quinta-feira, 7 de março de 2013

Desapegando



Por pouco tempo
De minha estação de trabalho
Erguendo os olhos
Vou poder assistir a essas imagens
Por trás da janela envidraçada
Por sobre os topos dos prédios vizinhos
As nuvens que cavalgam os céus
As formas que se movem
E modificam
Por pouco tempo
Vou poder acompanhar os seus perfis
Que se alteram
Mas que pretendo retê-los todos
Na memória.

quarta-feira, 6 de março de 2013

A morte de Chaves

Para além de qualquer opinião pessoal, de cunho político ou ideológico, a morte de Hugo Chaves deve ser analisada, em minha opinião, a partir das reações do povo venezuelano, mesmo com todas as suas dissensões.
Nesse sentido, é inegável que a comoção popular apresentada nas telas das rede de tv, a ocupação das ruas da capital venezuelana pelas camadas mais pobres da população com bandeiras e palavras de ordem evocando e homenageando o político morto devem levar a uma reflexão de seu real papel e sua importância para o país vizinho.
Como todo político, o julgamento de Chaves, de sua obra e seu legado exige um certo distanciamento, difícil de ser alcançado nesse momento.
E como é comum na trajetória de alguns políticos, há que se analisar e separar com cuidado o que foi a figura de Chaves e sua retórica e suas ações concretas.
Afinal, como citado no Bom Dia Brasil, da rede Globo dessa manhã de 6 de março, embora mantivesse um discurso excessivamente crítico aos Estados Unidos e a seus interesses, ao mesmo tempo, o governo bolivariano chavista fomentou ou não agiu para criar óbices a uma expansão significativa das relações comerciais com o país de Obama. De fato, os Estados Unidos constituem o principal parceiro comercial do país venezuelano, com fluxos de comércio que superam os 50 bilhões de dólares.
Além disso, o reconhecimento de que a economia venezuelana, por mais fragilidades que apresente atualmente, cresceu de forma espetacular desde a chegada de Chaves ao poder ajuda a explicar os motivos que tornaram o "caudilho"  tão popular. E tal feito não perde sua importância por se afirmar que todo esse crescimento foi fruto tão somente do petróleo - riqueza natural abundante na Venezuela, e de uma conjunção de fatores internacionais que permitiram o aumento dos preços do óleo.
Isso porque muitos outros países, hoje citados como exemplo de crescimento (até como forma de alguns analistas criticarem o pífio crescimento de nossa economia brasileira), também se beneficiaram e se beneficiam de melhora das condições internacionais de seus principais produtos naturais.
***
Mas, mais importante que o crescimento econômico da República Bolivariana, foi a política praticada por Chaves, de estímulo à educação e à saúde, especialmente voltada para as camadas mais pobres, de onde vem toda a sua popularidade.
Por esse motivo, dizer que Chaves foi populista ou demagogo, ou paternalista ou que praticava assistencialismo é no mínimo curioso, já que mesmo os conservadores sempre disseram que o principal papel do Estado é promover o fornecimento de ensino e saúde de qualidade à população.
Ao promover tais políticas, o que se tem notícia é que a Venezuela deu um salto significativo na melhoria dos padrões de distribuição de renda, diminuindo em muito os níveis de desigualdade existentes.
A esse respeito, cito importante artigo publicado pelo professor Bresser Pereira no ano passado, na Folha, caso a memória não me falhe, em que o ex-ministro do governo FHC, faz análise isenta das razões econômicas e sociais que fundam o que é considerado a idolatria dos pobres venezuelanos por seu falecido líder.
O artigo do professor sustenta, inclusive, que não seria crível que um político fosse reeleito pela terceira vez, não tivesse apoio popular sustentado por melhorias verdadeiras e percebidas no padrão de vida de seus eleitores e suas famílias. O artigo pode ser visto no link a seguir:
 http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/73373-a-luta-de-chavez.shtml
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Que a inflação hoje tenha se elevado ao nível de 30 %, ou que a violência urbana esteja em alta, ou que algumas medidas de tentativa de controle da mídia ou dos poderes Legislativo ou Judiciário possam ter sido intentadas, são críticas que exigiriam um conhecimento mais aprofundado da realidade institucional e jurídico constitucional do país vizinho, o que confesso não saber. Por esse motivo, me abstenho de comentar.
Apenas recordo aqui a tentativa de golpe tramada por poderosos interesses econômicos venezuelanos com apoio ostensivo de interesses americanos, e amplo apoio dos meios de comunicação e difusão que operavam na Venezuela, que tiveram desde a prisão de Chaves e sua derrubada do poder, até a sua volta triunfal nos braços da população.
No caso, algumas das redes de comunicação chegaram a forjar notícias e plantar notícias falsas de forma a tentar enfraquecer a resistência ao golpe em marcha.
Foi contra essas redes e contra o ato de traição que elas perpetraram que Chaves se insurgiu, depois de reconduzido ao cargo, e que lhe valeu não apenas críticas internas, mas uma verdadeira onda de indignações e críticas de outros órgãos de imprensa solidários a seus congêneres.
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Vai Chaves. E que a Venezuela encontre um caminho de evolução, inclusive no âmbito político, pacífico e capaz de continuar respeitando os interesses do povo venezuelano e contribuindo para sua construção de uma sociedade mais rica e mais justa.

Pertencimento



Pertencer
É como ser e estar
E fazer parte
E se sentir inteiro
Íntegro,
Colaborando com o todo
Sabendo ser pequena parte
Fração fundamental na engrenagem
Que impulsiona a vida
E molda nossa trajetória
E nos permite construir
Com engenho e arte
O que vai se tornar a nossa história
Pontuadas por nossas perdas e glórias
Pertencer é verbo
E mais que ser propriedade é partilha
Quem sabe até seja merecimento
Jamais é estar à parte ou encostado
Pois que o afastamento é o inverso
A antítese do que é pertencimento
É relegar o antigo parceiro
A ser mero borrão que na memória
Cada vez mais vai se apagando
Até desvanecer-se no esquecimento

terça-feira, 5 de março de 2013

Arrogância e fraqueza



Quando você cumpre
O seu papel à risca
E arrisca por cumprir
O seu papel
O adversário chora
E esperneia
Não reconhece a esperteza alheia
E que coisa mais feia
Não admite sua falha
Pra não dar na vista
Que foi ludibriado
E que sem perceber
Virou artista
De uma peça
Que não queria fazer
E o esperto
Que para espanto geral
Cantou a sua esperteza
Deu-se  mal
Capturado em sua própria armadilha
E agora chora
Dando sinal de fraqueza

segunda-feira, 4 de março de 2013

Lembrando o aniversário de um mês



O fogo arde de paixão
O fogo arde
Queima avassalador
Destrói conquistas e sonhos
Queima e derrete fantasias
Destroça o coração dos que amam
Aniquila os pais e torna vazias
As casas e as famílias
Pira acesa em homenagem à alegria
O fogo consome a esperança
E embaça a noite
No átimo em que se transforma em fumaça
O fogo queima a juventude
Reduz a cinzas a diversão
A dor, a manchete de jornal
E nosso despertar matinal
Em um pesadelo opressivo
E silente
Em contraposição ao crepitar das chamas
Que servem de ilustração feérica da vida.

sexta-feira, 1 de março de 2013

O reality das Mulheres Ricas - à la Bandeira



Mulheres ricas
Mulheres fúteis
Mulheres sempre mudando o humor
Imagino essas mulheres fora das telas da televisão
À beira de um tanque,
Quem sabe à beira de um fogão
Ou atrás de uma escrivaninha
Dedicando-se a algum trabalho útil
E o Ibope sem perdão
Hello! Vocês têm zero traço
De audiência

PIBINHO

Anunciado o valor dos novos bens e serviços finais (feitos ajustes para estoques de bens produzidos e não concluídos ou não vendidos) gerados na economia brasileira no ano de 2012, na casa de R$ 4,4 trilhões em valores correntes, constata-se que a taxa de crescimento da riqueza gerada no Brasil no ano passado foi de apenas 0,9%. A rigor, um pibinho, como definiu a nossa presidenta Dilma.
Com isso, como os jornais e os sites noticiosos têm destacado, a média dos dois anos de mandato de Dilma em termos simplificados alcançou 1,8% a cada ano, o que é bastante pífio, principalmente se comparado ao último ano de seu padrinho e antecessor Lula e o PIB de 7,5% em 2010.
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Dentre os setores da economia brasileira, os 0,9% são puxados pela evolução do setor de serviços, de 1,7%, parcialmente anulados pela queda de 0,8% da indústria e de 2,3% da agricultura.
Em minha opinião, esse comportamento dos setores, traz em seu bojo uma mistura explosiva, capaz de botar lenha e, em parte, justificar a piora das expectativas inflacionárias e mais que isso, do próprio comportamento dos preços.
Afinal, o crescimento do setor serviços, que é capaz de explicar também a razão da expansão do nível de emprego da economia brasileira, com destaque para o emprego formal, acaba provocando uma elevação do nível de salários, desde aqueles pagos aos trabalhadores menos qualificados. Da mesma forma, promove o ajuste dos custos de serviços particulares, que têm sido apontados como os principais vilões do movimento de subida dos preços. Incluem-se aí, serviços pessoais, como salão, oficinas, e outros.
Claro, ao subir o preço da mão de obra, isso irá se refletir em uma elevação de custos da folha de pagamentos também na indústria, um elemento que ajuda a explicar o aumento de preços de produtos industriais, embora não seja o principal fator.
Quanto ao comportamento do setor agrícola, a queda ajuda a entender porque se elevam os preços de produtos como alimentos, também apontado como vilão da inflação em nosso país.
A título de complemento, no caso da elevação dos preços industriais outros fatores devem ser apontados, como a valorização do dólar, ocorrida no ano passado, que se por um lado ajuda a baratear nossos produtos, elevando nossa competitividade (espúria!), pelo lado dos preços, implica em aumento de custos de insumos e produtos intermediários importados, repassados para os produtos gerados a partir deles.
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É justo dizer que o governo Dilma é, nesse caso, vítima das políticas adotadas desde o governo FHC e da condução do Plano Real, baseado em juros elevados e atração, por esse motivo de vultosos fluxos de capital, política que não foi alterada por Lula, em seus dois mandatos.
Explico: a elevada entrada de dólares, atraída pelas taxas de remuneração ao capital excessivamente elevadas, tornou o real valorizado e barateou o dólar e todos os produtos cotados naquela moeda. Tal resultado acarretaria, como o fez, uma substituição de produtos intermediários antes fornecidos por empresários aqui instalados, por insumos vindos do exterior. Em alguns casos, implicou até na substituição de cadeias inteiras produtoras de insumos nacionais por insumos estrangeiros.
Como foi alertado várias vezes, por vários economistas, inclusive aqui nesse espaço, isso poderia funcionar até que, para não sucatear nossa indústria, o real passasse a se desvalorizar. Foi o que aconteceu.
Quando os juros baixaram, e o dólar passou a se valorizar, os insumos cotados em moeda estrangeira ficaram mais caros e, com isso, os preços dos produtos feitos a partir de seu uso.
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O problema é que a queda dos juros, a desvalorização do real, toda a política para elevar a competitividade da indústria foi adotada quando as condições internacionais eram cada vez mais críticas e essa crise passou a impactar a demanda por nossos produtos.
Ou seja, a crise européia no horizonte e se agravando, e as medidas de contenção de gastos impostas às economias da zona do euro, longe de solucionarem os problemas apenas aprofundaram a recessão ou depressão em curso.
Com expectativas de queda da demanda de exportações, a redução dos preços dos produtos nacionais por força de movimentos cambiais não foi suficiente para estimular os industriais nacionais a manterem o volume de sua produção. Isso explica em parte a redução da produção e a queda de 0,8% apresentada pelo setor.
Nem mesmo as medidas reclamadas pelos empresários e adotadas pelo governo, como a redução da carga de tributos, a redução dos encargos sobre as folhas de pagamentos, a redução de custos de energia, a redução de juros, e a expansão de créditos, em grande parte subsidiados foram suficientes para estimularem os empresários a retomarem o nível de produção, tavez em postura destinada a pressionar o governo a prosseguir fazendo concessões cada vez maiores, de forma a tirá-los da inércia em que se encontravam.
Diga-se de passagem, que tal comportamento dos empresários, se adotado intencionalmente, seria bastante assemelhado a um tipo de extorsão ou chantagem em relação ao governo.
Embora não seja, necessariamente essa a intenção da classe empresarial, o certo é que o governo tem demonstrado estar sim, refém desse tipo de comportamento.
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Não se nega que os empresários enfrentam outros problemas que se somam aos já apontados e justificam a queda na produção, alguns ligados à deficiência de infraestrutura em nosso país, de que a questão da energia é talvez um exemplo emblemático.
Porque nada adianta reduzir o custo da tarifa de energia se não há energia suficiente para fornecer ao setor industrial. E como não há energia hidrelétrica, convenhamos até por culpa também de nossas condições pluviométricas e de São Pedro, a indústria tem de substituir essa fonte por outra, mais cara, a termoelétrica.
Mão de obra desqualificada, falta de tecnologias, etc. são outros problemas atrelados ao comportamento do setor industrial.
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No setor agrícola, desde as questões de variações climáticas, até outras, ligadas à redução de vendas para o exterior em função da crise, também ajudam a explicar a queda do valor produzido.
É bom lembrar que Pib é produto. Em economia, significa valor da produção. E se os mercados internacionais estão cortando compras, os preços de commodities que tanto subiram e ajudaram as contas nos anos do governo Lula, agora tendem a declinar. O que reduz o resultado.
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No front interno, a indústria aproveitou-se das ações e medidas destinadas a permitir o crescimento da renda e do crediário para alimentar a demanda interna. Mas, até mesmo utilizando o raciocínio simplista e maniqueista do princípio da aceleração, o que se percebe é que ara que as taxas de crescimento se mantivessem crescentes, teria que haver expansão de investimentos. Ora, para haver tal expansão, a demanda teria de estar crescendo a taxas crescentes. O problema é que a demanda já estava em patamares elevados e bastante aquecida no início do governo Dilma. E já próxima de um esgotamento ou de uma estabilização.
Afinal, já suficientemente endividadas, as famílias teriam todos os motivos para passarem a se preocupar em quitar as dívidas já contraídas, em lugar de simplesmente continuarem consumindo.
Ainda assim, a inclusão de mais pessoas nas classes médias permitiu que o consumo se elevasse em 3,1%, segurando a demanda e a elevação da produção.
Enquanto isso o investimento caia 4% fazendo o nível de formação bruta de capital cair de 19 para 18,1% do PIB.
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Menos mal, a renda per capita manteve-se em R$ 22, 4 mil, crescendo 0,1% em relação ao ano anterior, o que significa manter-se estável. Tal número, no entanto, reflete melhora, já que se sabe que houve melhoria no perfil da distribuição de renda.
E, se formos comparar o resultado obtido com aquele das economias européias, o fato só de termos crescimento positivo seria positivo.
O problema é que crescemos menos que países com nível de desnvolvimento semelhante ao nosso, embora não de mesmo tamanho e importância econômica, e que o país ainda precisa crescer bem mais, muito mais, para acabar de vez com todas as suas mazelas.