quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
Última reunião do Copom em meio a continuidade dos golpes a nossa democracia
link: https://youtu.be/4lffaPTiUm4
Nesta quarta-feira, 10 de dezembro, realiza-se a última reunião do ano do Comitê de Política Monetária – COPOM, o colegiado composto pelos Diretores do Banco Central, que detêm a missão de fixar a taxa básica de juros da economia, a Selic.
Frase que passa a falsa impressão de que os diretores do BC, 7 deles indicados por Lula, inclusive seu presidente, decidem a taxa básica de juros, que afeta o custo do capital e do crédito e, dessa forma, influenciam as decisões de investimento produtivo e consumo. Trágico engano.
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Na verdade, o Copom é apenas uma marionete, e age como ventríloquo dos interesses rentistas do mercado financeiro que decidiram, no início deste ano, que a Selic deveria ficar nos pornográficos 15% ao ano, mais de 10% de juros acima da inflação prevista pelos agentes do mercado financeiro.
Como são poucos os negócios honestos com lucratividade acima de 10% (apesar de todo o trabalho e incertezas que caracterizam o ambiente econômico), o patamar é um convite para que os donos do capital apliquem seus recursos na riqueza fictícia dos títulos financeiros. E com isso a economia pare de produzir, crescer e gerar empregos.
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Verdade que a economia política permite a existência de escolas de pensamento e teorias que sustentam a surrada e mais que criticada ideia de que o único remédio para a inflação é a alta de juros, por sua capacidade de reduzir a demanda (investimentos mais consumo). Recomendam a paz dos cemitérios: a febre, sintoma de desajuste, é combatida com remédios que matam o organismo doente.
E, nisso, não há nada de técnico. Há apenas política, e decisões de se favorecer a uma parcela mínima da população: o grupo que pode pagar por pareceres, consultorias e seminários e homenagens aos egos dos arautos de seus interesses especulativos.
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A mesma escola que critica a gastança e o endividamento irracional do governo, vendendo mentiras quanto à elevação do risco de calote e a capacidade de pagamento da dívida acumulada. Não dizem é que o governo é o responsável por emitir o dinheiro para pagar a tal dívida. O que faz o tal risco de crédito virar fumaça.
Também não dizem que o efeito da emissão de dinheiro pelo governo, que não paga juros, ou a emissão de título da dívida pública é o mesmo, apenas que o título paga juros elevado, para a classe mais privilegiada, que pode financiar o governo. O que ajuda a entender a razão de a dívida crescente e juros nas alturas, ser um mecanismo perverso de concentração de renda e riqueza.
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Ao contrário, vendem a ideia ao emitir dinheiro, o governo gera inflação. Sem considerar que a grande maioria do dinheiro em circulação no país é o dinheiro criado pelas operações de empréstimos feitos pelos bancos. Que injetam dinheiro e depois cobram que o governo enxugue a liquidez, para o que os juros devem ser elevados.
Não apenas a economia é política e as decisões têm lado. Nossa estrutura econômica injusta, desigual e iníqua ainda recebe a contribuição de um sistema tributário que isenta os mais ricos do pagamento de impostos, onerando os mais pobres e a atividade produtiva que lhe permite ter o emprego e a renda para sua sobrevivência.
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Esse conjunto de desigualdades, que coloca o Brasil em 5º lugar em concentração de renda no cenário mundial é que causa o desajuste que gera a luta distributiva expressa pela inflação. E ainda tem jornalistas e jornais (Folha), que criticam as ideias de o Estado ser o responsável pela criação de um bom ambiente de negócios, procurando reduzir as incertezas, ou seja, agindo como indutor do desenvolvimento. Como sempre aconteceu nas grandes nações que conseguiram superar o subdesenvolvimento.
Que pregam a prática do livre mercado e da meritocracia, criticando os gastos sociais, enquanto fecham os olhos para os gastos tributários, com isenções e incentivos, sustentado por uma rede de amizades influentes nas estruturas corrompidas do poder.
E, por fim, criticam as indicações de Lula para a diretoria do BC e a adoção de políticas ligadas ao rentismo, sem perceber as forças a que estão sujeitos, sob a influência da teoria da captura e do pote de ouro do lado de lá da porta giratória.
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Sob o domínio e a influência dos interesses econômicos mais poderosos, mesmo que de origem questionável ou desonesta, estamos longe e ficamos cada vez mais distantes de uma sociedade democrática, voltada para o atendimento dos interesses da maioria da sua população.
O que alimenta um ambiente de frustração e desespero, que descamba para aventuras autoritárias, fascistas e onde as tentativas de golpe se acumulam, gerando golpes continuados.
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Golpe como o do presidente da Câmara e a votação da lei que reduz penas de todos os condenados pela tentativa frustrada de derrubada do Estado Democrático de Direito: um projeto de lei urdido, discutido, aprovado e ordenado de dentro da cadeia, para mostrar toda a fragilidade de nosso sistema prisional, pelo líder maior da organização criminosa que, infelizmente, infesta o país. E que mostra o poder da corrupção que invade e domina as instituições do país.
Corrupção que culmina com a agressão covarde, dentro do plenário da Câmara, de deputados que não se dobram e insistem em honrar a representação popular de que foram investidos, com risco à própria vida e segurança, como o caso do deputado Glauber Braga e outros deputados a ele solidários, e os interesses republicanos que teimam em respeitar.
É isso aí.
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