quinta-feira, 11 de outubro de 2018

O capitão da reserva, aqui como lá, na Venezuela, quer aumentar o numero de juízes da Corte Suprema. Aqui como lá no Chile de Pinochet, quer implantar um modelo liberal extremado (???) ou prefere confiscar poupanças como no Brasil do autoritário Collor?

Não faltaram críticas ao programa que, em cumprimento da legislação eleitoral, o PT registrou junto a TSE.
Em especial, foi dado grande destaque à proposta constante naquele documento, que previa a convocação de uma nova assembleia constituinte, destinada a promover mudanças na Constituição Cidadã, que recém completou 30 anos, em 5 de outubro.
***
Importante deixar claro que  Fernando Haddad já declarou que não iria promover tal medida, preferindo propor alterações na Constituição respeitando os trâmites previstos no documento original, ou seja, por meio de Emendas Constitucionais.
Emendas que só são aprovadas por quorum qualificado do Legislativo.
***
As declarações do candidato petista, contudo, não são suficientes para aplacar parte das críticas à ideia, feitas pelos eleitores da outra chapa. 
O que é, no mínimo, estranho.
Isso porque tais grupos preferem, imediatamente, lembrar dos fatos que aconteceram na Venezuela de Maduro (sempre ela!), onde após as eleições, o autoritário personagem convocou adotou comportamento idêntico, alterando a Constituição de forma a perpetuar-se em no governo, agora com poderes ampliados. 
***
Logo, os apoiadores da chapa do ex-capitão, imediatamente passaram a divulgar por redes sociais, estar em marcha um golpe no país, caso Haddad fosse eleito.
O que se não é uma mentira, é no mínimo curioso. 
Isso não só porque Haddad, insisto, imediatamente manifestou-se contrário à tal proposta comprometendo-se em não cumpri-la.
Segundo, porque o próprio candidato a quem prestam seu apoio, também viu-se na obrigação de comprometer-se a não vir a procurar alterar a Constituição em vigor, ou propor uma nova Constituinte, ou coisa semelhante.
***
E porque essa reação do militar da reserva?
Porque seu vice, o general Mourão, em mais de uma oportunidade manifestou expressamente que a ideia de uma revisão de nossa Carta não era alheia aos grupo que cerca o candidato de viés autoritário. 
Viés que, também aqui se revelou patente, uma vez que, ao contrário da proposta do PT, para o general Mourão, uma nova Constituição poderia ser feita por um Conselho de notáveis, seja lá o que isso pudesse significar, com um referendo posterior da população.
***
Uma simples comparação das duas propostas, a do PT, constante do programa de governo, a do outro grupo, explicitada pelo vice na chapa, mostra uma abordagem muito mais democrática do PT, já que a tal nova Constituinte seria escolhida pela vontade popular. Não por  um grupo de pessoas, ditas notáveis. Ou notórias? O que impede que a turma do capitão não considere um Alexandre Frota notável?
Isso mesmo: o deputado eleito, que já afirmou estar preparado para Brasília, por estar acostumado com putaria... Bem, tendo em vista que o partido dele foi o que mais cresceu e elegeu um número grande de deputados, melhor que ninguém ele deve saber ao que está se referindo...
***
Mas, os apoiadores do capitão, que criticam Haddad, não se manifestam em relação ao que poderia estar contido na pretensa Carta nova, proposta por seu candidato.
O que revela uma postura que eu definiria como fruto de uma lavagem cerebral inédita e inexplicável. 
Ou não: basta que eles tenham interesse em assistir ao documentário "Driblando a Democracia" que mostra como se deu a vitória do "fake" Trump (melhor seria "fuck"...) . O documentário está no Now, por exemplo.
***
Uma coisa é certa, e já foi abordada por pessoas insuspeitas (???) como Samuel Pessôa, desde as eleições de 2014, nossa Constituição consagrou uma série de direitos para nossa população que, se forem todos implementados e cumpridos, irão trazer sérias dificuldades de financiamento para o Estado. 
Isso não é de todo mal. Mas exigiria a adoção de uma nova postura de todos em relação à questão tributária em nosso país. Com elevada carga de tributos, que poucos aprovam.
***
Mas não é essa a única questão que mostra os eleitores do militar da reserva como completamente dominados em sua capacidade analítica, de pensamento e decisão. 
Porque foi seu candidato que propôs aumentar o número de ministros do Supremo Tribunal Federal para 21 membros. Com o intuito claro de poder nomear a maioria da Corte suprema. 
Medida que nenhum dos apoiadores do autoritário candidato criticam, e que nada mais é que uma reforma na Corte, ao feitio de medidas adotadas por Maduro (sempre ele!), na Venezuela.
***
Não é interessante que os eleitores dessa direita vingativa e rancorosa, não se manifestem, ou estejam tão cegos a ponto de não perceberem onde tal tipo de proposta pode nos levar, caso aprovada ao final?
***
Em resumo o que temos é: eleitores da chapa que atende a toda os quesitos para ser classificada como fascista, autoritária acusam o PT de querer montar uma nova Constituinte, democraticamente eleita, para poder alterar a Carta e ampliar seu poder e privilégios. E fazem vista grossa ao seu candidato e sua chapa, onde o vice deixa claro que pode dar um auto-golpe, se necessário. E depois, em regime de exceção, no qual não prevalece mais qualquer regulamentação do regime eliminado, elaborar nova Carta, a partir de um grupo de "amigos do ditador de plantão".
Cegos pelo ódio ao PT, partido que lhes mostrou que existe um país que pode ser construído e dar certo, pensando na população em geral, e não apenas nos grupos de privilegiados tradicionais no Brasil, e nos que vivem nas franjas desse poder corrompido, aceitam passivamente a ideia de que uma nova Corte Suprema pode ser aprovada, apenas para que o  poder de seu ditador de estimação possa ser preservado. 
***
E toda essa discussão sem considerar que nossa Constituição cidadã, tão elogiada, chegou à idade balzaquiana sem ter vários de seus artigos sequer regulamentados. Vide o art. 192, que trata do funcionamento do Sistema Financeiro Nacional, ainda hoje sem regulamentação. O que obriga que continue em vigor a Lei 4595, de 1964.
Ora, apenas isso já seria motivo suficiente para nos indicar a necessidade séria e não passional de se tentar fazer uma análise da Constituição, para moldá-la à nossa realidade. Sem qualquer intenção de ampliar poder de quem quer que seja. 
***
E não seria uma questão mais complexa para ser entendida. Porque uma revisão geral, por mais custosa e sempre capaz de atingir interesses, seria melhor que a todo instante termos que ficar votando Emendas Constitucionais. E olhe o número de emendas ou remendos já feitos, sem ainda termos o documento que nos atenderia a todos. 
***
Mas se as questões da organização política de nossa sociedade causam tanto alvoroço, uma questão ninguém discute. Ninguém sabe ou conhece. 
A pauta econômica do candidato autoritário. Esse mesmo que, em debate na Band (o único de que participou! para ficar fugindo e se escondendo depois) afirmou que os trabalhadores podem optar entre ter direitos e não ter empregos ou ter empregos sem direitos.
***
Não fui eu quem disse isso. Foi ele. Saiu da boca do candidato. 
Cujo vice falou contra o 13º salário, definido como uma jabuticaba. Ou seja, algo que é exótico. 
Também não foi outro quem defendeu que é compreensível que mulheres recebam menos que os homens, em cargos iguais. Note bem: ele não defendeu que elas devam receber menos. E nem foi isso que escrevi.
Mas, a quem almeja o cargo que ele tem em vista, afirmar que entende porque mulheres sejam remuneradas de forma diferenciada, recebam salários menores, é apenas a senha para que todos os empresários possam adotar a diferença de salários que a Constituição veda, e ainda assim continua ocorrendo sob disfarces os mais variados. 
***
E, embora ele esteja declarando que seu guru seja o Paulo Guedes, é difícil que um analista sério não preveja dificuldades grandes para conciliar  ideia de um liberal visceral (desculpe a rima) com um homem formado na caserna, dominada por um nacionalismo autoritário e intervencionista.
***
Entre a suposta ideia extremada de Paulo Guedes, de privatizar tudo para poder liquidar a dívida pública do país, e a ideia autoritária de um confisco da riqueza financeira, à semelhança do que fez Collor, com a mesma finalidade, em são consciência, onde botar as fichas de aposta?
***
Paulo Guedes e sua suposta ideia de privatização total, inclusive de saúde, educação, e previdência, pode agradar aos ouvidos de empresários. Não necessariamente de capitais apenas nacionais. E muito de capital financeiro. 
O que me lembra de outro economista famoso, Jeffrey Sachs, consultor de economia do governo "liberal" de Pinochet no Chile. 
Aquele governo do ditador sanguinário que curvou-se aos interesses do mercado, e depois constatou-se estar envolvido em corrupção até o talo. 
Pois bem, foi Sachs quem em algum momento afirmou que a classe média chilena estava muito satisfeita e nada tinha a reclamar do governo Pinochet. Daí hipotecar solidariedade ao regime do general. 
***
Passados mais de 30 anos, que análise podemos fazer do Chile hoje, e da política tão aplaudida de Pinochet?
Sei que muita gente não gosta e nem se interessa por história, mas seria interessante, muito, procurar conhecer um pouco do que ocorreu no Chile. 
E que podemos estar próximos de experimentar em nosso país, com o apoio dessa classe média, sempre preocupada em sobreviver e, para tanto, batalhar para ganhar a vida. A ponto de não conseguir enxergar, em muitas ocasiões, um palmo a frente do nariz.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Entrevista com o capitão na Band, apenas revela o lobo em pele de cordeiro. E não dá para brincar com o autoritarismo que ele é o primeiro a fomentar.

Assisti ontem à noite, no Jornal da Band, à entrevista concedida pelo candidato à presidência que recebeu maior número dos votos válidos.
A primeira impressão que tive foi a de uma velha fábula, de um lobo em pele de cordeiro.
Explico: durante seu mandato e, especialmente nos últimos meses que antecederam à eleição, os discursos do deputado foram sempre discursos que poderiam ser classificados como duros.
Tratando de temas como a segurança pública, divulgou, entre outras ideias a da possibilidade de a população ter acesso a porte de armas - E DELAS FAZER USO. Em relação à questão de crimes cometidos por menores, sempre manifestou-se favoravelmente à redução da maioridade penal, para todo tipo tipo de crime. Em relação à atuação da polícia militar, sempre defendeu, se não o uso da força e da truculência, uma postura de complacência em relação ao comportamento policial. Algo do tipo: no caso de qualquer confronto, se houver mortes de bandidos, não será adotado nenhum procedimento de investigação da ação desenvolvida pelo militar.
Tendo ciência da quantidade de laudos de confrontação forjados pelos soldados da Polícia Militar, com vários casos de alteração de cena de crime e até armação de situações de troca de tiros que as câmaras cada vez mais disseminadas pelos vários cantos das cidades indicam não terem ocorrido,  a adoção de uma postura benevolente em relação ao policial é, no mínimo, um convite ao abuso.
Especialmente porque as câmaras insistem em flagrar situações de pura e simples agressão, cuja consequência é muitas vezes o assassinato puro e simples de quem, muitas vezes, era inocente, não reagiu, estava desarmado. O que faz com que o argumento de que a ação policial foi no exercício de seu direito de legítima defesa, ou de outrem, seja uma falácia. Um engodo.
***
A respeito da violência gratuita de policiais, ainda no jornal da manhã hoje, na Globo, tivemos mais uma prova da truculência e arbitrariedade de policiais que agrediram uma mulher, suspeita de ter cometido algum delito.
Não satisfeitos, os policiais ainda arrastaram a mulher para a viatura, para conduzi-la detida. Filmada a ação bárbara, o comando da Polícia divulgou que irá investigar se houve alguma abuso, o que levou os próprios apresentadores do jornal a, estarrecidos, comentarem que bastaria ver as imagens.
***
Bem, não é necessário dar muita asa à imaginação para entender como essa violência policial alimenta o poder autoritário do guarda da esquina, a que me referi ontem. Quando não serve de estímulo para a formação de milícias. E o que são esses bandos?
Grupos de pessoas armadas, com origem nas forças que deveriam lutar contra o crime e proteger o cidadão. Mas que, frente ao poder que percebem possuir, transformam-se em seu oposto, achacando cidadãos de bem, ameaçando-os e cometendo vários tipos de atrocidades.
***
Nem vou mencionar aqui, o fato de que essas gangues armadas se prestam a qualquer tipo de ação, sob o manto da proteção que lhes é assegurada, em nossos dias, por seus colegas de farda.
O caso Marielle Franco, ainda não resolvido é um exemplo desse absurdo cometido por forças que, se não contam com a cumplicidade, contam com a complacência ou omissão de toda a força policial.
***
Aliás, não é verdadeira a afirmação última, acima. Primeiro, por  que não contam com apoio de todo o contingente da nossa gloriosa força policial. e,  segundo,  porque o apoio não vem apenas da polícia.
Lamentavelmente, o apoio é de toda nossa sociedade, cada vez mais sedenta de sangue e vingança.
Senão, como explicar que um candidato, ex-juiz de direito e o mais votado no primeiro turno do Rio, participe de ato público ao lado de elementos que mostravam, orgulhosos terem destruído um bem público, uma placa de rua, justamente aquela que homenageava a vereadora morta covardemente.
***
Nem o juiz parece ter se incomodado com a barbárie, nem a população, que ainda votou e elegeu um dos autores do crime contra o bem público.
E olhe que Rodrigo Amorim, o nome do cidadão, foi o deputado eleito com maior número de votos para a Assembleia do Rio.
Sinal dos tempos.
***
Posso ter me empolgado com a questão da licença antecipada para os policiais promoverem "limpezas urbanas", algumas até como solução final.
Especialmente, por ter me lembrado de que já houve antes, no mesmo Rio de Janeiro, uma acusação nunca comprovada, contra uma secretária de Estado, Sandra Cavalcanti, a respeito da exterminação de cidadãos dos estratos mais pobres da população, queimados ou afogados no Rio da Guarda.
Dando sempre o devido desconto, já que pode ter sido apenas um tipo de "fake news" da época, é interessante lembrar que um dos argumentos usados pela defesa da secretaria do governo Lacerda, apenas afirmava que aquilo era armação de comunistas e brizolistas. Com o intuito de incriminá-la.
***
Pois bem, a questão é que, na entrevista à Band, o candidato parece ter optado por amainar um pouco o teor de seu discurso.
Assim, ele afirmou não ter afirmado, em nenhuma ocasião, ser favorável à liberação do porte livre de armas, mas ser favorável a que cada cidadão possa comprar armas livremente, para sua defesa.
Como disse aqui, em pitaco anterior, acho que ter armas no interior de casas de famílias, para quem não está suficientemente qualificado para utilizar-se delas, e mais ainda, na maioria das vezes será pego de surpresa, servirá apenas para armar ainda mais os assaltantes.
***
Em relação aos menores, também atenuou seu discurso, já que quer agora avançar na questão de forma mais lenta. Ou seja, em um primeiro momento, altera-se a idade da maioridade penal para 17 anos, deixando redução ainda maior para um próximo governo.
***
Como a entrevista não foi apenas relativa às propostas ligadas à segurança pública, o candidato continuou discorrendo sobre questões ambientais.
Atendendo a pedidos das próprias comunidades indígenas, desejosas, de poderem explorar e obter rendas da exploração de suas terras, irá rever a questão das demarcações de terras indígenas.
Isso, segundo sua manifestação.
Além disso, irá parar com a fábrica ou indústria de multas aplicadas sobre o pessoal ligado às atividades agrícolas, que insistem em desrespeitar o meio ambiente.
Nesse ponto, deixa muito claro que em questões de meio ambiente e da própria sustentabilidade do agronegócio, do país e até do planeta, não irá dar espaço para esses "xiitas", que se encastelam na defesa de argumentos voltados à preservação futura da vida. Sua opção, manifesta, é pelos negócios e pela defesa dos proprietários rurais, e de seus lucros de prazo mais curto.
***
Mas, se no âmbito do campo, não alterou ou atenuou suas propostas, até citando o apoio da bancada ruralista, último a ser conquistado para sua campanha, deixou clara sua intenção de fundir os dois ministérios, da Agricultura e do Meio Ambiente, sob a batuta dos interesses da classe agrícola e subordinação dos que lutam pela preservação do planeta, em outras questões de cunho econômico,  o candidato parece ter afastado um pouco de seu radicalismo.
***
Assim, afirmou que não irá privatizar a Petrobrás, ao menos no seu "hard core". Não irá privatizar a Eletrobrás, entregando-a à China. Aliás, em relação a esse país, mostrou sua postura nacionalista, ao afirmar que irá impedir a China de se apropriar de nosso país e nossas riquezas. Afinal, segundo ele, a China não está comprando propriedades no país, está comprando todo o país.
***
Por falta de entrevistador mais impertinente, o que teria sido  mais proveitoso, não ficamos sabendo se  a visão do tema pelo candidato seria a mesma se as aquisições de bens públicos e empresas estatais estivessem sendo feitas por capitais americanos, Trump e seus amigos.
***
Em relação à privatizações, como forma de solucionar ou reduzir a dívida pública, não foi questionado. Ou conseguiu passar ao largo da questão, com evasivas.
Foi mais questionado sobre sua provável equipe de governo, como o presidente do Banco Central, cujo nome seria indicado por seu escudeiro mór, ou seu posto Ipiranga e potencial super-ministro da Fazenda e do Planejamento.
Esse mesmo Paulo Guedes sob investigação, por suspeita de fraudes cometidas em fundos de pensão, conforme consta na Folha de hoje.
***
Bem, se o super ministro não tem um perfil tão distante dos adversários a que o candidato insiste em rotular como corruptos - e pior Canalhas!-, como justificar que esse é o homem que veio para passar o país a limpo?
Ou como Jânio há anos atrás, varrer a corrupção para fora do setor público?
***
A respeito da questão da previdência, o candidato também mostrou postura mais amena. Arrefeceu seu apetite por reforma, que agora pretende lenta e gradual.
Claro, não irá modificar alguns privilégios, como a aposentadoria das forças militares ou de segurança, em razão do grau de periculosidade das atividades que desempenham. Não ficou claro é que tipo de periculosidade enfrentam os componentes do Exército, que não têm a função de policiamento ostensivo, nas ruas.
Tampouco foi questionado ou falou dos privilégios das famílias dos militares.
Mas deixou claro que a aposentadoria não pode sofrer mudanças abruptas. Logo, a idade mínima para aposentadoria, por exemplo, irá ser alterada, não para 65 anos, no caso dos homens, mas para 61, em um primeiro momento.
Tudo para tornar a reforma mais palatável.
***
Pena que o repórter não perguntou que mudança então seria essa, uma vez que, pela regra de aposentadoria aprovada no governo Dilma, conhecida como regra dos 85/95, a idade mínima irá, a cada ano a partir de 2019, aumentar? Já para o próximo ano, a regra se altera para 86/96.
Ora se não é para mudar, porque provocar tumulto no Congresso, com propostas vãs.
***
A verdade é que o candidato parece estar apenas atenuando seu discurso, para capturar eleitores que, por não concordarem com suas posturas autoritárias, a ele não destinaram o voto no primeiro turno.
Porque o quadro que vislumbro é que, se ele não cumprir e fizer vingar as sementes que cultivou em sua trajetória até aqui, irá causar uma decepção muito profunda em seus eleitores, alguns dos quais inegavelmente de perfil anti-democrático e até fascista.
***
E a reação desse pessoal, desiludido, ao constatar que votaram para verem continuar tudo como dantes pode, essa sim, causar problemas e perturbações da ordem.
Capazes de provocarem a anarquia, que é a senha usada pelo general candidato a  vice, para uma intervenção que limite o Estado democrático de Direito.
***
Tudo bem que ele afirmou textualmente que ele é capitão e que seu vice é general. Mas lembrou que ele é o presidente (sic!), passando o carro à frente dos bois. E, como militar, ele sabe que o presidente é o comandante em chefe das Forças Armadas, a quem qualquer que seja o general, estará obrigatoriamente subordinado.
Ainda assim, sua defesa da manutenção do Estado de direito é pouco convincente para quem já declarou que o Congresso deveria ser fechado. Para quem já demonstrou total falta de respeito a quem pensa, age, ou apenas é diferente.
***
A mim, a sensação que fica é apenas a que, se promover um estelionato eleitoral, decepcionando aos seus eleitores, irá provocar uma situação insustentável.
Se fizer tudo que prometeu, da forma que prometeu e que agora tenta suavizar, poderá enfrentar discordâncias e até dificuldades para aprovação dentro da Casa legislativa.
Nesse último caso, não haveria razão alguma que o impedisse de adotar a solução que ele mesmo já advogou: fechar o Congresso.
***
Ou seja, se ficar o bicho come, se correr o bicho pega...
E esse candidato que está aí é só isso mesmo.
O fim do Estado democrático de direito.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Um debate necessário e atual: o que é o tal controle social da midia. E onde entra nessa questão o guarda da esquina?

Desde o dia de ontem, foram retomadas, pelos meios de comunicação tradicionais, as campanhas eleitorais, relativas ao segundo turno eleitoral. 
Destaco os meios de comunicação tradicionais, uma vez que, pelos meios de comunicação modernos, como a internet e as redes sociais, a campanha e a veiculação de todo tipo de mensagens de conteúdo eleitoral - algumas "fake", outras não - não sofreu qualquer interrupção em nenhum momento.
O que me dá a oportunidade para uma reflexão: a legislação sobre campanhas eleitorais não alcança, nem poderia atingir, o conteúdo de redes sociais que são de cunho privado. Particular. No máximo, para grupos de pessoas que têm algum interesse ou vínculo entre elas. 
E que, por óbvio, se em algum momento quem quer que fosse tentasse regular com o objetivo de restringir a comunicação e a propaganda "boca-a-boca" dos posicionamentos políticos e apoios eleitorais, estaria, no mínimo, invadindo a privacidade alheia. 
Porque só invadindo a privacidade é que se constataria se a regulamentação estava ou não sendo desrespeitada ou não. Entretanto, não apenas invasão da privacidade, a quebra do sigilo nas comunicações é crime, como qualquer tentativa de impor a proibição de manifestação política seria, naturalmente, um ato de censura. Flagrantemente contrário à nossa Constituição e, portanto, outro crime. Muito mais grave!
***
Mas, tendo tido a oportunidade de receber e acompanhar certas manifestações que estão sendo divulgadas em redes como o facebook, ou em grupos de whatsapp, a que pertenço ou de pessoas ligadas a mim, conclui que é mais que necessário, é urgente, que algumas questões que têm sido muito difundidas sejam analisadas detidamente.
Para que sua repetição descontrolada em ambiente em que as pessoas têm pouco conhecimento do assunto, não permita que um tema seja mal exposto, o que daria margem à interpretações em parte desconectadas do ambiente para o qual foram pensados e criados, servindo para distorções da realidade. No final, tais distorções, mesmo que involuntariamente iriam corresponder à criação e difusão de uma meia verdade. Que no final das contas ganharia a proporção de  uma mentira ou uma "fake" news.
***
Um desses temas é relativo ao que tem sido considerado um palavrão. Um projeto de ruptura com a democracia. Mais especificamente, um atentado à liberdade de opinião e expressão, a saber, o controle social da mídia. 
Que várias postagens e comentários feitos identifica com um desejo secreto do PT de transformar nosso país em uma ditadura, pelo silenciamento de qualquer voz opositora.
***
Não vou perder tempo aqui com bobagens do tipo das destinadas a alimentar o medo do PT, esse partido que, em 13 anos de poder não adotou qualquer medida para inibir o funcionamento das instituições democráticas ou da ordem estabelecida. 
Muito ao contrário. 
Não é preciso ser petista para reconhecer que foi nos governos desse partido que os órgãos de controle, fiscalização e investigação mais tiveram liberdade para agir. Muito diferente de governos anteriores, entre os quais o do PSDB, célebre por ter instalado no cargo de Procurador Geral da República, o senhor Geraldo Brindeiro, a quem foi reservado, para a posteridade, o apelido de "engavetador geral".  Apenas por não levar avante a grande maioria das denúncias ou suspeitas feitas contra o governo tucano de FHC. 
***
Pode-se gostar ou não do governo Lula ou Dilma. Das políticas por ele adotadas. Das consequências de suas decisões, como a crise econômica, por exemplo, ou a condescendência sempre mostrada em relação às demandas e cobranças oriundas dos interesses empresariais e financeiros ou não. Pode-se criticar toda a corrupção que relações espúrias com a elite, a nata de nossa sociedade, fez gerar. Mas, quem tiver um mínimo de honestidade, não irá negar que o governo petista não adotou nenhuma medida para travar os órgãos de investigação de cumprirem seu papel. 
Faço até uma concessão: talvez por arrogância, por prepotência, pela certeza de impunidade, sei lá. Mas, que foi no governo petista que foi sancionada a lei da ficha limpa, que foi reforçado o papel da Procuradoria Geral, inclusive com o respeito à escolha para chefiá-la do nome mais votado entre os pares, tudo isso está registrado. 
***
Mas voltemos ao que eu gostaria de debater aqui: o que é e em que consiste o tal controle social da mídia, incluído ao que se divulga no programa do PT. 
E, nem vou relembrar que ao contrário do que se argumenta hoje, pelas redes, nosso país tem uma tradição muito sólida de trazer nos programas de governo ou até mesmo dos partidos, palavras de ordem, ideias que são muito bem vistas, e que apenas querem dar um ar mais respeitável ao partido ou governo, já que ambos não têm a mínima intenção de cumprir o escrito. 
A favor desse argumento, lembro que o programa do extinto PFL trazia como uma de suas bandeiras, a realização de uma reforma agrária no país. 
O que era motivo de chacota, dado o perfil ligado ao coronelato do nordeste,  de parte de seus principais líderes. 
***
Aliás, essa falta de respeito aos compromissos anunciados em programas de partidos em especial, é uma das principais demonstrações da falta de uma ideologia que sirva de luz para a identificação do partido e de seu ideário, de forma a tentar se evitar que a conformação partidária acabe se constituindo na geleia geral que vemos hoje. 
***
Essa falta de exposição clara de ideias, visão de mundo e de futuro, e de propostas de construção de um país, é a principal culpa, em minha opinião, para que a política tenha sempre sido tratada como negócio privado, individual ou até de clãs, comprometidos mais com interesses próprios que os do país a quem os políticos deveriam servir. 
Por que por pior que fosse a ideia exposta e defendida, ela é sempre melhor que ideia nenhuma. Desde que haja sempre o respeito pelas ideias contrárias e isso permita um debate honesto, não rancoroso. 
***
O que já aqui, aponto como uma das críticas que faço ao ex-capitão, candidato a presidente mais votado no primeiro turno; para quem devemos acabar com as ideologias. 
Melhor ficar com Cazuza: ideologia, eu quero uma pra viver. 
Sem ideologia, vigora o individualismo, o personalismo, e a um passo daí, o autoritarismo. 
***
E por falar em autoritarismo, é sempre bom lembrar e fazer espalhar pelos quatro cantos do país a frase de autoria do político mineiro Milton Campos ou a Pedro Aleixo, em outras versões,  para quem o pior da ditadura não é o governante lá de cima, mas o guarda da esquina que passa a se achar autoridade e autorizado a agir com bem entende. 
Digo isso, para dizer que, ainda que o ex-capitão não fosse uma pessoa cujo comportamento pudesse dar sinais sempre claros de intolerância, agressividade, autoritarismo e, até barbárie, seus seguidores, muitos com esse perfil e com posturas tipicamente influenciadas por tal comportamento, podem vir a se tornar os guardas da esquina, que se arvoram o direito de fazer justiça com as próprias mãos.
***
O debate sobre controle social da mídia está longe de ser uma forma de censura. E prova disso, é que existe controle social da midia nos Estados Unidos, na Inglaterra, cada um com especificidades próprias de cada país e suas realidades. Além desses há no mínimo mais 10 países, da União Europeia, que têm regulamentação para a midia, algumas mais amplas, outras voltadas para a questão da figura da mulher. 
Ouso afirmar que nenhum desses países é uma ditadura ou tem um governo de matiz autoritário (com a exceção talvez, de Trump!!). 
Na maioria deles, a regulação é mais de caráter econômico, incluindo, por exemplo, a proibição de propriedade ou controle cruzado de meios de comunicação ou o abuso do poder econômico, a restrição à concorrência, que é a preocupação maior do Federal Communications Commition, o FCC, órgão de exercício dessa atividade nos EUA.
***
E olhe que o FCC já chegou punir a CBS por comportamento (portanto, conteúdo) considerado indecentes, quando em um show no intervalo da final de SuperBowl, Justin Timberlake puxou a camiseta de Janet Jackson, deixando aparecer o seio da cantora.
***
Mas, outros países evitam regular comportamentos, para evitar a questão da censura, embora, conselhos sociais poderiam sempre ser inseridos e ter voz e representação em órgãos da espécie, para evitar, por exemplo, comportamentos contrários à moral e aos bons costumes de quadros apenas apresentados para atrair audiência. 
Nesse caso, embora já antecipo que ser contrário, esses conselhos poderiam funcionar com órgão de autorregulamentação da publicidade. E sou contrário porque nenhum instrumento de controle pode ser mais eficaz que o botão de liga-desliga ou o controle remoto. 
***
Assim, antes de sair falando do que não se conhece, seria bom que a questão do controle social da mídia não fosse transformado em arma de crítica a quem quer que fosse, mas permitisse a abertura, o início de uma discussão que se faz necessária. 
E mais ainda, que antes que se saísse falando sem conhecimento de causa, se procurasse saber em que pé está, que propostas já existem ou foram feitas, sem interferência de qualquer partido, para tentar elaborar um projeto que, sem impedir a liberdade de opinião, expressão e manifestação, pudesse criar limites até onde esse direito pode e deve ir, sem desrespeitar os direitos de outros. 
Porque já existem propostas, algumas com ideias interessantes e até críticas por seu atraso em não tentar avançar para as modernas formas de comunicação, etc. 
O que falta é conhecimento de nosso povo sobre o tema. 
***
Deixo para um próximo pitaco a apresentação de outros temas, que têm sido utilizados, principalmente para tingir o PT com as cores e temperaturas do inferno, como a da convocação de uma Assembleia Constituinte, tema também abordado com muito mais gravidade pelo general Mourão, vice da outra chapa, ao falar de anarquia (o que seria isso, exatamente?); auto-golpe; e Constituição feita por notáveis. 
Nesse caso, mais uma vez já alerto, não se deve dar valor extremado ao que pode ser um mero conjunto de frases de efeito, palavras de ordem para provocar reações emocionais em eleitores. Em especial, por serem frases ditas por um candidato a vice, desautorizadas pelo titular da chapa. 
***
Mas, se faço esse reparo, da dimensão exata que se deve dar a palavras impressas em documentos ou ditas com convicção aparentemente inabalável, continuo preocupado com duas coisas:
a primeira, a postura pretérita sempre demonstrada, de autoritarismo do candidato com maior número de votos; segundo, o fato de que essa postura e suas falas em campanha, podem estar disparando o sentimento de poder nos guardas de esquina, cada vez mais trogloditas. 
***
É isso. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Vontade do povo é para ser aceita. Simples assim. Mesmo que esse comportamento não seja uma regra nem para quem foi escolhido...

Reconhecer o resultado das urnas é, como se sabe, um dos pilares da democracia. Consequência fundamental do jogo jogado, sinal de caráter e civilidade. Um dos maiores indicadores do espírito democrático.
Fosse no jogo de futebol, ou qualquer outro evento esportivo, o comportamento de aceitação do resultado, positivo ou negativo, desde sempre serviu para ndicar o elevado grau de esportividade e espírito elevado dos competidores.
Se já importante em termos da formação de caráter e do perfil dos concorrentes, a aceitação do resultado assume uma importância ainda maior quando o que está em jogo é o respeito à manifestação popular, à vontade dos cidadãos transmitida pelas urnas.
E, assim como é importante lutar, participar, competir, mais importante ainda é saber perder ou saber vencer.
Saber perder, em respeito aos que pensam diferente, e apoiam outras alternativas e outras ideias e soluções para problemas que todos admitem.
***
No entanto, dizer que os problemas são de conhecimento geral não é expressão da realidade. O mesmo problema pode ser visto de ângulos distintos, a mesma realidade, sempre facetada, encarada e identificada sob óticas parciais.
Forçoso reconhecer que não temos, nem a capacidade, nem a pretensão de possuirmos o conhecimento global, totalizador, inteiro, de qualquer questão que nos é apresentada, ou que experimentamos em nossa vida.
E a  causa é exatamente, ao menos em parte, essa: sempre nos apoiamos em nossa vida, em nossas experiências e nossa visão de mundo. E por incapazes que somos de viver a vida de outros, e passar pelas experiências que os marcam, não podemos achar que somos os que vêem os problemas de forma mais completa, ou correta.
***
Logo, cada um vê um problema de forma diferente, e mais importante, cada um vê uma causa diferente, a depender do ângulo de aproximação da questão.
O que implica termos soluções diferentes para resolver uma mesma dificuldade.
Aqui devo então, referir-me a uma pessoa com quem tive a oportunidade de trabalhar e aprender muito: Roberto Pereira da Silva. Especialmente lembrando de sua advertência: no fundo, todos queremos o mesmo. Resolver uma questão. Contribuir para a melhoria da vida, nossa e de toda nossa sociedade.
Apenas que os caminhos, os meios de chegar até lá podem ser diferentes.
***
Escrevo tudo isso, que vários conhecem a fundo e mais e melhor que eu, para reforçar o fato de que, não sendo donos da verdade, devemos ter a humildade de respeitar os que pensam diferente, especialmente com a maioria ao seu lado.
***
Mas também e até mais importante, é saber vencer. Vencer sem querer depois se impor aos derrotados, ou sem querer humilhá-los. Admitindo, tão somente, que conseguimos apresentar soluções consideradas melhores, ou que fomos mais felizes na apresentação e convencimento da maior parte das outras pessoas, agentes e destinatários últimos de nossas propostas.
***
Dito tudo isso, devo deixar registrado que, para nem tanta surpresa de minha parte, não foi esse o comportamento adotado por um dos dois candidatos à presidência, justa e curiosamente, o mais bem votado.
Cujo comportamento merece, uma vez mais, uma observação.
Tendo fugido de todas as oportunidades em que teria que enfrentar o debate com seus opositores, algumas das vezes com razão inquestionável, já que vítima da violência que serviu de base, muitas vezes, para seu próprio discurso, é interessante destacar que nem mesmo à comemoração em um hotel, agendada por seu próprio grupo de apoio, o candidato se dignou a ir.
***
Antes, para fazer justiça ao candidato, uma consideração: ele foi sim, ao debate da Band, o primeiro deles, onde demonstrou toda sua fragilidade e de suas ideias e propostas.
Razão que levou seu grupo de apoiadores, a recomendarem que ele passasse a evitar esse tipo de programas.
Porque, como vários analistas políticos têm assinalado, o ex-capitão não tem proposta alguma, limitando-se a ficar repetindo bordões, em favor da pátria, de Deus (de quem ele sempre tentou se apropriar), da segurança, do conservadorismo de costumes e do anti-petismo.
Especialmente esse último, parece que foi o que mais atingiu ao nosso eleitorado, de perfil mais conservador e, suficientemente, bombardeado por mensagens que a mídia jamais negou de divulgar contra o Partido dos Trabalhadores.
***
O capitão reformado, mais uma vez, antevendo a necessidade de dar uma entrevista coletiva, que se transformaria naturalmente em uma sabatina onde demonstraria a sua falta de preparo, preferiu, mais uma vez, não comparecer.
E foi às redes sociais, que aceitam tudo e qualquer coisa, para questionar, mesmo que sub-repticiamente, a validade do resultado, a partir do levantamento de suspeição sobre as urnas.
Só isso, já me leva a olhar com muita cautela esse político que, amparado pelo povo, não se dignou em momento algum, a ir a público, manifestar suas opiniões. Não em redes sociais com audiência selecionada, ou com script preparado de antemão, mas ir a público para ser submetido a uma saraivada (felizmente, em tempos ainda de proibição de porte de armas, não de tiros!) de perguntas e confronto de ideias.
***
O perfil autoritário, arrogante, inflexível do capitãozinho, que a todos encanta, é exatamente o que me faz temer por nosso futuro e a manutenção de nosso regime democrático.
***
Mas, por tudo que disse até aqui, não posso ir contra a vontade da grande maioria da população. E, se é verdade que Vox Populi, Vox Dei, então temos que aceitar que tal perfil de político foi o que o povo escolheu, para ir ao segundo turno com outro candidato, do  partido que se quer defenestrar da vida política do país.
Ou nem tanto, já que Haddad teve votação suficiente, e representa parcela significativa de cidadãos brasileiros, que o colocaram no segundo turno.
***
Agora é esperar os desdobramentos da sequência da campanha e dos resultados do último domingo.
***
Individualmente, o que não me preocupa nem um pouco, sou obrigado a declarar que não elegi nenhum de meus candidatos a cargos majoritários.
Perdi em minhas escolhas para a presidência, para o governo de Minas, para o Senado, colaborando para a eleição apenas dos representantes na Assembleia de Minas e da Câmara Federal.
***
E falo isso porque percebo, em vários conhecidos, a preocupação em poder dizer que elegeu o seu candidato. De minha parte não é assim. Aliás, sinto-me feliz de perceber que, se nosso país está tão mal quanto falam, então não foram minhas escolhas que nos levaram a tal situação.
Há muito tempo não voto em quem vence ou acaba passando para o segundo turno.
Dessa vez, não foi diferente.
O que não significa que não vou me envolver no segundo turno, que vou me manter omisso. Afinal, continuo com minha opinião, divergente da maioria, de que não há ídolos nem super seres para resolver nossos problemas.
E nós, o povo, é que temos, aos trancos e barrancos, discussões e até um ar de desordem, mas com respeito e sem violência ou autoritarismo, construir o país e o futuro que formos capazes.
Futuro mais radiante, quanto maior o respeito à regra do jogo democrático.
***
Ao segundo turno, com Haddad e o capitãozinho, em nível nacional.
Aqui em Minas, com a surpresa de um empresário que apenas conseguiu chegar onde chegou por mostrar-se simpático ao ex-capitão - o que demonstra o prestígio do pensamento conservador e autoritário -, indo para o segundo turno com um ex-governador, representante do golpismo tão ao agrado do espírito de conjuração do povo mineiro que não pode alegar mais estar em luta contra a corrupção.
Afinal, aquele que é macho o suficiente para afirmar que mata quem o trair, independente de ser seu primo, foi eleito e volta para as benesses da Câmara Federal.
Com 2 milhões de reais a mais no bolso, gentilmente cedidos pela JBS.

domingo, 7 de outubro de 2018

Oito anos de pitacos. Que tenhamos ambiente político de respeito e diversidade para mais outros oito anos

Completamos hoje, oito anos de pitacos. Uma vitória, sem dúvida, embora um pouco embaçada pelo fato de, por uma série de fatos e circunstâncias da vida, não ter conseguido, nos últimos meses, uma produção de pitacos mais constante.
***
Mas sei que os amigos que se dão ao trabalho de me seguirem, são também capazes de entender que uma das principais demonstrações da qualidade do caráter de que somos dotados, está vinculada a nossa capacidade de manifestar gratidão.
De minha parte, sempre tentei demonstrar essa gratidão a todos que, de certa forma, cruzaram os meus caminhos e, sempre, trouxeram algum tipo de contribuição para forjarem aquilo que sou hoje.
E digo isso, independente de reconhecer, por dever, que isso não me faz ter de aceitar, concordar, comportar como, ou de criticar a todos, quando com eles não compartilhar a mesma opinião, visão, ideia, sentimento, etc.
***
Claro que isso se aplica a todos aqueles que se dão ao trabalho, até por amizade, ou por cobranças de minha parte, de lerem esse blog.
Mas se aplica também a todos os meus colegas professores, com quem compartilhamos as angústias de ver uma reformulação do ensino que, às vezes, nos confunde e nos parece mais preocupada com a obtenção de cifras positivas - sejam elas, de número de alunos, receita financeira, lucros, lucros por ação, notas (mesmo que ridiculamente baixas!) que nos deem destaque em testes mais gerais como o ENADE - que com a obrigação primeira de qualquer profissional da área da educação: a formação do ser humano; do cidadão; do profissional; do especialista mais bem formado e com maiores condições, recursos e ferramentas, para exercer o seu ofício com dignidade e maestria. E que seja capaz, por atuar dessa forma, de conquistar reconhecimento, respeito, tanto no campo pessoal, quanto em suas relações familiares, em seu círculo de amizades, e também, por sua importância, no campo financeiro, capaz de permitir-lhe o pagamento justo, que lhe permita uma vida tranquila e sossegada. E feliz.
***
Minha gratidão também se estende a todos aqueles colegas com quem convivi em meus trabalhos, desde a Prodemge, a Secretaria de Planejamento, a Secretaria de Transportes, a Secretaria de Fazenda, o Banco Central.
Concordando ou não com a forma de pensar e a visão de meus colegas, devo admitir a contribuição que a grande maioria de todos teve em minha vida.
Foi assim, inclusive com os colegas que me deram "carona", na volta do trabalho para casa, ou me emprestaram, em algumas ocasiões, grana, em outras, atenção, ou até mesmo o ouvido ou conselhos.
Desnecessário dizer que, mais que a disponibilização de pertenças materiais, de suma importância, sou mais grato ainda por tudo que as pessoas, minhas amigas, me disponibilizaram delas mesmas.
***
Sou grato a todos vocês.
E é preciso registrar isso a cada instante. Junto aos amigos, aos parentes, e a minha família, razão de ter nos últimos tempos, me dedicado menos que gostaria ao blog, para me dedicar a minha mãe e minha tia, já octogenárias e passando, algumas vezes, por perrengues naturais da idade.
***

Mas, são 8 anos de blog, de pitacos, que tenho o maior orgulho de poder redigir. E que prometo continuar mantendo atualizado.
***
O que me traz a essa data: 7 de outubro.
Data que, nesse 2018, coincide com a realização de eleições presidenciais no Brasil, em seu primeiro turno.
Data que, como já disse antes e não custa repetir, pode dar origem à eleição de um político que, concordando com alguns amigos de bar, pode não gerar nenhuma modificação profunda em nossa sociedade, do ponto de vista da retirada de direitos sociais e políticos mínimos, como a liberdade e a oportunidade de continuar se beneficiando de uma autêntica democracia.
O problema é que, mesmo concordando com aqueles que pensam que não dá para ficar fazendo futurologias catastróficas, a vida pregressa do tal candidato, sem retoques ou sem "fake news", é no mínimo, digna de acarretar as maiores preocupações.
Afinal, não é trivial que um político oriundo da caserna, adotasse, em pleno plenário da Câmara, um discurso voltado para a extinção da Câmara, ou do Poder Legislativo que ela representa.
Não é trivial que um homem, forjado nas fileiras do exército, o detentor sagrado do monopólio do porte de armas, ao lado de outras forças de segurança, fosse o arauto dos interesses de armar a população, sob a desculpa pouco analisada, de que ajudaria a melhorar a segurança pública da sociedade.
***
Já é questionável a ideia de o Exercito ser o responsável pela segurança, primeiro por desviar aquela Arma de sua função original, o inimigo externo, dando-lhe poderes para tomar posição, eventualmente, contra o seus patrões, o cidadão brasileiro.
O fracasso do processo de intervenção das forças militares do Exército, no Rio, é suficiente demonstração de que a tese de mais Exército, mais armas, mais segurança, é equivocada. Ou não totalmente correta.
***
Entretanto, independente de tudo isso, a adoção de políticas favoráveis ao armamento da população, sob a desculpa de permitir a autodefesa, é no mínimo curiosa.
E isso, porque a maior parte das armas que vão parar nas mãos de nossos bandidos, ou dos chefes de quadrilhas nos morros e nas periferias, ou vem de contrabando, ou do comércio - fora de qualquer ação de oposição - de armas de uso militar, algumas de uso militar restrito, em termos de armas pesadas.
Do ponto de vista das armas de menor calibre, ou letalidade, além da capacidade de produção própria, algo digno de ser elogiado, por sua demonstração da capacidade laboral de nossa população, grande parte é obtida pelos bandidos, de ataques a residências ou pessoas que eram portadoras ou detentoras de armas.
***
Precisamos discutir, mais e melhor, o fato de que, a vantagem do bandido, não é estar armado. Muitas vezes sua vítima também possui e manipula armas, até com maior destreza. O problema é que o bandido conta com o velho elemento da surpresa.
E pego de surpresa, aquele cidadão que tem uma arma irá acabar tendo que entregá-la ao bandido. Para não ter de entregar sua vida. Embora, às vezes, infelizmente, acabe perdendo a posse das duas.
***
Mas, pior que a questão do armamento, é a ideia que o candidato que reputo do atraso, vem forjando sempre alicerçado em posturas autoritárias.
Autoritárias, e pior: que não aceitam o diálogo, ou a busca de um consenso.
Tipica atitude de tiranos, ou de ditadores de plantão.
***
Mas que se vale de uma grande quantidade de pessoas, bem intencionadas todas, que pretendem uma mudança, qualquer mudança, porque não toleram mais do mesmo. Mais de políticos, seja de que sigla for, que se aproveitam e abusam de suas prerrogativas. Mais de políticos corruptos, que querem sozinhos se locupletarem das riquezas que são patrimônio de todos nós.
***
Aqui um comentário: pessoas que acreditam que melhor que parar, discutir, apontar desvios de conduta, participar da vida social e política, exercer o direito de controle sobre as atividades e contas públicas, é melhor acabar com tudo isso de uma vez.
Pessoas que transmitem a ideia de que a democracia é muito confusa, anárquica. Pouco afeita a soluções para os graves problemas nacionais, já que é um regime onde todos podem dar palpites, e interferir, o que acaba acarretando apenas em atraso, perda de tempo, discussões infindáveis...
***
Melhor discutir muito e perder tempo, mas sair com uma solução que atenda aos anseios do povo, que adotar a medida mais fácil, mais à mão: em geral, prejudicial à grande maioria, e benéfica apenas para alguns grupos específicos ou especiais.
Ser questionado é sempre difícil. Sempre nos coloca na defensiva e nos faz radicalizar nossas opiniões e posições.
***
Ainda assim, as soluções são sempre melhores quando obtidas pelo consenso, ou sem prejudicar a grande maioria da população.
***
E dizer tudo isso, não significa, o que deveria ser óbvio, que eu tenho algum bandido de estimação. Não tenho.
Mas não tenho também um ídolo de pés de barro. Não venero alguém que preza a solução pela via das armas.
Nesse sentido sou da PAZ!
Essa ideia que não é nem de esquerda nem de direita.
E que, por frágil, mais ainda a ideia que a palavra, merece que todos nos disponhamos a lutar por sua manutenção.
***
Enfim: a sorte está lançada.
E tomara que a sorte sorria ao povo, que é o que mais importa, ao fim e ao cabo.
***
Que eu possa ter saúde, disposição e um ambiente democrático, de diversidade e respeito  para mais, quem sabe, 8 anos de pitacos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Divagações sobre o fim possível da democracia. Dia 7, não eleja o macaco (17), para tomar conta de loja de louça

Cinco de outubro.
A folhinha assinala que estamos há apenas dois dias de uma das mais estranhas eleições dos últimos anos.
Estranha não por conta da polarização entre as correntes antagônicas, de esquerda e de direita. Ou para não deixar no blog um rastro de bolor, dos que defendem as ações positivas do Estado, a favor da adoção de políticas públicas afirmativas, de inclusão social e voltada - ao menos no discurso - à população menos privilegiada, de um lado e, de outra parte, a opção por uma postura neoliberal, de defesa da não ação que vem a ser o raquitismo do Estado, cada vez menos interessado em servir de árbitro dos conflitos sociais.
Poderia ser dito que o confronto se dá entre a opção por um Estado omisso e descomprometido com a maioria de sua população, em oposição a uma noção de Estado que ainda tenta resistir, em vã pretensão de atuar para impedir que a selvageria do mercado e do poder que ele gera e permite manter sirva, apenas para sacramentar o direito do forte subjugar e explorar o mais fraco.
***
O momento parece nos remeter à discussão dos filósofos liberais a respeito das origens e do tipo de funcionamento que justificam a existência de uma instância maior, que paira sobre toda a sociedade, com o objetivo de buscar impedir que o homem se transforme no lobo do próprio homem, impedindo que a força bruta pudesse se sobrepor ao espírito e funcionamento de normas de convivência social.
***
Claro está que nem de longe a discussão se aproxima da visão de um Estado que representa o espaço privilegiado de resolução de conflitos,  o aparato que, a partir da revelação das contradições que opõem as classes e interesses sociais procura manter um mínimo de coesão social, mesmo tendo como seu fundamento a  identificação e a definição dos problemas da sociedade a partir de uma visão limitada, canhestra, míope até, que tem como norma e origem o interesse das classes econômica e politicamente mais fortes.
***
Ao que parece, dando sequência a essa despretensiosa viagem por terras da ciência política, chegamos a um ponto que não há mais a necessidade nem mesmo do reconhecimento da existência dessa arena de conflitos e decisões, tão avassaladora a vitória das forças que comandam os mercados e todas as demais instituições que a ele prestam continuada vassalagem.
Refiro-me, aqui, especialmente à imprensa, nunca livre, já que, mesmo que objeto de concessão pública, sempre teve a organização empresarial, com base na lógica do capital, do lucro e da exploração, como sua forma de constituição.
***
Mas para concluir nossa viagem, devo acrescentar apenas mais uma reflexão: pois cada vez mais, e não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, nos países desenvolvidos ou mais atrasados, o que se vê é a imposição, sem qualquer contrapeso, da vontade e dos interesses do poder exercido pelos ricos, para os mais ricos, sem considerar quaisquer outros interesses, na consagração do regime da plutocracia mais desavergonhada.
E que, nos países mais atrasados, tenta se impor, autoritariamente, pela força bruta e o desrespeito a qualquer princípio ético ou moral, na tentativa de constituição de uma classe de governantes destinada a exercer a mesma exploração ou expropriação das camadas mais amplas da população em prol de uma burocracia tão voraz e tão nefasta quanto a classe dos poderosos empresários capitalistas.
***
Nesse estágio alcançado pelas forças sociais em atuação, onde não há mais qualquer espaço para o surgimento de novos grupos de interesse para tentar contrapor-se, objetivamente, à  correlação objetiva de forças dada, já não há mais razão ou justificativa para que o Estado continue a existir como espaço de arbitragem do que quer que seja em termos de conflitos sociais.
À morte dos conflitos, subjugada e/ou persuadida a ampla maioria da população quanto à inutilidade de sua luta e da ação destinadas a mudar e reconstruir o mundo e seu tempo histórico, já não há mais qualquer necessidade de que as instituições nem mesmo mantenham ou vendam a ilusão de um Estado para tratar dos interesses do povo.
***
Já não há mais necessidade do Estado como instituição mantenedora do equilíbrio social, exceto para a administração da Justiça, cada vez mais representada pela arbitragem de interesses entre os capitalistas com maior poder de fogo, em geral com espaço de atuação mais amplo, tanto geograficamente quanto do ponto de vista dos segmentos empresariais, contra os capitalistas de atuação mais restrita e limitada.
***
A luta que compete ao Estado regular deixa de se referir à oposição entre o capital e o trabalho, mas entre o mega capital e o capital menor, nacional, limitado.
Ao trabalho, resta tão somente se submeter, seja ao grande ou ao pequeno capital, ou à burocracia autoritária de ditaduras de periferia.
***
Assim, não há mais necessidade de um Estado capaz de assegurar o bem estar. O bem estar será conquistado em luta renhida, encarniçada, coroando sempre a disposição e as melhores condições de partida, dos mais meritórios.
Afinal, não há como negar que já é um mérito sem correspondentes, partir de onde os outros, lá de longe, lá de trás, enxergam como a linha de chegada.
***
Mas dizia eu que as eleições opõem uma visão ou corrente que se arvora como defensora, ao menos no discurso, das medidas de inclusão social, de favorecimento dos menos privilegiados em nossa sociedade.
E devo acrescentar que, ainda assim, há que reconhecer os méritos de todos que se filiam a essa corrente, muito embora tendo de reconhecer que o espaço que lhes resta para atuação é limitado, também ele pré-determinado pelos interesses maiores dos que enfeixam o poder em suas mãos.
O que faz com que, não seja nenhuma surpresa, ou não deveria ser pelo menos, que para poder melhorar minimamente que seja, a condição de vida das classes mais abandonadas, partidos no poder, como o PT tenham que negociar, compor e até favorecer, em maior parte, aos interesses dominantes, que aos próprios interessados originais.
***
O que explica a questão da corrupção.
Afinal, embora a pecha sempre será jogada sobre o colo e a responsabilidade dos políticos e dos governantes - do que Lula é prova cabal! - a classe empresarial que é a autêntica responsável por puxar as cordinhas e mais se beneficia de toda a composição, até mesmo para poder dar anéis e preservar jóias mais valiosas, e não apenas os dedos! - fica de fora da cobrança da sociedade.
***
Curioso é assistir a essa classe que manipula e faz dos políticos meros títeres de suas vontades, se apresentar, como o fazem os Amoêdos e Dórias, e Skafs e Zemas e Meirelles, e outros de partidos que só são Novos no nome, como as vítimas do processo de que foram os principais beneficiários e agentes ativos.
***
Ainda assim, há que se admitir: melhorou sobremodo a vida dos mais pobres, dos que viviam abaixo da linha de miséria no governo Lula. Mesmo não tendo havido a distribuição de renda que o país exigia, já que os lucros capitalistas aumentaram em proporção muito maior.
Mas inegável que houve uma redistribuição de renda, intraclasse, dos que ganhavam pouco, a classe média, para os que nada tinham.
***
Interessante é observar que essa classe média, de mentalidade pequeno burguesa, ou seja, que se mede e se avalia pelo êxito financeiro e econômico obtido ao fim de sua vida, muitas vezes por mero acaso da deusa da fortuna, é a que com mais vigor empunha a bandeira da luta contra a corrupção. Não fora, seu representante nesse momento (apenas para comprovar que cada um escolhe mesmo seu cada qual! e que quem tem mentalidade tacanha não iria escolher nenhum luminar da raça humana!) um mero ex-capitão.
Não um oficial de patente superior.
Um reles capitão que baixou à reserva para evitar punição maior como a expulsão das Armas, que ele agora se propõe a defender com tanto ardor. Embora na época de seu processo, não titubeou em abraçar um plano para explodir bombas em quartéis. O que poderia causar vítimas em seus próprios colegas de caserna!!!
***
Deputadozinho inexpressivo, que só conquistou holofotes quando se posicionou a favor da tortura e dos torturadores, da violência explícita dos carrascos da democracia, ao defender o cúmulo de o Estado ir contra seus próprios cidadãos!
***
Pois é esse zé ninguém que a pequena burguesia, mulheres incluídas, homens que se acham cultos por terem obtido um diploma de graduação qualquer, elevaram à categoria de ídolo e representante máximo.
O que nem consegue ser novidade em um país que, de tempos em tempos, para ser exato a cada rodada de 29 anos se lança em experiências autoritárias, todas fracassadas.
***
Foi assim em 1960, com Jânio Quadros, o político que trazia na mão a vassoura para varrer a corrupção para fora do governo. E que culminou com sua tentativa desastrada e desastrosa de dar um golpe de Estado, fechando o Congresso para poder reinar absoluto.
Razão para que o sonho autoritário da classe média tupiniquim, sempre à procura de um pai protetor, não durasse mais que oito meses agitados.
***
Foi também assim com a eleição do caçador de marajás, então o símbolo da corrupção e do corporativismo no governo, Fernando Collor de Mello, em 1989. Aventura que terminou com sua renúncia em 1992, sob acusações diversas de corrupção e que foi enterrada de vez com a morte de seu comparsa PC Farias.
***
Como a história quando se repete é como farsa, reproduz-se agora com o autoritário ex-militar, deputado de cinco mandatos e cheio de predicados a lhe destacarem a virilidade. Sempre a virilidade, já que não há qualquer outra capacidade humana que possa lhe dar destaque, como por exemplo, a inteligência, o sentimento de empatia, etc.
Virilidade que serve para explicar porque mulheres ainda votam nessa espécie de homem das cavernas, que qual Brucutu moderno, decide se quer ou não, vai ou não estuprar a uma delas???
***
Pois bem, as eleições já estão aí. E o personagem que mais representou o papel daquilo que não é em sua vida pessoal é o que mais agrada, mais atende ao figurino do eleitor.
Verdade seja dita, ao menos ele nunca mentiu em sua intenção de ser o coveiro da democracia, esse regime tão complexo de convívio, já que em tese, todos têm direito de manifestarem suas opiniões, e de discutirem e discordarem.
E nisso, reconheçamos, ele posa de coveiro da democracia e da vontade dos que não concordam com sua forma de ver o mundo, de forma irrepreensível.
***
Mas como disse ontem em manifestação no Facebook, não acho que esse herói de araque seja a solução para nossos problemas. Nem isso significa que eu seja a favor do PT e da corrupção.
Primeiro porque a corrupção não é primazia nem exclusividade do PT.
Nesse mesmo barco podem ser encontradas siglas como PP, PSDB, PMDB, e até pessoas, como as de Temer, Geddel, Aécio, Meirelles (blindado por Lula, como ministro, para sepultar processo administrativo contra ele, em andamento no Banco Central), e até nomes de quem contrata funcionários e os remunera com dinheiro público, embora eles sejam considerados fantasmas no gabinete do parlamentar. Afinal, a senhora Wal não deve ser esquecida, nem o irmão fantasma do deputado ex-militar e que se passa por o caçador de corruptos!!!
***
De mais a mais, contra a corrupção, existem leis em nosso país. E contra corruptos, essas leis e as instituições que as fazem cumprir não apenas já funcionaram, como seguem funcionando.
Isso quer dizer que sou mais eleger o PT ou um petista, porque se apanhado em crime, há leis para julgá-lo e puni-lo, mesmo que sob forte comoção e acusações de processos viciados.
***
Mas não sei e nem lei tem, para os potenciais assassinos da democracia.
Sem nos esquecermos que, regimes de ruptura institucional não costumam respeitar Constituições, nem ordenamento jurídico de regimes anteriores.
Ou seja, o risco de termos uma nova Constituição de notáveis, ou notórios, sob as ordens do general Mourão, já que o capitão não tem patente para durar mais que meia dúzia de meses, nem terá apoio de nossa classe média que, da mesma forma que desconhece a história, muda de opinião sem qualquer pudor.
Afinal, de mentalidade tacanha, essa espécie de pessoas apenas quer ver resolvidos seus problemas mais imediatos.
***
Por isso, não ao capitãozinho que já traz no nome o que mais lhe interessa cuidar: o Bolso.
Não ao voto no fim da democracia.
Não ao macaco (17), em loja de louças finas.
***
É isso.

Apenas antes de encerrar, gostaria de dizer que retornamos, depois de mais de um mês, acompanhando doença em família.
Agora, graças a Deus, está tudo, de novo, sob controle.


terça-feira, 11 de setembro de 2018

Atentados e seus efeitos: quem se beneficia? O incêndio no Museu. A culpa sempre fácil do PSOL. E Temer e a PF

Começou complicado o mês de setembro. Mês das flores. Mês de início da primavera, considerada a estação mais bonita do ano.
Mas, analisando mais atentamente os fatos, podemos perceber que o mês tem servido apenas como o momento de desabrochar, além das flores, uma série de outras sementes, plantadas em meses anteriores.
Nessa situação, encontra-se, por exemplo, a hospitalização de minha mãe, em decorrência do agravamento de problemas de saúde que ela já vinha apresentando desde o mês de agosto.
Felizmente já se recuperando e apresentando um quadro bem melhor, a internação serviu para me obrigar a um distanciamento desses pitacos, além de provocar uma série de situações de atropelo, que todos que já passaram por situação semelhante conhecem bem.
Como disse acima, felizmente minha mãe recupera-se bem, com a ajuda da equipe médica e de auxiliares do Biocor.
***
Importante ressaltar que a internação não está sendo bancada por recursos públicos, mas de plano de saúde privado, da Unimed.
Diferente do deputado capitão que, segundo a imprensa, pode ser salvo graças à tempestividade e qualidade do serviço da Santa Casa de Juiz de Fora, em atendimento prestado às expensas do SUS.
Justo o serviço público de saúde, tão criticado pelo ex-militar.
***
Mas, comecei esses pitacos lembrando que, como mês da floração, setembro com sua beleza e vitalidade na verdade é a consequência de sementes que foram cultivadas em outros meses, anteriores.
Como não poderia deixar de ser, incluem-se, nesse comentário, alguns dos fatos que tiveram lugar nesses primeiros dias do mês e que têm ocupado as manchetes dos principais órgãos de comunicação.
Entre eles, o caso do ex-militar, vítima de um ataque à faca, quando fazia sua campanha à presidência da República, em Juiz de Fora.
***
Para abordar esse assunto, talvez o mais dramático dos eventos deste setembro, inicio lembrando de que, em minha juventude, uma das atividades que me proporcionava maior prazer era a leitura.
Nesse sentido, era ávido por leitura, e lia todo livro que me caía às mãos.
Em meio à variedade de livros, uns, em especial, me traziam muito prazer: os livros de Agatha Christie, a rainha dos livros de místério policial e seu famoso detetive belga, Hercule Poirrot.
***
Pois é dos romances de investigação policial, mais especificamente, da lógica de comportamento do detetive Poirot e sua busca por explicações racionais para identificar os criminosos, que me valho nessa hora.
Lembro-me de que Poirot sempre iniciava suas investigações partindo de duas premissas: a primeira, de que deve-se sempre procurar identificar quem se beneficia do crime; a segunda, de examinar atentamente a vida da vítima, já que muitas vezes, no passado, encontram-se as razões do evento.
***
No caso específico do candidato pelo PSL, por menos tempo que eu tivesse para me dedicar a examinar uma e outra dessas premissas, pareceu, a mim, que o maior beneficiado do ataque a faca na pacata Juiz de Fora, foi o próprio candidato.
Primeiro por ter conseguido sobreviver, e encontrar-se em franca recuperação, diria até uma recuperação prá lá de espantosa, para quem teve os ferimentos internos que ele sofreu.
Afinal, pelo que foi noticiado - e pode ser apenas mais uma nota 'fake' - ele teve um corte no intestino grosso, responsável por um vazamento de material capaz de criar uma infeção de alta periculosidade a sua saúde.
Mas, o mais importante não é a possibilidade de, tornando-se vítima, passar a conquistar uma simpatia junto a parcela do eleitorado indeciso, que sempre se deixa levar por episódios emotivos e não racionais em sua decisão.
Em minha opinião, o mais importante foi o tempo de exposição que passou a obter na mídia, em muito superior aos míseros 8 segundos de que dispunha, na campanha gratuita.
***
Vários meios de comunicação já apontaram essa consequência, do aumento do tempo dedicado ao candidato, e a preocupação, justamente com esse tempo, por parte de seus concorrentes.
O fato é que, no momento em que outros partidos, com mais tempo, insistiam em mostrar imagens do deputado militar ofendendo mulheres, jornalistas e destilando outros preconceitos, ele não ganha um tempo desmedido. E dá-lhe fotos, e mensagens dirigida aos seus familiares, amigos, eleitores, em verdadeira campanha televisiva sem que possa ser acusado de estar descumprindo a legislação.
***
Importante lembrar que, nos debates, nos seus oito segundos, em notícias do dia a dia da campanha, que foca todos os candidatos, o deputado que lidera as pesquisas de intenção de voto, onde Lula não é incluído, sempre foi muito infeliz, em minha opinião, em sua postura e falas.
Afinal, declarar sua intenção de ensinar o manejo de armas de fogo às crianças, posar com crianças fazendo o gestual de porte de armas, ou mesmo insistir em liberação do porte de armas, são coisas que podem agradar aos seus seguidores extremados e mais aguerridos, mas alcança apenas os já iniciados.
Não creio que tenham o poder de fazer qualquer pessoa de comportamento mais tranquilo e juízo menos preconceituoso, adotar o candidato como sua opção de voto.
***
Ah! dirão, o candidato militar é mais preparado, por sua formação militar! É novo! Fala o que o povo quer ouvir, desfazendo de toda a política e politicagem tradicional, tudo isso é um amontoado de bobagens sem tamanho.
Ditas por quem insiste em querer esconder o sol com peneiras rasgadas. Afinal o novo já é político antigo, sendo já por cinco vezes deputado federal por seu estado. Em todo esse período, não apresentou mais que dois projetos além de uma série de discursos em que agredia mulheres, destilava ódio e preconceitos, elogiava atos de tortura, pregava o pior dos mundos em termos de respeito aos direitos humanos (sim, mesmo que de criminosos) e pior, aproveitava-se das legais, mas imorais ou ilegítimas benesses do poder.
Quanto a seu preparo, mostra apenas que no Exército brasileiro, além da competência e inteligência e descortínio, e conhecimento, também se valoriza o tempo de casa, e ainda os atributos físicos, para a promoção. Ou seja, atletas podem se destacar, por sua condição de maior preparo físico.
***
Mas, importa destacar que esse deputado não era tão bem visto, nem mesmo pelas Forças Armadas, ao menos por parte menos radical das Forças, sendo por muito pouco expulso da Arma, do que se salvou por argumentos até hoje questionáveis (negou o laudo de uma perícia que indicava ser sua a letra de um pretenso plano de ataque destinado a forçar novo fechamento do regime).
***
Curioso que os parágrafos anteriores parecem que já estou tratando do segundo ponto de que partia Poirot: a vida pregressa da vítima.
Bem, nesse aspecto, não tenho muito que afirmar mais do que já é de conhecimento público. Os ataques aos adversários, o discurso eivado de mentiras contra opositores, até mesmo as declarações contra a vida, por mais que brincadeiras idiotas!, de seus oponentes.
Ilustrado por frases ditas contra Maria do Rosário, ou quando do ataque ao ônibus da caravana de Lula, ou ainda quando da referência ao que deveria ser feito com a petralhada...
***
Diz a natureza e o conhecimento popular que quem planta, colhe. Se plantou trigo, não vai colher maçãs.
E se plantou ódio, desperta um sentimento que não pode ser considerado desligado de qualquer outra motivação.
***
Mas o caso ainda tem algumas curiosidades, dentre as quais destaco, apenas a título de desabafo: o agressor ter feito curso de tiro, mas usou apenas uma faca, no ataque. Se desejava e ouvia vozes de Deus mandando atacar o candidato, não seria mais lógico que sob essa inspiração doentia, se munisse de instrumento mais potente?
O fato de não ter renda, mas ter quatro advogados, além de ter condições de viajar para Curitiba, para ter curso de arma de fogo, de hospedar-se em pensão, onde guardava um computador, etc.
Quem banca tudo isso, ou bancou?
***
Dito tudo isso, de minhas estranhezas, o que mais me surpreende, contudo é o hospital e sua equipe médica, tão elogiada e diga-se de passagem, com justiça, ter falhado tanto no controle de uma possível infecção hospitalar. Afinal, já no momento seguinte à cirurgia de urgência a que se submeteu, não apenas o candidato já estava bem e em franca recuperação, mas recebeu a visita do senador Magno Malta, gravou um vídeo (mostrando que a anestesia não fez efeito mais prolongado no paciente!), e ainda pode receber, sem qualquer cuidado maior a visita de vários de seus familiares.
***
Por muito menos, várias vezes tive de me sujeitar a horários rígidos para entrar em visita, em número limitado, em CTIs, onde parentes, amigos e familiares mais íntimos estavam internados.
Mas, com o candidato, tudo é possível. Afinal, ele é da categoria especial de políticos. Um deputado federal...
***

No dia de hoje, depois de saber do resultado da última pesquisa DataFolha, após a tentativa de assassinato, passo a questionar se impressiona tanto assim, e se comove a parte da população o ocorrido.
Parece que sua rejeição se estabiliza em patamar elevado, mais de 43%. Parece que apenas ganhou dois pontos percentuais a mais de intenção de voto.
Mas até isso é em razão de sua ajuda: mesmo no hospital, as fotos o apresentam fazendo apologia às armas. Não as facas, armas brancas que o permitiram continuar vivo, mas às mais letais, as de fogo.
***


Outro crime, contra a memória nacional e nossa história

Setembro também fica marcado pelo incêndio que vitimou o Museu Nacional, suficientemente já tratado e magistralmente abordado por Wladimir Safatle, em sua coluna da Folha de sexta última, dia 7. Por acaso, dia da Independência do Brasil.
Nesse momento, gostaria apenas de comentar de que, em igualdade de condições precárias, encontram-se outros espaços públicos, como a Biblioteca Nacional, personagem do programa no Caminho do Bem, apresentado no canal Curta, aqui em Belo Horizonte.
Local de parte das gravações do programa de Sérgio Besserman, a imponente biblioteca impressiona. E saber-se da precariedade das condições de sua manutenção, como de outros prédios públicos ligados à cultura, às artes e a nossa história é um pesadelo constante.
***
Aqui eu gostaria de fazer uma mera observação: não foram muitos que acusaram a reitoria e os dirigentes da UFRJ, de descaso para com o Museu.
A maior parte ligando o reitor e parte de sua equipe, a uma improvável incompetência, causada por ser quadro do PSOL. Por ser indicação política. Por não dar ao museu a atenção que lhe era devida.
***
Como não precisamos do suicídio de outros reitores, é importante lembrar que, para chegar ao cargo de reitor, no mínimo, o indicado deve ser professor, com doutorado ou pós doutorado.
Não é uma indicação política e ponto.
Pode sim ser o representante de interesses políticos, mas dentre seus pares. Não é indicação de um detentor de mandato, às vezes, sem maiores qualificações.
***
De mais a mais, o orçamento da Universidade é parte integrante das verbas previstas no Orçamento da União. E, em país que abre tanto a mão de receitas para beneficiar empresários, é importante lembrar que é reduzido e escasso.
E há uma despesa que é inarredável, como se sabe: a de pagamento de pessoal, ativo e inativo, que consome parcela mais que expressiva do total da dotação.
***
Lembremos ainda, que diz a administração que a boa gestão deve se preocupar em gerir a escassez. Ora, para uma Instituição que é destinada à formação profissional, uma Escola, o que é mais fundamental, na falta de recursos, deixar os laboratórios da Engenharia, Física e Química desabando, e sofrendo a ação de bolor e mofo; deixar as salas de aula sem condições de funcionarem sem colocar em risco a saúde de seus alunos; cuidar de outros bens culturais, de grande importância e significado, como a manutenção de uma Orquestra (falo aqui, sem analisar profundamente se a UFRJ mantém uma!, falo em hipótese) e museus e centros culturais?
***
É uma  lástima, mas a situação apenas se agrava, sem recursos com a medida do teto de gastos e seu congelamento por período tão extenso quanto 20 anos.
Mas, se o "hard core" da instituição que já prestou tantos serviços a nosso país é a formação de nossos alunos, em nível superior, a essa finalidade, creio eu, deveria estar focada a maior parcela dos gastos.
Mesmo que o Museu represente, a longo prazo, nossa maior ferramenta de aprendizado.
***

E o absurdo de se acusar a partidos por atos dos quais eles não têm culpa

Falo aqui das acusações que uma parte de pessoas de pensamento extremado dirigem ao PSOL.
Não apenas ao fato do reitor da UFRJ ser dito partidário daquela sigla. Mas por que o agressor de Juiz de Fora ter sido filiado à sigla, até anos recentes.
Ora, Daciolo, o cabo candidato também foi filiado e inclusive eleito pelo partido, para o cargo de deputado federal.
E várias outras pessoas de boa índole, ou não, estão e foram filiadas ao PSOL, mas também ao PSDB, por exemplo.
Basta fazer consultas rápidas para ver que gente filiada aos tucanos, também patrocinaram roubos falcatruas, e até ameças de mandar matar, a parentes, caso se tornassem delatores.
***
Então o fato de ser filiado a um partido não diz nada a não ser que os partidos são abertos, democráticos, e por mais que façam algumas pesquisas sobre a vida pregressa de seus filiados, não podem ser culpados por manifestação de desordens mentais que seus filiados venham a apresentar, ou até que já fossem portadores, embora não manifestas.
É isso.

E para terminar

A Polícia Federal, no caso de Temer e de seu amigo o coronel Lima, têm agido para descobrir provas. E tem tido êxito, é forçoso reconhecer.
Cada vez mais se confirma e se comprova que Temer está até o pescoço no mar de lama da corrupção.
Mas, se a PF tem méritos, não dá para entender porque não encontraram provas cabais, gravações, ligações telefônicas, etc. capazes de provarem definitivamente a culpabilidade de Lula, ou de Alckmin, por exemplo.
No primeiro caso, os processos além de indícios são norteados por delações e depoimentos da mais prostituta de todas as provas.
É uma pena.
Sem maiores comprovações senão indícios, sempre deixará para a história a versão de mártir. De herói, ainda que imerecido.