terça-feira, 7 de junho de 2011

Cidade maltratada

                                                            Passeio pela cidade
iluminada por um luar envergonhado
que se esconde
atrás do concreto armado
e não percebo o asfalto quebrado
tomado de assalto pela primeira chuva
a primeira poça
a promessa sem providência.
Passeio pela cidade
e busco insistentemente
algum jardim, ou uma flor
qualquer verde
de esperança, enfim
alguma resposta à questão
o porquê da cidade-jardim.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Fim de semana sem expectativas, só certezas

Começando na sexta feira à noite, na entrevista do ministro que tinha tudo a dizer e nada disse. Inteiramente dentro do script, a saber, frustrando qualquer possibilidade de que, finalmente, o Jornal Nacional, da Globo pudesse fazer alguma pergunta mais provocativa; ou que, ao constatar que o ministro tergiversava, tentar encostá-lo na parede, ou sequer tentar fazer da entrevista a possibilidade de dar vazão a um jornalismo mais investigativo.
Do ministro e suas evasivas, também, nada surpreendente.Disse que nada tinha a dizer, como já anteriormente, no caso da República de Ribeirão Preto, também nada tinha a declarar. Como também nada sabia do caso da quebra do sigilo de Francenildo.
O que falou, de confidencialidade de dados e informações de seus clientes, nada de novo. Apenas, acacianamente, sofismou, afirmando que a coisa mais difícil é se tentar provar que o fato não acontecido.
Por falta de materialidade e provas.
O que faz com que a discussão se transforme em um amontoado de desmentidos que nada desmentem e afirmações sem significado.
Palocci mente? Não mente? Fez tráfico de influência? Não fez?
Mas, à mulher de César o que importava era ser ou não honesta ou parecer?
E qual a aparência do ministro agora, especialmente depois que a Revista Veja divulga que o apartamento milionário que ocupa tem como proprietários pessoas que não tinham renda para tamanho patrimônio? Ora, o ministro dá o golpe do inocente. Alega negociar com a imobiliária e que nada sabia da situação dos proprietários do imóvel.
Fingindo que nós os ignorantes telespectadores da Globo acreditemos, ainda assim não fica no ar apenas a certeza de que, como todos já esperávamos o ministro nada diria para se defender, por não ter mesmo qualquer defesa?
***
No domingo, Nadal venceu, pela sexta vez o mais importante torneio de tênis do saibro, o de Rolland Garros.
Nós os mineiros fomos obrigados, mais uma vez a engolir uma transmissão de futebol em que o Flamengo era parte. Porque quando não é Flamengo é Corínthians e nesse domingo, jogavam um contra o outro.
Havia alguma possibilidade razoável de dúvida de que seria essa a transmissão programada pela Globo?
***
Também não foi surpresa o resultado do América Mineiro, especialmente depois de ouvirmos uma entrevista de seu artilheiro, Fábio Júnior, afirmando a importância da presença da torcida, pequena mas sempre inflamada, do América.
Torcida inflamada e capaz de dar incentivo a ponto de, mesmo menor em quantidade, por várias vezes já ter rivalizado com as torcidas mais numerosas de seus adversários e até ter feito o prodígio de emudecê-los.
Pois bem, é nessa circunstância que o América resolve ir jogar longe de sua torcida, sem apoio e sem incentivo.
O placar favorável ao Internacional, portanto, não foi surpreendente.
***
Como, para encerrar, não houve surpresa no fato de a manhã de segunda feira ter chegado, trazendo em todos os rostos de estudantes e trabalhadores sinais de uma dúvida ou curiosidade: por que o fim de semana passa com tão maior velocidade do que o restante dos dias das semanas.

Bodas e bodes

                                                           Vai ter missa
recepção
vestido branco
mantendo a tradição
e flores pelo altar
e marcha nupcial.
                                               Vai ter retrato
                                               vai ter sorriso
                                               e choro de emoção
                                               vai ter
(Amigos erguerão brindes
e beberei
até cair nas ruas.)

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Palocci: o enriquecimento, a midia e a ética

Da tribuna do Senado, o senador gaúcho Pedro Simon recomenda ao Ministro da Casa Civil Antônio Palocci, que apresente seu pedido de afastamento temporário do cargo que ocupa, até que sejam esclarecidas todas as dúvidas que cercam o processo espetacular de enriquecimento experimentado pelo ministro nos últimos anos.
Matreiro, o senador em sua fala enfatiza o termo temporário empregado, como se querendo passar a impressão de acreditar na possibilidade de o ministro apresentar argumentos convincentes em sua defesa.
De outro lado, o líder do partido a que o ministro é filiado desconversa, dizendo que nada de novo veio à luz para que a proposta de Simon possa ser considerada. Transmite-nos a idéia - FALSA- de que o ministro já teria apresentado as devidas justificativas para o aumento patrimonial, o que até agora não foi feito (exceto pela redação de um nota por sua assessoria que, de tão infeliz e oca de significado, deu origem a inúmeras críticas mesmo dos amigos e correligionários mais próximos e causou punições para seus autores).
Reconhecendo o silêncio, o próprio Palocci admite vir a público prestar os esclarecimentos necessários, ainda no final dessa semana ou início do próximo. Afinal, já ficou evidenciado que seu comportamento de fingir-se de morto, como se o problema não dissesse respeito a sua pessoa, ou adotar ouvidos moucos, já está afetando a própria credibilidade e capacidade de articulação e tomada de decisão política do governo Dilma. Em resumo: anda prejudicando a governabilidade do país.
***
Mas, o líder petista no Senado finge ignorar tudo isso, declarando perante às câmeras que Palocci tem, em sua opinião, demonstrado um comportamento irrepreensível ou coisa que o valha. E, esse mesmo comportamento é o que o ministro vem adotando e tem adotado ao longo de sua carreira política.
Ou seja: sem fazer alarde, está dado o tom da defesa do líder petista. O ministro, por ser de seu partido e por fazer parte do governo, ocupando cargo de alta importância, tem de ser protegido e blindado, até. Mas, ninguém se iluda. Seu comportamento se evidencia dentro da mesma postura ética de sempre.
Leia-se aí, embora os jornalistas que cobriam a entrevista não o questionaram e sequer mencionaram em suas análises das declarações, que Palocci adota agora o mesmo comportamento ético que adotou no episódio de quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, no crime que imputou a outrem.
Crime que a Caixa Econômica vem agora a público, para admitir e reconhecer que o mandante ou beneficiário era outro personagem, diferente de Mattoso, que foi condenado.
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Ora se já era suspeito de ficha suja antes de ser indicado ao cargo que ocupa, embora inocentado pelo Supremo,  Palocci já de muito tempo tem se destacado pela adoção de um comportamento que pode ser classificado de várias formas, menos como ético.
E cobrar dele, como o faz Simon, um ato de grandeza, um comportamento ético é, no mínimo, hilário. Como aliás, em alguns momentos o senador gaúcho já nos deu exemplos de que é capaz de proporcionar.
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Quanto ao enriquecimento, nada contra o argumento inicial da nota primeira em que tentou se defender: todos o fazem. Todos os que sem caráter  ou formação moral mais rigorosa, procuram se locupletar das benesses e vantagens dos cargos que conseguem ocupar ao longo de sua trajetória profissional. E que, sem qualquer constrangimento, ao fim de seu mandato passam a se valer de sua influência e seus conhecimentos dos meandros e quadros do governo, para obter facilidades em prol de seus clientes e amigos.
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É verdade, desses o mundo está cheio. Tão repleto que há na literatura internacional especializada, páginas e páginas já redigidas, tentando identificar e discutir os meios de evitar e/ou punir esse verdadeiro trânsito que certos profissionais se especializam em cumprir entre o setor e as esferas públicas e privadas.
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Males do capitalismo sem dúvida, ou do poder cada vez maior das grandes organizações, cujos interesses sempre prevalecem sobre os interesses ditos públicos.

Declarações perdidas na memória

                                                                      Sem sentido,
inútil opinião
levada pela dor
verídica, que me consome
Iludo-me em fugas
Nada me prende ao real
hoje. E deixo-me constatar
apenas que te quero muito.


quinta-feira, 2 de junho de 2011

Homenagem ao Parque Municipal

                                                           Parque
por onde andei criança
apanhando o sol das manhãs
ou aprendi a arte do equilíbrio
aos tombos:
                                                           dos patins...
                                                           da velha bicicleta Monark
                                                           do jumento maltratado.
Foi ali em meio ao lago
meu batismo de água
remando entre aves brancas.
                                                           Parque
                                                           onde passei tardes apaixonantes
                                                           parque perdido no abandono
                                                           esquecido, nessa cidade sem cor.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Caindo na real ou quando a consciência bate

                                                                       Fechado prá balanço
apurando o saldo
explicando o déficit
justificando o fracasso
dos números em vermelho
óbvios!
                                                                       Tentando enganar
                                                                       à auditoria rígida
                                                                       escondendo falhas
                                                                       disfarçando faltas
                                                                       de planos teóricos
sempre a descoberto.