terça-feira, 7 de maio de 2013

Pequenas conquistas



Armada da pinça
Com precisão cirúrgica
A mulher extrai um pelo insistente
Que jazia incrustado em seu rosto
Esbranquiçado pelo tempo
Discreto e recôndito
Sob os sulcos e as rugas
Que servem de decoração para o espelho
Onde se reflete sua pele macilenta
E um sorriso de vitória se eleva
Confiante

segunda-feira, 6 de maio de 2013

É show no sábado, show no domingo... Dá-lhe Galo!!!

Valeu por Marcos Rocha! Valeu por ver Josué! Valeu para ver a raça e entusiasmo de Luan.
E valeu para ver o show do Galo contra o Tombense, ontem, no Independência, justificando a máxima que caiu no Horto, tá morto.
E se não foi um jogo melhor, é porque a fragilidade do Tombense ficou manifesta desde o início do jogo. O que não quer dizer que o Tombense não seja um bom time, embora bastante inferior a Atlético e Cruzeiro, como é óbvio.
Mas, o pitaco hoje, é menos pelo jogo em si. Vale para fazer justiça a Marcos Rocha, a quem sempre elogiei, ao contrário de parte da torcida do Galão.
Porque Marcos Rocha é, já há muito tempo, um dos principais responsáveis pela saída de bola do Galo, e passagem para o ataque.
E aí reside o problema dele: ele avança, vai à linha de fundo, municia o ataque, às vezes aparece infiltrando-se na área, outras volta correndo para combater no meio, ou na lateral direita e, invariavelmente, aparece no meio da área cobrindo a zaga.
Ora, ou teria que jogar ligado a um pulmão de aço, ou ter um pulmão assim, para aguentar o mesmo ritmo durante todo o jogo.
Impossível, mesmo para ele. E às vezes, ele se cansa. E volta andando, para sua posição, o que deixa a torcida ou parte dela contra ele, por acharem que está desinteressado.
É importante que Cuca e outros jogadores, responsáveis pela cobertura às vezes falha do lateral, deixassem isso claro em todas as suas manifestações e em todas as oportunidades: nenhum jogador aguenta o vai e vem que Marcos Rocha faz no Galo. Ao menos enquanto tem pernas. E fôlego.
E ver Marcos fazer a partida que fez ontem, é gratificante.
Parabéns Marcos Rocha.
***
Um outro pitaco para mostrar como o time do Galo está unido, sabe-se lá por quanto tempo!
Poucas vezes vi um time, toda uma equipe, fazer tanto por um companheiro, quanto os jogadores do Galo fizeram ontem por Guilherme.
Solidariedade, companheirismo e apoio nota dez.
Já quanto à entrada dele, em lugar de Bernard, é preciso reconhecer que:
-não achei que Cuca tenha errado, como muitos que estavam a meu lado. O jogo já ganho, a Tombense já batida, o time jogando com tranquilidade era o tipo de jogo para um jogador que quer e tem que mostrar serviço, entrar mesmo. Vai entrar com gás em um jogo em que todo mundo já está ou sem estímulo ou sem pique. Era mesmo o jogo para consagrar, se o fosse, Guilherme. Mas que foi um risco enorme, não resta dúvida.
- se fosse Cuca, não teria posto Guilherme. Não sei porque não usar Moraes, embora a entrada de Rosinei no segundo tempo foi muito boa e Rosinei mostrou que muita utilidade. Vá lá, era contra a Tombense já entregue.
- Luan, lá pelas tantas, no segundo tempo, pagou uma geral para os companheiros, que parecia não estarem mais a fim de continuarem correndo. Mostra dedicação. Depois, levou uma tremenda dura de Alecsandro, e admitiu ter falhado no lance, se desculpando.
Ou seja, o time está unido, e isso faz bastante diferença.
Agora é esperar o São Paulo, e a pedreira que vai ser o jogo na quarta.

Do Uai de Paul ao trem bão e as agruras de quem vai ao Mineirão

E como não podia deixar de ser, o show de Mr. Paul foi mega-hiper-super, foi simplesmente sensacional.
O carisma, a simpatia, a simplicidade, a qualidade de músicos, a qualidade de som, e as músicas.... essas imbatíveis.
Paul não precisa tentar agradar; já conseguiu e conquistou muito, e tudo, talvez, que poderia almejar. Mas, como não perceber a sua genuína vontade de criar uma empatia com o público presente.
Como não se divertir com seus "ô trem bão sô!" repetido tanto como o seu Uai, um dos quais até meio fora do tom. E por isso mesmo simpático.
***
Da banda não é preciso falar. Um espetáculo à parte o batera, que ainda desce ao palco e vem fazer dueto com Paul, tocando uma guitarra.
Os guitarristas muito bons. E mostrando uma disposição só superada pela do "velhinho" Paul.
É de babar ver a vitalidade de um cara de 71 anos. Mesmo sendo roqueiro.
E Paul foi um show. É um show. E pôs todo mundo para cantar com ele músicas que, afinal, são eternas.
***
A meu lado, Caio e Caique Perona, dois irmãos muito gente boa, o primeiro, futuro bacharel em Direito e já estagiando no Ministério Público Federal, comentavam a respeito das músicas, serem atemporais.
Melhor talvez, intertemporais. Para agradar a gregos e "australianos", a todas as idades.
***
E o espetáculo pirotécnico em Live and Let Die esteve, em minha opinião, no mesmo nível de qualidade superior, da música. FENOMENAL.
***
Pena... mas pena mesmo foi o conjunto de problemas que, mais uma vez, tiveram de ser enfrentados, por quem foi ao Mineirão. A começar do estacionamento, uma vergonha!
E uma vergonha bastante cara, já que ao módico preço de R$ 50 reais. E para a gente entrar, pagar e ter que ir ao fundo do dito cujo, lá do outro lado do estádio transformado em arena.
Diga-se de passagem: quando era simples estádio era muito mais simples e confortável ir ao Mineirão. Agora que virou arena, só se esqueceram de informar ao público que somos nós que cumpriremos o papel e a função dos cristãos jogados às feras.
Bem, depois de ser obrigados a ir deixar o carro lá no fundo, o motorista e acompanhantes devem voltar todo o trajeto a pé, para poderem sair pelo local onde entraram. Só para poderem ver a quantidade de vagas que não serão ocupadas e ficarão assim até o fim do espetáculo.
Pior. Na volta, mais uma vez o trajeto será todo feito a pé, até o local em que o carro ficou estacionado. E passando pelas mesmas vagas que poderiam ter sido utilizadas por quem ousou usar o estacionamento.
Parece que a ideia é a de fazer todos que foram comodistas de irem de carro e de usarem o estacionamento da Arena pagarem por seu  sedentarismo, obrigando-os a fazerem a caminhada que teriam feito se tivessem deixado o carro fora do Mineirão.
***
Depois tem o problema da fila. Para entrar no setor de pista premium, a fila estava demorando mais de duas horas. Quem chegou às 18 horas e trinta minutos, só entrou faltando 20 minutos para as nove horas.
E ninguém, não havia NINGUÉM para organizar a fila, o que gerou alguns problemas de fura-filas.
***
Lá dentro do arena, não há o que reclamar. Número suficiente de banheiros químicos, atendiam a todos que precisavam de utilizar do dispositivo, apenas me deixando curioso de saber porque os banheiros do estádio não foram franqueados ao público: falta d'água? De papel higiênico ou de papel toalha, como aconteceu no show de Elton John?
Bem, um colega meu de serviço, o Aníbal, outro que ficou embevecido com o show, falou que pode assegurar que água não falta no estádio. Pelo menos onde ele estava, a água batia em seu joelho.
E o cheiro...
***
Tudo compensado pelo showzaço de Paul. Que emocionou-me quando homenageou a John, mas especialmente quando para homenagear George, apresentou no painel de led, fotos em que aparecia brincando com o amigo. Ambos ainda novos, da época dos FabFour.
Parece até que ele mesmo se emocionou, o que se repetiu, embora eu mesmo não o percebesse, na eterna ou atemporal, Yesterday.
***
Foi isso. Valeu Mr. Paul
E como diziam os cartazes levantados pelo público: Thank you! Para valer, uai.
Porque o trem bão o show, sô!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Os deuses do futebol e o futebol do Galo

E a noite que parecia favorável à paulicéia, terminou fazendo justiça ao melhor futebol do Galo. Se não ao melhor futebol do Atlético em todo o transcorrer do jogo, ao melhor futebol do time mineiro em toda a competição até esse momento.
Tudo bem, as partidas contra o São Paulo não foram, em nenhum momento, partidas fáceis. Afinal, a primeira delas no Independência, o Galo venceu, mas passou um sufoco no final. E ainda está na memória de todos os atleticanos presentes no Horto, a bola que, caprichosamente, Ganso chutou para fora, triscando a trave.
Depois veio o não jogo em São Paulo, em que o Atlético não precisava do resultado, nem de jogar com a mesma disposição que o São Paulo demonstrou, já que o time paulista sim, precisava vencer para se classificar. E venceu, e se classificou. Enquanto o Galo ..... bem, estamos todos esperando que o time entre em campo para disputar aquela partida até hoje.
Placar por placar, ficamos aqui em um suado 2 a 1, enquanto em São Paulo, sem qualquer esforço e suor, perdemos por 2 a zero.
***
Mas, a verdade é que as oitavas de final da  Libertadores, fase em que tem início os terríveis mata-matas, é outra história. É outra disputa, outra competição. E estaria caindo na mesmice dizendo que deixa de ser mera competição para se tornar autêntica guerra.
E o São Paulo, mais uma vez, começou melhor. Encurralando o Galo, marcando pressão. Não dando espaços para o Atlético sair jogando.
E foi logo premiado com o gol.
Mas os deuses do futebol, que a tudo assistiam impassíveis, resolveram então intervir e voltar a colocar as coisas em seus devidos lugares.
Aloísio se machucou e teve de sair. Seu substituto, entrando frio em um jogo já vibrante, levou azar em algumas oportunidades. O São Paulo, que podia ampliar a vantagem no marcador, começou a perder ímpeto.
O Galo que começou falhando na marcação, mais uma vez, começou a se acertar.
Aí veio o lance que definiu o jogo: a expulsão de Lúcio. Porque com um jogador a mais, e um toque de bola refinado, o Galão da Massa começou a jogar seu futebol tradicional.
O gol de Ronaldinho, ao final do primeiro tempo, apenas veio comprovar o craque que é. O deslocamento de toda a defesa com um toque de cabeça, sutil, foi a pá de cal na empolgação do São Paulo.
Nem vou discutir se o Atlético mereceu ou não o gol, naquele momento.
Basta-me saber que ele fez o gol. E que Ronaldinho parece ter saído gritando Galo! É Galo! É Galo, como convém a todo aquele que tem sangue preto e branco correndo em suas veias, e o grito de Galo marcando o ritmo da batida de seu coração.
***
O segundo tempo foi um primor de partida. Diante de um São Paulo que lutava bravamente, sem se entregar e com um Ganso fazendo jogadas que deixavam os locutores e comentaristas que torciam para o time paulista embevecidos (e eram todos os que transmitiam pela Fox Sports!) o Galo começou a trocar passes.
Com a bola passando de pé em pé, o time ia fazendo o tempo passar, esperando a brecha para decidir a partida.
Confesso que continuo não aprovando e não gostando, por achar arriscado, o jogador que está no meio campo, ficar atrasando a bola para o miolo da defesa. Mas, apesar dos riscos, a brecha que o time esperava surgiu. Com um primor de passe de Marcos Rocha, Tardelli colocou o Galo na frente.
Acho até necessário falar de Marcos Rocha, esse lateral que não marca muito bem, embora no segundo tempo de ontem, quando parece ter tido mais apoio, mais cobertura e mais confiança em seu companheiro Josué, melhorou também no fundamento.
Marcos Rocha, entretanto, é um excelente armador, e o passe e a visão de jogo que tem, justificam sua presença em campo. E algum sacrifício que Cuca tem feito para colocar algum volante apenas para lhe dar espaço para avançar.
Com a partida praticamente já liquidada, apenas mais um lance de gol que, infelizmente para nós, passou a centimetros de Rosinei.
Seria o gol que sacramentaria a passagem do Galo para a próxima fase.
Ou não?
Afinal, dia 8, um quarta feira, tem mais um jogo contra esse mesmo São Paulo, ferido.
***
É verdade: caiu no Horto, tá morto.
Mas a partida de futebol tem 90 minutos. E o Galo tem que continuar bicando. Muito. Com vontade. E com o apoio da massa para que o lema possa prevalecer.
O que não podemos é esquecer que é outra partida e outra história. E que tudo pode acontecer.
O que já justifica cuidados.
Não tem nada ganho ainda.
Mas, que a noite de quarta possa ser a noite de Independência do Galo. E que o Galo saia mais vivo de lá, que nunca. 

Boas vindas Mr. Paul



Prepare-se que amanhã tem rock
Desmarque tudo, que amanhã tem show
Fique atento amanhã tem Beatle
No Mineirão tem show de Mr. Paul
Não reclame se houver congestionamento
Nem se estresse pelo trânsito caótico
Ou se houver falhas na organização
Passamos muito tempo esperando esse momento
Não deixe nada estragar a sensação
Deixe apenas que Paul nos encante
Cantando músicas que marcaram gerações
Deixe que o show de Paul nos arrebate
E que embale nossas emoções
Deixe que a noite seja apenas alegria
Hey Jude, venha você também aproveitar
E curtir a noite
Em nossa companhia

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Primeiro de maio: crise, desemprego e inflação

Primeiro de maio, talvez o único feriado realmente universal de nosso calendário.
E na data em que os trabalhadores de todo o mundo deveriam estar unidos, comemorando conquistas e melhorias, o que a imagem das televisões nos mostram são passeatas e manifestações em protesto, algumas até com direito à eterna repressão policial armada.
Foi assim em Barcelona, onde a manifestação transformou-se em confronto com a polícia e ataques a lojas comerciais. Foi assim em Portugal, e na França, embora as manifestações nesses dois países, mais pacíficas.
Tudo em reação às políticas adotadas pelos governos europeus, sob a égide e inspiração do governo alemão, favorável renitentemente à adoção de políticas de austeridade.
Isso, mesmo na Alemanha onde o nível da atividade econômica sinaliza para desaceleração.
Dessa forma, a comemoração do Dia Internacional do Trabalho, realiza-se em meio a uma das mais agudas crises de desemprego, em anos.
***
E nem adianta argumentar, como o tem feito Paul Krugman, que medidas de austeridade fiscal, quando prematuras, acarretam ou reforçam uma tendência de queda do emprego que conduzem o país à depressão. Como ele próprio reconhece, em sua coluna publicada no portal UOL no último dia 29 de abril sob o título de "A história do nosso tempo", seus argumentos favoráveis à elevação de gastos governamentais e dos déficits orçamentários costumam ser recebidos com desdém, sob a acusação de pessoas como ele sempre querem mais gastos.
Krugman, ao contrário, se defende dizendo que não defende indiscriminadamente tal política, e que se o faz neste momento, é apenas por estarmos vivendo um momento raro, e grave. Como ele afirma, " ... neste momento esamos enfrentando o "dia seguinte" a uma crise financeira do tipo que só acontece uma vez a cada três gerações. AGORA NÃO É HORA DE AUSTERIDADE." (letras em caixa alta por minha conta).
Em seu argumento, que vale a pena registrar, a questão tem origem na forma que os problemas econômicos são entendidos e tratados.
Assim, muitos encaram a economia como se fosse exatamente semelhante a uma família individual, o que desde cedo é apresentado aos alunos de economia, como podendo dar origem ao conhecido sofisma da composição, que significa que o que é muito bom considerado de um ponto de vista individual pode, se generalizado para o conjunto de indivíduos, ser muito ruim.
No raciocínio de Krugman, as famílias ganham o que conseguem e gastam o que desejam. Pelo ângulo de cada uma isoladamente, ganhar e gastar dinheiro são coisas (e se dão em instantes) diferentes.
Entretanto, na economia como um todo, receitas e gastos são dois lados de uma mesma moeda: os gastos de uns são a receita ou ganhos de outros. Daí que se todos reduzem seus gastos simultaneamente, também as receitas serão reduzidas.
Ora, com a crise financeira de 2007/2008, que atingiu a muitas famílias quando já estavam com seu grau de endividamento muito elevado, muitas dessas famílias foram forçadas a reduzirem seus gastos.
Somadas a essas reduções de gastos, várias outras famílias optaram por reduzir seus gastos, em função da própria incerteza que cerca o ambiente de crise.
A redução de gastos do setor privado da economia foi vertiginosa, e nessa hora, apenas os gastos governamentais poderiam sustentar o nível de demanda agregada, até que o setor privado se reequilibrasse e voltasse a seu padrão de gastos tradicionais.
Caso o governo adotasse políticas fiscais mais expansionistas, isso não provocaria, na visão do Nobel de Economia, um efeito deslocamento, com os gastos públicos competindo com o setor privado. Nesse sentido, afirma que os gastos governamentais não desviam recursos de utilizações privadas, apenas  colocam recursos não empregados para trabalhar.
***
Faço aqui um parênteses para recordar que nada como reabilitar o velho e surrado princípio da demanda efetiva, de preferência conforme a abordagem de Kalecki, consubstanciada na máxima de que "enquanto os trabalhadores gastam o que ganham, os capitalistas ganham o que gastam".
Ou seja: são os gastos capitalistas, em consumo capitalista de bens sofisticados e bens de capital que são determinantes da expansão da produção e renda, o que implica que mais gastos não irão pressionar a renda aceita como dada. Ao contrário, mais gastos irão expandir a demanda, a produção e a renda.
No caso, como o ambiente de incerteza e crise não é capaz de estimular o aumento de gastos empresariais, restaria ao governo gastar no lugar de...
***
Assim prossegue Krugman, dizendo que empréstimos contraídos pelo governo não tomam o lugar dos investimentos privados, mas serve para que esses recursos financeiros, mobilizassem recursos reais, de outro modo ociosos.
Krugman prossegue mostrando que, ao contrário do que defendem e projetam os analistas que recomendam a austeridade, os efeitos de políticas monetárias e fiscais expansionistas, não culminariam em um processo inflaçionário.
Pois bem, vou transcrever um trecho mais de sua coluna, antes de apresentar sua conclusão e tentar extrair daí alguma lição para nosso país.
Diz ele, porque acreditar em seus argumentos? Afinal, " há pessoas que insistem que o problema real está no lado da oferta da economia: que os trabalhadores não possuem as qualificações necessárias, que o seguro-desemprego acabou com o incentivo para trabalhar... "
E conclui dizendo que as propostas de austeridade têm como verdadeira motivação a visão de que a crise traz uma oportunidade impar, para DESMONTAR A REDE DE SEGURANÇA SOCIAL.
E finaliza, praticamente todos que fazem parte da elite política se pautam no pensamento de uma minoria rica, que não está sofrendo muito.
Bingo!
***
É aqui que a gente começa a entender as propostas e críticas de pessoas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ou de seus colegas de partido ou de oposição, para quem já acabou a crise, mas o governo brasileiro continua gastando e incentivando gastos de forma irresponsável.
Bem, pode ser mesmo que já tenha acabado a crise que afetou mais de perto a minoria rica no Brasil, porque de caráter meramente financeiro. Já a outra, a crise que significa redução de demanda, de produção, emprego e renda, essa continua ainda bem presente. Em especial potencialmente, pelo efeito contágio, já que a depressão na Europa significa menor demanda por produtos de exportação brasileiros.
Se, nesse momento, reduzem-se as compras internas do setor privado e as compras públicas, o que teremos é a desmontagem daquilo que os programas de bolsas ou assistencialistas, ampliados e tornados mais universais pelo PT, começaram timidamente a tentar montar.
Alegar que isso está trazendo de volta a inflação, sem considerar as várias outras causas que explicam nesse momento a reaceleração inflacionária, que já está em processo de arrefecimento, é apenas a demonstração de como a questão econômica é sim, utilizada como arma de interesses políticos.
E demonstração de como os social-democratas de nosso país, na verdade, apenas defendem os interesses de classe que representam.
Como não poderia deixar de ser, Aécio aí incluído.

Das marés



No elevador
Rostos sorridentes
Jovens, desconhecidos
Levam-nos a questionar
Se não estamos no prédio errado
De quando em vez
Em nossa caixa postal
Uma mensagem de despedida
Um convite para participar de uma festa
Em homenagem ao colega que se vai
No entra e sai dos dias
E anos
Tem sequência
A eterna evolução da vida.