terça-feira, 6 de outubro de 2026

Propostas de eventual governo da dinastia bolsonara e a confirmação de que o papel aceita tudo

Parte 1 Parte 2 Hoje sob a forma de esquema. link Youtube 1a parte: https://youtu.be/EReHhqBGyj0 Link Youtube 2a parte: https://youtu.be/EAKvws0_z_w ou Instagram: #paulocmf55 Lei 12.034/2009, chamada lei das eleições exige registro de propostas de governo pelas chapas concorrentes ao Executivo. – Não é Plano. Não obriga o cumprimento. Documento – 76 páginas – com propostas do candidato da dinastia Destaque a 5 áreas: a 1ª Economia, Trabalho e Responsabilidade fiscal. Visão do Estado: atuará como regulador e coordenador, não como empresário. Proposta de Corte ministérios e Tesouraço Perseguir metas de superávit primário e redução da relação dívida/PIB Carga Tributária: Enxugar impostos sobre combustíveis e energia, além de revisar alíquotas do IVA. Privatizações Objetivo: Crescimento de 4% Propostas privilegiam seis pilares: 1-marco regulatório claro e estável - revogaço regulatório, revisão de normas obsoletas e racionalização de procedimentos, com segurança jurídica para investir e crescer simplificar as outorgas de irrigação e acelerar a regularização fundiária e a titulação do pequeno proprietário rural, 2- licenciamento ágil e técnico - Agilidade na concessão de licenciamento ambiental ágil, moderno e com segurança jurídica: grandes obras 3- atração de capital e tecnologia - Atração de investimentos - trabalhar para atrair o capital estrangeiro e a tecnologia que já existem no mundo, aplicando aqui o que outros países já dominam e transferindo esse conhecimento ao Brasil 4- verticalização com incentivos de mercado- estratégia de infraestrutura se apoia na iniciativa privada Investimentos de R$ 900 bilhões em quatro anos em rodovias, hidrovias, portos, aeroportos e ferrovias. Criação dos Corredores Logísticos Inteligentes Ampliação da capacidade de armazenamento das safras, hoje insuficiente para o que o país produz Primeiro emprego – 18 a 24 anos, com menor custo na folha já que o custo de um trabalhador formal chega a cerca de duas vezes o salário que ele leva para casa. contrato mais atrativo para a contratação de pessoas com 50 anos Estímulo ao empreendedorismo: milhões de brasileiros não querem emprego: querem o próprio negócio Escala 6x1: Jornada flexível – defesa do negociado sobre o legislado, ou seja, permitir que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho que funcionam para os dois, dentro da lei 5-governança e transparência - Estado garante segurança jurídica, regras tarifárias estáveis e previsíveis para investir e crescer autonomia aos povos indígenas e quilombolas para decidir sobre atividades produtivas em suas terras Meio Ambiente: zerar desmatamento *** Área da Segurança Pública Combate ao Narcoterrorismo - PCC, CV, milícias as outras facções declaradas organizações narcoterroristas na linha de Trump Sistema prisional de segurança máxima TREVA – 5 novos presídios no modelo adotado por El Salvador e meio milhão de novas vagas no sistema prisional em 4 anos e zerar o déficit carcerário. • 3ª maior população carcerária podendo atingir 1 milhão • Taxa média ocupação 150% • 70% pretos e jovens com até 34 anos • 1/3 presos provisórios, sem condenação definitiva • Quadruplicação de penas para quem furta ou revende celular prisão é punição – não prevenção nem ressocialização redução da maioridade penal para 16 anos chegando a 14 para quem cometer crimes graves, como estupro, tráfico, tortura e assassinato. castração química de criminosos que abusam de mulheres e crianças Inteligência: bloqueio de ativos e desarticulação de esquemas de lavagem de dinheiro Muralha Brasileira ou Smart Brasil *** Armas Excludente de ilicitude em favor de forças policiais Área da Saúde Sus – integração informações para melhorar atendimento Redução de filas – contratação serviços privados ociosos *** Reforma Institucional: STF e reforma política STF – limitação a decisões democráticas Quarentena de 1 ano para ministros ou secretários indicados • Impeachment, sistema de indicação, mandatos, idade ??? Sistema político – fim da reeleição

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Aos vencedores as batatas, análise dos resultados das eleições no 1º turno

link Youtube: https://youtu.be/OsjpqHXBU-k e Instagram: #Paulocmf55 Em Santa Catarina, Esperidião Amin, 2 vezes governador, ex-prefeito, ex-deputado federal, ex-senador, gostemos ou não dele, foi derrotado. Não perdeu para um político jovem, mesmo que de inspiração fascista, saído da praia da Joaquina, do Rosa ou de Camboriú, mais representativo da população do Estado. Perdeu para o carioca Carlixo, que se mudou para o Estado há pouco mais de 9 meses e cuja biografia começa pelo nome de seu pai, menciona passagens pela Câmara de Vereadores do Rio e pela coordenação do Gabinete do ódio e termina pelo nome de seu pai. Sem apresentar qualquer proposta para o Estado que irá representar na Câmara Alta, sua campanha privilegiou sua trajetória familiar, críticas ao STF e defesa de valores conservadores. Jaír Renan, seu irmão, classificado pelo fascista queridinho das redes sociais – Nikolas ou Nikole Ferreira, - como dono de uma capacidade cognitiva menor do que uma "toupeira cega", foi eleito, pelos mesmos “barrigas verdes” para deputado federal. *** No Rio de Janeiro, estado recordista de governadores que depois de experimentarem as delícias do Palácio Guanabara tornam-se hóspedes dos complexos penitenciários de Gericinó, Benfica, Bangú, Douglas Ruas pode ter sido eleito em primeiro turno, a depender da decisão da Justiça sobre a inelegibilidade de Garotinho. Indicado pela familícia que domina aquele Estado, conta com apoio do ex-governador e investigado Cláudio Castro, além dos ex-deputados e réus Rodrigo Bacellar e TH Joias, o que permite fazer uma boa projeção de seu destino. *** Em Minas, um jovem desconhecido que declarou ter entrado na política só para aparecer, cujo sonho original era ser apresentador de televisão ou comentarista de futebol, derrotou o vazio que esteve à frente do governo de Minas por 8 anos. Em sua vitória esmagadora, derrotou um político de estatura moral e capacidade de gestão reconhecidos até mesmo por seus adversários políticos. Na Bahia, os eleitos fazem parte do grupo do PT e de Jaques Wagner, que comanda o Estado há 20 anos, e cujas relações próximas com o gangster Daniel Vorcaro e seu Banco Master precisam ser investigados. *** Como devem ser investigados todos os ministros do Supremo, mencionados nos vazamentos das investigações da Polícia Federal, independentemente da ideologia em que acreditem. Sem esquecer que deve haver algum tipo de punição, de censura, suspensão ou afastamento aos Ministros que, como a mulher de César, deviam ser e parecer honestas. *** Quanto a Tariflávio Bolsomaster, a quem o povo brasileiro proporcionou a maioria de votos no primeiro turno, é pouco provável que repisar, reforçar as cobranças e exigir explicações para pequenos desvios de dinheiro público – as rachadinhas – valor considerado por alguns como inexpressivo; de explicação de sua fantástica fábrica de lavagem de dinheiro usando a gordura dos chocolates; de como conseguiu adquirir 52 imóveis com dinheiro em espécie ou uma mansão de 6 milhões de reais, valor muito superior a suas posses lícitas; de suas ligações afetivas ou afetuosas com as meninas do Vorcaro nas surubas de que fez parte, e com o próprio irmão ou mermão Vorcaro a quem solicitou (ou cobrou?) uma ajuda meros 134 milhões de reais. Aliás, já passou da hora de Tariflávio explicar se eram 134 ou 61 milhões ou isso mais 8 milhões, já que um centavo faz diferença nas partidas dobradas. Isso sem falar nas viagens e uso de jatinhos e aviões, etc. A esse respeito, mais que a demonstração de que o povo brasileiro dá sinais de estar doente, envolvido em distopia da qual é incapaz de se libertar, talvez deva ser aplicada a alegoria descrita no mito da caverna de Platão, em relação aos que não tiveram a oportunidade de sair das sombras para a claridade exterior. *** Tudo isso para não falar das promessas e juras eternas de devoção a Trump, à bandeira americana e ao Tio Sam feitas por Tariflávio, quem sabe sob inspiração do grande Raul Seixas, e sua proposta genial: “a solução é alugar o Brasil”. O que não é difícil de entender, já que o Rachadinha Bolsomaster não tem experiência alguma em comandar, dirigir, fazer nada, nem trabalhar. *** A situação que estamos vivendo de riscos para o país e sua soberania, para o povo de maneira geral não é, em minha opinião, culpa de Lula, seu isolamento, sua teimosia, o seu desgaste, ou o desgaste de material de 3 mandatos, ou de erros de sua campanha. Maior responsabilidade tem a mídia, a grande imprensa venal, curvada à Faria Lima e aos interesses dos poderosos dos mercados financeiros que são, também os seus interesses. Incapazes de serem minimamente honestos em demonstrar os pontos positivos da macroeconomia de Lula, das taxas de crescimento do PIB, da redução da inflação, da redução do nível de desemprego, da redução e saída do país do mapa da fome. Ou pontos positivos como o Pé de Meia, os ganhos reais do Salário Mínimo, a correção dos Benefícios Sociais. Para a grande mídia e seus interesses, melhor era, como se viu, ficar alardeando a evolução da Dívida Pública, e de seu indicador, fruto de uma divisão entre Dívida e PIB. Ora, se o PIB, cai em razão de juros pornográficos cobrados pelos mercados e pela estridência insana que a imprensa alimenta, o indicador vai subir e realimentar o terror já difundido. Enquanto isso, os juros sobem e os rentistas aumentam seus ganhos e sua fortuna. De mãos dadas com os poderosos vencedores do mercado, que se beneficiam e se apropriam desses juros, a grande imprensa culpa a “gastança desenfreada” patrocinada pelo governo, por eventual inflação refletida nos preços de alimentos. E culpa o governo e os juros pelo endividamento excessivo das famílias. *** Nesse papel abjeto e criminoso, a imprensa não explica ou informa à população de como o genocídio de Israel na Palestina, as guerras entre Rússia e Ucrânia (alimentada por venda de armamentos americanos e europeus) ou de Israel e Estados Unidos contra o Irã, encarecem os preços de insumos e fertilizantes, combustíveis, encarecendo o preço de alimentos e gerando inflação em todos os países do mundo. Como também não aborda a crise climática causada pela destruição de nossas matas e florestas e que provocam a alta dos preços de alimentos, silenciando-se em favor dos grupos negacionistas ou apenas para não desagradar os interesses do poderoso agronegócio. Ao não explicar que os alimentos mais caros não são responsabilidade do governo e permitindo que a população acuse o governo de plantão por todos esses males, a grande imprensa ajuda a derrotar um governo cujo primeiro objetivo era a melhoria das condições de vida da população, abrindo espaço para eventual vitória dos interesses que irão causar a destruição de nosso meio ambiente e das conquistas civilizatórias iniciadas, que miram o desenvolvimento sustentado e inclusivo.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

Desemprego e desesperança: promessas cumpridas em parte e apostas em fabricante de mentiras

Youtube: https://youtu.be/HHFK7JksfP0 e Instagram: @paulocmf55 Este pitaco já repetiu à exaustão lições ensinadas por Keynes, sobre o funcionamento do sistema capitalista, a lógica do comportamento do empresário guiado pelo objetivo de gerar produtos para vender com lucro e o desemprego. Para Keynes, o funcionamento do sistema depende de decisões de gastos que os empresários tomam no dia de hoje e cujos resultados se darão no futuro. Ou seja, as decisões empresariais baseiam-se em palpites ou expectativas a respeito do futuro. Expectativas que podem ser otimistas ou pessimistas. De longo ou de curto prazo. Acreditando que pode vender com lucro, o empresário pode achar que vale a pena usar dinheiro, seu ou de terceiros, para construir uma estrutura (prédios, galpões ou lojas; máquinas, equipamentos e ferramentas) que vai funcionar para criar produtos que serão vendidos a preços mais altos do que seu custo. Essa é a decisão de gasto em INVESTIMENTO, cujo prazo para estar pronta é mais longo e exige que o otimismo do empresário se estenda por um período maior de anos. *** Pronta a fábrica, o empresário deve tomar outra decisão que não é automática - tipo “já que está pronta, vamos funcionar”. Ao contrário, a decisão é se vale a pena pôr a fábrica para produzir? E a explicação para a dúvida é que as condições no ambiente e nas crenças do empresário podem ter mudado do momento entre sua decisão de investir e a de produzir. Desde logo, a decisão de produzir é de curto prazo por levar muito menos tempo para dar resultados. Mas se as expectativas mudaram e o empresário está pessimista quanto a achar pessoas interessadas em comprar sua mercadoria, pode não querer produzir. Importa lembrar que para produzir, o empresário deve fazer gastos com a compra de matérias primas, uso de insumos (energia, água, etc.) e contratação de mão de obra. Ou seja, ele sabe com precisão quanto vai ter de custos. E se tiver o palpite de que não irá vender ou não irá vender toda a quantidade gerada, não terá receita para cobrir os custos e ter lucros. Por isso, pode não querer produzir muito ou pouco. E, neste caso, pode dispensar parte de seus empregados. *** O que podemos concluir desse raciocínio? Que o empresário toma decisões para o futuro incerto e não sabido e que ele não tem como adivinhar se vão dar certo; que as decisões são de longo e curto prazo (essas dependendo das outras terem sido tomadas antes); que a decisão de investir é dele, e não do governo!; que ele é quem decide se vale a pena produzir para vender com lucro; que sua decisão depende de haver consumidores dispostos e com grana para comprar seus produtos, na quantidade que ele produziu. Que o empresário é que, com base em palpites decide se vai contratar ou não trabalhadores ou gerar emprego (e não o governo!!). Que papel resta ao governo em uma economia capitalista? Primeiro, criar um ambiente de astral elevado, que leve o empresário a alimentar expectativas otimistas. Segundo, no caso de os consumidores não terem condições financeiras de comprarem a produção, ele poderá criar mecanismos para criar capacidade de compra para os consumidores – via bolsa família, renda assistencial, benefícios sociais e condições de crédito mais favorecidas. Terceiro, pode ele mesmo decidir comprar os bens produzidos, seja gastando em infraestrutura – que reduzem os custos da produção e comercialização para os empresários -, em investimentos na criação ou ampliação de atividades estatais que, para serem instaladas e funcionar, irão comprar máquinas, equipamentos, ferramentas, aço, cimento, asfalto e uma série de produtos na mão dos empresários privados. Quarto, que pode e deve investir na melhora da saúde e educação e qualificação dos trabalhadores, aumentando a capacidade de cada um produzir mais e melhor, ou com maior produtividade. *** Em função de inovações tecnológicas e de nosso atraso em relação à educação da nossa população, é comum ver empresários frustrados por desejarem contratar trabalhadores sem a qualificação exigida para poderem produzir com eficiência. Ou seja, vemos mais pessoas desempregadas e sem renda até mesmo para sobreviver. O que fazer? Reconhecendo tal situação, economistas de diferentes correntes pregam o pagamento de rendas assistenciais pelo governo, financiadas por impostos pago, especialmente pelas pessoas de maior renda e maior patrimônio. Aqui no Brasil, os que menos pagam impostos e se aproveitam de nosso sistema de tributação iníquo e desigual. Não admitir que todos nós temos uma obrigação moral com esses desempregados, que irão engrossar as fileiras de desalentados no futuro, e cobrar deles mais esforços, mais proatividade, menos vagabundagem é sinal apenas da distorção cognitiva que a incapacidade de olhar para além do umbigo produz. *** E aí chegamos a questões importantes de serem consideradas, do porquê de tanta gente tentando a sorte em jogatina e apostas, se endividando e perdendo o pouco que têm, em especial a própria dignidade. Porque tanta gente se tomado pela ilusão de melhorar de vida via o empreendedorismo – que os meios de comunicação apresentam como a solução para o indivíduo acreditar que sua renda e independência financeira dependem apenas de seu esforço próprio e continuado. O microempresário ou o trabalhador de plataformas digitais, tragado pela engrenagem e a falsa crença de que basta lutar cada vez mais para melhorar suas condições de vida acaba não percebendo que seu corre apenas serve para aumentar o grau de exploração a que ele está sujeito e que suga dele a vida e até a alma. *** Acreditando na miragem de que alguns deles poderão se tornar o influencer de maior número de visualizações e monetização nas redes, assim como milhares de crianças insistem em alimentar o sonho de que poderão se tornar o Pelé ou a Marta do futuro, eles estão mais próximos do fracasso como seres humanos, e se tornarem trabalhadores, sem qualificação, sujeitos a um nível de exploração ainda mais selvagem, na engrenagem “de abate” a que estão submetidos. O que os leva a cultivar um ódio, não imediatamente em relação a eles mesmos, mas daqueles ao seu lado, minimamente em melhor situação de vida, tão explorados quanto. É isso que permite que conversas para encantar serpentes ou para boi dormir os atraiam quando do período eleitoral e de campanhas: promessas de que irão mais ter que depender do Estado, já que irão ter apoio para virarem microempresários; ou de que não terão tantos impostos a pagar (e nem os frutos dos programas de assistência que têm, financiados por tais impostos). *** Por tudo isso acreditam e culpam o governo atual, que falhou em não lhes dar a picanha prometida em um momento infeliz de empolgação infundada. O governo não lhes permitiu comprar a picanha, que subiu em ritmo menos elevado que antes, mas não lhes ofereceu lugar na fila do osso, nem lhes deu o osso que o governo anterior lhes deu junto com uma autêntica banana, não a fruta. Mas o governo que muitos criticam nem é formado por pessoas relacionadas ou amigas de milicianos, nem por quem, devendo explicar os milhões de banqueiro que prejudicou aposentados do INSS e fundos de previdência de servidores estaduais, prefere manter a lição transmitida por Goebbels: “uma mentira dita mil vezes torna-se verdade.” Lula falhou ao criar uma ilusão, cujo resultado não conseguiu entregar em sua plenitude. Mas, se falhou foi por ter permitido que as pessoas acreditassem nos sonhos que cultivaram. E esse é o primeiro passo para um ambiente econômico alto astral. Já seu oponente principal é um poço de mentiras e falácias e entregas despudoradas do que nós brasileiros temos de melhor, para a expropriação de outros, estrangeiros ou milicianos de sua espécie.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Com quantos números se faz uma "canoa"? Matemática, eleições e promessas de tudo certo, como 2 e 2=5

Youtube: https://youtu.be/SatVo9eceAM ou Instagram: #paulocmf55 Em 1974 Roberto Carlos queria ter um milhão de amigos. Daniel Vorcaro preferiu comprá-los. Tenho 134 milhões de motivos para não votar em Tariflávio Bolsomaster. Um deles, a desfaçatez. Tradução para cara de pau, no popular. (tá no Google!). Sua “risadinha” (gargalhada forçada) em resposta à pergunta direta feita pela repórter do Intercept sobre os aúdios enviados a Vorcaro, cobrando parcela do pagamento de 24 milhões de dólares (134 milhões em reais) entra, vai ficar marcada para sempre na memória popular. Para alguns eleitores, seu deboche revela bom humor. Para mim, muito mais que mera indicação, vale o prêmio ‘hors concours’ de ator da Framboesa de Ouro. *** Neste pitaco, nem vou repetir suas ligações perigosas com Queiroz das rachadinhas e os funcionários de seu gabinete na Assembleia do Rio; com o ex-policial Adriano da Nóbrega, a quem Flávio prestou a maior homenagem carioca, uma medalha entregue ao homenageado na prisão; com a mãe e esposa de Adriano, funcionárias fantasmas de seu gabinete, onde ficaram até 2018; sua ligação com os irmãos Brazão ou com seu assessor, o Peixe, intermediário de emendas do senador para a ONG dos irmãos mandantes da morte de Marielle. Eleitores orgulhosos de não votarem em bandidos insistem em que tudo isso é armação, fake, mesmo que tudo documentado. Tudo não! Não foram encontrados os 114 boletos de sua responsabilidade (261 mil), que Queiroz pagou em dinheiro. E ninguém explicou até agora o por quê dos 89 mil de Queiroz para a pura e devotíssima Michelle. *** Recordar que sua Bravo Grafeno de capacetes dividem a mesma sala com 16 empresas ligadas ao “Careca do INSS”, compartilhando contabilidade e outras funcionalidades é forçar a barra. Tanto quanto cobrar explicações de seu patrimônio imobiliário, todo comprado em dinheiro vivo. Não há motivos para listar pequenos “deslizes” do candidato hipócrita, nem procurar provas. A maior preocupação com sua folha corrida é célebre, expressa em uma frase transmitida pelas TVs, dita por seu pai: “Eu não vou esperar fuder (sic) a minha família toda, de sacanagem, ou amigo meu, porque eu não posso trocar alguém da Segurança na ponta da linha que pertence a estrutura nossa. Vai trocar! (sic) (Reunião ministerial de 22 de abril de 2020). Não há como não reconhecer a manifestação de medo do pai, que não existiria se não conhecesse o caráter dos seus. A única defesa que restaria ao seu filho seria o bordão usado pelo personagem famoso: ‘sou mas, quem não é?’ *** Em eventos de campanha e em sua propaganda eleitoral, o descaramento do candidato chega ao cúmulo de exigir que o ministro do STF, a quem culpa pela prisão de seu pai, apresente explicações que ele mesmo se esqueceu de dar ao público, como prometeu. Situação que revela uma curiosa semelhança de comportamento do ministro envolvido nas tramoias de Vorcaro tanto quanto ele próprio, o candidato. Inclusive pelos 130 milhões de dinheiros envolvidos. Mas não só: também pelo uso de aviões e jatinhos, pelo que tem sido revelado pelas investigações que a PF faz com a liberdade que seu pai não admitia. Estranho também é poupar outros ministros que mantiveram relações espúrias ou exóticas com Vorcaro, em número que atinge ao menos outros 4, a que se soma o próprio PGR, ou congressistas de sua estreita relação, ex-ministros do desgoverno de seu pai. *** Em outras demonstrações de autêntico cinismo ou desespero, faz várias críticas à política econômica do governo Lula, da inflação acima da meta, até a política de juros pornográficos destinada a combater a inflação, de acordo com as verdades absolutas em que acredita a coordenadora de seu plano econômico, Daniella Marques. Para a assessora, a causa da inflação é o desequilíbrio fiscal do governo, fruto da gastança desenfreada, nome dado aos gastos em benefício das classes menos favorecidas. Com o governo estimulando a elevação da demanda, não resta outra saída senão elevar os juros, que estrangulam o país e a população superendividada, e provocam a queda do consumo das famílias, com carrinhos vazios e também as panelas. Mas o candidato procura provocar emoção, mostrando lojas comerciais que encerraram as atividades, inclusive lojas de grande porte e muitos anos de vida. Tudo para jogar a culpa sobre o governo Lula, tanto das dificuldades de empresas vítimas de fraudes, má gestão, e até brigas de sócios, como pelo fenômeno, cada vez mais frequente, das compras pela internet, que dispensam a ida às lojas. *** A propaganda traz vídeos de 2021, época do governo de seu pai e da pandemia, com pessoas famintas revirando caminhões de lixo, para acusar o superendividamento provocado pela política de Lula, o que é imoral. A fila do osso, tanto quanto o retorno do país ao mapa da fome foram conquistas do governo de seu pai, que se gabava de ter isentado o IPVA de jet-ski. Afinal, a definição e escolha de políticas públicas e seus beneficiários é a mais importante função fundamental do governante. Entrar no supermercado para ilustrar o fenômeno da reduflação (encolhimento das embalagens de produtos e seu conteúdo, mantendo o mesmo preço, forma indireta de “aumentar” o preço de cada unidade), e querer culpar o governo é outra falácia do candidato, que defende a ideia de mais liberdade para os negócios. Porque a decisão de reduzir a quantidade vendida, para enganar a população não é do governo, mas da empresa privada. Exigir do governo a adoção de medidas para evitar essa prática seria ir contra a liberdade de mercado. *** Pior é o candidato e seus cúmplices mostrarem total subserviência aos Estados Unidos, se comprometendo a entregar todas as nossas riquezas e até mesmo a capacidade de defesa da íntegra de nosso território e de nossa segurança interna para interesses alheios aos nossos objetivos de manutenção da democracia, autonomia e independência, e da construção de uma sociedade mais desenvolvida, solidária e inclusiva, com mais justiça social. Tariflávio é contra o povo: contra a redução da jornada 6X1, contra o aumento do salário mínimo acima da inflação, a favor de cortes de benefícios sociais. Ele faz coro com menos de 0,01 % de nossa população que o apoia e para que ele vai governar, o que inclui os banqueiros como seu Big Brother, Vorcaro. *** A imprensa e candidato sem escrúpulos criticam Lula por ter feito a correção do valor do Bolsa Família, conforme determinação legal, e apenas nos limites legais. Confesso que não vi ninguém cobrar de Lula o respeito à lei e a correção ali determinada a partir de 2023. Ou seja, todos só se lembram de criticar as corretas decisões, falsamente classificadas de “medidas eleitoreiras”, por se destinarem aos mais pobres.

quinta-feira, 17 de setembro de 2026

Propostas eleitorais e o gosto de poder

link Youtube: https://youtu.be/dKe0n8Ie1IQ e Instagram: #paulocmf55. Vários candidatos, ao governo do Estado e ao Senado, têm apresentado propostas de grande impacto em seu programa eleitoral, especialmente pelo caráter de radicalização que contêm, e da capacidade de agradar aos eleitores submetidos a violências de toda espécie: do tipo social; de tratamento desigual e falta de oportunidades; do não reconhecimento de seus direitos; do descaso com que são tratados pela sociedade e os grupos no poder - o tratamento recebido do policial, do profissional da saúde, dos meios de transporte e dos prestadores de serviços públicos; pela violência da fome e da miséria a que se juntam a violência urbana de grupos de criminosos e organizações criminosas. Tratados sem a dignidade de um ser humano, a revolta leva cidadãos a agirem de forma próxima à barbárie, da justiça pelas próprias mãos e da lei do olho por olho e dente por dente. *** Várias das promessas dos candidatos, além de atrair a atenção, não passam de venda de ilusões e promessas para caírem no esquecimento, com o candidato ciente de que não poderá cumpri-las. A menos que fosse intenção dos candidatos, se eleitos, rasgar a Constituição Federal de 1988 e suas emendas, o que teria o significado de aplicação de um golpe: a imposição de um governo não mais regido pelo império das leis, mas da vontade dos grupos mais fortes, mais armados ou mais ricos e poderosos. Uma ditadura, com suas consequências nefastas de arbítrio e terror. Para servir de alerta contra os vendedores de ilusão ou os golpistas mal-intencionados este pitaco irá trazer algumas informações e comentários sobre candidatos ao governo do Estado e ao Senado. *** Advogado especialista em Direito do Consumidor, criador do programa Ronda do Consumidor para redes sociais, Benoni Benjamim Cardoso Mendes, Ben Mendes, é o candidato ao governo de Minas pelo Missão, de Renan Santos, a que se filiou em 2019. Define-se como de direita, não bolsonarista e favorável ao Estado mínimo, à redução da carga tributária, à privatização da Copasa, e à exploração e processamento das terras raras em território mineiro. *** Propõe a criação do programa habitacional Casa que Educa, que inova ao condicionar o acesso à moradia popular ao desempenho e à frequência escolar dos filhos das famílias beneficiadas, em geral pobres e com adultos sem instrução, analfabetos, sem a qualificação necessária para orientarem a vida escolar dos filhos. Justifica a exigência bizarra, comparando sua proposta ao Bolsa Família que, como contrapartida para evitar que as famílias beneficiárias percam o benefício, exige que mantenham a frequência escolar mínima de 60% para crianças de 4 e 5 anos e 75% para beneficiários de 6 a 18 anos incompletos. FREQUÊNCIA E NÃO DESEMPENHO. Na segurança pública, apesar de advogado, defende política de "alta eficácia na letalidade" policial, um eufemismo para a pena de morte. Prega, pois, abertamente contra o art. 5º, dos direitos e garantias individuais: incisos XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; e b) de caráter perpétuo; e LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória; *** Candidato ao Senado, Marcelo Aro - Marcelo Guilherme de Aro Ferreira – é advogado e apresenta-se apenas com o sobrenome de sua mãe. Assim, omite tanto o nome de seu pai quanto seu parentesco com a dinastia Ferreira, que comanda a Federação Mineira de Futebol desde 1966, acusada de nepotismo e prática de caixa dois. Candidato ao Senado pelo Progressistas – PP, apresenta-se como quem nunca teve medo de se posicionar sobre aquilo em que acredita. Desta forma e com foco prioritário na Segurança Pública, pretende apresentar um projeto de lei que permita a castração química dos condenados por estupro de mulheres e crianças. Defende também a redução da maioridade penal para 16 anos e o endurecimento das penas para crimes graves. Por mais justa que a proposta de castração pareça ser, atendendo a desejos de punição e vingança de grande parte da população, não respeita uma sociedade que deseja viver em paz e harmonia, cumprindo regras, amplamente conhecidas, que mantenham o espírito de boa convivência em uma ordem social justa. Não em uma sociedade que transforma em criminosos os responsáveis pela aplicação das penas aos criminosos originais Sua proposta anula o inciso XLVII do Art. 5º da Constituição, que afirma que: não haverá penas: b) de caráter perpétuo; e) cruéis. *** Outro candidato ao Senado, é o médico veterinário Domingos Sávio, pelo Partido Liberal – PL, a que se filiou em 2022. Filiado antes ao PSDB, ocupou os cargos de vereador e prefeito de Divinópolis, deputado estadual e federal por vários mandatos. Sua carreira política nasce de sua atuação e liderança junto ao movimento cooperativista, patronal e ruralista, tendo sido presidente de cooperativas rurais e agropecuárias de sua região. Em 2013, deputado federal pelo PSDB, foi autor da proposta que anulou a sessão do Congresso que depôs o presidente João Goulart. Sua carreira retoma o caráter elitista inicial a partir do golpe de 2014, tendo sempre votado contra as pautas populares e a favor de: o impeachment de Dilma; o Teto de Gastos Públicos; a Reforma Trabalhista; a PEC dos precatórios; a autonomia do Banco Central; a reforma da previdência; as privatizações; a prorrogação de benefícios fiscais a igrejas. Por outro lado, votou contra o pedido de abertura de investigação de Temer e o afrouxamento das regras de previdência para professores, apesar de ter sido a favor de igual alteração para policiais. *** É autor de PEC que permite ao Congresso derrubar decisões do STF “que extrapolem os limites constitucionais.” Proposta inconstitucional e inconsistente. Inconstitucional, por afrontar o Art. 2º da Constituição - que estabelece que – “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário” e também o art. 60 que, ao tratar das emendas à Constituição, determina em seu § 4º “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: “…III - a separação dos Poderes.” Inconsistente, já que os limites a serem extrapolados deverão ser definidos pelo intérprete e guardião da Constituição, o próprio Supremo. Mais recentemente, assumindo-se bolsonarista raiz, apresenta comportamento contraditório típico daqueles extremistas, ameaçando ministros do Supremo com apresentação de pedidos de impeachment por supostas relações indevidas e promíscuas com o banqueiro criminoso Vorcaro. Entretanto, não cobra explicações nem critica o comportamento do candidato a que apoia, usando dois pesos e duas medidas, para fatos de mesma natureza e gravidade. *** Dois comentários adicionais, relativos ao candidato a governador Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho, portador de diploma do ensino médio e Senador da República, líder das pesquisas eleitorais e favorito ao governo mineiro pelo Republicanos, resultado de seu imenso sucesso como influenciador digital nas redes sociais. A base de sua popularidade é a adoção de um comportamento cínico e sua disposição de manter atitudes típicas de mentiroso compulsivo, capaz de apresentar-se como um cidadão comum, avesso à política institucional e aos políticos tradicionais, embora há mais de 10 anos, como político, faça parte do sistema a que diz não pertencer. Traço mais grave de seu comportamento mitômano: age para criar e espalhar mentiras, ativando um Ecossistema de Desinformação para a difusão de inverdades, do medo e insegurança entre seus seguidores, alimentando o surgimento de “deepfakes” e provocando insatisfação com o governo a que se opõe. Exemplo desta atitude foi o vídeo em que alterou e ampliou mensagem que tratava de procedimento de fiscalização da Receita Federal, para criar uma narrativa falsa a respeito de taxação do PIX. (ver Jaqueline Morelo - “Cleitinho: quando a indignação seletiva vira cinismo em outraspalavras.net) *** Outro candidato ao Senado, pelo PSDB, o golpista Aécio dispensa apresentação. Governador de Minas, Deputado, Senador, foi candidato à presidência em 2014 a partir de quando, inconformado com a derrota para a presidenta Dilma e liderando a oposição, passa a atuar em rota aberta de colisão com o governo, apresentando e aprovando projetos de lei de aumento de gastos públicos visando a agravar a situação fiscal já crítica do governo Dilma, as chamadas pautas-bomba. Rancoroso, declarou várias vezes a incapacidade de Dilma de governar o país, além de fazer ameças de que ela não concluiria seu mandato, comportamento que o colocou na posição de mentor e principal artífice do golpe de impeachment da presidenta Dilma. Posteriormente, durante o governo ilegítimo e usurpador e de Temer (ex-vice de Dilma), viu-se envolvido em denúncias de escândalos de corrupção, pedidos de quantias de dinheiro de até 2 milhões de reais e da entrega de malas, de que participou seu primo, alvo de brincadeira de extremo mau gosto que justificava ter sido escolhido como intermediário por “ser um que a gente mata ele antes de fazer delação". *** É isso aí.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

A Fragilidade do Supremo é a fraqueza do Estado de Direito, abre portas para a afronta à Constituição, convite para o golpe

https://youtu.be/HoXv-jnR82M ou no Instagram: #paulocmf55. Estreou nas salas de cinema do país, em julho, o filme ‘A Odisseia’, dirigido por Christopher Nolan, com promessa da Universal Pictures, de seu lançamento nas plataformas digitais a partir de 17 de novembro. Baseado no poema épico de mesmo nome de Homero, o filme narra a viagem de regresso do rei de Ítaca para sua casa e os braços de sua esposa Penélope, após sua vitória na guerra de Troia. Viagem mítica, recheada de perigos e ameaças narradas de forma a destacar o caráter heroico de Odisseu, em grego. Ulisses em latim. *** Curiosamente, o mesmo nome de Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e reverenciado por colegas como o Pai da Constituição Cidadã, promulgada em seção solene do Congresso Nacional de 5 de outubro de 1988. No discurso histórico proferido na data, dada a complexidade do processo de discussão e elaboração da Lei Maior a guiar interesses dispersos e variados das classes sociais do país, reconheceu que “A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma”. Assim, destacava a inclusão, no Artigo 3º do Ato das Disposições Transitórias, de mecanismo que fixava um prazo de cinco anos para a realização de uma ampla revisão que pudesse alterar pontos do texto que exigissem melhorias. *** Evidenciando o caráter cidadão atribuído à Constituição, elaborada para reger as relações sociais e reconhecer os direitos mais amplos de pessoas comuns, em um país mal acostumado a privilegiar a uma elite, antes da revisão prevista, passados cinco anos, 4 emendas constitucionais ordinárias haviam alterado o texto original. Número que atinge um total de 138 emendas ordinárias até hoje, que revela o caráter instável de se legislar para as massas, contra interesses mais poderosos. *** Dada a situação de crise institucional experimentada pela mais alta instância do Poder Judiciário e o potencial corrosivo que atinge a imagem e a respeitabilidade da Suprema Corte junto ao conjunto dos cidadãos, respingando na própria noção de aplicação da justiça e do direito, e o processo eleitoral dominado por profunda polarização, a lembrança de trechos do discurso de Ulysses merece ser resgatada. Isso porque, uma sociedade que deixa de acreditar e confiar na vigência e aplicação das leis está condenada ao estágio da barbárie civilizatório, fruto da implosão do próprio Estado de Direito. *** Pior é que, como tratamos em nosso último pitaco, há um candidato à Presidência da República, infelizmente com chances reais de vitória, que já prometeu descumprir o artigo 5º, incisos XLIII - que considera “crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura … o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores …” – e XLIV que diz que constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático. Já tendo se comprometido em perdoar ou conceder a anistia ao seu pai, golpista condenado e preso, e com o Supremo enfraquecido e sem apoio popular, ganha força a hipótese de haver o interesse de o candidato, se eleito, praticar o ato de fechamento do STF, e até do Congresso, se este não for cúmplice da ação autoritária. *** Como disse Ulysses em seu discurso a respeito do texto da Constituição: “ Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la nunca.” E prosseguiu: “Conhecemos o caminho maldito. Rasgaram a Constituição, trancaram as portas do Parlamento. Calotearam a liberdade, mandaram os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.” Razão porque pode bradar em alto e bom som: “Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo”. Contudo, é a essa situação autoritária que o resultado das eleições pode nos trazer. Independente da afirmação por demais óbvia, de que “Traidor da Constituição é traidor da Pátria." *** Fechada a Corte Suprema, fechado o Congresso altivo ou sob a condição de um silêncio cúmplice e bajulador, a quem mais Tariflávio Rachamaster, iria conceder perdão, além dos generais de pijama articuladores do golpe fracassado com seu pai? Ao seu irmão chapeiro de hamburguer, o patriota que beija a bandeira americana, depois de candidamente solicitar a intervenção direta daquele país imperialista no nosso? Aos amigos do chapeiro, que pregam a entrega de nossas reservas de terras raras e minerais críticos, se contar nossa maior riqueza, nosso complexo aquífero, aos interesses de um país que se desenvolveu e se manteve forte, pela expropriação/exploração dos povos ditos amigos? Que resultados isso nos traria, senão o desemprego e empobrecimento de nosso país? *** Na mesma linha, nada impede a Rachamaster, conceder o perdão a seu irmão Daniel Vorsolnaro a quem deve tanto favor. E libertar os irmãos Brazão, Chiquinho e Domingos, mandantes da morte de Marielle, aos quais enviou 199 milhões de reais em emendas no ano de 2023? E o deputado TH Joias ou Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio e candidato a governador, com apoio explícito dos Bolsonaros, ambos réus por obstrução de investigação por vínculos com os grupos que o candidato promete classificar e combater pesadamente, como organizações narcoterroristas? *** Devo me desculpar por sentir, no dia de hoje, com certa melancolia, saudades do nosso político, o Ulysses brasileiro. E poderia até chegar ao limite de falar, como já ouvi amigos fazerem, de que não se fazem ou não existem mais políticos como antigamente. O que é uma inverdade. Como em todos os tempos, sempre existiram políticos bons e canalhas. A mim me parece que não se faz mais, é um povo com eleitores de caráter altivo, orgulhoso, nacionalista e consciente. Uma população incapaz de votar nos políticos decentes que ainda continuam resistindo, para optar para escolher os canalhas, com discurso falso e hipócrita. Traidores da Constituição e da Pátria. É isso.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Semana conturbada na esfera política e no campo da política econômico, enquanto as eleições se aproximam com anúncio de possível golpe

Youtube: https://youtu.be/jEO24efUWD4 ou Instagram:#paulocmf55 Atravessamos um período de extrema gravidade, fruto da inédita crise institucional deslanchada a partir da decretação da liquidação do Banco Master, da prisão de Daniel Vorcaro, seu proprietário, e das investigações a que estas ações deram origem. Não à toa, sem tempo suficiente para avaliar os impactos da decisão da Autoridade Monetária, e vindo ao conhecimento público rumores da existência da prática de um sem número de eventuais crimes financeiros praticados pelo gangster banqueiro, envolvendo instituições como fundos de pensão de funcionários públicos e autoridades detentoras de cargos políticos e públicos, era possível antecipar o poder de aniquilação embutido no aparato de destruição criado por Vorcaro, capaz de implodir a República. *** É verdade que já haviam surgido antes, e ocasionalmente, indícios de comportamentos atípicos, senão criminosos, alimentando comentários discretos, limitados a ambientes financeiros e relacionados à surpreendente desenvoltura do dono e à evolução expressiva de seu Banco. Igualmente, sempre causou curiosidade e estranheza a onipresença do Banco e de seu dirigente no fornecimento de patrocínio a eventos com objetivos, áreas de atuação e a presença de personalidades tão díspares e em números cada vez mais elásticos, tanto em território nacional quanto no exterior. *** Razão para desencadear uma onda de destruição avassaladora, capaz de levar de roldão a imagem e o respeito de instituições aparentemente sérias, além de reputações pessoais e profissionais, se existentes, de alguns de seus membros. Motivo para que algumas dessas instituições, como nossa Corte Suprema, iniciarem um processo de depuração ou expurgação – embora parcial e seletivo-, promessa de uma semana das mais conturbadas dos últimos tempos em nosso país. *** Na esfera financeira, a semana abriga uma Superquarta: data em que tanto o FED define a taxa básica de juros para os Estados Unidos, quanto o Copom decide, no Brasil, os rumos da política monetária e a fixação da taxa de juros, a SELIC. Dada a expectativa de alta dos juros americanos, em resposta ao aumento dos preços no país do agente laranja da devastação há, da parte de nossos analistas financeiros, a firme expectativa de o Copom manter a taxa de 14% ao ano, hoje em vigor. Esta decisão evitaria possível fuga de capitais do Brasil, atraídos pela maior remuneração oferecida pelo país do norte, ou em busca de proteção face ao risco atrelado ao resultado de nosso processo eleitoral. Qualquer que fosse a causa, a saída de capitais poderia ter impactos no câmbio, valorizando o dólar e realimentando um processo de elevação interna de preços. *** A propósito da covardia ou inércia do COPOM ou de sua submissão aos interesses do mercado financeiro, recomendo o excelente artigo do professor José Luis Oreiro, “Entre a paralisia do COPOM e a necessidade de crescimento” (https://joseluisoreiro.substack.com/p/entre-a-paralisia-do-copom-e-a-necessidade?utm_source=share&utm_medium=android&r=8gsv3q). O artigo mostra o prejuízo para a economia brasileira, as decisões de investimento indispensáveis para o país crescer, a elevação do PIB e a queda do endividamento público, medido pelo indicador Dívida Bruta/Pib, se o Copom assumir um comportamento letárgico, em obediência à bíblia da Pesquisa Focus. *** Juros reais de mais de 8% elevam o grau de endividamento também das famílias, impedem o crescimento da renda, ocasionam redução na criação formal de vagas de trabalho, promovem desaceleração da produção, conforme mostrado pelo evolução do IBC-Br, índice de produção e atividade medido pelo Banco Central. Enquanto isso, a imprensa e jornais comemoram a deflação ou queda da inflação de 0,32% em agosto, que atribuem ao acerto na condução da política monetária. Independentemente de a política de juros abusiva não ter efeito na queda de preços. A bem da verdade, a queda de preços de alimentos e energia tem como causa os mesmos fatores que causaram a alta de preços anterior, apenas que, agora, agindo na direção contrária. Entre tais fatores está o aquecimento climático, causa da escassez de chuvas que afeta o regime hídrico e provoca crise no abastecimento de água nas cidades, menor produção de eletricidade, perda nas plantações e alimentos e danos ambientais severos. Assim a redução de preços nada deve aos juros, mas à melhora do regime de chuvas e maior produção de alimentos. Melhora que pode, inclusive, ser passageira. *** O que não é considerado, por mais preocupante que seja, é o impacto dos juros sobre a queda da demanda, tanto de investimentos, quanto da parcela do consumo dependente do crédito, já que a menor demanda leva os empresários a optarem por cortes “em sua carne”, paralisando, total ou parcialmente, a atividade de setores de produção específicos ou de toda sua empresa. Decisões que provocam queda no nível de atividade, maior desemprego e menor renda, com efeitos cumulativos perversos para toda a economia. O que poucos se dão conta é que, só em estágio posterior ao corte de produção é que irão decidir por corte de preços. Ou seja: a deflação ou queda de preços vem acompanhada e é o último passo depois de efeitos como o desemprego e a piora da qualidade de vida, mesmo dos patrões de si mesmos. *** Neste cenário de horrores, ainda há quem acredite e vote em candidatos como Tariflávio Rachamaster, reforçando a ideia de que o eleitor vota menos guiado pela honestidade do candidato que pela oportunidade de poder tirar proveitos futuros e ilegítimos de sua escolha. “Tá, ele é bandido, mas com ele aumentam minhas chances de obter mais vantagens”. Uma forma diferente do uso da frase surrada: já que não se restaura a moralidade, que se locupletem todos. Delinquente formado e educado desde a infância, RachaMaster acumula casos suspeitos, que superam a amizade com milicianos e assassinos confessos; o reconhecimento à série de benefícios para as comunidades, devido ao ‘novo tipo de policiamento promovido pelas milícias’; peculato (desvio das verbas dos assessores de seu gabinete); acesso a 134 milhões de reais de origem escusa, para finalidade incerta e não sabida, talvez alguma lavagem ou operação de clareamento, infelizmente, nunca explicada e demonstrada. Não bastasse isso, o compartilhamento de salas com o exemplo de lisura e idoneidade do Careca do INSS. Em meio a tais qualificações, uma não se lhe pode negar: Flávio é golpista e faz questão de anunciar esta faceta fascista. Afinal, em meio a todo o drama do Judiciário, já afirmou que não vai respeitar nem o STF nem a Constituição, prometendo conceder o perdão ao seu pai criminoso e golpista frustrado, o que afronta o os incisos XLIII e XLIV da Constituição, em seu artigo 5º que torna insuscetíveis de graça ou anistia crimes hediondos, como aqueles contra a ordem constitucional e o Estado democrático. Enfim, quem vota em bandido, como passarinho que come pedra, sabe bem o que aí vem.