segunda-feira, 9 de maio de 2011

Primeiro tempo: deu Galo

Confesso que não vi todo o primeiro tempo do jogo, agarrado que estava para acertar as contas e sair do restaurante onde comemorávamos o dia das Mães.
A próposito desse dia, vale a pena dois comentários: tenha ou não havido um acréscimo das vendas do comércio, seguramente o setor de bares e restaurantes deve estar comemorando um movimento intenso, a essa hora.
O segundo comentário é sobre o outro setor que deve estar, agora, fazendo as contas de quanto lucrou, as floriculturas.
Mas, as mães merecem. E, embora os país não mereçam o aumento de preços que o período acarreta, é tudo válido, para comemorar o dia que, depois do Natal, é o que mais vende.
Certa vez, em uma palestra, ouvi a classificação dos dias de maior venda. Primeiro o Natal, depois o dia das Mães. Em seguida, dia dos Namorados. Aí no meio, o dia das Crianças. E tem do dia das sogras.
O dia dos país, curiosamente, é apenas o sétimo deles. Embora essa informação seja mais antiga, e já pode ter mudado. Afinal a ganância e a esperteza dos lojistas já criou também o dia da Avó, o dia do amigo, e por aí vai...
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Mas, quanto ao jogo, o que vi foi o Galo jogando mais objetivamente, enquanto o Cruzeiro tocava bola, tocava, tocava, com  menos objetividade.
Vi um pênalte claro em Neto Berola, que o juíz não quis dar, para não matar a possibilidade e emoção de um jogo valendo alguma coisa, no próximo domingo.
Vi um chute do Gilberto explodir na trave, com tanta violência - e sorte para o Galo, que a trave deve estar balançando até agora.
Vi o Renan Ribeiro mais seguro, Magno Alves jogando fora da área, mas com uma visão de jogo que poucos em campo mostraram.
Vi um Fabrício entrar para ser expulso e nem isso conseguiu, com toda a sua agressividade e falta de fair play, desportividade e...para não ser fresco, falta de categoria. Falta de futebol.
Montillo mereceu a expulsão, em minha opinião, embora não tivesse feito muitas faltas, nem mostrado agressividade. Mas esse é o problema do atacante, ou armador que volta para ajudar a defesa. Faz uma só, mas sem ter costume de desarmar, comete faltas, em geral, mais sujeitas à punição com cartões.
No caso de ontem, carrinho por trás, que pegou, de leve, mas pegou o jogador do Galo.
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Gostei do Mancini, gostei do Réver, do futebol do Magno Alves e do Fillipe Souto e do Giovanni, que fez um partidão, como aliás, tem feito.
Daniel Carvalho, se entrou, não o vi em campo.
E gostei do Galo. E da vitória.
***
Mas, time que joga para segurar a vantagem do empate, sempre fica na pressão. E tome sufoco. E o jogo, que deveria ser de uma equipe contra outra, transforma-se em ataque contra defesa.
Em geral, quem corre para a defesa não aguenta a blitz.
E perde.
Portanto, muita inteligência ao Atlético. E coração e garra, e tranquilidade. E futebol. Porque como dizia meu tio, há muito tempo atrás, a melhor defesa continua sendo o ataque.

Divagando

                                               Vagando à noite
atrás de seu vulto
coberto pela sombra
de cortinas de fumaça
névoa úmida, poluída
                                                           Por que insiste ainda
                                                           em desaparecer
                                                           e deixa-me com a sensação vaga
                                                           de ter perdido
                                                           meu alvo
                                                           em meio à noite
                                                           em meio à fumaça
                                                           em meio à sombra que passa.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Derrapagens

                                               Seus caminhos
minha estrada
descaminhos sem fim
quantos carinhos, quantos
quantos amantes
quantos valentes
sedentos
suando, gozando
quantos caminhos
quantas direções
e descaminhos
tropeções
Quanta alegria
quanto prazer
quanta estrada a percorrer
                                               quantas noites de amor
quantas noites
                                               quantos sonhos
quantos gemidos
expressos em gritos de dor.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A derrota da soberba

Não vou dizer que o Cruzeiro tornou-se, de ontem para hoje, um time ruim ou medíocre. Como não voltei, atleticano que sou, a falar do meu Galo, mesmo depois das vitórias contra o América que lhe valeram a classificação para as finais de nosso campeonato rural.
Entendo de futebol o suficiente para saber que o Cruzeiro continua com o time melhor, mais equilibrado em campo e jogando o futebol mais aberto, mais vistoso e mais agradável de se ver.
O que aconteceu ontem foi um apagão, acho que provocado pela soberba. Nem necessariamente dos jogadores do plantel. Mas da imprensa, dos hoje infelizes cruzeirenses, de todos que já faziam planos para a partida do time celeste contra o Santos. Diziam: o jogo do ano.
O Cruzeiro ontem, sem paixão, não entrou em campo. E, não jogou. E, quando Roger foi merecidamente expulso, foi vítima do mal a que estou atribuindo a culpa pela desclassificação. Disse o locutor da Rede
Gl(b)obo que o Roger estava prejudicando o seu time, porque além de tudo, ficaria de fora contra o Santos.
Coitado: mal sabia, àquela altura, que contra o Santos também ficariam de fora Fábio, Gilberto, Victorino, etc. etc.
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Vendo o jogo, deu para perceber que o time colombiano tinha mais posse de bola, estava mais perigoso, e melhor em campo. A torcida até percebeu isso, o tempo todo se manifestando contra o juiz e suas marcações. Nervosa.
Só o pessoal da Globo não falava nada. Para eles, que inegavelmente influenciam o modo de pensar e ver as coisas, especialmente de quem é apaixonado, o Cruzeiro não estava como sempre, dando espetáculo. Mas estava fazendo o suficiente para o gasto. A saber, a classificação.
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Para mim, que fiquei sim, satisfeito com a desclassificação dos adversários, o Once Caldas já merecia estar ganhando por um gol, ao menos, ao término do primeiro tempo.
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E mais. Não sei, honestamente se houve ou não o impedimento de Gilberto. Argumentar que o braço dele estava à frente, mas que tem que levar em conta seu centro de gravidade, e cobrar isso do bandeira, é gozação. Ou falta de seriedade.
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Decepção foi o comportamento de Cuca, a quem confesso sempre respeitei. Sua atitude merecedora de suspensão de mais de seis meses, para dizer o mínimo, foi a demonstração de que a surpresa havia sido tão grande que tirou o técnico do sério. Talvez porque, inconscientemente, estava mesmo acreditando que seu time estava apenas fazendo um jogo treino.
Não há, entretanto, desculpas para seu comportamento destemperado.
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E se o time inimigo perdeu ontem, porque achou que já tinha ganho antes de jogar, o time não deixa de ser o franco favorito domingo. Agora até mais perigoso, já que tendo que ir atrás da reabilitação a qualquer custo.
E, como disse no início, se o Galo andou mostrando evolução e progresso, está ainda muito abaixo da qualidade e do futebol do time contrário.
Isso sem contar que o Cruzeiro já entra com vantagens de ter sido o melhor do campeonato, agora mineiro, já que o único que sobrou para os dois times mineiros.
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Vou torcer apaixonadamente pelo Galo. Claro! atleticano que sou. Mas se sou maluco por ser atleticano, não deixo de ser racional para admitir que, em condições normais de futebol (se isso existe em futebol), o time deles é favorito.
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Bem, ontem foi a derrota de quem esqueceu que jogo só se ganha dentro do gramado, depois de o jogo ter sido jogado.
E a soberba foi que derrotou o time celeste.
O que me faz chegar à conclusão de que, parafraseando as histórias de contos de fadas em língua inglesa, "Once upon a time.....  Once Caldas." E a calda entornou.

Mulher objeto

                                                Joga fora a miséria
veja o que sobrou de nós
o que restou de mil planos
mil enganos, mil fracassos
o que restou destes braços
ou do corpo dolorido
explorado sem sentido
vendido a troco de nada
E olha em volta
sem medo e sem revolta
sem segredo, sem vergonha
para o que sobrou de mim
eu mulher objeto
hoje sem qualquer projeto
só sonho, desilusão
então, joga fora a miséria
a única riqueza
que construímos nós.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Vida fantasia

                                               É tão fácil compor
É não falar da vida
do preço da comida
de tabela, exploração
ou do problema urbano
que faz mais de um ano
está sem solução
Então falar do engano
do esporte que faz forte
o povo da nação
do carnaval, do enredo
que é manchete do primeiro
jornal à mão.
É tão fácil compor
É não falar de assalto
imposto à mão armada
sem censura prévia
ou da fatalidade                  
que joga esse  povão             
na marginalidade                  
É então falar do samba            
que transforma a avenida          
toda em alegria                   
É não falar de nada
elogiando o sol do meu
país ao meio-dia
é não falar de nada
falar da praia, de alegria
vida fantasia



terça-feira, 3 de maio de 2011

Metamorfoses

                                                           Falar/mudar
saber/mudar
querer mudar
fazer mudar
mudo.
                                                                       E não me venha você
                                                                       me falar de segurança
                                                                       se o racional no dinamismo
                                                                       é ser incerto
                                                                       é estar tudo
                                                                       mudo
Mudando
girando
se transformando
Assim como as águas cristalinas do riacho
Por onde nunca passou Heráclito.