terça-feira, 17 de julho de 2012

Mulher não judie de mim


Mulher não judie de mim
Não maltrate  meu coração
em alguns momentos
fingindo gostar de mim
E em outros instantes
fingindo que não

Mulher não judie de mim
Não maltrate o meu coração
Não queira por lenha no fogo
Não faça comigo este jogo
Tão cruel da sedução

Mulher me atenda um pedido
Não zombe da minha paixão
Lembre-se que só uma fagulha
quando atinge o capim seco
Alimenta a combustão
E se vira labareda
Explode como o desejo
Sob forte compressão

Por isso mulher eu te peço o favor
Não cometa o desatino
De querer brincar com o meu amor
De querer mudar nosso destino
O que só nos deixa a opção
De parar de alimentar o fogo
Parar de fazer este jogo
Que é pura provocação

Mulher não judie de mim
Não maltrate o meu coração
Cujo único pecado
Foi amar sem ser amado
Condenado à solidão

Mulher não judie de mim
Não maltrate o meu coração
Que já está condenado
Mesmo não sendo culpado
Pela sua ingratidão.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

De pernas para o ar


Há tanta coisa que não faz qualquer sentido
Tantas perguntas
e porquês que até duvido
haja respostas para resolver a questão
Perguntas tolas muitas delas sem importância
Indagações feitas por quem está atento
Ou que sem ter o que fazer
Ocupa o tempo
Na busca de detalhes esquecidos
Ou pormenores quase desapercebidos
Que por não se encaixarem à realidade
Somente aguçam a nossa curiosidade
Como o exemplo da modelo fotográfica
Que estampada nua em página central
Enverga sempre sandália de alto salto
pela vergonha de ficar ao natural

Há tanta coisa que não faz nenhum sentido
Como a prisão feita sem direito à fiança
Do homem que tortura aves em extinção
E que é tratado como herói se o seu gesto
Foi dirigido ao preto pobre da favela
Que só podia ser malandro ou marginal

Há coisas que não  fazem o menor sentido
Sob a aparência de que tudo está normal
Que me questiono quem é o doido varrido
O mundo ou eu que penso que sou racional.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Vinte e um anos


Tempo de maioridade
Idade da razão e do juízo
E há algum possível
Para o homem que perdeu o siso?
Há algum resquício de razão
Capaz de sobreviver nas relações
Fundadas nas coisas que surgem
De dentro do coração?     

Vinte e um anos
Tempo de maioridade
Tempo de maturidade
O tornar-se adulta a relação
A parceria
O partilhar do prazer e da alegria
Vivenciada na companheirismo e amizade
E que nos torna mais fortes e serenos
Para enfrentar até os momentos em que a dor
Só é vencida
Se combatida pela força do amor?

Vinte e um anos
Data de maioridade
Prazo que não vence
Vida que não perde a validade

quinta-feira, 12 de julho de 2012

No comando


Meu irmão me faz um interurbano
e pede dinheiro para ajudá-lo a pagar as contas
do mês que se esgota.

No sinal,
o menino maltrapilho se aproxima
e, vendo a janela
entre aberta e fechada
dá um salto em minha direção
e pede dinheiro para comprar leite
pede dinheiro para comprar pão
enquanto o semáforo me paralisa
e obriga-me a refletir sobre a realidade da miséria
inerte.

Minha mulher me pede dinheiro para as despesas
do açougue
do sacolão
do armazém
a empregada reclama o dinheiro da condução
e meus filhos me pedem dinheiro
neste caso,
para pagarem o cinema
o lanche
a  diversão

Meu colega de serviço deseja um empréstimo
mas nada pede
constrangido

Só o dinheiro nada me cobra
nada me pede 
apenas mantém-me cativo,
sem-cerimônia,
Subordinado a seu comando

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Planeta Guerra


Ariel Sharon quer a guerra
os palestinos da Al  Fatah desejam a guerra
fundamentalistas muçulmanos querem a Jihad
a guerra santa
e explodem a paz em atentados suicidas

Os talebans querem a guerra
os terroristas do Al Qaeda querem a guerra
e nas Filipinas o movimento Abu Sayyaf deseja a guerra
como procuram a guerra os extremistas islâmicos
responsáveis pelas bombas que explodiram a paz de Bali

Pyongyang quer a guerra
e se previne, levando avante o seu programa nuclear
Do lado de cá do mundo
as Farc promovem a guerra de guerrilha
enquanto o exército colombiano vai a combate
cumprindo as ordens do presidente Uribe
que, estimulado pelo Pentágono
insiste em derrotar o crime organizado

Os falcões americanos clamam por guerra
a linha dura americana pede a guerra
o partido Republicano finge evitar
mas discursa em favor da guerra
alimentando os lucros sempre expressivos
da indústria bélica americana

No Rio, o tráfico desce o morro
ganha o asfalto e pelas ruas da cidade
trava uma guerra particular
procurando a afirmação de seu poder

Visando controlar  fontes de suprimento
de petróleo e recursos naturais
jazidas de minérios nobres, pedras preciosas
até madeiras de florestas tropicais
os angolanos promovem a guerra
enquanto grupos fracionam, em guerras fratricidas,
a República Democrática do Congo

No oriente, Saddam Hussein deseja  a guerra
e se diverte, fingindo não desejar  lutar

Os súditos de Sua Majestade Elizabeth não querem a guerra
e em atos de repúdio invadem as ruas
tomam de assalto as praças
manifestam-se em vão
enquanto seu Primeiro Ministro se prepara para a luta
solidário ao aliado norte-americano

O Papa discursa condenando a guerra
ora um novo rosário em prol da paz
clama pela paz no fim de seu reinado
revelando já todo o cansaço que lhe impõe
a luta do dia-a-dia.

A ONU não deseja a guerra
importantes países, membros de seu Conselho
procuram evitar o combate
e recusam-se a aprovar uma  resolução
autorizando uma ação militar americana

Mas George Bush deseja a guerra
A fim de desviar a atenção de problemas internos
mais críticos de resolver
Mister Bush anseia pela guerra e fantasia inimigos externos.
Qual um Doutor Strangelove
tentando submeter o mundo inteiro
aos caprichos de sua prepotência
fomenta a guerra, destila o ódio,
e infesta o planeta outrora azul
com as cores fortes e o cheiro nauseabundo do vermelho