sexta-feira, 15 de abril de 2011

Sob as brasas

                                                Fogo brando
chama que teima em surgir
chama arrasadora
chama
que a fonte de tuas lágrimas
insiste em apagar
Fogo morto
debaixo da cinza
carvão que queima escondido
calor que ainda vai explodir
incontrolável.

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Dez anos sempre dizem muito, do tempo passado

                                               Passou o tempo
e quem não viu
passaram anos
e foram dez
Passou o tempo
e quem sentiu
não viu que foram
e foram dez
Passou o tempo
ninguém contou
passou um ano
passaram dez
passou o tempo
e ninguém viu
o passar arrastado
do tempo.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Lembranças da época romântica da computação

                                                                      A empresa opera
                                                                       trabalha
                                                                       processa
a pressa de um computador.
A empresa se agita
                                                           funciona
                                                           convulsa
expulsa o trabalhador

E gira com números de luz
circula com fitas cassetes
e grava o surdo ruído
de toda transformação
Fazendo de sua rotina
seqüência diária.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Valores

                                                           Mais valia
ser um excedente improdutivo
não aqui onde concorre
meu trabalho.
                        Mais valia
                        ser a casa motivo de angústia
                        não o mercado imperfeito.
Mais valia
não valer nada
e flutuar à tarde
em liberdade.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

De vagações...

                                               E fala-se do sexo dos anjos
e vaga-se especificamente
pelos céus do meu país
Não se desce à terra
não se vai ao inferno
à procura de adeus
Assim, solto a vagar pela poesia
entendo um pouco mais de aerovias
e deixo-me perder em disfunções
E fala-se do sexo dos anjos
das asas dos anjos
do rosto dos anjos
e deixa-se de lado o terra a terra
o sexo dos homens
essa quimera.

sábado, 9 de abril de 2011

Possível racha do área econômica do governo é sonho do mercado financeiro, mas não parece ter crédito

Está noticiado na Folha de hoje, sábado. Em reunião com empresários do setor industrial, em que não estiveram presentes, mas se fizeram representar os ministros do Desenvolvimento Industrial e Ciência e Tecnologia, respectivamente, Fernando Pimentel e Aloísio Mercadante, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, Luciano Coutinho recomendou aos empresários que pressionassem o governo para promover mudanças na política cambial.
Segundo a Folha, Luciano destacou que, por força da necessidade de controle da inflação, especialmente vinda de fora para dentro de carona nos preços de commodities, o govern o estaria deixando nossa moeda se valorizar perigosamente, o que poderia decretar perdas significatiivas para a produção industrial nacional.
***
Não fosse a declaração feita por um importante membro da equipe econômica do governo Dilma, o que dá  margem a uma série de especulações quanto à existência de possíveis rachas no seio do governo, a declaração não traria mais que o óbvio.
Aqui mesmo nesse blog, em várias ocasiões já mencionamos que a elevação dos juros, patrocinada pelo COPOM, atrairia para nosso país um volume elevado de capitais externos que redundariam em elevação do valor do real e queda do dólar, com efeitos nefastos para nossa conta de transações correntes, nossa indústria, nossa produção e o nível de emprego e as taxas de crescimento, mas evidente efeito benéfico sobre a inflação.
Se, como lembra Luiz Carlos Mendonça de Barros, ouvido em reportagem em que o jornal repercute o assunto, essa política cambial fosse capaz de alcançar o principal vilão dos preços no interior de nossa economia, os preços de produtos não expostos à concorrência internacional, serviços e bens não comercializáveis (escrevi outro dia non-tradeables).
***
Então, Luciano nada afirmou que não seja de conhecimento público, a respeito de uma certa tolerância maior do governo em relação à valorização do real. Tolerância que, mesmo em tese não sendo tida como uma medida correta de política econômica, acaba sendo reconhecida como talvez a opção mais viável, no momento e dadas as circunstâncias, de não permitir que os preços elevados de matérias primas internacionais joguem mais combustível na fogueira dos preços ardentes aqui no Brasil, por economistas do porte de um Belluzzo ou de um Reinaldo Gonçalves.
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Exortar aos empresários a pressionarem o governo a ficar atento ao câmbio, ou a tomar medidas destinadas a compensar a desvalorização do dólar, menos que mostrar uma divisão interna no governo, mostra apenas a visão de um economista que sempre esteve voltado menos para os interesses do mercado financeiro e mais para a defesa daqueles que geram a riqueza e a produção real do pais.
Nesse sentido, inclusive não há que se falar em divisão, quando o próprio Mantega, também em evento noticiado pela Folha, fala abertamente que, embora essa valorização do real  fosse uma política possível, não é a política de combate à inflação que o governo vem adotando.
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Mantega respondia a Maílson da Nóbrega, que depois que nada fez como Ministro da Fazenda (no período Sarney, quando se notabilizou por adotar a política do arroz com feijão, ou o" não fazer nada para ver como é que fica") foi atuar no mercado financeiro, de onde volta e meia emite opiniões como a de que o governo deveria deixar o dólar virar poeira, para usar as importações tornadas baratas como arma contra a elevação de preços.
Ora, ligado ao mercado financeiro, não há como cobrar de Nóbrega outra postura.
E a sua estapafúrdia sugestão, Mantega já deu resposta. Que coincide com a idéia de Luciano.
Mas, nada como o mercado financeiro tentar jogar numa possível divisão, para enfraquecer autoridades e, desestabilizando-as, conseguir capturar e trazer essas autoridades para rezar por sua cartilha.

Tons de Rosa


Róseo
                                                           /é o tom vivo do prédio
                                                           /matiz do horizonte
que emoldura o jardim
de rosas
                                                           É o futuro
                                                           quase obscuro
                                                           nossos projetos
                                                           e planos
Róseo é o amanhã
é a manhã
não a noite
Rósea é a esperança
não a descrença
                                   Rosa é a arma do poder
A  cor da fonte do saber
rósea é a informação
                                   mesmo a mais perigosa.