segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Gastos públicos, dívidas e juros e a vergonhosa seletividade da grande mídia

link youtube: https://youtu.be/mAR0UZ5qlh0 No último pitaco falamos de forma simples do princípio da Demanda efetiva, elaborado por Keynes há 90 anos, para quem o empresário racional investe, cria e amplia empresas, se acreditar que, mais à frente, irá encontrar comprador(es) para vender sua produção. É essa expectativa INCERTA que o faz usar seus recursos para comprar máquinas, gerar emprego e renda, comprar matérias primas e insumos para produzir, e vender com lucro. Como produzir tem custos, o empresário vai preferir não utilizar a capacidade produtiva que possui, se pessimista, ter medo de produzir e não vender sua produção para recuperar o gasto feito, obtendo prejuízo. O comportamento descrito contrariava e criticava o pensamento econômico neoclássico dominante, para quem, depois de gastar montando uma fábrica, o empresário iria SEMPRE, utilizar a capacidade instalada em sua totalidade. *** Entre as várias demandas dos agentes econômicos – de consumo das famílias, em investimento dos empresários, as compras dos clientes do exterior, e os gastos do governo– tratamos da importância da demanda do governo, capaz de permitir criar demandas secundárias. A construção de um porto exige a compra ou contratação de terras, de máquinas e equipamentos, de matérias primas e insumos, de cimento, de material siderúrgico, de serviços de empreiteiras e trabalho especializado ou não, além de tecnologia. Ao efetuar gastos públicos, o governo põe em marcha uma engrenagem e estimula outros setores a investirem e produzir, garantindo demanda e reduzindo a incerteza, gerando efeitos multiplicadores sobre o emprego, a produção e a renda, junto a aumento na arrecadação de impostos. *** Além desses, como sabemos, existem outros gastos públicos também importantes geradores de demanda, pelo trabalho de funcionários públicos, como médicos, enfermeiros, engenheiros, advogados, professores, planejadores, fiscais, assistentes sociais, policiais, garis. E, uma vez que nem todos nascem e têm as mesmas oportunidades de vida em nossa sociedade, muitas pessoas não têm acesso à saúde, a alfabetização, ao ensino, à qualificação e a condições de vida e emprego dignas, obrigando os governos a proporcionar a elas condições mínimas de vida, via pagamento de benefícios sociais. *** Tais benefícios são tão mais vultosos quanto mais desigual nosso país e as condições de vida, saúde e educação. Mas são necessários. E, ao permitirem que grande parcela da população possa consumir, acaba criando demanda e estimulando, além da arrecadação, o crescimento econômico. Ao contrário daquelas pessoas muito ricas, que já têm tudo e quando gastam preferem comprar bens de luxo no exterior. E àquelas pessoas que tendo muita riqueza, preferem gastar, não na compra de bens, mas em compra de papeis ou títulos financeiros, que rendem juros e lhes permite ter muito mais ganhos, com a taxa de juros que o país pratica. Esses constituem os parasitas ou rentistas do mercado financeiro. *** Ao efetuar estes gastos (se maiores do que o que arrecada de impostos), o governo gera déficits e se endivida. Mas é uma dívida em reais, moeda que o governo é quem cria. Logo, sem qualquer chance de que aqueles que têm recursos para emprestar ao governo, levem calote. Desse ponto de vista, porque a grita histérica contra o endividamento público? Por que o dramalhão feito em relação à dívida pública representar 81% da produção do país (o PIB), se países mais avançados, como Japão (249%), Estados Unidos (123%), Canadá (114%), China e Reino Unido terem mais de 90%? Para dar tranquilidade aos credores de que o governo não irá quebrar e dar calote? Ou para forçar a barra e obrigar o governo a cortar gastos em benefício da população mais carente, enquanto mantém e assegura os gastos tributários (incentivos, subsídios) aos mais poderosos, o financiamento de planos do agronegócio, setor que já se beneficiou tanto das pesquisas da Embrapa, pagas pelo governo? *** Há muito que cortar em gastos públicos, para controle da elevação crescente dos gastos e da dívida, quando a meta da inflação é tão ridiculamente baixa, em um país que nos últimos 20 anos teve inflação média superior a 6% ao ano. Por que não trabalhar com um pé na realidade, e meta de 4%, mais o limite de tolerância. Com isso, e corte de gastos em favorecimento dos mais ricos, gastos, dívida e juros cairiam. Até porque, a queda dos juros já reduziria a dívida pública, por ser, de longe, o gasto mais elevado. *** Mudo para questões de política e o vergonhoso tratamento seletivo que a grande imprensa tem patrocinado neste país. Tratamento que permitiu ao editorial da Folha (ou seria Falha de São Paulo?) de domingo, 23 de agosto trouxesse em seu título “Desgastes de Lula e Flávio mantêm a disputa acirrada”. Na linha fina, a chamada: “Petista enfrenta noticiário negativo sobre atividades de seu filho…” Enquanto do lado oposto, dizia que “bolsonarista, após ligação revelada com Vorcaro, fica isolado na direita”. Ou seja, a Falha compara dois candidatos: um com problemas de idoneidade – da prática de “rachadinhas”, à relação com milicianos, até o pedido ao “mermão” , de 134 milhões do dinheiro de golpes financeiros, inclusive contra aposentados, para financiar o cavalo agourento que se desvaneceu, no ar, como a prestação de contas desse dinheiro. Mais um conto do vigário (ou seria vicário?). O outro, é presidente de um governo que investiga tudo, com liberdade, sem trocar comando da PF, para evitar” f… minha família” (ver reunião de 22 de abril de 2020). *** Acusar Lula pelo filho lobista, como se isso fosse exclusividade do governo atual, do PT ou do Brasil é não ter memória – os mais velhos – ou ignorar o escândalo do irmão do presidente americano e prêmio Nobel da PAZ em 2002, Jimmy Carter. Billy Carter, de comportamento excêntrico, recebeu sem declarar financiamento do governo líbio para atuar no caso da liberação dos aviões da Lockheed. Embora Carter tenha sido derrotado, o comportamento da imprensa americana, em um país ainda sob regime reconhecidamente democrático não pode se assemelhar aos abutres que concentram o poder da grande imprensa (Estadão, Folha e Globo). É isso.

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom!