Ontem, o Clube Patético Mineiro deu uma brilhante demonstração de que aqueles que se divertem trocando o nome de nosso glorioso clube, estão com a razão.
Contra o Ceará, o que vimos ontem foi um time sem ataque: apenas um chute a gol de Renan Oliveira, que passou próximo à trave superior de Fernando Henrique e um outro em cobrança de falta, que nem chegou a assustar o adversário. Um escanteio cobrado por trás da linha do gol, pelo estreante Caio, e um Guilherme que mostrou que estava em campo só quando saiu, substituído.
***
O meio campo, com cinco jogadores, completamente bisonho. Serginho sem marcar ninguém, sem avançar e só tocando para trás. Dizer que se esforçou e correu muito é brincadeira. Negação do futebol, que viu Didi não correr um terço do que o dito craque mineiro(???). Gerson, então, não corria nem um décimo do que Serginho fez ontem. Afinal, quem entende o mínimo de futebol sabe que (mesmo que não saiba jogar) quem corre é a bola.
Caio e Renan nem estiveram no meio, nem no ataque, perdidos na zona entre o círculo central e a linha da grande área. Muito marcados, não conseguiram escapar à boa marcação cearense.
Gilberto, não se explicou em campo. Mas Richarlyson, faça-me o favor. Nem acertou passes, nem desarmou, nem.... A pergunta que não quer calar é: o que Richarlyson está fazendo em campo, e o que deseja, depois de ter forçado a contratação de seu irmão, enfim não efetivada.
Estaria ele, desde então, insatisfeito com o técnico? a direção do clube?
***
A defesa, a começar do goleiro mostra para todos que o problema do Galo não é só de jogador ou de postura. Desde a mudança de treinador de goleiros, ocorrida no início do ano, a qualidade de Renan Ribeiro decaiu. E muito. E quem se der ao trabalho de ler meu blog verá que desde o campeonato mineiro eu já venho comentando isso, tão evidente que é.
Giovanni, substituto de Renan - por motivos técnicos, apenas substituiu de forma completa e cabal. Onde o outro falharia, falhou ele.
E em bolas cruzadas para a área, onde o outro não sabe sair, também não saiu o goleiro estreante. Então a falha não pode ser dos jogadores, mas...
A gente fica de barba de molho, e reclamando. Barba e rouco...
A defesa, se não existia com Patrick e Guilherme, com Leandro então...
E a defesa é uma peneira. Mas seria culpa da lentidão dos homens de área, as torres - não por sua altura, mas por sua imobilidade... Réver e Leonardo?
Ou a culpa é de quem devia estar marcando - Serginho??? vamos rir!! Richarlyson?
Sem comentários.
***
Resta a fisionomia de decepção e de paisagem do nosso Dorival. Que é um grande técnico, mas que já percebeu que o time quer derrubá-lo. Como já percebeu a mesma coisa a imprensa (a Itatiaia ontem devia ter dado nome aos bois, se fossem apenas esses os bichos), e até a torcida.
Mas, estamos aí com Kalil, o cruzeirense Eduardo Maluf e outros ex-cruzeirenses envergando e envergonhando o manto alvinegro. Até quando?
***
Aliás, para continuar assim, não era melhor também trazer o ex-cruzeirense Perrela?
Tá osso.
E o Galo não merece ser tão mal tratado.
quinta-feira, 7 de julho de 2011
Amadurecendo e mudando
Procura
algo mais que simples busca
definição...
Hora de se tornar maduro
hora de tornar-se adulto
adulterar-se
Evolução:
mais que revolta,
consciência...
tempos de crise
de se descobrir inteiro
no tempo...
quarta-feira, 6 de julho de 2011
Vestígios de sanidade
Ideal
metade sonho
quase nada: inútil
símbolo de liberdade
livre idade
idade livre prá sonhar.
Ideal
metade tempo
quase vida: jovem
símbolo de uma procura
de uma loucura
quem sabe a cura?
terça-feira, 5 de julho de 2011
Ansiedade da juventude
Na folha
um verso
branco
solto
livre
No tempo
tristeza
inova:
passa fugaz.
Na fuga
misto de ansiedade
complexa espera
ânsia da idade.
segunda-feira, 4 de julho de 2011
A perda de Itamar
Mais que mineiro, que ele se orgulhava de ser; mais que baiano, dadas as travessuras da vida e das águas da Bahia, por onde passava a embarcação em que ele nasceu, a morte de Itamar é a morte de um grande brasileiro.
E as homenagens que toda a nação lhe presta nesse momento, são poucas, para reverenciar um dos maiores políticos, um dos maiores Presidentes que esse país já teve.
Itamar, como agora reconhecem até mesmo os que o criticaram em vida, por motivos nem sempre confessáveis foi, mais que qualquer outra coisa, um grande homem público.
Sua trajetória política, que os jornais irão agora esquadrinhar e analisar, apenas confirma e comprova sua grandiosidade e honestidade como político, que poucos irão negar.
Até mesmo sua histrionice, os "rodar a baiana", tudo nele trazia a característica do homem que não tergiversa, não abre mão de seus princípios, embora afável no trato pelo que dizem os que com ele conviveram; aberto ao diálogo e capaz de firmar e - o que é raro em nosso país - cumprir os acordos.
***
Não me lembro de Itamar na prefeitura de Juiz de Fora, cargo que o projetou para a carreira política e, mais tarde, para a vaga de senador da República, que ele conquistou em nome de seu partido, o MDB, em um momento em que nenhum dos principais políticos daquela agremiação de oposição se atreveram a lançar seu nome contra um então imbatível candidato oficial, do partido do governo, o senador José Augusto.
Lembro-me da campanha e mais, da cadeira vazia e da cena do porrete, protagonizada, a primeira pelo candidato Itamar, a segunda pelo desesperado "vitorioso de véspera", em um debate agendado pela TV.
A estratégica ausência daquele que, por vitorioso, só teria a perder, sofrendo os ataques da oposição caso comparecesse, mostrou-se um desastre.
Itamar, presente ao estúdio, posava ao lado de uma cadeira vazia, ridiculamente vazia. De que se aproveitou a oposição para criticar o governo. Afinal, se nem o próprio candidato oficial tinha argumentos para fazê-lo em pessoa...
***
Junto com Quércia em São Paulo, que derrotara outro "vitorioso", Carvalho Pinto, do gaúcho Paulo Brossard, de Saturnino Braga no Rio, de Marcos Freire em Pernambuco, Itamar foi eleito em Minas, na eleição que resultou a maior derrota eleitoral do governo militar, desde sua implantação. Derrota que fez balançar o governo Geisel, recém empossado, e o levou a trocar a política econômica conservadora do Ministro Simonsen pela adoção do II PND, idealizado e proposto por Reis Velloso.
Integrando o grupo dos autênticos, Itamar teve atuação destacada, conquistando uma liderança que o permitiria pleitear a disputa do cargo de governador do Estado de Minas em 1982, nas primeiras eleições diretas para tal cargo, no pós golpe militar.
Na ocasião, tendo aberto mão da vaga para Tancredo, com e eleição deste político, Itamar permaneceu no senado, tendo em 86 apresentado seu nome à disputa na convenção do PMDB. Derrotado pela máquina e métodos utilizados por Newton Cardoso, Itamar abandonou seu partido saindo candidato pelo PL.
Na época, lembro-me de que Paulo Paiva, professor de Economia na UFMG era o seu homem forte da área de Planejamento, atendendo no comitê da R. Alvarenga Peixoto, no bairro de Santo Agostinho.
***
Sempre no Senado, Itamar foi o nome indicado em 89 para disputar a vice-presidência compondo a chapa do governador alagoano Fernando Collor, na primeira eleição direra para o cargo de presidente da República.
Eleito, empossa e depois, afastado da Presidência, pelo impeachment de Collor, Itamar assumiu a Presidência, onde se destacou por dois feitos inegáveis, e tantos outros, alguns até cômicos.
Dos cômicos, a lembrança da aula de política e matreirice que ministrou ao então senador baiano Antônio Carlos Magalhães, e seu dossiê de falcatruas e denúncias contra membros do governo Itamar. Disposto a receber o baiano no Planalto, e receber suas denúncias, Itamar convocou toda a imprensa para fotografar a chegada do senador ao Palácio.
Em seguida, quando se acreditava que os fotógrafos seriam retirados da audiência, Itamar solicitou que ACM, na frente e com testemunho de toda a imprensa, apresentasse as provas contidas no dossiê.
Traído pela manobra do Presidente, ao senador baiano também conhecido pela alcunha de Toninho Malvadeza, não sobrou mais que reconhecer derrotado toda a farsa que ele arquitetara para chantagear o governo e seu dignatário.
***
Teve ainda o caso da acompanhante Lílian, que ganhou notoriedade ao ser flagrada sem roupas íntimas, sentada no palanque do desfile de carnaval ao lado do presidente , de quem se disse namorada.
Figura tão fugaz e que desapareceu com a mesma velocidade que a peça que ela não usava.
***
Mas, Itamar deve ficar marcado pela vontade e decisão política de lançar o Plano Real, aposta complexa de estabilização da economia, e que o permitiu fazer, depois de quase um século, seu sucessor.
Aliás, Itamar foi, talvez, o único político que fez tanto seu sucessor na Presidência quanto no governo do Palácio da Liberdade, em Minas. E só isso já serve para revelar o estadista.
Mas, a idéia de relançar o fusquinha, tentando reeditar a mesma imagem (e o marketing correspondente) de JK lançando o primeiro automóvel produzido no país foi outro achado.
Que eu tenha lembrança, um dos exemplos de uma das POUCAS situações em que, para Sraffa, poderia ser aceita a compatibilidade de rendimentos crescentes ou custos decrescentes, com os pilares do raciocínio marshalliano: a análise do equilíbrio parcial, e a idéia de concorrência perfeita.
Segundo o grande economista italiano, o único caso de compatibilidade entre custos decrescentes e o pensamento de Marshall seria se a fonte da economia fosse externa à empresa (para que apenas essa empresa não tivesse ganhos e pudesse eliminar as concorrentes, eliminando a concorrência pura) e interna à indústria (para que não reduzisse o custo de todas as indústrias rompendo o equilíbrio parcial ou a análise do "ceteris paribus" ou tudo mais constante).
Diz a versão que a Volks recusou-se, por ser inviável economicamente remontar a linha de produção, a relançar o fusquinha. Revoltado por seu projeto não ser levado a sério, Itamar aprovou a redução do IPI sobre o produto, para que a fábrica alemã pudesse compensar o custo em que incorreria em reestabelecer a linha de montagem do fusca.
Inconformada com o privilégio dado à concorrente alemã, outros fabricantes exigiram tratamento semelhante. A desculpa do governo foi que o incentivo era pelo fato de o fusca ser abaixo de 1000 cilindradas, ou seja, um carro popular, mais barato.
Originou-se então a produção do Volks, do Mille da Fiat, do Corsa, etc.
A indústria voltou a vender e o caso do carro popular ia passar para o folclore não fosse lá pelas tantas, os produtores desejarem, como lhes é peculiar, ganharem nas duas pontas. Ou seja: elevar o preço do modelo popular (que de popular nada tinha, valendo 6000 dólares, em média!) e continuar se beneficiando do incentivo fiscal.
***
Como sempre, Itamar não se deixou fazer de tolo. Batendo o pé, rodando a baiana, dando chilique, defina-o como quiserem, o presidente não aceitou a situação e ameaçou imediatamente promover a retirada dos incentivos, caso não fossem reduzidos os preços...
***
Depois Itamar foi eleito governandor de Minas. Se passa à história como o governador que menos obras fez e seu governo ostenta a característica de maior paralisia administrativa, também não houve roubalheira, nem as páginas dos jornais tinham a cada dia um escândalo para repercutir.
Ao contrário de produzir escândalos, até tomou decisões que impediram que falcatruas pudessem ser levadas avante, como o caso da AES que, tendo adquirido um mínimo do capital da Cemig, teria o direito contratual de se tornar a gestora de toda a companhia.
O que era para se tornar mais uma das milhares de história da velhacaria das privatizações patrocinadas pelo PSDB, ou das privatarias, no dizer do saudoso Biondi, foi cancelado e o contrato denunciado e desfeito o négocio por Itamar.
Adicionalmente, deixou claro que não aceitaria a privatização já tramada para se dar nos mesmos moldes, de Furnas.
Acabou decretando a moratória da dívida do Estado com a União, outro acordo com condições extremamente penosas e custo escorchante para o Estado. Por força desse ato, não recebeu mais recursos dos repasses constitucionais devidos ao Estado, o que explica porque nada fez, já que não teve acesso a nenhum recurso.
Aproveitou, entretanto, para equacionar a situação financeira do Estado, e colocar em dia as finanças públicas, o que permitiu que sem déficit, permitisse ao seu sucessor, por ele apoiado, pudesse fazer um governo em condições que nenhum outro governador que o antecedeu pode usufruir.
***
Grande ITAMAR, a quem pode-se ironizar como nosso Forrest Gump. Como o personagem do romance de Maurice Druon, "O Menino do Dedo Verde", tudo que pôs a mão floresceu e deu certo. Funcionou.
Forrest Gump ou não, sua obra não será esquecida.
E permitirá a ele gozar do pão de queijo e do reconhecimento de honestidade onde for que sua energia e espírito possam estar.
E as homenagens que toda a nação lhe presta nesse momento, são poucas, para reverenciar um dos maiores políticos, um dos maiores Presidentes que esse país já teve.
Itamar, como agora reconhecem até mesmo os que o criticaram em vida, por motivos nem sempre confessáveis foi, mais que qualquer outra coisa, um grande homem público.
Sua trajetória política, que os jornais irão agora esquadrinhar e analisar, apenas confirma e comprova sua grandiosidade e honestidade como político, que poucos irão negar.
Até mesmo sua histrionice, os "rodar a baiana", tudo nele trazia a característica do homem que não tergiversa, não abre mão de seus princípios, embora afável no trato pelo que dizem os que com ele conviveram; aberto ao diálogo e capaz de firmar e - o que é raro em nosso país - cumprir os acordos.
***
Não me lembro de Itamar na prefeitura de Juiz de Fora, cargo que o projetou para a carreira política e, mais tarde, para a vaga de senador da República, que ele conquistou em nome de seu partido, o MDB, em um momento em que nenhum dos principais políticos daquela agremiação de oposição se atreveram a lançar seu nome contra um então imbatível candidato oficial, do partido do governo, o senador José Augusto.
Lembro-me da campanha e mais, da cadeira vazia e da cena do porrete, protagonizada, a primeira pelo candidato Itamar, a segunda pelo desesperado "vitorioso de véspera", em um debate agendado pela TV.
A estratégica ausência daquele que, por vitorioso, só teria a perder, sofrendo os ataques da oposição caso comparecesse, mostrou-se um desastre.
Itamar, presente ao estúdio, posava ao lado de uma cadeira vazia, ridiculamente vazia. De que se aproveitou a oposição para criticar o governo. Afinal, se nem o próprio candidato oficial tinha argumentos para fazê-lo em pessoa...
***
Junto com Quércia em São Paulo, que derrotara outro "vitorioso", Carvalho Pinto, do gaúcho Paulo Brossard, de Saturnino Braga no Rio, de Marcos Freire em Pernambuco, Itamar foi eleito em Minas, na eleição que resultou a maior derrota eleitoral do governo militar, desde sua implantação. Derrota que fez balançar o governo Geisel, recém empossado, e o levou a trocar a política econômica conservadora do Ministro Simonsen pela adoção do II PND, idealizado e proposto por Reis Velloso.
Integrando o grupo dos autênticos, Itamar teve atuação destacada, conquistando uma liderança que o permitiria pleitear a disputa do cargo de governador do Estado de Minas em 1982, nas primeiras eleições diretas para tal cargo, no pós golpe militar.
Na ocasião, tendo aberto mão da vaga para Tancredo, com e eleição deste político, Itamar permaneceu no senado, tendo em 86 apresentado seu nome à disputa na convenção do PMDB. Derrotado pela máquina e métodos utilizados por Newton Cardoso, Itamar abandonou seu partido saindo candidato pelo PL.
Na época, lembro-me de que Paulo Paiva, professor de Economia na UFMG era o seu homem forte da área de Planejamento, atendendo no comitê da R. Alvarenga Peixoto, no bairro de Santo Agostinho.
***
Sempre no Senado, Itamar foi o nome indicado em 89 para disputar a vice-presidência compondo a chapa do governador alagoano Fernando Collor, na primeira eleição direra para o cargo de presidente da República.
Eleito, empossa e depois, afastado da Presidência, pelo impeachment de Collor, Itamar assumiu a Presidência, onde se destacou por dois feitos inegáveis, e tantos outros, alguns até cômicos.
Dos cômicos, a lembrança da aula de política e matreirice que ministrou ao então senador baiano Antônio Carlos Magalhães, e seu dossiê de falcatruas e denúncias contra membros do governo Itamar. Disposto a receber o baiano no Planalto, e receber suas denúncias, Itamar convocou toda a imprensa para fotografar a chegada do senador ao Palácio.
Em seguida, quando se acreditava que os fotógrafos seriam retirados da audiência, Itamar solicitou que ACM, na frente e com testemunho de toda a imprensa, apresentasse as provas contidas no dossiê.
Traído pela manobra do Presidente, ao senador baiano também conhecido pela alcunha de Toninho Malvadeza, não sobrou mais que reconhecer derrotado toda a farsa que ele arquitetara para chantagear o governo e seu dignatário.
***
Teve ainda o caso da acompanhante Lílian, que ganhou notoriedade ao ser flagrada sem roupas íntimas, sentada no palanque do desfile de carnaval ao lado do presidente , de quem se disse namorada.
Figura tão fugaz e que desapareceu com a mesma velocidade que a peça que ela não usava.
***
Mas, Itamar deve ficar marcado pela vontade e decisão política de lançar o Plano Real, aposta complexa de estabilização da economia, e que o permitiu fazer, depois de quase um século, seu sucessor.
Aliás, Itamar foi, talvez, o único político que fez tanto seu sucessor na Presidência quanto no governo do Palácio da Liberdade, em Minas. E só isso já serve para revelar o estadista.
Mas, a idéia de relançar o fusquinha, tentando reeditar a mesma imagem (e o marketing correspondente) de JK lançando o primeiro automóvel produzido no país foi outro achado.
Que eu tenha lembrança, um dos exemplos de uma das POUCAS situações em que, para Sraffa, poderia ser aceita a compatibilidade de rendimentos crescentes ou custos decrescentes, com os pilares do raciocínio marshalliano: a análise do equilíbrio parcial, e a idéia de concorrência perfeita.
Segundo o grande economista italiano, o único caso de compatibilidade entre custos decrescentes e o pensamento de Marshall seria se a fonte da economia fosse externa à empresa (para que apenas essa empresa não tivesse ganhos e pudesse eliminar as concorrentes, eliminando a concorrência pura) e interna à indústria (para que não reduzisse o custo de todas as indústrias rompendo o equilíbrio parcial ou a análise do "ceteris paribus" ou tudo mais constante).
Diz a versão que a Volks recusou-se, por ser inviável economicamente remontar a linha de produção, a relançar o fusquinha. Revoltado por seu projeto não ser levado a sério, Itamar aprovou a redução do IPI sobre o produto, para que a fábrica alemã pudesse compensar o custo em que incorreria em reestabelecer a linha de montagem do fusca.
Inconformada com o privilégio dado à concorrente alemã, outros fabricantes exigiram tratamento semelhante. A desculpa do governo foi que o incentivo era pelo fato de o fusca ser abaixo de 1000 cilindradas, ou seja, um carro popular, mais barato.
Originou-se então a produção do Volks, do Mille da Fiat, do Corsa, etc.
A indústria voltou a vender e o caso do carro popular ia passar para o folclore não fosse lá pelas tantas, os produtores desejarem, como lhes é peculiar, ganharem nas duas pontas. Ou seja: elevar o preço do modelo popular (que de popular nada tinha, valendo 6000 dólares, em média!) e continuar se beneficiando do incentivo fiscal.
***
Como sempre, Itamar não se deixou fazer de tolo. Batendo o pé, rodando a baiana, dando chilique, defina-o como quiserem, o presidente não aceitou a situação e ameaçou imediatamente promover a retirada dos incentivos, caso não fossem reduzidos os preços...
***
Depois Itamar foi eleito governandor de Minas. Se passa à história como o governador que menos obras fez e seu governo ostenta a característica de maior paralisia administrativa, também não houve roubalheira, nem as páginas dos jornais tinham a cada dia um escândalo para repercutir.
Ao contrário de produzir escândalos, até tomou decisões que impediram que falcatruas pudessem ser levadas avante, como o caso da AES que, tendo adquirido um mínimo do capital da Cemig, teria o direito contratual de se tornar a gestora de toda a companhia.
O que era para se tornar mais uma das milhares de história da velhacaria das privatizações patrocinadas pelo PSDB, ou das privatarias, no dizer do saudoso Biondi, foi cancelado e o contrato denunciado e desfeito o négocio por Itamar.
Adicionalmente, deixou claro que não aceitaria a privatização já tramada para se dar nos mesmos moldes, de Furnas.
Acabou decretando a moratória da dívida do Estado com a União, outro acordo com condições extremamente penosas e custo escorchante para o Estado. Por força desse ato, não recebeu mais recursos dos repasses constitucionais devidos ao Estado, o que explica porque nada fez, já que não teve acesso a nenhum recurso.
Aproveitou, entretanto, para equacionar a situação financeira do Estado, e colocar em dia as finanças públicas, o que permitiu que sem déficit, permitisse ao seu sucessor, por ele apoiado, pudesse fazer um governo em condições que nenhum outro governador que o antecedeu pode usufruir.
***
Grande ITAMAR, a quem pode-se ironizar como nosso Forrest Gump. Como o personagem do romance de Maurice Druon, "O Menino do Dedo Verde", tudo que pôs a mão floresceu e deu certo. Funcionou.
Forrest Gump ou não, sua obra não será esquecida.
E permitirá a ele gozar do pão de queijo e do reconhecimento de honestidade onde for que sua energia e espírito possam estar.
Das loucuras da paíxão
Louco,
andando na chuva há pouco
seguindo o vento
poluído por imagens
coloridas por um grito rouco
pouco mais que um lamento
Sem força, sem expressão
para alcançar-te em nuvens
Louco,
por acreditar no tempo
assobiar ao vento
gritar seu nome, inútil
prá saciar-me a fome
no delírio louco de nós dois.
sexta-feira, 1 de julho de 2011
Poemas perdidos no tempo....
Três cigarros
em menos de uma hora
em que a fumaça toca o teto
torna enevoada a luz
reflete na parede
e bombardeia
meu canceroso pulmão.
***
Na ânsia de proteção
coloquei uma redoma
redonda
/mente enganado
Julgava àquela altura
fazer o certo
ao ser covarde
Na vontade de evitar teu sofrimento
ou meu tormento
de te ver inteira
em nenhum momento
mesmo que em pensamento
percebi que te sufocava
vedando-lhe a liberdade da opção.
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