quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Um mês de Agnotologia e de distopia: a criação do mundo da fantasia.
link: https://youtu.be/8tyAitqmt0Y
Tive a oportunidade e o prazer de assistir, uma vez, uma palestra da professora Nayla Lopes da UFMG (palestra que recomendo e gostaria de contratar!), sobre o tema de sua tese de doutorado, a AGNOTOLOGIA.
Ou o estudo da produção intencional da ignorância e das políticas de produção de ignorância.
Acho que não há nada mais apropriado para o início deste ano de 2026 que a referência à produção e difusão propositada do desconhecimento, de forma a embaralhar a realidade, confundir e tornar normal qualquer absurdo ou barbaridade que se queira. E tirar proveito da criação dessa distopia.
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Porque é por meio das lentes da agnotologia (Dr. Robert Proctor, e ainda o livro 1984, de Orwell) que vejo o ano de 2026, já quase terminado seu primeiro mês.
Afinal, bastou que fossem abertos os arquivos do pervertido Epstein, vindo a público fotos de Trump beijando e apalpando ninfetas de forma luxuriosa que, para desviar a atenção, o agente laranja praticou ato de guerra sem qualquer declaração formal anterior de guerra. (Em 1970, o filme Tora! Tora! Tora!, sobre o ataque japonês a Pearl Harbor, tratava a ausência deste comunicado como ato de traição!
A 3 de janeiro, o agente laranja, de alta toxicidade, desrespeitando todo o direito internacional, invadiu, bombardeou e sequestrou o presidente (ditador) da Venezuela, Nicolás Maduro, levando-o para prisão e julgamento fictício, semelhante às armas químicas do Iraque de Sadam Hussein.
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Estima-se que mais de 150 civis morreram no ato de agressão americana, justificado como medida para libertar o povo venezuelano da ditadura de Maduro, mero pretexto para avançar sobre as riquezas minerais do país com maior reserva de petróleo do mundo. (Só para lembrar, regimes ditatoriais, autoritários e até chefiados por reconhecidos assassinos continuam tendo não só o apoio do agente laranja que, inclusive, recebe com tapete vermelho o assassino na Casa Branca).
A curta duração do ato covarde, dada a ausência de reação das autoridades e forças militares da Venezuela, levou à necessidade da fabricação de outra crise fake, com a ameaça de controle e até invasão da Groenlândia, ilha sob o controle legal da Dinamarca.
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A firme reação das nações da OTAN levou o agente laranja a procurar criar outra situação problema, dando sequência à operação abafa, da conduta imoral de Trump; da alta da inflação americana, como consequência do disparate do tarifaço; e de carona nas ameaças de Israel e seu líder extremista Netanyahu, ao Irã.
No caso israelense, o fictício cessar fogo em Gaza, exigia que Netanyahu continuasse alimentando conflitos fora do país, ameaçando o Irã, desviando a atenção da mídia internacional das acusações internas que pesam sobre ele, e da selvageria da matança indiscriminada contra crianças e civis, ainda presentes em Gaza.
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Mas Netanyahu é amigo e protegido de Trump que faz vistas grossas à ação de limpeza étnica que libera a faixa – rica – do solo de Gaza para que o agente laranja ali instale ressortes de um empreendimento imobiliário faraônico.
O que levou Trump a propor a criação de um Conselho de Gestão de Gaza permanente, sem a presença “incômoda” de palestinos que o transformaria em presidente soberano e vitalício.
Assim, para infelicidade do povo americano, que assiste aterrorizado à selvageria contra imigrantes e até de americanos, Trump parece procurar, tal como Hitler, expandir o espaço vital do território americano.
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No Brasil, além da apresentação de estatísticas que mostram crescimento da economia, redução do desemprego para nível recorde (ou situação de pleno emprego), expansão de políticas sociais exitosas, com mais de 1,5 milhão de pessoas saindo do Bolsa Família, em razão do aumento de renda, o que se vê são interpretações da grande imprensa da irresponsabilidade fiscal do governo, com projeções de estouro do indicador Dívida Pública em relação ao PIB.
O indicador Dívida Bruta/ PIB sobe, mas a agnotologia leva os agentes do mercado financeiro a criticarem, com a mídia sempre lhes dando voz e espaço, as políticas públicas destinadas a reduzirem, minimamente, a desigualdade.
E ainda criticam a fala do ministro Haddad, responsabilizando os juros pornográficos de 15% ao ano, de serem o principal responsável pelo maior item de gasto do governo, as despesas financeiras – fora do teto ou do arcabouço.
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Com juros elevados a ponto de tornarem o Brasil o país com segunda maior taxa de juros acima da inflação no mundo (mais de 10%), a economia mostra sinais de paralisia, andando de lado.
Por esse motivo, e não necessariamente pelo mecanismo de transmissão dos juros, os preços sobem menos e assistimos a uma desinflação (inflação a níveis cada vez menores).
O BC assinala e comemora a convergência para a meta absurda da inflação no horizonte relevante. E mantém a Selic e as ameaças de que poderá não iniciar o processo de redução das taxas, dada a incerteza no ambiente, para a qual pouco contribuímos.
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Pergunto-me, mais uma vez, se o BC é que decide o comportamento a ser adotado pelos agentes financeiros ou se é o Banco que obedece às determinações do mercado, que já precificava: ontem não teria alteração e até o fim do ano a Selic chega a pouco mais de 12%.
Que o Banco deve explicações não há dúvida: do porquê manter a meta irreal de inflação de 3%; de porque deixou o caso do Banco Master, já suficientemente comentado no mercado assumir as proporções e valores que tomou; de porque o presidente anterior, Campos Neto, não agiu para liquidar um banco insolvente, ilíquido, que não cumpria o compulsório e com ativos falsos; porque o Banco se arvora e arbitrar o que é “good bank” ou a parte podre, sem punir, imediatamente ao gestor.
É verdade, o escroque do Vorcaro tinha meia república na mão ou em sua contabilidade. Entre agentes do mercado e do Estado, criou uma blindagem que serve para criar várias justificativas. Todas de acordo com a agnotologia.
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Para escapar de dar as devidas explicações em relação ao comportamento das Igrejas no escândalo do desvio do dinheiro dos aposentados do INSS, Nikolas Ferreira, o deputado virtual, faz peregrinação e um fenômeno da natureza ajuda a distrair a atenção.
Para não aparecer na condição de presidiário sem mais qualquer importância, o ex-presidente golpista, lança seu filho candidato à presidência. Ao menos o sobrenome continua na berlinda.
E o chocolateiro rachadinha, da sua mansão de milhões em Brasília, procura dar sequência à atuação de sua familícia e dos sabujos que cercam seu pai, estes com apoio dos agentes financeiros do mercado e de toda a grande imprensa.
O que sinaliza a direção perigosa que o andar de cima deseja para o Brasil e seu projeto de descarrilamento.
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