quarta-feira, 26 de agosto de 2026
O presidente do Banco Central e a proposta de política monetária contracionista: alguns comentários
youtube: https://youtu.be/WRF1HTsPFeg
É a demanda, o desejo de gastos dos agentes econômicos, que estimula os empresários a manterem ou ampliarem sua produção e aumentarem a oferta. Sem demanda, o empresário racional não vai correr o risco de investir seus recursos visando lucros.
Enquanto a maioria das pessoas demanda e gasta em bens de consumo, para assegurarem um padrão digno de vida, de acordo com sua renda, a demanda dos donos de empresas por investimento, na compra de instalações, máquinas e equipamentos é a base da produção de um país ou de seu crescimento. Quando mais investimento, maior a capacidade produtiva, maior a oferta e maior o crescimento do país.
Por isso o investimento é considerado a demanda mais importante para o crescimento de um país, de forma contínua ou sustentada. ao longo do tempo.
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Os gastos públicos constituem uma terceira espécie de demanda ou gastos para garantir o funcionamento do governo (pagamento ao funcionalismo público, de prédios públicos). São gastos que permitem que o governo forneça bens e serviços ao público que, embora necessários à sociedade têm características especialíssimas, que impede ou dificulta sua produção pelo setor privado. (saúde e educação pública, lazer, mobilidade urbana).
Em todo o mundo, mas em especial no Brasil, o governo também gasta em investimentos, como a construção de infraestrutura (rede de distribuição de energia e gás, estradas, canais, pontes) e outros feitos para estimular os empresários a investirem, assegurando demanda para seus negócios. Um exemplo disso é a implantação pelas estatais na área de novas fontes de energia, que estimulam a fabricação de material para instalação de pás de moinhos, turbinas, armazenamento da energia gerada, os cabos e fios para sua transmissão, geradores, transformadores, etc.
Essa demanda tem o efeito de multiplicar novos empreendimentos e investimentos.
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No Brasil, o crescimento econômico do primeiro mandato de Lula foi apoiado pela demanda de consumo depois de vencida a inflação e assegurado o poder de compra das famílias. Foi também estimulado pelo aumento dos gastos feitos por estrangeiros, em especial comprando os grãos, os minérios aqui gerados (nossas exportações).
Dessa forma, ao criticar a fragilidade do processo de crescimento amparado pelo consumo, em evento patrocinado na semana passada por agente regulado pelo Banco Central - o Santander – as afirmações feitas pelo presidente do Banco estavam na direção correta..
Correto também estava ao afirmar que se a demanda cresce e a oferta não acompanha, ou seja, a capacidade produtiva não cresce, a economia vai alcançar o pleno emprego, situação em que não tendo recursos para aumentar a produção, vai surgir o fenômeno da carestia ou falta de produtos, gerando inflação.
Questionável é sua afirmação definitiva de o país estar em pleno emprego, em razão de políticas de crescimento da renda e do crédito acima da produtividade do país. Fala que o aproxima da postura de Fukuyama a respeito do fim da História, ao decretar o encerramento do debate já “que nem os grandes debates teóricos entre economistas deveriam se aplicar. A gente está em um momento de pleno emprego com uma economia que vem crescendo com a demanda acima da oferta … “(conforme artigo de Beatriz de Cicco, no JOTA de 17/08/2026).
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Para em seguida afirmar que “o déficit das ações correntes … a inflação daqueles itens que você não pode importar do resto do mundo – componentes de serviços, por exemplo, que vem rodando bastante acima da meta – (indicam que ser) uma economia que está em pleno emprego já”. E concluir que, como em política monetária, “é óbvio que o mandato é você conseguir reequilibrar oferta e demanda, … é por isso que a gente coloca a taxa de juros num patamar restritivo", e assegurar que “a autarquia não está “pilotando” a política monetária “pensando em colocar para cima, de novo, uma maneira para colaborar com o crescimento, puxado por mais consumo e mais demanda. Está muito mais pensando em colocar um patamar contracionista".
Em evento patrocinado por agente para quem os juros elevados geram lucros extraordinariamente elevados, não deveria soar estranho o raciocínio do presidente de um órgão de governo fazendo coro às críticas aos objetivos e ao modelo adotado pelo governo a que serve e com as políticas de quem deveria mostrara mais compatibilidade e coerência, ainda que com autonomia operacional.
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A título de contraponto sobre sua opinião quanto ao pleno emprego: as estatísticas vêm mostrado aumento recorde de pessoal ocupado, principalmente em atividades informais, ligadas à ideia equivocada das vantagens do empreendedorismo. De mais baixa qualificação, a produtividade desses trabalhadores autônomos é menor que a dos que atuam no mercado formal, em especial na indústria. O que permite supor que uma política capaz de expandir o mercado de trabalho com carteira assinada promoveria um aumento da produtividade, da produção e do crescimento, com melhor utilização dos mesmos recursos. Ou seja: o ponto intangível do pleno emprego pode não estar na próxima esquina.
Mas isso é impedido pela política contracionista, como mostrou em artigo sobre juros, publicado na Folha de domingo último, o ex-ministro José Dirceu.
Em sua análise, Dirceu critica as explicações que responsabilizam os gastos públicos e a demanda sobreaquecida, como causa da inflação e da necessidade dos juros pornográficos determinados pelo Banco Central.
Fosse verdadeiro o diagnóstico de elevação da demanda e pressão sobre a capacidade, não teria sido necessário a manutenção de juros elevados em períodos em que o governo apresentou superávits fiscais. os juros não teria sido mantidos elevados como o foram quando o governo.
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Até porque juros mais civilizados permitiriam ao empresariado “ampliar uma fábrica, desenvolver tecnologia, contratar trabalhadores” o que não é estimulado a fazer quando “Compara o retorno incerto da produção com o ganho seguro … dos títulos … aos juros”.
Sem querer estimular irresponsabilidade fiscal, o autor aponta características de nosso mercado financeiro, não levadas em conta, em geral, que mereciam atenção do Banco Central: mercado financeiro oligopolizado, sistema financeiro concentrado, dívida pública fortemente ligado à taxa básica de juros.
Até porque os juros praticados desanimam o empresário, que poderia correr os riscos de investir, a optar por aplicar no mercado financeiro. E conclui: afinal a “taxa de juros …. Define ganhadores e perdedores, redistribui renda, reorganiza investimentos e condiciona o projeto de país”.
Em sua apresentação, Galípolo deixa claro a que proposta se vincula.
,,,,,,,,,,É isso.
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