segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Cenas de um domingo modorrento


Como o pedreiro
Que limpa colheres, escápulas e cinzéis
Guardando-as com cuidado ao fim de um dia de trabalho
O carpinteiro que limpa o serrote e o formão
Para depositá-los na  caixa de ferramentas
Ou o marceneiro que reúne lixas, pregos e martelos
Em plena tarde preguiçosa de domingo
Esparramado em um banco de praça
Entre casais de namorados
Um andarilho, barbado, sujo, maltrapilho
Cuidava com esmero de seus pés
Cortando as unhas
Massageando os dedos,
Zelando caprichoso por seu instrumento de ofício.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Opções


Há o que sabe rir
Há quem só saiba chorar
Há quem veja o pôr-do-sol
E há quem não queira olhar
Há quem veja a lua cheia
Outros só veem a poeira
Há quem prefira a alegria
Outros são pura reclamação

Há quem sabe curtir o momento
Outros não sabem o que é sentir
Os que dão valor ao sentimento
E os que só sabem mentir
Há os que sabem se divertir
Esses são bem humorados
Outros que não se deixam sorrir
Estão sempre amargurados
Há quem transforma um lamento
Em letra que inspira a canção
Há quem da vida faz liberdade
Outros da vida fazem prisão

Quero poder abrir os olhos
E enxergar o prazer
Que as pequenas coisas trazem
E dá para a gente fazer
Basta querer ser feliz
Basta só acreditar
Optar pelo sorriso
Basta não querer chorar

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Contando o tempo


Cinco anos são um lustro
Um brilho
Uma força
Ou um clarão que incendeia
Ilumina a escuridão
O tempo justo de aprendizado
Quem sabe até seja um custo
Quem sabe um investimento
Tempo de transformação

Pode passar lentamente
Ou então como um susto
Imprimir velocidade
E passar como um corisco
Riscando o céu num rabisco
Fugaz como a felicidade

Cinco anos são um lustro
Outros lustros uma equipe
Que compõem mais que um time
Verdadeira seleção
Que transparece por inteiro
Em seu bom humor imanente
De bom astral inocente
Ao estilo leve e ingênuo
Da comédia pastelão

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sobre o egoísmo, apropriando de melodia de Renato Russo


Eu quero o meu
Eu não confio em você
E antes que você me passe a perna
Deixe que eu tente me proteger
Onde a solidariedade
A gentileza, gato comeu?
Os laços que nos uniam
Para onde foram
Quem os guardou ou os escondeu?
E como confiar no outro
Que nunca irá ser como eu
Se o que eu amo e mais desejo
É ser espelho
Retrato meu
Eu quero o troco
Que não pertence a você
E o que me importa se não te aceito
Tentando só me convencer
Que mesmo igual, sou diferente
Para não ser como você
E renegando
Também me nego
Mas finjo nunca perceber
Que você e eu somos um todo
Mesmo quando você me ignora
E finjo não te conhecer.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Delírios e viagens


E se a nave errante
Pousa louca em meio do salão
Para dançar com a moça mais bonita
Que roubou meu coração
E se de repente a luz se acabasse
Com uma explosão
E em meio ao apagão
A nave partisse levando a moça
Razão da minha paixão

E se em um gesto de loucura
Eu me atirasse em sua perseguição
Atropelando as estrelas
Que povoam os céus da minha imaginação
E se conseguisse vê-la
No fim do horizonte
Sorrindo feliz de sua condição
De rainha dos planetas
Brilho incandescente
Luz de minha escuridão

E se a moça mais bonita
Que deste meu canto é a inspiração
Musa dos versos soltos
Atirados loucos na imensidão
Não voltasse da viagem
Para em meus braços
Dançar leve e solta em meio ao salão
Meu canto se calaria
Expressando com o silêncio
Toda a minha solidão

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Ser pó


Sei que ao longo da estrada
Eu sou poeira
Sou mato,
Sou chão
Eu sou a pedra sem limo
A beira do precipício
Eu sou o vício
Sou a perdição
Sei que sou
Placa fincada na encruzilhada
Apontando a direção errada
E você insiste em seguir em frente 
Como se eu fosse o fio da meada
A recompensa desta caminhada

Eu sou mentira
E você não mente
Eu sou tristeza
Que você não sente
Sou o passado
Que não foi presente
Sou abandono
Que você desmente

Eu sou tristeza
Você alegria
Eu sou poeira
Que traz alergia
Eu não sou nada
Mas você me cria
E faz de mim um caminho seguro
Como se eu fosse o seu futuro

Sei que ao longo da estrada
Eu sou poeira
Sou mato
Sou chão
Cascalho solto
Que a chuva arrasta
Como a lágrima que afasta a solidão