segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Outsider


Quando a tv apaga
minha voz se cala
e abafa o som
se a imagem é rara
e não se separa
desta luz neon

é que a mão afaga
um olhar nos flagra
mudo o meu tom
Pego um instrumento
toco um xaxado
num acordeão

Se o trem apita
e a buzina aflita
vem nos irritar
se a sirene clama
e meu bem reclama
só pra chatear

se o telefone
grita o meu nome
ligação local
fecho o livro insone
sonho ser um clone
internacional

Então abro a página
onde meu retrato
é furo de jornal
grito e quase rouco
me descubro um pouco
louco ... marginal.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Mensagem de Natal

As  mensagens de Natal que enviamos são feitas sempre na intenção de serem
portadoras, de fato, de uma mensagem. De alento, de alegria, de estímulo.

Na maioria das vezes, tentando despertar, dentro de nós, alguma força que a
gente ainda não tivesse descoberto. Ou que ainda tivesse deixado esquecida
em algum canto, como uma roupa escondida no fundo do armário, embolada.


É que o Natal embora seja uma data que traz uma mensagem de Paz e Amor,
evoca constantemente o consumo, o comércio, a obrigação de dar presentes ou
a troca de presentes.

A ponto de muitas vezes nos fazer esquecer a mensagem primeira: aquela da
fraternidade, da amizade. Da tolerância, da compreensão. Do cultivo da
solidariedade, da gentileza, etc. etc.


Até a ponto de nos fazer abrir nossa caixa de correios eletrônicos, onde um
email qualquer nos espreita com a mensagem de que não se fazem mais Natais
como os de antigamente. Que a data Magna foi esquecida. Que o Menino Jesus
e sua mensagem perderam o estrelato, tirados do centro do palco, do foco
das luzes da ribalta.


Então, para não deixar virar comércio, nossas mensagens procuram incorporar
um conteúdo que fosse capaz de nos fazer lembrar que o presente verdadeiro
já nos foi dado. Está dentro da gente. Escondido, ou não. Mas é nosso e o
levamos conosco, agora e sempre. Basta-nos, então, saber usá-lo.


Pois bem, nesse Natal, para ser diferente, vamos ser mais simples. Nossa
mensagem, curta e grossa. Objetiva!


Feliz Natal! A você. A todos que te cercam e de quem você gosta. E Muitas
Felicidades!


E um Ano de 2012 que nos permita que, caso se cumpra a profecia maia e o
mundo venha mesmo a se acabar, que ao menos a gente tenha a sensação e a
certeza de que vivemos bem. Tanto, que nos restará sempre a confiança de
que nosso final terá sido o mais glorioso possível.

Ao longo da estrada


Sei que ao longo da estrada
Eu sou poeira
Sou mato,
Sou chão
Eu sou a pedra sem limo
A beira do precipício
Eu sou o vício
Sou a perdição
Sei que sou
Placa fincada na encruzilhada
Apontando a direção errada
E você insiste em seguir em frente
Como se eu fosse o fio da meada
A recompensa desta caminhada

Eu sou mentira
E você não mente
Eu sou tristeza
Que você não sente
Sou o passado
Que não foi presente
Sou abandono
Que você desmente

Eu sou tristeza
Você alegria
Eu sou poeira
Que traz alergia
Eu não sou nada
Mas você me cria
E faz de mim um caminho seguro
Como se eu fosse o seu futuro

Sei que ao longo da estrada
Eu sou poeira
Sou mato
Sou chão
Cascalho solto
Que a chuva arrasta
Como a lágrima que afasta a solidão

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Opções


Há o que sabe rir
Há quem só saiba chorar
Há quem veja o pôr-do-sol
E há quem não queira olhar
Há quem veja a lua cheia
Outros só veem a poeira
Há quem prefira a alegria
Outros são pura reclamação

Há quem sabe curtir o momento
Outros não sabem o que é sentir
Os que dão valor ao sentimento
E os que só sabem mentir
Há os que sabem se divertir
Esses são bem humorados
Outros que não se deixam sorrir
Estão sempre amargurados
Há quem transforma um lamento
Em letra que inspira a canção
Há quem da vida faz liberdade
Outros da vida fazem uma prisão

Quero poder abrir os olhos
E enxergar o prazer
Que as pequenas coisas trazem
E dá para a gente fazer
Basta querer ser feliz
Basta só acreditar
Optar pelo sorriso
Basta não querer chorar

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A vida em trânsito


E se a vida é passagem
é trânsito
por quê torná-lo
violento
capaz de ceifar vidas
e de matar impune,
manchando de vermelho sangue
caminhos
criados tão-somente
para o exercício do aprendizado?