quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

A Economia em frangalhos: por que o Brasil era a 3a opção de investimentos externos em 2013, e hoje é apenas o 10º, com viés de queda constante

 As notícias econômicas relativas ao país, neste início de 2022 são, para dizer um mínimo, decepcionantes.

Não que pudesse se esperar resultado muito diferente de um governo cuja principal característica é justamente a de não mostrar qualquer preocupação em governar.

A começar do tosco chefe do Executivo que, depois de mais de 28 anos atuando como parlamentar, o equivalente a 7 mandatos, apresentou apenas 171 projetos de lei (uma média de 7 por ano ou 24 por mandato) com apenas 2 deles sendo aprovados.

Chamo a atenção para que 171 não é referência ao artigo do Código Penal que trata do crime do estelionato, aquele em que o sujeito busca obter para si ou outrem, vantagem ilícita ... induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artíficio, etc.

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Na condição de deputado, o atual mandatário se especializou em contratar assessores fantasmas que lhe possibilitou a prática da rachadinha, em que se especializou a ponto de poder transmitir o ensinamento e o “modus operandi” aos seus herdeiros.

Sempre é bom e necessário frisar: cada parlamentar tem o direito de contratar um certo número de assessores para auxiliá-lo em nas várias atividades desenvolvidas em seu gabinete. Para isso, conta com uma verba  definida pela Casa, que é alocada ao seu gabinete. Esse dinheiro é de origem pública.

Está previsto em orçamento e sua origem é o pagamento de impostos por todos os cidadãos brasileiros.

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Esta verba é tão pública e deve respeitar a utilização específica a que se destina, tanto quanto os apartamentos funcionais que a Câmara disponibiliza aos deputados de outros estados, para que possam ter condições e local onde ficarem enquanto exercendo o mandato popular, em Brasília.

Como se sabe, o deputado tem o direito ao apartamento, como os magistrados têm o direito ao auxílio moradia, enquanto estiverem fora de seu domicílio, por razões de serviço, desde que não sejam proprietários de imóveis na cidade onde trabalham.

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No caso dos magistrados, infelizmente faz-se vista grossa para o fato de que a tal verba é paga a todos, indiscriminadamente, e transforma-se em um expediente para elevar sua remuneração mensal. A ponto de tal ajuda ser paga para o casal de magistrados que, em geral,  moram na mesma residência, de sua propriedade.

A maioria da população se indigna com essa situação que é, normalmente, decidida por instâncias judiciais superiores, os tais colegiados, onde a maioria aproveita para se locupletar.

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Dito isso, não resisto à lembrança da frase magistral atribuída seja ao genial Barão de Itararé (Aparecido Torelly), seja ao outro gênio Sérgio Porto (o Stanislaw Ponte Preta) ou ainda ao monumental Millor: “Ou restaure a moralidade ou nos locuplementemo todos.”

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Fica evidente que, a prática adotada pelo chefe da familícia que corrói o Brasil faz é tão somente, peculato (no caso das rachadinhas) ou o famoso Estelionato. Mesmo amparado pelo foro privilegiado.

Nisso, os bolsopatas têm razão: a palavra que define o crime não é corrupção. O crime é outro. E, no tempo, expandido para comportar outras hipóteses: formação de famílicia (ou quadrilha familiar); lavagem de dinheiro, etc.

Da mesma forma, manter apartamento funcional para “comer gente” classifica-se como desvio de recursos públicos.

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Mas, em governo em que o inepto capitão é líder, e se dedica apenas a realizar motociatas, passeios de jet sky e apresentações em redes sociais particulares, ou a soltar absurdos  e obscenidades, para rádios de correligionários, apenas tendo em vista a reeleição, não é de se esperar muito do resto.

Inclusive do Posto Ypiranga, o tal homem do mercado financeiro que perdeu tanto tempo lendo Keynes no original, que não teve tempo de fazer qualquer proposta, plano, sequer acompanhar o controle da execução, e identificar ações de correção necessária de planos ao longo do mandato infeliz.

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Vindo do mercado financeiro, atividade que Keynes chamava de jogo bursátil, e equiparava a um cassino, não é de se surpreender que proposta alguma tenha sido feita pelo ministério da Economia, muito fortalecido no início do desgoverno, e tenha sido levada a  cabo.

Por mais que tenhamos de respeitar as qualificações dos técnicos que ocupavam postos no ministerião.

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O falastrão ministro mostrou aptidão apenas para abobrinhas, o que significa que pode ser que estivesse no lugar errado. Talvez devesse estar no ministério da Agricultura, no lugar de Tereza Cristina!

Por tal motivo, a reforma tributária, que nada reforma, não evoluiu; a reforma administrativa, em boa hora, empacou com todos os seus absurdos; a reforma previdenciária saiu apenas por interesse de Rodrigo Maia, então mordido pela mosca azul do poder, na expectativa de que se credenciar peranto os Farialimers poderia abrir para ele a oportunidade de se candidatar à vaga do ‘destruidor do futuro’. A trabalhista, continua empacada, no afã de retirar ainda mais direitos das classes trabalhadoras. O programa de privatizações pouco andou, e seu resultado mais efetivo foi a saída de Salim Mattar da função de secretário da área.

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Daí não é, nem deveria ser surpresa que o PIB durante o desgoverno tenha sido marcado por um crescimento médio pífio (algo como 0,81%), longe das promessas do despreparado capitão e seu posto de gasolina adulterada.

E nem se pode alegar uma suposta responsabilidade da pandemia, que levou o despreparado a desejar que as pessoas saíssem de casa para se contaminar e até morrer, já que, no ano de 2021 a economia, partindo de uma base bastante prejudicada pela Covid no ano anterior, vai crescer algo próximo de 4,5 ou 5%.

Mas, tal retomada está longe da recuperação em V, prometida pelo falastrão assessor de Pinochet, mas em raiz quadrada. Já dando sinais de que do V, sairá é uma curva descendente.

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O desemprego e a parcela da população em subemprego ou atividades autônomas aumentaram. A inflação de 10,06% é a maior desde os anos de pautas bombas, instabilidade e desespero do governo Dilma para tentar conter o golpe em marcha. A taxa Selic atinge 9,25%, com projeções de atingir até os 12%, em 2022.

Para culminar, foi feito o anúncio ontem que o Brasil caiu duas posições, no ranking dos principais países para atração de investimentos estrangeiros.

Isso, depois de ter sido o terceiro colocado em 2013, nos governos de .... “comunistas”. Ou seja, no Brasil, comunista se preocupa em criar condições de lucratividade, estabilidade e ambiente seguro e estimulante para os capitalistas.

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Em vários jornais (Band, Cultura), jornalistas e comentaristas ao analisarem o dado reclamaram da inoperância governamental. Da ausência das reformas estruturais que não foram levadas a cabo. Algumas nem mesmo tiradas do papel

Ou seja, tudo que foi objeto e tema de tratamento neste pitaco.
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Mas, não é que sejamos favoráveis às tais reformas, que não irão resolver conseguir destravar o problema de nosso subdesenvolvimento crônico, justamente por não colocar o trabalhador, ou a grande maioria da população excluída dos benefícios do desenvolvimento, ou não incorporar ao mercado de consumo as amplas massas populares, por meio de uma ampla e necessária reforma de distribuição de renda. E não só de renda, mas de participação na alocação de verbas do Orçamento Público. E ainda reformas na participação na Educação, na Cultura, nas preocupações e ações sanitárias, do saneamento e da saúde.

Ou seja, reformas que estão longe de agradar aos empresários nacionais ou aos seus porta-vozes na imprensa tradicional, que apenas pensam em como expandir seus lucros, sem ter de elevar custos, fazer sacrifícios, investir nos colabores, trabalhadores, empregados, parceiros.

Classe patrimonialista, sempre disposta a ganhar sem sacrificios, sem ceder nada.

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Algo bem diferente de empresários estrangeiros que fugiram do Brasil desde que perceberam a instabilidade política fomentada pelas elites, pela grande imprensa chapa branca, pelos poderosos de sempre. Desde a preparação do golpe em 2013.

Por que?

Por que os empresários estrangeiros sabem que não é possível crescer sem incorporar as massas ao processo. Sem consumo. Sem melhoria das condições de vida, rompendo a marginalidade, antes que os excluídos se cansem do papel que lhes é destinado, de serem meras sombras, vazias. Invólucros sem significado e sem direitos, nem ao mesmo ao sonho.

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O medo de que essas massas despertem, e como uma força selvagem da natureza resolvam se expressar, é o que leva quem tem recurso a preferir migrar para um país de economia sólida, do que para outro onde o primeiro responsável por atraí-los filosofa, mesmo que com propriedade: “Nada está tão ruim que não possa piorar” (o parceiro das milícias em 27/09/2021). Ou “Temos é que desconstruir muitas coisas.” (em março de 2019).

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