quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Felicidade


Cada passo do caminho é ida
Cada passo da estrada constrói vida
Cada passo abre espaço a novos sonhos
Que permitem conquistar a liberdade
Se o passo tem paixão e intensidade
Cada passo dado mesmo que afoito
Dado inconsciente sem que o percebamos
É o próprio caminho que em essência
Não precisa conduzir a um ponto dado
A um objetivo planejado
Situado distante e por isso inatingível
Já que o simples caminhar é em verdade
Em que consiste a Felicidade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Antecipando Sonhos


Fazer o planejamento financeiro
Não é, às vezes,
Senão buscar o sonho da tranquilidade
Mais adiante.
Longe de ser uma camisa de força
Um mapa indicativo de oportunidades
Expressa a demonstração de fé e esperança
De que no prazo de alguns meses
O saldo do cheque especial possa vir a ser reduzido
O uso do cartão de crédito possa ser mais parcimonioso
E até sobre um trocado no final do mês
Para um lazer
Para ir a um cinema e depois poder comer uma pizza
Ou ir a um show há tanto ansiado.
Para a poupança, não!
Nem para algum investimento
Salvo se considerarmos como investimento
O ato de se prosseguir vivendo
Ainda que de forma a mais prosaica

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Pitacos variados sobre o desrespeito ao torcedor, ao cidadão, e aos carnavalescos e torcedores comuns

A multa aplicada pelo governo do Estado de Minas à Minas Arena, administradora do Mineirão,  por todas as falhas e todo o desrespeito ao torcedor presente na reinaguração daquele estádio, no valor de R$ 1 milhão, pensando bem, ficou muito barata.
Pelo que a midia informa, a empresa teria uma multa diária a pagar, caso não entregasse o estádio reformado na data fixada em contrato.
Para evitar essa multa, seguramente mais pesada, o novo Mineirão foi entregue, mesmo não estando acabado.
Pelas fotos publicadas nos jornais e sites da internet, uma série de pequenas obras, pequenos detalhes e até mesmo a retirada de entulhos e uma limpeza geral não foram realizadas.
Estádio entregue e recebido pelo contratante, como toda obra pública, houve a correria natural para sua inauguração, sem qualquer preocupação com o público.
Talvez essa a explicação para a tranquilidade e humildade no reconhecimento das falhas, expressa pelo presidente da Minas Arena: a punição ficou muito mais barata que a devida.
Agora, a partir da multa aplicada, vir a público elogiar a presteza do governo de Minas em punir os responsáveis e dar uma satisfação ao torcedor prejudicado é, no mínimo, muita desfaçatez.
***
Foi anunciado ontem, o lucro de R$ 21,2 bilhões da Petrobras, auferido no ano de 2012. Mais que o lucro em si, chamou a atenção o declínio apresentado pela lucratividade, fruto, entre outros fatores, da redução do volume produzido, por um lado, e do aumento da importação de petróleo e seus derivados, tanto em termos de volume físico quanto de valores.
Para o aumento dos preços de importação, contribuiu também a desvalorização experimentada pelo real.
Sabe-se também que o resultado foi influenciado pela intervenção do governo, que pressionou para que a companhia evitasse repassar para os preços internos os aumentos dos preços dos produtos importados, de forma a não dar "combustível" à inflação.
É verdade que, para compensar o "congelamento" dos preços, o governo abriu mão de arrecadar parcela importante da CIDE, além de promover aumento da mistura de álcool à gasolina.
Entretanto, se segurou os preços em 2012, não foi mais possível a manutenção dos preços nessa virada de ano, o que justifica o aumento de 6,6% dos preços para os distribuidores.
Tal correção de preços, entretanto, feita no mesmo momento em que se anunciava a redução das tarifas de energia elétrica, deixa no ar a dúvida da real intenção das medidas do governo, a princípio contraditórias.
De certo uma conclusão: uma jogada de marketing do governo e um tiro n'água.
Na verdade, a transferência para o povo, em parte, das medidas destinadas a, mais uma vez, agradarem aos empresários da grande indústria.
***
Afinal alguém ligado à área teve a coragem de por o dedo na ferida e abrir o verbo. Como Zeca Pagodinho de forma corajosa deixou muito claro na entrevista concedida e publicada na Folha de ontem, dia 4 de fevereiro, o Carnaval acabou. Foi roubado ao povo, como festa popular, vinculada à cultura do brasileiro.
E é bom que se diga que não acabou por força do fim das marchinhas,  dos bailes, da alegria, mas por força da pasteurização promovida pela televisão e grande mídia, que transformaram o desfile de escolas de samba em um show para turista ver e bater palma, sem lugar para o povo. Esse,  mantido bem longe foi transformado em mero personagem de uma festa em que era, até pouco tempo atrás, o sujeito da diversão.
O show vende, atrai turistas, e enche as avenidas e o sambódromo, ajudando a trazer dólares e aumentando a lotação dos hotéis e hospedarias.
Mas, de bom mesmo, só as mulheres esculturais, moldadas a grana e muito bisturi.
***
A verdade é que, na mesma direçao elitista e elitizante, está caminhando o futebol, especialmente com essa profusão de novas arenas, tomando lugar dos antigos estádios e dos simples campos de futebol.
A própria denominação já é sinal de mudanças, que já tinham sido alertadas por Tostão, preocupado em que o futebol não fosse transformado em um evento que afastasse a participação popular e a manifestação livre e genuína dos torcedores.
Posso estar enganado, mas o que a minha memória afetiva me lembra quando se menciona o termo arena, é um lugar para os ricos e as classes mais favorecidas de Roma, assistirem os sacrifícios dos menos favorecidos.
Em suma: um lugar em que os poderosos se divertiam às expensas dos mais fracos e explorados.
Mas, deixando essa questão terminológica de lado, a julgar pelo que temos visto, e as novas exigências em relação às instalações, ao conforto e comodidade dessas arenas, o que eleva o custo de sua manutenção e, em decorrência aumenta o preço dos ingressos, em pouco tempo, o torcedor estará torcendo apenas através das telas das tevês.
Ok. Alguns poderão argumentar que, já de longo tempo, o futebol tem se transformado em um esporte dependente e bancado pelas televisões e rádios, o que não nego.
Mas que era pelo menos mais romântico e divertido quando o futebol era visto como um esporte popular, do que como o show em que tem se transformado cada vez mais, isso era.
Mesmo que essa opinião seja apenas a manifestação de meu saudosismo.


No sossego da Natureza


As entranhas da terra rugem
E a cordilheira vizinha se presta
A servir de caixa de ressonância ao ruído.
Enquanto a natureza ecoa
Meu pensamento se descola e voa
Até onde o gelo coroa os penhascos
E a neve representa o véu castiço
Que desce arrastando-se dos céus
Para tocar o chão
Em que se apoiam nossos pés descalços.
Lá no alto,
Onde o azul desenha um céu livre de jaça
E o horizonte é a expressão do infinito
Meu pensamento pausa e relaxa satisfeito
Em fuga do mundo em que vive
Sempre aflito

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mesa de trabalho


Em minha frente
Duas telas se avolumam
Uma posicionada
No sentido normal
E que se abre postada ao lado
De outra no sentido vertical
Escondendo a máquina
Os fios que se emaranham
Junto ao calendário e do telefone cinza
Papéis espalhados sinalizam a desordem
E uma pilha de documentos e processos
Descansam inermes
Testemunhando meu trabalho

A volta do Galo à normalidade

Passada a euforia que dominou a torcida e embalou o time no ano passado, trazendo a imprensa junto, ou parte dela, acreditei que as férias do futebol serviriam para que fossem realizadas análises sérias do time do Galo e, especialmente das razões da perda do campeonato brasileiro.
Não vou discutir que o Fluminense ganhou porque foi beneficiado. Eu acho que foi bastante beneficiado pelas arbitragens, e comentei isso muitas vezes nesse espaço.
E para mim isso basta.
Mas, além dessa justificativa, há que se admitir que o Fluminense foi, durante todo o campeonato um time bastante regular. E que essa  sua regularidade de sua campanha foi o que fez a diferença ao final. Fred, Wellington Nem, Diego Cavalieri foram jogadores que se destacaram, principalmente no final, quando o time embalou de vez, mas o que foi a diferença foi mesmo o conjunto.
Goleando de um a zero, ou jogando feio para assegurar o placar magro, Abel montou um time que jogava feio, enervava, mas era efetivo. Isso desde o primeiro turno. Afinal, por mais que o Galo tivesse brilhado, fazendo a campanha mais irrepreensível e espetacular na primeira parte do campeonato, o Flu, assim como o Grêmio nunca se afastaram do Galão da massa. Sempre estiveram ali, no máximo três pontos, quatro, atrás.
No turno final, ao contrário, o Flu colocou 9 pontos de frente, tornando-se campeão com folga suficiente para se dar ao luxo de terminar o campeonato com duas, três rodadas de antecedência. Como campeão.
***
Mas ninguém da crônica esportiva fez a análise que merecia ter sido feita. Aquela que mostrava que o time do Galo é um time que tem jogadores que podem ser considerados verdadeiros craques, como Ronaldinho Gaúcho, Bernard, assessorado por outros de excelente nível, como Marcos Rocha .... vá lá, Rever, mas não passa disso. Um time com estrelas que, no dia em que a marcação sobre eles é mais cerrada, ou até algo desleal, a ponto de anulá-los em campo, o time mostra ser bastante fraco, sem qualquer criatividade ou jogada combinada, preparada.
E com posições, importantes e estratégicas, onde está muito mal servido de jogadores. Alguns chegando mesmo ao nível de ser medíocre, como esse rapaz (não posso chamá-lo de jogador) que o Cuca tanto gosta, a ponto de considerá-lo o primeiro reserva. Refiro-me a esse despautério chamado Serginho.
A propósito, enquanto toda a imprensa destacava o fato de o Cruzeiro estar jogando com 10 jogadores, grande parte do segundo tempo, após a expulsão justa de Guerreiro, ninguém mencionou que o Atlético jogou com um a menos todo o segundo tempo. Afinal, desde a volta para a etapa final, essa estrovenga estava presente no gramado, mesmo que ninguém o tivesse visto.
***
E, para aproveitar o embalo, já que substituiu mal, como é comum e foi comum em todo o campeonato passado, não poderia deixar de mencionar a entrada de Gilberto Silva, por razões de contusão ou não, no meio campo. Para correr e disputar jogadas com atletas bem mais jovens, inclusive que os jogadores de nossa defesa.
Em síntese: Cuca mexe mal. Não vê o jogo. Não estuda o adversário e não sabe fazer a leitura do jogo, capaz de mudar o desenho tático do time. Como Marcelo mostrou ontem que sabe fazer, com sobras.
Afinal, Marcelo deu um show à beira do gramado, para nossa infelicidade (e suponho, para o coração dele, embora não para o bolso, profissional que ele provou que sabe ser. Porque coitado, ter que vestir aquela camiseta com que estava no túnel é dose...).
Desde o primeiro minuto do jogo, o que se viu foi um Cruzeiro aguerrido, batalhador, correndo e disputando todas as bolas como se fosse um prato de comida, e um time do Atlético entrando na onda, dando botinada, socos desnecessários e apelativos (Leonardo Silva), fazendo faltas no meio do campo sem qualquer necessidade, algumas tão violentas que mereciam mais que o amarelo (Donizete). E nesse meio tempo, o nervosismo.
Parece que o Galo se surpreendeu com a gana do Cruzeiro, como se esperasse que fosse um jogo de compadres, de jogadas cadenciadas.
Bem, enquanto o Cruzeiro fazia uma pré-temporada com uma série de exames físicos e, parece-me, grande preocupação com a parte física da equipe, o Galo fazia apenas treinos táticos, nada muito vinculado a treinos físicos puxados, já que  o time jogava junto há muito, a base já estava montada, não precisava mais que ... treinos leves, apenas com bola. Quase um rachão entre amigos procurando se divertir.
***
Enquanto o time deles entrava a 140 km, o nosso estava engatando a primeira e alcançando os 40 km, sem conseguir tocar a bola, trocar passes... Alíás, justiça seja feita, voltou a tática de Cuca a prevalecer: chutão e mais chutão para Jô, completamente apagado.
E, como falei aqui tantas vezes, o chutão vai, Jô faz o pivô, se Ronaldinho está bem marcado ou Bernard, ninguém chega, e a bola volta, na mesma velocidade e com muito mais perigo que nossa jogadinha bisonha.
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Perdemos por 2 a 1 ontem, mas o placar podia ser 4, 5. E, mesmo com o Leandro Guerreiro expulso, a partir de um dado momento, vendo o jogo pela TV, confesso que tinha muito mais medo que confiança no desenrolar do jogo.
Para compensar que tinha posto aquele cara em campo, Cuca fez mais uma mexida: tirou o único que estava jogando alguma coisa: Araújo. Alias, jogador que eu critiquei de ter sido contratado, em função da idade, já bastante avançada.
Ou seja, enquanto o Cruzeiro se reforçava e se armava, nós nos envelhecíamos e dispensávamos por empréstimo um jogador da qualidade de Fillipe Soutto. Parece que Cuca gosta de velharia sem categoria. De jogador tipo tanque. Daqueles que só dão chutão e não jogam bola.
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A partir de um momento, o locutor do canal pay-per-view, canal 124 (muito ruim, diga-se de passagem!) comentou que o Atlético parecia estar cansado. Na verdade não estava interessado no jogo. Culpa da excelente pré-temporada? Ou apenas culpa de os jogadores estarem se guardando para quando o carnaval chegar????
***
Algumas considerações óbvias: Victor é excelente goleiro, mas continua não sabendo sair do gol em bola aérea, defeito aliás comum em todos os goleiros que chegam ao Galo. Parece que falta treino nesse fundamento.
Marcos Rocha estava fazendo o que, no meio da área, pulando com Anselmo Ramon e marcando contra o primeiro gol do novo Mineirão? Aliás, estava fazendo o que, na lateral, no meio campo, na ponta?
Ora, que ele tenha folego suficiente tudo bem. Mas ele está se prejudicando e atrapalhando seu excelente futebol, ao ter que cobrir todos os buracos do campo, e da incompetência do esquema tático de Cuca.
Por onde estavam as torres da defesa do Galo, mal colocados sempre, durante todo o jogo,  que deixaram que Marcos Rocha fosse o jogador para disputar a bola no alto com o atacante do adversário?
Réver, estava atrás de Leonardo Silva, lá onde deveria estar fechando a entrada da área o Marcos Rocha.
Depois no gol de Dagoberto, mais uma vez, onde estavam os dois grandalhões?
Donizete é aquilo mesmo e é a opção de Cuca. Ele, com toda a sua técnica. Mas, antes Donizete que a lacuna que costuma agradar tanto ao técnico do Galo: aquela lacuna que atende pelo nome de Serginho.
Jô continuou perdendo os mesmos e muitos gols que já o consagraram no final do ano. E sejamos justos, ele até marca. De cada 10 ele faz meio ou 1. Mas é tão pouco que a torcida insiste em gritar o nome de Tardelli. Jogador que eu acho que é muito bom e com faro de artilheiro, mas que é bom ninguém se esquecer que, em várias ocasiões nos fez passar raiva, vindo buscar a bola cá no meio de campo e deixando o espaço dele, na área, completamento vazio.
Ronaldinho muito marcado e se poupando e Bernard também muito marcado foram apenas figurantes.
E foi só. Salvou Araújo.
E a sorte de termos perdido de pouco. Pelo menos a gozação que estamos enfrentando é menor que aquela que poderia ser.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Sons da noite


Eu canto
Tu cantas
E encanta
Impossível acompanhar
A sua voz
Que vaga pela escuridão da noite
Até o apartamento vizinho
No prédio em frente
Onde alguém reclama do barulho
Fecha vidraças
Eleva o som da televisão
Prefere a gritaria da novela
Eu canto
Dores de amores
De versos descalços
Que se elevam no ar
E partem ao encalço
Da doce melodia
Desse seu cantar.