segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Elucubrações sobre a independência e sua recente comemoração

Consulto o google para entender melhor o significado de independência.

Uma das mais de 170 milhões de referências indica tratar-se de uma desassociação de um ser em relação a outro. Uma separação, à moda de um parto, quando o bebê deixa o ventre materno: um nascimento.

Para mim, o centro da questão está em haver uma ruptura de uma relação de dependência anteriormente existente.

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Permito-me uma reflexão: se o parto explicita o término de relação de dependência entre o filho e a mãe, como entender a continuidade da relação de dependência que persiste existindo, principalmente em relação à mãe, desde em razão de cuidados, especialmente em relação à alimentação?

Dependência que torna-se até maior, já que sem a proteção do útero, passa a depender além dos alimentos, das roupas e agasalhos, e dos cuidados de higiene, ampliando-se até para outras pessoas, como os pais e avós?

Acredito que apenas dialeticamente podemos compreender a essência dessa autonomia do filho parido, em relação à sua mãe, para se ver às voltas com novas e mais complexas dependências.

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Nesse mês de setembro não é fora de propósito, muito pelo contrário, aplicar o termo ao nascimento de um tipo diferente de ser: um país. O que explica o destaque e as comemorações relativas à independência de um Estado em relação a outro(s).

Nesta acepção, outra referência do Google (cuja fonte indica o senado.leg.br) vincula a ideia de independência a vários conceitos citando com exemplos, em primeiro lugar, liberdade, autonomia, autodeterminação; seguido de isenção, imparcialidade, neutralidade.

Em terceiro lugar, aparecem os conceitos de soberania, insubmissão, ausência de subordinação.

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Dessa forma, se já era difícil captar o significado real de autonomia e autodeterminação em relação ao recém-nascido, fica ainda mais difícil entender o conceito de ausência de subordinação de um país ou um Estado em relação a outros.

Por exemplo, a 7 de setembro de 1822 o Brasil tornou-se um país independente de Portugal. Sem querer aprofundar a discussão quanto à forma, se um ato isolado e inesperado de revolta ou o coroamento de um movimento de forças sociais que já vinham se acumulando; se através de um grito heróico e retumbante ou de acertos frutos de uma negociação diplomática, o certo é que o Brasil tornou-se um país liberto e autonômo em relação a Portugal.

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A conquista de tal status em relação a Portugal, assegurando-lhe o fim da subordinação à Metrópole como nos ensina a História, não foi alcançada sem o apoio e o financiamento da Inglaterra.

Ao apoio da Coroa inglesa ao novo Estado que surgia, somou-se a concordância de Portugal em abrir mão, sem uma confrontação militar, da terra onde ‘em se plantando tudo dá’.

E de onde as minas de ouro e diamantes sustentaram, por séculos, a opulência de uma realeza e um classe de negociantes improdutiva e sanguinária.

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Açúcar, mais tarde café, diamantes e o ouro em seguida, foram algumas das mercadorias  que permitiram que as riquezas brasileiras servissem de mecanismo de sustento de um reino caracterizado por seu caráter parasitário.

Mas nem de longe essas foram as mercadorias principais do fluxo de comércio entre as duas nações, e todas as outras que aproveitavam-se da inoperância e improdutividade portuguesa.

Improdutividade reconhecida pela opção por entregar a produção de nossas mercadorias a outros povos, de maior engenho e perícia, consolando-se em obter rendimentos da concessão da produção de tais riquezas.

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Mas, dentre todas, a mercadoria que consistia o verdadeiro tesouro não era senão o SER HUMANO, o negro escravizado capturado na África, cujo tráfico enchia os cofres de Portugal e das nações amigas, de ouro, riquezas e sangue.

O que abre espaço para que se dê uma combinação perversa, de caráter externo: nosso país se torna subordinado a uma nação já por si dependente do trabalho, engenho, arte e conhecimento de outras nações.

Internamente, nossos latifundiários, os senhores de terras e da produção de nossas riquezas eram dependentes da exploração do trabalho de mão de obra escravizada, a que submetiam pela força das armas, da tortura e de castigos desumanos.

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Assim, apesar de o país tornar-se autônomo em relação a Portugal, não apenas não pode ser caracterizado como um Estado capaz de alcançar sua autodeterminação Ou seja, se passa a ser um país em SI, não é capaz de adotar diretrizes e políticas capazes de transformá-lo em um m Estado PARA SI.

Torna-se um país para atender aos interesses da Inglaterra, nação hegemônica naquele período. O que ganha imediato apoio das classes empresariais, dos produtores dos bens primários tornados insumos que sustentavam a oficina do mundo.

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Império ou  república, anos depois, a classe de senhores da terra e aristocratas, muitos atrelados ao comércio, só conseguiu se manter às custas de uma produção cujo custo principal não se contabilizava em recursos financeiros.

Dando sequência à exploração selvagem e sanguinária oriunda desde a época colonial.

Mudaram as formas de dependência, mas essas se agravaram a cada nova etapa de nossa história, do que dá testemunho a decisão de libertar, desassociar o trabalhador escravizado do senhor que o explorava.

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Deixado à sua própria sorte na luta por sua sobrevivência, nunca é demais esquecer a decisão de se pagar indenizações aos senhores escravocratas, pela ‘propriedade’ que lhes foi desapropriada.

Quanto ao cenário de autodeterminação em relação a outras nações,  estando as classes produtivas, as mais favorecidas economicamente, dependentes das relações comerciais estabelecidas e cristalizadas desde a época de colônia, e que tiveram sequência tanto no período do império quanto na república, o que se constata é que a independência nada mais é que uma quimera.

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Apenas a queda da hegemonia britânica, por ocasião do período de guerras, conseguiu nos tornar independentes da Inglaterra, nos tornando, como à própria nação em decadência, subalternos, agora, dos Estados Unidos.

Mais uma vez, altera-se e torna-se cada vez mais sofisticada nossa forma de dependência. Cada vez mais, aparentemente nos transmitindo uma imagem de um país mais livre, embora cada vez mais subordinado.

E, mais uma vez, contando com a colaboração de nossa elite financeira e econômica, cada vez mais associada em seu enriquecimento aos interesses estrangeiros.

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Capital nacional cuja associação com o capital internacional, acaba arrastando para a defesa de seus interesses antipatrióticos, as elites políticas.

Fenômeno que se mantém e até se fortalece, mesmo quando de propostas internas de desenvolvimento de um programa nacional de desenvolvimento industrial, capaz de por fim a nossa situação de subdesenvolvimento e exploração.

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Um modelo baseado na atração de empresas de capital externo, que no limite, transforma nossa submissão de importadores de bens de consumo, ou mais tarde de bens de capital, para importadores de tecnologia.  

Lembrando mestre Celso Furtado, uma proposta que nos transforma em país de subdesenvolvimento industrializado.

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De tudo já dito, que independência há que se comemorar? E para quem?

Para os pobres? Para os pretos? Para os famintos e miseráveis? Para os abandonados sem escolarização, ou invisíveis que lotam as ruas das cidades?

Para as mulheres? Para os trabalhadores cada vez mais precarizados, sem direitos, talvez nem mais o de sonhar, em meio ao turbilhão que os envolve e que a propanda dissemina, de se transformar em empreendedores?

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Nesse instante, apesar de mostrar todo seu nível intelectual rasteiro e sua completa incapacidade de entender e discutir a data; apesar de não ter o que falar ou comemorar por total incapacidade de compreensão de outra coisa que não seja seu próprio ego; o que esperar de um político inepto e inapto, incapaz de trabalhar e de governar, de tomar decisões minimamente reveladoras de empatia com a população que desgraçadamente o elegeu?

O que destacar em campanha fora de hora e despropositada, em data idealizada e retratada em quadro de Pedro Américo como a de um grito, onde Pedro ergue valentemente a sua espada?

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O que esperar de alguém que teria dificuldade até para ser classificado como escória da raça humana?

Senão a imagem da vara que deve acalentar a seus eleitores e apoiadores, e o grito que os conduz ao gozo freudiano: imbrochável!

Apenas mais uma fake-news para incendiar seus seguidores. 

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Que venha o 7 de Setembro da parada, não o da desunião

Já houve época em que ir à parada militar era uma diversão imperdível para as crianças.

Em minha visão infantil, uma época em que os militares mereciam respeito da população, e vê-los marchando em uniformes de gala, alguns; em total sincronismo de gestos e movimentos; ou desfilando, outros, em cavalos que chamavam a atenção, era algo que nos enchia de orgulho.

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Só mais tarde, essa visão infantil foi se perdendo, à medida que ia conhecendo mais de nossa história e entendendo de forma mais detalhada e mais aprofundada, o papel real dos militares em nossa sociedade, como um dos principais grupos responsáveis por grande parte de nossas mazelas.

Foi quando percebi que os militares, em especial desde o golpe da República se arvovaram, como categoria, em serem os “pais protetores da pátria”. Posando como os responsáveis por assegurar mais que a estabilidade política, da democracia e das instituições, como os defensores dos valores maiores do povo brasileiro; os guardiões dos limites do pensamento, da ação e até dos sonhos e desejos da sociedade civil.

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Quanto à sociedade civil, era encarada como composta por uma massa ignorante e incapaz de definir e procurar construir seu próprio futuro, seguir seus próprios caminhos, apesar de e mesmo que com derrotas em sua marcha para libertação.

Por outro lado, restava uma minoria de pessoas que compunham a elite econômica e política do país. A elite política, enquanto no poder, sempre considerada corrupta e mais preocupada com seus interesses pessoais. Merecedora, pois, de se tornar alvo de ações voltadas para sua destituição do poder e sua queda.

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Ações sempre baseadas em concepções e movimentos golpistas  insufladas e incentivados, curiosamente, por parcela da mesma elite política, aquela afastada do poder, na oportunidade.

Mais que ser oposição e deixar momentaneamente de se aproveitar das benesses de estar no comando do país, essa parcela da elite tornava-se presa fácil das análises e das soluções recomendadas pelos interesses de grupos militares, sempre prontos a promoverem as intrigas e fomentar a insatisfação. No intuito de assumirem sempre, e em toda a circunstância, a condução dos desígnios do país.

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Afinal, todo o século XX de nossa história republicana não foi mais que uma sucessão de tentativas de golpes e movimentos militares, e alguns golpes exitosos, de que o movimento tenentista que agora completa cem anos, é apenas um exemplo.

Outros movimentos, como a Coluna Prestes, a Intentona, a Revolução de 30, a deposição de Getúlio, Jacareacanga e Aragarças, até chegarmos ao golpe de implantação da ditadura militar de 1964, são exemplos da interferência indevida de quem está sempre, por suas ações, negando a própria razão de ser da instituição que integram.

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O que explica que os movimentos golpistas,  gestados na caserna, ganham vida própria se espalhando para o ambiente civil, onde vão semear e fomentar a discórdia.

Ocorre que, por questões estratégicas, tais movimentos são apresentados como dotados de um sentido inverso, como expresso no alerta de Castelo Branco, por ocasião do período que antecedeu o golpe contra João Goulart:

“Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar.”

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Interessante é que a deposição de Goulart teve, em todo o seu desenrolar a presença de questões militares e dos valores que lhe são caros, de disciplina e autoridade. E foi não apenas um movimento de que os militares se aproveitaram, como o iniciaram e, como não podia deixar de ser, foram os beneficiários, por longos e tenebrosos 21 anos.

Quanto à outra parte da elite, a econômica, sempre foi pródiga em financiar os interesses militares, apenas que sob a forma de institutos de estudos, como o IPES, de que não por acaso, o general Golbery do Couto e Silva, foi das principais lideranças.

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O que comprova que, desde cedo, os militares souberam estabelecer laços com a classe dos grandes empresários e financistas, sabendo sempre se aproveitar e se locupletar dos resultados da atividade econômica fundada “sob a inspiração das regras do  mercado.”

Mercado sempre amigo, e incentivado.

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Que a parada de 7 de setembro, quando se completam 200 anos de comemoração de uma das maiores farsas de nossa história, tenha sido apropriada para a comemoração e o comício de um mau ex-militar, e um tipo ainda pior de político, infelizmente conduzido ao poder democraticamente, que tenta sua reeleição a ferro e fogo, não é fora do ‘script , portanto.

E, antes de me tornar alvo de críticas esclareço que não é por falta de respeito a todos os dignos brasileiros, de diversas origens, que lutaram e sacrificaram com a própria vida para a independência do país que refiro-me ao episódio como uma farsa.

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Aqui, o que tenho em mente é destacar que encaro a Independência como uma conquista que nos foi concedida, fruto de uma batalha que ainda não era capaz de se tornar a conquista de um povo e uma sociedade madura, justa e livre.

O que explica que os ideiais de seus líderes políticos e situados no governo não tenham vingado, como a proposta de libertação dos escravizados. Da mesma forma, a luta do povo não pode ser transformadora, lembrando-me a mensagem da fábula da lagarta que tentava se libertar do casulo.

Ao ver a luta e o esforço da lagarta para romper o casulo e sair voando transformada em borboleta, o bom homem resolveu utilizar-se da tesoura, libertando aquele pequeno ser, nem mais lagarta, nem ainda borboleta.

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Abreviada nossa Independência, ela não foi capaz de forjar as bases para a formação de uma nação cuja população estivesse apta a travar as lutas que conduziriam a sua emancipação.

Nossa independência, concedida em troca de indenizações pagas à antiga metrópole ou em troca da transferência das dívidas portuguesas assumidas junto à Inglaterra, acabou por nos levar a reproduzir, do lado de cá do Atlântico, as mesmas relações desiguais e injustas, de exploração da época de colônia.

O histórico de formação de nossa dívida externa, ou nossa formação cultural e econômica de subserviência os padrões europeus, capazes de configurarem um Brasil dual, nos moldes de Caio Prado Jr. em História Econômica do Brasil,  são comprovações de nossa inserção de colonização de exploração, que nos persegue ainda nos dias de hoje (liberal para tratar com os europeus, e de caráter escravagista voltada para seu interior).

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Infelizmente esse 7 de setembro ganha coloração mais acinzentada, sob as nuvens escuras que surgem no horizonte, tentando ofuscar e apagando o raiar do sol da verdadeira liberdade.

Trazendo a ameaça das trevas para somar-se à representação da insensatez, e à figura trágica e patética de quem apenas simboliza a morte e a destruição.

Razão porquê o temor de que amanhã, sob os auspícios de parcela da sociedade civil podre, carcomida, incompetente e ressentida, por todos os predicados que ostenta, possamos assistir a uma tentativa real de golpe.

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Golpe tentado com a PEC da universalização da corrupção e da compra de votos e apoio, até aqui incapaz de levar o mau militar e deputado, e péssimo presidente, a ultrapassar seu adversário nas pesquisas da corrida eleitoral.

Golpe tentado e fracassado no 7 de setembro do ano passado.

Golpe que pode ter seu estopim na convocação feita pela excrescência do filho deputado, para que todos os adeptos e partidários do pai, legalmente armados, saiam para manifestar seu apoio e seu poder para impor sua vontade.

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Golpe que tenta impor a vontade de uma parcela da sociedade que só é capaz de viver sob a disciplina e as ordens vindas de uma autoridade superior. Incompetente para decidir e trilhar seus próprios caminhos. Um conjunto de pessoas incapaz de assumir suas responsabilidades e as falhas de suas opções. Pessoas que só conseguem viver tuteladas. Adeptas da pior forma de pensamento político, de cunho fascista e antiliberal.

Que esse 7 de setembro, que tenta se impor como uma data de dominância do verde e amarelo, não se transforme em data do vermelho escuro do sangue, de uma guerra civil, aliás, reivindicada certa feita pelo deputado representante da destruição.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Frases a serem melhor debatidas; o gesso que não permite qualquer debate; e a liberdade de expressão dos empresários do zap

A sociedade civil tutelada, considerada incapaz de decidir seus objetivos e seus rumos:

"Quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam. No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor desses homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar".

Declaração feita a apoiadores no cercadinho em frente ao Palácio do Alvorada.,  em  18 de janeiro de 2021.

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A destacar que o autor da frase foi excluído do Exército acusado pela prática de atos terroristas.

Naquela ocasião, ainda jovem, planejou colocar e explodir bombas em instalações militares,  atentando contra  a vida dos soldados, talvez como forma de reconhecimento desse valor de seus colegas.

Expressando a covardia que é sua marca, a frase é construída de forma a comportar uma ameaça e, ao mesmo tempo, deixar aberto o caminho para um recuo.

Afinal, se os grupos armados não apoiam e se omitem sem tomar partido, dificilmente qualquer movimento contra o regime democrático terá êxito, por mais cindida que esteja a sociedade civil.

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Logo é uma obviedade dizer que não tem ditadura onde Forças Armadas não apóiam, embora as forças armadas podem não ser, exatamente, as institucionais.

O que nos permite entender a preocupação em armar a população, e as diversas vezes em que se manifestou a favor de atuação de grupos milicianos, em defesa de uma pretensa liberdade.

O que me dá a chance de filosofar: nada como o autoengano.

Afinal, nunca foi a questão de defesa da segurança pessoal.

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Em discurso proferido em São Paulo, em comemoração ao 7 de setembro de 2021, novamente a frase de caráter dúbio, covarde:

“Dizer mais a vocês, nós acreditamos e queremos a democracia, a alma da democracia é o voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições. Dizer também que não é uma pessoa do Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável porque não é....

Desejar a democracia, discursar favorável ao voto é louvável. Embora a mesma declaração permita trazer a ameaça de atentado à  democracia e ao voto, se este as condições do sistema eleitoral, e até se o voto não for aquele por ele determinado.

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Sem a apresentação de qualquer prova, mínima que seja, em descrédito do sistema de urnas eletrônicas e no voto digital, Tchutchuca não deseja alterar o sistema de votação, consagrado e justo.

Seu desejo não é o de implantar voto em papel, urnas manuais, sujeitas a todo o tipo de manipulação, por todos aqueles participantes do processo eleitoral e de escrutínio. (A tal respeito, tendo sido escrutinador em 3 ou 4 eleições, até o ano de 1985, posso afirmar que, mesmo sem qualquer intenção desonesta, em várias oportunidades, fui testemunha da existência de condições para a prática de fraudes).

Seu único e evidente desejo é claro: tumultuar. Fomentar a desconfiança para, caso derrotado, poder atiçar seus milicianos contra o resultado desfavorável.

 E daí, incentivar o golpe.

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Em 22 de agosto passado, em entrevista concedida ao Jornal Nacional, questionado se respeitaria o resultado das urnas, o tchutchuca do Centrão, respondeu:

 "Seja qual for [o resultado das urnas], eleições limpas devem e têm que ser respeitadas. Limpas e transparentes tem que ser respeitadas".

Muitos comemoraram a fala, atribuída à intenção de tranquilizar o país. Fala, mais uma vez, de caráter dúbio.

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 E, embora respeitados âncoras de jornal televisivo, nenhum dos entrevistadores fez a pergunta básica: o que o candidato entende por eleições limpas? Como definir e controlar o conceito de limpas e sua aplicabilidade?

 Admito que uma coisa é ser jornalista e querer extrair os fatos e opiniões. Outra muito diferente é ser mero leitor de teleprompter. Notícias que já chegam prontas para apresentação.

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E reconheço que não gosto de Bonner, desde que em reunião de equipe de editoria selecionava as matérias a serem apresentadas ao Hommer Simpson, que considerava que todos nós fôssemos.

Mas, a lista de frases golpistas que apresentei serve apenas para tentar reforçar o ponto: qualquer Simpson da vida real iria questionar o que se entende por eleições limpas.

Os apresentadores do Jornal Nacional, não!

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Aceitaram a frase e mudaram de assunto, da mesma forma que se comportaram quando Renata perdeu a fala, não por falta de ar como o “tigrão das jornalistas” ironizando a Covid, mas pega no contrapé por uma desculpa obtusa de figura de linguagem.

Figura de linguagem, de retórica ou tropo de palavras são estratégias usadas pelo orador, para provocar determinado efeito na interpretação do ouvinte.

Imitar pacientes com falta de ar, atende apenas à má estratégia de tentar ser grosseiramente e grotescamente jocoso.

O representante da morte se divertindo com o sofrimento e a morte por asfixia, de centenas de milhares de brasileiros.

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Debate da Band

Tive ciência, hoje, de que no debate da Band, o tigrão das jornalistas teria afirmado que não iria cumprimentar a mão de presidiário.

Em minha opinião, Lula é que não deveria, em nenhuma hipótese, apertar a mão de um genocida, dono de fortuna em imóveis adquiridos com pagamentos feitos com dinheiro em espécie, não contabilizados.

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Ainda em relação ao debate, concordo com a excelente análise de Luiz Eduardo Soares, para quem o Debate da Band foi apenas um show midiático, ou reality, sem alcançar seu objetivo: de expor ideias e propostas e aprofundar em sua discussão.

Eu mesmo fui de opinião que Lula estava muito apático. Todos queriam ver, no centro da arena, a luta sangrenta entre Lula x Tchutchuca.

Mas o formato do debate, totalmente engessado, impede tal confronto ou a oportunidade de comparação.

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Por sorteio, o candidato a dar continuidade à desconstrução do país foi o primeiro a fazer perguntas aos demais. Escolheu e bateu pesado em Lula.

Como um boxeador, Lula acusou o golpe, ficou tonto, mas não beijou a lona. Preferiu ficar nas cordas, puxando ar.

A partir daí, a pergunta deveria ser feita, pelo mesmo critério de sorteio, por outro candidato.

Por óbvio, estando em segundo lugar nas pesquisas, a segunda pergunta seria dirigida a ao despresidente.

O que impedia Lula de levantar qualquer questão ao atual mandatário.

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Até em certo momento, Lula pediu licença para fazer um comentário sobre outro assunto, distinto do que a pergunta que lhe foi endereçada.

Mas, seria uma deselegância, uma descortesia, fugir do tema, ao qual ele acabou voltando.

Debates assim, com tantas amarras, servem apenas para aquilo que Luiz Eduardo Soares nos apresenta: mostrar quem está do lado do fascismo e aqueles que têm muitas convergências com o fascista.

Não é debate. E todos os candidatos se situam contra o que não pode ser deseducado, até para firmar posição em prol da pacificação.

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Grupo de whatsapp de empresários

Tem causado muita crítica o “desrespeito à liberdade de expressão” protagonizada por medida adotada por Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal, para dar continuidade às investigações contra empresários, ricos e poderosos, que faziam, abertamente, apologia à um atentado à democracia.

Editoriais, como o do Jornal da Band, ou opiniões como a de seu âncora, Oinegue, são críticas pesadas à decisão, chegando a dar a entender que, com tal comportamento, Moraes está jogando seu currículo no lixo.

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Claro, os empresários, homens, brancos, ricos, anunciantes importantes para qualquer meio de comunicação, merecem ser tratados como o que são: patrões da mídia.

E, forçoso reconhecer: aparentemente não foram além de manifestar seu caráter e sua opinião desprezível. Gananciosa e ególatra.

Eles apenas trocavam ideia. Em prol do cometimento de um crime.

Imagino apenas se o grupo de whatsapp denunciado fosse composto por gente ligada ao comando do tráfico, cada um deles postando elogios à qualidade das drogas, ao melhor formato de distribuição, aos preços ou até à logística de distribuição de armas, de forma a prestar segurança ou, depois, cobrar dívidas contraídas por usuários.

A liberdade de expressão seria defendida tão enfaticamente?

 

 

 

 


segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Observações do debate e avaliação dos candidatos e suas mensagens

Tenho plena convicção de que vou falar o óbvio mas, às vezes, o inesperado que a vida nos apresenta acaba impactando e alterando nosso comportamento e nossos planos.

Essa a explicação para a ausência de pitacos praticamente em todo esse mês de agosto, justo no momento em que tem início a campanha eleitoral que, por si só, é um instante raro e repleto de assuntos e temas para comentários.

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Mas, uma batida de automóvel, ainda no primeiro sábado do mês, e a obrigação de a estabelecer contatos com a seguradora, providenciar documentos, desde a comunicação do sinistro, até a busca por imagens de câmaras que permitissem entender a dinâmica do acidente e eventuais responsabilidades, acabaram por ocupar muito mais de meu tempo, de minha atenção e até de minha energia.

Felizmente, nenhum de nós condutores, tivemos problemas além do susto. E fora o orgulho ferido, sempre doloroso, as perdas foram apenas materiais. Menos mal.

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E, embora tivesse o desejo de fazer observações a respeito das entrevistas dos principais candidatos concedidas na semana passada ao Jornal Nacional, a própria evolução dos fatos já nos apresenta novos e mais importantes aspectos a serem objeto de comentários.

Refiro-me especialmente ao debate entre os presidenciáveis ocorrido na noite de ontem, sob patrocínio da Rede Bandeirantes e um pool formado por Folha, Uol, TV Cultura.

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Debate que acabou se tornando um duelo desigual, entre 3 candidatos representantes da direita civilizada,  somados a um ultra-radical fascista e a Ciro Gomes, sempre centrado em sua própria pessoa, contra um candidato de ... esquerda?

Afinal, enredado em meio ao arco de alianças que permitiu a Lula formar uma coalização com 10 partidos de distintas ideologias e concepções, como analisar a posição e postura de Lula?

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Está bem, Lula ganhou tempo de propaganda eleitoral, cuja importância todos reconhecem. Mas, a que tipo de promessas e ofertas foi agregando partidos e apoios tão contraditórios como do PSOL e do PSD; PSB e Avante; Pcdo B, PV, Solidariedade e Rede?

Tamanha diversidade, como o candidato faz sempre questão de marcar, desde a sua excelente entrevista dada a Bonner e Renata ( a melhor de todoas, em minha opinião!) assinala sua capacidade de composição, sua disposição ao diálogo e à pacificação, etc.

Mas, da mesma forma que o auxilia, pode também trazer prejuízos, como me pareceu ter acontecido no debate, ontem.

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Explico: o temor de perder apoios impede que o candidato aborde uma série de temas, que podem ferir sensibilidades e interesses dos seus apoiadores, enquanto o obriga a tratar de outros, caros aos aliados, e para os quais ele pode não estar tão bem preparado.

O que ajuda a explicar o que muitas pessoas sentiram e já comentaram, a respeito de sua participação ontem: Lula pareceu cansado. Muito preso ao passado, a realizações de seu governo.

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Em sã consciência, não há como negar que seu governo teve muitos pontos positivos, como ele faz questão de assinalar, em todas as oportunidades.

Mas tratar o passado com os olhos de hoje, tiram de perspectiva e foco o momento e as limitações que cercaram seus mandatos. Em especial o primeiro, onde assumiu o governo de um país, muito próximo a uma terra arrasada.

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Sim, teve o plano real e a inflação não fugiu ao controle, embora tivesse superado os dois dígitos ao final do governo FHC.

Adicionalmente, a economia do país havia quebrado, a segunda vez, por questões da gestão cambial que quase nos impôs a necessidade de decretação de uma moratória.

Medida evitada em razão de vultoso empréstimo feito pelo FMI, o que nos colocou e obrigou a todos os candidatos daquele período, a assumirem o compromisso de cumprir as determinações do Fundo (como sempre!).

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Lula, é bom lembrar, teve que assinar uma carta, ao lado dos demais candidatos, se comprometendo a cumprir os acordos com o Fundo. Origem do que depois veio a ser a Carta aos Brasileiros, por ele anunciada e difundida.

É importante ainda lembrar que o primeiro ministro da Fazenda de seu governo não conseguiu escapar da adoção de uma política aos moldes do fundo, de cunho essencialmente liberal. Neoliberal, para recordar um termo então muito usado.

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Sua primeira indicação para presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (embora não fosse sua primeira opção) era um banqueiro, cuja missão era cooptar o apoio de seus colegas banqueiros.

Lula teve êxitos, inclusive apoiando a Campanha contra a Fome e depois fazendo políticas sociais, de inclusão, ninguém nega.

Mas, os donos do grande capital, principalmente financeiro, mas também dos grandes empresários lucraram como ‘nunca antes na história desse país’.

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A incorporação de perto de 46 milhões de brasileiros no mercado de consumo, foi um tremendo êxito, gerador até de situação econômica de pleno emprego e crescimento.

Mas, os ricos foram muito mais beneficiados, o que significa que a conta foi paga pelos setores da chamada classe média. Razão para que até hoje Lula tenha dificuldades para obter apoio junto a esses segmentos.

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Então, recordar do ambiente daquele período é importante para ajudar, objetivamente, a ver as dificuldades que Lula enfrentou, e que impossibilitaram que ele pudesse fazer mais ou diferente.

O problema é que se esse passado, visto hoje, permite análises que mostrem que outras decisões e alternativas, talvez tivessem apresentado resultados mais eficientes, a verdade é que esse passado abre também a caixa de Pandora da corrupção e compra de apoios.

O que traz para 2022, o tema já tão surrado e gasto, dominante em 2018.

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E aqui Lula fica emparedado, e se comporta de forma a não apresentar sugestões.

O que permite que, no debate, o candidato do Novo (partido que de novo só tem o nome!), Luiz Felipe venha fazer discurso de radicalismo neoliberal, desejando privatizar a tudo e a todos.

E, ao contrário do que muitos analistas indicam, a falta de Estado com atuação forte e necessária entre os mais desfavorecidos, o candidato do passado elitista, venha pregar a redução do Estado a um mínimo. Agravando mais o problema que já foi chamado de “ausência do pobre no Orçamento”.

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A candidata do União Brasil, com raízes nos segmentos mais elititstas, em especial no agronegócio, também se vê às voltas com o discurso único, e equivocado, da criação do Imposto Único, de Marcos Cintra Cavalcanti Albuquerque, seu vice.

Esse mesmo Marcos Cintra favorável à volta da CPMF, no início do governo do tchutchuca do Centrão, tigrão apenas com mulheres a Vera.

A ideia de imposto único, suficiente debatida, no fundo é a ideia de um imposto regressivo ao limite. Com a finalidade de impedir o uso de instrumentos de política fiscal para uma economia voltada ao povo brasileiro (não apenas aos ricos!).

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Ciro, embora tenha boas ideias, e um bom projeto, não convence com discurso de paz e amor, ele que sempre foi truculento e com uma propensão de uso de práticas típicas de um coronel tirano.

Tebet foi quem mais aproveitou a oportunidade de se mostrar e fazer um discurso coerente com sua posição. Ela, de direita, que se notabilizou com uma participação irrepreensível, na CPI da Covid.

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Já quanto ao tchutchuca, mostrou apenas mais do mesmo: grosseria, mentiras e ‘fakes news’, a postura arrogante e autoritária, de caráter tipicamente golpista. Além de misoginia, falta de traquejo e postura, e até mesmo falta de cultura e dicção.

Mostrou números de um País das Maravilhas, onde posa de Chapeleiro Louco. Um mundo paralelo de fantasias e de desconstrução do país.

Típico de quem, arbitrariamente, utiliza do momento eleitoral para adota políticas demagógicas e populistas, ao menos enquanto durarem as eleições.

Passadas as eleições, se vitorioso, voltará a decretar sigilos de 100 anos para toda sua campanha, e suas motociatas excludentes, tudo sob o poder das forças milicianas armadas por sua gestão irresponsável.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Pitacos sortidos, a respeito de uma sociedade que se perdeu nela mesma

O primeiro pitaco é a título de homenagem a Bárbara Vitória, a menina de 10 anos de idade e todo um futuro pela frente, interrompido brutal e estupidamente no último domingo.

Crime cometido com conotação sexual, o que levou a sua morte, tendo em vista a menina conhecer, o principal suspeito pelo crime hediondo.

Nessa hora de tristeza, em que a família da menina merece solidariedade irrestrita, apenas uma observação sobre o suspeito e seu suposto suicídio: não há pena maior e condenação pior para um criminoso torpe que o remorso.

Punição que vai além da justiça dos homens e de qualquer desejo de vingança, como Raskolnikov já comprovava em Crime e Castigo do genial Dostoiévski.

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A propósito de crimes e castigos, lembro-me que era ainda menino quando soube da morte de meu bisavô, assassinado.

Pelulante, metido a valentão como as crianças que estão acordando para o mundo, cobrei meu avô em relação à atitude que ele teria tomado. Para mim, era imperativo que ele tivesse lavado a honra da família conforme a tradição de Talião.

Foi quando ouvi pela primeira e única vez a história pela boca de meu avô: o assassino era um compadrer que devia ao meu bisavô. Ao saber do ato tresloucado do pai, sua filha, abandonou-o, em reação à morte do padrinho.

O pobre coitado acabou louco, internado.

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Castigo divino

 

Pelo que conheço de leituras esparsas da Bíblia, os livros que a compõem referem-se a dois momentos no tempo e a dois Testamentos. O primeiro momento, que relata o Gêneses e o Êxodo, entre outros episódios, corresponde ao Antigo Testamento.

Nele, a figura de Deus que nos é transmitida é a de um Deus rancoroso, vingativo, que poderia ser classificado como autoritário e cujos castigos em grande medida consistiam em punições violentas, muitas vezes nos moldes da Lei de Talião.

Para ser mais preciso, da lei cuja origem é o Código de Hamurabi da Babilônia, datado de 1770 antes de Cristo e anterior aos livros judeus em centenas de anos, conforme me ensina o Google.

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Parece-me que alguns cristãos, desses que em testemunho de sua fé passeiam com as Escrituras debaixo do braço em qualquer lugar onde vão, têm pouco tempo para leitura ou pouco fôlego, focando sua leitura apenas nesse primeiro Testamento.

Mas, o que gostaria de assinalar é que não há como negar que todos os livros evidenciam que seus autores estavam narrando uma História cujo objetivo era, sem dúvida, apacentar a população, como às ovelhas.

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Nesse sentido, agiam como os pastores no pastoreio, protegendo, cuidando, alimentando, e impondo suas leis, seu estilo de comportamento e suas crenças aos demais cidadãos.

Nunca é demais concluir, mesmo aceitando-se a fé individual e sua capacidade de produzir milagres e remover montanhas, que nesse sentido a Religião e sua expressão eram um mecanismo de manipulação do povo, e seu ópio.

 

Amor divino

O segundo Testamento contido na Bíblia é composto pelos Evangelhos, e corresponde às narrativas consideradas pelo Igreja e a Santa Sé, como as mais adequadas, dentre todos os evangelhos escritos, para manter o povo cordato e obediente.

Afinal, os Evangelhos que chegaram até os nossos dias e se tornaram os mais conhecidos foram 4 em meio a um número bem maior de evangelhos, a partir dessa seleção considerados apócrifos.

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No entanto, esse Novo Testamento apresenta não apenas a figura do Deus tornado Homem, como Jesus, o Nazareno.

Ele tenta ainda difundir uma mensagem que vai na direção contrária à figura do Pai autoritário e punitivo da primeira parte da Bíblia.

Agora o Deus é um ser sensível, capaz de entregar o próprio Filho, que é ele mesmo, em sacrifíco para a redenção de todos os homens. Todos pecadores.

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A mensagem agora transmitida coloca o Amor como o valor maior e a lei máxima a ser seguida.

Ao contrário da teoria do estabelecimento do Contrato Social para a criação do Estado, cuja base é negociação de uma solução de compromisso, a proposta dos Evangelhos para a boa convivência social é a de uma sociedade onde todos deveriam evitar a adoção de atitudes egocêntricas.

O amor ao próximo é a única forma que poderia, em tese, criar uma sociedade fraterna: Ama ao próximo como amas a ti mesmo.

Pelo visto, ou o  sacrifício da morte de Jesus deu errado ou foi a humanidade que falhou. O que levou Hobbes à conclusão inexorável de o homem ser o lobo do homem.

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A mensagem de Cristo, ele próprio interpretado como personificação do Amor, parece não ser aquela usada como guia para uma série de cristãos de carteirinha, responsáveis pela doação de dízimos vultosos e que pregam a vingança e não a justa punição como a que o próprio Jesus admitia ao tentar organizar a lista dos apedrejadores da mulher infiel.

Cristãos que cobram nas redes sociais a pena de morte para o criminoso de Bárbara Vitória. Destinatários da mensagem do Papa Francisco, que questiona os valores cristãos daqueles que pregam a aplicação dessa sentença.

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Projetos de Lei de penas perpétuas

Enquanto isso, para dar sequência ao festival de bestialidades que vem assolando o país desde a chegada da besta fera ao poder em 2019, pregando o ódio, estimulando a divisão na sociedade e exercendo o papel de motorista da morte, na Câmara Federal aprova-se um projeto de Lei que nitidamente visa retirar do criminoso qualquer possibilidade de recuperação e reintegração social, condenando-o a ficar o maior tempo possível segregado do convívio social, no limite, até o final de sua vida.

(Não o FEBEAPÁ, Festival de Besteiras, do ponto de vista cultural de modos e costumes sociais de Stanislaw Ponte Preta!)

Este projeto, proposta de um capitão das forças militares auxiliares do genocida do Planalto, teve trâmite em regime de urgência, anexado por Lira, o presidente da Casa, a outro projeto anterior, mais uma vez atropelando os regulamentos internos.

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Lira, discípulo de Eduardo Cunha e agora, o anjo protetor do 01 Neurônio, proteção vendida a peso de orçamentos de ouro, embora secretos, não escapará, assim como seu beneficiário do braço longo da justiça: sem nenhum revanchismo, apenas nos limites da lei, no papel que se regojiza desempenhar de cúmplice.

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A eterna luta do Bem contra o mal (oficial)

Enquanto isso, em culto na Câmara, o ex-terrorista continua sua pregação da luta que se avizinha, do mal contra o Bem. Profético, poderia até aprofundar a descrição do mal, da morte, do genocídio, do golpe, da ditadura contra o Bem, representado pelos defensores dos valores da democracia, da justiça social, do respeito à diversidade.

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Em se tratando de golpe, a questão é que o miliciano no poder não engana ninguém. Como seu ídolo Trump, é covarde. Prefere ficar assistindo desatinos de seus seguidores pela tevê que ir à luta.

Covarde típico, o que torna mais assustador o momento atual é sua capacidade de destilar nos fascistas que o seguem partirem para o tudo ou nada.

Como disse bem Ruy Castro em sua coluna ontem, esse estrupício miliciano não deseja um golpe.

Encarnação da morte, o que ele parece incentivar, cada vez mais é o início de uma guerra civil, cruenta e fratricida.

quinta-feira, 28 de julho de 2022

Pitacos sobre orçamentos e os segredos dos interesses pessoais. Quando a desfaçatez e o ressentimento ganham espaços

Dizer do acumpliciamento de Aras e de Arthur Lira com a lista de crimes continuados e progressivos praticados pelo 1-Neurônio, que ocupa o governo visando destruir o Estado nacional, é prática tão repetitiva e inútil, quanto tentar ouvir um disco de vinil arranhado.

No caso de Lira, o comportamento indecoroso tem bem mais que elementos apenas de peleguismo ou bajulação explícita, que também estão presentes. A razão de fundo é a posição privilegiada do nefasto deputado, como operador do maior esquema de compra de votos já operado no Legislativo do país.

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Como disse um analista outro dia, o esquema de corrupção que Lira comanda, face à fraqueza e inépcia do ex-terrorista, serve para não deixar dúvidas de como eram Anões os deputados  apanhados fraudando os recursos do Orçamento, tais como João Alves.

Não por acaso, João Alves, o felizardo ganhador de mais de 200 prêmios de loteria e líder da operação de desvio de verbas públicas na Comissão de Orçamento, era também representante das Alagoas.

Como Lira, como Renan, como Collor de Mello, como PC Farias que, mais que uma coincidência, é um traço revelador da percepção e da inteligência do nobre povo das Alagoas. Afinal, basta o conterrâneo revelar potencial para a prática de alguns malfeitos, até de alguns delitos, a população alagoana decide fazer uma faxina, mandando-os para fora do Estado de forma a irem se instalar em Brasília.

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Desnecessário observar que a conclusão acima contém dose explícita de cinismo, embora seja trágico que a terra que nos propiciou um Teotônio Vilela, escolha como seu representante, hoje, gente de calibre tão minúsculo.

Na mesma linha de raciocínio, como acusar Fernando Henrique da compra de voto do acreano Ronivon Santiago quando de seu interesse na aprovação do projeto de reeleição, pelos  módicos 200 mil reais denunciados pela imprensa?

E o que dizer do criminoso esquema de compra de votos engendrado por Zé Dirceu e Lula?

Antes de mais nada: foram todos esquemas criminosos de desvios ou mau uso de verbas públicas.

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Esquemas semelhantes aos desvios de dinheiro público de menor alcance, como as “rachadinhas”, a contratação de funcionários fantasmas nos gabinetes das casas do povo, as Wal do Açai ou da vida boa, o uso de verba de moradia para ‘comer mulher’, a compra de 30 mil notebooks para distribuição aos 255 alunos de uma escola.

A lista é longa e inclui tratores, o gasto de 26 milhões de reais na aquisição de   kits de robótica com preços superfaturados para escolas sem água encanada - por acaso das Alagoas! Vergonhosamente incluí também vacinas e até bíblias e ‘santinhos’ de ministros.

Se a lista dos crimes é extensa, o gênio do mal não poderia ter sossego até que fosse desenvolvido um novo modus operandi. Um novo esquema LEGALIZADO de chegar ao mesmo resultado IMORAL, sempre perseguido.

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A nata da bandidagem do país, bem longe do PCC, do CV e das penitenciárias de segurança máxima que abrigam os líderes dessas facções, optou por desenvolver o Secretão: o Orçamento Paralelo que possibilitou a aplicação, nos últimos anos, de mais de 45 bilhões de reais, 16 deles apenas nesse ano de 2022, em.... obras municipais sem destinação específica, ou obras vinculadas à Codevasf.

Aquelas obras que o terrorista alega que pode até haver algum tipo de desvio, já que são muitos contratos...

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Com o que o fato de ser uma pequena quantidade de obras e um valor insignificante quando comparado ao gigantesco volume de contratações, obras e recursos, servisse para normalizar o que antes era merecedor de veemente condenação.

Portanto, Lira seria o equivalente, em termos metafóricos, à personagem de Ali Babá e os ‘300 picaretas’ de Brasília, identificados por Lula.

Fosse outra persona, honesta, o poder de Lira não serviria de base para o apoio venal que presta, nem à vassalagem a que se entrega levemente constrangido.

De forma inocente e idealista, talvez até poderia levá-lo a dar um basta e por um fim à sangria, à hemorragia invisível de recursos que poderiam ser utilizados para finalidades mais modestas, como reduzir a fome do povo.

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Quanto à sabujice de Aras, é decorrente apenas do chamado vício dos vícios: a vaidade.

Sem o mérito necessário e sem preencher as condições indispensáveis para realizar o sonho de ter assento na Corte maior do país, que o seu protegido não desiste de apequenar, vale-se da única arma de que dispõe: a omissão, a prevaricação, sua transmutação pública em mero fantoche.

Ao contrário de Lira, o que o move não assume o caráter financeiro, embora há de se considerar todas as vantagens que o cargo de ministro do Supremo lhe renderá até o fim de seus dias.

Isso, sem contar o prestígio que o cargo pode lhe proporcionar e o benefício que, em algumas ocasiões e para certas personalidades, vale muito mais que a simples pecúnia: o poder. A ciência de ter poder para ... acumular cada vez mais poder...

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Inegável, Aras é um caso clássico daqueles a que se encaixa bem a descrição ‘quem espera.... será que alcança?’

Há que convir que sua aposta é arriscada, já que o candidato a que está umbilicalmente vinculado pode não ser o vitorioso. E, ainda que fosse eleito, demonstra ser portador de um raciocínio tosco que, aliado à empatia de uma ameba, poderia levá-lo a não indicar o esperançoso Aras.

Aqui faço apenas uma observação trivial: se Aras está onde se encontra, causando males à sociedade brasileira, muito disso se deve ao Centrão.

O Centrão de Lira, do orçamento Secretão, de Rodrigo Pacheco e seus 3 bilhões de gastos para se tornar presidente do Senado, e dos espertos senadores que, sob a desculpa de que Aras não iria criminalizar a política, o aprovaram na Sabatina para recondução ao cargo.

A culpa de Lira e sua dívida vai muito além de acompanhar o chefe da milícia.

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Mas a desfaçatez maior a que desejo me referir hoje é a de Lindôra, a procuradora para quem as denúncias vazias contra o presidente deveriam ser todas arquivadas.

Enfim, se eu ou  qualquer curandeiro, acreditássemos que as ervas e os chás curam, e tratassemos àqueles de boa fé e desesperados que nos procuram com tais remédios, não estaríamos sendo charlatões. Basta para isso que manifestássemos a convicção plena de que de nossa pajelança viria a cura da enfermidade. E que não cobrássemos pela consulta ou tratamento, embora não estaria infringindo nenhuma norma se aceitássemos as oferendas que nos trouxessem.

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O gênio inovador de Lindôra Araújo, não se revela apenas na agenda de encontros secretos que mantém com o presidente.

Revela-se sobretudo na nova tese que traz para o estudo da área penal: se qualquer pessoa que sonhava em fazer a medicina se frustra e não cumpre os requisitos para exercer tal função, basta que tenha a firme convicção de que pode tentar algo para dar alívio ao paciente enfermo, que estará justificado seu tresloucado comportamento.

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De mais a mais, mesmo não sendo médica, acredita que o uso de máscaras não deve ser algo impositivo, nem condena o estímulo ou a prática à desobediência ao uso do equipamento de proteção,  desde que a pessoa, em distintas ocasiões e circunstâncias, seja e aja como um fiel defensor de suas ideias negacionistas.

Pela subprocuradora, acabamos com o crime. Ele deixa de ser tipificado, desde que o criminoso tenha por costume agir de acordo com o comportamento moralmente passível de apenação.

Esta é a mulher que, no meio do mundo de funções masculinas, age como qualquer outro homem canalha, certamente enfraquecendo a luta das milhares de mulheres de valor do país. O pior que deseja e acredita em ser a próxima PGR, caso o 1-Neurônio seja eleito.

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Até iria comentar declarações de Ciro, negando apoio a Lula, em eventual segundo turno.

Prefiro não fazê-lo. Acho que não vale a pena. Não se chuta cachorro morto, nem se foi morto por seu próprio veneno.

Ciro mostra cada vez mais, o acerto de quem nunca teve confiança em elegê-lo. De quebra, assim como Pétain, dependendo do resultado das eleições, se apocalíptico, poderá ser alçado à nossa História.

Às páginas ou o mais provável, à lata de lixo.  

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Pitacos sobre a corrida eleitoral, seus perigos e as manifestações de condolências prestadas à vítima do clima de ódio

Cada vez mais chego à conclusão que nessas eleições teremos, de um lado, um candidato democrata, vítima de ‘uma guerra suja’ posta em marcha através da utilização do Direito como arma para perseguir, atacar e destruir a vida e a reputação de uma pessoa.

Este candidato, a que seus opositores se referem como 9-dedos, em mais um exemplo de quão vil e grosseiro o ser humando pode chegar a ser, foi presidente por dois mandatos. Saiu com aprovação recorde; suspeitas de obtenção de vantagens pessoais, não apuradas de acordo com aquilo que recomenda qualquer manual básico de investigações; e condenado por um ex-juiz, ele sim, representante do banditismo a que a elite, a imprensa e o Tio Sam dão apoio.

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Sinceramente, não posso afirmar se as suspeitas tinham ou não algum fundo de verdade. Sei que tinha um power point como prova formal e uma série de indícios. Além claro de delações PREMIADAS.

Há que se destacar bem o termo premiadas.

Afinal, se não todos, parte dos comparsas da República de Curitiba bem poderia, afastados do Poder Judiciário se dedicar ao teatro, quem sabe no papel de Salomés.

Imagino as negociações de delação: ‘entregue-me a bandeja com a cabeça de meu adversário e te damos em troca a liberdade. Além de nosso reconhecimento eterno.’

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Àqueles que ainda questionam a ação do juiz suspeito em todo o processo, treinado por muito tempo nos Estados Unidos, recomendo ouvirem um trecho breve, em inglês e com legendas, de entrevista de John Bolton, ex- consultor de Segurança de Trump, no link abaixo:

https://www.instagram.com/reel/Cf80rhoLcJf/?igshid=MDJmNzVkMjY=

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A respeito da alcunha de 9-dedos e das ‘investigações(?)’ da República de Curitiba, recebi de um colega, professor em São João Del Rey, uma pérola que vale mencionar: um aluno disse outro dia: "vasculharam tanto a vida do Lula atrás de falcatruas que até o dedo mindinho dele acharam. Achei muito boa!”.

Achamos ótima!!

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Em minha opinião, e nunca escondi de ninguém o fato de apenas ter votado em Lula no 2º turno de 1989, se Lula cometeu algum crime foi contra o Código de Defesa do Consumidor: propaganda enganosa.

SE ELE PERMITIU A MAIS DE 47 MILHÕES DE BRASILEIROS SEREM INCLUÍDOS NO MERCADO DO PAÍS, COMO CONSUMIDORES, está longe de a universalização do Bolsa Família, do Fiés, do aumento real de salário além da inflação (em minha opinião o fato mais notável), terem promovido uma distribuição de renda. 

Os banqueiros e os grandes financistas nunca antes, na história desse país, ganharam tanto dinheiro.

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Está bem: admito que Lula nos deixou com reservas de 370 bilhões de dólares, finanças públicas sob controle, economia crescendo a 7%.

Mas, isso foi resultado das políticas neoliberais adotadas por seu governo e do boom das “coomodities”, sem qualquer interferência dele!?!?!?

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Contra esse candidato, responsabilizado por estar omisso frente à polarização inédita e selvagem que o país vem assistindo, como se o período de paz experimentado em seus anos de mandato fosse insuficiente para se antepor aos tempos atuais, temos um candidato a que vamos nos referir, de forma jocosa, apenas para equilibrar o jogo, como 1-Neurônio.

De um lado, 9-Dedos. De outro lado, 1-Neurônio.

No meio, o baita ressentimento de Ciro, o garoto mimado que traz na fala uma metralhadora giratória de que não escapa nenhum governo e equipe de governo a quem serviu!!!

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O 1-Neurônio, cristão, bom pai e chefe de família (afinal, um bom chefe de família não vai esperar f* sua família!!! – ouvido na reunião de 22 de abril de 2020); responsável pelo crescimento recorde do número de incêndios e queimadas na Amazônia; pelo crescimento recorde de desmatamento, com aplausos de seu sinistro do Meio Ambiente; responsável por armar a população até os dentes, para que todos possam servir de fornecedores, ainda que involuntários de armas e munições às milícias (assim como ele mesmo serviu quando, apesar de militar, foi surpreendido e teve sua arma roubada!!!)

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O 1-Neurônio, incapaz de qualquer capacidade de raciocínio lógico, ou sentimento de empatia e solidariedade, em 3 anos de governo apenas ratificou sua incapacidade como integrante do Exército, de onde foi convidado a sair por ato de terrorismo.  

Deixa como legado, a morte de mais de 680 mil brasileiros vitimados pela Covid, a gripezinha que, como ‘castigo dos céus’ veio para desestabilizar seu des-governo.

Outra herança sua é o retorno de 33 milhões de brasileiros à situação de fome e miséria, a inflação, o retorno às políticas de compra de votos mais desavergonhadas de toda a República.

De fato, o 1-Neurônio inova: ao invés de um pé de sapato antes, e outro depois, promete o auxílio brasil, até o término das eleições.

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Não adianta informar a toda a população que vai sair muito caro, para todos nós, esse pacote de bondades, que vem com atraso de mais de um ano, em meio a um regime de alegada emergência, quando o único caos de fato instalado no país, vem de janeiro de 2019, e tem um motoqueiro pouco dado a trabalho, e mais às fanfarronices.

Este ‘homem da arminha’, que estimula a morte, a ação truculenta de policiais e forças de segurança (especialmente contra negros, pobres, jovens, indígenas, mulheres, jornalistas), deseja se reeleger não para resolver a crise que criou para a população e a economia do país.

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A ele, pouco importa a situação miserável ou não da vasta maioria dos brasileiros. Visa apenas manter o foro privilegiado seu e de sua família, enquanto mantém a proteção e permite o progresso das atividades criminosas a que sempre privilegiou, sejam milicianos, ou os criminosos que infestam a Amazônia.

Defensor da violência, da tortura, do tratamento aos adversários como inimigos, em uma guerra que alimenta apenas para dar vazão a seus instintos da mais pura barbárie, à la ‘homem lobo do homem’ de Hobbes.

O 1-Neurônio se destaca por negar todo e qualquer resquício de humanidade do ponto de vista pessoal, ou pela adoção de uma estratégica política de manutenção constante de um estado de “guerra de todos contra todos”.

Situação bem descrita por Vladimir Safatle, como a manutenção de uma situação onde, como guerra, todos se transformam em inimigos, o que permite que sua aniquilação seja justificada e sustentada.

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Pois bem, este 1-Neurônio, que não se manifestou em relação às acusações de assédio sexual e moral cometidos por seu ‘amigo do peito’ Pedro Guimarães; no caso das mortes de tantos artistas e gênios da raça como Aldir Blanc, Paulo Gustavo, D. Cláudio Hummes, etc.; nos casos de carnificina praticados nos morros do Rio (salvo para elogiar os militares), no caso dos assassinatos do congolês Moise Kabagambe, do jornalista britânico Dom e do indigenista Bruno, nem na morte ou desaparecimento de tantos brasileiros preocupados em salvaguardar nosso meio ambiente, esse instilador do ódio agora vem se manifestar em relação à morte do petista Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu.

Mas, apenas se manifestou por meio de chamada de vídeo feita para alguns irmãos da vítima, depois de ter conhecimento de que eles eram uma ‘família plural’. Ou seja, como explicou o deputado Otoni de Paula que se prestou a tão vexatório papel de intermediação da chamada: ele descobriu que o petista assassinado tinha irmãos admiradores do 01 Neurônio.

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Como está estampado em toda a mídia, o energúmeno não se deu ao trabalho de prestar solidariedade ou condolências.

Tampouco fez um discurso necessário, veemente condenando a  violência e a ação extremista adotada por vários de seus apoiadores.

Apenas, e mais uma vez, se valeu da facada. Aquela que mais pareceu armação, em Juiz de Fora. Apenas se referiu a Adélio, seu suposto agressor, companheiro de clube de tiro de seus filhos.

Apenas ligou para convidar os irmãos enlutados (?) para irem a Brasília, participarem de uma coletiva de imprensa, para que a imprensa lixo não coloque no colo dele a morte de Arruda.

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Nisso acho que ele está certo. Não há razão alguma, nem mesmo suas insinuações ou declarações violentas, golpistas, sempre desferidas de forma não explícita,  nas entrelinhas, para a mídia, as tevês e jornais, nacionais ou internacionais, colocarem no colo dele a morte e a situação perigosa de escalada de violência que temos visto acontecer no país.

Tais crimes já estão no lugar certo e de onde não deverão sair: na sua consciência, se algum restolho de consciência ainda houver onde não há nem mesmo sentimentos ou neurônios.

Expostos a toda a população de bem deste país, eleitores ou não.  

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Termino com mais um poema de como encaro a situação atual:

O que meu olhar foto /grava

é grafia pura

sem mistura

olhar enviesado, minha obsessão

sem foco, só frustração.

O que meu olhar captura é beleza suja

pintura de aquarela,

sem galeria de arte

sem inspiração.

O que meu olhar me informa

de forma alguma é a vida

mas deforma minha visão