Só para não deixar passar em branco, e não perder o trocadiho ruim, a Câmara deu o cheque em branco ao governo e aprovou em dois turnos a proposta de Desvinculação das Receitas da União, a DRU.
Agora a proposta tem de passar pela votação e aprovação em Senado, também em duas votações, o que não deverá enfrentar muitas dificuldades, exceto de prazos.
***
Pelo que está anunciado, o significado disso é a aprovação de uma verba de 62 bilhões para uso discricionário pelo governo federal.
A proposta não é nova, nem tem origem no PT ou no governo Dilma ou Lula.
Ambos apenas têm seguido o que foi criado, ainda no governo Itamar Franco, e que na ocasião foi a primeira etapa do Plano Real: a criação do Fundo Social de Emergência, destinado a dar certa racionalidade à questão das contas públicas.
Na ocasião, a idéia era desvincular 20% das receitas da União, como as transferências obrigatórias porque constitucionais, para Estados e Municípios, além de liberar o Governo Federal do gasto de 20% de dotações, amarradas pela Constituição de 88, a gastos como Educação, Saúde, etc.
Ou seja: como a Constituição amarrou e vinculou gastos a receitas orçamentárias previstas pelo governo, tornou rígido o gasto público, impedindo o governo de poder, entre outras coisas, contar com recursos para promover gastos necessários para, entre outras coisas, financiar investimentos públicos e obras necessárias como os investimentos públicos.
O grande problema é que, ao não repassar, entre outros valores, parte da receita vinculada a gastos para a Saúde, faltam recursos que passam, mais tarde, a justificar aumentos de arrecadação para geração de mais recursos para... a Saúde.
É estranho, mas tem sua lógica.
E, detalhe: se o problema está na Constituição, que vem sendo emendada há mais de 17 anos, e deve se estender por mais 4 anos; e se essa mesma Constituição é que, ainda não teve o artigo 192, que trata do sistema financeiro nacional, até hoje regulamentado. Se a Constituição é que, reconhecidamente tem sofrido necessárias mudanças, para "flexibilizar a legislação trabalhista" (eufemismo para cortar direitos trabalhistas, arduamente conquistados, para aumentar a competitividade e lucros dos empresários nacionais); para corrigir o problema do desequilíbrio da Previdência (o que também merecia ser melhor esclarecido, pois que o problema, em minha opinião não é de rombo, mas de contabilizar corretamente gastos que deveriam estar sendo financiados por impostos e não por contribuições); se a necessidade de se criar uma nova reforma tributária, que ninguém nega; se há a necessidade de se fazer a reforma política, não estava na hora de se pensar seriamente, em se fazer nova Constituição. Agora, com uma Constituinte exclusiva e para passar a valer efetivamente???
A pensar. Mas que é um pitaco que deveria gerar discussão não há como negar.
quarta-feira, 23 de novembro de 2011
Recuperação na Europa e a influência e liderança dos bancos
Em entrevista que podia ser vista ontem no portal UOL, James Galbraith, filho do saudoso John Kenneth Galbraith, sugere que a Europa precisa urgentemente de uma versão do "New Deal", o plano econômico adotado por Roosevelt para tirar os Estados Unidos da grande depressão que se seguiu ao crack da Bolsa de Nova York, em 29.
Naquele período de crise, o governo americano, sob a inspiração de Keynes lançou um plano ousado de obras públicas e intervenção do Estado na produção, nos preços e nos salários que, representou verdadeira revolução na maneira que os governos enfrentavam as crises cíclicas da economia.
***
Para certos autores, Michael Bleaney, por exemplo, se a memória não me trai, não foi exatamente a proposta keynesiana a responsável pela recuperação americana de uma crise que, a rigor, nem pode ser considerada como crise geral da economia. Afinal, como dizia o texto de Bleaney, as estatísticas de produção dos Estados Unidos indicam que, no período, enquanto alguns setores iam muito mal e enfrentavam depressão profunda, outros, ao contrário apresentavam taxas de crescimento da produção.
Bleaney concluia que a crise, cuja existência ele não negava, obviamente, consistia, na verdade em uma crise de desajuste das estruturas de gestão do novo capitalismo que foi gestado e se instalou na economia a partir da chamada segunda revolução industrial de 1870-1890.
A tese do autor é que havia, na oportunidade, um descompasso entre o novo paradigma tecno-sócio-econômico, para utilizarmos uma expressão muito em voga nos anos 90 e agora em desuso e as regras de gestão desse novo modelo. Uma crise de institucionalidade, digamos assim.
Seja como for, minha interpretação do livro de Bleaney, é que mais contribuiu para a recuperação americana os preparativos para a II Grande Guerra e a entrada dos Estados Unidos na conflagração que as medidas efetivas do governo americano.
Claro, sem negar a importância de algumas dessas medidas e políticas para alguns setores industriais e, daí para a própria recuperação que se seguiu à vitória aliada e, em especial para a nova forma de abordagem das crises.
Se a memória não me trai, repito, o livro é The Rise and Fall of Keynesian Economics.
Mas, voltemos ao assunto original, depois dessa digressão.
***
Para Galbraith, o plano para a Europa deveria se assentar em três pilares: o plano de realização de obras públicas; a europeização dos bancos e a consolidação das dívidas públicas em um único título, emitido pelo Banco Central Europeu.
No entanto, o professor da Universidade do Texas admite que sua proposta está longe de se tornar realidade, e que sua não implantação deve-se a razões políticas, em especial.
Questionado que razões seriam essas, Galbraith manifesta uma opinião capaz de causar algum tipo de espécie. Para ele, a causa é que a democracia está acabada na Europa.
O argumento que utiliza é que quando a vontade do povo passa a ser substituída por interesses outros, escusos em geral, não há muita oportunidade para que sua proposta seja discutida e a crise possa ser combatida.
Ilustra com o fato de o novo primeiro ministro da Grécia nem sequer ter cargo no Parlamento grego, e tanto ele quanto seu colega que acaba de assumir na Itália serem, ambos, ligados a ..... Goldman Sachs, o banco de investimentos norte-americano.
Instituição poderosa e, como influente membro do dito mercado, tem outra idéia da crise e outra proposta para solucionar, se não a crise, a segurança de suas finanças.
Galbraith comenta afinal, que o poder econômico é que está mandando e se impondo.
Verdade cujo reconhecimento, nos leva a torcer intimamente, com todas as nossas forças pelo êxito do movimento Occupy Wall Street.
***
Todo esse nosso comentário, a propósito da divulgação, também no dia de ontem, de que o setor bancário foi o que apresentou a maior lucratividade do país: a bagatela de 37 bilhões de reais, em decorrência de cobrança de tarifas e prestação de serviços.
Atrás dos bancos, apenas a mineração, com a Vale e suas exportações a preços elevados de minério para a China; e o setor de gás e energia, com a Petrobras.
Creio que, em termos de crescimento, a mineração assumiu a liderança, mas o avanço dos bancos também é notável.
***
E o resultado poderia ser diferente? pergunto-me, mesmo sabendo que o Goldman Sachs não tem instalações em nosso mercado.
É. O negócio é, mesmo que sem que as condições objetivas estejam dadas, o que torna o movimento apenas mais um sonho e uma utopia (e como tal, violentamente combatida pela polícia de Nova York!), torcer para que a ocupação de Wall Street, se espalhe para a ocupação da Paulista, da City ... e de outros marcos desse jogo de apostas em que se transformou nosso sistema econômico.
***
Naquele período de crise, o governo americano, sob a inspiração de Keynes lançou um plano ousado de obras públicas e intervenção do Estado na produção, nos preços e nos salários que, representou verdadeira revolução na maneira que os governos enfrentavam as crises cíclicas da economia.
***
Para certos autores, Michael Bleaney, por exemplo, se a memória não me trai, não foi exatamente a proposta keynesiana a responsável pela recuperação americana de uma crise que, a rigor, nem pode ser considerada como crise geral da economia. Afinal, como dizia o texto de Bleaney, as estatísticas de produção dos Estados Unidos indicam que, no período, enquanto alguns setores iam muito mal e enfrentavam depressão profunda, outros, ao contrário apresentavam taxas de crescimento da produção.
Bleaney concluia que a crise, cuja existência ele não negava, obviamente, consistia, na verdade em uma crise de desajuste das estruturas de gestão do novo capitalismo que foi gestado e se instalou na economia a partir da chamada segunda revolução industrial de 1870-1890.
A tese do autor é que havia, na oportunidade, um descompasso entre o novo paradigma tecno-sócio-econômico, para utilizarmos uma expressão muito em voga nos anos 90 e agora em desuso e as regras de gestão desse novo modelo. Uma crise de institucionalidade, digamos assim.
Seja como for, minha interpretação do livro de Bleaney, é que mais contribuiu para a recuperação americana os preparativos para a II Grande Guerra e a entrada dos Estados Unidos na conflagração que as medidas efetivas do governo americano.
Claro, sem negar a importância de algumas dessas medidas e políticas para alguns setores industriais e, daí para a própria recuperação que se seguiu à vitória aliada e, em especial para a nova forma de abordagem das crises.
Se a memória não me trai, repito, o livro é The Rise and Fall of Keynesian Economics.
Mas, voltemos ao assunto original, depois dessa digressão.
***
Para Galbraith, o plano para a Europa deveria se assentar em três pilares: o plano de realização de obras públicas; a europeização dos bancos e a consolidação das dívidas públicas em um único título, emitido pelo Banco Central Europeu.
No entanto, o professor da Universidade do Texas admite que sua proposta está longe de se tornar realidade, e que sua não implantação deve-se a razões políticas, em especial.
Questionado que razões seriam essas, Galbraith manifesta uma opinião capaz de causar algum tipo de espécie. Para ele, a causa é que a democracia está acabada na Europa.
O argumento que utiliza é que quando a vontade do povo passa a ser substituída por interesses outros, escusos em geral, não há muita oportunidade para que sua proposta seja discutida e a crise possa ser combatida.
Ilustra com o fato de o novo primeiro ministro da Grécia nem sequer ter cargo no Parlamento grego, e tanto ele quanto seu colega que acaba de assumir na Itália serem, ambos, ligados a ..... Goldman Sachs, o banco de investimentos norte-americano.
Instituição poderosa e, como influente membro do dito mercado, tem outra idéia da crise e outra proposta para solucionar, se não a crise, a segurança de suas finanças.
Galbraith comenta afinal, que o poder econômico é que está mandando e se impondo.
Verdade cujo reconhecimento, nos leva a torcer intimamente, com todas as nossas forças pelo êxito do movimento Occupy Wall Street.
***
Todo esse nosso comentário, a propósito da divulgação, também no dia de ontem, de que o setor bancário foi o que apresentou a maior lucratividade do país: a bagatela de 37 bilhões de reais, em decorrência de cobrança de tarifas e prestação de serviços.
Atrás dos bancos, apenas a mineração, com a Vale e suas exportações a preços elevados de minério para a China; e o setor de gás e energia, com a Petrobras.
Creio que, em termos de crescimento, a mineração assumiu a liderança, mas o avanço dos bancos também é notável.
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E o resultado poderia ser diferente? pergunto-me, mesmo sabendo que o Goldman Sachs não tem instalações em nosso mercado.
É. O negócio é, mesmo que sem que as condições objetivas estejam dadas, o que torna o movimento apenas mais um sonho e uma utopia (e como tal, violentamente combatida pela polícia de Nova York!), torcer para que a ocupação de Wall Street, se espalhe para a ocupação da Paulista, da City ... e de outros marcos desse jogo de apostas em que se transformou nosso sistema econômico.
***
Cidade fantasma
Passeio pela cidade
iluminada pelo luar
que se envergonha
e se esconde
deixando escuro
para não mostrar
que a cidade virou deserto
Sem vida e sem cor.
Cidade que matou o verde
roubou a flor
que fez brotar um monstro
onde havia antes um lindo jardim.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
E a respeito da inflação...
Inflação de demanda
mas quem permite
que a exploração aumente
deixando ao operário
um mínimo de salário
enquanto os lucros se elevam
permitindo mordomias
ordenados crescentes
prá incentivar o consumo
de produtos específicos
multi-sofisticados
multinacionais.
Inflação de demanda
e se a renda sobrando
vem provocar o problema
porque não liquidá-la de fato
fazendo sua distribuição
àquele que só foi lembrado
no instante em que procuravam
qualquer um prá ser culpado.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Espanha, desemprego e medo. O mesmo medo do Galo em São Paulo
Díficil prever, mas a eleição de um conservador na Espanha pode ser índício de muita coisa. Em especial de que a população espanhola se cansou do partido socialista e seu Zapatero.
Mas, mais importante, pode ser sinal de que a crise que cerca a Espanha ainda deverá durar muito tempo.
Sem ter bola de cristal, a aposta que estamos fazendo, longe de ser a expressão de um desejo é apenas uma constatação triste, até melancólica.
Senão vejamos: a Espanha amarga hoje, pelos dados e informações esparsas que nos chegam, uma taxa de desemprego de algo perto dos 22%.
Essa situação de desencanto, quase tragédia, é que explica o fato de a população ter votado de forma a causar a maior derrota já vivida pelo partido socialista.
Mas, embora o discurso do novo primeiro ministro Mariano Rajoy já tenha sido na direção que os espanhóis gostariam de ouvir, de que vai se preocupar em reduzir o nível de desemprego, acho pouco provável que consiga alcançar seus objetivos.
Primeiro, porque previsões indicam que a zona do euro deverá patinar por todo o resto dessa década iniciada nesse 2011 cabalístico, mas de crise. Segundo alguns analistas, a previsão é de que a Eurolândia venha a apresentar um crescimento médio de 1% ao ano, até 2020.
Configurado um panorama desses, no ambiente em que a Espanha se insere, o que poderíamos esperar, além claro (e torcendo) para que essas previsões, como várias outras que são feitas a cada momento estejam erradas?
Uma elevação de gastos públicos e, em decorrência da dívida pública espanhola, para promover a geração de emprego?
Mas, convenhamos, Rajoy é um conservador. Deve comungar com grande parte das propostas que os conservadores têm apresentado para reduzir a dívida pública dos governos europeus.
Em sendo assim, onde arranjaria recursos para bancar um aumento de gastos públicos capazes de reduzir significativamente sua dívida, sabendo-se que os mercados financeiros que poderiam financiá-los recomendam exatamente o .... corte de gastos públicos?
Como já foi assinalada, inclusive por economistas do porte de um Krugman, o problema espanhol, como o de outros países da zona do euro é que perderam sua capacidade e sua autonomia para decidirem e implementarem políticas monetárias.
Não podendo mais emitir moeda própria (o peso), e subordinados à emissão de uma moeda que independe de sua vontade, ficam de mãos atadas. Daí a necessidade de irem buscar recursos no mercado financeiro, cujo temor de um calote obriga, aos governos, um comportamento exemplar: superávits, redução da carga da dívida, responsabilidade fiscal, etc. etc.
Ora, reduzir uma taxa de desemprego de mais de 20% dessa forma, é risível.
***
Tomara que a lua de mel com o novo premier não seja muito curta e nem resulte em uma frustração muito grande.
Enquanto isso, no campeonato brasileiro
Time que entra para não ganhar, não ganha.
A frase, por demais conhecida, já foi expressa de várias formas ao longo do tempo. Exemplos disso, são a famosa: a melhor defesa é o ataque.
Pois bem, ontem, em minha opinião o Atlético não devia ganhar, e nem poderia, já que entrou em campo para jogar no contra-ataque.
Mas, com duas linhas de quatro jogadores, com os dois atacantes voltando para buscar jogo, inclusive com André, nosso centro-avante voltando para ajudar a marcação do ataque corinthiano, contra-ataque só poderia haver por alguma obra divina, ou uma revolta de algum zagueiro do time paulista, que resolvesse jogar contra seu próprio campo.
Para dar sustentação a meu argumento, basta lembrar o que vi, e acho que não fui o único: André estava mais em nossa área aproveitando sua estatura, e auxiliando a Rever e Leonardo Silva, que na frente.
Bernard, embora muito arisco, ficava sozinho na esquerda, tentando inutilmente ciscar para lá, para cá, até que uma falta merecedora de cartão o alcançasse. E essas faltas existiram, tanto no primeiro, quanto no segundo tempo, quando o juiz preferiu contemporizar e não expulsar o seu autor, o mesmo Alessandro, capitão do time paulista e autor do passe do cruzamento para o primeiro gol.
***
No primeiro tempo, com tanta gente marcando, sobrou para o Corinthians chutar de longe, a maioria das vezes sem direção.
Do Galo, não me lembro de nenhum chute.
E aí veio segundo tempo. E se Cuca já tinha inventado, em minha opinião, de forma covarde, parece ter tomado coragem, tentando inverter as coisas.
Sem mudar o time, parece que mudou a postura do Galo, que chegou logo ao gol. E, depois, aí sim nos contra-ataques, começou a encurralar o líder do campeonato.
É verdade que, nessa hora, o Atlético passou a jogar bem, e mandar no jogo, como mandou até bola na trave, com Carlos César.
Mas, aí o problema do medo voltou. Para o lugar de nosso lateral que parece ter sentido algum problema físico, Mancini.
Para o lugar de Richarlyson, também sentindo problemas físicos, Triguinho, num típico trocar seis por meia dúzia. Mantendo o esquema covarde. E por fim, Berola, que devia ter entrado desde o início. Mas, para meu espanto, no lugar de André.
***
Se era para não ganhar, tudo certo. Perdemos.
E dessa feita, pela postura do Cuca que, embora diga sempre que não muda o que está bem, e que quer fazer o simples, complicou tudo.
Aliás, começar o jogo com Serginho, já é prá lá de complicado. E isso ficou claro, quando no lugar que ele devia estar, junto a Leonardo Silva, estava Adriano.
E, se a intenção era reabilitar o gordo atleta, nada melhor. Especialmente, se ele tivesse que apostar uma corrida com Leonardo Silva, o moleirão que, embora tivesse sido o autor de nosso gol, acho que falhou também ao não adiantar-se à cabeçada de Liedson.
Para concluir, a marca de que o time foi covarde é exatamente essa: mais uma vez, sem ataque, um zagueiro fazendo o gol.
O mesmo zagueiro que já há muito tempo tem mostrado que não tem mais agilidade para estar na posição em que vem jogando.
***
Para elogiar: o esforço de Bernard, a excelente partida de André, do ponto de vista tático; Réver, sério. Richarlyson, jogando com tranquilidade. E Renan, que nos salvou de uma goleada.
E, palmas para o Tupy, o outro Galo, também carijó, campeão da série D.
Mas, mais importante, pode ser sinal de que a crise que cerca a Espanha ainda deverá durar muito tempo.
Sem ter bola de cristal, a aposta que estamos fazendo, longe de ser a expressão de um desejo é apenas uma constatação triste, até melancólica.
Senão vejamos: a Espanha amarga hoje, pelos dados e informações esparsas que nos chegam, uma taxa de desemprego de algo perto dos 22%.
Essa situação de desencanto, quase tragédia, é que explica o fato de a população ter votado de forma a causar a maior derrota já vivida pelo partido socialista.
Mas, embora o discurso do novo primeiro ministro Mariano Rajoy já tenha sido na direção que os espanhóis gostariam de ouvir, de que vai se preocupar em reduzir o nível de desemprego, acho pouco provável que consiga alcançar seus objetivos.
Primeiro, porque previsões indicam que a zona do euro deverá patinar por todo o resto dessa década iniciada nesse 2011 cabalístico, mas de crise. Segundo alguns analistas, a previsão é de que a Eurolândia venha a apresentar um crescimento médio de 1% ao ano, até 2020.
Configurado um panorama desses, no ambiente em que a Espanha se insere, o que poderíamos esperar, além claro (e torcendo) para que essas previsões, como várias outras que são feitas a cada momento estejam erradas?
Uma elevação de gastos públicos e, em decorrência da dívida pública espanhola, para promover a geração de emprego?
Mas, convenhamos, Rajoy é um conservador. Deve comungar com grande parte das propostas que os conservadores têm apresentado para reduzir a dívida pública dos governos europeus.
Em sendo assim, onde arranjaria recursos para bancar um aumento de gastos públicos capazes de reduzir significativamente sua dívida, sabendo-se que os mercados financeiros que poderiam financiá-los recomendam exatamente o .... corte de gastos públicos?
Como já foi assinalada, inclusive por economistas do porte de um Krugman, o problema espanhol, como o de outros países da zona do euro é que perderam sua capacidade e sua autonomia para decidirem e implementarem políticas monetárias.
Não podendo mais emitir moeda própria (o peso), e subordinados à emissão de uma moeda que independe de sua vontade, ficam de mãos atadas. Daí a necessidade de irem buscar recursos no mercado financeiro, cujo temor de um calote obriga, aos governos, um comportamento exemplar: superávits, redução da carga da dívida, responsabilidade fiscal, etc. etc.
Ora, reduzir uma taxa de desemprego de mais de 20% dessa forma, é risível.
***
Tomara que a lua de mel com o novo premier não seja muito curta e nem resulte em uma frustração muito grande.
Enquanto isso, no campeonato brasileiro
Time que entra para não ganhar, não ganha.
A frase, por demais conhecida, já foi expressa de várias formas ao longo do tempo. Exemplos disso, são a famosa: a melhor defesa é o ataque.
Pois bem, ontem, em minha opinião o Atlético não devia ganhar, e nem poderia, já que entrou em campo para jogar no contra-ataque.
Mas, com duas linhas de quatro jogadores, com os dois atacantes voltando para buscar jogo, inclusive com André, nosso centro-avante voltando para ajudar a marcação do ataque corinthiano, contra-ataque só poderia haver por alguma obra divina, ou uma revolta de algum zagueiro do time paulista, que resolvesse jogar contra seu próprio campo.
Para dar sustentação a meu argumento, basta lembrar o que vi, e acho que não fui o único: André estava mais em nossa área aproveitando sua estatura, e auxiliando a Rever e Leonardo Silva, que na frente.
Bernard, embora muito arisco, ficava sozinho na esquerda, tentando inutilmente ciscar para lá, para cá, até que uma falta merecedora de cartão o alcançasse. E essas faltas existiram, tanto no primeiro, quanto no segundo tempo, quando o juiz preferiu contemporizar e não expulsar o seu autor, o mesmo Alessandro, capitão do time paulista e autor do passe do cruzamento para o primeiro gol.
***
No primeiro tempo, com tanta gente marcando, sobrou para o Corinthians chutar de longe, a maioria das vezes sem direção.
Do Galo, não me lembro de nenhum chute.
E aí veio segundo tempo. E se Cuca já tinha inventado, em minha opinião, de forma covarde, parece ter tomado coragem, tentando inverter as coisas.
Sem mudar o time, parece que mudou a postura do Galo, que chegou logo ao gol. E, depois, aí sim nos contra-ataques, começou a encurralar o líder do campeonato.
É verdade que, nessa hora, o Atlético passou a jogar bem, e mandar no jogo, como mandou até bola na trave, com Carlos César.
Mas, aí o problema do medo voltou. Para o lugar de nosso lateral que parece ter sentido algum problema físico, Mancini.
Para o lugar de Richarlyson, também sentindo problemas físicos, Triguinho, num típico trocar seis por meia dúzia. Mantendo o esquema covarde. E por fim, Berola, que devia ter entrado desde o início. Mas, para meu espanto, no lugar de André.
***
Se era para não ganhar, tudo certo. Perdemos.
E dessa feita, pela postura do Cuca que, embora diga sempre que não muda o que está bem, e que quer fazer o simples, complicou tudo.
Aliás, começar o jogo com Serginho, já é prá lá de complicado. E isso ficou claro, quando no lugar que ele devia estar, junto a Leonardo Silva, estava Adriano.
E, se a intenção era reabilitar o gordo atleta, nada melhor. Especialmente, se ele tivesse que apostar uma corrida com Leonardo Silva, o moleirão que, embora tivesse sido o autor de nosso gol, acho que falhou também ao não adiantar-se à cabeçada de Liedson.
Para concluir, a marca de que o time foi covarde é exatamente essa: mais uma vez, sem ataque, um zagueiro fazendo o gol.
O mesmo zagueiro que já há muito tempo tem mostrado que não tem mais agilidade para estar na posição em que vem jogando.
***
Para elogiar: o esforço de Bernard, a excelente partida de André, do ponto de vista tático; Réver, sério. Richarlyson, jogando com tranquilidade. E Renan, que nos salvou de uma goleada.
E, palmas para o Tupy, o outro Galo, também carijó, campeão da série D.
Gerenciando informações
Sigo
perseguindo um sistema
coletando informação
gerenciando um sonho
buscando avançar idéias
torná-las produto:
conhecimento incorporado.
Sigo,
perseguindo a boa nova
o estado da arte
a fronteira da tecnologia vã
Sigo,
perseguindo dados
informação, cuidados
Sigo em busca de um projeto
um objetivo obscuro,
clareza na informação
Sigo com cuidados
os meios necessários
que fundamentem a decisão.
E como é difícil o esforço
de um sistema de informações
mesmo que em simples esboço...
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
De Marias
Maria da vila...da vida
vazia de vida e amor
duvida Maria que um dia
alegria lhe sobre da dor.
Maria perdida da fama
da fome, da falta e fracasso
Maria faminta na cama
suada, o corpo um bagaço
Maria no entanto não liga
e nem se preocupa como você
só tem prestação de um rádio
é livre do INPC
E não teme a crise na cidade
prá ela, a rua é a estabilidade
Na cama ela sonha em poder
amar mesmo que só um instante com prazer.
Maria da vila, da vida
não vota, não xinga e se cala
e se abala só por que nunca vai ter
um amor, verdadeiro prá amar até morrer.
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