segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Perdida nos tempos de criança


Vagando
devagar
divagando
arrastando-se pelos cantos
querendo tornar-se útil
buscando participar
cansada
                                   Vagando
                                   procurando a costura
                                   abandonada no tempo
                              devagar
                              trocando passos
                              Já abatida:
                              fim de vida
Contando estórias
voltando à infância
na roda brincando
divagando.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Selic e Gaddafi: as quedas de ontem.

Duas quedas foram o assunto principal das manchetes de ontem. A primeira e mais importante em nível mundial, a conquista da cidade de Sirte, onde nasceu e foi morto o ditador líbio - já expulso do poder, Muammar Gaddafi.
Contando 69 anos de idade, o ditador-tirano que governou o país com mão de ferro por 42 anos e que estava foragido desde o início da primavera árabe, dos movimentos populares que tomaram seu país e do apoio da Otan e, em especial da França, foi descoberto em um buraco, ou tubulação, onde foi feito prisioneiro e, finalmente, morto.
Para o homem, independente de qualquer outro juízo de valor, a morte talvez tenha sido o melhor final, mesmo sabendo-se que foi capturado vivo e, como tal, até o mais ingênuo dos tontos deve imaginar que deve ter passado por algum tipo de tortura.
Menos mal. Experimentou por pouco tempo que seja, um pouco do próprio veneno que aplicou a seus inimigos.
E, sendo assassinado, como se suspeita que tenha encontrado a morte, evitou não só a prisão, como outros tipos de torturas e humilhações.
***
Não sendo favorável ao tipo de comportamento que ele, como qualquer outro tirano pudesse ter adotado, não consigo, por convicção, aceitar que a ele, depois de feito prisioneiro, fosse dispensado o mesmo tratamento. Embora entenda a opinião de quem, de vítima se transformou em algoz.
Confesso, entretanto, que não consigo entender como alguém que não foi vítima,  e até pelo contrário, sempre fingiu desconhecer as atitudes do "amigo" ou parceiro comercial que lhe eram denunciadas, pode virar algoz, de repente.

Refiro-me à França, aos Estados Unidos que,  mesmo não tendo mantido relações amistosas ou fraternas com o governo do líbio, nos seus 42 anos, não adotaram as medidas que parece agora terem sido adotadas estritamente por questões econômicas e comerciais.
Ou seja: ao que parece, o motivo da intervenção militar patrocinada por esses países agora, não tem como principal justificativa, nem como justificativa real o povo líbio e seu sofrimento. Esses são apenas argumentos utilizados como  desculpas. E, passado esse período de mudanças, provavelmente refeitos ou renegociados importantes contratos comerciais vinculados ao petróleo, tudo deverá voltar ao normal. Com o povo sendo de novo esquecido e explorado por algum outro tipo de tirano. Até que novo ciclo se feche e, novamente, os interesses das grandes potências possam passar a serem colocados em xeque.

***
A outra queda foi a da Selic, importante para a nossa realidade interna, mas já suficientemente antecipada.
E, como dessa vez o mercado não foi pego de surpresa, o Banco Central agiu, conforme as opiniões vindas à luz, corretamente, no sentido de coordenar as expectativas do mercado.
Como comentei antes da reunião, isso é, em minha leitura, um eufemismo para manifestar que o BC não se insubordinou e acatou as "determinações" expressas como expectativas do mercado financeiro.
E, ao acatar as expectativas do mercado, essas tornaram-se expectativas auto-realizadas, com ninguém dos "tubarões" perdendo dinheiro em suas apostas.
Resultado: em céu de brigadeiro, até o comentário AGORA, de que houve na reunião anterior do COPOM, em agosto, uma interpretação equivocada por precipitada, em relação ao comportamento e a decisão do BC, foi feito. E deu margem a publicação em análise na Folha de ontem.
E, como está na análise, embora o mercado pudesse ter, no primeiro momento, apostado que o BC se curvara à influência política, DE QUEM FOI ELEITO PELO POVO para, em seu nome exercer o poder (é bom que se lembre e se escreva em letras garrafais!), submetendo-se à vontade da Presidência da República e do Ministro da Fazenda, na verdade, o BC não perdeu sua autonomia.
Afinal, enumera o analista: a crise mundial estava mostrando os dentes aí à porta, e eram necessárias a adoção de medidas destinadas a assegurarem o crescimento para o próximo ano. Além disso, a inflação já sinalizava um certo arrefecimento, por força da elevação anterior dos juros e por força da própria crise. E, o governo prometeu e está, se não cumprindo, pelo menos dando sinais evidentes de não estar disposto a abrir mão de seu objetivo de rigor fiscal (corte de gastos, em especial com a folha de pagamentos do funcionalismo).
E, por fim, o óbvio do ovo em pé, que o analista observou bem, embora o mercado fosse na direção contrária: caso o rigor fiscal não seja cumprido, o BC sempre pode voltar a elevar os juros. Livre de quaisquer pressões políticas,  por ter testado antes o caminho sugerido pelo Executivo.
Ou seja: o BC não só manteve sua autonomia, como ganhou munição para continuar, se necessário no futuro, subordinado ao mercado.
***
Por mim, mais uma vez, ele adotou a postura de uma no cravo e outra na ferradura. O que já é um grande benefício em relação à gestão anterior, em que a decisão era sempre no mercado. No interesse do mercado. Amém.

Do tempo dos rádios e das válvulas


O rádio ligado
     o chiado noturno
     de válvulas se aquecendo
     tomavam a noite
     tornavam a noite
     mais amena.
Eu dormia embalado
nas cantigas do passado
de seu tempo.
          O rádio ligado
          apenas consome o transistor
          tornando a noite agitada
          música avançada
          hoje.
Por isto ele se foi no tempo
deixando a noite vazia
seu quarto transformado, vivo
sua cama encostada, fria.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Passagens de vida


Explodindo em centelhas
ao som da cuíca de um carnaval
morto ao som do samba
da avenida.

A alegria contagiante nas ruas
o triste silêncio do interior
de um interior em fragmentos
decidido à mentalização
voltando à vida...

          Na noite, a presença do abandono
          na lua o esteio da fuga
          na luta com a morte
          o cansaço do corpo doente

Na idéia presente o rosto
a força de um pensamento
capaz de fazer sorrir
          No sonho agitado
          o reencontro com o passado
          o renascer da esperança
          tempos revoltos
          tempo de esperar
          desesperado

No futuro,
a magia do sorriso ingênuo
em versos soltos
um grito de amor
revelando em cada trecho
sinais de perda.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Pitacos desconexos

Começo pelo início, que é sempre a melhor forma de começar qualquer coisa.
Mulher maçã
Está lá na Veja, embora eu não goste e não leia a revista, que já foi um dia de muito respeito, mas isso já lá se vão muitos anos... Bem, um colega de serviço mandou-me parte da entrevista em que ela demonstra toda sua solidariedade e tristeza pela morte de Steve Jobs.
Nem comentarei da nota que sua assessoria emitiu, manifestando o pesar pela perda. Afinal, ali, parece-me, ela se lamentava da morte de outra pessoa, como toda a imprensa destacou: Esteves Jobs.
Mas, se não esteve naquela nota (desculpem o trocadilho), Steve foi muito citado na entrevista. Afinal, não apenas, segundo a bonita loira, ambos tinham em comum o mesmo símbolo, a maça ou Apple, como ela sempre foi aficionada desses brinquedinhos com que o genial Steve teimava em nos brindar. Menos mal. Como a moça conta, ao ser indagada por um amigo, ela deu referências positivas e indicou a aquisição do iPhone 4.
E, seu sentimento é genuíno, embora considerado por outros colegas como completamente sem noção. Afinal, como ela mesma diz, ao fim da conversa: ele parecia ser alguém de seu convívio....
***
Sem noção é pouco. Mas que a moça é bonita, não se discute. E loira...
***
Selic
O mercado todo espera, seja lá o significado dessa frase e a identidade do sujeito, a queda de, no mínimo, 0,5% de queda na taxa Selic. Passando dos atuais 12 para 11,5%.
Não sei. Mas que é interessante ler hoje, segundo dia da reunião do Copom e data do anúncio da nova taxa, que todos estão esperando a redução e... curiosamente dando declarações do acerto da medida tomada na última reunião, quando todos foram surpreendidos e a taxa caiu 0,5%.
Quem se der ao trabalho de ler jornais da ocasião - final de agosto - ou mesmo ler esse blog em seus arquivos, vai se lembrar de quanto criticamos aqui a choradeira do mercado. Todos os analistas e consultores financeiros reclamando e criticando o Banco Central e sua diretoria colegiada por terem cedido às pressões do Planalto e do Ministério da Fazenda, reduzindo os juros básicos.
Até falaram que o BC estava abandonando o sistema de metas de inflação, por sua atitude de subserviência.
Ao contrário, em minha avaliação, o BC deu sinais claros de que não ia mais se submeter à vontade dos mercados e iria fazer política com autonomia.
***
Ou mudaram os mercados ou mudou a forma de tentar dominar o BC. Já tendo caído mesmo as taxas, e perdido dinheiro com o movimento inesperado executado pela Autoridade Monetária, todos os analistas já se prepraram, hoje, para tentar recuperar as perdas. Como? Pautando ou tentando pautar o Banco Central.
Então, todos já comentavam ontem e os sites já davam como certo que haveria redução de 50 pontos, o mesmo que os 0,5%.
Alguns economistas de bancos e consultorias chegaram a afirmar que qualquer redução diferente disso seria mais um "ERRO" de comunicação do BC com o mercado e "FALHA" nos mecanismos de coordenação de expectativas.
Traduzindo: já que eu perdi a primeira e os juros caíram - e o mundo não acabou- e, sabido que os juros vão continuar em queda, porque suficientemente anunciado agora, então, que pelo menos NÓS mercado, ditemos o ritmo da queda da Selic.
E nós só aceitamos 0,5%. Nada mais. Senão, vamos de novo ficar com raiva e fazendo pirrraça.
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Quanto à inflação... bem, ela deve ficar mesmo no limite superior da meta. Mas dentro do que o sistema prevê e permite. Em sendo assim, o BC estava correto. Os efeitos da elevação anterior, que ainda não haviam se manifestado com clareza porque essas medidas de política demoram mesmo a se manifestarem completamente, começaram a se fazer perceber. Junto a isso, a queda do nível de atividades da economia em todo mundo, como consequência da crise recessiva que vem se armando em escala planetária, acabaram mostrando que o BC não havia abandonado a sua meta.
Nesse caso, então o mercado, indignado de ter errado tanto em suas apostas, começou então a adotar dois comportamentos bastante típicos. O primeiro já comentamos. Se perdeu o controle da direção da boiada, tente ao menos, manter-se à frente dela, para parecer que continua liderando e que a manobra foi decisão sua.
O segundo comportamento foi esclarecido hoje, no portal do Ig. E, justia se faça, o economista, de sobrenome Perfeito o revelou claramente. Por ter errado e perdido em sua aposta anterior, o mercado, revoltado e querendo vingança, começou a criticar o BC. Críticas sem fundamento. Pior: começou até a ensaiar críticas quanto a um possível vazamento de informações da decisão que iria ser divulgada dois ou três dias depois. Como se uma decisão de um colegiado de 9 membros poderia, com certeza, ser definida e vazada com tanta antecedência.
Ora, falar que houve informação privilegiada porque o ministro da Fazenda ou a presidenta fizeram pressão para a queda é uma bobagem tão grande que parece a ideia sem noção da Mulher Maçã. Especialmente porque as duas autoridades do Executivo falaram em entrevista para toda a imprensa. Então, onde o privilégio?
Mas, alegar que a informação privilegiada fez com que agentes individuais começassem a acertar seus palpites e tivessem mais sorte - ganhando o dinheiro - que os investidores institucionais, com equipes mais capacitadas e maiores informações perderam por errarem suas apostas é risível.
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O resumo da ópera é assim: se nos obedecem e nós ganhamos, tudo bem. Se não nos obedecem, e nossas apostas se mostram fracassadas, então, quem ganhou não poderia apostar. Porque o mercado financeiro não lida com apostas e expectativas. É tudo de acordo com a certeza de que, quando o poder econômico manda, quem tem juízo DEVE obeder SEMPRE.
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Tomara que eu esteja errado, em esperar 0,75% e que a Selic caísse hoje 1%. Chegando aos 11% que o mercado insiste em precificar a conta-gotas. Até para que, mais uma vez, ficasse demonstrado que o mercado é só chute e palpite. E que o futuro, se não pertence a Deus, também não é feito pelo deus mercado. O futuro, como já disseram antes, é construção nossa, de todos nós, a cada dia.
E seria ótimo para todos nós, se ao final do ano, nossa taxa estivesse lá pelos 10,5%.
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Galo e o futebol mineiro

Melhor nem falar. Ou contar a anedota que falaram aqui. Que os nossos times deveriam mandar seus jogos no Chile, onde eles sabem salvar mineiros.
E tem gente que acredita piamente que tudo não passa de armação da CBF para punir o Galo, por ter sido, seu presidente, o que se insurgiu contra o contrato da Globo, velha sócia da CBF e do Dr. Teixeira...
Mas como explicar que, ao contrário das teses conspiracionistas, o Galo não esteja sendo tão roubado, já que devido a seu futebol tão pobrezinho, nem isso tem sido necessário?
E como explicar que América e outros times mineiros também estejam dando tantos vexames?
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Para falar que Serginho, o volante do Atlético já deu o que tinha que dar. E para entrar e ser expulso, por incompetência e má qualidade técnica, melhor nem entrar no time.
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Fim de Semana em São Paulo

Último pitaco só para falar que, indo tirar o visto americano com data agendada para a última sexta-feira, estivemos em São Paulo no último fim-de-semana. Quatro horas de filas e espera no Consulado, mais chuvas não foram suficientes para atrapalhar o divertídissimo tempo que passamos na Paulicéia. Culpa do meu amigo-irmão Luis Fernando, de sua esposa Fátima, e de seus filhos músicos, João Vitor e Enrico, que nos deram um show.
Show que antecedeu outro show da banda Acullia. Que tem site e vale a pena se tornar conhecida de todos daqui de Minas, também.
É isso. 

Pelas ruas


Ferida
aberta
à mostra
pus.
          A dor
          crescente
          exposta
          à luz
Dilacerando
a carne podre
os vasos íntimos
nus.
               Mendigando pelas ruas
               mostrando a todos
               sua atração
Atrás da esmola
de uns trocados
que só seu show faz
jus.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Anseios


Quisera te falar asneiras
te contar besteiras
te fazer sonhar
          Pudera te falar em verso
          te mostrar o inverso
          te fazer sorrir
Falar desses tempos
de dor que contida
tinha que explodir
          Do sonho que ainda restava
          ter você em volta
          de te fazer amor.