segunda-feira, 27 de abril de 2026
A deterioração da Política em Minas Gerais e uma primeira hipótese para a insatisfação com o governo Lula
https://youtu.be/r6EpBuf6bc0
Esquenta, e só dá destaque ao candidato Zema, do Novo e filhote do fascismo tupiniquim, a intervenção abrupta do ministro Gilmar Mendes no episódio da publicação de vídeos criados por Inteligência Artificial e fantoches ironizando ministros do Supremo.
Considerado já o principal cabo eleitoral do ex-governador, ao solicitar a inclusão de Zema no inquérito do “balaio de gatos (ou trem mineiro e suas coisas)”, nascido como inquérito das fake news, o ministro ajuda Zema a sair da obscuridade, tornando-se um nome conhecido nacionalmente.
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Pior é que dá a oportunidade para a postagem de novos vídeos de Zema, com ataques à Suprema Corte, permitindo que ele prossiga com suas ironias e deboches. Ao mesmo tempo, alimenta e dá combustível a colunistas e repórteres de toda a imprensa, com interesses feridos, que acusam o Supremo de praticar atos de intimidação e censura à manifestações satíricas e de humor.
Sentindo-se atingido em sua honra pelo teor das falas do fantoche que o representou, e cuja voz replicava seu modo de falar, competia ao ministro como qualquer cidadão comum, registar um BO e ajuizar uma queixa-crime por calúnia (na hipótese de a sátira fazer referência a comportamento criminoso, como a corrupção passiva) ou por difamação (menção a fato que fere o decoro).
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Ao adotar este comportamento, além de menos exposição a Zema, Gilmar não passaria a imagem de estar se valendo e tirando proveito de sua posição de importância. Mas aqui é que mora o problema: alguns ministros do Supremo têm verdadeira ojeriza a serem considerados pessoas comuns, semideuses que se consideram.
Enquanto isso, o empresário e ex-governador, pode ser considerado um dos piores governantes recentes das Minas Gerais, renunciando ao seu mandato depois de fazer um acordo em relação à dívida da União em razão da lei Kandir, abrindo mão de R$ 65,6 bilhões em troca do pagamento de R$ 8,7 bilhões, até 2037.
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Não bastasse esse exemplo de gestão eficiente, de 2019 a outubro de 2024 Zema deixou de pagar as parcelas da dívida do Estado com a União, por força de liminar obtida pelo governo de seu antecessor Fernando Pimentel junto ao STF. Situação que não o impediu de elevar a dívida do Estado em mais de 75%, fechando o ano de 2025 na casa de mais de R$ 177 bilhões. Apesar de ter contado com os recursos bilionários da indenização paga ao Estado, devido aos desastres ambientais.
Assinale-se que de bobo Zema só tem a imagem do mineirim simplório, desconfiado e matreiro, que cultiva e tenta vender a partir do sotaque que utiliza. Sotaque difícil de se aceitar, para quem, como ele, formou-se em Administração pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, com especialização nos Estados Unidos e em Oxford.
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Mas se a política mineira e sua ala fascista tem Zema, tem também o deputado Nikolas Ferreira, contra quem o Conselho Nacional dos Direitos Humanos representou junto ao Ministério Público do Trabalho por calúnia, difamação e injúria, por afirmar que professores exibem vídeos pornográficos em sala de aula, promovendo a erotização por obrigar alunos a se beijarem.
E, na mesma linha, temos a deselegância de Mateus Simões, governador do Estado por pegar carona na chapa de Zema, ao reagir a críticas a um projeto de educação autoritária em lugar de outro, de educação democrática, civíco-militante, proposto por Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto.
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São esses traços autoritários, de inspiração fascista, daqueles que não respeitam a liberdade que afirmam desejar, e não conseguem conviver com visões diferentes de mundo, que têm chamado a atenção neste período pré-eleitoral, muitas vezes com apoio da mídia tradicional.
A grande empresa de comunicação e mídia, ao lado de grandes empresários de outros setores, ao invés de destacar os bons números e estatísticas da economia brasileira preferem destacar o crescimento da dívida, seja a dívida pública da União, seja a dívida de mais de 80% da população, que se manifesta por elevação recorde da inadimplência.
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A incapacidade de honrar suas contas, com a consequente inclusão de seu nome na lista negativa dos órgãos de proteção ao crédito tem sigo apontada como uma das causas da baixa popularidade atribuída a Lula e sua busca de reeleição, nas pesquisas eleitorais. Isso, somada aos gastos feitos nas Bets, por uma população desesperada para obter uma quantia de dinheiro mais fácil.
Como é mais fácil, atribui-se ao governo a responsabilidade pelo endividamento dos cidadãos, e até pelo aumento de gastos de apostas, em razão da aprovação do funcionamento desse tipo de atividade.
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O fato de o Banco Central estar praticando juros reais pornográficos, com a taxa básica superior a 10% ao ano acima da inflação; de a Selic ser o piso para todas as taxas de juros para operações de crédito no país, ou de juros de cartão de crédito alcançarem a taxa criminosa de até 15% ao mês ou 450% ao ano, que as administradoras alegam ser em razão do elevado risco de inadimplência que tais taxas reforçam, acabam alimentando críticas aos gastos do governo, em especial os sociais, considerados
exorbitantes, embora as maiores categorias de despesas incluam o pagamento de juros (mais de 1 trilhão) e os gastos ditos tributários (isenções a empresários) de mais de 500 bilhões de reais.
Fica nítida a razão da crítica aos gastos que privilegiam à maior parcela da população, em detrimento da casta mais privilegiada, a minoria de detentores do dinheiro e poder. Crítica falaciosa de que o aumento dos gastos conduz ao aumento da dívida pública em relação ao PIB, podendo tornar o governo inadimplente.
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Com contas cada vez maiores, consumindo parcela significativa da renda recebida pelos trabalhadores, fruto do sobre-endividamento a juros escorchantes; e cada vez mais bombardeados pela crítica da imprensa que só dá destaque a eventuais e futuros problemas do governo, fica fácil entender como se forma e fermenta o caldo de insatisfação nas camadas que mais atenção receberam do governo.
Essa causa, em minha opinião, dos resultados de pesquisas que indicam a preferência, ao menos neste instante, por políticos que sempre se manifestaram e apoiaram interesses contrários aos mais carentes. E, não satisfeitos, anunciam cortes de benefícios previdenciários e de aumentos salariais acima da inflação; redução de gastos em saúde e educação e privatização ou privataria, se possível, geradoras de polpudas “rachadinhas e comissões”.
É isso aí.
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Um comentário:
A reação de Gilmar Mendes face à fala do kid banana (sim, temos dudu bananinha também), me fez lembrar o final do filme "Advogado do Diabo", estrelado por Al Pacino e Keanu Reeves). O "diabo" (Pacino) sorri diante da capitulação de Reeves e diz a frase conclusiva do filme: "Vaidade! Meu pecado favorito". A Nexus/BTG Pactual informa hoje que o kid banana aparece com 4% de intenções de voto. O decano da Corte tem cultura e inteligência suficiente para entender que sua reação só piora a imagem do STF e dá visibilidade ao personagem que só trouxe MAZElas a MG.
As eleições deste ano são verdadeiras guerras onde as forças democráticas estão com significativas desvantagens: seja pela produção em mega escala de falácias, como você bem pontuou, seja por ausência de renovação de quadros... Resistir nunca foi tão necessário. Fernando Augusto Moreira
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