quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Curtos poemas

PERMANÊNCIA

Nas sombras da vida
não perdi seu vulto amado
no tempo do espaço
brilha ainda a mesma estrela
em minha mente...

                                      IDEAL

Uma flor em botão
esmagada...
no chão...

                                     CIDADE   JARDIM

No lugar do verde
miséria...
em vez de flores,
mendigos...

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

E às noites....

POLUIÇÃO NOTURNA

Não vejo a lua
não veja a rua
nua, negra, solitária.
Impede-me a visão
a cortina de neblina
tóxica poluição.
Não vejo a noite
nem as estrelas
apenas sinto no ar
o brilho filtrado pelo homem
que me impede de vê-las.

Atemporalidade

ATEMPORALIDADE

Só se passara um dia
não fora com certeza
um ano inteiro
fora apenas o momento triste
a idéia do abandono.
(Eu ainda sonhava
continuaria sonhando
e o peso de mais um ano
era muito árduo,
prá quem ainda se mostrava
a mesma criança de ontem).

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Hoje o dia é de Ronaldo

Não dá outra. O tema do dia é Ronaldo Nazário, o Fenômeno.
Confesso que, apesar de achá-lo um grande jogador, não sei se seria capaz de colocá-lo como o melhor atacante brasileiro, nem mesmo nos últimos 10 ou 20 anos.
Nenhum problema com o craque, nem mesmo pelo fato de ter ele sido jogador do Cruzeiro e não do Galo.
Sou capaz de afirmar que, em termos de técnica, vi Reinaldo desfilar sua habilidade em campo. E, para Reinaldo, o maior elogio quem fez foi Raul, o goleiro cruzeirense da camisa amarela.
Mas Reinaldo machucou-se cedo para o futebol e não foi em nenhum momento de sua curta carreira, o atleta que Ronaldo chegou a ser.
Ponto para Ronaldo.
Mas, concordo com Tostão quando escalou em sua seleção brasileira o baixinho Romário. Romário foi o maior jogador, recente de miolo de área. Dentro das quatro linhas da grande área, era imbatível.
E, mais que isso, ganhou uma classificação e uma Copa para a gente. Pode-se dizer que 94 só deu Romário.
Ponto aqui, para Romário.
***
Que Tostão agora diga que Ronaldo foi o maior jogador do Cruzeiro, é uma coisa. E com essa não concordo. Afinal, mesmo não sendo cruzeirense, Graças a Deus!, não sou bobo. E vi o próprio Tostão. E vi, também, Dirceu Lopes. E vi Zé Carlos.
Mas, em minha avaliação de observador do futebol, Zé Carlos estava meio passo atrás dos outros dois. E entre aqueles... acho que dá empate.
Para mim, ponto para Tostão e Dirceu.
***
Ronaldo foi o maior artilheiro de todas as copas e, sem dúvida, melhor que Careca, que Luiz Fabiano, que vários jogadores que vestiram a camisa da seleção. E foi três vezes escolhido o maior jogador do mundo.
Assim como o foi também Zidane.
E como foram duas vezes Romário e Ronaldinho, o gaúcho.
Mas, sem desfazer de sua capacidade, de sua explosão de arranque, de sua técnica e habilidade, creio que muito da sua escolha tripla se deve aos times em que jogou, verdadeiras vitrinas, além do nome de seu patrocinador: a Nyke.
Àqueles que podem discordar de minha opinião, basta lembrar que ele foi escolhido para ganhar o prêmio de Bola de Ouro, dado ao melhor jogador de uma Copa em 1998,justo o ano em que ele teve o célebre problema de saúde, até hoje muito mal explicado.
Ainda assim, ponto para Ronaldo.
***
Mas, daí a colocá-lo como o jogador brasileiro mais próximo de Pelé, sem menção a jogadores como Garrincha, Didi, Zico, só para citar alguns, é sinal de que a memória nossa é mesmo muito pobre. Ou que, como sempre, o brasileiro é muito emotivo.
Razão porque qualquer pessoa que morre, logo se transforma de vilão em herói. E quem aposenta, como no caso de Ronaldo, vira o maior atleta de todos os tempos.
Menos mal: o Brasil continua celeiro de bons jogadores.
E, sem dúvida, Ronaldo estará e sempre será lembrado como um dos maiores deles. Sem necessidade de ser o maior ou um dos três maiores.
***
Quanto a seu fim de carreira, melhor não ficar comentando, já que há tanto para relembrar dele.

Vagando pela noite

POLUIÇÃO

Vagando à noite
atrás de seu vulto
coberto pela sombra
cortinas de fumaça
névoa úmida, poluída.

Porque insiste ainda em desaparecer
e deixa-me com a sensação vaga
de ter perdido meu alvo?
escondido na  fumaça
sombra que vem e passa.

Em busca da liberdade

EMBLEMA

Da força fez-se o direito
e do direito a lama
da verdade o segredo
da alegria, o medo.
Era do fuzil
impõe-se a mão de ferro
prepotente
(era de silêncio).
E no silêncio fez-se a luta
da luta fez-se a revolta
da verdade fez-se tema
da liberdade, emblema.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Respingos de futebol

Não poderia deixar de tratar do tema.
Ver o Atlético vencer de 4 a 3 a seu principal rival, nos dias de hoje.
Ve-lo correndo em campo, com esquema de jogo, depois de tanto tempo em que o amontoado de jogadores parecia desnorteado com o discurso empolado e vazio de marqueteiros que resolveram infestar no futebol.
Ver que torcida não ganha jogo, definitivamente, embora possa servir para pressionar ou até intimidar o adversário, ou os jogadores ainda inexperientes.
Ver que o sorriso dos atleticanos e a camisa preta-e-branca não foram feitos para ficar guardados, porque afinal de contas colorem a capital mineira.
Ver que apenas 10 mil torcedores do time adversário, se tantos, se atreveram a viajar para assistir a um jogo que nada vale, ao final das contas.
Nada disso é tão significativo quanto a percepção de que quando o jogador está com fome de bola, ele se empenha e consegue simplificar até as coisas mais difíceis, como correr, desarmar, ajudar a defesa, participar de lances de área e marcar gols. Três, como aconteceu com Diego Tardelli. Isso sim, foi o melhor, em minha opinião, do último sábado.
E Dorival Júnior pode creditar mais essa façanha a sua folha de serviços ao Galo: resgatou a vontade de jogar de todo o time e de seu ponta de lança.
É verdade, e é muito bom: Tardelli está vivo, e com fôlego novo.
***
O mesmo fôlego que Fábio Júnior está mostrando no América e como artilheiro do campeonato. Embora sua passagem pelo Galo não tivesse nunca me agradado.
***
Fôlego que parece ter chegado ao fim no caso de Ronaldo. Que, sendo muito honesto, demorou-se demais para decidir pela sua aposentadoria.
Até em respeito a tudo que ele mesmo fez e construiu ao longo de sua carreira, de tantas demonstrações de futebol de classe, vistoso. De vigor. De obstinação.
Se uma palavra marca o jogador e o homem, para mim essa palavra não é FENÔMENO. A menos que fenômeno de SUPERAÇÃO.
***
Show de Lucas. Show de Neymar. E a seleção brasileira já assegurou sua vaga na Olimpíada de Londres, em 2012.
Parabéns aos campeões. Parabéns a Neymar, o artilheiro da competição e o jogador que mais encantou a torcida, se encarregando de dar o toque de arte e alegria ao futebol.