quinta-feira, 17 de setembro de 2026
Propostas eleitorais e o gosto de poder
link Youtube: https://youtu.be/dKe0n8Ie1IQ e Instagram: #paulocmf55.
Vários candidatos, ao governo do Estado e ao Senado, têm apresentado propostas de grande impacto em seu programa eleitoral, especialmente pelo caráter de radicalização que contêm, e da capacidade de agradar aos eleitores submetidos a violências de toda espécie: do tipo social; de tratamento desigual e falta de oportunidades; do não reconhecimento de seus direitos; do descaso com que são tratados pela sociedade e os grupos no poder - o tratamento recebido do policial, do profissional da saúde, dos meios de transporte e dos prestadores de serviços públicos; pela violência da fome e da miséria a que se juntam a violência urbana de grupos de criminosos e organizações criminosas.
Tratados sem a dignidade de um ser humano, a revolta leva cidadãos a agirem de forma próxima à barbárie, da justiça pelas próprias mãos e da lei do olho por olho e dente por dente.
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Várias das promessas dos candidatos, além de atrair a atenção, não passam de venda de ilusões e promessas para caírem no esquecimento, com o candidato ciente de que não poderá cumpri-las.
A menos que fosse intenção dos candidatos, se eleitos, rasgar a Constituição Federal de 1988 e suas emendas, o que teria o significado de aplicação de um golpe: a imposição de um governo não mais regido pelo império das leis, mas da vontade dos grupos mais fortes, mais armados ou mais ricos e poderosos. Uma ditadura, com suas consequências nefastas de arbítrio e terror.
Para servir de alerta contra os vendedores de ilusão ou os golpistas mal-intencionados este pitaco irá trazer algumas informações e comentários sobre candidatos ao governo do Estado e ao Senado.
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Advogado especialista em Direito do Consumidor, criador do programa Ronda do Consumidor para redes sociais, Benoni Benjamim Cardoso Mendes, Ben Mendes, é o candidato ao governo de Minas pelo Missão, de Renan Santos, a que se filiou em 2019. Define-se como de direita, não bolsonarista e favorável ao Estado mínimo, à redução da carga tributária, à privatização da Copasa, e à exploração e processamento das terras raras em território mineiro.
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Propõe a criação do programa habitacional Casa que Educa, que inova ao condicionar o acesso à moradia popular ao desempenho e à frequência escolar dos filhos das famílias beneficiadas, em geral pobres e com adultos sem instrução, analfabetos, sem a qualificação necessária para orientarem a vida escolar dos filhos. Justifica a exigência bizarra, comparando sua proposta ao Bolsa Família que, como contrapartida para evitar que as famílias beneficiárias percam o benefício, exige que mantenham a frequência escolar mínima de 60% para crianças de 4 e 5 anos e 75% para beneficiários de 6 a 18 anos incompletos. FREQUÊNCIA E NÃO DESEMPENHO.
Na segurança pública, apesar de advogado, defende política de "alta eficácia na letalidade" policial, um eufemismo para a pena de morte. Prega, pois, abertamente contra o art. 5º, dos direitos e garantias individuais: incisos XXXVII - não haverá juízo ou tribunal de exceção; XLVII - não haverá penas: a) de morte, salvo em caso de guerra declarada, nos termos do art. 84, XIX; e b) de caráter perpétuo; e LVII - ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
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Candidato ao Senado, Marcelo Aro - Marcelo Guilherme de Aro Ferreira – é advogado e apresenta-se apenas com o sobrenome de sua mãe. Assim, omite tanto o nome de seu pai quanto seu parentesco com a dinastia Ferreira, que comanda a Federação Mineira de Futebol desde 1966, acusada de nepotismo e prática de caixa dois.
Candidato ao Senado pelo Progressistas – PP, apresenta-se como quem nunca teve medo de se posicionar sobre aquilo em que acredita. Desta forma e com foco prioritário na Segurança Pública, pretende apresentar um projeto de lei que permita a castração química dos condenados por estupro de mulheres e crianças. Defende também a redução da maioridade penal para 16 anos e o endurecimento das penas para crimes graves.
Por mais justa que a proposta de castração pareça ser, atendendo a desejos de punição e vingança de grande parte da população, não respeita uma sociedade que deseja viver em paz e harmonia, cumprindo regras, amplamente conhecidas, que mantenham o espírito de boa convivência em uma ordem social justa. Não em uma sociedade que transforma em criminosos os responsáveis pela aplicação das penas aos criminosos originais
Sua proposta anula o inciso XLVII do Art. 5º da Constituição, que afirma que: não haverá penas: b) de caráter perpétuo; e) cruéis.
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Outro candidato ao Senado, é o médico veterinário Domingos Sávio, pelo Partido Liberal – PL, a que se filiou em 2022. Filiado antes ao PSDB, ocupou os cargos de vereador e prefeito de Divinópolis, deputado estadual e federal por vários mandatos.
Sua carreira política nasce de sua atuação e liderança junto ao movimento cooperativista, patronal e ruralista, tendo sido presidente de cooperativas rurais e agropecuárias de sua região.
Em 2013, deputado federal pelo PSDB, foi autor da proposta que anulou a sessão do Congresso que depôs o presidente João Goulart. Sua carreira retoma o caráter elitista inicial a partir do golpe de 2014, tendo sempre votado contra as pautas populares e a favor de: o impeachment de Dilma; o Teto de Gastos Públicos; a Reforma Trabalhista; a PEC dos precatórios; a autonomia do Banco Central; a reforma da previdência; as privatizações; a prorrogação de benefícios fiscais a igrejas. Por outro lado, votou contra o pedido de abertura de investigação de Temer e o afrouxamento das regras de previdência para professores, apesar de ter sido a favor de igual alteração para policiais.
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É autor de PEC que permite ao Congresso derrubar decisões do STF “que extrapolem os limites constitucionais.” Proposta inconstitucional e inconsistente.
Inconstitucional, por afrontar o Art. 2º da Constituição - que estabelece que – “São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o Executivo e o Judiciário” e também o art. 60 que, ao tratar das emendas à Constituição, determina em seu § 4º “Não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: “…III - a separação dos Poderes.”
Inconsistente, já que os limites a serem extrapolados deverão ser definidos pelo intérprete e guardião da Constituição, o próprio Supremo.
Mais recentemente, assumindo-se bolsonarista raiz, apresenta comportamento contraditório típico daqueles extremistas, ameaçando ministros do Supremo com apresentação de pedidos de impeachment por supostas relações indevidas e promíscuas com o banqueiro criminoso Vorcaro. Entretanto, não cobra explicações nem critica o comportamento do candidato a que apoia, usando dois pesos e duas medidas, para fatos de mesma natureza e gravidade.
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Dois comentários adicionais, relativos ao candidato a governador Cleiton Gontijo de Azevedo, o Cleitinho, portador de diploma do ensino médio e Senador da República, líder das pesquisas eleitorais e favorito ao governo mineiro pelo Republicanos, resultado de seu imenso sucesso como influenciador digital nas redes sociais.
A base de sua popularidade é a adoção de um comportamento cínico e sua disposição de manter atitudes típicas de mentiroso compulsivo, capaz de apresentar-se como um cidadão comum, avesso à política institucional e aos políticos tradicionais, embora há mais de 10 anos, como político, faça parte do sistema a que diz não pertencer.
Traço mais grave de seu comportamento mitômano: age para criar e espalhar mentiras, ativando um Ecossistema de Desinformação para a difusão de inverdades, do medo e insegurança entre seus seguidores, alimentando o surgimento de “deepfakes” e provocando insatisfação com o governo a que se opõe. Exemplo desta atitude foi o vídeo em que alterou e ampliou mensagem que tratava de procedimento de fiscalização da Receita Federal, para criar uma narrativa falsa a respeito de taxação do PIX. (ver Jaqueline Morelo - “Cleitinho: quando a indignação seletiva vira cinismo em outraspalavras.net)
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Outro candidato ao Senado, pelo PSDB, o golpista Aécio dispensa apresentação.
Governador de Minas, Deputado, Senador, foi candidato à presidência em 2014 a partir de quando, inconformado com a derrota para a presidenta Dilma e liderando a oposição, passa a atuar em rota aberta de colisão com o governo, apresentando e aprovando projetos de lei de aumento de gastos públicos visando a agravar a situação fiscal já crítica do governo Dilma, as chamadas pautas-bomba.
Rancoroso, declarou várias vezes a incapacidade de Dilma de governar o país, além de fazer ameças de que ela não concluiria seu mandato, comportamento que o colocou na posição de mentor e principal artífice do golpe de impeachment da presidenta Dilma.
Posteriormente, durante o governo ilegítimo e usurpador e de Temer (ex-vice de Dilma), viu-se envolvido em denúncias de escândalos de corrupção, pedidos de quantias de dinheiro de até 2 milhões de reais e da entrega de malas, de que participou seu primo, alvo de brincadeira de extremo mau gosto que justificava ter sido escolhido como intermediário por “ser um que a gente mata ele antes de fazer delação".
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É isso aí.
terça-feira, 15 de setembro de 2026
A Fragilidade do Supremo é a fraqueza do Estado de Direito, abre portas para a afronta à Constituição, convite para o golpe
https://youtu.be/HoXv-jnR82M ou no Instagram: #paulocmf55.
Estreou nas salas de cinema do país, em julho, o filme ‘A Odisseia’, dirigido por Christopher Nolan, com promessa da Universal Pictures, de seu lançamento nas plataformas digitais a partir de 17 de novembro.
Baseado no poema épico de mesmo nome de Homero, o filme narra a viagem de regresso do rei de Ítaca para sua casa e os braços de sua esposa Penélope, após sua vitória na guerra de Troia. Viagem mítica, recheada de perigos e ameaças narradas de forma a destacar o caráter heroico de Odisseu, em grego. Ulisses em latim.
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Curiosamente, o mesmo nome de Ulysses Guimarães, o Senhor Diretas, presidente da Assembleia Nacional Constituinte e reverenciado por colegas como o Pai da Constituição Cidadã, promulgada em seção solene do Congresso Nacional de 5 de outubro de 1988.
No discurso histórico proferido na data, dada a complexidade do processo de discussão e elaboração da Lei Maior a guiar interesses dispersos e variados das classes sociais do país, reconheceu que “A Constituição certamente não é perfeita. Ela própria o confessa ao admitir a reforma”.
Assim, destacava a inclusão, no Artigo 3º do Ato das Disposições Transitórias, de mecanismo que fixava um prazo de cinco anos para a realização de uma ampla revisão que pudesse alterar pontos do texto que exigissem melhorias.
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Evidenciando o caráter cidadão atribuído à Constituição, elaborada para reger as relações sociais e reconhecer os direitos mais amplos de pessoas comuns, em um país mal acostumado a privilegiar a uma elite, antes da revisão prevista, passados cinco anos, 4 emendas constitucionais ordinárias haviam alterado o texto original.
Número que atinge um total de 138 emendas ordinárias até hoje, que revela o caráter instável de se legislar para as massas, contra interesses mais poderosos.
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Dada a situação de crise institucional experimentada pela mais alta instância do Poder Judiciário e o potencial corrosivo que atinge a imagem e a respeitabilidade da Suprema Corte junto ao conjunto dos cidadãos, respingando na própria noção de aplicação da justiça e do direito, e o processo eleitoral dominado por profunda polarização, a lembrança de trechos do discurso de Ulysses merece ser resgatada.
Isso porque, uma sociedade que deixa de acreditar e confiar na vigência e aplicação das leis está condenada ao estágio da barbárie civilizatório, fruto da implosão do próprio Estado de Direito.
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Pior é que, como tratamos em nosso último pitaco, há um candidato à Presidência da República, infelizmente com chances reais de vitória, que já prometeu descumprir o artigo 5º, incisos XLIII - que considera “crimes inafiançáveis e insuscetíveis de graça ou anistia a prática da tortura … o terrorismo e os definidos como crimes hediondos, por eles respondendo os mandantes, os executores …” – e XLIV que diz que constitui crime inafiançável e imprescritível a ação de grupos armados, civis ou militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.
Já tendo se comprometido em perdoar ou conceder a anistia ao seu pai, golpista condenado e preso, e com o Supremo enfraquecido e sem apoio popular, ganha força a hipótese de haver o interesse de o candidato, se eleito, praticar o ato de fechamento do STF, e até do Congresso, se este não for cúmplice da ação autoritária.
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Como disse Ulysses em seu discurso a respeito do texto da Constituição: “ Quanto a ela, discordar, sim. Divergir, sim. Descumprir, jamais. Afrontá-la nunca.”
E prosseguiu: “Conhecemos o caminho maldito. Rasgaram a Constituição, trancaram as portas do Parlamento. Calotearam a liberdade, mandaram os patriotas para a cadeia, o exílio e o cemitério.” Razão porque pode bradar em alto e bom som: “Temos ódio à ditadura. Ódio e nojo”.
Contudo, é a essa situação autoritária que o resultado das eleições pode nos trazer. Independente da afirmação por demais óbvia, de que “Traidor da Constituição é traidor da Pátria."
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Fechada a Corte Suprema, fechado o Congresso altivo ou sob a condição de um silêncio cúmplice e bajulador, a quem mais Tariflávio Rachamaster, iria conceder perdão, além dos generais de pijama articuladores do golpe fracassado com seu pai?
Ao seu irmão chapeiro de hamburguer, o patriota que beija a bandeira americana, depois de candidamente solicitar a intervenção direta daquele país imperialista no nosso? Aos amigos do chapeiro, que pregam a entrega de nossas reservas de terras raras e minerais críticos, se contar nossa maior riqueza, nosso complexo aquífero, aos interesses de um país que se desenvolveu e se manteve forte, pela expropriação/exploração dos povos ditos amigos? Que resultados isso nos traria, senão o desemprego e empobrecimento de nosso país?
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Na mesma linha, nada impede a Rachamaster, conceder o perdão a seu irmão Daniel Vorsolnaro a quem deve tanto favor. E libertar os irmãos Brazão, Chiquinho e Domingos, mandantes da morte de Marielle, aos quais enviou 199 milhões de reais em emendas no ano de 2023?
E o deputado TH Joias ou Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio e candidato a governador, com apoio explícito dos Bolsonaros, ambos réus por obstrução de investigação por vínculos com os grupos que o candidato promete classificar e combater pesadamente, como organizações narcoterroristas?
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Devo me desculpar por sentir, no dia de hoje, com certa melancolia, saudades do nosso político, o Ulysses brasileiro.
E poderia até chegar ao limite de falar, como já ouvi amigos fazerem, de que não se fazem ou não existem mais políticos como antigamente. O que é uma inverdade. Como em todos os tempos, sempre existiram políticos bons e canalhas.
A mim me parece que não se faz mais, é um povo com eleitores de caráter altivo, orgulhoso, nacionalista e consciente. Uma população incapaz de votar nos políticos decentes que ainda continuam resistindo, para optar para escolher os canalhas, com discurso falso e hipócrita. Traidores da Constituição e da Pátria.
É isso.
segunda-feira, 14 de setembro de 2026
Semana conturbada na esfera política e no campo da política econômico, enquanto as eleições se aproximam com anúncio de possível golpe
Youtube: https://youtu.be/jEO24efUWD4 ou Instagram:#paulocmf55
Atravessamos um período de extrema gravidade, fruto da inédita crise institucional deslanchada a partir da decretação da liquidação do Banco Master, da prisão de Daniel Vorcaro, seu proprietário, e das investigações a que estas ações deram origem.
Não à toa, sem tempo suficiente para avaliar os impactos da decisão da Autoridade Monetária, e vindo ao conhecimento público rumores da existência da prática de um sem número de eventuais crimes financeiros praticados pelo gangster banqueiro, envolvendo instituições como fundos de pensão de funcionários públicos e autoridades detentoras de cargos políticos e públicos, era possível antecipar o poder de aniquilação embutido no aparato de destruição criado por Vorcaro, capaz de implodir a República.
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É verdade que já haviam surgido antes, e ocasionalmente, indícios de comportamentos atípicos, senão criminosos, alimentando comentários discretos, limitados a ambientes financeiros e relacionados à surpreendente desenvoltura do dono e à evolução expressiva de seu Banco.
Igualmente, sempre causou curiosidade e estranheza a onipresença do Banco e de seu dirigente no fornecimento de patrocínio a eventos com objetivos, áreas de atuação e a presença de personalidades tão díspares e em números cada vez mais elásticos, tanto em território nacional quanto no exterior.
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Razão para desencadear uma onda de destruição avassaladora, capaz de levar de roldão a imagem e o respeito de instituições aparentemente sérias, além de reputações pessoais e profissionais, se existentes, de alguns de seus membros.
Motivo para que algumas dessas instituições, como nossa Corte Suprema, iniciarem um processo de depuração ou expurgação – embora parcial e seletivo-, promessa de uma semana das mais conturbadas dos últimos tempos em nosso país.
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Na esfera financeira, a semana abriga uma Superquarta: data em que tanto o FED define a taxa básica de juros para os Estados Unidos, quanto o Copom decide, no Brasil, os rumos da política monetária e a fixação da taxa de juros, a SELIC.
Dada a expectativa de alta dos juros americanos, em resposta ao aumento dos preços no país do agente laranja da devastação há, da parte de nossos analistas financeiros, a firme expectativa de o Copom manter a taxa de 14% ao ano, hoje em vigor.
Esta decisão evitaria possível fuga de capitais do Brasil, atraídos pela maior remuneração oferecida pelo país do norte, ou em busca de proteção face ao risco atrelado ao resultado de nosso processo eleitoral. Qualquer que fosse a causa, a saída de capitais poderia ter impactos no câmbio, valorizando o dólar e realimentando um processo de elevação interna de preços.
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A propósito da covardia ou inércia do COPOM ou de sua submissão aos interesses do mercado financeiro, recomendo o excelente artigo do professor José Luis Oreiro, “Entre a paralisia do COPOM e a necessidade de crescimento” (https://joseluisoreiro.substack.com/p/entre-a-paralisia-do-copom-e-a-necessidade?utm_source=share&utm_medium=android&r=8gsv3q).
O artigo mostra o prejuízo para a economia brasileira, as decisões de investimento indispensáveis para o país crescer, a elevação do PIB e a queda do endividamento público, medido pelo indicador Dívida Bruta/Pib, se o Copom assumir um comportamento letárgico, em obediência à bíblia da Pesquisa Focus.
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Juros reais de mais de 8% elevam o grau de endividamento também das famílias, impedem o crescimento da renda, ocasionam redução na criação formal de vagas de trabalho, promovem desaceleração da produção, conforme mostrado pelo evolução do IBC-Br, índice de produção e atividade medido pelo Banco Central.
Enquanto isso, a imprensa e jornais comemoram a deflação ou queda da inflação de 0,32% em agosto, que atribuem ao acerto na condução da política monetária.
Independentemente de a política de juros abusiva não ter efeito na queda de preços. A bem da verdade, a queda de preços de alimentos e energia tem como causa os mesmos fatores que causaram a alta de preços anterior, apenas que, agora, agindo na direção contrária. Entre tais fatores está o aquecimento climático, causa da escassez de chuvas que afeta o regime hídrico e provoca crise no abastecimento de água nas cidades, menor produção de eletricidade, perda nas plantações e alimentos e danos ambientais severos. Assim a redução de preços nada deve aos juros, mas à melhora do regime de chuvas e maior produção de alimentos. Melhora que pode, inclusive, ser passageira.
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O que não é considerado, por mais preocupante que seja, é o impacto dos juros sobre a queda da demanda, tanto de investimentos, quanto da parcela do consumo dependente do crédito, já que a menor demanda leva os empresários a optarem por cortes “em sua carne”, paralisando, total ou parcialmente, a atividade de setores de produção específicos ou de toda sua empresa. Decisões que provocam queda no nível de atividade, maior desemprego e menor renda, com efeitos cumulativos perversos para toda a economia.
O que poucos se dão conta é que, só em estágio posterior ao corte de produção é que irão decidir por corte de preços. Ou seja: a deflação ou queda de preços vem acompanhada e é o último passo depois de efeitos como o desemprego e a piora da qualidade de vida, mesmo dos patrões de si mesmos.
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Neste cenário de horrores, ainda há quem acredite e vote em candidatos como Tariflávio Rachamaster, reforçando a ideia de que o eleitor vota menos guiado pela honestidade do candidato que pela oportunidade de poder tirar proveitos futuros e ilegítimos de sua escolha. “Tá, ele é bandido, mas com ele aumentam minhas chances de obter mais vantagens”. Uma forma diferente do uso da frase surrada: já que não se restaura a moralidade, que se locupletem todos.
Delinquente formado e educado desde a infância, RachaMaster acumula casos suspeitos, que superam a amizade com milicianos e assassinos confessos; o reconhecimento à série de benefícios para as comunidades, devido ao ‘novo tipo de policiamento promovido pelas milícias’; peculato (desvio das verbas dos assessores de seu gabinete); acesso a 134 milhões de reais de origem escusa, para finalidade incerta e não sabida, talvez alguma lavagem ou operação de clareamento, infelizmente, nunca explicada e demonstrada.
Não bastasse isso, o compartilhamento de salas com o exemplo de lisura e idoneidade do Careca do INSS.
Em meio a tais qualificações, uma não se lhe pode negar: Flávio é golpista e faz questão de anunciar esta faceta fascista. Afinal, em meio a todo o drama do Judiciário, já afirmou que não vai respeitar nem o STF nem a Constituição, prometendo conceder o perdão ao seu pai criminoso e golpista frustrado, o que afronta o os incisos XLIII e XLIV da Constituição, em seu artigo 5º que torna insuscetíveis de graça ou anistia crimes hediondos, como aqueles contra a ordem constitucional e o Estado democrático.
Enfim, quem vota em bandido, como passarinho que come pedra, sabe bem o que aí vem.
sexta-feira, 11 de setembro de 2026
"A luz do sol é o melhor dos detergentes" (Juiz norte americano Louis Brandeis, 1913)
À disposição também no Youtube pelo link: https://youtu.be/YNNb-0bA6kU ou no Instagram:#paulocmf55
O mesmo diretor a quem me referi em pitaco anterior me perguntou certo dia: você está subindo a pé para a Praça do Papa (no alto da Av. Afonso Pena, em BH). Eu passo de carro, te vejo e ofereço carona. Você vai negar minha oferta? Com base em nossas divergências?
Mais tarde, trabalhando como fiscal - de ICMS e de instituições financeiras - aprendi, desde o primeiro momento, o perigo de não querer saber a origem ou a razão de qualquer unidade monetária inesperada, depositada em minha conta. Eu sempre ia pedir explicação ao gerente de minha conta. Procurava me proteger. (Nunca recebi dinheiros suspeitos).
Em minha casa, aprendi de pequeno que o ato do roubo é um só, variando só o seu resultado.
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Diferente do diretor, cuja carona visava me poupar da caminhada, Vorcaro oferecia e dava carona em aviões, emprestava seu jatinho, arranjava ingressos para shows no exterior e jogos de campeonatos esportivos.
Alma iluminada e generosa, pagava de hospedagem em praias do Nordeste para parentes de “amigos” a ternos em Brasília. Contratava assessoria de agentes poderosos independente da necessidade de utilizá-los: várias vezes, para livrá-los de um ostracismo precipitado. E não se negava a ajudar os filhos de pessoas influentes, novatos na carreira, semeando para o futuro.
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Puro, puritano, mantinha relações financeiras com templos. Sempre disposto a agradar, patrocinava orgias e bacanais – suruba no popular -, em Trancoso. Ou no cosmos, a julgar pelos trajes de astronautas. Não das moças, por óbvio (acho).
Como todo bom estelionatário, aparentava ser simpático, afável e confiável aos olhares dos incautos: as personagens vaidosas que, se sentindo importantes ou poderosos, acreditam merecer as homenagens e salamaleques que lhe são prestados.
Afinal, construíram essa posição de distinção. Merecem. Fizeram por merecer.
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Poderia parecer que a excessiva simpatia, empatia ou encenação dos estelionatários induz suas vítimas a pensar e agir como se fossem capazes de inverter os papeis: de vítimas sentiam-se as exploradoras. E, como se predadoras, abusavam da benevolência dos ingênuos que lhes doavam recursos. Sem perceber que eram os verdadeiros lesados.
Escroque por compulsão, Vorcaro agia como a aranha que lanças suas teias para atrair insetos e pequenos animais desavisados, que passam a se sentirem protegidos e seguros naquela construção que, à primeira vista, parece mero emaranhado de fios.
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Por desprendimento, contratou escritório de advocacia em troca de verba milionária. Escritório cuja finalidade era se unir ao pelotão de assessores jurídicos e advogados empregados de seu império empresarial. Contrato de 130 milhões de reais, para protegê-lo, quem sabe, nas próximas vidas futuras de uma reencarnação renegada por sua crença.
Talvez por razões cármicas, foi assombrado uma segunda vez pelo número mágico de 130 milhões. Mais exatamente, 134 milhões de reais para financiar tanto um pangaré medíocre quanto ao seu irmão desempregado, vítima das tarifas impostas à importação de carne brasileira que reduziram as vagas de emprego para chapeiro de hambúrguer nos States.
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De acordo com o juiz americano de nosso título, se se deseja fazer uma faxina que promova a limpeza, o brilho e o brio de nossas instituições e autoridades; se se quer passar o país a limpo ainda antes das eleições, a solução é dar transparência e publicidade a toda a investigação, realizada ou em curso. Evitando vazamentos seletivos e favorecimento de qualquer um dos lados envolvidos. Ou seja: a solução é trazer tudo à luz do sol e para que sua poderosa energia promova a necessária higienização.
Isso significa abrir o sigilo de ministros e autoridades do governo, atuais e anteriores; filhos, irmãos, parceiros; bancas e escritórios contratados; usuários e caroneiros de aviões e jatos; convidados para eventos internacionais ou surubas nacionais; beneficiários de ternos ou de mimos mais singelos. E não cair na lábia dos aprendizes de estelionatários, que venham a alegar ser dinheiro privado o do financiamento obtido, realizado sem contrato e qualquer formalidade. Razão de não ser alcançado por eventual fiscalização
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Por esta lógica, todo pagamento feito por Vorcaro teve caráter privado, o que exige tratamento semelhante a todos eles, já que a mentira que cola pra Chico, deve colar para o Francisco e até para o Chiquinho.
Em especial, importa que seja exposto ao público o porquê da doação de 71 milhões de reais como parte do financiamento de um filme, com orçamento para desbancar os maiores vencedores de Oscars de todos os tempos.
E a razão de um valor tão elevado para um filme cujo conteúdo história, personagem não merece nem um gasto de 3 centavos, nem plateia de mais que algumas poucas pessoas, mesmo sabendo que estivessem estes espectadores dispostos a assistir ao filme, rezar para pneus ou se reunirem à noite em praça pública, para atrair ETs com as luzes de seus celulares. De preferência, na companhia de outros bovinos simpatizantes de suas distopias cognitivas.
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Não desejamos ver sangue e punições em praça pública. Tampouco é nossa preocupação a defesa de a ou b, magistrado, político eleito ou ocupante de cargos.
Desejamos é que a justiça, cega, não se intrometa e influencie o processo eleitoral em curso. Que deixe a população escolher, entre os nacionais e os brasileiros que defendem seu país, os que considerem os melhores na defesa dos interesses do Brasil. Não os auto proclamados patriotas.
Desde logo, lembramos outra famosa, de Samuel Johnson: "O patriotismo é o último refúgio do canalha".
No lamaçal em que nos encontramos, não devemos nos esquecer que a origem ilícita do dinheiro do ex-banqueiro contamina, contagia a tudo e a todos que tiveram contato com ele. E perceber que, para essa situação, esquecer não é vacina. Nem rir, o melhor remédio.
quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Minas e a Educação: a que futuro levam essas trilhas?
https://youtu.be/xm8gnWMGKBQ
O pitaco de hoje, que não se refere à bet para exploração da ingenuidade de nosso povo, nem mera aposta se baseia, e faz citações literais de “As Parcerias na Educação Mineira: um estudo sobre o Programa Trilhas de Futuro” (de autoria de Vagno Emygdio Machado Dias e Bruno Leandro Silvério Morais, acessado nesta data em https://www.scielo.br/j/edreal/a/3mMqh3my3jX36RZzkZ3cmsv/?lang=pt.
Nosso objetivo: conhecer mais o programa Trilhas do Futuro que, junto à proposta de adoção do modelo de escolas cívico militares – ao que parece para criar oportunidades de maior empregabilidade para tantos militares candidatos – é a marca da Educação nos últimos anos em Minas.
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São conhecidas as concepções políticas, econômicas e ideológicas do NOVO, “voltadas ao livre mercado, à pauta moral-conservadora e à defesa do Estado Mínimo.” O partido, que para tragédia de nosso estado, ocupou o governo com o risível Zema, por acreditar na maior eficiência da iniciativa privada na prestação de serviços públicos, comparada ao Estado, “defende … privatização dos serviços públicos … parcerias público-privadas como solução.”
(Antes de seguir, um esclarecimento: respeitamos, mesmo não concordando, com o que cada um pensa, especialmente se empresário ou origem abastada).
Daí que o plano de governo para a educação “mostra as claras intenções mercantis do governo …, como o famoso voucher: “[...] programa de bolsas em escolas particulares para alunos do ensino público …”
De seu folclórico governante, candidato de si mesmo à presidência, apenas recordar que aceitou receber 8,7 bilhões, em 37 anos, da dívida da União com o Estado, em razão da Lei Kandir, estimada em 135 bilhões.
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Quanto ao financiamento do Trilhas de Futuro, foram recursos públicos da Quota Estadual do Salário Educação (QESE) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) que foram transferidos a instituições privadas, no total de R$ 790.437.396,45 (nov.2021 a dez. 2022). Tal repasse, contrário ao Plano de Educação - PEE/MG , representa o Estado “não investir na sua própria rede de ensino, além de priorizar, de imediato, a oferta de parte significativa da educação profissional para a rede privada” em … “nítida terceirização do serviçoeducacional público”.
Quanto à lisura, o “governo se utilizou de um mecanismo de contrato que dispensa o processo licitatório, em um nítido movimento de privatização da educação profissional de forma exógena (Borghi, 2018)”; “ou seja, o governo compra cursos das instituições privadas de ensino para promover a ampliação da educação profissional.”
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Em síntese: o programa representa que o “governo decide não investir na sua própria rede de ensino, priorizando a transferência dos recursos públicos para instituições privadas, em clara opção pela privatização” o que transforma o “ensino profissional … (na) porta de entrada dos interesses mercantis que veem na educação pública estatal a possibilidade de alavancar seus lucros e ampliar seu mercado.”
É este programa que o candidato Matheus Simões apresenta na propaganda eleitoral, se gabando de ser seu criador. Da mesma forma que se gaba de ter ajudado a colocar a folha de pagamento do funcionalismo em dia, com recursos vindos da suspensão autorizada pelo STF, do pagamento da dívida do Estado, solicitada pelo governo anterior. Além dos recursos das indenizações obtidas em razão das tragédias minerárias que atingiram o Estado. E mais alguma quantia dos primeiros dos 37 anos do encontro de contas com o Governo Federal.
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Envergonhada, sua propaganda não aborda o aumento linear de 5,4% concedido aos funcionários, nem o aumento de 300% dado ao governador e seus secretários, nem da concessão de 19,4 bilhões de reais de benefícios fiscais em 2025 (era 6,1 bilhões em 2019), ou o fabuloso aumento dos presentes aos amigos do rei (inclusive empresas de Zema), estimados em 22,5 bilhões neste 2026.
E não precisa falar, pois não nos esquecemos, da grosseria e falta de educação e civismo, praticada com Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto no dia de Tiradentes.
Para envergonhar, a nós, povo mineiro, basta um só. Não precisa de seu subordinado (vassalo no sistema feudal).
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Não poderíamos deixar de tocar no golpe tentado, mais uma vez nessa última semana pelo ministro do Supremo terrivelmente golpista, este sim vassalo e cúmplice, de tudo que a política brasileira conseguiu gerar desde nossa República.
E embora não tenhamos maior apreço por seu adversário na Corte, o autoritário e prepotente Moraes – trazido ao STF por outro golpista mór, o temerário Temer (aquele a quem se destinavam os recursos da mala de rodinha com que seu assessor Loures foi flagrado, cuja imagem todos vimos) – há que reconhecer e dar-lhe o mérito de agir com rigor contra os golpistas do 8 de janeiro de 2023).
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Não é difícil tomar posição entre os envolvidos, quando um age – sob a supervisão ou não do agente laranja americano que pretende nos recolonizar – em favor da continuidade do golpe e da desmoralização das instituições nacionais; ou sem qualquer pudor escancara sua proteção ao candidato vinculado às milícias, às organizações do crime organizado, aos milhões de dólares do escândalo de seu “irmão” ex-banqueiro e suas apostas em cavalo chucro.
Do outro lado, outro ministro que, por mais graves que sejam suas relações amistosas com o gangster banqueiro – um comprando proteção ou prestígio, o outro vendendo sua autoimagem de deus Supremo- passa a ser a defesa contra o golpe continuado.
O que não impede de concluir e cobrar: queremos quebrados os sigilos de todos os envolvidos.
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E, antes que me esqueça, o golpe tem nome, sobrenome e, nos dias de hoje se apresenta como defensor da moral, dos bons costumes e da honestidade, apesar de ser o maior hipócrita que tem frequentado nossas casas: o impostor, ladrão e golpista mau caráter, Flávio, tarifa rachadinha, boçal nato.
quarta-feira, 9 de setembro de 2026
Em política - nem sempre a novidade é nova ou capaz de trazer melhorias. O que é melhorar?
Link do youtube: https://youtu.be/lWelkjf-Kso ou instagram: #paulocmf55
Certa ocasião, conversando sobre concepções políticas com o diretor da área em que eu trabalhava, ele trouxe a seguinte questão: os dois lados da disputa não têm o mesmo objetivo? Não estão interessados em criar um país melhor, com maior crescimento, mais desenvolvido? Se têm o mesmo interesse, o que os diferencia não é a forma como cada qual deseja alcançar este objetivo?
Gastei algum tempo refletindo sobre as perguntas, até perceber o quanto eram enganosas, pelo grau de generalização envolvida e, pior, pela hipótese simplória que servia de ponto de partida e que condicionava o raciocínio e a resposta.
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De fato, se “Minas são muitas”, de faces conhecidas por muitos poucos, conforme Guimarães Rosa, o mesmo se aplica ao país e sua realidade, desde o diagnóstico de seus males até as inúmeras soluções de cura.
Assim, o problema da miséria - consequência primeira da escravidão e do tratamento dispensado pelos senhores de terras aos povos escravizados, que se agrava além do limite do tolerável a partir do fim da escravidão -, está na origem de questões tão diferentes quanto a necessidade de políticas afirmativas, ou outras ligadas ao rigor no controle das condições e à própria extensão desumana da jornada de trabalho, a baixa produtividade do trabalho, ou a uma suposta indolência inata que faz o trabalhador preferir viver às custas de benefícios pagos por toda a sociedade.
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A dificuldade de a elite dominante tratar essa situação como herança da dívida histórica contraída junto ao povo antes escravizado, em geral preto mas não só, impede a adoção de soluções além da fixação das cotas de reparação das políticas afirmativas.
O que justifica o preconceito das elites, que está na raiz dos projetos de nosso desenvolvimento e que, adotando o viés econômico, alega visar a melhor alocação de recursos escassos ao elaborar programas voltados à expansão da educação ou à ampliação da participação do trabalhador em programas de qualificação. Programas que privilegiam aqueles capazes de aproveitar melhor seu conteúdo, em geral os filhos das classes mais abastadas e que mais tarde, no mundo do trabalho, justificarão o pagamento de remunerações aviltadas para a maioria de trabalhadores, fruto de sua baixas capacitação e produtividade.
Funcionando como instrumento da depreciação acelerada das classes trabalhadoras, essa baixa remuneração produz o efeito perverso que realimenta o estado de miséria e degradação de ampla parcela da população, cada vez mais excluídas das políticas voltadas para o estudo, a qualificação, a saúde, condições de habitação e mobilidade dignas de que deveriam ser o público preferencial e adotadas como prioritárias e urgentes.
Isso se essa situação de reprodução da miséria não fosse benéfica, por permitir o aumento da taxa de exploração do trabalho e, por extensão, dos lucros da classe empresarial.
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Tal visão contraria frontalmente aos setores mais poderosos da sociedade, já suficientemente críticos de qualquer programa de ajuda às classes menos favorecidas, desde as cotas até os programas de assistência e transferência de renda, vistos como desperdício de gastos públicos e irresponsabilidade fiscal.
Afinal, a elite forma sua cosmovisão com base na cartilha de inspiração neoliberal, baseada na valorização dos esforços individuais como forma de acesso às melhores condições materiais de vida, seja este resultado fruto de sacrifícios pessoais da geração atual ou herança abençoada de antepassados exitosos, que alcança filhos, netos, sobrinhos e até genros.
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Por isso, assistir a um candidato ao governo de Minas prometer, ao mesmo tempo, reduzir a carga de impostos extorsivos pagos pela população e melhorar a qualidade da prestação de serviços públicos a todos, é o tipo de mágica que nem mesmo Houdini se atreveria a arriscar.
O que não impede reconhecer – e exige - o peso excessivo, NA MÉDIA, que cada cidadão deve pagar em impostos. Carga que corrói parcela importante do poder de compra de toda a população, não só a mineira. Porém, reconhecer a verdade dessa situação, nos obriga a mostrar o que ela esconde, o que não é dito: que os mais privilegiados, mais ricos e poderosos não apenas pagam muito pouco, como ainda se beneficiam de incentivos e subsídios que os tornam praticamente isentos. Isso obriga a que, a distribuição da mesma carga total por um número menor de contribuintes seja compensada por cargas individuais maiores. Em geral pagas pelos mais pobres.
A pergunta do milhão de dólares deveria ser qual a solução mais justa: reduzir os impostos pagos por todos, na média e em geral? Ou aumentar os impostos daqueles que, podendo, pagam menos ou não os pagam? A esta pergunta junta-se outra: sem recursos para atender aos gastos públicos, que cortes deverão ser feitos: nos subsídios e incentivos aos empresários ou em gastos em saúde e educação, que beneficiam os mais necessitados ou mais ineptos?
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Seria interessante ter as respostas de Cleitinho, cujo projeto, de cunho populista, promete lutar pela melhoria das condições de vida de todos, independentemente de sua ideologia.
O mesmo se aplica à proposta do conceituado escritor Augusto Cury que visa, corretamente, solucionar o sério problema da polarização que divide nossa sociedade, esgarça nosso tecido social e nos impede de avançar em conjunto. Sem o uso de drones e de inteligência artificial, suponho.
Em linha com nossa questão inicial, todos queremos a paz e um projeto de desenvolvimento econômico e social para chamar de nosso. Será?
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Será nosso projeto semelhante ao do candidato que deseja nos transformar em mero vagão da composição puxada pela locomotiva carcomida, desatualizada e atrasada tecnologicamente, da economia americana? Sob as bençãos da bandeira do Tio Sam e, de quebra, Israel? Ou nosso projeto é voltado para nossa independência e autonomia, mesmo que relativas e limitadas, dado nosso papel de economia do sul global e periférico?
Na segurança, temos os mesmos objetivos dos que propõem soluções que desrespeitam os direitos humanos, como o uso da pena de morte – ainda que não prevista em lei e sem julgamento justo -, como punição aos criminosos? E que limites estabelecer para poder distinguir crimes cruéis de outros tipos, que podem vir a incluir crimes coo o de não ter nascido em berço de ouro, beneficiados por genética de estirpe nobre? Temos objetivos semelhantes àqueles que idolatram ditadores fascistas, criminosos como Bukele, e os tomam como exemplo, no altar dos heróis, ao lado dos nazistas da Alternativa alemã?
Seria possível a convivência respeitosa desses grupos com aqueles que acreditam na aplicação do espírito das leis a todos, independente de posição social, cargo ou serviços prestados anteriormente a nossa sociedade?
Seria interessante ver as propostas de Cury para reunir no mesmo ambiente, pessoas com interesses tão significativamente distintos para, após algum tempo - que poderia ultrapassar a duração de uma vida -, conduzir os dois lados a um ponto comum. De preferência democrático, permitindo a coexistência de ambos os lados.
É isso.
terça-feira, 8 de setembro de 2026
Na Política - Em país de Brás Cubas, nem todo machado racha
link youtube: https://youtu.be/xcsqroNWocI
É digna de um pitaco a evolução do setor de pets em nosso país: 3º maior mercado no ranking mundial do setor; 3ª maior população de pets; faturamento da ordem de 78 a 80 bilhões de reais com taxa de crescimento esperada e constante, de 9,6% ao ano. Do faturamento, 54% corresponde ao setor de pet food (alimentos e rações).
Entre os fatores apontados para a tendência de crescimento, citam-se a humanização dos pets, cada vez mais tratados por seus tutores, muitas vezes solitários, como “alguém da família”. Soma-se a esse movimento, a profissionalização do segmento de saúde e atendimento veterinário, objeto de recursos institucionais e a preocupação com o bem-estar e saúde, que provoca forte alta na procura por clínicas especializadas, planos de saúde animal, farmácias veterinárias e serviços de estética avançados.
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Também não poderíamos deixar de falar do mascote nacional, o cachorro caramelo ou vira-lata – sem raça definida -, resultado de um mosaico genético e considerado o mais popular e amado do país, um verdadeiro símbolo cultural.
Símbolo de campanhas contra o abandono animal e maus tratos, o Caramelo por sua inteligência e sociabilidade, caráter brincalhão e capacidade de se afeiçoar aos cuidadores dá origem à difusão de falsos mitos, que tornam invisíveis os vários sofrimentos a que estão expostos: a fome, o frio, atropelamentos, doenças e maus-tratos.
Situação que explica porque, em várias cidades, vizinhos e comerciantes atuam como tutores comunitários, oferecendo água, comida e abrigos improvisados, o que os torna os pets patrimônio de toda a comunidade.
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O que me lembra um tipo muito peculiar de pet, com terreno fértil para se expandir, de forma constante e descontrolada em nosso país, criação genial e inesquecível de Jô Soares, no programa Viva o Gordo dos anos 80: o Corrupto.
Crítica ácida e humorada à política e políticos do Brasil, o quadro ironizava a imagem da figura corrupta na época: um “bicho raro”, que rejeitava comida comum e se alimentava com notas de dólar; cujo hábito era atacar florestas, bancos, caderneta de poupança e, normalmente tranquilo, apresentava alterações de humor e comportamento agitado, que tinha como gatilho algumas palavras e expressões, como cana, pena, banco, Suíça, etc.
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No quadro, sempre mantido em uma gaiola coberta por um pano preto que impedia que fosse visto, o personagem reforçava a ideia de que podia circular por vários ambientes sem ser identificado, permitindo continuar agindo nas sombras.
Dos anos do Viva o Gordo para cá, a evolução tecnológica, capaz de afetar tempos e costumes, permitiu que o país passasse por um número sem fim de mudanças significativas, apesar de insuficientes para a eliminação do pet corrupto. Classe de pet que movimenta hoje, mais que cães e gatos, valores que superam os 6 bilhões do assalto aos fundos de pensão; os 41 bilhões de assalto ao FGC; mas que, nem por isso, abandonam as oportunidades de movimentar somas menores, como 71 milhões de reais de pangarés hollywoodianos, ou capazes de permitir a compra de 52 imóveis em dinheiro à vista, ou o sustento no exterior de párias e traidores de todo o tipo de escória.
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Tamanha a sanha e voracidade por avançar em recursos alheios, que não abrem mão nem mesmo de valores de viagens em jatos cedidos, ou das passagens aéreas, pagas por empresários, sem falar nos milhões distribuídos para liberar ativos minerários alcançados pela Operação Rejeito da PF, ou outros empréstimos para questões particulares.
Isso sem tratar da indústria que mais cresce no país, a de lavanderia e equipamentos para lavar dinheiro, por meio de canais ligados ou não às siglas sempre lembradas nesse período de horário eleitoral: CV, PCC e tantos outros Ps em campanha.
Mas, como diz a sabedoria popular, cada um tem seu pet de estimação, o direito a ter seu “bandido, mau caráter” de estimação. E até de votar nele. Só não pode reclamar depois, já que o Código de Defesa do Consumidor não trata o caso.
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Em homenagem ao saudoso Sérgio Porto e ao Febeapá – Festival de Besteira que Assola o País – vale destacar que o político mais preocupado em promover a distribuição de renda (em seu gabinete, rachando e coletando parcela de salários de seus funcionários), se faz passar como o mais preocupado com segurança pública, vinculada, pasme!, à soberania. Dele é a frase de efeito, vinculando segurança e soberania: “Nós perdemos a soberania. Não temos mais soberania sobre nosso celular, nosso carro, sua bolsa, nossa casa…”. Fato: alguns funcionários de gabinete não têm soberania nem sobre o próprio salário.
Isso se aceitarmos tamanha redução do conceito de soberania – de Estado, para o aspecto individual, típico do domínio dessa visão neoliberal, individualista. Ou se esquecermos que a questão da segurança pública é responsabilidade de esfera administrativa diferente dos defensores de nossa soberania.
Só mesmo em um país que não é para amador, onde o “errado é que é o certo” (goleiro Cafunga), um deputado que mantém na folha de pagamento de seu gabinete, como funcionárias fantasmas, a mãe e esposa de um miliciano assassino, o mesmo que estando preso, foi condecorado com a mais alta medalha legislativa do Rio por proposta do deputado que, agora candidato, promete classificar organizações criminosas como narcoterroristas, como forma de iludir aos grupos que oram para pneus, ou acendem celulares para Ets.
Ou seja: “alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial” (Caetano), como o retorno do partido nazista na Alemanha, e um político envolvido com tudo de podre em nossa política, estar prometendo transformar o país em um lugar de amplo saneamento - até para ajudar no combate ao aquecimento exacerbado do clima; ou ainda para um outro candidato misógino, vender a imagem de pureza em ambiente de Rejeito, talvez pela bondade e tolerância da população que o acolhe nas redes sociais, como aos pets da modernidade.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Gastos públicos, dívidas e juros e a vergonhosa seletividade da grande mídia
link youtube: https://youtu.be/mAR0UZ5qlh0
No último pitaco falamos de forma simples do princípio da Demanda efetiva, elaborado por Keynes há 90 anos, para quem o empresário racional investe, cria e amplia empresas, se acreditar que, mais à frente, irá encontrar comprador(es) para vender sua produção. É essa expectativa INCERTA que o faz usar seus recursos para comprar máquinas, gerar emprego e renda, comprar matérias primas e insumos para produzir, e vender com lucro.
Como produzir tem custos, o empresário vai preferir não utilizar a capacidade produtiva que possui, se pessimista, ter medo de produzir e não vender sua produção para recuperar o gasto feito, obtendo prejuízo. O comportamento descrito contrariava e criticava o pensamento econômico neoclássico dominante, para quem, depois de gastar montando uma fábrica, o empresário iria SEMPRE, utilizar a capacidade instalada em sua totalidade.
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Entre as várias demandas dos agentes econômicos – de consumo das famílias, em investimento dos empresários, as compras dos clientes do exterior, e os gastos do governo– tratamos da importância da demanda do governo, capaz de permitir criar demandas secundárias. A construção de um porto exige a compra ou contratação de terras, de máquinas e equipamentos, de matérias primas e insumos, de cimento, de material siderúrgico, de serviços de empreiteiras e trabalho especializado ou não, além de tecnologia.
Ao efetuar gastos públicos, o governo põe em marcha uma engrenagem e estimula outros setores a investirem e produzir, garantindo demanda e reduzindo a incerteza, gerando efeitos multiplicadores sobre o emprego, a produção e a renda, junto a aumento na arrecadação de impostos.
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Além desses, como sabemos, existem outros gastos públicos também importantes geradores de demanda, pelo trabalho de funcionários públicos, como médicos, enfermeiros, engenheiros, advogados, professores, planejadores, fiscais, assistentes sociais, policiais, garis.
E, uma vez que nem todos nascem e têm as mesmas oportunidades de vida em nossa sociedade, muitas pessoas não têm acesso à saúde, a alfabetização, ao ensino, à qualificação e a condições de vida e emprego dignas, obrigando os governos a proporcionar a elas condições mínimas de vida, via pagamento de benefícios sociais.
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Tais benefícios são tão mais vultosos quanto mais desigual nosso país e as condições de vida, saúde e educação. Mas são necessários. E, ao permitirem que grande parcela da população possa consumir, acaba criando demanda e estimulando, além da arrecadação, o crescimento econômico. Ao contrário daquelas pessoas muito ricas, que já têm tudo e quando gastam preferem comprar bens de luxo no exterior. E àquelas pessoas que tendo muita riqueza, preferem gastar, não na compra de bens, mas em compra de papeis ou títulos financeiros, que rendem juros e lhes permite ter muito mais ganhos, com a taxa de juros que o país pratica.
Esses constituem os parasitas ou rentistas do mercado financeiro.
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Ao efetuar estes gastos (se maiores do que o que arrecada de impostos), o governo gera déficits e se endivida. Mas é uma dívida em reais, moeda que o governo é quem cria. Logo, sem qualquer chance de que aqueles que têm recursos para emprestar ao governo, levem calote. Desse ponto de vista, porque a grita histérica contra o endividamento público?
Por que o dramalhão feito em relação à dívida pública representar 81% da produção do país (o PIB), se países mais avançados, como Japão (249%), Estados Unidos (123%), Canadá (114%), China e Reino Unido terem mais de 90%?
Para dar tranquilidade aos credores de que o governo não irá quebrar e dar calote? Ou para forçar a barra e obrigar o governo a cortar gastos em benefício da população mais carente, enquanto mantém e assegura os gastos tributários (incentivos, subsídios) aos mais poderosos, o financiamento de planos do agronegócio, setor que já se beneficiou tanto das pesquisas da Embrapa, pagas pelo governo?
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Há muito que cortar em gastos públicos, para controle da elevação crescente dos gastos e da dívida, quando a meta da inflação é tão ridiculamente baixa, em um país que nos últimos 20 anos teve inflação média superior a 6% ao ano.
Por que não trabalhar com um pé na realidade, e meta de 4%, mais o limite de tolerância. Com isso, e corte de gastos em favorecimento dos mais ricos, gastos, dívida e juros cairiam. Até porque, a queda dos juros já reduziria a dívida pública, por ser, de longe, o gasto mais elevado.
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Mudo para questões de política e o vergonhoso tratamento seletivo que a grande imprensa tem patrocinado neste país. Tratamento que permitiu ao editorial da Folha (ou seria Falha de São Paulo?) de domingo, 23 de agosto trouxesse em seu título “Desgastes de Lula e Flávio mantêm a disputa acirrada”. Na linha fina, a chamada: “Petista enfrenta noticiário negativo sobre atividades de seu filho…” Enquanto do lado oposto, dizia que “bolsonarista, após ligação revelada com Vorcaro, fica isolado na direita”.
Ou seja, a Falha compara dois candidatos: um com problemas de idoneidade – da prática de “rachadinhas”, à relação com milicianos, até o pedido ao “mermão” , de 134 milhões do dinheiro de golpes financeiros, inclusive contra aposentados, para financiar o cavalo agourento que se desvaneceu, no ar, como a prestação de contas desse dinheiro. Mais um conto do vigário (ou seria vicário?).
O outro, é presidente de um governo que investiga tudo, com liberdade, sem trocar comando da PF, para evitar” f… minha família” (ver reunião de 22 de abril de 2020).
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Acusar Lula pelo filho lobista, como se isso fosse exclusividade do governo atual, do PT ou do Brasil é não ter memória – os mais velhos – ou ignorar o escândalo do irmão do presidente americano e prêmio Nobel da PAZ em 2002, Jimmy Carter. Billy Carter, de comportamento excêntrico, recebeu sem declarar financiamento do governo líbio para atuar no caso da liberação dos aviões da Lockheed.
Embora Carter tenha sido derrotado, o comportamento da imprensa americana, em um país ainda sob regime reconhecidamente democrático não pode se assemelhar aos abutres que concentram o poder da grande imprensa (Estadão, Folha e Globo).
É isso.
quarta-feira, 26 de agosto de 2026
O presidente do Banco Central e a proposta de política monetária contracionista: alguns comentários
youtube: https://youtu.be/WRF1HTsPFeg
É a demanda, o desejo de gastos dos agentes econômicos, que estimula os empresários a manterem ou ampliarem sua produção e aumentarem a oferta. Sem demanda, o empresário racional não vai correr o risco de investir seus recursos visando lucros.
Enquanto a maioria das pessoas demanda e gasta em bens de consumo, para assegurarem um padrão digno de vida, de acordo com sua renda, a demanda dos donos de empresas por investimento, na compra de instalações, máquinas e equipamentos é a base da produção de um país ou de seu crescimento. Quando mais investimento, maior a capacidade produtiva, maior a oferta e maior o crescimento do país.
Por isso o investimento é considerado a demanda mais importante para o crescimento de um país, de forma contínua ou sustentada. ao longo do tempo.
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Os gastos públicos constituem uma terceira espécie de demanda ou gastos para garantir o funcionamento do governo (pagamento ao funcionalismo público, de prédios públicos). São gastos que permitem que o governo forneça bens e serviços ao público que, embora necessários à sociedade têm características especialíssimas, que impede ou dificulta sua produção pelo setor privado. (saúde e educação pública, lazer, mobilidade urbana).
Em todo o mundo, mas em especial no Brasil, o governo também gasta em investimentos, como a construção de infraestrutura (rede de distribuição de energia e gás, estradas, canais, pontes) e outros feitos para estimular os empresários a investirem, assegurando demanda para seus negócios. Um exemplo disso é a implantação pelas estatais na área de novas fontes de energia, que estimulam a fabricação de material para instalação de pás de moinhos, turbinas, armazenamento da energia gerada, os cabos e fios para sua transmissão, geradores, transformadores, etc.
Essa demanda tem o efeito de multiplicar novos empreendimentos e investimentos.
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No Brasil, o crescimento econômico do primeiro mandato de Lula foi apoiado pela demanda de consumo depois de vencida a inflação e assegurado o poder de compra das famílias. Foi também estimulado pelo aumento dos gastos feitos por estrangeiros, em especial comprando os grãos, os minérios aqui gerados (nossas exportações).
Dessa forma, ao criticar a fragilidade do processo de crescimento amparado pelo consumo, em evento patrocinado na semana passada por agente regulado pelo Banco Central - o Santander – as afirmações feitas pelo presidente do Banco estavam na direção correta..
Correto também estava ao afirmar que se a demanda cresce e a oferta não acompanha, ou seja, a capacidade produtiva não cresce, a economia vai alcançar o pleno emprego, situação em que não tendo recursos para aumentar a produção, vai surgir o fenômeno da carestia ou falta de produtos, gerando inflação.
Questionável é sua afirmação definitiva de o país estar em pleno emprego, em razão de políticas de crescimento da renda e do crédito acima da produtividade do país. Fala que o aproxima da postura de Fukuyama a respeito do fim da História, ao decretar o encerramento do debate já “que nem os grandes debates teóricos entre economistas deveriam se aplicar. A gente está em um momento de pleno emprego com uma economia que vem crescendo com a demanda acima da oferta … “(conforme artigo de Beatriz de Cicco, no JOTA de 17/08/2026).
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Para em seguida afirmar que “o déficit das ações correntes … a inflação daqueles itens que você não pode importar do resto do mundo – componentes de serviços, por exemplo, que vem rodando bastante acima da meta – (indicam que ser) uma economia que está em pleno emprego já”. E concluir que, como em política monetária, “é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar oferta e demanda, … é por isso que a gente coloca a taxa de juros num patamar restritivo", e assegurar que “a autarquia não está “pilotando” a política monetária “pensando em colocar para cima, de novo, uma maneira para colaborar com o crescimento, puxado por mais consumo e mais demanda. Está muito mais pensando em colocar um patamar contracionista".
Em evento patrocinado por agente para quem os juros elevados geram lucros extraordinariamente elevados, não deveria soar estranho o raciocínio do presidente de um órgão de governo fazendo coro às críticas aos objetivos e ao modelo adotado pelo governo a que serve e com as políticas de quem deveria mostrara mais compatibilidade e coerência, ainda que com autonomia operacional.
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A título de contraponto sobre sua opinião quanto ao pleno emprego: as estatísticas vêm mostrado aumento recorde de pessoal ocupado, principalmente em atividades informais, ligadas à ideia equivocada das vantagens do empreendedorismo. De mais baixa qualificação, a produtividade desses trabalhadores autônomos é menor que a dos que atuam no mercado formal, em especial na indústria. O que permite supor que uma política capaz de expandir o mercado de trabalho com carteira assinada promoveria um aumento da produtividade, da produção e do crescimento, com melhor utilização dos mesmos recursos. Ou seja: o ponto intangível do pleno emprego pode não estar na próxima esquina.
Mas isso é impedido pela política contracionista, como mostrou em artigo sobre juros, publicado na Folha de domingo último, o ex-ministro José Dirceu.
Em sua análise, Dirceu critica as explicações que responsabilizam os gastos públicos e a demanda sobreaquecida, como causa da inflação e da necessidade dos juros pornográficos determinados pelo Banco Central.
Fosse verdadeiro o diagnóstico de elevação da demanda e pressão sobre a capacidade, não teria sido necessário a manutenção de juros elevados em períodos em que o governo apresentou superávits fiscais. os juros não teria sido mantidos elevados como o foram quando o governo.
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Até porque juros mais civilizados permitiriam ao empresariado “ampliar uma fábrica, desenvolver tecnologia, contratar trabalhadores” o que não é estimulado a fazer quando “Compara o retorno incerto da produção com o ganho seguro … dos títulos … aos juros”.
Sem querer estimular irresponsabilidade fiscal, o autor aponta características de nosso mercado financeiro, não levadas em conta, em geral, que mereciam atenção do Banco Central: mercado financeiro oligopolizado, sistema financeiro concentrado, dívida pública fortemente ligado à taxa básica de juros.
Até porque os juros praticados desanimam o empresário, que poderia correr os riscos de investir, a optar por aplicar no mercado financeiro. E conclui: afinal a “taxa de juros …. Define ganhadores e perdedores, redistribui renda, reorganiza investimentos e condiciona o projeto de país”.
Em sua apresentação, Galípolo deixa claro a que proposta se vincula.
,,,,,,,,,,É isso.
quinta-feira, 6 de agosto de 2026
Economia estável a passos mais lentos, juros ainda em órbita, dívida e populismo e os interesses da grande imprensa
link youtube: https://youtu.be/wpI70rvrQUU
Em A Elite do Atraso (2025), ao tratar de mudanças cruciais herdadas dos anos 90 do século passado, como a transformação do capital financeiro em fração hegemônica do capital, Jessé Souza assinala a importância dessa evolução, e seus impactos para o desmonte do Estado de bem-estar do pós guerra e para a corrosão da base financeira de sustentação do Estado.
Para o autor, a tributação no Estado de bem-estar apresentava ao menos duas características: uma base econômica constituída por empresas de grande porte, com grandes plantas industriais e massas de capital fixo; e adotava uma visão distributivista, onde quem tem mais paga mais impostos. Já o capital financeiro, sem amarras ou grilhões pode se deslocar em instantes de um lugar para outro, o que incentiva a fuga de capitais e alimenta chantagens e ameaças aos Estados.
Essa nova realidade, agravada por cada vez mais importante concentração de renda, permite aos privilegiados ficarem livres do pagamento de impostos e arruína a base financeira do Estado, que, sem forças para cobrar os recursos necessários para cumprir sua função junto à sociedade, opta por obter estes recursos se endividando junto ao 1% de sua população mais rica.
Substitui-se o Estado fiscal pelo Estado devedor.
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No Brasil, embora as estatísticas indiquem algum espaço para o aumento da arrecadação, o que se confirma pelos recordes divulgados a cada mês, o Estado amplia seus gastos em velocidade muito maior. O que dá material suficiente para críticas pesadas e constantes feitas pela grande mídia: ou pela fúria arrecadadora, ou pela irresponsabilidade fiscal, de natureza populista.
O que a imprensa não aborda de forma isenta, é que o crescimento da receita se dá em razão de ampliação da base, dado o crescimento (embora cada vez mais reduzido) do PIB, e o aumento do nível de ocupação e emprego e do nível de renda; além do surgimento de novas atividades econômicas, passíveis de tributação, até para evitar seus efeitos danosos à população, como as apostas on-line.
Quanto aos gastos exorbitantes, cobrar imparcialidade dos grandes oligopólios e grupos empresariais do setor de comunicações e mídia seria ingenuidade e pedir demais. Eles teriam que falar do 1 trilhão de gastos com pagamentos de juros, aos privilegiados que não pagam impostos; ou dos mais de 525 bilhões de reais em renúncias fiscais para grandes empreendimentos empresariais (alguns até pagam impostos e depois recebem a devolução); ou de valores destinados pelo governo ao Plano Safra, de 525 bilhões apenas na faixa de agricultura empresarial.
Muito mais cômodo, para não lhes afetar a lucratividade do negócio, criticar os gastos do programa Desenrola e sua prorrogação – MERAMENTE ELEITORAL; os gastos com bolsa família e outros programas previdenciários atrelados ao salário mínimo e, como tal, reajustados acima da inflação. Todos gastos com os menos privilegiados ou a ralé, que ampliam o déficit primário (quando os gastos para funcionamento da máquina do governo e outros destinados às camadas menos favorecidas são maiores que receitas). Note-se que o déficit primário não considera os juros pagos aos que pouco pagam de impostos.
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A imprensa não fala da prévia da inflação de 0,06% em junho; não se lembra de falar da criação de mais de 145 mil vagas formais de carteira assinada em junho, que totalizam 48 milhões de vínculos ativos; do aumento do salário médio.
Divulga que os números estão perdendo força, a economia mais enfraquecida, a indústria apresentando queda expressiva, sem considerar que a causa principal desse desaquecimento é a pornográfica taxa de juros, baixada ontem em 0,25%, para o patamar de 14%, ainda 9% acima da inflação. Juros que os ricos que emprestam e compõem a elevadíssima e recorde Dívida Pública recebem e com cinismo ou falta de vergonha, recebem satisfeitos, mesmo criticando a perda de controle do governo em sua gestão, o que lhes permite cobrar mais juros para dívidas de prazo mais longo.
Alegam risco de o governo não conseguir pagar. A cara de pau é tanta, que escondem que a dívida é na moeda que o governo é quem cria. Ou seja, basta criar mais se quiser trocar dívida que paga juros (em títulos), por dívida em moeda, que não paga juros.
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Para a mídia, gastos com a ralé são os que incomodam e são os populistas, já que não são direcionados a seus bolsos.
A economia está bem, o ambiente é tranquilo e positivo, em crescimento, mesmo que dando sinais de desaquecimento.
A pauta do fim da jornada de 6 x 1, obrigatória para dar mais liberdade e dignidade ao trabalhador e permitir que passe mais tempo com a família, para o lazer, sem perda de salários, o que seria uma nova etapa em direção ao fim da escravização é tratada sempre de forma viesada, dando voz a industriais, comerciantes, empresários e financistas. Essa pauta fundamental poderá, inclusive provocar aumento da produtividade do trabalhador mais feliz e saudável.
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Embora a leitura de Keynes seja sempre deturpada por interpretações equivocadas e míopes, que o apresentam como o pai da ideia da gastança do Estado, para aumentar a demanda agregada e o emprego, mas gerando apenas inflação, essa interpretação carece de fundamento e verdade.
Para ele, na interpretação da abordagem pós-keynesiana, o papel do Estado é criar e manter um ambiente de negócios que permita ao empresário criar expectativas positivas. Essas expectativas é que o estimularão a investir, já que acreditarão que terão mais demanda e aumentos de vendas, em um mercado sempre cheio de incertezas. Ao Estado compete reduzir as incertezas e volatilidades o que poderá, no limite, tomar a forma de aumento de seus gastos.
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Embora pareça estarmos vivendo uma economia dominada pela monotonia, o que o governo Lula tem feito é preservado essa estabilidade. Daí que o país cresce, apesar dos pesares e dos juros pesados.
Incertezas vêm de fora, de bravatas e arroubos dignos do império decadente, patrocinados pelo poder destruidor de agentes laranjas.
Foi o fanfarrão alaranjado americano que iniciou gratuitamente a agressão ao Brasil e ao mundo, inclusive aliados, com tarifação comercial. Foi ele que voltou a tarifar o país, de forma autoritária, cuja única negociação ou acordo possível seria a capitulação. Foram eles que deixaram clara a intenção de interferir no processo eleitoral de um país amigo. Que chantageiam e cortam vistos de representantes diplomáticos.
Mas a imprensa, a mídia e grupos empresariais desejam é que nos curvemos de joelhos, para não terem seus interesses particulares prejudicados. E criticam o governante que mostra um mínimo de amor próprio e noção de dever com a ampla maioria dos que não têm outro país para chamar de seu.
terça-feira, 16 de junho de 2026
Da arte da Política, da politicagem e das raposas e das galinhas
No youtube o link é: https://youtu.be/7uPiVsTA-h4
Tem início hoje mais uma reunião do COPOM, o Comitê formado pela Diretoria Colegiada do Banco Central, com a finalidade de definir a taxa básica de juros – a Selic – a vigorar em nossa economia pelos próximos 45 dias. O objetivo, como exaustivamente difundido, é fixar uma taxa de juros que permita à Autoridade Monetária levar a inflação do país ao centro da meta – fantasiosa por excessivamente ambiciosa – de 3%.
Economistas de competência reconhecida insistem em demonstrar o irrealismo da meta fixada pelo governo Lula, como meta contínua, o que significa que, a cada novo mês (por exemplo, junho de 2026), a inflação medida para o período de 12 meses - de julho de 2025 a junho de 26 – deverá ficar em 3%.
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Em economia como a brasileira, onde mecanismos de indexação insistem em transferir a inflação passada para preços futuros (como a prática de se corrigir uma série de preços pela inflação passada, inclusive salários, alugueis e serviços públicos), apenas uma vez – julho de 2009, a meta foi alcançada. Feito alcançado quando a meta era maior e a meta devia ser obtida a cada ano.
A tais mecanismos, devem ser somados outros fatores capazes de afetarem a inflação. É o caso das guerras que afetam os preços de gás e petróleo, combustíveis, e insumos agrícolas, como fertilizantes. Outro importante fator é consequência de fatores e desastres climáticos, que afetam os preços dos alimentos e o custo de vida de toda a população. Ou ainda a estrutura da economia brasileira, exportadora de matérias primas e bens de pouco grau de transformação e importadora de bens muito mais caros, como manufaturados, máquinas e equipamentos, em situação onde os fluxos de capitais e controles cambiais são praticamente inexistentes.
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Para todos estes fatores que realimentam o processo de elevação da espiral de preços, a visão clássica adotada pelo Banco Central recomenda a retirada de dinheiro de circulação (enxugamento de liquidez) de forma a impedir a expansão dos gastos da demanda do conjunto de agentes econômicos, seja em bens de consumo ou investimento. É essa restrição monetária que torna o dinheiro raro e caro, e se manifesta por elevação da taxa de juros.
Os raros leitores perceberão que a manutenção de taxas elevadas de juros não será capaz de combater elevações de preços cujas causas passam longe de excesso de gastos, tanto privados quanto públicos.
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Aqui há que se destacar: com preços elevados por fatores alheios à um excesso de gastos pela população, os juros altos apenas aumentam o endividamento das famílias e o seu grau de inadimplência, exigindo que o governo amplie os seus gastos sociais, de forma a permitir um mínimo de condições dignas de vida pela ampla maioria da população. Gastos que a grande imprensa e os analistas do mercado financeiro criticam como gastança desenfreada.
Por seu aspecto curioso, vale a pena registrar: o desgoverno anterior e a gestão do liberal Guedes, para reduzir custos, deu sequência e aprofundou a destruição em andamento do programa de manutenção de estoques reguladores de alimentos e preços de produtos agrícolas. Só no governo anterior 27 armazéns foram fechados, cuja retomada é acusada de gastança desnecessária.
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A elevação da Selic, determinada pelo Banco Central, não causa problemas de endividamento apenas para as famílias. Também o governo é afetado por tal política inócua para combater a inflação e sua multiplicidade de causas. De longe, com pagamento de mais de 1 trilhão de reais, os juros pagos sobre a dívida pública é, de longe o maior e mais nocivo gasto do governo. E aumenta o endividamento ao tempo que provoca a queda do nível de atividade e do PIB do país.
Em resumo: amplia o grau de endividamento do governo, o que leva os financiadores da dívida pública – os agentes financeiros – a exigirem juros maiores para continuarem rolando a dívida. Com isso, as expectativas de juros e preços não convergem para o centro da meta no longo prazo e o BC aumenta os juros, que beneficiam apenas os donos dos títulos públicos.
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Trato desse tema em razão de a finalidade primeira do Banco Central ser sempre considerada o combate à inflação, não levando em conta outros importantes objetivos, como a manutenção do nível de emprego, a estabilidade do sistema financeiro, a manutenção da solvabilidade dos bancos e outras instituições financeiras. Como visto, a política adotada, dependente apenas de juros altos está mais próxima de se tornar um fracasso, não tendo apresentado os resultados desejados.
O que resta então ao Banco Central? Regular o sistema financeiro e seus agentes, para evitar casos como o escândalo do Banco Master e o prejuízo causado à população.
Fiscalizar as instituições financeiras, dentro da boa técnica de que quem regula e estabelece as normas, o faz visando objetivos voltados para o fortalecimento e desenvolvimento deste importante setor de financiamento do crescimento de toda a sociedade. Daí decorre que quem regula é que deve fiscalizar as instituições e suas operações.
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Fui funcionário do Banco Central nos idos dos anos 90 e na virada dos anos 2000. Naquela época, o mercado era infestado por boatos, intrigas e balões de ensaio que davam conta de pressões dos bancos e as associações de seus representantes, visando dividir aquele órgão público, permitindo que ao Banco que sobrevivesse, fosse reservada a função do exercício da gestão de política monetária e controle da inflação, com seus juros altos. Quanto à atividade de fiscalização, seria exercida por um mecanismo de autorregulação: os bancos fiscalizando a si mesmo e sua atuação.
A raposa gerindo o clube de raposas e cuidando das galinhas. Mas eram outros tempos.
Tempos que a PEC 65 pode resgatar, depois de aberta a porteira (tanto a giratória quanto aquela que permite aos bancos não se submeterem a quaisquer controles). Esse é um resultado que a PEC 65, se aprovada, tem potencial para colocar em curso. Depois de retirar o Banco do aparelho de que ele faz parte por sua própria origem: o aparelho do Estado e de privatizar o dinheiro que ele, por este motivo, é o responsável pela emissão. Ou ainda apoderar-se das reservas internacionais do país e de seus rendimentos.
Não à PEC 65.
segunda-feira, 15 de junho de 2026
A arte da Política e a PEC 65, aprovada na CCJ do Senado
no youtube: https://youtu.be/7JwsJK3rtoE
Entre as lendas que povoam o imaginário popular e vão se tornando uma tradição com o passar do tempo, sem dúvida deve ser incluída a da sabedoria ou astúcia mineira em relação ao domínio da arte de se fazer política.
Vários são os fatos, os causos, as nuvens de diferentes formatos acompanhadas de mudanças de opinião e argumentos que embasam decisões, e que asseguram ao matreiro político mineiro estar sempre do lado vencedor, ao lado da decisão adotada.
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Não à toa, buscando inspiração para iniciar este pitaco e em dúvida quanto ao uso do termo matreirice, recorri ao Google, e o mestre à indefectível “Visão geral criada por IA”, que desconfio ser muito pouco infalível.
De qualquer forma, está lá: “O termo é frequentemente associado à política mineira (especialmente na Primeira República), onde a "matreirice" descrevia a habilidade dos líderes de usar o jogo de cintura, a sutileza e a persuasão para contornar rivalidades e moldar as situações a seu favor. “
Ou seja: a esperteza de, ficando rouco de tanto ouvir, acabar sempre se aproveitando da lei de Gerson, aquela de levar vantagem em tudo, vendendo a ideia de, por não se manifestar de forma clara, estar sempre da ideia ou da melhor opinião ou solução para alguma situação problema.
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É verdade que a fama decorre da República Velha, dos coronéis da política do café com leite que, com a chegada da Revolução de 1930 ao poder, tiveram que se adaptar, sob outra roupagem, sem, contudo, perderem o poder que nunca deixaram de exercer. Mesmo nos regimes militares ditatoriais.
Como também é verdade que a experiência autoritária gerou, como não surpreende a ninguém, a perda do vigor e do aprendizado que apenas o processo de eleições democráticas permite desenvolver.
O que permitiu que, na virada do novo milênio, Minas elegesse golpistas cuja única referência era uma suposta tradição de família ou, mais recentemente, empresários sem qualquer brilho empresarial, social ou intelectual.
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Na antiga tradição mineira, dizia-se que só se inicia uma reunião para votar aquilo que já foi decidido antecipadamente. E que não se leva nenhum assunto à discussão e votação, se houver uma mínima chance de derrota.
Foi não levar a sério a advertência mineira que fez o governo Lula e sua liderança, amargarem a derrota que lhe foi imposta na CCJ do Senado, na semana passada, pela oposição ao Brasil, com a aprovação simbólica da PEC 65, que dá ao Banco Central o estatuto de 4º Poder do Estado Brasileiro.
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Muito já foi dito do mal que a independência do Banco Central representa para a sociedade brasileira e seus mecanismos de exercício democrático do poder, via processo eleitoral, livre de influências do poder econômico e dos interesses dos grandes grupos, seja da grande imprensa tradicional, seja das big techs e das redes sociais que comandam.
No entanto, o poder do sistema financeiro e suas instituições, todas aplaudindo e apoiando a independência do Banco Central; a capacidade de exercerem o poder de financiamento de campanhas por formas oblíquas, ao arrepio das leis; a bancada de seus defensores entre os parlamentares do Legislativo, nunca exagerada como o caso Master não nos deixa esquecer, todo o peso de um setor empresarial que ânsia por dominar e deter a chave do Banco Central, capaz de emitir dinheiro, acabaram se impondo e exigindo a imediata votação, em plenário, da PEC da Privatização do Banco Central.
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Foi um Rothschild da família dos banqueiros quem disse “"Permitam-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação, e não me importarei com quem faça suas leis."
Para quem deseja apenas obter mais dinheiro do uso de dinheiro, sem nenhum benefício de produção real (gerador de bens, utilidades ou empregos), sem contribuir para o PIB, para o desenvolvimento social inclusivo e harmônico do país, nada melhor que ter controle sobre a fábrica de dinheiro do país.
E é isso que a PEC faz, transfere para o Banco Central, sob a fiscalização e controle do Congresso, os ganhos provenientes de se emitir dinheiro por parte do governo: a senhoriagem.
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Sob a falácia de se promover uma modernização na nossa Autoridade Monetária, capaz de equipará-la a outros Bancos Centrais internacionais, ou pior ainda, de visar tornar o Banco Central independente da política e dos interesses politiqueiros que podem vir a contaminar seu trabalho, buscam afastá-lo completamente do governo, do Estado e da sociedade, que no Estado de Direito nele se faz representar.
Não por acaso, Rothschild queria apenas ter o poder de emitir, sabendo que o controle legislativo é uma piada de mau gosto.
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Se o Estado perde, o governo fica sem condições de fazer política econômica e de desenvolvimento social, se perdem os poucos empresários que ainda se preocupam em produzirem riqueza real não contaminada pelas meras aplicações financeiras, se perde a população, quem se beneficia com a PEC 65?
Os banqueiros que poderão continuar controlando as taxas de juros e impondo suas previsões e expectativas ao Banco Central, sob a pretensa defesa da missão de combate à inflação do Banco.
Todos os que estimulam a permanência da divisão profunda da sociedade em distintas classes, em que a uma minoria tudo é permitido, enquanto à maioria tudo é dificultado, com o acesso à saúde, educação e a bens coletivos sendo liberado apenas aos poucos que puderem pagar por eles.
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Talvez a uma minoria de funcionários do Banco Central, ao menos nos sonhos que acalentam de poder ter o direito de decidirem quanto irão passar a ter de remuneração, livre de tetos e quem sabe, também, no futuro, até de empregos, já que regidos pela legislação madrasta da CLT e eventuais futuras reformas.
Estes, além do risco ao seu emprego, poderão deixar de ver seu trabalho e a qualidade dele respeitados. Mas isso pode não incomodar aos que sonham em frequentar o ir e vir da porta giratória dos regulados e reguladores.
quarta-feira, 6 de maio de 2026
Análise do Programa Desenrola 2: Entrevista ao programa Da Prática Política
Youtube do pitaco: https://youtu.be/w2JkEjKhAUU
Acima o link da live gravada ontem (https://youtu.be/w2JkEjKhAUU), analisando o novo programa do governo Lula, para reduzir o endividamento da população com renda até R$ 8 105,00, dívidas assumidas até 31 de janeiro deste 2026, e inadimplência já entre 90 dias e 2 anos.
O Desenrola procura dar alívio imediato a um público estimado em até 82 milhões de pessoas (número de negativados, Fonte: SERASA) e um volume de recursos, conforme cenário de elegibilidade entre 42,8 e 64,2 Bilhões de reais.
Com inegável propósito eleitoreiro, há pouco mais de 5 meses do primeiro turno das eleições, a preocupação do governo e dos agentes e instituições do Sistema Financeiro que, juntos e de forma coordenada, discutiram e acordaram as principais medidas se deve à existência de um estoque de dívidas estimado em 107 bilhões de reais (fonte:CITI); ao indicador financeiro divulgado pelo Banco Central, de que as famílias estão comprometendo 49,9% de sua renda apenas para o pagamento de dívidas, e que o número de inadimplentes alcança quase 30% da população.
Outro problema, segundo a Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento - ACREFI, está relacionado à um desenho da oferta de crédito equivocado, despontando-se dois problemas, um estrutural - a opção preferencial pelo uso de linhas de crédito mais caras, para financiamento de caixa ou despesas do dia a dia. Outro, conjuntural, de juros elevados e a ilusão vendida pelas BETS.
Outros especialistas indicam o ELEVADO nível de juros das operações, cobrados pelos fornecedores de crédito e o perfil das linhas mais utilizadas: o rotativo do cartão de crédito e a disponibilidade do cheque especial.
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Pesquisas realizadas indicam que as principais despesas que levam ao endividamento das famílias estão relacionadas a gastos de saúde, em especial, planos de saúde e medicamentos e gastos com alimentação, cujos preços se elevam especialmente devido aos efeitos climáticos sobre a produção agrícola e, mais recentemente, por força da consequência dos problemas de geopolítica e guerra.
Se as linhas mais utilizadas são as mais caras, um dos fatores explicativos é consequência da expansão da bancarização ou a inclusão financeira proporcionada pelo surgimento e evolução dos agentes e plataformas financeiras digitais, somado a estímulos a esse processo por meio de regulamentação do Banco Central. Se permite que um maior número de cidadãos tenha acesso a serviços financeiros, ponto positivo, o maior empoderamento aumenta a oportunidade de venda de serviços financeiros por parte desses agentes, com concessão de cartões de crédito e oferta de créditos facilitados.
Sem o constrangimento de ter que entrar em um estabelecimento físico para solicitar um financiamento, as pessoas usam o cartão que lhes empodera para suas despesas comuns, sendo obrigadas a usar o parcelamento do cartão ou rotativo (cujos juros são limitados a 100% do valor da dívida).
No entanto, a partir de uma política monetária desnecessariamente contracionista, com taxas de juros básicas - a SELIC - situada no nivel de 15% por muito tempo - taxa considerada com muito superior à taxa neutra de juros (aquela que não afeta o equilíbrio entre demanda e oferta) os juros para as operações de crédito ou na ponta ganham proporções estratosféricas.
Se a SELIC já indica juros pornográficos - a segunda mais alta taxa acima da inflação em todo o mundo, fica difícil adjetivar as taxas de operações para as camadas de pessoas mais carentes da sociedade. Juros do rotativo do cartão de crédito apresentam variação entre 436 a 451% ao ano. Em relação aos juros do cheque especial, a variação indicada pelo Banco Central alcança de 2,18 a 8,89% ao mês, alcançando o valor acumulado entre 29,5 a 177,8% no ano.
Já o CDC opera com taxas entre 15,52 e 47,18% ao ano.
Por trás dessas taxas, está o peso do Spread bancário, a diferença entre a taxa que a instituição financeira cobra ao cliente tomador do crédito e a taxa que ela paga para aqueles clientes que aplicam seus recursos na instituição. Ou seja, se paga 1,5% ao mês de taxa por um CDB para seu cliente, usa esse recurso para emprestar aos mais necessitados cobrando módicos 15% ao mês.
O Spread é o montante de onde os bancos irão retirar o dinheiro para pagar suas despesas administrativas (pessoal, funcionamento de agências, luz, água, material de escritório, etc.) que representam 25% do spread total. Outros 20% servem para pagamento dos tributos (que os bancos embutem no valor dos juros e transferem para ser pago pela clientela, mais obrigações que lhes servem como seguro, tipo o FGC). Do resto do montante, 20,9% são para pagar pela captação (clientes que aplicam no Banco) E LUCRO.
Dentro do spread está incluído também o valor correspondente às perdas em que o banco incorre, em razão da inadimmplência dos pagadores "caloteiros". Calote, dificuldade de recuperar garantias das operações são alegadas causas de o Brasil ter o 5º maior spread do mundo, em 2024.
Indicadores que nos colocam em lugar de destaque no pódio mundial de que sistema financeiro extrai mais recursos da maioria da população, para transferir recursos para a minoria mais abastada: vice-campeão em taxa básica de juros e 5º lugar em spread.
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Com spread tão elevado, não se admira que os bancos apresentem indicadores de rentabilidade (ROE) em seus balanços, de 17%. Fato que leva o Banco Central a publicar no seu Relatório de Estabilidade Financeira que houve "moderada melhora" de 15 para 17%.
Confesso que não sei se a informação gera comemoração na autoridade responsável por regular o sistema financeiro, que todos sabem ser capturada por quem devia controlar.
Sabe-se que enquanto o ROE no Brasil atinge 17,4, nos Estados Unidos - um país mais pobre? - ele atinge 11,02%. Complementa a informação o fato de 2 dos maiores bancos com ações em Bolsa apresentam rentabilidade acima de 20%.
Ou seja: os bancos ganham muito e a atividade rentista permite alimentar e fazer crescer a participação na renda nacional de 0,1% de privilegiados, para os quais por mais que o governo tente, o Congresso reage e não aprova a cobrança justa de impostos sobre seus ganhos.
No Brasil, de elevada carga tributária, são os mais pobres os que mais pagam, seja embutido nos preços de produtos que são obrigados a consumir - impostos indiretos, seja de forma direta como impostos sobre seu patrimônio, se algum (IPVA, IPTU) ou imposto de renda, em geral de forma antecipada.
Já a parcela mais rica da população, são os menos afetados por impostos diretos - sobre patrimõnio e renda - o que provoca maior desigualdade de renda e inequidade ou justiça fiscal.
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Muitos especialistas apontam que o DESENROLA não ataca a principal causa da situação de inadimplência recorde: a GASTANÇA pública. Acusam o governo de gastar sem controle, de forma demagógica, populista, em especial quando está preocupado em promover um mínimo de redistribuição de renda, transferindo renda para os mais carentes, na tentativa de lhes permitir um mínimo de dignidade de vida.
O raciocínio é que o GASTO PÚBLICO sem limites eleva a demanda agregada, e tem como efeito o aumento de consumo das famílias mais pobres. Somados ambos os gastos, a demanda supera a capacidade de produção da economia e gera inflação. Para controlar a alta dos preços o Banco Central eleva os juros a níveis pornográficos. Aumentam os juros das operações de crédito e a inadimplência, que realimenta o spread em função de expectativas de calote, e os juros. Daí, a inadimplência se torna maior ainda.
Na verdade, é o velho problema do ovo ou da galinha ou do biscoito Tostines (se ele vende mais por ser mais fresquinho ou se é mais fresquinho porque vende mais). O que se sabe é que chegamos à situação conhecida como RISCO MORAL: o tomador de empréstimo aceita pagar juros astronômicos, porque não tem a intenção de pagar. O Banco aceita emprestar por estes juros, por saber que não vai receber.
O que não é dito é que, dado o spread elevado, já nas primeiras parcelas de qualquer crédito o banco já consegue assegurar o retorno de parcela importante e significativa do principal do empréstimo. O que permite reduzir sua perda.
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A tal elevação da Selic para reduzir a inflação é argumento no mínimo falacioso, já que inflação de alimentos provocada por efeitos climáticos (perda de lavouras por chuvas ou seca) não se cura com juros altos e menor demanda. A falta de oferta não tem como ser resolvida e os juros apenas assegura, materialmente, mais oferta para os mais ricos. Aliás, os juros pornográficos é a forma mais perversa de transferir dinheiro dos mais pobres para os mais ricoss. E de ampliar os gastos públicos, dando força aos que acusam o governo de descontrole fiscal (1 trilhão de pagamentos de juros aos mais ricos).
O Banco Central, instituição com pretensão de se tornar completamente independente do governo e da sociedadede (via malfadada PEC 65 que tramita no Senado) revela descaradamente a que interesses presta serviços. E é um dos maiores responsáveis pelo aumento da desigualdade distributiva no país.
No entanto, no mundo neoliberal, individualista, egocêntrico em que a solidariedade é apenas uma lembrança do passado, um quadro pendurado na parede, como diria o poeta, o governo se preocupar em dar um mínimo de melhor qualidade de vida à maioria da população é alvo de críticas. Que, infelizmente, acabam sendo difundidas pela mídia corporativa e empresarial, até levar à própria camada carente a culpar o governo que visa lhe ajudar.
O que se mostra nas pesquisas eleitorais que apontam preferência, neste momento, para candidatos que pregam o fim do aumento real de salários, a ruptura do nível de aposentadorias da política salarial praticada, o fim de SUS e farmácia popular, de educação pública e até a ideia cômica de estimular o trabalho infantil.
O DESENROLA é apenas um paliativo e em pouco tempo o problema estará reposto e novos programas serão necessários. Falta mesmo educação financeira para evitar que os mais pobres estejam submetidos à exploração por parte dos bancos e agentes financeiros.
Mas, antes de mais nada, falta juízo e formação política para uma massa mantida em condições de ignorância, fake news e inverdades de todo tipo.
Afinal, uma massa sem informação e capacidade de interpretação de sua realidade e dos fatos é muito mais fácil de ser tangida.
É isso aí.
segunda-feira, 27 de abril de 2026
A deterioração da Política em Minas Gerais e uma primeira hipótese para a insatisfação com o governo Lula
https://youtu.be/r6EpBuf6bc0
Esquenta, e só dá destaque ao candidato Zema, do Novo e filhote do fascismo tupiniquim, a intervenção abrupta do ministro Gilmar Mendes no episódio da publicação de vídeos criados por Inteligência Artificial e fantoches ironizando ministros do Supremo.
Considerado já o principal cabo eleitoral do ex-governador, ao solicitar a inclusão de Zema no inquérito do “balaio de gatos (ou trem mineiro e suas coisas)”, nascido como inquérito das fake news, o ministro ajuda Zema a sair da obscuridade, tornando-se um nome conhecido nacionalmente.
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Pior é que dá a oportunidade para a postagem de novos vídeos de Zema, com ataques à Suprema Corte, permitindo que ele prossiga com suas ironias e deboches. Ao mesmo tempo, alimenta e dá combustível a colunistas e repórteres de toda a imprensa, com interesses feridos, que acusam o Supremo de praticar atos de intimidação e censura à manifestações satíricas e de humor.
Sentindo-se atingido em sua honra pelo teor das falas do fantoche que o representou, e cuja voz replicava seu modo de falar, competia ao ministro como qualquer cidadão comum, registar um BO e ajuizar uma queixa-crime por calúnia (na hipótese de a sátira fazer referência a comportamento criminoso, como a corrupção passiva) ou por difamação (menção a fato que fere o decoro).
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Ao adotar este comportamento, além de menos exposição a Zema, Gilmar não passaria a imagem de estar se valendo e tirando proveito de sua posição de importância. Mas aqui é que mora o problema: alguns ministros do Supremo têm verdadeira ojeriza a serem considerados pessoas comuns, semideuses que se consideram.
Enquanto isso, o empresário e ex-governador, pode ser considerado um dos piores governantes recentes das Minas Gerais, renunciando ao seu mandato depois de fazer um acordo em relação à dívida da União em razão da lei Kandir, abrindo mão de R$ 65,6 bilhões em troca do pagamento de R$ 8,7 bilhões, até 2037.
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Não bastasse esse exemplo de gestão eficiente, de 2019 a outubro de 2024 Zema deixou de pagar as parcelas da dívida do Estado com a União, por força de liminar obtida pelo governo de seu antecessor Fernando Pimentel junto ao STF. Situação que não o impediu de elevar a dívida do Estado em mais de 75%, fechando o ano de 2025 na casa de mais de R$ 177 bilhões. Apesar de ter contado com os recursos bilionários da indenização paga ao Estado, devido aos desastres ambientais.
Assinale-se que de bobo Zema só tem a imagem do mineirim simplório, desconfiado e matreiro, que cultiva e tenta vender a partir do sotaque que utiliza. Sotaque difícil de se aceitar, para quem, como ele, formou-se em Administração pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com especialização nos Estados Unidos e em Oxford.
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Mas se a política mineira e sua ala fascista tem Zema, tem também o deputado Nikolas Ferreira, contra quem o Conselho Nacional dos Direitos Humanos representou junto ao Ministério Público do Trabalho por calúnia, difamação e injúria, por afirmar que professores exibem vídeos pornográficos em sala de aula, promovendo a erotização por obrigar alunos a se beijarem.
E, na mesma linha, temos a deselegância de Mateus Simões, governador do Estado por pegar carona na chapa de Zema, ao reagir a críticas a um projeto de educação autoritária em lugar de outro, de educação democrática, civíco-militante, proposto por Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto.
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São esses traços autoritários, de inspiração fascista, daqueles que não respeitam a liberdade que afirmam desejar, e não conseguem conviver com visões diferentes de mundo, que têm chamado a atenção neste período pré-eleitoral, muitas vezes com apoio da mídia tradicional.
A grande empresa de comunicação e mídia, ao lado de grandes empresários de outros setores, ao invés de destacar os bons números e estatísticas da economia brasileira preferem destacar o crescimento da dívida, seja a dívida pública da União, seja a dívida de mais de 80% da população, que se manifesta por elevação recorde da inadimplência.
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A incapacidade de honrar suas contas, com a consequente inclusão de seu nome na lista negativa dos órgãos de proteção ao crédito tem sigo apontada como uma das causas da baixa popularidade atribuída a Lula e sua busca de reeleição, nas pesquisas eleitorais. Isso, somada aos gastos feitos nas Bets, por uma população desesperada para obter uma quantia de dinheiro mais fácil.
Como é mais fácil, atribui-se ao governo a responsabilidade pelo endividamento dos cidadãos, e até pelo aumento de gastos de apostas, em razão da aprovação do funcionamento desse tipo de atividade.
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O fato de o Banco Central estar praticando juros reais pornográficos, com a taxa básica superior a 10% ao ano acima da inflação; de a Selic ser o piso para todas as taxas de juros para operações de crédito no país, ou de juros de cartão de crédito alcançarem a taxa criminosa de até 15% ao mês ou 450% ao ano, que as administradoras alegam ser em razão do elevado risco de inadimplência que tais taxas reforçam, acabam alimentando críticas aos gastos do governo, em especial os sociais, considerados
exorbitantes, embora as maiores categorias de despesas incluam o pagamento de juros (mais de 1 trilhão) e os gastos ditos tributários (isenções a empresários) de mais de 500 bilhões de reais.
Fica nítida a razão da crítica aos gastos que privilegiam à maior parcela da população, em detrimento da casta mais privilegiada, a minoria de detentores do dinheiro e poder. Crítica falaciosa de que o aumento dos gastos conduz ao aumento da dívida pública em relação ao PIB, podendo tornar o governo inadimplente.
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Com contas cada vez maiores, consumindo parcela significativa da renda recebida pelos trabalhadores, fruto do sobre-endividamento a juros escorchantes; e cada vez mais bombardeados pela crítica da imprensa que só dá destaque a eventuais e futuros problemas do governo, fica fácil entender como se forma e fermenta o caldo de insatisfação nas camadas que mais atenção receberam do governo.
Essa causa, em minha opinião, dos resultados de pesquisas que indicam a preferência, ao menos neste instante, por políticos que sempre se manifestaram e apoiaram interesses contrários aos mais carentes. E, não satisfeitos, anunciam cortes de benefícios previdenciários e de aumentos salariais acima da inflação; redução de gastos em saúde e educação e privatização ou privataria, se possível, geradoras de polpudas “rachadinhas e comissões”.
É isso aí.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Economia brasileira, percepção popular do governo Lula e a falta dos pitacos, que retornam em breve.
No youtube: https://youtu.be/2V43JhpkwIk
Atônito, confuso com as loucuras do Agente Laranja e seu trágico enredo de Guerra e Paz, cujas consequências para nossa economia tornam-se totalmente imprevisíveis, estou em falta com a publicação dos meus pitacos (tambemquerodarpitaco.blogspot.com).
A confusão é tanta que, por mais que os números da economia brasileira sejam positivos, ainda que em queda, fica difícil falar, sem ser repetitivo, e mais ainda entender a percepção dos resultados do governo Lula, junto à populacao. Complexo buscar as razões por trás dos resultados das pesquisas eleitorais. Mas, nao nos desanimamos.
Vamos em frente e os pitacos retornam em breve.
Enquanto isso, apresento o link de artigo sobre propostas de mudança do Banco Central. Para favorecimento dos de sempre.
https://www.brasil247.com/authors/paulo-cesar-machado-feitosa.
Até
quarta-feira, 4 de março de 2026
Pitacos em um mundo em convulsão
link: https://youtu.be/3j47MVW6o9A
Os (poucos) seguidores desses pitacos perceberam, aliviados, a falta de postagem de pitacos no mês de fevereiro. Não por falta de assuntos ou oportunidades.
Muito antes, pelo contrário! Tantas, tão velozes e significativas as situações que despertaram minha vontade de “também querer dar meus pitacos” que confesso ter me ficado perdido frente à sucessão de fatos novos, atropelando eventos que não tiveram tempo de serem observados e avaliados.
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Foi assim com a decisão do COPOM (reunião de final de janeiro), de manter a Selic em 15% anuais, em obediência aos analistas do mercado consultados, em razão das incertezas do ambiente externo e das condições financeiras globais. Isso, apesar de reconhecer o recuo da inflação e do dólar; da desaceleração do nível de atividade econômica e da geração de novos empregos formais.
Para atenuar as esperadas e corretas críticas dos agentes da economia real, que produzem, trabalham, vendem e pagam impostos, diferente dos rentistas do mercado financeiro, a Ata do COPOM (de fevereiro) anunciou que, confirmadas as expectativas para o ambiente econômico, começaria o processo de redução, lenta e gradual dos juros no país, sem perder de vista a convergência da inflação real para meta inatingível de 3%.
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Aí veio o carnaval, o desfile da Sapucaí inflando o ego de todos os homenageados, inclusive o de Lula, cuja interferência na opção e no formato de apresentação do resumo da involução recente da política em nosso país só se sustenta para aquela fração da oposição que, acostumada a motociatas, passeios de jet-ski e intensa atividade nas redes sociais desconhece o mundo real, do trabalho.
E vieram o recorde de feminicídios, os estupros coletivos, as acusações de assédio por parte das mais altas autoridades do Judiciário, quando não de interesses cruzados rompendo a imparcialidade necessária, ocorrências incapazes de serem lavadas/levadas pelas chuvas torrenciais que provocaram mortes e destruição em cidades da região sudeste, em especial na Zona da Mata mineira, vitimando, principalmente, a população socialmente menos privilegiada.
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Por fim, o agente laranja, fascista, ególatra, falastrão, que gosta de agir como se fosse o dono do mundo que, acossado pelos interesses de autopreservação dos políticos no comando do governo de Israel, dá início a mais uma empreitada beligerante, agora no Oriente Médio, em busca não de armas químicas, mas de armas nucleares, até uma possível bomba.
Líder internacional de triste e patética figura, que opta por tirar da inércia seus eventuais inimigos externos, seja para poder sair dos holofotes e manchetes que o vinculam ao caso do predador e abusador sexual Epstein; seja para reverter a sua previsível derrota política nas eleições de meio de mandato, dadas as consequências da política econômica errática que adota, e penalizam o povo americano.
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No Brasil, março inicia com a notícia do crescimento menor do PIB comparados aos anos anteriores, de apenas 2,3%, puxado pela produção e exportações do agro.
Sim, o resultado mostra a eficácia do BC para, sob a desculpa de combater a inflação, trabalhar para prejudicar o processo de desenvolvimento econômico e social da economia brasileira; implodir os projetos e planos econômicos do governo; fazer os rentistas ganharem lucros recordes sem arregaçar as mangas e por mãos à obra; atrair fluxos de dólar e provocar a valorização das receitas de nossos produtores do agronegócio e de commodities, cuja receita em real se expande; provocar o sucateamento da nossa indústria, e fazer a economia evoluir para o modelo primário exportador de 100 anos atrás.
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Na outra ponta, o desemprego formal para de ser reduzido; o consumo familiar cai, com a menor demanda desestimulando investimentos privados; e o país cai para a posição de 11ª primeira maior economia do mundo.
E analistas econômicos da mídia elegem e combatem a crise fiscal e os gastos sociais, como inimigos públicos nº 1 do país, forma de tirar o foco do principal item de gasto a explicar os déficits públicos: o pagamento de 1 trilhão de juros.
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A mesma mídia que elogia os gastos com planos safra, dedicados à agricultura de soja e milho, gado, frango e ovos, que financiam os grandes empresários do agro ou os gastos com pesquisa e inovação tecnológica que as empresas públicas executam e se espalham para as grandes empresas.
Infelizmente, gastos que não atendem ao pequeno produtor agrícola, ao produtor familiar, responsável pela produção de gêneros alimentícios que saciam a fome do povo.
Ou seja: para os ricos, tudo é possível e tolerado.
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Duas outras questões devem ainda ser tratadas, de forma rápida:
A proposta de redução da jornada de trabalho de 6 x 1, considerada eleitoreira, e que, mais uma vez, coloca de mesmo lado e reúne, a grande imprensa e os grandes interesses econômicos - o agronegócio, a indústria, até do setor de serviços que tanto poderá se beneficiar –, permitindo mais horário para os trabalhadores se dedicarem à família, ao lazer, à educação, ao descanso.
E há economistas que defendem o interesse dos mais poderosos, destacando o efeito prejudicial da medida em nosso país, dada a baixa produtividade de nossa mão de obra. Para eles, menores horas de trabalho provocariam queda acentuada da produção, da oferta e aumento de preços. Ignoram que um trabalhador mais feliz, mais tranquilo, mais respeitado, trabalha mais e melhor, com mais eficiência. Sequer aventam a possibilidade de aumento do número de contratações.
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Outros, para agradar aos patrões, sugerem que os empresários deixem de pagar a Contribuição à Previdência Social. Com isso, propõem romper o esquema de financiamento da Previdência em nosso país, criado a partir do sistema de solidariedade tripartite, onde empregados, patrões e governo contribuiriam em partes iguais.
Curioso é que não falam o porquê de a mera redução do custo do empresário conseguir melhorar a produtividade do trabalhador. Melhora o lucro do patrão. Mas com a produção do país, parecem não se preocupar.
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O segundo ponto é o escândalo do Banco Master e seu proprietário, Daniel Vorcaro, que resultou em prejuízo de mais de 50 bilhões ao mercado, alimentado por crimes financeiros de gestão temerária e má gestão. Tratamos este assunto e do papel da fiscalização do Banco Central na live de 23 de fevereiro do programa de Cláudio Porto, Da Prática Política (https://www.youtube.com/live/lzppiWfvZkc?si=lfXB7ACHTxCc3HjQ).
E tem gente bem intencionada que ainda defende a total autonomia do Banco Central, sua separação completa do governo, para permitir que sua direção e corpo funcional possam vir a se tornar meros prepostos do mercado financeiro, como a teia de maus feitos e de cumplicidade armada por Vorcaro permite imaginar.
Daí, NÃO À PEC 65, e à privatização do BC.
É isso.
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