quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Líbia liberta


E agora
antes que seja tarde
basta somente
que seja semente
a liberdade.
Que ela venha
vingue segura
pura,
sem censura
sem retrocessos
espinhos
tropeços
Ou sem a marca
real de um trono
pois basta um patrono
vibrante e novo
Prá que monarca
se basta o povo!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Impactos da realidade


Final da poesia
já não há mais lamento
já não se ouve um soluço
já não se ouve a voz do vento
açoitando os arbustos verdes.
     Cresce de importância o real
     torna-se manchete de jornal
     acabam-se todos os ruídos
     substituídos por um arroto
     saudável...

Economia Brasileira e suas vulnerabilidades

Em comemoração ao dia do Economista, no último 13 de agosto, o Corecon, o Sindicato e a Associação de Economistas de Minas Gerais, reunidos pela primeira vez com todos os Centros e Institutos e Cursos de Ciências Econômicas em funcionamento em Belo Horizonte, estão realizando uma série extensa de eventos da maior qualidade.
Ontem à noite, data escolhida para comemorar a data de 60 anos da regulamentação da profissão no Brasil, o evento se realizou  no auditório do BDMG (já tinha se realizado um debate na parte da manhã, na PUC), contando com a presença de economistas, professores de Economia, estudantes e outros interessados, além de autoridades como a prof. Marilena Chaves, presidente da Fundação João Pinheiro, de Afonso Maria Rocha, diretor Superintendente do SEBRAE-MG, e de representantes das Associações e Conselhos da categoria, em especial o presidente do Corecon-MG, o Prof. Dr. Cândido Luiz de Lima Fernandes, o Candinho.
***
Para debater o tema "Vulnerabilidades Macroeconômicas da Economia Brasileira", o prof. Dr. Antônio Corrêa de Lacerda e o prof. Alexandre Comin, diretor da área industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Palestras ricas que serviram para despertar não só o interesse dos presentes e dos alunos de Economia, mas para ratificar e dar mais peso a algumas idéias que os economistas não vinculados ao mercado (leia-se sistema financeiro) já vêm martelando há algum tempo.
Do prof. Corrêa de Lacerda, a crítica à idéia de se combater a inflação - provocada especialmente por elevação dos preços das commodities no mercado internacional e alguma elevação de demanda interna, inegável - com elevação de juros.
Dado o diferencial de taxas de juros reais entre nosso país e o resto do mundo, essa política tem valorizado excessivamente nossa moeda - enquanto uma cesta das moedas mais importantes do mundo valorizou-se em relação ao dólar passando de 100 para 110, o real passou para 140 - e provocado um processo de desindustrialização preocupante, por atípico para um parque históricamente tão novo, tão recente, quanto o nosso.
A participação de nossa indústria no PIB decaiu de 27 para 15%, mostrando o sucateamento precoce de nossa estrutura industrial.
Pior que isso, ainda, é o resultado da balança comercial, que vem se deteriorando, e que deve se agravar mais ainda, caso a recessão mundial que se prenuncia no horizonte, venha derrubar o preço das commodities, que constitui hoje nosso principal produto de exportação.
Quanto à conta de transações correntes, o resultado é bastante preocupante, a médio e longo prazo. No curto prazo, a manutenção de reservas de cerca de 350 bilhões nos permite certa tranquilidade.
Mas, o problema mais sério é o impacto de tal taxa de juros básica, sobre as contas públicas. O gasto com transferências, especialmente o pagamento de juros, faz com que todo nosso sacrifício de geração de superávits primários seja engolido e revertido, transformando-se em preocupante e crescente déficit nominal.
Só para dar uma idéia da dimensão do problema: de superávits de 3 ou 3,5% ao ano, o resultado final apresenta-se no nível de um déficit de mais de 2%.
Traduzindo em português claro, o mesmo utilizado pelo palestrante: significa que o grosso da população pagou impostos, e esses foram transferidos para remunerar e assegurar a tranquilidade dos ganhos da minoria que aplica em títulos públicos, segundo Lacerda, nós incluídos, como minoritários.
O dado é arrasador: a classe média, vários amigos ou conhecidos que sempre criticaram programas de assistencialismo da era Lula, por representarem estímulo ao ócio, além de um elevado gasto que suga nosso imposto, nosso suor e o sangue fruto de nosso trabalho, reclama por um valor que, em 2010 alcançou a cifra de 13 bilhões de reais.
Pois bem, a bolsa banqueiro, ou a bolsa mercado financeiro e sua histérica e equivocada defesa da elevação da taxa de juros pagou juros de mais de 220 bilhões no ano passado.
Esse é o Brasil. E não me venham dizer, como Lula dizia e criticavam, que "eu não sabia..."
***
Pois, nunca antes na história de nosso país, banqueiros ganharam tanto, embora justiça seja feita e tenhamos que reconhecer, também os menos afortunados tiveram ganhos reais provenientes dessas bolsas que lhes foram destinadas.
***
Da segunda palestra, a preocupação crescente com a pequena importância que nossas exportações de bens manufaturados vem apresentando, resultando em uma reprimarização de nossa balança comercial. Tudo, mais uma vez, fruto de nossa elevada taxa de juros e do brutal influxo de capitais que ela acarreta.
***
Ou seja: enquanto estivermos dominados pela lógica do rentista e não do empresário que produz, estaremos no pior dos mundos.
A esse respeito, a leitura de Carta Capital dessa semana, e a conversa-entrevista com os professores Belluzzo e Delfim Netto, é imperdível. E recomendo a todos que me acessam.
O endereço: www.cartacapital.com.br




segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A novelização do país e a crise econômica em documentário

Enquanto Sarney aproveita e dá um passeio utilizando aeronave da Polícia, o país inteiro parou para assistir ao final de Insensato Coração e descobrir quem matou Norma e o que foi feito com Léo; o final de Pedro e Marina; a apoteótica carreira política de Natalie Lamour, rumo à Câmara Federal em Brasilia.
Bem ao estilo e ao gosto do telespectador brasileiro. Aquele que vê a novela, se reconhece, ri da piada de si mesmo. Assim, parece conseguir aliviar sua consciência e dormir tranquilo, que afinal ninguém é de ferro...
***
Engraçado, em minha opinião, é o fato de que não houve um portal dito sério, um site, um jornal de grande circulação que não tenha dado uma chamada, uma manchete, às vezes até uma foto de Insensato Coração e seus personagens, mesmo que caricaturais.
E isso em meio a mais uma queda de ministro, da Agricultura; de denúncias quanto aos procedimentos ou a omissão deles, em relação à juíza brutalmente assassinada no Estado do Rio, isso para ficarmos apenas no Brasil.
***
Bem, em sala de aula, embora chamando a atenção para o pior tipo de analfabetismo, o político, usei algum tempo para passar aos alunos o filme Inside Job.
Já havia recebido de meu colega Ricardo a referência. Já devia ter procurado ver o filme, que trata da crise financeira mundial de 2008.
Infelizmente, precisou de outro colega, nas redes de comunicação interna do Banco, tecer referências ao documentário. Afirmando que, por ele, todos os Bancos Centrais do mundo, inclusive o nosso, deveriam colocar seus analistas reunidos no auditório para assisti-lo.
Recomendo.
É documentário da melhor qualidade e, embora não sejamos ingênuos, às vezes não fazemos, com o necessário rigor e cuidado, as vinculações entre os chamados agentes do mercado financeiro, e as agências que deveriam se responsabilizar por sua regulação, capturadas que foram há muito por esses mesmos agentes.
***
Para quem quer entender o que foi a bolha financeira que teve início nos Estados Unidos. Para quem quer saber vincular a crise com as finanças desregulamentadas e o fenômeno da flexibilização dos mercados, na esteira do pensamento neoliberal que infestou o mundo desde os anos 80. Para quem quer entender o mecanismo da geração de ganhos e do crescimento e valorização das finanças globais e como ele se vincula ao malfadado Consenso de Washington. Para quem quer ao menos saber porque a crise não se esgotou e já quer se antecipar e tomar suas precauções frente a nova onda recessiva que já se faz presente, nada como assistir ao filme.
O endereço é vimeo.com e após uma barra, segue-se uma sequência de números 25142692, creio eu, sem ter a certeza de que esse número é o correto.
Mas, alunos meus afirmaram que no google é possível encontrar o endereço, bastando procurar por Inside Job. O endereço que estou fornecendo, se correto, é do filme legendado.
***
Nada a falar dos estertores do Galo. Afinal, o Botafogo já de há muito, tem sido nosso carrasco e o Engenhão nosso túmulo.
Agora, que não dá para entender, as razões de o técnico afastar do grupo, para treinar à parte, aprimorando a parte física, a dois jogadores e, depois, entrar com um jogando e com o outro no banco, para aproveitá-lo no meio da partida, isso não dá.
Porque ou os jogadores conseguiram, em uma semana, adquirir o preparo que um deles, Daniel Carvalho, está tentando alcançar desde que chegou ao Galo, no ano passado, ou alguma coisa está mal contada.
Como ficou mal contada a história de contratação e agora afastamento do plantel do jogador Patrick. Afinal, se esse jogador há dois anos esteve treinando no Cruzeiro e não foi contratado por insuficiência técnica, porque o Maluf não impediu a contratação dele, por 2,3 milhões de reais, por 50% de seus direitos?
Enquanto isso acontece, sem explicação no nosso time, vamos ladeira abaixo, rumo à segunda...
***
Trágica a perda do grande professor Antônio Barros de Castro. Quem estudou Economia nos idos da década de 70 sem dúvida deve ter iniciado pelo seu Introdução à Economia - Uma abordagem estruturalista, escrito em parceria com o professor Carlos Lessa.
Grande perda para o pensamento econômico nacional, mesmo com alguns não concordando com sua interpretação de A Economia Brasileira em Marcha Forçada, em que trouxe uma visão diferente para a análise do II PND.

De perdas


Se rio e me espanto
é porque não há objetivo
porque não há mais o mesmo encanto
Já não há mais nenhum motivo
Tento construir ainda um sonho
e conservo esperança em minha mente
onde não há terra, nem semente
apenas um eu já enfadonho.
Como meus versos que se perderam
ou meus temas que se deterioraram no tempo
largados em berço
um dia esplêndidos.

A prazo


E se falar de flores
e se perder o sonho
a cores
ainda resta o preto-e-branco
prá ser digerido
em prestações mensais:
    - a crédito!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

De Relações


Equilíbrio?
pende-se para o lado
o lado forte
Não há equilíbrio onde há peso
e não há um específico?
Especificando as relações
relacionando as espécies...
rol de lavanderia
de roupa suja exportada à Marte
Tributando o progresso
de um mundo
  (livre)?