quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Beija-flor

                                    BEIJA-FLOR

                                                           Flecha cortando os céus
                                                           seta ferindo o ar
                                                           voa o beija-flor
                                                           perfurando as nuvens
                                                                                  em suave deslizar
                                                                                  vôo crepuscular
                                                                                  rompe o beija-flor
                                                                                  a barreira das luzes
                                   E, pairando no ar
                                   em desafio à gravidade
                                   leve como a pluma
                                   amparada pelo vento
                                   investe contra a flor
                                   atrás do doce alimento
                                                           Com a precisão de um artista
                                                           em busca do mel do amor
                                                           que a flor meiga e fecunda
                                                           entrega-lhe sem pudor
                                                           no beijo mais prolongado
                                                           apaixonado
                                                           em meio à cópula do amor.
                                                                      

Quantas existem em apenas uma??

                        Nem oito
nem oitenta

                        Não se quantifica o infinito  
                        nem se dimensiona o espaço sideral
                        onde pontificam as paralelas convergentes

Não se calcula o volume do mar       
nem se mensura a densidade da espuma      
que entranha a terra.

                                   Nem tanto ao mar      
                                   nem tanto à terra       
                                   nua, mulher-mãe
                                   leito onde brotam minha vida,          
                                   essência
                                   sêmen.

Onde jardineiro menor
planto estacas
projeto ilusões
recosto a cabeça em teu regaço
e adormecido retempero minhas forças
nos veios
nas veias
deste corpo paraíso.

                                                           Nem oito        
                                                           nem oitenta
                                                           basta apenas uma       
                                                           já que a mulher não se esgota
                                                           em uma só.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Ministério, Paulistério? - O que esperar?

Dilma termina de compor seu Ministério. Para os mineiros, apenas um cargo de Ministro, na cota dos amigos. Desnecessário dizer que o povo de Minas não se sentiu prestigiado, o que explica a grita até histérica de alguns jornalistas e setores da sociedade, ao menos da capital. Afinal, o indicado foi  derrotado na tentativa de se eleger em um pleito que não poderia ser chamado majoritário, dadas suas características bem mais próximas de uma eleição proporcional.
Do ponto de vista de seu próprio partido, cuja máquina ele controla, é importante lembrar que o novo Ministro Fernando Pimentel foi, para algumas correntes, apontado como o grande responsável pela perda da prefeitura de BH, nas eleições de 2008, dada sua equivocada, desastrada e ingênua idéia de se compor com o governo estadual de oposição. Mais ainda, foi ele também o responsável por dividir o partido, o que deu brecha para que a seção mineira fosse atropelada, senão sofresse uma intervenção branca, da Nacional, tendo de engolir goela abaixo a que o cabeça de chapa fosse de outro partido: o senador Hélio Costa do PMDB.
E muitos se lembrarão de que a própria campanha de Pimentel foi claramente divisionista, não citando o candidato a governador, nem a vice. E não citando-os, até que tivesse sido "convencido", na reta finalíssima da campanha, a subir em palanque e aparecer em fotos junto aos outros dois candidatos.
***
Conhecimento e capacidade para conduzir o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, ninguém nega que tenha, e seu curriculo profissional e acadêmico o comprova, como também o confirma sua boa passagem pela Prefeitura de Belo Horizonte.
E tomara que tenha êxito em sua gestão, especialmente em área que será um ponto nevrálgico para nossa economia e nosso país, em face da situação internacional e de nosso câmbio.
Mas, a reclamação pela não indicação de Patrus Ananias para um cargo de relevância, ele que foi jogado na jaula dos leões ao ser "solicitado" a sair como candidato a vice-governador, e de outros nomes de Minas, esquece que a própria presidenta é de Minas. E se Minas ocupa o assento mais elevado, não haveria razões para tanta crítica, mesmo que velada. Ou não?
***
Alguns vão se lembrar de que a história de Dilma foi, em sua maior parte, construída no Rio Grande do Sul. Ora, essa junção Minas e Rio Grande do Sul, até históricamente já se mostrou bastante eficiente e profícua, ao menos desde 30.
Mas, deixada essa parceria de lado, o que se vê é que Dilma não fez um Ministério gaúcho.
Para alguns críticos, mais mordazes, o que ela montou foi um paulistério. Será?
Mas, paulistério foi o que montaram Fernando Henrique e também Lula em seu governo. Ou essa era a acusação frequente.
Não estaria então, na hora de certo tipo de pessoas e jornalistas pararem para se perguntar, se a posição privilegiada de São Paulo não se deve a outras questões, como por exemplo, estar lá o maior colégio eleitoral? Não é São Paulo o estado mais populoso do país? Os principais responsáveis pela geração do PIB brasileiro? Estar em São Paulo algumas das melhores escolas e universidades do país, como a USP, a Unicamp, a UFSCAR, o ITA, a FGV, para citar apenas algumas?
Reconhecer esse fato, não significa que outros estados e Minas, em especial, também não tenham destaques, em várias áreas. E, dadas as suas características, até estatisticamente São Paulo deveria ter mais nomes e até mais indicados mesmo que os demais, para qualquer que fosse o Ministério.
Não é por aí que a análise deve ser empreendida, porque inócua. Vazia.
***
Em minha opinião, o que caracteriza mais o Ministério Dilma é a sua preocupação, para o mal ou para o bem, de incorporar maior quantidade de mulheres na equipe. Não que as mulheres não sejam suficientemente competentes e preparadas para ocupar as pastas. Mas, o sexo ser um elemento definidor da escolha é que pode ser problema. Porque há tantos homens ruins como há mulheres e tantos bons, quantas. A questão não é nem essa de nomes ruins, mas de nomes certos para as posições certas. Esse deve ser o primeiro e principal critério de indicação.
E aqui, outra questão que me preocupa no Ministério Dilma: os partidos, parece, impuseram e obtiveram êxito em várias indicações já vazadas pela mídia. Alguns até com comportamento e postura questionável, como o caso da apresentação de nota de festa comemorativa em motel dentre aquelas destinadas a justificarem ressarcimento de despesas junto à Mesa da Câmara.
Ou o caso que nos vem do PSB e seu indicado mais recente.
Por fim, uma última característica do governo Dilma é uma certa idéia de continuismo. Se não de cargos, de nomes, que rodiziaram. E aliados a esses nomes do governo anterior, alguns nomes de expressão acanhada, pelo menos em termos de frequência dos grandes eventos que a mídia promove para projetar e manter no estrelato um conjunto de políticos em todas as esferas e instâncias do poder.
***
De qualquer forma, mais pelo povo brasileiro e por nosso país, que essa equipe permita-nos  a todos os críticos queimar a nossa língua. E façam o governo contribuir para melhorar as condições de vida dos brasileiros e as condições de funcionamento de nossa sociedade e nossa economia (nessa ordem!!!)
Ou, como acho, Dilma já fará reformas antes mesmo de abril de 2012 (quando o prazo de desincompatibilização para as eleições municipais começa a ser contado).

E as noites de verão!

                                   Calor insano
calor e sono
resto das noites mal dormidas
sob a peleja de chutar longe
os lençóis
bocejos
preguiça e prostração
suor e desejo

como a noite
em que entrelaçados
os corpos nus
umedeciam os lençóis
suor e gozo.

Enfim, Verão!!!

                                               Enfim soprou um vento
e uma folha balançou
no galho vizinho
com a leveza do equilibrista
no trapézio
Folhas de papel
rodopiaram no ar
aterrissando no chão da sala
Alguns fios de cabelo se eriçaram
e um frescor tocou a nuca da menina
que suspirou num frêmito de arrepio
Passado o segundo mágico
impôs-se novamente o bafo quente
da boca da noite calorenta.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nossa Mensagem de Natal e Fim de Ano

Não há dúvida. O melhor da vida é viver. Viver e ser feliz. Vencer. Mas....
Perder é um dos resultados possíveis do jogo. Por mais que seja um resultado que não esperemos e que queiramos evitar, é sempre bom não esquecer que a derrota é uma possibilidade concreta.  Às vezes, inevitável. Merecida.  Enriquecedora.
Por isso é importante não nos esquecermos nunca que, mesmo sofrida, dolorosa, a perda faz parte do jogo. E que, pior que perder, é não termos participado da competição. É não termos tentado, corrido riscos, lutado e nos esforçado.
Perder não é ruim. Ruim é não lutar. E, muito pior ainda, é deixar-se levar pelo abatimento e se entregar derrotado, ao invés de tirar do revés o aprendizado necessário para que busquemos nossa superação.
Porque o ser humano que nasce forjado na luta e renasce em cada aprendizado que extrai  das experiências ruins é, se não um vencedor, um ser humano rico.
Rico de sonhos, de esperanças. Rico de confiança e Fé. De emoções e sensações que o tornam capaz, cada vez mais, de se reconciliar e se encontrar consigo mesmo e com tudo aquilo que ele sabe ser.
O ser humano consciente de sua capacidade e força; de suas qualidades e limitações;  de seus direitos e suas responsabilidades, está apto a conter suas reações, domar seus impulsos,  e utilizar toda sua experiência e sabedoria para prosseguir na perseguição implacável por seus sonhos e seu destino.  Torna-se assim, sujeito de sua história e o principal personagem de sua própria vida.
Que nesse ano de 2011, todos nós e cada um, individualmente, possamos sonhar mais, planejar mais. Pularmos de cabeça na concretização de nossos desejos e lutarmos mais por nossos ideais e por tudo aquilo que acreditamos. Arriscarmo-nos mais. Rir mais. Divertir mais e brincar mais.
Que sejamos como as crianças tentando os primeiros passos, capazes de transformar nossas quedas e tropeços  em novos motivos para nos levantarmos e, de braços abertos, insistirmos em nossa caminhada para abraçar aqueles a quem amamos.
Que sejamos simples e humildes, mas melhores do que fomos. Melhores do que o que somos. Aptos a compreendermos e assumirmos nossa dimensão enorme de poeira cósmica, sempre em busca de transformação e melhorias.
É isso que lhe desejo. E a todos aqueles que compartilham com você dessa sua trajetória de brilho e conquistas, como átomos e feixes de energia, destinados a alcançarem o infinito.

E haja lei Maria da Penha

HISTÓRIA DE UM FUNESTO AMOR

Joana amava Pedro
pedra no sapato de alguém
Pedro amava Maria
que não amava ninguém.

Dia e noite
noite e dia
vinha a lua iluminar
o amor que ele nutria
e Maria insistia em negar.

Joana então desprezada
como só uma mulher faria
planejou uma vingança
contra a inocente Maria

Mas ao descobrir o plano
da vingança arquitetada
Pedro num gesto insano
atracou-se com a coitada
que não tentou se soltar
ou desvencilhar-se sequer
morrendo nos braços do amado
que sufocou a mulher.

Hoje, sozinho na cela
Pedro não incomoda ninguém
sonha apenas com Maria
que ele deseja e não tem.