o sistema financeiro e seus agentes, para evitar casos como o escândalo do Banco Master e o prejuízo causado à população.
Fiscalizar as instituições financeiras, dentro da boa técnica de que quem regula e estabelece as normas, o faz visando objetivos voltados para o fortalecimento e desenvolvimento deste importante setor de financiamento do crescimento de toda a sociedade. Daí decorre que quem regula é que deve fiscalizar as instituições e suas operações.
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Fui funcionário do Banco Central nos idos dos anos 90 e na virada dos anos 2000. Naquela época, o mercado era infestado por boatos, intrigas e balões de ensaio que davam conta de pressões dos bancos e as associações de seus representantes, visando dividir aquele órgão público, permitindo que ao Banco que sobrevivesse, fosse reservada a função do exercício da gestão de política monetária e controle da inflação, com seus juros altos. Quanto à atividade de fiscalização, seria exercida por um mecanismo de autorregulação: os bancos fiscalizando a si mesmo e sua atuação.
A raposa gerindo o clube de raposas e cuidando das galinhas. Mas eram outros tempos.
Tempos que a PEC 65 pode resgatar, depois de aberta a porteira (tanto a giratória quanto aquela que permite aos bancos não se submeterem a quaisquer controles). Esse é um resultado que a PEC 65, se aprovada, tem potencial para colocar em curso. Depois de retirar o Banco do aparelho de que ele faz parte por sua própria origem: o aparelho do Estado e de privatizar o dinheiro que ele, por este motivo, é o responsável pela emissão. Ou ainda apoderar-se das reservas internacionais do país e de seus rendimentos.
Não à PEC 65.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
A arte da Política e a PEC 65, aprovada na CCJ do Senado
no youtube: https://youtu.be/7JwsJK3rtoE
Entre as lendas que povoam o imaginário popular e vão se tornando uma tradição com o passar do tempo, sem dúvida deve ser incluída a da sabedoria ou astúcia mineira em relação ao domínio da arte de se fazer política.
Vários são os fatos, os causos, as nuvens de diferentes formatos acompanhadas de mudanças de opinião e argumentos que embasam decisões, e que asseguram ao matreiro político mineiro estar sempre do lado vencedor, ao lado da decisão adotada.
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Não à toa, buscando inspiração para iniciar este pitaco e em dúvida quanto ao uso do termo matreirice, recorri ao Google, e o mestre à indefectível “Visão geral criada por IA”, que desconfio ser muito pouco infalível.
De qualquer forma, está lá: “O termo é frequentemente associado à política mineira (especialmente na Primeira República), onde a "matreirice" descrevia a habilidade dos líderes de usar o jogo de cintura, a sutileza e a persuasão para contornar rivalidades e moldar as situações a seu favor. “
Ou seja: a esperteza de, ficando rouco de tanto ouvir, acabar sempre se aproveitando da lei de Gerson, aquela de levar vantagem em tudo, vendendo a ideia de, por não se manifestar de forma clara, estar sempre da ideia ou da melhor opinião ou solução para alguma situação problema.
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É verdade que a fama decorre da República Velha, dos coronéis da política do café com leite que, com a chegada da Revolução de 1930 ao poder, tiveram que se adaptar, sob outra roupagem, sem, contudo, perderem o poder que nunca deixaram de exercer. Mesmo nos regimes militares ditatoriais.
Como também é verdade que a experiência autoritária gerou, como não surpreende a ninguém, a perda do vigor e do aprendizado que apenas o processo de eleições democráticas permite desenvolver.
O que permitiu que, na virada do novo milênio, Minas elegesse golpistas cuja única referência era uma suposta tradição de família ou, mais recentemente, empresários sem qualquer brilho empresarial, social ou intelectual.
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Na antiga tradição mineira, dizia-se que só se inicia uma reunião para votar aquilo que já foi decidido antecipadamente. E que não se leva nenhum assunto à discussão e votação, se houver uma mínima chance de derrota.
Foi não levar a sério a advertência mineira que fez o governo Lula e sua liderança, amargarem a derrota que lhe foi imposta na CCJ do Senado, na semana passada, pela oposição ao Brasil, com a aprovação simbólica da PEC 65, que dá ao Banco Central o estatuto de 4º Poder do Estado Brasileiro.
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Muito já foi dito do mal que a independência do Banco Central representa para a sociedade brasileira e seus mecanismos de exercício democrático do poder, via processo eleitoral, livre de influências do poder econômico e dos interesses dos grandes grupos, seja da grande imprensa tradicional, seja das big techs e das redes sociais que comandam.
No entanto, o poder do sistema financeiro e suas instituições, todas aplaudindo e apoiando a independência do Banco Central; a capacidade de exercerem o poder de financiamento de campanhas por formas oblíquas, ao arrepio das leis; a bancada de seus defensores entre os parlamentares do Legislativo, nunca exagerada como o caso Master não nos deixa esquecer, todo o peso de um setor empresarial que ânsia por dominar e deter a chave do Banco Central, capaz de emitir dinheiro, acabaram se impondo e exigindo a imediata votação, em plenário, da PEC da Privatização do Banco Central.
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Foi um Rothschild da família dos banqueiros quem disse “"Permitam-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação, e não me importarei com quem faça suas leis."
Para quem deseja apenas obter mais dinheiro do uso de dinheiro, sem nenhum benefício de produção real (gerador de bens, utilidades ou empregos), sem contribuir para o PIB, para o desenvolvimento social inclusivo e harmônico do país, nada melhor que ter controle sobre a fábrica de dinheiro do país.
E é isso que a PEC faz, transfere para o Banco Central, sob a fiscalização e controle do Congresso, os ganhos provenientes de se emitir dinheiro por parte do governo: a senhoriagem.
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Sob a falácia de se promover uma modernização na nossa Autoridade Monetária, capaz de equipará-la a outros Bancos Centrais internacionais, ou pior ainda, de visar tornar o Banco Central independente da política e dos interesses politiqueiros que podem vir a contaminar seu trabalho, buscam afastá-lo completamente do governo, do Estado e da sociedade, que no Estado de Direito nele se faz representar.
Não por acaso, Rothschild queria apenas ter o poder de emitir, sabendo que o controle legislativo é uma piada de mau gosto.
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Se o Estado perde, o governo fica sem condições de fazer política econômica e de desenvolvimento social, se perdem os poucos empresários que ainda se preocupam em produzirem riqueza real não contaminada pelas meras aplicações financeiras, se perde a população, quem se beneficia com a PEC 65?
Os banqueiros que poderão continuar controlando as taxas de juros e impondo suas previsões e expectativas ao Banco Central, sob a pretensa defesa da missão de combate à inflação do Banco.
Todos os que estimulam a permanência da divisão profunda da sociedade em distintas classes, em que a uma minoria tudo é permitido, enquanto à maioria tudo é dificultado, com o acesso à saúde, educação e a bens coletivos sendo liberado apenas aos poucos que puderem pagar por eles.
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Talvez a uma minoria de funcionários do Banco Central, ao menos nos sonhos que acalentam de poder ter o direito de decidirem quanto irão passar a ter de remuneração, livre de tetos e quem sabe, também, no futuro, até de empregos, já que regidos pela legislação madrasta da CLT e eventuais futuras reformas.
Estes, além do risco ao seu emprego, poderão deixar de ver seu trabalho e a qualidade dele respeitados. Mas isso pode não incomodar aos que sonham em frequentar o ir e vir da porta giratória dos regulados e reguladores.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Análise do Programa Desenrola 2: Entrevista ao programa Da Prática Política
Youtube do pitaco: https://youtu.be/w2JkEjKhAUU
Acima o link da live gravada ontem (https://youtu.be/w2JkEjKhAUU), analisando o novo programa do governo Lula, para reduzir o endividamento da população com renda até R$ 8 105,00, dívidas assumidas até 31 de janeiro deste 2026, e inadimplência já entre 90 dias e 2 anos.
O Desenrola procura dar alívio imediato a um público estimado em até 82 milhões de pessoas (número de negativados, Fonte: SERASA) e um volume de recursos, conforme cenário de elegibilidade entre 42,8 e 64,2 Bilhões de reais.
Com inegável propósito eleitoreiro, há pouco mais de 5 meses do primeiro turno das eleições, a preocupação do governo e dos agentes e instituições do Sistema Financeiro que, juntos e de forma coordenada, discutiram e acordaram as principais medidas se deve à existência de um estoque de dívidas estimado em 107 bilhões de reais (fonte:CITI); ao indicador financeiro divulgado pelo Banco Central, de que as famílias estão comprometendo 49,9% de sua renda apenas para o pagamento de dívidas, e que o número de inadimplentes alcança quase 30% da população.
Outro problema, segundo a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento - ACREFI, está relacionado à um desenho da oferta de crédito equivocado, despontando-se dois problemas, um estrutural - a opção preferencial pelo uso de linhas de crédito mais caras, para financiamento de caixa ou despesas do dia a dia. Outro, conjuntural, de juros elevados e a ilusão vendida pelas BETS.
Outros especialistas indicam o ELEVADO nível de juros das operações, cobrados pelos fornecedores de crédito e o perfil das linhas mais utilizadas: o rotativo do cartão de crédito e a disponibilidade do cheque especial.
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Pesquisas realizadas indicam que as principais despesas que levam ao endividamento das famílias estão relacionadas a gastos de saúde, em especial, planos de saúde e medicamentos e gastos com alimentação, cujos preços se elevam especialmente devido aos efeitos climáticos sobre a produção agrícola e, mais recentemente, por força da consequência dos problemas de geopolítica e guerra.
Se as linhas mais utilizadas são as mais caras, um dos fatores explicativos é consequência da expansão da bancarização ou a inclusão financeira proporcionada pelo surgimento e evolução dos agentes e plataformas financeiras digitais, somado a estímulos a esse processo por meio de regulamentação do Banco Central. Se permite que um maior número de cidadãos tenha acesso a serviços financeiros, ponto positivo, o maior empoderamento aumenta a oportunidade de venda de serviços financeiros por parte desses agentes, com concessão de cartões de crédito e oferta de créditos facilitados.
Sem o constrangimento de ter que entrar em um estabelecimento físico para solicitar um financiamento, as pessoas usam o cartão que lhes empodera para suas despesas comuns, sendo obrigadas a usar o parcelamento do cartão ou rotativo (cujos juros são limitados a 100% do valor da dívida).
No entanto, a partir de uma política monetária desnecessariamente contracionista, com taxas de juros básicas - a SELIC - situada no nivel de 15% por muito tempo - taxa considerada com muito superior à taxa neutra de juros (aquela que não afeta o equilíbrio entre demanda e oferta) os juros para as operações de crédito ou na ponta ganham proporções estratosféricas.
Se a SELIC já indica juros pornográficos - a segunda mais alta taxa acima da inflação em todo o mundo, fica difícil adjetivar as taxas de operações para as camadas de pessoas mais carentes da sociedade. Juros do rotativo do cartão de crédito apresentam variação entre 436 a 451% ao ano. Em relação aos juros do cheque especial, a variação indicada pelo Banco Central alcança de 2,18 a 8,89% ao mês, alcançando o valor acumulado entre 29,5 a 177,8% no ano.
Já o CDC opera com taxas entre 15,52 e 47,18% ao ano.
Por trás dessas taxas, está o peso do Spread bancário, a diferença entre a taxa que a instituição financeira cobra ao cliente tomador do crédito e a taxa que ela paga para aqueles clientes que aplicam seus recursos na instituição. Ou seja, se paga 1,5% ao mês de taxa por um CDB para seu cliente, usa esse recurso para emprestar aos mais necessitados cobrando módicos 15% ao mês.
O Spread é o montante de onde os bancos irão retirar o dinheiro para pagar suas despesas administrativas (pessoal, funcionamento de agências, luz, água, material de escritório, etc.) que representam 25% do spread total. Outros 20% servem para pagamento dos tributos (que os bancos embutem no valor dos juros e transferem para ser pago pela clientela, mais obrigações que lhes servem como seguro, tipo o FGC). Do resto do montante, 20,9% são para pagar pela captação (clientes que aplicam no Banco) E LUCRO.
Dentro do spread está incluído também o valor correspondente às perdas em que o banco incorre, em razão da inadimmplência dos pagadores "caloteiros". Calote, dificuldade de recuperar garantias das operações são alegadas causas de o Brasil ter o 5º maior spread do mundo, em 2024.
Indicadores que nos colocam em lugar de destaque no pódio mundial de que sistema financeiro extrai mais recursos da maioria da população, para transferir recursos para a minoria mais abastada: vice-campeão em taxa básica de juros e 5º lugar em spread.
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Com spread tão elevado, não se admira que os bancos apresentem indicadores de rentabilidade (ROE) em seus balanços, de 17%. Fato que leva o Banco Central a publicar no seu Relatório de Estabilidade Financeira que houve "moderada melhora" de 15 para 17%.
Confesso que não sei se a informação gera comemoração na autoridade responsável por regular o sistema financeiro, que todos sabem ser capturada por quem devia controlar.
Sabe-se que enquanto o ROE no Brasil atinge 17,4, nos Estados Unidos - um país mais pobre? - ele atinge 11,02%. Complementa a informação o fato de 2 dos maiores bancos com ações em Bolsa apresentam rentabilidade acima de 20%.
Ou seja: os bancos ganham muito e a atividade rentista permite alimentar e fazer crescer a participação na renda nacional de 0,1% de privilegiados, para os quais por mais que o governo tente, o Congresso reage e não aprova a cobrança justa de impostos sobre seus ganhos.
No Brasil, de elevada carga tributária, são os mais pobres os que mais pagam, seja embutido nos preços de produtos que são obrigados a consumir - impostos indiretos, seja de forma direta como impostos sobre seu patrimônio, se algum (IPVA, IPTU) ou imposto de renda, em geral de forma antecipada.
Já a parcela mais rica da população, são os menos afetados por impostos diretos - sobre patrimõnio e renda - o que provoca maior desigualdade de renda e inequidade ou justiça fiscal.
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Muitos especialistas apontam que o DESENROLA não ataca a principal causa da situação de inadimplência recorde: a GASTANÇA pública. Acusam o governo de gastar sem controle, de forma demagógica, populista, em especial quando está preocupado em promover um mínimo de redistribuição de renda, transferindo renda para os mais carentes, na tentativa de lhes permitir um mínimo de dignidade de vida.
O raciocínio é que o GASTO PÚBLICO sem limites eleva a demanda agregada, e tem como efeito o aumento de consumo das famílias mais pobres. Somados ambos os gastos, a demanda supera a capacidade de produção da economia e gera inflação. Para controlar a alta dos preços o Banco Central eleva os juros a níveis pornográficos. Aumentam os juros das operações de crédito e a inadimplência, que realimenta o spread em função de expectativas de calote, e os juros. Daí, a inadimplência se torna maior ainda.
Na verdade, é o velho problema do ovo ou da galinha ou do biscoito Tostines (se ele vende mais por ser mais fresquinho ou se é mais fresquinho porque vende mais). O que se sabe é que chegamos à situação conhecida como RISCO MORAL: o tomador de empréstimo aceita pagar juros astronômicos, porque não tem a intenção de pagar. O Banco aceita emprestar por estes juros, por saber que não vai receber.
O que não é dito é que, dado o spread elevado, já nas primeiras parcelas de qualquer crédito o banco já consegue assegurar o retorno de parcela importante e significativa do principal do empréstimo. O que permite reduzir sua perda.
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A tal elevação da Selic para reduzir a inflação é argumento no mínimo falacioso, já que inflação de alimentos provocada por efeitos climáticos (perda de lavouras por chuvas ou seca) não se cura com juros altos e menor demanda. A falta de oferta não tem como ser resolvida e os juros apenas assegura, materialmente, mais oferta para os mais ricos. Aliás, os juros pornográficos é a forma mais perversa de transferir dinheiro dos mais pobres para os mais ricoss. E de ampliar os gastos públicos, dando força aos que acusam o governo de descontrole fiscal (1 trilhão de pagamentos de juros aos mais ricos).
O Banco Central, instituição com pretensão de se tornar completamente independente do governo e da sociedadede (via malfadada PEC 65 que tramita no Senado) revela descaradamente a que interesses presta serviços. E é um dos maiores responsáveis pelo aumento da desigualdade distributiva no país.
No entanto, no mundo neoliberal, individualista, egocêntrico em que a solidariedade é apenas uma lembrança do passado, um quadro pendurado na parede, como diria o poeta, o governo se preocupar em dar um mínimo de melhor qualidade de vida à maioria da população é alvo de críticas. Que, infelizmente, acabam sendo difundidas pela mídia corporativa e empresarial, até levar à própria camada carente a culpar o governo que visa lhe ajudar.
O que se mostra nas pesquisas eleitorais que apontam preferência, neste momento, para candidatos que pregam o fim do aumento real de salários, a ruptura do nível de aposentadorias da política salarial praticada, o fim de SUS e farmácia popular, de educação pública e até a ideia cômica de estimular o trabalho infantil.
O DESENROLA é apenas um paliativo e em pouco tempo o problema estará reposto e novos programas serão necessários. Falta mesmo educação financeira para evitar que os mais pobres estejam submetidos à exploração por parte dos bancos e agentes financeiros.
Mas, antes de mais nada, falta juízo e formação política para uma massa mantida em condições de ignorância, fake news e inverdades de todo tipo.
Afinal, uma massa sem informação e capacidade de interpretação de sua realidade e dos fatos é muito mais fácil de ser tangida.
É isso aí.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A deterioração da Política em Minas Gerais e uma primeira hipótese para a insatisfação com o governo Lula
https://youtu.be/r6EpBuf6bc0
Esquenta, e só dá destaque ao candidato Zema, do Novo e filhote do fascismo tupiniquim, a intervenção abrupta do ministro Gilmar Mendes no episódio da publicação de vídeos criados por Inteligência Artificial e fantoches ironizando ministros do Supremo.
Considerado já o principal cabo eleitoral do ex-governador, ao solicitar a inclusão de Zema no inquérito do “balaio de gatos (ou trem mineiro e suas coisas)”, nascido como inquérito das fake news, o ministro ajuda Zema a sair da obscuridade, tornando-se um nome conhecido nacionalmente.
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Pior é que dá a oportunidade para a postagem de novos vídeos de Zema, com ataques à Suprema Corte, permitindo que ele prossiga com suas ironias e deboches. Ao mesmo tempo, alimenta e dá combustível a colunistas e repórteres de toda a imprensa, com interesses feridos, que acusam o Supremo de praticar atos de intimidação e censura à manifestações satíricas e de humor.
Sentindo-se atingido em sua honra pelo teor das falas do fantoche que o representou, e cuja voz replicava seu modo de falar, competia ao ministro como qualquer cidadão comum, registar um BO e ajuizar uma queixa-crime por calúnia (na hipótese de a sátira fazer referência a comportamento criminoso, como a corrupção passiva) ou por difamação (menção a fato que fere o decoro).
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Ao adotar este comportamento, além de menos exposição a Zema, Gilmar não passaria a imagem de estar se valendo e tirando proveito de sua posição de importância. Mas aqui é que mora o problema: alguns ministros do Supremo têm verdadeira ojeriza a serem considerados pessoas comuns, semideuses que se consideram.
Enquanto isso, o empresário e ex-governador, pode ser considerado um dos piores governantes recentes das Minas Gerais, renunciando ao seu mandato depois de fazer um acordo em relação à dívida da União em razão da lei Kandir, abrindo mão de R$ 65,6 bilhões em troca do pagamento de R$ 8,7 bilhões, até 2037.
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Não bastasse esse exemplo de gestão eficiente, de 2019 a outubro de 2024 Zema deixou de pagar as parcelas da dívida do Estado com a União, por força de liminar obtida pelo governo de seu antecessor Fernando Pimentel junto ao STF. Situação que não o impediu de elevar a dívida do Estado em mais de 75%, fechando o ano de 2025 na casa de mais de R$ 177 bilhões. Apesar de ter contado com os recursos bilionários da indenização paga ao Estado, devido aos desastres ambientais.
Assinale-se que de bobo Zema só tem a imagem do mineirim simplório, desconfiado e matreiro, que cultiva e tenta vender a partir do sotaque que utiliza. Sotaque difícil de se aceitar, para quem, como ele, formou-se em Administração pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com especialização nos Estados Unidos e em Oxford.
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Mas se a política mineira e sua ala fascista tem Zema, tem também o deputado Nikolas Ferreira, contra quem o Conselho Nacional dos Direitos Humanos representou junto ao Ministério Público do Trabalho por calúnia, difamação e injúria, por afirmar que professores exibem vídeos pornográficos em sala de aula, promovendo a erotização por obrigar alunos a se beijarem.
E, na mesma linha, temos a deselegância de Mateus Simões, governador do Estado por pegar carona na chapa de Zema, ao reagir a críticas a um projeto de educação autoritária em lugar de outro, de educação democrática, civíco-militante, proposto por Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto.
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São esses traços autoritários, de inspiração fascista, daqueles que não respeitam a liberdade que afirmam desejar, e não conseguem conviver com visões diferentes de mundo, que têm chamado a atenção neste período pré-eleitoral, muitas vezes com apoio da mídia tradicional.
A grande empresa de comunicação e mídia, ao lado de grandes empresários de outros setores, ao invés de destacar os bons números e estatísticas da economia brasileira preferem destacar o crescimento da dívida, seja a dívida pública da União, seja a dívida de mais de 80% da população, que se manifesta por elevação recorde da inadimplência.
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A incapacidade de honrar suas contas, com a consequente inclusão de seu nome na lista negativa dos órgãos de proteção ao crédito tem sigo apontada como uma das causas da baixa popularidade atribuída a Lula e sua busca de reeleição, nas pesquisas eleitorais. Isso, somada aos gastos feitos nas Bets, por uma população desesperada para obter uma quantia de dinheiro mais fácil.
Como é mais fácil, atribui-se ao governo a responsabilidade pelo endividamento dos cidadãos, e até pelo aumento de gastos de apostas, em razão da aprovação do funcionamento desse tipo de atividade.
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O fato de o Banco Central estar praticando juros reais pornográficos, com a taxa básica superior a 10% ao ano acima da inflação; de a Selic ser o piso para todas as taxas de juros para operações de crédito no país, ou de juros de cartão de crédito alcançarem a taxa criminosa de até 15% ao mês ou 450% ao ano, que as administradoras alegam ser em razão do elevado risco de inadimplência que tais taxas reforçam, acabam alimentando críticas aos gastos do governo, em especial os sociais, considerados
exorbitantes, embora as maiores categorias de despesas incluam o pagamento de juros (mais de 1 trilhão) e os gastos ditos tributários (isenções a empresários) de mais de 500 bilhões de reais.
Fica nítida a razão da crítica aos gastos que privilegiam à maior parcela da população, em detrimento da casta mais privilegiada, a minoria de detentores do dinheiro e poder. Crítica falaciosa de que o aumento dos gastos conduz ao aumento da dívida pública em relação ao PIB, podendo tornar o governo inadimplente.
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Com contas cada vez maiores, consumindo parcela significativa da renda recebida pelos trabalhadores, fruto do sobre-endividamento a juros escorchantes; e cada vez mais bombardeados pela crítica da imprensa que só dá destaque a eventuais e futuros problemas do governo, fica fácil entender como se forma e fermenta o caldo de insatisfação nas camadas que mais atenção receberam do governo.
Essa causa, em minha opinião, dos resultados de pesquisas que indicam a preferência, ao menos neste instante, por políticos que sempre se manifestaram e apoiaram interesses contrários aos mais carentes. E, não satisfeitos, anunciam cortes de benefícios previdenciários e de aumentos salariais acima da inflação; redução de gastos em saúde e educação e privatização ou privataria, se possível, geradoras de polpudas “rachadinhas e comissões”.
É isso aí.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Economia brasileira, percepção popular do governo Lula e a falta dos pitacos, que retornam em breve.
No youtube: https://youtu.be/2V43JhpkwIk
Atônito, confuso com as loucuras do Agente Laranja e seu trágico enredo de Guerra e Paz, cujas consequências para nossa economia tornam-se totalmente imprevisíveis, estou em falta com a publicação dos meus pitacos (tambemquerodarpitaco.blogspot.com).
A confusão é tanta que, por mais que os números da economia brasileira sejam positivos, ainda que em queda, fica difícil falar, sem ser repetitivo, e mais ainda entender a percepção dos resultados do governo Lula, junto à populacao. Complexo buscar as razões por trás dos resultados das pesquisas eleitorais. Mas, nao nos desanimamos.
Vamos em frente e os pitacos retornam em breve.
Enquanto isso, apresento o link de artigo sobre propostas de mudança do Banco Central. Para favorecimento dos de sempre.
https://www.brasil247.com/authors/paulo-cesar-machado-feitosa.
Até
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