sexta-feira, 10 de junho de 2011

Esperando chegar

                                               Um dia ele virá 
varrendo então essas dores
trazendo consigo as flores
as cores
amores e não canhões
                                               Um dia ele virá 
                                               desvencilhando-se dos desejos
                                               dos afagos, dos abraços
                                               dos braços de ferro
                                               pairando sobre os fracassos
                                               dos passos que tendem ao inferno
Um dia ele virá 
e dançaremos nas ruas
lavadas de toda a lama
molhada pelo suor
e dançaremos em glória
e cantaremos vitória
construindo nossa história
                                               Um dia ele virá 
                                               e o dia não vai tardar.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Aprendendo a lidar com as perdas

                                               Foi-se um dente
siso?
dente do juízo
e eu inchado
computando
mentiras de sobrevivência.
A dor que sinto
faz tranqüila a consciência
e elaboro planos
subsisto desta forma.
Foi-se meu juízo
minha consciência
programada para faturar
automática

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Cai Palocci. Que estrela brilha nessa hora?

Se fosse criado um projeto do tipo ficha limpa para as indicações a cargos de primeiro, segundo e até terceiro escalões do Executivo do Governo Federal, e se esse projeto fosse capaz de evitar que fosse indicado para qualquer um desses cargos não precisasse de ter condenação por órgão colegiado, bastando pesar sobre seu comportamento alguma pecha de postura aética ou amoral, mesmo que legal, provavelmente não sobraria nenhum nome, dos conhecidos para ocupar qualquer cargo.
O mesmo, claro, se aplicaria à indicação para as polpudas  diretorias de estatais, ou para tomar assento nos Conselhos de Administração dessas empresas.
Admito que esse tipo de projeto seria de difícil aplicabilidade, um devaneio meu. E que contra ele levantar-se-ia imediatamente uma infinidade de vozes alegando da ilegalidade nele contida, capaz de ferir a própria Lei Maior de nosso país que corretamente assevera a presunção de inocência a qualquer indivíduo.
A favor de minha proposta utópica, apenas argumentaria que não se trata de condenação, nem de desconsideração e desrespeito a qualquer pessoa e a seus direitos fundamentais, mas tão somente a aplicação de uma medida de caráter político, para uma indicação que é apenas e tão somente de cunho político.
***
Sei que minha última afirmação faria qualquer cientista político ficar de cabelos arrepiados, em especial, àqueles carecas. Afinal, dar a impressão de que uma indicação para um cargo político é, digamos pouco importante é, no mínimo, passar um atestado de burrice, tendo em vista que o cargo público, o exercício do interesse público é, por excelência, das funções mais nobres e mais fundamentais para o funcionamento de qualquer sociedade humana.
***
Bem, toda essa divagação para afirmar que, em minha opinião, desde o caso da República de Ribeirão Preto, ou da quebra do sigilo do caseiro Francenildo, Palocci não poderia ser indicado para mais qualquer cargo público, nem o de síndico de prédio. Quanto mais o de Ministro da Casa Civil.
Mas, parafraseando o que disse certa feita o escritor e político Rui Barbosa, de tanto ver triunfarem as nulidades, a gente acaba acostumando-se e deixando de reagir à uma série de fatos e situações, como a das indicações para a formação do ministério de um governo. Qualquer governo, diga-se de passagem.
Se acho que Palocci não deveria ser indicado -  não diria em um país ou governo sério porque seria muita ingenuidade de minha parte acreditar que em algum outro lugar a situação seria diferente mesmo e os interesses não prevaleceriam sobre aquilo que é justo ou moral - não há razão então para comentar agora sua queda, na esteira de mais um comportamento questionável. Comportamento, se não ilegal, volto a repetir, ao menos pouco ético ou moral.
E, para evitar mal-entendidos, em minha maneira de ver e entender as coisas.
***
Enriquecer prestando um serviço que que o presta é incapaz de fornecer, por formação ou experiência, é no mínimo inusitado, para não dizer nada mais ofensivo. Afinal, embora seja meu o blog, não posso agir, tão ofensivamente, quanto o agora ex-ministro, ao não respeitar nossa inteligência.
Pode até ser que Palocci tenha recebido os valores que recebeu, como forma de agradecimento dos bancos e dos intermediários financeiros, em retribuição e gratidão pela quantidade de oportunidades de lucros que ele lhes permitiu auferir, praticando a política econômica que praticou, de juros elevados e benefícios enquanto era ministro da Fazenda. Ou que tenha esse recurso sido recebido como compensação por continuar defendendo a manutenção de uma política de juros altos que apenas privilegia a esse setor da economia, em detrimento daqueles que realmente geram a produção e riqueza.
Afinal, como médico, é justo que Palocci defendesse essa política que empobrece nossa nação, até por ingenuidade ou falta de domínio do corpo de conhecimentos econômicos.
E é por isso que acreditar que ele estivesse dando consultoria em área que nada entende e apenas serve de ventríloquo para os bancos, já é suficiente motivo de suspeição.
Ou inveja. E motivo mais que suficiente para que ele fosse defenestrado, senão da vida pública, que considero ideal, embora de mim não dependa, ao menos do governo.
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Vai Palocci, fazer mais fortuna em sua vida profissional de agora em diante. E que Eike Batista, que deseja se tornar o homem de maior fortuna do mundo, se contente em alcançar o honroso posto de vice, seguindo seu rastro de sucesso.
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Para mim, a estrela que brilha nessa hora, não é o da nova ministra, a simpática e afável senador Gleisi. Nem a de qualquer nome da oposição que, como sempre, mostrou tanto quanto o governo uma tremenda incapacidade para agir no episódio, embora tente agora capitalizar o desenlace, para o qual não contribuiu em nada.
O nome que brilha tampouco é o de Lula ou de Dilma. Nem o primeiro manda tanto quanto acreditam os críticos, nem a segunda passou a mandar sem sombras. (Abro um parentesis para comentar como é engraçada nossa midia. Elogia a democracia americana onde constantemente um presidente eleito democraticamente toma opiniões e realiza consultas junto ao Conselho composto por ex-presidentes do país. Elogia tal postura, que indica, para além de maturidade, a importância da troca de experiências entre quem já enfrentou situações graves, em momentos de crise, mas critica a consulta que a presidenta Dilma faz a seu antecessor, como se fosse sinal de subordinação).
O exercício do mandato continua sendo, afinal de contas, objeto de um jogo de interesses, concessões, acordos e circunstâncias e oportunidades, onde vários agentes têm peso e interferem.
Para mim, sai fortalecido o ministro Paulo Bernardo. Esse sim, além de experiência, com influência agora manifesta em duas pastas de peso: a da Casa Civil, onde foi instalada sua esposa, e a poderosíssima pasta das Comunicações.

Razões para o lirismo

                                               Maduro
forjado à força no tempo
pela vontade contida
a solidão na cidade grande
Cultuando a liberdade
estátua símbolo
egoísta.
Só resta escrever em poema
os temas não vividos
em prosa lírica.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Cidade maltratada

                                                            Passeio pela cidade
iluminada por um luar envergonhado
que se esconde
atrás do concreto armado
e não percebo o asfalto quebrado
tomado de assalto pela primeira chuva
a primeira poça
a promessa sem providência.
Passeio pela cidade
e busco insistentemente
algum jardim, ou uma flor
qualquer verde
de esperança, enfim
alguma resposta à questão
o porquê da cidade-jardim.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Fim de semana sem expectativas, só certezas

Começando na sexta feira à noite, na entrevista do ministro que tinha tudo a dizer e nada disse. Inteiramente dentro do script, a saber, frustrando qualquer possibilidade de que, finalmente, o Jornal Nacional, da Globo pudesse fazer alguma pergunta mais provocativa; ou que, ao constatar que o ministro tergiversava, tentar encostá-lo na parede, ou sequer tentar fazer da entrevista a possibilidade de dar vazão a um jornalismo mais investigativo.
Do ministro e suas evasivas, também, nada surpreendente.Disse que nada tinha a dizer, como já anteriormente, no caso da República de Ribeirão Preto, também nada tinha a declarar. Como também nada sabia do caso da quebra do sigilo de Francenildo.
O que falou, de confidencialidade de dados e informações de seus clientes, nada de novo. Apenas, acacianamente, sofismou, afirmando que a coisa mais difícil é se tentar provar que o fato não acontecido.
Por falta de materialidade e provas.
O que faz com que a discussão se transforme em um amontoado de desmentidos que nada desmentem e afirmações sem significado.
Palocci mente? Não mente? Fez tráfico de influência? Não fez?
Mas, à mulher de César o que importava era ser ou não honesta ou parecer?
E qual a aparência do ministro agora, especialmente depois que a Revista Veja divulga que o apartamento milionário que ocupa tem como proprietários pessoas que não tinham renda para tamanho patrimônio? Ora, o ministro dá o golpe do inocente. Alega negociar com a imobiliária e que nada sabia da situação dos proprietários do imóvel.
Fingindo que nós os ignorantes telespectadores da Globo acreditemos, ainda assim não fica no ar apenas a certeza de que, como todos já esperávamos o ministro nada diria para se defender, por não ter mesmo qualquer defesa?
***
No domingo, Nadal venceu, pela sexta vez o mais importante torneio de tênis do saibro, o de Rolland Garros.
Nós os mineiros fomos obrigados, mais uma vez a engolir uma transmissão de futebol em que o Flamengo era parte. Porque quando não é Flamengo é Corínthians e nesse domingo, jogavam um contra o outro.
Havia alguma possibilidade razoável de dúvida de que seria essa a transmissão programada pela Globo?
***
Também não foi surpresa o resultado do América Mineiro, especialmente depois de ouvirmos uma entrevista de seu artilheiro, Fábio Júnior, afirmando a importância da presença da torcida, pequena mas sempre inflamada, do América.
Torcida inflamada e capaz de dar incentivo a ponto de, mesmo menor em quantidade, por várias vezes já ter rivalizado com as torcidas mais numerosas de seus adversários e até ter feito o prodígio de emudecê-los.
Pois bem, é nessa circunstância que o América resolve ir jogar longe de sua torcida, sem apoio e sem incentivo.
O placar favorável ao Internacional, portanto, não foi surpreendente.
***
Como, para encerrar, não houve surpresa no fato de a manhã de segunda feira ter chegado, trazendo em todos os rostos de estudantes e trabalhadores sinais de uma dúvida ou curiosidade: por que o fim de semana passa com tão maior velocidade do que o restante dos dias das semanas.

Bodas e bodes

                                                           Vai ter missa
recepção
vestido branco
mantendo a tradição
e flores pelo altar
e marcha nupcial.
                                               Vai ter retrato
                                               vai ter sorriso
                                               e choro de emoção
                                               vai ter
(Amigos erguerão brindes
e beberei
até cair nas ruas.)