quarta-feira, 13 de março de 2013

Das chuvas, do medo e da Fé



No céu
A nuvem negra, pesada
Faz companhia ao desenho
Que o rastro do raio
Produz
E que traz consigo o medo
Como uma descarga elétrica
Que chega como um clandestino
Num feixe brilhante
De luz
E a tempestade que cai lá fora
Não lava a poluição
Não leva a sujeira embora
Só aumenta a destruição
Do outro lado do mundo
O céu vê subir a fuligem
A fumaça da indecisão
Indicando permanecer vacante
o trono instalado na Sé
sinal de que não foi eleito
o símbolo humano da Fé.

terça-feira, 12 de março de 2013

Começou o Conclave



Começou o conclave
No interior da Sistina
A porta trancada à chave
Separa e preserva dos homens comuns
Os afrescos do teto de Michelangelo
Onde se destaca o dedo de Deus
Apontando a criação de Adão
Enquanto no chão, no extremo oposto
Cento e tantos dedos
De cento e tantos homens privilegiados
Parecem sair das telas de um filme de ficção
E tocados pelo Espírito
Disparam bolas de fogo
Apontando a criação de outra pedra
Outro Pedro
Ou apenas do candidato mais carismático
Mais político e sedutor
A quem uma multidão extasiada
Irá saudar em altos urros
Habemus Papam???

Lembranças do carnaval que passou



Poder passar o carnaval
Ao lado dela
Agora que ela não dá mais fé
Tentando descobrir em que estranho mundo
Anda vivendo ou se esconde esta mulher
Que não se preocupa com o futuro
Que há de ser como Deus quiser
Para quem tampouco importa o presente
Já que ela também não sabe o que quer
Poder passar os feriados
Ao lado dela
Para retribuir
Os dias e noites de angústia
Que preocupada
Ela ficou sem dormir
E ver que ela apagou da memória
Todos os momentos de dor
E traz no rosto o riso tranquilo
E a certeza de quem plantou amor
Tentar descobrir esse mundo em que ela
Por opção se perdeu
É só o reconhecimento que importa
De quem com ela tudo na vida aprendeu
É tentar fazer voltar para ela
O amor que ela nos ensinou
É fazer uma homenagem singela
Àquela que tanto se doou
E por isso uma homenagem mereceu.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Deveres não cumpridos



Quando te vejo sozinha
Voltando pra casa
Cortando  ruas mal iluminadas
Evitando o vermelho dos faróis
Sinto por um dia ter sido covarde
E não abdicar da minha liberdade
Temendo estar entrando em uma prisão
Sinto por sacrificar o meu desejo
Por não dar vazão a minha vontade
Sem coragem para tomar a decisão
E profundamente lamento
Não ter percebido
Que minha verdade naquele momento
Era estar ao seu lado
E te assumir por inteiro
Ser seu amigo, o abrigo
Seu homem e companheiro
Para afastar a noção de abandono
E também permitir nesse horário
Você não passar pela rua
Enquanto eu te sigo solitário

sexta-feira, 8 de março de 2013

Dia 8 de março - Dia Internacional da Mulher

Registro aqui a homenagem.
Eu que, em relação à data, penso diferente de outros homens, colegas, que parecem não satisfeitos com o fato de haver no calendário um dia reservado especialmente para elas, as mulheres.Claro, não são todos que pensam assim e que cobram, mesmo que por brincadeira, um dia também de homenagem aos homens.
Por mim, acho estranho, isso sim, o fato de em um mundo machista, ter-se reservado apenas um dia a elas.
Porque sem negar a importância cada vez maior que as mulheres têm ocupado em todas as áreas e todos os campos de atividade, em especial no mundo do trabalho; sem negar a capacidade e competência de que as mulheres têm demonstrado ser dotadas, o que as faz iguais aos homens; sem negar a inteligência, disposição, etc., como macho, penso que as mulheres são o que há de melhor na face da terra. (Para não perder a piada, desde que consigam ficar mais caladas...)
Vá lá, como mineiro, a segunda melhor, depois do queijo.....
E penso isso porque para lá das obviedades, delas dependemos desde que nascemos: nossas mães são mulheres. São mulheres que podem, companheiras, gerar nossos filhos e permitir a perpetuação seja de nossa espécie, seja de nossa linhagem, nossa família. E são mulheres que nos proporcionam momentos sublimes de prazer, no sexo.
***
De mais a mais, creio sim ser  necessário que seja dedicado um dia especial às mulheres, quando nada para que possamos todos refletir na situação da mulher em nossa sociedade e do quanto ainda falta para que elas sejam reconhecidas como devem ser: como iguais a todos os homens.
Refiro-me à questão do mercado de trabalho, em que as mulheres, por mais que exerçam as mesmas atividades que os seus colegas do sexo masculino, e até com mais competência, ainda permanecem com remuneração inferior à de seus colegas.
Ou à questão da violência contra elas, que parece ter se agravado depois de que a sociedade começou a cobrar atitudes punitivas mais rigorosas contra aqueles que se sentem donos delas, como se voltássemos ao tempo da escravidão e que algumas pessoas pudessem ser tratadas como propriedade de outras.
É um absurdo que, cada vez mais, os jornais estampem notícias de assassinatos bárbaros, estupros, violência e agressões físicas, já que as agressões morais, verbais, essas sequer sejam cogitadas.
Como acho um absurdo que, nos tempos atuais, ainda existam países onde as mulheres violentadas  sejam as sujeitas à condenação e opróbrio (confesso que estava doido para poder usar essa palavra, que significa desonra, degradação social!). Ou onde ainda sejam feitas cirurgias de castração de meninas.
***
Por fim, não poderia deixar de comentar, nesse espaço e nesse dia, a título de ilustrar a necessidade de um dia reservado às mulheres, que possa ser dedicado, no mínimo à reflexão, do caso do brutal assassinato de Eliza Samúdio, e da desfaçatez de seu algoz, agora condenado.
Em minha opinião, ter trucidado a moça, independente de qualquer juízo moral a respeito dela, como descrito e noticiado, mais que sinal de alguém que age sentindo-se superior à lei, mostra exatamente como as mulheres têm sido tratadas em nossa sociedade.
Para mim, apesar da condenação, ficou barata a pena de seu carrasco. Ou dito de outra forma, no final das contas, a pena ficou muito leve.
Que Eliza descanse em paz.
E que mulher nenhuma volte a passar por tais percalços.
Felicidades a elas.

Sinais de estresse



Inesperadamente
O ato de erguer a cabeça
Proporcionou a oportunidade
E fez brilhar multicoloridos pontos de luz
Portadores, da mesma sensação
De fogos de artifício
Cujos rastros iluminavam
E desenhavam o azul escuro dos céus
Junto à mesma preocupação
De trinta anos atrás
Quando a ansiedade
E o ímpeto de conquistar o mundo
Provocaram um ligeiro estresse
E afetaram meu equilíbrio
Perdido em meio a um labirinto
Sem fim