quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sereia à beira-mar


Bela
Parada em pé na areia
Até o mar faz marola
Ao vê-la se aproximar
E quem viu a energia e a força do mar?
Quem reparou no tom azul de suas águas?
Ou percebeu se a maré estava cheia?
Se os olhares se fixaram na sereia
E nem mesmo o mar se importa
Em se tornar fundo de tela
Abrindo mão da majestade
Só pra estar mais perto dela

Capricho da natureza
Obra de arte divina
Até o sol se ressente
De não ficar ao seu lado
Quando é hora do poente

Menina e mulher
A inocência da criança
E a sedução
Força e determinação
Garra
Vontade
Que se transmite à natureza em festa
Onde destaca o verde escuro da folhagem
E uma flor de cor rosada é a moldura
Que protege e conserva
Essa pintura

E até as árvores se curvam pra saudá-la
Companheiras para suas brincadeiras
Guerreira
De olhos postados no horizonte
À procura de novos alvos...  outras metas
Mirando o futuro
Radiante como uma manhã de sol
Onde se formam novos sonhos
Novas conquistas se projetam
Outras vitórias
Tão reluzentes como o brilho que emite
E há quem resista a tamanha alegria?
Quem não se deixa capturar pela magia desse olhar?

Arte pura
Magia
O poder da sedução
E a simpatia
Que compartilha generosa com amigos
A noite
Nos bares
Nos clubes
Em todos os lugares que freqüenta
E a que encanta

Presente dos céus. Dádiva dos deuses.
Festa de Natal o ano inteiro
Festival de cores e sabores.
Força viva. Natureza selvagem
Que não há uma forma capaz de domar
Vitalidade que o esporte alimenta
Espírito de luta que a atleta salienta
Poder e energia
Revelação da força interior
De sua fibra
Que em alguns momentos
Nem ela mesma sabe que ostenta

E quem tem forças para não se apaixonar?
E é capaz de resistir ao seu encanto?
Quem é que escapa ao feitiço desse olhar?
De seu fascínio
Desse sorriso que ela lança ao infinito
E que flutua no espaço levemente
Até pousar suavemente nesses lábios
Que se integram a este rosto tão bonito.

terça-feira, 23 de outubro de 2012

Noites de insônia


Quadros na parede
Na varanda a rede
Onde deito sem meu cobertor
Está frio o tempo
Uso como agasalho o meu amor

Um leve ruído de pneu na rua
Pode-se ouvir
Nada que impeça
Quem está com sono
De poder dormir

Se há algum barulho
Que rompa o silêncio
É o elevador
Ou a bomba d’água
Que ressona alto
Quebra o torpor

O céu estrelado
Contrapõe-se às sombras
Da noite que avança
Devagar e sempre,
No fluir do tempo
Que nunca se cansa.

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

E o Galo, hein?

Se houve um jogo desse campeonato brasileiro que valeu a pena ser assistido, dizia Tostão em sua coluna do meio da semana passada, esse certamente teria sido o jogo do Fluminense contra o Grêmio. De acordo com o ex-jogador de futebol, duas equipes que deixaram de lado os chutões de lado, e trocaram a famosa ligação direta dos times de três brucutus postados frente à área, pela bola no chão, e a inteligência e visão das jogadas tramadas, dos lançamentos de um armador à moda antiga.
Ok, mesmo que seja bastante econômico em todos os instantes em que o time a ser analisado é o Galo, exceto claro, quando a análise é a crítica pura, Tostão talvez tivesse mesmo razão quanto à qualidade da partida disputada por cariocas e gaúchos.
E mesmo que tivesse evitado de entrar nos méritos do Grêmio, capaz de não se abater quando ficou com um jogador a menos, nem que não tivesse tocado nas questões de arbitragem, sempre confusas. Sempre, cheias de erros e falhas, algumas pequenas, no meio campo, de inversões de lances que nada têm de cruciais, exceto por terem a capacidade de irem minando a paciência, a calma de um time. E, nesse campeonato brasileiro, curiosamente, sempre favoráveis ao time tricolor do Rio.
***
A verdade é que Tostão, mesmo com razão já que não possui bola de cristal, não tinha visto o jogo do Galo no domingo.
Jogo que, em seu blog, Juca Kfouri deixou de lado certa parcimônia (e até algumas gozações) para elogiar o futebol do Atlético Mineiro, para reconhecer que "O Galo cantou alto ontem em Belo Horizonte, numa exibição inesquecível do que há de melhor no futebol mundial." E, em alguns parágrafos à frente: "Se você, por algum motivo, andava de mal com o futebol e viu o jogo de ontem, certamente ficou de bem.E se não viu, procure ver. É irresistível."
Para concluir: "O Galo, repita-se, pode não vir a ser o campeão. Mas o Galo cococorô. Maravilhosamente.
E quem gosta de futebol, agradece, penhorada e comovidamente."

Em outro blog,  Bruno Voloch afirma que o Atlético-MG foi irresistível, e Ronaldinho nota 10.
***
Mas, temo que Tostão não vá falar poder falar muito do nosso Galo, não por não gostar do time ou não ter visto o jogo, ou gostado. O problema, no fundo, é que Tostão costuma analisar jogo de futebol, e ontem, o que houve na arena do Horto foi um passeio de um time só: o GALO.
O Fluminense, a rigor, não entrou em campo no primeiro tempo. E se conseguiu algum destaque nesse tempo da partida, foi apenas por força de questões nem um pouco vinculadas ao futebol, como são exemplos: a percepção de como Deco, além de excelente jogador, bate muito, deixando sempre alguma ponta do pé, algum chute perdido, na canela do adversário; como Fred, mesmo parecendo não estar em campo, consegue catimbar e reclamar do juiz; como o goleiro do Fluminense dá sorte. Como os homens do apito gostam de dar uma mãozinha ao time do coração de Havelange.
Ninguém discute que Diego Cavalieri é bom goleiro, e que está fazendo um campeonato brasileiro muito bom, o que revela sua qualidade. Daí a dizer que é o melhor do Brasil, ou mesmo o melhor do campeonato, já é algo mais discutível. Admito que esteja sendo o mais regular, o que para um goleiro não é pouco.
Mas, se o Flu sempre se caracterizou por ter goleiros bons, como Castilho, Félix, Paulo Vitor e outros, também é de se lembrar que Castilho era conhecido como a leiteria, por causa da sorte que o acompanhava, mesmo nos lances mais incríveis ou mais improváveis.
Hoje vejo que a sorte talvez não fosse companheira de Castilho, goleiro da seleção bicampeã do mundo, mas do próprio tricolor das laranjeiras.
Porque, além das três grandes defesas que Cavalieri teve a oportunidade de fazer no decorrer do primeiro tempo, três bolas na trave, todas com destino certo, e mais o beque rebatendo a bola com o goleiro já batido são a expressão de que há algo mais entre o chute e o gol que supõe nossa vã esperança de torcedor.
E, nem vamos falar do gol de falta, e da alegada falta, muito discutível, de Leonardo Silva na barreira do CBF-lu.
Discutível não porque Tiago Neves, contra o Vasco marcou um gol de falta em que o jogador de seu time deslocou toda a barreira, promovendo um strike e abrindo o espaço onde justamente a bola pôde entrar, sacramentando mais uma vitória do time mais ajudado pela arbitragem nesse campeonato.
Mas, porque em meio à formação da barreira, quando jogadores do time adversário se posicionam no meio dos contrários, há um empurra-empurra natural, tão natural quanto os agarrões e safanões que são trocados, sem que os juízes o coíbam ou sequer vejam, na cobrança de escanteios.
Que Leonardo Silva aparece empurrando na imagem, é verdade, mas ninguém se preocupou em verificar o porque ele já parece na foto desequilibrado, quase caindo. Não teria ele sido empurrado antes, levando-o a perder o equilíbrio, já que outros jogadores do Atlético nitidamente aparecem trocando empurrões com outros jogadores do Flu, mais à direita da imagem?
***
No segundo tempo, dois lances de oportunismo definiram os gols do Fluminense. Embora no primeiro eu particularmente tenha ficado com a impressão que o início da jogada foi por meio de uma roubada de bola faltosa, lá na frente, no R-49.
Que Fred é catimbeiro e reclama todo o tempo, pressionando o juiz, não tenho dúvidas. Como não tenho dúvidas que é perigoso, oportunista e que,  mesmo não jogando bem, não pode ficar solto em campo. Em duas jogadas de que participou, saíram os gols do Fluminense, os gols que só não dá para reclamar ou classificar como injustiça porque foram eles, também na minha opinião que tornaram o que era uma grande partida do Galo, em termos de aplicação tática, em uma exibição de gala. Um show, para ninguém botar defeito.
***
Quanto ao Galo em si, acho que no primeiro gol do Flu, Pierre não estava atento e não marcou ninguém, deixando Wellington Nem, sempre perigoso, livre às suas costas. Desatento, Pierre nem teve o timing para fazer a linha de impedimento.
No segundo gol do Flu, Berola não voltou para marcar o lateral esquerdo do tricolor. Quando Marcos Rocha foi no combate ao lateral, a bola foi passada para um companheiro que estava ao lado. Marcos Rocha parou o combate ao lateral e ameaçou entrar no jogador com a bola nos pés que, inteligentemente voltou a bola para o lateral, à essa altura, muito à frente de Marcos. O cruzamento encontrou o vão das pernas de Leonardo Silva e chegou ao meio da área, onde Fred de carrinho mostrava o faro de artilheiro.
Descrevo o lance por não concordar com amigos que criticaram Marcos Rocha no lance. Afinal, é ele o jogador que mais corre,  tendo de ser ao mesmo tempo, ponta, armador, volante, lateral direito, e até avante, chutando a gol, como ontem, mais uma vez o vimos fazer.
***
Quanto ao mais: Ronaldinho deu um show de competência e visão de jogo. De garra e vontade de jogar e ganhar. Pierre anulou Deco, colando na sombra do jogador mais inteligente e de visão do Flu. Donizeti jogou talvez a sua melhor partida no Galo. Foi a frente, tentou chutar e foi, por meio de sua jogada e seu chutão na trave que, em minha opinião sacudiu o time e mostrou que era possível. Transformou o que era para ser uma ducha de água fria em um típico banho de cachoeira, na hora de calor mais intenso.
Júnior César subindo com raça e vontade foi, em especial no primeiro tempo, um jogador sempre muito perigoso.
Guilherme, enquanto em campo, fez um passe. Sinal de que melhorou muito em relação a outros jogos onde também não conseguiu defender, não marcou, nem armou, nem conseguiu, por sua lentidão, nada além de desperdiçar jogadas promissoras.
Jô marcou dois gols mostrando oportunismo e boa colocação. Ontem, fez melhor o papel de pivô que nas últimas partidas. E Bernard, endiabrado foi sempre um perigo.
Cuca engoliu taticamente o técnico do time carioca que, para mim é um técnico muito bom para armar um time para golear de 1 a zero. Especialmente se o juiz ajudar a chegar ao gol, e manter o zero lá atrás. E depois vai à tv ironizar que vão falar que o time está sendo beneficiado pelos árbitros.
Fazer o que, se é a mais pura verdade? Não fosse isso, a diferença de pontos hoje não seria a favor do time da CBF, mas do Galo.
É isso.

Homenagem às mulheres


Mulher, mulher
De corpo moreno,
Suave veneno
Arma feminina
Pura sedução
Cujo uniforme
Tal qual a fumaça
Apenas embaça
Mas não disfarça
Sua natureza,
Em ebulição:
Sua energia
Que nos contagia
E que nos envolve com sofreguidão
Num jorro de fogo
Que nos escraviza
Domina e arrasta
Lava de vulcão
Mulher, mulher
Sabê-la por perto,
Por certo é perigo
Por ser o combustível
Da imaginação
Mulher, mulher
Heroína e guerreira
E que está presente
Em todos os cantos
Em que seus encantos
Fazem de você
Centro de atenção

Mulher, mulher
Presente e futuro
O tempo, a lembrança
Mulher esperança
Apenas mulher.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Múltiplas personalidades


Ser esse Paulo
Que acompanha suas noites
Que te traz encantamentos
Faz os seus olhos brilhar
Que torna os seus sonhos
Mais lindos e mais concretos
E seus desejos mais secretos
Virem a se realizar
Ser o parceiro
Ser teu ponto de equilíbrio
Quem te leva ao delírio
Seu homem e companheiro
Ser com certeza
Quem te deixa excitada
Quem te provoca risada
Quem te faz sentir tesão
Ou ser somente
Quem preenche seus anseios
Sem receios, sem rodeios
Quem te faz o que não fiz
Que é te dar tudo o que você merece
Poder te amar sem medo
E fazer você feliz

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sobre o futuro e o aprendizado


Voa
Sobre as nuvens da insensatez
            Deixe o passado  se afastar de vez
Não se culpe
Pelo que pensou fazer
E não fez
Foi aprendizado
Você cresceu
Deixe-se levar nas correntes de ar
Livre como  a ave a voar

Como a gaivota corta os céus
E serena plana sobre o mar
Aproveite o infinito
A imensidão
Do céu sem nuvens, azul claro
Marca do início do verão
            Viva o presente
            Consciente que ele é todo seu
Sem a insegurança
Da criança que ainda não cresceu

Que o futuro, mera esperança
É só um tempo que ainda não nasceu
Ou página em branco de um livro
Que você ainda não escreveu.