Parece que é fim de feira
Parece até brincadeira
Já tem gente despedindo
Por estar já pressentindo
Estar chegando o final
Tem gente já dando baixa
E que sai levando o caixa
Que dinheiro não faz mal
Parece que tentam a fuga
E escapam de fininho
Pela rua lateral
Enquanto o povo distraído
Não sabe mais nem quem é
O mocinho ou bandido
E enquanto vive mal
Mistura a fantasia
Com o mundo do real
Parece que é brincadeira
O cheiro é de fim de feira
O lixo acondicionado
Em sacos pretos rasgados
Está todo revolvido
Os restos esparramados
Pelos pivetes de rua
Marginais e favelados
Homens pobres esfaimados
Pais desesperados
Homens que brigam por restos
Disputando a ração
com os ratos do lixão
Parece que é brincadeira
Tem o ar de fim de feira
Parece que é invenção
E o povo assiste mudo
Em meio à decepção
Que futuro ainda resta
Para a nossa geração
quarta-feira, 7 de março de 2012
terça-feira, 6 de março de 2012
Levantando hipóteses sobre o resultado do PIB
Anunciado hoje, e já transformado em manchete de todos os principais portais de notícias nacionais, o PIB brasileiro apresentou um crescimento de 2,7% no ano de 2011, comparado a 2010.
Crescimento suficiente para colocar o Brasil na posição de 6a economia do mundo, ultrapassando a economia inglesa, mas bastante inferior ao crescimento apresentado no ano anterior, de 7,5%.
Dado que a população brasileira apresentou crescimento vegetativo positivo, a taxa de crescimento do PIB per capita - a quantidade de bens e serviços finais produzidos no país no ano, dividida pela população, alcançou 1,8%, ou em valores monetários, R$ 21.252.
Considerando-se um valor médio de R$ 1,72 para o dólar em 2011, a renda per capita atingiu a casa de 12,3 mil dólares.
***
A análise das informações divulgadas pelo IBGE, levando em conta a participação dos distintos elementos da despesa na formação do PIB, indica um crescimento de 4,1 para o consumo das famílias (o setor privado), em relação a 2010, com o componente apresentando ligeira recuperação no último trimestre do ano.
Importa lembrar aqui o fato de que, esse consumo, bastante influenciado e favorecido pela expansão do crediário, sofreu uma retração no princípio do ano, vítima da política de combate à inflação perpetrada no primeiro semestre, fundada na elevação da taxa básica de juros da economia, a SELIC.
E apenas voltou a mostrar vigor a partir do mês de agosto,quando o Banco Central surpreendendo ao mercado e agindo corretamente, apesar das críticas e choradeiras dos conservadores de sempre, começou a promover reduções nessa taxa.
***
Por força da elevação de juros, que alçou nosso país à liderança do ranking de juros mundiais, um volume muito significativo de capitais externos passou a fluir para o interior de nossa economia acarretando, entre outros problemas, uma supervalorização de nossa moeda.
Promovendo a valorização do real e o encarecimento da nossa produção, com a perda de competitividade daí decorrente, não é surpreendente que as exportações, embora apresentando crescimento de 4,5% no ano anterior, tenham registrado variação inferior às importações, cujo acréscimo sobre 2010 foi de 9,7%.
***
Também consequência da dobradinha perversa juros-câmbio, a indústria, do ponto de vista da importância dos setores econômicos na geração do PIB assumiu o papel de grande vilão, com comportamento que a transformou em destaque negativo.
Dessa forma, a indústria apresentou crescimento de apenas 1,6% sobre a produção de 2010, registrando tendência de queda no último trimestre do ano, seja em comparação com o mesmo período do ano anterior, seja em comparação com o terceiro trimestre, quando a política de juros sofreu a inflexão já mencionada.
Ou seja: a elevação de juros, para combater uma inflação que tinha como causa principal os impactos exercidos sobre nosso país de fatores gerados desde fora, a saber a elevação dos preços de commodities e de alimentos, acabou desaguando em redução do consumo privado e, de quebra, em elevação das importações e elevação em menor escala das exportações.
Quanto às exportações, é sempre bom lembrar que, em grande parte, tal resultado se beneficiou da elevação dos preços das commodities internacionais, produtos que têm posição de destaque em nossa pauta de exportações.
***
Ainda analisando o comportamento dos elementos da despesa, a grande força responsável pelo crescimento apresentado foi a variação dos gastos de investimento, nos meios econômicos tratada como a Formação Bruta de Capital Fixo, que cresceram 4,7%.
Do ponto de vista do crescimento e de sua sustentação ao longo do tempo, se a variação do investimento merece ser saudada, considerada a taxa do Investimento, ou seja, a importância da geração de bens de investimento (ou bens de capital) no total produzido por nossa economia, o valor ainda é reduzido, devendo sua elevação se transformar em objetivo das políticas de governo.
A taxa de Investimento sobre o PIB evoluiu 19,3%, inferior ao valor de 19,5% apresentado no ano de 2010.
***
Quanto à taxa de investimentos, importa ainda comentar a importância assumida pelo BNDES como provedor de recursos de financiamento, a taxas de juros bastante privilegiadas, em comparação à SELIC.
Também contribuiu para as decisões de investimento uma parcela dos capitais externos direcionados a nosso país, principalmente por força da ausência de oportunidades lucrativas em seus países, ditos desenvolvidos, em consequência ainda de crise financeira de 2008 e da recessão que se anuncia no horizonte.
***
Quanto ao consumo do governo, a taxa de crescimento em 2011 quando comparada a 2010 foi de apenas 1,9%, em parte graças aos esforços de redução dos gastos públicos que tanto os setores conservadores cobraram do governo, tanto para assegurar a geração de superávits que permitam pagar os compromissos da dívida pública (em especial os juros), quanto para assegurar a redução do quociente dívida interna/PIB, quanto para ajudar no combate à inflação que, em suas opiniões ia fugindo ao controle do BC.
Bem, o superávit foi gerado, como já o sabemos a essa altura. E os gastos em consumo desse importante agente econômico foram contidos, razão de tais gastos serem os que menos contribuíram para a geração do PIB.
Como resultado dos cortes orçamentários, e dos contingenciamentos impostos aos gastos públicos, as obras para a Copa encontram-se atrasadas; o laboratório científico antártico, sem material de segurança já causou um acidente terrível; os aeroportos, estradas, obras viárias urbanas, etc. estão todas em caráter precário e a gente ainda tem que ouvir o secretário geral da Fifa falar que precisamos de um pé no traseiro para andarmos na linha, ainda que a expressão francesa possa significar que precisamos de nos empenhar e fazer acontecer.
Vá lá que o secretário utilizou-se de uma expressão idiomática, mal traduzida ou traduzida literalmente.
Mas, todos que conhecem as expressões idiomáticas sabem que seu significado tem muito de vínculo com a realidade das frases de cunho mais popular e mais deselegante.
Enfim: para bom entendedor, pingo é letra.
E que nosso país apresenta taxa de crescimento inferior ao que era esperado, até mesmo pelo mercado, em grande parte por força do corte dos gastos públicos e sua capacidade de sustentar a demanda agregada, isso para mim é tanto pingo quanto letra.
Crescimento suficiente para colocar o Brasil na posição de 6a economia do mundo, ultrapassando a economia inglesa, mas bastante inferior ao crescimento apresentado no ano anterior, de 7,5%.
Dado que a população brasileira apresentou crescimento vegetativo positivo, a taxa de crescimento do PIB per capita - a quantidade de bens e serviços finais produzidos no país no ano, dividida pela população, alcançou 1,8%, ou em valores monetários, R$ 21.252.
Considerando-se um valor médio de R$ 1,72 para o dólar em 2011, a renda per capita atingiu a casa de 12,3 mil dólares.
***
A análise das informações divulgadas pelo IBGE, levando em conta a participação dos distintos elementos da despesa na formação do PIB, indica um crescimento de 4,1 para o consumo das famílias (o setor privado), em relação a 2010, com o componente apresentando ligeira recuperação no último trimestre do ano.
Importa lembrar aqui o fato de que, esse consumo, bastante influenciado e favorecido pela expansão do crediário, sofreu uma retração no princípio do ano, vítima da política de combate à inflação perpetrada no primeiro semestre, fundada na elevação da taxa básica de juros da economia, a SELIC.
E apenas voltou a mostrar vigor a partir do mês de agosto,quando o Banco Central surpreendendo ao mercado e agindo corretamente, apesar das críticas e choradeiras dos conservadores de sempre, começou a promover reduções nessa taxa.
***
Por força da elevação de juros, que alçou nosso país à liderança do ranking de juros mundiais, um volume muito significativo de capitais externos passou a fluir para o interior de nossa economia acarretando, entre outros problemas, uma supervalorização de nossa moeda.
Promovendo a valorização do real e o encarecimento da nossa produção, com a perda de competitividade daí decorrente, não é surpreendente que as exportações, embora apresentando crescimento de 4,5% no ano anterior, tenham registrado variação inferior às importações, cujo acréscimo sobre 2010 foi de 9,7%.
***
Também consequência da dobradinha perversa juros-câmbio, a indústria, do ponto de vista da importância dos setores econômicos na geração do PIB assumiu o papel de grande vilão, com comportamento que a transformou em destaque negativo.
Dessa forma, a indústria apresentou crescimento de apenas 1,6% sobre a produção de 2010, registrando tendência de queda no último trimestre do ano, seja em comparação com o mesmo período do ano anterior, seja em comparação com o terceiro trimestre, quando a política de juros sofreu a inflexão já mencionada.
Ou seja: a elevação de juros, para combater uma inflação que tinha como causa principal os impactos exercidos sobre nosso país de fatores gerados desde fora, a saber a elevação dos preços de commodities e de alimentos, acabou desaguando em redução do consumo privado e, de quebra, em elevação das importações e elevação em menor escala das exportações.
Quanto às exportações, é sempre bom lembrar que, em grande parte, tal resultado se beneficiou da elevação dos preços das commodities internacionais, produtos que têm posição de destaque em nossa pauta de exportações.
***
Ainda analisando o comportamento dos elementos da despesa, a grande força responsável pelo crescimento apresentado foi a variação dos gastos de investimento, nos meios econômicos tratada como a Formação Bruta de Capital Fixo, que cresceram 4,7%.
Do ponto de vista do crescimento e de sua sustentação ao longo do tempo, se a variação do investimento merece ser saudada, considerada a taxa do Investimento, ou seja, a importância da geração de bens de investimento (ou bens de capital) no total produzido por nossa economia, o valor ainda é reduzido, devendo sua elevação se transformar em objetivo das políticas de governo.
A taxa de Investimento sobre o PIB evoluiu 19,3%, inferior ao valor de 19,5% apresentado no ano de 2010.
***
Quanto à taxa de investimentos, importa ainda comentar a importância assumida pelo BNDES como provedor de recursos de financiamento, a taxas de juros bastante privilegiadas, em comparação à SELIC.
Também contribuiu para as decisões de investimento uma parcela dos capitais externos direcionados a nosso país, principalmente por força da ausência de oportunidades lucrativas em seus países, ditos desenvolvidos, em consequência ainda de crise financeira de 2008 e da recessão que se anuncia no horizonte.
***
Quanto ao consumo do governo, a taxa de crescimento em 2011 quando comparada a 2010 foi de apenas 1,9%, em parte graças aos esforços de redução dos gastos públicos que tanto os setores conservadores cobraram do governo, tanto para assegurar a geração de superávits que permitam pagar os compromissos da dívida pública (em especial os juros), quanto para assegurar a redução do quociente dívida interna/PIB, quanto para ajudar no combate à inflação que, em suas opiniões ia fugindo ao controle do BC.
Bem, o superávit foi gerado, como já o sabemos a essa altura. E os gastos em consumo desse importante agente econômico foram contidos, razão de tais gastos serem os que menos contribuíram para a geração do PIB.
Como resultado dos cortes orçamentários, e dos contingenciamentos impostos aos gastos públicos, as obras para a Copa encontram-se atrasadas; o laboratório científico antártico, sem material de segurança já causou um acidente terrível; os aeroportos, estradas, obras viárias urbanas, etc. estão todas em caráter precário e a gente ainda tem que ouvir o secretário geral da Fifa falar que precisamos de um pé no traseiro para andarmos na linha, ainda que a expressão francesa possa significar que precisamos de nos empenhar e fazer acontecer.
Vá lá que o secretário utilizou-se de uma expressão idiomática, mal traduzida ou traduzida literalmente.
Mas, todos que conhecem as expressões idiomáticas sabem que seu significado tem muito de vínculo com a realidade das frases de cunho mais popular e mais deselegante.
Enfim: para bom entendedor, pingo é letra.
E que nosso país apresenta taxa de crescimento inferior ao que era esperado, até mesmo pelo mercado, em grande parte por força do corte dos gastos públicos e sua capacidade de sustentar a demanda agregada, isso para mim é tanto pingo quanto letra.
Vultos das sombras
Foi à noite
Eu voltava do trabalho
E parado no sinal fechado
Vi você pela primeira vez
Foi um instante
Apenas até o sinal abrir
Um relance antes de partir
Mas não consigo esquecer
Você vinha
Andando com ar inocente
Desfilando ali à minha frente
Displicente em seu caminhar
E ao passar
Com seu corpo de sereia
Fez sombra à lua cheia
Que parou para te observar
E escondeu
O reflexo das estrelas
O brilho de estrelas a piscar
Como se brincassem nos céus
Só deixou
A marca que nunca mais vai se apagar
Dos rastros deste doce caminhar
Gravado nos olhos meus
Hoje eu volto
Do trabalho para minha casa
Sempre no mesmo horário
Sem mudar o itinerário
E procurando em cada esquina
A menina que passou por mim
E se um dia,
Novamente eu a avistar
Deixo o carro e vou correndo atrás
Não vou dar chance ao azar
E se um dia
Conseguir vê-la passar
Então para sempre a seu lado
Eu vou desejar ficar.
Eu voltava do trabalho
E parado no sinal fechado
Vi você pela primeira vez
Foi um instante
Apenas até o sinal abrir
Um relance antes de partir
Mas não consigo esquecer
Você vinha
Andando com ar inocente
Desfilando ali à minha frente
Displicente em seu caminhar
E ao passar
Com seu corpo de sereia
Fez sombra à lua cheia
Que parou para te observar
E escondeu
O reflexo das estrelas
O brilho de estrelas a piscar
Como se brincassem nos céus
Só deixou
A marca que nunca mais vai se apagar
Dos rastros deste doce caminhar
Gravado nos olhos meus
Hoje eu volto
Do trabalho para minha casa
Sempre no mesmo horário
Sem mudar o itinerário
E procurando em cada esquina
A menina que passou por mim
E se um dia,
Novamente eu a avistar
Deixo o carro e vou correndo atrás
Não vou dar chance ao azar
E se um dia
Conseguir vê-la passar
Então para sempre a seu lado
Eu vou desejar ficar.
segunda-feira, 5 de março de 2012
Lolita
Menina dos cabelos de fogo
Olhar de desejo e sedução
Da chama que me incendeia
E faz desafinar meu coração
Menina do corpo dourado
Maduro fruto da estação
Que traz o sabor do pecado
O gosto do mel, perdição
Menina da boca carnuda
Dançando no meio do salão
Menina cuidado, teu gingado
É um atentado à razão
Menina-mulher, ar inocente
Bonita, dengosa tentação
De blusa colant transparente
Que dá asas à imaginação
Menina de cabelo de fogo
Menina madura tesão
Me ensina o nome do jogo
Que joga com minha paixão
Se o nome é o seu – é ternura
Que esconde por baixo um vulcão
Por cima revela a mistura
Que maltrata o meu coração
Olhar de desejo e sedução
Da chama que me incendeia
E faz desafinar meu coração
Menina do corpo dourado
Maduro fruto da estação
Que traz o sabor do pecado
O gosto do mel, perdição
Menina da boca carnuda
Dançando no meio do salão
Menina cuidado, teu gingado
É um atentado à razão
Menina-mulher, ar inocente
Bonita, dengosa tentação
De blusa colant transparente
Que dá asas à imaginação
Menina de cabelo de fogo
Menina madura tesão
Me ensina o nome do jogo
Que joga com minha paixão
Se o nome é o seu – é ternura
Que esconde por baixo um vulcão
Por cima revela a mistura
Que maltrata o meu coração
sexta-feira, 2 de março de 2012
Pitacos sobre o câmbio e o tsunami cambial
Enquanto a Espanha se assusta com a elevação do desemprego, em mais de 2 pontos percentuais (2,44%) apenas no mês de fevereiro, quebrando o recorde do país nesse quesito que atingiu 22,85%, os governos e bancos centrais emitem e investem trilhões de reais para salvar os grandes bancos do calote e da quebra.
Na Grécia de joelhos, o povo revoltado vai às ruas, reclamar do pacote que cortou a soberania do país, corta gastos públicos e promete cortar empregos, no afã de reequilibrar as contas públicas.
Na lógica dos mercados, seguindo a bíblia do pensamento conservador, o equilíbrio público é necessário para reduzir a dívida pública, impedindo um calote ou o não pagamento aos credores, em geral, os grandes bancos europeus.
Curiosamente, para além de outras questões e críticas que a imprensa (também) conservadora costuma publicar sobre a Grécia, o povo grego e suas condições de vida, parte da dívida do governo, tanto grego como de outros países, foi assumindo para si os compromissos para .... SALVAREM os bancos e o sistema financeiro do colapso por eles provocado em 2007/2008, fruto da exuberância irracional dos mercados.
Mesmo os governos de países cujo sistema financeiro não sofreu tantos impactos e correu tantos riscos de irem à bancarrota, ou os governos daqueles países em que o sistema financeiro era pouco importante ou significativo para produzir um tsunami na economia, a necessidade de se endividar foi consequência da necessidade de se elevar a demanda agregada, de forma a se tentar manter, estável o nível da atividade econômica e a saúde da economia das empresas, bancos e do próprio país.
***
Pois bem, os primeiros relatos indicam, em relação à Grécia, a dificuldade imensurável de êxito do ajuste determinado. Afinal, como não é nada surpreendente, o corte dos gastos públicos e as medidas destinadas a promoverem maior desemprego, especialmente com a perda de empregos diretos no setor estatal, e tantos outros indiretos, levam à uma queda do nível de atividade e produção. Daí, mais uma onda de segunda geração de desemprego, agora no setor privado. E recessão pesada. Culminando em queda na carga tributária grega, na queda da arrecadação e .... ampliação - E NÃO REDUÇÃO da dívida.
Por força das expectativas, o próprio anúncio do corte de gastos públicos por si só, já é suficiente para levar os empresários e os agentes a reverem seus gastos e planos, em geral, no sentido de reduzi-los, adequando-se para esperar por tempos melhores. O que induz também ao ciclo fatídico exposto no parágrafo anterior.
***
Em Portugal, seguindo a "onda" e antecipando-se às determinações dos credores (os mesmos bancos), no afã de renegociarem a dívida governamental em condições de juros mais palatáveis, o governo encaminha e aprova um pacote com medidas tão duras quanto cortes de salários e... desemprego no setor estatal.
Alguém mais desavisado poderia até querer se perguntar o porquê de todos os pacotes trazerem a recomendação de demissão de funcionários públicos, medida bem mais séria e grave que a mera redução de salários também sempre incluída nas recomendações.
A pergunta mereceria alguma atenção, não fosse óbvio o interesse em se tentar desaparelhar o Estado e os mecanismos de regulação, intervenção, fiscalização e controle, inerentes a sua atuação. Desaparelhamento que iria conseguir implodir todas as defesas da sociedade civil, e derrubar todas as barreiras e barricadas geradas ante a avassaladora e gananciosa atuação dos capitais e mercados...
Em outras palavras: o desmanche do Estado é a volta da velha e talvez a única lei que o mercado admite, a do mais forte. A lei que determina que seja a raposa a responsável pela defesa do galinheiro.
***
Nos Estados Unidos, e em outros países de maior peso na economia mundial, para fugirem da crise, os governos injetam trilhões de dólares na economia e no sistema financeiro, adotando uma política monetária exageradamente expansionista, com resultados ainda de parcos êxitos.
Essa tsunami monetária, na análise e palavras bem empregadas pela presidenta Dilma, sem oportunidades lucrativas nas economias maduras, pelo lado real da economia, se vêem também sem oportunidades de ganhos nos mercados financeiros onde as taxas de juros são zero ou próximas de zero e tendem a continuar assim por um período bem mais largo.
Assim, nada há que reclamar da política de cunho keynesiano (melhor seria dizer da medida recomendada pelos modelos tradicionais da síntese neoclássica) adotada pelos países mais ricos. Afinal, é a política recomendada por 10 em 10 manuais de economia existentes e difundidos no mundo.
E torna-se evidente que, buscando remunerações elevadas para suas aplicações, os receptores dos recursos oriundos da política monetária frouxa, acabam por desviarem esses recursos para países que, como o Brasil, além de contarem com oportunidades inúmeras de investimentos na economia real (infra-estrutura, etc.), ainda oferecem as mais elevadas taxas de remuneração do planeta.
Dessa forma os recursos decorrentes da política monetária expansionista não acarreta os benefícios esperados no país que a praticou, não permanecendo em seu interior, e ao se dirigirem a países como o Brasil, provocam, aí também, um problema de extrema gravidade como é o do câmbio.
***
Essa a razão do real valorizado, o que prejudica nossa indústria, nosso comércio, nossa competitividade. Com possibilidades claras e concretas de respingar também sobre o emprego.
Daí a correção da medida de ampliação e elevação do IOF, como forma de tornar menos atraente a aplicação de recursos externos em nosso país, freando o influxo desses recursos.
***
Interessante é a análise do grau de eficácia dessa medida, quanto ao câmbio, considerado como principal objetivo a ser alcançado, já que a elevação da carga tributária que o IOF acarreta é subproduto óbvio da proposta.
Para alguns analistas, enquanto não se reduzirem os juros básicos ao nível dos praticados nos países mais ricos, continuará valendo a pena a aplicação no mercado financeiro brasileiro.
Mas, segundo os próprios analistas ortodoxos, para se reduzir a taxa da Selic, sem provocar uma retomada da inflação, o governo deve cortar gastos e obter superávits primários. Mais fácil para um governo que sabe da necessidade de continuar sustentando a demanda agregada e o nível de atividade, é obter o mesmo resultado superavitário por aumento da arredação. Tanto melhor se o tributo incidir não sobre a sociedade brasileira, mas sobre o capital externo.
(Alguns poderão falar que afeta a tomada de empréstimos de empresas brasileiras aqui instaladas, trazendo impactos negativos para todos. É verdade! Mas, em um grau de importância menor, sem dúvida).
***
De minha parte, acreditando que a política, embora na direção correta, não vai obter todo o resultado esperado, creio que a discussão deveria ser direcionada para outra medida como a de o governo exercer um controle maior sobre a entrada dos fluxos de capitais, determinando prazos de permanência dos recursos no nosso interior e, indo mais além, determinando percentuais de aplicações compulsórias para áreas de investimento considerados prioritários.
É isso.
Na Grécia de joelhos, o povo revoltado vai às ruas, reclamar do pacote que cortou a soberania do país, corta gastos públicos e promete cortar empregos, no afã de reequilibrar as contas públicas.
Na lógica dos mercados, seguindo a bíblia do pensamento conservador, o equilíbrio público é necessário para reduzir a dívida pública, impedindo um calote ou o não pagamento aos credores, em geral, os grandes bancos europeus.
Curiosamente, para além de outras questões e críticas que a imprensa (também) conservadora costuma publicar sobre a Grécia, o povo grego e suas condições de vida, parte da dívida do governo, tanto grego como de outros países, foi assumindo para si os compromissos para .... SALVAREM os bancos e o sistema financeiro do colapso por eles provocado em 2007/2008, fruto da exuberância irracional dos mercados.
Mesmo os governos de países cujo sistema financeiro não sofreu tantos impactos e correu tantos riscos de irem à bancarrota, ou os governos daqueles países em que o sistema financeiro era pouco importante ou significativo para produzir um tsunami na economia, a necessidade de se endividar foi consequência da necessidade de se elevar a demanda agregada, de forma a se tentar manter, estável o nível da atividade econômica e a saúde da economia das empresas, bancos e do próprio país.
***
Pois bem, os primeiros relatos indicam, em relação à Grécia, a dificuldade imensurável de êxito do ajuste determinado. Afinal, como não é nada surpreendente, o corte dos gastos públicos e as medidas destinadas a promoverem maior desemprego, especialmente com a perda de empregos diretos no setor estatal, e tantos outros indiretos, levam à uma queda do nível de atividade e produção. Daí, mais uma onda de segunda geração de desemprego, agora no setor privado. E recessão pesada. Culminando em queda na carga tributária grega, na queda da arrecadação e .... ampliação - E NÃO REDUÇÃO da dívida.
Por força das expectativas, o próprio anúncio do corte de gastos públicos por si só, já é suficiente para levar os empresários e os agentes a reverem seus gastos e planos, em geral, no sentido de reduzi-los, adequando-se para esperar por tempos melhores. O que induz também ao ciclo fatídico exposto no parágrafo anterior.
***
Em Portugal, seguindo a "onda" e antecipando-se às determinações dos credores (os mesmos bancos), no afã de renegociarem a dívida governamental em condições de juros mais palatáveis, o governo encaminha e aprova um pacote com medidas tão duras quanto cortes de salários e... desemprego no setor estatal.
Alguém mais desavisado poderia até querer se perguntar o porquê de todos os pacotes trazerem a recomendação de demissão de funcionários públicos, medida bem mais séria e grave que a mera redução de salários também sempre incluída nas recomendações.
A pergunta mereceria alguma atenção, não fosse óbvio o interesse em se tentar desaparelhar o Estado e os mecanismos de regulação, intervenção, fiscalização e controle, inerentes a sua atuação. Desaparelhamento que iria conseguir implodir todas as defesas da sociedade civil, e derrubar todas as barreiras e barricadas geradas ante a avassaladora e gananciosa atuação dos capitais e mercados...
Em outras palavras: o desmanche do Estado é a volta da velha e talvez a única lei que o mercado admite, a do mais forte. A lei que determina que seja a raposa a responsável pela defesa do galinheiro.
***
Nos Estados Unidos, e em outros países de maior peso na economia mundial, para fugirem da crise, os governos injetam trilhões de dólares na economia e no sistema financeiro, adotando uma política monetária exageradamente expansionista, com resultados ainda de parcos êxitos.
Essa tsunami monetária, na análise e palavras bem empregadas pela presidenta Dilma, sem oportunidades lucrativas nas economias maduras, pelo lado real da economia, se vêem também sem oportunidades de ganhos nos mercados financeiros onde as taxas de juros são zero ou próximas de zero e tendem a continuar assim por um período bem mais largo.
Assim, nada há que reclamar da política de cunho keynesiano (melhor seria dizer da medida recomendada pelos modelos tradicionais da síntese neoclássica) adotada pelos países mais ricos. Afinal, é a política recomendada por 10 em 10 manuais de economia existentes e difundidos no mundo.
E torna-se evidente que, buscando remunerações elevadas para suas aplicações, os receptores dos recursos oriundos da política monetária frouxa, acabam por desviarem esses recursos para países que, como o Brasil, além de contarem com oportunidades inúmeras de investimentos na economia real (infra-estrutura, etc.), ainda oferecem as mais elevadas taxas de remuneração do planeta.
Dessa forma os recursos decorrentes da política monetária expansionista não acarreta os benefícios esperados no país que a praticou, não permanecendo em seu interior, e ao se dirigirem a países como o Brasil, provocam, aí também, um problema de extrema gravidade como é o do câmbio.
***
Essa a razão do real valorizado, o que prejudica nossa indústria, nosso comércio, nossa competitividade. Com possibilidades claras e concretas de respingar também sobre o emprego.
Daí a correção da medida de ampliação e elevação do IOF, como forma de tornar menos atraente a aplicação de recursos externos em nosso país, freando o influxo desses recursos.
***
Interessante é a análise do grau de eficácia dessa medida, quanto ao câmbio, considerado como principal objetivo a ser alcançado, já que a elevação da carga tributária que o IOF acarreta é subproduto óbvio da proposta.
Para alguns analistas, enquanto não se reduzirem os juros básicos ao nível dos praticados nos países mais ricos, continuará valendo a pena a aplicação no mercado financeiro brasileiro.
Mas, segundo os próprios analistas ortodoxos, para se reduzir a taxa da Selic, sem provocar uma retomada da inflação, o governo deve cortar gastos e obter superávits primários. Mais fácil para um governo que sabe da necessidade de continuar sustentando a demanda agregada e o nível de atividade, é obter o mesmo resultado superavitário por aumento da arredação. Tanto melhor se o tributo incidir não sobre a sociedade brasileira, mas sobre o capital externo.
(Alguns poderão falar que afeta a tomada de empréstimos de empresas brasileiras aqui instaladas, trazendo impactos negativos para todos. É verdade! Mas, em um grau de importância menor, sem dúvida).
***
De minha parte, acreditando que a política, embora na direção correta, não vai obter todo o resultado esperado, creio que a discussão deveria ser direcionada para outra medida como a de o governo exercer um controle maior sobre a entrada dos fluxos de capitais, determinando prazos de permanência dos recursos no nosso interior e, indo mais além, determinando percentuais de aplicações compulsórias para áreas de investimento considerados prioritários.
É isso.
Contradita
Se em meu caminho
Existem espinhos
Não me assusto
Sigo na contramão
Se a minha estrada
Não me leva a nada
Eu altero a minha direção
Se o frio é forte
E penetra o corpo
Teimando em nos agredir
Retiro o casaco
Uso roupa fina
Para me cobrir
Se o vento é forte
E sopra do norte
Tomo o rumo mais fácil do sul
Se é tempestade que anuncia
Tinjo o meu céu de azul
Se a dor insiste
A vontade invade
E abate o ânimo
Sem compaixão
Procuro ar fresco
Saio para a rua
Busco a confusão
Ando sem parar
Por carros e gente
Para espantar minha solidão
E mesmo sozinho
Toco a vida à frente
Sou mais um nesta multidão.
Existem espinhos
Não me assusto
Sigo na contramão
Se a minha estrada
Não me leva a nada
Eu altero a minha direção
Se o frio é forte
E penetra o corpo
Teimando em nos agredir
Retiro o casaco
Uso roupa fina
Para me cobrir
Se o vento é forte
E sopra do norte
Tomo o rumo mais fácil do sul
Se é tempestade que anuncia
Tinjo o meu céu de azul
Se a dor insiste
A vontade invade
E abate o ânimo
Sem compaixão
Procuro ar fresco
Saio para a rua
Busco a confusão
Ando sem parar
Por carros e gente
Para espantar minha solidão
E mesmo sozinho
Toco a vida à frente
Sou mais um nesta multidão.
quinta-feira, 1 de março de 2012
E como ninguém é de ferro - Papo de Boteco
Papo de boteco
Mesas na calçada
Onde a inspiração
Que aguça a mente
Provoca repentes
Da imaginação
Onde a viola
Traz entre sussurros
Luz à escuridão
E a melodia
Torna a lua fria
Centro de atenção
Refletindo a noite
Em banhos de prata
Nossa emoção
Papo de boteco
Cerveja gelada
Aproximação
Em torno da mesa
Se reúne e canta
Pessoas que espantam a solidão
E inventam histórias
Relatam glórias
Nada mais que fantasias de ocasião
E se manifestam
Sobre todo assunto
Sobre mil assuntos
Dão sua opinião
De forma a manter
Em mais uma noite
O prazer de estar
Na roda de amigos
Todos conhecidos
De mesa de bar.
Mesas na calçada
Onde a inspiração
Que aguça a mente
Provoca repentes
Da imaginação
Onde a viola
Traz entre sussurros
Luz à escuridão
E a melodia
Torna a lua fria
Centro de atenção
Refletindo a noite
Em banhos de prata
Nossa emoção
Papo de boteco
Cerveja gelada
Aproximação
Em torno da mesa
Se reúne e canta
Pessoas que espantam a solidão
E inventam histórias
Relatam glórias
Nada mais que fantasias de ocasião
E se manifestam
Sobre todo assunto
Sobre mil assuntos
Dão sua opinião
De forma a manter
Em mais uma noite
O prazer de estar
Na roda de amigos
Todos conhecidos
De mesa de bar.
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