Tratamos ontem da questão do
conflito no oriente, entre o Estado de Israel e o povo palestino, desrespeitado
e tornado invisível pela maioria das nações e povos do mundo.
Hoje, voltamos a atenção para
nosso país que vivencia um momento semelhante a uma calmaria: na superfície, águas
tranquilas. Os cidadãos continuam levando sua vida do dia-a-dia e seu trabalho
de forma rotineira, enquanto no cenário nacional da política as coisas evoluem sem
sobressaltos, em ritmo vagaroso, exceto pela troca de farpas entre o Legislativo
e Judiciário, na disputa por mais espaço e poder.
Mas, como ensinam os marinheiros
mais experimentados, a calmaria aparente na superfície apenas camufla, muitas
vezes, a agitação e turbulência incessante nas águas mais profundas.
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No Brasil, isso pode significar a
incapacidade, cada vez maior, de as pessoas atingirem um mínimo de convivência
harmônica e fraterna. Vejamos:
No último dia 16, em bairro de
classe média alta de São Paulo e sem motivação aparente, exceto possível surto,
um homem agrediu covardemente, os dois cães e sua tutora, que aguardavam a abertura da porta de entrada do prédio
em que moravam.
As câmaras mostram que, embora
latissem para o homem, os cães não avançaram sobre o agressor da advogada
Caroline Zanin, irmã do mais novo ministro do STF, Cristiano Zanin.
Antes, na madrugada do dia 13, no
Paraná, outro homem foi personagem de crime de racismo e xenofobia contra um
frentista, no interior de loja de conveniências de um posto de gasolina. O motivo para o crime
foi a exigência de que ele efetuasse o pagamento antecipado de seu pedido.
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Em resposta à agitação das
correntes marítimas, dia 17, foi a vez de um deputado desesperado e
desclassificado proferir, da tribuna da Câmara, ataques que constituíram verdadeira e covarde
agressão verbal à senadora Eliziane Gama, relatora da Comissão Parlamentar
Mista de Inquérito.
Tudo sob o amparo do direito,
assegurado pela Emenda à Constituição nº 35, à inviolabilidade de opinião e manifestação dos representantes eleitos pelo povo.
O comportamento abjeto e misógino
foi a reação do filho deputado ao pedido de indiciamento do pai no relatório final
da CPMI que apurou a responsabilidade pelos atos atentatórios ao Estado de
Direito e às instituições nacionais no dia 8 de janeiro passado: o criminoso e
golpista fracassado e ex-presidente do país.
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Ao pai do deputado o Relatório
imputou de forma indireta 4 crimes, entre eles o de golpe de Estado: por
deliberadamente ter induzido seus aliados à tentativa frustrada de golpe, seja por
meio de ataques ao processo eleitoral, a não aceitação do resultado, até
culminar com a invasão e depredação de patrimônio público, em arruaça que visava
provocar a decretação de intervenção militar, através da GLO, como o confirmam
os depoimentos prestados e os documentos recolhidas pela Comissão de
Investigação.
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Duas outras explicações para a descarga
mental do deputado, têm a ver com as virtudes e deficiências do regime
democrático e a impunidade. Explico:
- o regime democrático atribui a todo cidadão o direito de voz e representatividade nas decisões sociais,
independente de cor, credo, raça, gênero, religião, grau de educação formal ou
nível econômico ou sociocultural.
Logo, em um país desigual, agressivo,
selvagem, desagregador, e onde o eleitor médio é ignorante ou ‘analfabeto
político’, deveríamos esperar que seus representantes fossem deputados com este
mesmo perfil. Confirmando que cada povo tem o representante que merece.
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Quanto à impunidade, ela se
explica pela proteção legal citada acima, que dão ao deputado e sua corja o
direito de disparem agressões e ataques que, se não constituem crimes, deveriam
ser levados à análise e julgamento pela Comissão de Ética, por quebra de decoro,
resultando em eventual punição, no limite, com a cassação de seu mandato.
O que confirma a máxima de que é a
impunidade o combustível da violência e
do ódio.
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Por outro lado e estarrecidos, os
brasileiros acompanham a descoberta do desaparecimento/roubo de 21 metralhadoras
de pesado calibre, do arsenal da Base Militar de Barueri (SP).
Desvio que tem recebido atenção
especial do comando daquela Força Militar, com a apuração rigorosa dos fatos,
uma vez que as armas roubadas poderão acarretar consequências catastróficas
para a segurança de toda a população, se caírem em mãos erradas.
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Esse tipo de roubo, com
envolvimento de indivíduos da própria Força não é fato inédito e, no momento
atual, apenas reforça as suspeitas do grau de deterioração e desgaste a que
chegaram as forças militares, inclusive indivíduos do próprio Exército, agravado
pelas constantes e violentas ações de forças policiais militares, a que a
população tem sido exposta e da qual testemunha, na Bahia, em São Paulo, no Rio
de Janeiro, etc.
Comportamento que alimenta as
suspeitas da existência de um padrão de comportamento baseado em objetivos de limpeza
étnica e saneamento das comunidades de
periferia, os guetos a que foram relegadas/condenadas os mais fragilizados:
pobres, pretos, povos originários, quilombolas, tratados, a priori e por
hipótese, como criminosa.
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Em contraponto, no mundo real, economia
do país dá sinais de crescimento ainda que não sustentado, de vez que puxado pela
elevação de gastos públicos com programas de transferência de renda e gastos de
consumo das populações atendidas pelos programas sociais.
Para tal resultado contribui em
muito o programa Desenrola Brasil, que permite a adesão de uma população
entusiasmada a programas de renegociação e refinanciamento em condições
facilitadas das dívidas acumuladas e não pagas, além do perdão/cancelamento de
dívidas de até 100 reais beneficiando a mais de 1,5 milhão de pessoas.
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Desta forma, este verdadeiro PROER
para pessoas mais fragilizadas dá aos beneficiários a chance de resgatar sua
dignidade e o auto respeito, e retornarem ao mercado de consumo de cabeça erguida.
Motivo de otimismo para que o
país apresente um crescimento de 3% para o PIB, retornando ao grupo das 10
maiores economias mundiais.