quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Reivindicação

Eu... estou
Sem dinheiro
Sem dinheiro
Prá me divertir
Já esperei o mês inteiro
Meu pai não me deu dinheiro
Eu não posso nem sair

Diz meu pai
que é o seu patrão
que não lhe concede aumento
e que me ver só em casa
é prá ele um tormento
Eu entendo seu lamento
Mas não tenho opção
Até prá dar um rolé
Com minha mina
Preciso de grana na mão

Se meu pai está satisfeito
Explorado deste jeito
Ou está acomodado
Com o que ganha, o coitado
Eu não posso aceitar
Não posso ficar calado
Se o pai não protestar
Meu protesto eu não refreio
Vem janeiro vai janeiro
Só não vem o meu dinheiro.

O que preciso não é muito
Não gasto só por gastar
Eu não gasto com  boteco
Jantar então nem pensar
Mas se saio com a mina
Prá curtir nossa paixão
Eu preciso de dinheiro
Para não ficar na mão

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Crendices

Vinte e nove
ano bissexto
ano de azar
por que fui rir
da crendice popular?
     Arrependido
     hoje percebo
     a verdade do estigma
     me benzendo...
Aprendida a lição
me apego a uma tranca
inútil...
onde já deu ladrão.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Cansaço

Cansei de estar a seu lado
Cansei de ser seu namorado
Cansei de tentar te amar
Sabendo que não sou amado

Cansei de sempre procurar
Querer te dar o céu e o mar
Cansei de querer te agradar
Sabendo que tudo é em vão

Cansei de ser sempre acusado
De nunca estar com razão
Cansei de estar sempre errado
Sempre que dou uma opinião

Cansei de manter-me calado
Sem mostrar insatisfação
Cansei de ser contrariado
De não ter a sua atenção

Cansei de viver enganado
Enganando ao meu coração
Cansei de ser sempre o culpado
condenado a esta prisão

Cansei de esperar seu amor
Como quem está acomodado
Cansei de esperar do futuro
Mais sorte que no passado

Cansei de sofrer por amor
Vivendo os problemas teus
Acho que fiquei vacinado
Adeus

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Transações Correntes, endividamento, emprego e o presente de grego, aos gregos

Enquanto continuam ventando as cinzas do carnaval recém terminado, impedindo o retorno dos deputados à Câmara Federal para o batente, tal qual a fumaça do vulcão chileno dificultou pousos e decolagens dos aviões de carreira, o Banco Central divulgou o resultado externo obtido no mês de janeiro.
E, com o dólar em queda, e a invasão de recursos externos que alcançaram 5,433 bilhões de dólares apenas na forma de Investimentos Estrangeiros Diretos, os resultados mostram-se preocupantes.
Balança Comercial, com as importações superando as exportações em 1,292 bilhões. A Conta de Serviços, com déficit de 3,397 bilhões de dólares, com apenas o item viagens representando 1,335 bilhões. A Conta de Remessa de Rendas fechando com déficit de 2,575 bilhões, os juros alcançando 1,627 bilhões.
***
Embora na divulgação do BC, e comparando com dados de igual mês do ano anterior, o resultado da Conta de Transações Correntes de 7,086 bilhões de dólares não seja alarmante, o fato é que a Autoridade Monetária tratou de agir na tarde de ontem, anunciando e depois fazendo operações de swap reverso, no mercado futuro, tentando evitar que a moeda americana caisse abaixo do patamar ou "piso" de R$ 1,70.
Ou seja, o BC tem consciência do perigo que representa um real supervalorizado, e o estrago para nossa indústria e nossas competitividade internacional.
Sabe do estrago que o dólar em baixa representa para nossa geração de emprego e renda, razão para que adote todas as medidas possíveis destinadas a reduzir, por exemplo, a taxa básica de juros da economia, tornando-a menos atraente.
Especialmente quando em ano eleitoral, o presidente Obama, tentando a reeleição propõe medidas para desonerar a indústria americana, reduzindo os impostos a um máximo de 38%, conforme noticiado, e buscando incentivar a produção e a retomada da competitividade daquele país.
***
Em uma conta grosseira, projetado o valor de déficit de transações correntes para o ano, o déficit alcançará a casa de mais de 70 bilhões de dólares, uma verdadeira fábula.
Principalmente, quando se lembra que esse déficit deve ser financiado pela entrada de capitais externos, a chamada poupança externa, como o vem sendo, o que, na forma de Investimentos Externos, pode indicar a ocorrência de um processo de desnacionalização, e remessas de rendas mais elevadas em anos posteriores, resultado semelhante ao obtido na forma de aplicações financeiras, ou aplicações em carteira.
Ou seja: está em curso um processo circular vicioso, que urge ser interrompido já que, com as previsões para a economia da zona do euro indicando taxas negativas de crescimento da produção, ou seja, recessão; com o próprio FMI mostrando preocupação em relação à manutenção das taxas de crescimento da economia chinesa - também como reflexos da crise européia; e com os incentivos dados à economia americana, a capacidade de reversão dessa situação por uma elevação de nossas exportações não inspiram muita confiança, para dizer o mínimo.
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Cai a geração formal de novos empregos

Também ontem foi noticiada a redução da geração formal de novos empregos no país.
Embora a notícia tenha ganho destaque na midia, é bom lembrar que não houve queda no emprego formal. Não houve desemprego. Tão somente a taxa a que novos empregos vinham sendo criados sofreu uma redução.
Talvez seja importante deixar isso claro e os jornais televisivos deveriam ter dado mais destaque a esse ponto que, em minha opinião, é fundamental pois revela que a economia continua crescendo. Embora menos, o que não é de se estranhar quando a Europa prevê recessão e as taxas de crescimento em todo o mundo são revistas para menos.
Como noticiada a queda da taxa, lembrou-me quando levando nosso filho ainda de meses ao médico pediatra, preocupamo-nos com o fato de que ele, que vinha crescendo a mais de 1 cm por mês, apresentou um crescimento menor.
O que levou o médico a questionar: mas, quando ele tiver com mais idade e mais meses, com quantos metros ele deveria estar, caso mantivesse o crescimento anterior?

***

Presente de grego

Os recursos vultosos do fantástico e bilionário pacote de ajuda à Grécia lembram mais um presente de grego.
Primeiro porque não resolvem os problemas econômicos daquele país, embora o submetam vergonhosamente a uma humilhação, que passa inclusive por abrir mão de parte de sua soberania.
Como já foi noticiado, se não resolve o problema grego, o objetivo maior não é o de sanear a economia ou as finanças públicas.
E parece que nem é o de humilhar um povo que, ao que consta, tanto tempo viveu além de suas contas.
No fundo o problema é ganhar tempo, para que os bancos ganhem fôlego e juntem forças e recursos para reconhecerem as perdas incorridas no calote grego.
Ou seja: tudo em prol dos mercados e do capital financeiro. Este sim, o grande objeto de preocupação da ajuda à Grécia.
Enquanto isso, para o povo grego, corte de empregos, demissão e redução de salários, corte de direitos e quem sabe mais o que virá pela frente...

Reprisando Carnavais

No tempo do império
minha televisão
me dá a cor do status
mostra o samba negro
feito de miséria
amor bandido e...
suor escravo.

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Usurpação

Não há festa
nem fantasia
não é carnaval
nem tem balões
pelo céu.
                         Não há festa
                         nem batuque no morro
                         nem foguete, nem rojão
                         para explodir a alegria
                         e manter a tradição
Não há festa
na verdade
pois decreto não traz
a liberdade
não há festa popular
se havia o povo não soube
quem sabe outro alguém tomou seu lugar.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Corpo Geográfico

Sobre tuas cordilheiras
deito meu rio de lavas
e faço-me escorrer para o interior
de suas entranhas
cabo que se projeta no horizonte,
istmo que adentra e fere
por trás dos arrecifes de corais
o contorno suave de sua baía
porto seguro travestido em abrigo
em meio à tempestade,
onde lanço âncora
e cravo a estaca de minha  posse
em solo fértil, terra virgem
Pronta ao cultivo da semente
do fruto da insensatez
Trazida na esteira do vento

Ao sol do cair da tarde
Adormeço meu cansaço
Sobre a vegetação espessa
Que recobre os montes
E protege a boca escancarada
Pórtico misterioso
De onde se desvelam as maravilhas e segredos
Da gruta úmida, aquecida.

O anunciar da aurora
faz-me erguer na penumbra o mastro errante
e olhos postos no infinito
alcanço o vulto de dois grandes picos
que se salientam sobre terra firme
À distância de um olhar lascivo

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

A imprensa é que mata o Carnaval de BH?

É impressionante, para dizer o mínimo. Embora muitos foliões, entrevistados por alguns de nossos maiores jornais, insistam em apontar a melhora do carnaval de Belo Horizonte; embora aqueles que tivessem se deslocado até o Boulevard próximo do Conjunto Arquitetônico da Praça da Estação - e o foram aos milhares, elogiassem a qualidade de blocos caricatos (domingo) e de escolas de samba (segunda); embora mais de 8 mil pessoas tenham ido assistir no domingo ao desfile, e um número bem superios a esse tenha ido na segunda feira, qual foi mesmo o espaço dedicado ao carnaval apresentado pela grande imprensa?
Algumas linhas? Uma notinha no site, abordando os desfiles, e não todos, mas o desfile apresentado no máximo por dois ou três blocos? E, para concluir a notícia, a programação dos eventos ou desfiles do dia seguinte?
***
De todos os sites que procurei, incluindo O Tempo, O Super notícias, do mesmo grupo d'O Tempo, o Hoje em Dia, e o grande (?) jornal dos mineiros (???), o Estado de Minas,  o único que abordou o desfile dos blocos caricatos foi o Hoje em Dia. Ainda assim, para falar do desfile de garra do bloco de Vila Estrela, tentando credenciar-se para desfilar no grupo de blocos principais.
Diga-se de passagem, que o bloco de Vila Estrela brilhou, em meio à simplicidade e garra. E da maquete estilizada da paisagem da vila.
Pois se ao menos noticiou, o Hoje em Dia cometeu o equívoco de localizar o bloco de Vila Estrela na Serra....
Depois o Hoje falou do bloco da Concórdia, também em avaliação, se não me engano e falou, ligeiramente, dos blocos seguintes, Por Acaso, e Aflitos do Anchieta, se não me falha a memória.
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O Tempo, nada. Exceto uma nota sobre os desfiles das escolas de samba na segunda. Idem, o Super.
O Estado de Minas, estava mais preocupado em falar de Teló em Abaeté, ou de Nova Lima; ou do carnaval de Ouro Preto, de Diamantina.
E, curioso: o desfile dos blocos caricatos teve mais uns quatro blocos, e só terminou depois de 2 e meia da manhã, quando desfilaram os Infiltrados.
Mas, seja porque precisam fechar a edição do dia seguinte, seja pior ainda por puro desinteresse, os jornais consultados noticiaram apenas os 2 ou 3 primeiros blocos, e nada mais disseram dos outros. Nem naquela edição, nem na do dia seguinte, como presume-se deveria ser transmitida uma informação.
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Saindo dos jornais, na televisão, o tratamento não foi diferente. Na Globo, o MG TV mostrou os preparativos para o início dos desfiles, transmitindo imagens ainda da montagem final dos caminhões. Além disso, apenas o desfile de um bloco, o de Vila Estrela. E só.
Mais imagens tratavam do carnaval de Nova Lima, de Ouro Preto (para onde parece ter até deslocado uma equipe de reportagem) e de Macacos, onde nem carnaval havia.
A Band optou por mostrar o carnaval de cavalhada, e a disputa entre mouros e cristãos, tradicional na cidade de Bonfim.
Outros, nada. Nem mesmo a TV Minas.
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As rádios, confesso não ter ouvido. As notícias e o barulho das transmissões do Rio e São Paulo nas grandes redes se superpunham e abafavam as vozes dos comentaristas e carnavalescos de nossa capital.
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Como todo ano, também hoje, dia da apuração dos desfiles de escolas de samba cariocas, a midia televisiva irá optar por transmitir do Sambódromo. Como transmitiram ontem a baixaria protagonizada pelas torcidas das escolas paulistas.
Aliás, a mesma baixaria que parece ter sido a sequência do ocorrido no ano anterior, quando a mesma torcida da Gaviões da Fiel saiu pela marginal promovendo agressões e ameaças.
E baixarias.
Desta feita, foi a Camisa Verde e Branca. Não por acaso as cores do Palmeiras, embora rival da Mancha Verde.
Para hoje, no Rio, espera-se um comportamento um pouco mais ... contido.
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Quanto à apuração em BH, vai ser difícil até ver alguma linha noticiando os vencedores da disputa. Quem sabe alguma inserção em alguma rádio. E só.
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Dito tudo isso, pode-se perguntar: porque tanta referência aos desfiles de blocos caricatos, e tão pouca cobrança em relação ao tratamento dispensado às escolas de samba?
Para mim, por um motivo simples. O que tem o carnaval de BH de característico são os blocos caricatos, os desfiles de blocos fantasiados que ocupavam e divertiam a Afonso Pena, inclusive com carros fantasiados; e o carnaval dos clubes.
Ora, se é verdade que sempre tivemos escolas importantes, como a Cidade Jardim, a Unidos Guarani e a Canto da Alvorada, o que merece ser avaliado é que, em termos de Escolas de Samba, vai ser sempre muito difícil que nosso carnaval se iguale à tradição apresentada pelas Escolas do Rio ou pelo poder da grana, que conseguiu colocar o carnaval de São Paulo no noticiário.
Sem a tradição ou a grana, será que valeria a pena apostar em nossas Escolas?
Isso sem contar que o carnaval de Escolas de Samba, seja no Rio ou em São Paulo acabou por se transformar de uma festa popular, para o povo participar, em um show - CARO - para turista ver. Razão porque ninguém aguenta mais a mesmice que domina o desfile das escolas. E que justifica o fato de que a Record, com seus programas religiosos e até seu Rei David, conseguiu superar a audiência da Band e SBT e suas transmissões do carnaval baiano e pernambucano. E até mesmo, no caso da série do Rei, o início do desfile carioca pela Globo.
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Também não é surpresa que o carnaval esteja passando por uma mudança, mesmo no Rio, com o surgimento de um sem número de blocos onde predominam as marchinhas, as brincadeiras e o desfile de alegria e fantasias do povo. Ou do povão.
Por isso acho que o carnaval de BH teria que dar maior atenção com a formação dos blocos e a qualidade do desfile desse tipo de agremiação que é nossa tradição. Desde os tempos em que cada bairro de BH tinha o seu bloco, quando não tinha mais de um.
Apenas para recordar: Bocas Brancas da Floresta, Imigrantes da Abissínia, os Ritmistas do Centro, os Cacarecos, os Aflitos, os Invasores, o bloco de que tenho orgulho de participar, os Bacharéis do Samba, e tantos outros...
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Fora os blocos, e até para manter a tradição, as escolas, mesmo com menos pompa e circunstância que as congêneres de Rio e São Paulo, deveríamos nos esforçar para patrocinar nas esquinas de cada um de nossos bairros, os carnavais infantis, protegidos por cordões isolantes e pela polícia, com bandinhas tocando as músicas que fazem o carnaval, para as crianças se divertirem junto a seus pais. Seria uma forma de permitir que participassem do carnaval pra pular, ou popular, aqueles que não têm condições de pertencerem a qualquer clube.
E retomar a tradição antiga do Corso, com os carros fantasiados, e grupos de jovens fantasiados, fazendo brincadeiras e, como qualquer bloco (Banda Mole, Trema na Linguiça, ou Santo Bando, ou outros) poder passar e se divertir nas ruas centrais ou nas quadras centrais da capital.
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Quem sabe, assim, o nosso carnaval não iria resistir à insensibilidade e incapacidade de nossa imprensa, muito apta a bajular Rio e São Paulo e muito pouco disposta a fazer nosso carnaval surgir das cinzas, que sempre sopraram em nossa direção?