sexta-feira, 11 de setembro de 2026

"A luz do sol é o melhor dos detergentes" (Juiz norte americano Louis Brandeis, 1913)

À disposição também no Youtube pelo link: https://youtu.be/YNNb-0bA6kU ou no Instagram:#paulocmf55 O mesmo diretor a quem me referi em pitaco anterior me perguntou certo dia: você está subindo a pé para a Praça do Papa (no alto da Av. Afonso Pena, em BH). Eu passo de carro, te vejo e ofereço carona. Você vai negar minha oferta? Com base em nossas divergências? Mais tarde, trabalhando como fiscal - de ICMS e de instituições financeiras - aprendi, desde o primeiro momento, o perigo de não querer saber a origem ou a razão de qualquer unidade monetária inesperada, depositada em minha conta. Eu sempre ia pedir explicação ao gerente de minha conta. Procurava me proteger. (Nunca recebi dinheiros suspeitos). Em minha casa, aprendi de pequeno que o ato do roubo é um só, variando só o seu resultado. *** Diferente do diretor, cuja carona visava me poupar da caminhada, Vorcaro oferecia e dava carona em aviões, emprestava seu jatinho, arranjava ingressos para shows no exterior e jogos de campeonatos esportivos. Alma iluminada e generosa, pagava de hospedagem em praias do Nordeste para parentes de “amigos” a ternos em Brasília. Contratava assessoria de agentes poderosos independente da necessidade de utilizá-los: várias vezes, para livrá-los de um ostracismo precipitado. E não se negava a ajudar os filhos de pessoas influentes, novatos na carreira, semeando para o futuro. *** Puro, puritano, mantinha relações financeiras com templos. Sempre disposto a agradar, patrocinava orgias e bacanais – suruba no popular -, em Trancoso. Ou no cosmos, a julgar pelos trajes de astronautas. Não das moças, por óbvio (acho). Como todo bom estelionatário, aparentava ser simpático, afável e confiável aos olhares dos incautos: as personagens vaidosas que, se sentindo importantes ou poderosos, acreditam merecer as homenagens e salamaleques que lhe são prestados. Afinal, construíram essa posição de distinção. Merecem. Fizeram por merecer. *** Poderia parecer que a excessiva simpatia, empatia ou encenação dos estelionatários induz suas vítimas a pensar e agir como se fossem capazes de inverter os papeis: de vítimas sentiam-se as exploradoras. E, como se predadoras, abusavam da benevolência dos ingênuos que lhes doavam recursos. Sem perceber que eram os verdadeiros lesados. Escroque por compulsão, Vorcaro agia como a aranha que lanças suas teias para atrair insetos e pequenos animais desavisados, que passam a se sentirem protegidos e seguros naquela construção que, à primeira vista, parece mero emaranhado de fios. *** Por desprendimento, contratou escritório de advocacia em troca de verba milionária. Escritório cuja finalidade era se unir ao pelotão de assessores jurídicos e advogados empregados de seu império empresarial. Contrato de 130 milhões de reais, para protegê-lo, quem sabe, nas próximas vidas futuras de uma reencarnação renegada por sua crença. Talvez por razões cármicas, foi assombrado uma segunda vez pelo número mágico de 130 milhões. Mais exatamente, 134 milhões de reais para financiar tanto um pangaré medíocre quanto ao seu irmão desempregado, vítima das tarifas impostas à importação de carne brasileira que reduziram as vagas de emprego para chapeiro de hambúrguer nos States. *** De acordo com o juiz americano de nosso título, se se deseja fazer uma faxina que promova a limpeza, o brilho e o brio de nossas instituições e autoridades; se se quer passar o país a limpo ainda antes das eleições, a solução é dar transparência e publicidade a toda a investigação, realizada ou em curso. Evitando vazamentos seletivos e favorecimento de qualquer um dos lados envolvidos. Ou seja: a solução é trazer tudo à luz do sol e para que sua poderosa energia promova a necessária higienização. Isso significa abrir o sigilo de ministros e autoridades do governo, atuais e anteriores; filhos, irmãos, parceiros; bancas e escritórios contratados; usuários e caroneiros de aviões e jatos; convidados para eventos internacionais ou surubas nacionais; beneficiários de ternos ou de mimos mais singelos. E não cair na lábia dos aprendizes de estelionatários, que venham a alegar ser dinheiro privado o do financiamento obtido, realizado sem contrato e qualquer formalidade. Razão de não ser alcançado por eventual fiscalização *** Por esta lógica, todo pagamento feito por Vorcaro teve caráter privado, o que exige tratamento semelhante a todos eles, já que a mentira que cola pra Chico, deve colar para o Francisco e até para o Chiquinho. Em especial, importa que seja exposto ao público o porquê da doação de 71 milhões de reais como parte do financiamento de um filme, com orçamento para desbancar os maiores vencedores de Oscars de todos os tempos. E a razão de um valor tão elevado para um filme cujo conteúdo história, personagem não merece nem um gasto de 3 centavos, nem plateia de mais que algumas poucas pessoas, mesmo sabendo que estivessem estes espectadores dispostos a assistir ao filme, rezar para pneus ou se reunirem à noite em praça pública, para atrair ETs com as luzes de seus celulares. De preferência, na companhia de outros bovinos simpatizantes de suas distopias cognitivas. *** Não desejamos ver sangue e punições em praça pública. Tampouco é nossa preocupação a defesa de a ou b, magistrado, político eleito ou ocupante de cargos. Desejamos é que a justiça, cega, não se intrometa e influencie o processo eleitoral em curso. Que deixe a população escolher, entre os nacionais e os brasileiros que defendem seu país, os que considerem os melhores na defesa dos interesses do Brasil. Não os auto proclamados patriotas. Desde logo, lembramos outra famosa, de Samuel Johnson: "O patriotismo é o último refúgio do canalha". No lamaçal em que nos encontramos, não devemos nos esquecer que a origem ilícita do dinheiro do ex-banqueiro contamina, contagia a tudo e a todos que tiveram contato com ele. E perceber que, para essa situação, esquecer não é vacina. Nem rir, o melhor remédio.

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Minas e a Educação: a que futuro levam essas trilhas?

https://youtu.be/xm8gnWMGKBQ O pitaco de hoje, que não se refere à bet para exploração da ingenuidade de nosso povo, nem mera aposta se baseia, e faz citações literais de “As Parcerias na Educação Mineira: um estudo sobre o Programa Trilhas de Futuro” (de autoria de Vagno Emygdio Machado Dias e Bruno Leandro Silvério Morais, acessado nesta data em https://www.scielo.br/j/edreal/a/3mMqh3my3jX36RZzkZ3cmsv/?lang=pt. Nosso objetivo: conhecer mais o programa Trilhas do Futuro que, junto à proposta de adoção do modelo de escolas cívico militares – ao que parece para criar oportunidades de maior empregabilidade para tantos militares candidatos – é a marca da Educação nos últimos anos em Minas. *** São conhecidas as concepções políticas, econômicas e ideológicas do NOVO, “voltadas ao livre mercado, à pauta moral-conservadora e à defesa do Estado Mínimo.” O partido, que para tragédia de nosso estado, ocupou o governo com o risível Zema, por acreditar na maior eficiência da iniciativa privada na prestação de serviços públicos, comparada ao Estado, “defende … privatização dos serviços públicos … parcerias público-privadas como solução.” (Antes de seguir, um esclarecimento: respeitamos, mesmo não concordando, com o que cada um pensa, especialmente se empresário ou origem abastada). Daí que o plano de governo para a educação “mostra as claras intenções mercantis do governo …, como o famoso voucher: “[...] programa de bolsas em escolas particulares para alunos do ensino público …” De seu folclórico governante, candidato de si mesmo à presidência, apenas recordar que aceitou receber 8,7 bilhões, em 37 anos, da dívida da União com o Estado, em razão da Lei Kandir, estimada em 135 bilhões. *** Quanto ao financiamento do Trilhas de Futuro, foram recursos públicos da Quota Estadual do Salário Educação (QESE) e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (FUNDEB) que foram transferidos a instituições privadas, no total de R$ 790.437.396,45 (nov.2021 a dez. 2022). Tal repasse, contrário ao Plano de Educação - PEE/MG , representa o Estado “não investir na sua própria rede de ensino, além de priorizar, de imediato, a oferta de parte significativa da educação profissional para a rede privada” em … “nítida terceirização do serviçoeducacional público”. Quanto à lisura, o “governo se utilizou de um mecanismo de contrato que dispensa o processo licitatório, em um nítido movimento de privatização da educação profissional de forma exógena (Borghi, 2018)”; “ou seja, o governo compra cursos das instituições privadas de ensino para promover a ampliação da educação profissional.” *** Em síntese: o programa representa que o “governo decide não investir na sua própria rede de ensino, priorizando a transferência dos recursos públicos para instituições privadas, em clara opção pela privatização” o que transforma o “ensino profissional … (na) porta de entrada dos interesses mercantis que veem na educação pública estatal a possibilidade de alavancar seus lucros e ampliar seu mercado.” É este programa que o candidato Matheus Simões apresenta na propaganda eleitoral, se gabando de ser seu criador. Da mesma forma que se gaba de ter ajudado a colocar a folha de pagamento do funcionalismo em dia, com recursos vindos da suspensão autorizada pelo STF, do pagamento da dívida do Estado, solicitada pelo governo anterior. Além dos recursos das indenizações obtidas em razão das tragédias minerárias que atingiram o Estado. E mais alguma quantia dos primeiros dos 37 anos do encontro de contas com o Governo Federal. *** Envergonhada, sua propaganda não aborda o aumento linear de 5,4% concedido aos funcionários, nem o aumento de 300% dado ao governador e seus secretários, nem da concessão de 19,4 bilhões de reais de benefícios fiscais em 2025 (era 6,1 bilhões em 2019), ou o fabuloso aumento dos presentes aos amigos do rei (inclusive empresas de Zema), estimados em 22,5 bilhões neste 2026. E não precisa falar, pois não nos esquecemos, da grosseria e falta de educação e civismo, praticada com Ângelo Oswaldo, prefeito de Ouro Preto no dia de Tiradentes. Para envergonhar, a nós, povo mineiro, basta um só. Não precisa de seu subordinado (vassalo no sistema feudal). *** Não poderíamos deixar de tocar no golpe tentado, mais uma vez nessa última semana pelo ministro do Supremo terrivelmente golpista, este sim vassalo e cúmplice, de tudo que a política brasileira conseguiu gerar desde nossa República. E embora não tenhamos maior apreço por seu adversário na Corte, o autoritário e prepotente Moraes – trazido ao STF por outro golpista mór, o temerário Temer (aquele a quem se destinavam os recursos da mala de rodinha com que seu assessor Loures foi flagrado, cuja imagem todos vimos) – há que reconhecer e dar-lhe o mérito de agir com rigor contra os golpistas do 8 de janeiro de 2023). *** Não é difícil tomar posição entre os envolvidos, quando um age – sob a supervisão ou não do agente laranja americano que pretende nos recolonizar – em favor da continuidade do golpe e da desmoralização das instituições nacionais; ou sem qualquer pudor escancara sua proteção ao candidato vinculado às milícias, às organizações do crime organizado, aos milhões de dólares do escândalo de seu “irmão” ex-banqueiro e suas apostas em cavalo chucro. Do outro lado, outro ministro que, por mais graves que sejam suas relações amistosas com o gangster banqueiro – um comprando proteção ou prestígio, o outro vendendo sua autoimagem de deus Supremo- passa a ser a defesa contra o golpe continuado. O que não impede de concluir e cobrar: queremos quebrados os sigilos de todos os envolvidos. *** E, antes que me esqueça, o golpe tem nome, sobrenome e, nos dias de hoje se apresenta como defensor da moral, dos bons costumes e da honestidade, apesar de ser o maior hipócrita que tem frequentado nossas casas: o impostor, ladrão e golpista mau caráter, Flávio, tarifa rachadinha, boçal nato.

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

Em política - nem sempre a novidade é nova ou capaz de trazer melhorias. O que é melhorar?

Link do youtube: https://youtu.be/lWelkjf-Kso ou instagram: #paulocmf55 Certa ocasião, conversando sobre concepções políticas com o diretor da área em que eu trabalhava, ele trouxe a seguinte questão: os dois lados da disputa não têm o mesmo objetivo? Não estão interessados em criar um país melhor, com maior crescimento, mais desenvolvido? Se têm o mesmo interesse, o que os diferencia não é a forma como cada qual deseja alcançar este objetivo? Gastei algum tempo refletindo sobre as perguntas, até perceber o quanto eram enganosas, pelo grau de generalização envolvida e, pior, pela hipótese simplória que servia de ponto de partida e que condicionava o raciocínio e a resposta. *** De fato, se “Minas são muitas”, de faces conhecidas por muitos poucos, conforme Guimarães Rosa, o mesmo se aplica ao país e sua realidade, desde o diagnóstico de seus males até as inúmeras soluções de cura. Assim, o problema da miséria - consequência primeira da escravidão e do tratamento dispensado pelos senhores de terras aos povos escravizados, que se agrava além do limite do tolerável a partir do fim da escravidão -, está na origem de questões tão diferentes quanto a necessidade de políticas afirmativas, ou outras ligadas ao rigor no controle das condições e à própria extensão desumana da jornada de trabalho, a baixa produtividade do trabalho, ou a uma suposta indolência inata que faz o trabalhador preferir viver às custas de benefícios pagos por toda a sociedade. *** A dificuldade de a elite dominante tratar essa situação como herança da dívida histórica contraída junto ao povo antes escravizado, em geral preto mas não só, impede a adoção de soluções além da fixação das cotas de reparação das políticas afirmativas. O que justifica o preconceito das elites, que está na raiz dos projetos de nosso desenvolvimento e que, adotando o viés econômico, alega visar a melhor alocação de recursos escassos ao elaborar programas voltados à expansão da educação ou à ampliação da participação do trabalhador em programas de qualificação. Programas que privilegiam aqueles capazes de aproveitar melhor seu conteúdo, em geral os filhos das classes mais abastadas e que mais tarde, no mundo do trabalho, justificarão o pagamento de remunerações aviltadas para a maioria de trabalhadores, fruto de sua baixas capacitação e produtividade. Funcionando como instrumento da depreciação acelerada das classes trabalhadoras, essa baixa remuneração produz o efeito perverso que realimenta o estado de miséria e degradação de ampla parcela da população, cada vez mais excluídas das políticas voltadas para o estudo, a qualificação, a saúde, condições de habitação e mobilidade dignas de que deveriam ser o público preferencial e adotadas como prioritárias e urgentes. Isso se essa situação de reprodução da miséria não fosse benéfica, por permitir o aumento da taxa de exploração do trabalho e, por extensão, dos lucros da classe empresarial. *** Tal visão contraria frontalmente aos setores mais poderosos da sociedade, já suficientemente críticos de qualquer programa de ajuda às classes menos favorecidas, desde as cotas até os programas de assistência e transferência de renda, vistos como desperdício de gastos públicos e irresponsabilidade fiscal. Afinal, a elite forma sua cosmovisão com base na cartilha de inspiração neoliberal, baseada na valorização dos esforços individuais como forma de acesso às melhores condições materiais de vida, seja este resultado fruto de sacrifícios pessoais da geração atual ou herança abençoada de antepassados exitosos, que alcança filhos, netos, sobrinhos e até genros. *** Por isso, assistir a um candidato ao governo de Minas prometer, ao mesmo tempo, reduzir a carga de impostos extorsivos pagos pela população e melhorar a qualidade da prestação de serviços públicos a todos, é o tipo de mágica que nem mesmo Houdini se atreveria a arriscar. O que não impede reconhecer – e exige - o peso excessivo, NA MÉDIA, que cada cidadão deve pagar em impostos. Carga que corrói parcela importante do poder de compra de toda a população, não só a mineira. Porém, reconhecer a verdade dessa situação, nos obriga a mostrar o que ela esconde, o que não é dito: que os mais privilegiados, mais ricos e poderosos não apenas pagam muito pouco, como ainda se beneficiam de incentivos e subsídios que os tornam praticamente isentos. Isso obriga a que, a distribuição da mesma carga total por um número menor de contribuintes seja compensada por cargas individuais maiores. Em geral pagas pelos mais pobres. A pergunta do milhão de dólares deveria ser qual a solução mais justa: reduzir os impostos pagos por todos, na média e em geral? Ou aumentar os impostos daqueles que, podendo, pagam menos ou não os pagam? A esta pergunta junta-se outra: sem recursos para atender aos gastos públicos, que cortes deverão ser feitos: nos subsídios e incentivos aos empresários ou em gastos em saúde e educação, que beneficiam os mais necessitados ou mais ineptos? *** Seria interessante ter as respostas de Cleitinho, cujo projeto, de cunho populista, promete lutar pela melhoria das condições de vida de todos, independentemente de sua ideologia. O mesmo se aplica à proposta do conceituado escritor Augusto Cury que visa, corretamente, solucionar o sério problema da polarização que divide nossa sociedade, esgarça nosso tecido social e nos impede de avançar em conjunto. Sem o uso de drones e de inteligência artificial, suponho. Em linha com nossa questão inicial, todos queremos a paz e um projeto de desenvolvimento econômico e social para chamar de nosso. Será? *** Será nosso projeto semelhante ao do candidato que deseja nos transformar em mero vagão da composição puxada pela locomotiva carcomida, desatualizada e atrasada tecnologicamente, da economia americana? Sob as bençãos da bandeira do Tio Sam e, de quebra, Israel? Ou nosso projeto é voltado para nossa independência e autonomia, mesmo que relativas e limitadas, dado nosso papel de economia do sul global e periférico? Na segurança, temos os mesmos objetivos dos que propõem soluções que desrespeitam os direitos humanos, como o uso da pena de morte – ainda que não prevista em lei e sem julgamento justo -, como punição aos criminosos? E que limites estabelecer para poder distinguir crimes cruéis de outros tipos, que podem vir a incluir crimes coo o de não ter nascido em berço de ouro, beneficiados por genética de estirpe nobre? Temos objetivos semelhantes àqueles que idolatram ditadores fascistas, criminosos como Bukele, e os tomam como exemplo, no altar dos heróis, ao lado dos nazistas da Alternativa alemã? Seria possível a convivência respeitosa desses grupos com aqueles que acreditam na aplicação do espírito das leis a todos, independente de posição social, cargo ou serviços prestados anteriormente a nossa sociedade? Seria interessante ver as propostas de Cury para reunir no mesmo ambiente, pessoas com interesses tão significativamente distintos para, após algum tempo - que poderia ultrapassar a duração de uma vida -, conduzir os dois lados a um ponto comum. De preferência democrático, permitindo a coexistência de ambos os lados. É isso.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Na Política - Em país de Brás Cubas, nem todo machado racha

link youtube: https://youtu.be/xcsqroNWocI É digna de um pitaco a evolução do setor de pets em nosso país: 3º maior mercado no ranking mundial do setor; 3ª maior população de pets; faturamento da ordem de 78 a 80 bilhões de reais com taxa de crescimento esperada e constante, de 9,6% ao ano. Do faturamento, 54% corresponde ao setor de pet food (alimentos e rações). Entre os fatores apontados para a tendência de crescimento, citam-se a humanização dos pets, cada vez mais tratados por seus tutores, muitas vezes solitários, como “alguém da família”. Soma-se a esse movimento, a profissionalização do segmento de saúde e atendimento veterinário, objeto de recursos institucionais e a preocupação com o bem-estar e saúde, que provoca forte alta na procura por clínicas especializadas, planos de saúde animal, farmácias veterinárias e serviços de estética avançados. *** Também não poderíamos deixar de falar do mascote nacional, o cachorro caramelo ou vira-lata – sem raça definida -, resultado de um mosaico genético e considerado o mais popular e amado do país, um verdadeiro símbolo cultural. Símbolo de campanhas contra o abandono animal e maus tratos, o Caramelo por sua inteligência e sociabilidade, caráter brincalhão e capacidade de se afeiçoar aos cuidadores dá origem à difusão de falsos mitos, que tornam invisíveis os vários sofrimentos a que estão expostos: a fome, o frio, atropelamentos, doenças e maus-tratos. Situação que explica porque, em várias cidades, vizinhos e comerciantes atuam como tutores comunitários, oferecendo água, comida e abrigos improvisados, o que os torna os pets patrimônio de toda a comunidade. *** O que me lembra um tipo muito peculiar de pet, com terreno fértil para se expandir, de forma constante e descontrolada em nosso país, criação genial e inesquecível de Jô Soares, no programa Viva o Gordo dos anos 80: o Corrupto. Crítica ácida e humorada à política e políticos do Brasil, o quadro ironizava a imagem da figura corrupta na época: um “bicho raro”, que rejeitava comida comum e se alimentava com notas de dólar; cujo hábito era atacar florestas, bancos, caderneta de poupança e, normalmente tranquilo, apresentava alterações de humor e comportamento agitado, que tinha como gatilho algumas palavras e expressões, como cana, pena, banco, Suíça, etc. *** No quadro, sempre mantido em uma gaiola coberta por um pano preto que impedia que fosse visto, o personagem reforçava a ideia de que podia circular por vários ambientes sem ser identificado, permitindo continuar agindo nas sombras. Dos anos do Viva o Gordo para cá, a evolução tecnológica, capaz de afetar tempos e costumes, permitiu que o país passasse por um número sem fim de mudanças significativas, apesar de insuficientes para a eliminação do pet corrupto. Classe de pet que movimenta hoje, mais que cães e gatos, valores que superam os 6 bilhões do assalto aos fundos de pensão; os 41 bilhões de assalto ao FGC; mas que, nem por isso, abandonam as oportunidades de movimentar somas menores, como 71 milhões de reais de pangarés hollywoodianos, ou capazes de permitir a compra de 52 imóveis em dinheiro à vista, ou o sustento no exterior de párias e traidores de todo o tipo de escória. *** Tamanha a sanha e voracidade por avançar em recursos alheios, que não abrem mão nem mesmo de valores de viagens em jatos cedidos, ou das passagens aéreas, pagas por empresários, sem falar nos milhões distribuídos para liberar ativos minerários alcançados pela Operação Rejeito da PF, ou outros empréstimos para questões particulares. Isso sem tratar da indústria que mais cresce no país, a de lavanderia e equipamentos para lavar dinheiro, por meio de canais ligados ou não às siglas sempre lembradas nesse período de horário eleitoral: CV, PCC e tantos outros Ps em campanha. Mas, como diz a sabedoria popular, cada um tem seu pet de estimação, o direito a ter seu “bandido, mau caráter” de estimação. E até de votar nele. Só não pode reclamar depois, já que o Código de Defesa do Consumidor não trata o caso. *** Em homenagem ao saudoso Sérgio Porto e ao Febeapá – Festival de Besteira que Assola o País – vale destacar que o político mais preocupado em promover a distribuição de renda (em seu gabinete, rachando e coletando parcela de salários de seus funcionários), se faz passar como o mais preocupado com segurança pública, vinculada, pasme!, à soberania. Dele é a frase de efeito, vinculando segurança e soberania: “Nós perdemos a soberania. Não temos mais soberania sobre nosso celular, nosso carro, sua bolsa, nossa casa…”. Fato: alguns funcionários de gabinete não têm soberania nem sobre o próprio salário. Isso se aceitarmos tamanha redução do conceito de soberania – de Estado, para o aspecto individual, típico do domínio dessa visão neoliberal, individualista. Ou se esquecermos que a questão da segurança pública é responsabilidade de esfera administrativa diferente dos defensores de nossa soberania. Só mesmo em um país que não é para amador, onde o “errado é que é o certo” (goleiro Cafunga), um deputado que mantém na folha de pagamento de seu gabinete, como funcionárias fantasmas, a mãe e esposa de um miliciano assassino, o mesmo que estando preso, foi condecorado com a mais alta medalha legislativa do Rio por proposta do deputado que, agora candidato, promete classificar organizações criminosas como narcoterroristas, como forma de iludir aos grupos que oram para pneus, ou acendem celulares para Ets. Ou seja: “alguma coisa está fora de ordem, fora da nova ordem mundial” (Caetano), como o retorno do partido nazista na Alemanha, e um político envolvido com tudo de podre em nossa política, estar prometendo transformar o país em um lugar de amplo saneamento - até para ajudar no combate ao aquecimento exacerbado do clima; ou ainda para um outro candidato misógino, vender a imagem de pureza em ambiente de Rejeito, talvez pela bondade e tolerância da população que o acolhe nas redes sociais, como aos pets da modernidade.