terça-feira, 3 de novembro de 2026

Cobrando o vitorioso Lula, antes que a oposição venha cobrá-lo

Link do Youtube: https://youtu.be/3P40O8uzUD0 ou Instagram: #Paulocmf55 Há 16 anos decidi editar e publicar um blog para abordar, comentar e analisar, com base em minha experiência profissional, temas do nosso dia a dia ligados não só às áreas de economia e política, mas as relações internacionais, artes e cultura, comportamento social, futebol e outros esportes, até as várias formas de violência, em especial a urbana. Nasceu assim o tambemquerodarpitaco.blogspot.com, como espaço de manifestação de minhas dúvidas, perplexidades, experiências, alguns poucos conhecimentos e muitas oportunidades de aprendizado. Não sendo um ‘influencer’, sempre escolhi os assuntos, e como abordá-los, sem temer “cancelamentos” ou as críticas, sempre enriquecedoras. *** Assim, nas últimas eleições, e mesmo respeitando as opiniões divergentes, apoiei a candidatura vitoriosa de Lula, a única capaz de impedir o retrocesso civilizatório de nossa sociedade e assegurar as condições para deslanchar um processo de crescimento e desenvolvimento econômico sustentado, distributivo, socialmente inclusivo, justo e solidário, científica e tecnologicamente moderno, soberano e autônomo. Capaz de criar as condições que fizessem o país saltar do berço esplêndido para a retomada de sua trajetória futura de conquistas e harmonia. Na oportunidade, vi em Lula a força política capaz de liderar este processo, mesmo não sendo lulista. De esquerda, sim! Mas não lulista, em quem votei apenas nos segundos turnos contra Collor e Bolsonaro, e nos dois turnos deste 2026. *** Por isso, sinto-me no direito de, mais que comemorar a vitória apoteótica, iniciar a cobrança ao presidente reeleito, para que ele faça, de seu quarto mandato, o mais importante e definitivo. O que significa dar uma guinada na forma como sempre governou, a partir de negociações, composições, conchavos, distribuição de cargos, loteamento de setores do governo e medidas destinadas a cooptar setores de interesses antipopulares, via distribuição de incentivos, benesses, manutenção de privilégios. Como prometeu nos dias que antecederam à virada histórica do segundo turno, e tendo como referência as dificuldades postas no horizonte por um Congresso conservador e reacionário, cujo objetivo é manter e concentrar ainda mais poder, riquezas, rendas e privilégios nas mãos das camadas mais ricas da população, Lula deverá governar para o povo, para a maioria da população. Para isso, deverá surfar na onda de apoio e esperança conquistada junto ao conjunto de cidadãos de todas as idades, raças, graus de escolaridade, que lotou as ruas das metrópoles e inundou as redes sociais, atendendo ao seu apelo. *** Afinal, se fosse para governar para o 0,01% mais ricos da população, para os empresários trogloditas do agronegócio, para vantagens e benefícios financistas dos setores de rentistas improdutivos, ou os interesses da grande imprensa e da mídia convencional, que agem não só como seus porta-vozes, mas cujos interesses estão cada vez mais interligados com os setores abastados, teria sido inútil o sacrifício da maioria dos eleitores que foi às urnas. Para isso, Lula já deve dar início ao cumprimento de suas promessas de campanha, como a de formação de um grupo de membros da sociedade civil, composto de juristas, profissionais do direito, políticos, legisladores, acadêmicos, religiosos, cientistas e entidades e associações profissionais, que fossem o embrião da formação de um colegiado de notáveis, responsáveis pela análise e indicação do nome a ser submetido ao Senado para ocupar a vaga existente no Supremo Tribunal Federal. De preferência, ao contrário de insistir no critério que classificou como vulnerável, da indicação de nomes de amigos e conhecidos, já derrotados, poderia propor à análise o nome de uma mulher, magistrada, NEGRA. *** Ao invés de acatar as determinações e chantagens da Faria Lima, dos mercados e seus analista, da grande imprensa e até de integrantes de sua atual equipe econômica, incapazes de pensarem fora da caixa apodrecida pelo uso e pelo anacronismo da ideia de falso rigor fiscal, o governo Lula deveria trazer à discussão um cronograma viável de cortes dos gastos verdadeiramente responsáveis pelo aumento do endividamento do governo: o montante de encargos da dívida, decorrentes da definição, pelo Banco Central, da taxa pornográfica de juros básicos da economia brasileira, a Selic; o corte dos custos tributários, obtidos pela soma dos incentivos e subsídios concedidos aos setores produtivos, criados para vigorarem por prazos determinados que sempre se eternizam, sem qualquer tipo de acompanhamento ou avaliação dos benefícios que acarretam; os gastos com o pagamento das emendas legislativas que, sem coordenação e compatibilização com os programas e planos governamentais, e sem controle, se apropriam indevidamente e dilapidam os recursos do orçamento público, alimentando esquemas de desvios de recursos públicos e corrupção. Também deve dar início à discussão e adoção de medidas destinadas à eliminação de vantagens remuneratórias indevidas e privilégios reservados a categorias específicas de servidores públicos mais poderosos. *** Por outro lado, deve criar grupos de estudos e discussão de propostas de política macroeconômica, compostos por economistas e cientistas sociais de distintas correntes, com prazo definido para apresentação de alternativas a um plano de estabilização da economia, não limitados à ideia do Tesouraço derrotado nas urnas, e voltado para o combate aos gastos sociais do governo. *** Para isso, sem estimular conflitos de vaidades e antagonismos pessoais, poderia recorrer à proposta de André Lara Resende, economista de reconhecida competência e qualificação, um dos pais do Plano Real. Inovador, sem dogmatismos, Lara Resende publicou na Gazeta Mercantil, ainda no ano de 1984, o artigo “A moeda indexada: uma proposta para eliminar a inflação inercial”, ponto de partida para a criação da URV. Importa também destacar sua preocupação com o ajuste fiscal, a melhoria da gestão do orçamento e de cortes de gastos da União, que caracterizaram a primeira etapa do Plano Real, via a criação de um Fundo Social de Emergência (FSE) e do Plano de Ação Imediata. *** Da proposta de Lara Resende, consta ainda a transformação do CMN, Conselho Monetário Nacional, no novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional, CFMN, que definiria metas fiscais e monetárias para vigorarem para um período de quatro a cinco anos à frente, as primeiras pautadas na racionalização e simplificação da arrecadação e dos gastos de custeio e de investimentos, as monetárias anunciadas em conjunto com as metas para a taxa básica de juros. Longe de ser um tabelamento dos juros via tabelamento da Selic, a ideia incorpora a meta de inflação hoje considerada inatingível, dando-lhe mais substância e permite incorporar à taxa de juros, além da meta, a projeção de crescimento nominal do PIB brasileiro. Tal ideia permite, ainda, debater a proposta de levar a cabo a desindexação da economia iniciada e não concluída pós plano Real e a total desindexação da economia, além de permitir a discussão da desvinculação de despesas, com base em Oreiro.