quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Pitacos de pós Carnaval, quando o ano começa. Ou tem sequência a desconstrução feita pelo responsável por 250 mil mortes

 A sabedoria popular nos ensina que, no nosso país, o ano só começa depois do Carnaval.

Dito de outra forma, vencidas as férias de janeiro, onde a maioria das atividades assume um ritmo de “carro na banguela”, sem aceleração a forçar o motor (uma falácia que obriga muito maior esforço do freio motor), o país ganha fevereiro em compasso de espera. De válvula destinada a liberar a pressão, e preparar-nos para nova etapa de construção: de alegrias, conquistas, sucessos, frustrações, perdas e temores.

Momento da catarse e purificação.

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Mas, o que esperar quando, por força de uma pandemia, o carnaval não acontece, frustrando a alma pretensamente jovial, alegre e libertária, algo descompromissada , dessa brava gente destemida?

O que esperar quando a festa que a todos iguala, e possibilita ao povo a conquista do lugar de destaque do espaço público, ainda que momentânea, dá lugar à sensação de luto? Ou  quando a pandemia cerra a “minúscula brecha no apartheid brasileiro”, e estrangula a possibilidade de eliminação – posto que falsa, ilusória-, de toda segregação social, para usar a feliz imagem expressa por Vera Iaconelli (Folha de São Paulo, Caderno Cotidiano, B3, edição de 16/02/2021)?

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Encarado pelo ângulo do lançamento da pedra fundamental da edificação de um país melhor de se viver, e de um ano de mais e maiores conquistas e benefícios, seja no âmbito produtivo, econômico ou social, a lacuna do carnaval, nesse ano de 2021, nada representa.

Essa ausência apenas escancara a continuidade do projeto de destruição, de desconstrução institucional, de eliminação de todo e qualquer avanço ou conquista social, assim como dos direitos que o povo brasileiro, depois de tanto tempo e tantas lutas e sacrifício, logrou alcançar.

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Afinal, estão aí abertas as porteiras que permitem a passagem da boiada que investe contra o meio ambiente provocando sua destruição.

Está aí a política de eliminação dos direitos humanos patrocinada pela figura maluca e perversa, capaz de ver Jesus na goiabeira, mas incapaz de vê-lo representado em seu próximo.

Salles, Damares; os Ernestos que praticam a diplomacia da sedição internacional; os Olavos e suas cartas astrológicas; os inexpressivos Miltons Ribeiros, aptos apenas a bajular e posar para fotos junto ao energúmeno aos pés de quem deve se prostrar nas inaugurações de escolas cívico-militares, tudo, todos, estão apenas dando sequência ao processo que o criminoso (em sua acepção mais ampla, bastante aproximada da acusação de genocida), tem como projeto para nosso país.

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Mas, listar e criticar ministros desse desgoverno encabeçado por um Messias caído, é inútil.

Afinal, gastaríamos muito tempo e papel ou bytes, apenas para destacar a subserviência do auto-referido ministro da Justiça, que enxerga no anjo caído da morte e destruição, um profeta.... do apocalipse?

Falar do Pazuello, o sargento Garcia, que vai ser punido por não ter tido coragem de se rebelar contra as ordens que não devem ser cumpridas, mesmo e até se quisesse manifestar juízo.

Falar dos militares? Esses falam por si só, em sua arrogância, vaidade, autoritarismo, golpismo indecente e reconhecido. Falar o que de um golpista como Eduardo Villas Boas, ou de um general como Augusto Heleno, o general que a ONU solicitou que o Brasil retirasse do comando das forças no Haiti, para evitar ... mais... massacres.

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Queria falar de Tarcísio Gomes de Freitas, o ministro tido como mais produtivo por Bolsonaro, a ponto de ser sondado para concorrer como vice na chapa de 2022 do capetão... Pois é: Tarcísio, cuja fisionomia aparece alegre, risonha e aplaudindo a fala de Bolsonaro na churrascaria, quando pela enésima vez, ele agrediu a imprensa, mandando que ela enfiasse o leite condensado da denúncia no .... cu (para não fugir à elegância do presidente).

Quem aplaude, concorda. Ou é outro zé ninguém.

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Mas, é forçoso reconhecer que o impoluto ex-tenente do Exército, expulso da tropa, com direito a promoção ao cargo imediatamente superior; o deputado das rachadinhas e rachadonas e dos funcionários fantasmas, que usava o apartamento funcional para pegar mulheres, originário do submundo do Centrão na Câmara dos Deputados; que o pai protetor dos filhos e amigos, alguns milicianos convictos, com longa folha corrida a apresentar à sociedade; esse personagem é muito oportunista e esperto.

O que valeu saber operar e comprar, mais uma vez, votos para eleger quem não pode lhe ameaçar, com a abertura de processos por impeachment, o que lhe assegura continuar permitindo a morte de milhares, senão milhões, de seus compatriotas, seus eleitores.

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Bolsonaro não é bobo, velhaco que é.

Elege Lira e destrói, de um só golpe, a dois partidos e potenciais adversários, vindos das hostes da direita envergonhada, do PSDB, e nem tão envergonhada assim, do DEM.

Mas, não lhe escapa a necessidade de se fortalecer e se armar, literalmente para, na hora apropriada, colocar o golpe na rua.

Golpe em que as polícias militares estaduais, por ele aduladas e beneficiadas, transformadas em forças militares nacionais; unidas à soldadesca dos quarteis, a que se uniram apenas para garantir alimento e estudos, várias vezes, e agora beneficiárias de churrascadas chiques e regadas a milhares de litros das melhores cervejas; terão ainda ao seu lado milicianos, direitistas extremados e extremistas e milhões de inocentes úteis, armados até os dentes, para promoverem o banho de sangue que muitos historiadores alegam nunca ter acontecido, e ser a origem de nossa pasmaceira e imobilismo, como povo.

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Digo que essa ideia de povo cordato é falsa. Cordatas são as elites e as classes mais favorecidas, médias urbanas, que dançam a música que a orquestra toca e invade os salões, apenas trocando de pares, quando necessário. São os chamados acordos por cima, feito pelas ditas elites que empesteiam e apodrecem o país.

Porque o povo, sempre foi vítima de verdadeiras carnificinas, muitas delas, verdadeiro genocídio, a que assistimos inertes, a cada edição do jornal da noite.

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Não nos iludamos. O golpe já está em curso. Ele não virá. Ele já é.

E conta com os Rodrigos Maias, sentados sobre mais de 60 pedidos de abertura de processos de impeachment. Com os Liras, cuja música toca apenas melodias destinadas a distraírem os ratos e salvarem a cidade.

Com os generais golpistas, cuja atenção dedicada pela imprensa é injustificada. Afinal, dar voz a golpistas e descrever o sucesso de golpes, apenas reforça o comportamento criticável.

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Mas a imprensa não faz isso à toa. Afinal, a grande mídia e seus interesses empresariais, aplaude e deseja, se não golpe armado, o golpe contra o povo. O golpe contra os direitos e conquistas sociais, com a eliminação total do aparelho do Estado e dos funcionários que, concursados, cumprem o seu dever público.

A imprensa, seus líderes, como Guedes e sua sanha destruidora, os Lemanns da vida, elogiando o governo Temer, que fazia as coisas andarem; os faria limmers, despudorados, em sua “ação rent seeking”, tudo isso já é parte do golpe em andamento.

Destinado a alijar o povo de qualquer benefício civilizatório.

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E tudo sob as vistas do sistema carcomido e corrompido da Justiça e seus procuradores, juízes venais, quando não criminosos, como Moro e sua companheira a juíza Gabriela Hardt. Para não falar nos destemidos Fachin, aquele que enseja comemorações de estádios de futebol (Aha! Uhu! O Fachin é nosso!). Ou nos Fux, plenamente confiáveis (In Fux we thrust!).

O relator do “habeas corpus” de Lula, cuja negativa permitiu sua prisão, foi deverasmente intrépido, ao tentar silenciar ao general golpista e sua nota de ameaça. A ele, e sua coragem destacada, apenas a resposta do general golpista, mas que não é bobo: afinal, demorou apenas 3 anos para o relator se pronunciar. Em mais uma cena digna de pastelão. Ou de um paspalhão!

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Do início de fevereiro, a aprovação da independência do Banco Central pela Câmara, para tirar a influência dos políticos, e não deixar essa influência e interesses escusos se fazerem sentir quando da adoção das medidas de política monetária e econômica, dado que áreas técnicas por excelência!

O que cria um novo poder: o não eleito. O da tecnocracia e da porta giratória em relação ao sistema financeiro, de onde virão e para onde voltarão os diretores, agora com o poder de, durante 2 anos, por a perder toda a política de quem foi eleito pelo povo, para representar seus interesses.

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Quanto a essa conversa de que os diretores da Autoridade Monetária não podem ser influenciados por interesses e questiúnculas políticas, triviais, vale lembrar que os Villas Boas, generais do Exército, instituição de defesa do país e da Constituição brasileira, também não deveriam se deixar levar por interesses políticos.

E que os moros da vida, esse criminoso de toga, também era esperado que não deixasse a política influenciar suas ações e decisões.

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Termino com um trecho de texto que passei a alguns amigos, tratando dessa independência do Banco Central, que tem minha oposição:

“Por último, a transformação do BC tira a influência dos políticos e joga no colo dos banqueiros e do sistema financeiro o domínio e o controle do Banco, que deveria fiscalizar os bancos. Em síntese, os fiscalizados controlando quem devia  controlá-los. E  se alguém acreditar que por ser técnico, o diretor do Banco não tem interesses políticos e ideológicos, basta lembrar do imparcialíssimo juiz moro (com minúsculas pra fazer jus ao caráter dele)."

 

 

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Pazuello, nosso Sargento Garcia: cujo crime maior é ser um fraco e obedecer ao verdadeiro responsável pelas mortes de Manaus; e dá-lhe leite condensado para fornecer a energia que Michelle andava demandando

Já tive a oportunidade de comparar o general ministro Pazuello, da Saúde, à figura tragicômica do Sargento Garcia, personagem vivido por Henry Calvin, do seriado A Marca do Zorro, apresentado pela televisão brasileira no final dos anos 60, início dos 70.

Atacarrado para não dizer obeso, com aspecto bonachão, o sargento é descrito como um militar bêbado, estúpido e atrapalhado, que se destacava por sua completa incapacidade para cumprir a missão que lhe fora incumbida: prender o personagem principal, o Zorro, alterego de Dom Diego de La Vega.

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Como os mais antigos irão se lembrar, Dom Diego, filho de um um importante estancieiro da Califórnia, retorna de seus estudos na Espanha e não tarda em se dar conta da opressão a que está submetido o povo pobre da região pela autoridades espanholas, especialmente o capitão Monastério.

Espadachim brilhante, decide passar por alguém avesso a lutas, escondendo seus atributos de forma a ter mais desenvoltura para lutar contra a tirania do governo.

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Responsável por capturar a Raposa (Zorro), o sargento Garcia demonstra nutrir verdadeira admiração pelo esgrimista mascarado, talvez mesmo pela causa da liberdade, o que o leva a estar chegando sempre atrasado no encalço do bandoleiro, sempre de forma atabalhoada, sempre sendo exposto ao ridículo.

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Pois bem, o general Pazuello é, em minha visão, a representação de nosso sargento Garcia. Submetido a um capitão tirânico e sem estatura moral para ocupar o comando que lhe delegaram, Pazuello faz todo o possível para “dar a impressão de estar lutando contra o mal: no caso, o Corona”.

Nesse sentido, cumpre ordens de maneira a sempre estar no lugar errado na hora errada, fazendo valer a máxima que a estupidez da disciplina militar e da sacralização da hierarquia procuram moldar.

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Razão porquê é capaz de afirmar com a pompa e circunstância companheiras do ridículo, que “manda quem pode, obedece quem tem juízo” em referência a ordem transmitida pelo ocupante do honorífico cargo de comandante em chefe das Forças Armadas, o inepto e sociopata Bolsonaro.

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Isso em razão de, nomeado para cargo que não tinha qualquer competência para ocupar, como ministro da Saúde em meio a uma pandemia,  ousou afirmar que, aprovada pela Anvisa, autorizaria a aquisição da vacina comunista do Butantan.

Agia como qualquer pessoa bem intencionada o faria, na busca por uma forma de se impedir um genocídio.

Não contava com a estultície de seu chefe, e aí entra a problemática questão da sacralização da hierarquia e disciplina.

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O ex-capitão, agora seu chefe, não apenas já havia cobrado do apalermado militar a implantação de um protocolo de tratamento precoce, baseado em medicamentos sem qualquer comprovação de eficácia contra o vírus, como desautorizou a fala de seu subalterno.

A vacina chinesa, comunista não seria adquirida. E a justificativa podia tanto ser o fato de quem a tomasse correr o risco de virar jacaré, por força de transformação de DNA, ou sofrer alterações de gênero, com as mulheres correndo o risco de desenvolverem barba e os homens passarem a falar fino.

No fundo, o capitão temia era ter de dar créditos a um adversário na corrida pelo Planalto em 2022, o engomadinho de centro-direita, Dória.

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Agora Pazuello é alvo de investigação determinada pelo STF, em relação ao seu comportamento em meio à pandemia, principalmente em relação a sua omissão em relação à escassez de oxigênio para os hospitais de Manaus.  De quebra, cobram-lhe os gastos relativos à importação, e fabricação pelo exército do kit Covid, com os placebos determinados por Bolsonaro.

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Em minha opinião, o general Garciello é culpado. E, baseado na obra de Zolá, poderia intitular os pitacos de hoje de  “J’accuse”.

Afinal, acuso Pazuello de ter assumido responsabilidade que estava além dos limites de sua capacidade técnica. Acuso-o de não saber o que era o SUS, e não saber que o clima no Nordeste e Norte não é semelhante ao dos países do Hemistério Norte.

Acuso-o de não conseguir manter um mínimo controle de estoques de testes PCR-RT, e do prazo de sua validade, o que significa perda de milhares de testes e de recursos financeiros de sua aquisição. Isso, para um homem que se apresenta como especialista em logística.

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Acuso-o, sobretudo, de mostrar a todos o completo fracasso do ensino militar, do ensino das academias militares que nada ensinam para seus oficiais graduados.

Embora aqui eu mesmo apresento o atenuante: tal situação é a demonstração cabal da necessidade de se jogar na lata de lixo as apostilas, os livros, as lições da ESG – Escola Superior de Guerra. E encerrar de vez as atividades a ela atribuídas, que se apresenta como responsável pelo estudo dos destinos do país.

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Acuso-o de não ter tomado qualquer iniciativa ao ser informado da escassez de oxigênio em Manaus e outras cidades e regiões do país.

Acuso-o por ser responsável pela morte, por asfixia (‘como se afogando no seco’), de centenas de brasileiros irmãos nossos. Acuso-o por, nessa hora, deixar de agir e planejar a logística do fornecimento dos recursos escassos para tantas vítimas da Covid.

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Mas sua principal falta é a de ser completamente omisso.

Por isso, acuso-o de ser um completo capacho, incapaz de ter hombridade para agir como homem, nem digo como detentor de patente militar graduada. Acuso-o por vaidade exacerbada, preocupado apenas em garantir mais cargos em sua ficha profissional onde se destaca a chefia do Departamento de Munição do Exército, justo quando aconteceram desvios de munição no quartel.

Acuso-o de ser omisso e desconhecer a mais simples regra da disciplina e da hierarquia: nunca se deve obedecer a uma ordem ilegal ou imoral.

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Mas, aí a acusação já alcança o seu chefe. E tenho de admitir que nosso Garciello está apenas servindo de boi de piranha, ou bode expiatório, para encobrir o criminoso maior: Bolsonaro.

É Bolsonaro o verdadeiro criminoso, o mentor intelectual do crime de genocídio a que o povo brasileiro tem sido submetido.

E não há problema em se admitir sua autoria intelectual, já que desde o assassinato de Marielle, sabemos todos que autores intelectuais não conseguem ser alcançados por nossas polícias.

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Por tal razão, acho que uma acusação a Garcia/Pazuello deve levar em conta vários atenuantes (inclusive a de fragilidade de caráter!).

E não pode acontecer sem alcançar seu superior imediato: o homem que desdenha de pedidos de impeachment, talvez por sua educação primorosa (fruto das escolas militares?), como a demonstrada nas reuniões de ministério de 22 de abril ou em churrascarias de Brasília, em que mais uma vez mostra sua ideia fixa de cunho sexual.

Afinal, mandar a imprensa enfiar ‘no rabo’ as latas de leite condensado que comprou, em volume e custo aburdos, por preços aviltados, de empresas incapazes de fornecerem uma dúzia de quentinhas é, apenas demonstração do tipo de utilização que ele faz, parece que com êxito, de tanto leite condensado.

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Dizer que a compra é para dar mais vigor e energia a militares servindo ao Exército, é mostrar que o Exército que já não ensinava Geografia, também não consegue ensinar um mínimo de valores nutricionais.

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Mas, gostaria de salientar nesse pitaco que tenho visto muita análise, séria, abordando que a oposição está sem assunto e sem agenda, ao tratar de impeachment.  

Os defensores desse argumento alegam que falta o mais importante: apoio político a tal medida.

De minha parte acho que se falta apoio político, sobram crimes de responsabilidade e até mesmo de outra ordem.

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Lembro pois, que o impeachment não é um joguinho de Resta-um ou Tira e Põe. Trata-se de instrumento institucional, grave, para coibir e afastar aquele que cometeu ilícitos e infrações pondo em risco a estabilidade da nação e a vida da população.

Isso já está posto. Não há, objetivamente, a hipótese de inexistência de aprovação popular.

Porque afinal, Pablo Escobar e outros vários criminosos reconhecidos sempre tiveram apoio de parte da população .

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Uma ou duas observações para terminar:

Rodrigo Maia teve meses para decidir sobre a abertura de um processo de impeachment, por todas as razões que, agora, alinha para criticar Bolsonaro.

Se não o fez, ou é porque não via motivos que justificassem crimes cometidos, ou por cumplicidade: concordava com o presidente.

No mínimo, ele tinha interesses em não criar dificuldades para os grandes financistas de nosso país, os ‘Faria Limmers’, a quem ele representa e que sempre estiveram, equivocadamente, apoiando o presidente.

Ledo engano dos interesses do capital financeiro: acreditavam que, por manter Guedes ministro, o presidente tinha algum viés liberal.

Agora já perceberam que o capitão teve formação militar, tendo feito seus estudos na época em que se pregava a doutrina nacionalista e intervencionista.

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terça-feira, 12 de janeiro de 2021

2021: Um ano melhor? Tentativa de golpe nos Estados Unidos e ameaça de golpe no Brasil. Golpe a vista e o temor de um impeachment.

 Atos de barbárie e selvageria marcaram o início desse ano de 2021, que uma parcela significativa de nós acreditava ser um ano de redenção. De superação. De avanços em relação à evolução e melhora das bases das relações humanas.

Sinais para otimismo não eram poucos. Afinal, encerrava-se o trágico ano de 2020, dominado pela pandemia da Covid-19, e caracterizado por milhares de mortes e ações de isolamento social, que compreendiam o fechamento de cidades e de atividades econômicas, na tentativa mal sucedida de contenção do contágio.

Famílias perderam entes queridos; milhares de pessoas perderam empregos, outro tanto perdeu sua fonte de renda; empresários de todo o porte foram obrigados a fecharem suas empresas, algumas,  sem capacidade de atravessarem o momento de crise, condenadas ao encerramento definitivo.

Aqueles que conseguiram manter seu emprego, passando à adoção do trabalho remoto, perderam o contato com os colegas; as reuniões familiares passaram a ser evitadas e, em geral, as pessoas foram sacrificadas, sem a possibilidade de manifestação do apoio, do “colo”, da solidariedade, do ABRAÇO.

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Mas, a mera convenção do fatiamento do ano, da renovação possibilitada dos desejos atribuída à Drummond, pela simples virada de um dia no calendário, era o necessário para que todos nós nos enchêssemos de esperança e saudássemos 2021.

Motivos vários não faltavam para a expectativa positiva: a ciência, tantas vezes desprezada tinha, afinal, conseguido a façanha de, em tempo recorde, produzir a vacina salvadora contra o corona. O Reino Unido, os Estados Unidos, vários países, já davam início às campanhas de vacinação em massa, abrindo perspectivas de que 2021 seria um ano de retomada, de negócios, de atividades, de afetos.

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O alinhamento cósmico e a aproximação inédita de Júpiter com Saturno pareciam pressagiar a possibilidade de aproximação das pessoas, na criação do que já se definia como o novo normal: uma sociedade mais solidária, mais capaz de respeitar as diferenças e os diferentes; onde as relações humanas passariam a se guiar menos pelas conquistas individuais, egoísticas ou ególatras, para dar espaço a avanços coletivos.

O mapa astral anunciava ser chegada a Era de Aquarius, tão esperada desde os anos libertários, lisérgicos dos anos 60, ainda no século passado. Com a nova era, a renovação do lema do movimento psicodélico de Paz e Amor!

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Particularmente, a partir de uma visão pessimista, eu não acreditava que o simples desafio representado pela crise sanitária e o gigantesco esforço para vencer e superar aquele drama teriam a capacidade de nos tornar melhores.

Pensava: se em meio ao turbilhão que nos atinge, as pessoas não alteram seu comportamento, por que razão iria haver uma mudança, como se consequência do brandir de uma varinha mágica, que faria a humanidade deixar de lado seu egoísmo.

As pessoas continuavam preocupadas mais com seus interesses particulares; os empresários em reduzir salários dos seus empregados, exigindo o fim do lockdown que os afetava; em especial os mais jovens começavam a se sentir excessivamente tolhidos em sua sede de viver, ganhando os espaços públicos, as festas, as comemorações, as praias, as conglomerações...

Se o futuro pertence aos jovens, e sua imaturidade se demonstrava em ações que não respeitavam as normas mínimas de segurança recomendadas pelas organizações médicas, de saúde, por que acreditar que o mundo seria melhor? Quando?

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A irresponsabilidade da juventude, de classes abastadas ou mais ou menos aptas a se manterem em meio à crise econômica, a sua ânsia irrefreada de sair em busca de diversão,  foram responsáveis pela segunda onda de casos de infecções, e mais mortes.

Mortes que pouco os comoviam, apesar dos alertas gerais.

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E para mostrar que 2021 seria um 2020 piorado, apesar da vacinação em curso, o mundo assiste estarrecido à reação, completamente insana e inconsequente, do presidente da maior nação do mundo ocidental, aquela que se autodenomina (sem qualquer razão para tanto) o baluarte da defesa dos valores democráticos,  de tentar dar um golpe de Estado, incapaz de aceitar a derrota que o povo americano lhe impôs.

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O espetáculo da invasão do Capitólio, então considerado a Casa do Povo, por malucos, sectários, extremistas, machos supremacistas brancos, alguns portando vestes e símbolos do que de pior a humanidade conseguiu gerar no século passado, como o nazismo, o fascismo, foi não apenas mais uma vergonha para o povo americano. Para toda a humanidade.

Ao ver defensores de Trump e de seu delírio usando camisetas com estampa de Auschwitz, a invasão e a barbárie servem como alerta de que ainda estamos, a raça humana, longe, bem longe de conseguirmos construir um mundo melhor.

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O mínimo que se deveria desejar nessa hora, sem qualquer revanchismo ou desejo de vingança, seria a prisão imediata do responsável direto pelos fatos lamentáveis, pelo homem que instigou a turba e alimentou o golpe. E a prisão ou punição exemplar de todos os invasores identificados.

Razão porque, ao contrário da extrema direita mundial, que agora critica as redes sociais e plataformas que baniram as mensagens de Trump e de seguidores, acho que a medida demorou para ser adotada.

Nada a ver com censura. Discursos de opinião devem ser sempre respeitados, mesmo que contrários a nossas crenças.

Caso bastante diferente é o de mensagens com conteúdo destinado a insuflar a invasão do espaço de liberdade e de opinião de outros. Que é o que os defensores das teorias fantasiosas e perigosas dos terraplanistas da QAnon, propagam.

Vide os acontecimentos funestos de ataques, e assassinato de pessoas, injustamente acusadas de participação na rede comunista e globalista, internacional, de pedofilia... que povoam a imaginação doente dessa turma.

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Aqui no Brasil, infelizmente, além de milhares de pessoas que reagem às atitudes de manutenção da ordem pública e do respeito às normas de convivência mais comezinhas, e condenam as redes sociais e suas atitudes, de salvaguarda de um espaço de convívio salutar, também o incapaz e inepto que ocupa o mais alto cargo do poder Executivo, defende as atitudes tresloucadas do cenourão que é seu paradigma.

Pior: no nosso caso, não é apenas o incapaz que adota o mesmo comportamento. Sua família, de “trainees de bandidos e malfeitores”, já que não podem ser classificados como tal, ao menos enquanto não condenados nos vários casos em que são ou deveriam ser alvos de investigação, lhe acompanham.

E não apenas eles, os amigos e seus "parças" da milícia. Também os alunos do filósofo de araque, astrólogo de profissão, olavo carvalho (em minúsculas mesmo!), como os Ernestos, os Weintraubs, os malucos da Brado, rádio que consegue achar que até Bolsonaro virou comunista, sob a tutela de ..... José Dirceu?!?!?!

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A declaração de Bolsonaro, de apoio a Trump, seria apenas mais uma jura de amor, dessas que não é para se levar a sério,  não fosse ameaçar repetir o espetáculo, em nosso país, sob a desculpa de fraude nas urnas eletrônicas eleitorais.

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Já fui escrutinador no tempo da cédula de papel, para saber da oportunidade sempre presente, de se falsificar votos. Afinal, quantas cédulas oficiais, não vinham nas urnas junto aos votos válidos, todas em branco. Prontas para, em um momento de descuido, ou no caso de um acordo entre os membros da mesa de escrutínio, serem preenchidas de forma irregular.

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E, devo confessar que, isso poderia acontecer, mesmo sem a participação direta do beneficiário do voto falsificado.

O que me leva a concluir que o fato de Bolsonaro ter se beneficiado de alguns votos, anulados por serem considerados falsos, na eleição de 1994, como tenho visto circular em foto de matéria de jornal daquele ano, em minha opinião, não o incrimina.

Apesar de servir, mais uma vez, de alerta.

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Mas, Bolsonaro não pode ter a chance de chegar a 2022, no poder, em condições de tentar uma reeleição. Porque no caso temerário e pouco plausível de que fosse vitorioso, estaria aberto o espaço, com apoio dos eleitores, para a tentativa de um autogolpe.

No caso de derrota, estaria armado o ambiente para o golpe, independente de qualquer que fosse a urna, eletrônica, com recibo ou de papel. Como Jair já anunciou, que o fará...

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Apenas dois detalhes para não esticar ainda mais esse pitaco:

Urna eletrônica com comprovante impresso do voto para o eleitor, num país que as pessoas não se preocupam em reter o comprovante de gastos com cartão de crédito é uma ironia.

Mais importante: para que houvesse a possibilidade de o comprovante servir para contestar o número de votos obtidos por algum candidato, o voto, em  meio a vários outros, deveria permitir identificar de fato quem é o eleitor responsável pelo voto.

Ou seja: aquilo que a nossa Constituição consagra, a inviolabilidade do voto, teria que ser, necessariamente rompida.

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Por fim: não adianta agora o discurso de Maia, dando força à instauração de um processo de impeachment do presidente.

Assim fica fácil, para quem nada fez quando teve condições para tanto. Ao contrário, Maia ficou sentado em cima de mais de 60 pedidos de abertura de processo visando o impedimento do presidente.

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Se não o fez, por medo da reação dos partidários do dito mito, agora armados; se não o fez sob a justificativa de que apenas com uma pressão popular, nas ruas, o impeachment poderia vingar, o que abriria oportunidade para choques violentos entre os pró e contra o presidente; se não o fez por não saber como seria o comportamento das forças armadas em momento em que uma convulsão social poderia obrigar a sua convocação às ruas; se não o fez por temer que, se os oficiais estão divididos, alguns deles, apoiadores, nos palácios e com cargos no governo; se não o fez, levado pela impressão cada vez maior de que a soldadesca está com Bolsonaro, depois de tantos afagos que o ex-capitão lhes prestou, são hipóteses que merecem ser analisadas.

Mas, Maia podia ter evitado que as coisas chegassem até onde chegaram, antes de ter de passar o bastão para outro, junto à responsabilidade de abrir ou não processos por crime de responsabilidade contra Bolsonaro.

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Se não o fez, é ainda por acreditar na política liberalóide de Guedes, e por saber que, no final, se nada der certo, o capital financeiro de que ele é representante, e seus amigos da Faria Lima têm condições muito facilitadas de tirarem seus dinheiros de nosso país.

Que o diga, e sirva de exemplo, a FORD.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Quem é o maricas? na lógica defeituosa, tortuosa e delirante do senhor da Morte

 Todos conhecem a fábula do sapo e o escorpião, o que torna desnecessário repeti-la aqui. Razão por quê, nos limitamos apenas a recordar de seu final e da reflexão a que ela nos conduz, que destaca a natureza do escorpião, ainda que encoberto pelas águas. 

A busca pela fábula, no Google, nos remete a um sem número de links, que abordam desde o fato de o escorpião amarelo fazer parte do fluxo da cadeia alimentar do sapo-cururu, o que transforma o sapo em predador do aracnídeo, até outros endereços de cunho mais literário, que procuram identificar o caráter educativo da narrativa ou mais filosófico, destinados a interpretar a moral ali contida.

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Mas deixemos de lado o mundo dos animais, para tratar do assunto que é nosso tema no dia de hoje, embora o uso da  narrativa possa não se aplicar de forma plena ao nosso conteúdo. Isso porque pelo que pude recordar, as fábulas são pequenas histórias onde os personagens são animais, que mimetizam comportamentos humanos. 

E o personagem de nosso pitaco cada vez mais distancia-se da imagem de animal, ao menos do tipo racional. 

Trata-se, por óbvio, de Jair Messias, que dispensa apresentação ou justificativa.

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A razão de iniciar o pitaco com a referência à fábula, é destacar a natureza, o caráter do candidato a genocida que ocupa o Planalto. 

Um homem que desde sempre traz o signo da morte, de quem parece emissário. 

Não fora assim, não teria, desde quando ainda pertencia à Corporação que o formou, proposto e planejado ataques às edificações militares, aos quarteis que congregavam seus companheiros de farda, transformados em alvos para a instalação de artefatos explosivos, em manobra destinada a reforçar reivindicações por aumento de soldos. Ou prestar-se à chantagem ao Alto Comando do Exército.

Por sorte daquela Arma, o Cavalão (aqui o apelido, não o personagem de mais uma fábula!) acabou sendo levado a julgamento, tendo sido objeto de processo que culminou com sua "expulsão", ou a saída negociada do "pede para sair..... 02".

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Livrou-se a tropa de um demente, de um marginal, cuja exclusão, se poderia ser considerada uma vitória, representava uma autêntica calamidade jogada sobre a sociedade civil.

Para nossa intenção, basta destacar o resultado fúnebre que tal ação poderia acarretar, se levada a cabo. 

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Convidado a abandonar as fileiras da Corporação, Bolsonaro tomou o rumo da política, candidatando-se e sendo eleito para uma cadeira na Câmara dos Deputados, onde se manteve desapercebido por mais de 25 anos, escondido nos corredores e nas galerias sombrias do submundo e dos esgotos da Câmara.

Nesse tempo, aproveitava-se dos inúmeras oportunidades que os recursos públicos, travestidos de verbas de gabinete, permitiam auferir. Vantagens advindas da falta de controle efetivo e emprego de manobras, como indicação de funcionários fantasmas ou "rachadinhas".

Mas, não era só. Dando vazão a sua natureza, sugeria que a ditadura militar deveria ter mandado fuzilar - e não apenas torturar - uns 30 mil adversários políticos, inclusive o presidente FHC. 

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A morte estaria presente depois, em seus discursos, em sua campanha à presidência de uma República, tão vilipendiada, que capaz de dar espaço a que um representante de sua negação, pudesse concorrer e se tornar vitorioso. 

Foi em campanha que ameaçou fuzilar a "petralhada", além de banir os "marginais vermelhos", em suposta faxina que ganhou eco junto a parcela da população, cada vez tornada mais rancorosa, por ter sido sempre alijada das conquistas econômicas e sociais da nação. 

***

Não bastava a tortura que elogiava abertamente e a que prestava reverência. A tortura desnudava apenas o sádico no exercício do poder. 

Sadismo que se expressa a cada vez que se propõe a submeter à fritura, por qualquer motivo que seja, mesmo o mais mesquinho ou fútil, aos seus auxiliares, seus ministros. 

Isso para não mencionar os militares que atraiu para sua campanha e depois para seu governo, sujeitos a humilhações e ataques constantes, alguns de forma subterrânea. 

***

Vale esclarecer que não sinto qualquer comoção maior em relação às agressões aos militares, em especial, o tratamento de subalternidade que lhes é dedicado por Bolsonaro. 

Ao contrário, acho que o tratamento - que não atinge a toda a tropa, dirige-se e alcança apenas aqueles saudosos da ditadura, adeptos e defensores da tortura, os autoritários que não se acostumaram às perdas de cargos e poder e prestígio e que correram a prestar apoio aos delírios do embaixador da morte. 

Esses, por mais augustos ou mourões firmes que sejam, colhem apenas o que plantaram e fizeram por merecer. 

Diferente, esses, de um Pazuello, sabujo autorreconhecido. Ou de um Ramos, que seus colegas de ministério já adjetivaram de forma suficiente. 

***

Empossado, Bolsonaro não apenas se prontificou a decretar e trabalhar pela morte e destruição de qualquer resquício de instituições democráticas, quanto pela destruição do comportamento ético, moral.

Razão porquê seus vizinhos de condomínio foram acusados do assassinato de Marielle e Anderson, seu motorista; embora a vereadora opositora incomodasse mais os negócios de seus parceiros, milicianos. 

E sua cruzada para a implantação da liberdade para matar, seja facilitando o acesso, sem qualquer controle, a armas e munições, seja a partir da instauração da liberdade para a realização de tribunais sumários, sob o título de excludente de ilicitude para policiais (em qualquer situação).

***

Não à toa, os números do mapa da violência contra pobres, pretos, jovens, populações de comunidades das periferias; a mortalidade por tiroteios e balas perdidas, especialmente de crianças (sempre pobres, sempre pretas!); as estatísticas de mortes causadas por policiais - verdadeiras chacinas - não cessam de se elevar, dando margem ao temor de estar em curso uma política de genocídio. 

***

As arminhas com as mãos ou no "coldre" de seus filhos, mesmo em visitas e fotos no Palácio, mostram que o presidente é uma personagem retirado do velho oeste americano, onde proliferavam os justiceiros, os bandidos transformados em xerifes pelo uso das armas, os matadores de toda espécie.

***

Nesse desgoverno sob o emblema da morte caveirosa, nada poderia calhar mais que uma pandemia, como a que devasta o mundo e aqui no Brasil chegou a ser considerada mera gripezinha. 

Afinal, a morte nos alcançou de chofre, e o presidente, responsável por agir como líder, coordenando os esforços de combate à crise sanitária e seus efeitos, preferiu se omitir. 

E daí, se ele não é coveiro? E daí, se um dia todos nós iremos morrer mesmo? E daí se ele, por ter histórico de atleta, não seria afetado salvo por sintomas de um resfriadozinho? E daí se ele não é maricas e não vai se submeter ao tratamento de aplicação de ozônio retal? 

E daí se ele comemora a interrupção de testes com uma vacina que pode salvar vida de milhares de brasileiros, depois de já quase 185 mil outros mortos, de distintas idades e situações e condições?

***

Bolsonaro torce e deseja a morte, dos outros, daqueles que, em tese, constituiriam seu povo. 

Por isso, o ministério da Saúde com o ministro general fantoche não tratou da encomenda e de fechamento de compras com os laboratórios desenvolvedores de vacinas, de qualquer tipo, de qualquer nacionalidade. 

***

O que interessou a Bolsonaro foi a propaganda da cloroquina, porque quem é seguidor do mito, toma cloroquina. Aos perdedores, a tubaína. 

Ao menos Machado e seu Quincas Borba foram mais originais: aos vencedores as batatas!

Pelo menos assim deve ter pensado a ema do Palácio, com mais juízo que o idiota que insistia em lhe oferecer embalagens de cloroquina. 

Afinal, a ema, como todo animal, tem um instinto de preservação agudo. E preferiu retaliar a agressão, revidando a mão que apedreja, incapaz de afagos. 

***

Daí o algoz da nação mantém sob sua responsabilidade um gestor em logística. Tão eficiente e eficaz que não conhecia o que é o SUS, acredita que o Nordeste segue a mesma lógica climática que os países do hemisfério Norte, e é incapaz de manter um controle de estoque, com controle de prazo de validade de testes perecíveis. 

Ora, o general fantoche, provavelmente deixa perder o prazo de validade de material sob sua guarda, apenas para contentar à sanha de morte de seu líder ou mito. 

***

Dessa forma, não chega a ser nem um pouco surpreendente que em evento no CEAGESP, ontem, em São Paulo, o presidente delirante, prefira invocar a desratização do estado, em clara ameaça e referência a Dória (rato que foi seu aliado, em campanha). 

Dória não merece ser agredido em sua casa. Os ratos não merecem qualquer comparação com o governador. 

***

Apenas que Bolsonaro foi além: não bastasse torcer para provar o infrutífero uso de máscaras, ou a afirmação feita em entrevista ao Datena, de que não vai tomar a vacina, ele se supera. 

Só assim, se entende a intimidação que deseja promover a todos os cidadãos que, lutando pela sua sobrevivência, se dispõem a enfrentar as filas que forem necessárias para se vacinarem. Se protegerem do vírus fatal. 

Em franca atitude de transferência de responsabilidade, feita por um irresponsável, prestes a cometer um ato passível de ser considerado crime de lesa humanidade, Bolsonaro negocia para incluir na Medida Provisória que trata da aquisição tardia de vacinas, um termo de compromisso, pelo qual que tomar a vacina se responsabiliza por seus efeitos. 

***

Melhor seria se fosse ao contrário. Os bolsotários, como o ídolo, assinassem um termo de compromisso, propondo ressarcimento ao Tesouro de eventuais gastos que tivessem de incorrer, em tratamentos hospitalares, por contaminação da Covid. 

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Mas, esperar o que, de uma MP que listando os critérios de prioridade na vacinação, deixa de fora o grupo de presidiários. 

Querer o que de quem, em discurso se preocupa apenas em fazer propaganda da retomada da funesta ideia do excludente de ilicitude para os militares em ação (seja lá o que isso possa significar!!)

A quem é capaz de defender com a maior tranquilidade a ideia contida na máxima de que bandido bom é o bandido morto. A ponto de se referir de forma elogiosa à carnificina provocada pelas tropas policiais militares no Carandiru, em que 111 homens foram massacrados. 

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Nem se discute o fato de tais detentos estarem pagando seus crimes contra a sociedade e não terem podido terem uma segunda oportunidade. 

O crime aqui é mais sério: crime do Estado, com o monopólio da força e das armas, contra seres humanos a quem não foi dada qualquer chance de se defender. 

Crime do Estado contra aquele que estava sob sua guarda e proteção. 

Crime que apenas destaca que o senhor da Morte não passa de  um covarde, que se vangloria de um grupamento de homens fortemente armados terem sido necessários para controlar e combater um grupo de homens enjaulados sem armas de fogo ou munição. 

E, depois, quem é o maricas???




quinta-feira, 3 de dezembro de 2020

Uma reflexão - histórica - sobre a tão falada derrota da esquerda em 2020. E uma dúvida: como considerar derrotado quem não tem condições objetivas para entrar em campo?

 Interessante observar que a sociedade brasileira sempre se caracterizou por um traço bastante evidente: seu conservadorismo.

Fruto de nossa formação histórica, que excluía o cidadão comum das decisões políticas relativas a sua vida  (na época da República Velha), e da preocupação dos coronéis do interior em manter a população sem acesso à educação, tal perfil menos afeto à mudança não deveria ser causa de espanto.

Afinal, aquela era uma época em que imperava o raciocínio de que quanto mais ignorante o povo, mais fácil mantê-lo sob seu cabresto.

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Não à toa, em razão de nossas relações sociais, para dentro e para fora, Caio Prado Jr., em análise de rara felicidade, demonstrou que nossa sociedade era marcada por uma dualidade. Não aquela que opunha regiões avançadas e mais desenvolvidas, ligadas às atividades vinculadas à exportação, às regiões mais interiores e atrasadas, de produção de bens de sustento das necessidades do conjunto da população.

Sim. Antes de ser alvo de críticas, é meu dever esclarecer que a dualidade apontada por Caio Prado era datada. Tratava de outro momento histórico, o que não impede que eu a generalize, por analogia com a situação vivida no interior de nosso país, por ocasião da chamada República dos Coronéis.

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Para isso, importa reconhecer que as relações mantidas por nossos principais líderes econômicos e políticos do período, em suas relações com o exterior,  poderiam ser classificadas como de caráter liberal, avançado (para a época). Mas para tal filosofia e comportamento liberais poderem se sustentar, era necessário assumir um caráter totalmente autoritário e excludente, nas relações entre fazendeiros/patrões e seus trabalhadores/empregados.

Em síntese: a dualidade se refletia na simbiose entre um comportamento liberal para fora, e autoritário para o interior.

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Como nos informam os livros de história, os grandes fazendeiros acumulavam o poder econômico com o poder político, mantendo o povo na condição de massa de manobra, de sustentação às condições de manutenção de poder, de gado, para usar uma expressão resgatada nos tempos atuais.

Tal situação se revela pelo uso de expressões como a que menciona ‘currais eleitorais’, a que se somam o ‘voto de cabresto’, e práticas que ilustram um sistema eleitoral viciado, como a do voto de marmita; da doação do pé de botina antes e de seu complemento depois; a proibição de voto às mulheres e aos analfabetos.

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Não é estranho que para a manutenção do emprego  e até da sobrevivência, os trabalhadores das fazendas, adotassem comportamentos e até modos de enxergar o mundo, determinados ou apresentados sob a ótica das elites.

O  que os transformava em grupos de valores conservadores.

Em complemento, não nos esqueçamos do papel da Igreja, tão ou mais conservadora, não apenas em relação aos costumes, mas a todas as dimensões da vida, também ela interessada na manutenção de seu poder secular.

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Vamos dar um salto, passando por cima do processo de urbanização e da formação do setor terciário brasileiro, a partir dos anos 30, abordado por Chico de Oliveira em obra também clássica, chamando a atenção para o crescimento desse setor, por força do inchaço do setor público.

A verdade é que o processo de urbanização se acelera a partir do processo de industrialização, a partir do governo Vargas nos anos 40, intensificando-se no período do Plano de Metas de JK, dos 50 anos em 5.

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Mas, então, a atração de trabalhadores das zonas rurais para os centros urbanos e a legislação trabalhista com que Getúlio busca promover a cooptação das classes trabalhadoras para servirem de base de apoio e sustento ao seu projeto político-pessoal, vão provocar poucas alterações no modo de inserção dos menos privilegiados nas discussões políticas.

Ao impor a sindicalização dos trabalhadores por setores de atividades, e atrelar os sindicatos e a forma de financiamento de suas atividades ao Caixa da União, via Imposto Sindical, o ditador gaúcho conseguiu atrelar os interesses dos trabalhadores aos do governo e dos patrões com ele associados.

Daí a pouca combatividade apresentada pelos sindicatos e confederações representativas dos interesses dos menos privilegiados, e o surgimento do movimento denominado peleguismo.

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Em seus primeiros anos, a década de 60 vai encontrar um país completamente urbanizado e cindido por fortes sinais de insatisfação que têm origem nos trabalhadores do campo, não beneficiários do movimento de industrialização experimentado nos anos anteriores.

A tal movimento, de reivindicação de condições mais favoráveis de vida, a começar pela demanda de expansão do acesso à propriedade da terra, e de condições que permitissem o aumento da produção dos pequenos agricultores, vai se juntar uma crescente insatisfação dos trabalhadores urbanos, beneficiados apenas residualmente dos avanços econômicos do país.

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A resposta a tais movimentos é conhecida: a invasão do breu da noite e da escuridão provocada pelo golpe militar e a instauração de um período de ditadura, de 21 anos de duração.

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Do ponto de vista político, além do afastamento de inimigos reais e imaginários, por força de atos de exceção, cassações, prisões, torturas e até ‘desaparecimentos’, visando divulgar no cenário internacional,  uma falsa aparência de liberdade democrática no país, o governo resolveu adotar um sistema de bipartidarismo.

Assim, embora sem independência e autonomia, o Congresso funcionava contando com a maioria de representantes do partido oficial do Governo, a Arena, e um partido de oposição consentida, o MDB, o que lhe dá origem ao apelido de época de Ditadura Envergonhada ao período.

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Esse quadro político partidário, no entanto, não vai alterar a situação que perdurava até o momento, onde os principais partidos existentes, PSD ou UDN, eram típicos representantes dos interesses do capital e dos empresários ou fazendeiros, de cunho conservador e grande infiltração no interior do país.

Distinguia os dois partidos, a posição mais de centro do PSD, que funcionou muitas vezes como um apêndice ou aliado privilegiado de Getúlio, em contraposição a uma posição mais à direita da UDN, de vigorosa oposição a Getúlio.

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Além desses, havia o PTB, partido criado para servir de base de sustentação a Getúlio, ou partido governista.

Quando da instauração do golpe militar, os interesses dos afiliados do PTB foram, junto aos interesses dos trabalhadores rurais, os principais derrotados.

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Com a ditadura, e a formação de novos partidos, os militares viram que não conseguiriam acomodar os interesses conflitantes de seus apoiadores no interior, permitindo a formação de legendas dentro de cada  uma das agremiações. Temos assim, a formação esdrúxula de quadros de Arena 1, Arena 2, bem como de grupos do MDB.

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Ora, apenas a partir do ressurgimento político, a partir de meados dos anos 70, e da retomada dos movimentos dos trabalhadores a partir da greve geral de 78, de que Lula foi uma liderança, é que podemos falar de resgate da participação popular na política. Ao menos, de forma ostensiva.

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Isso mostra que, a rigor, apenas dos anos 80/90 para cá, podemos estabelecer alguma análise que faça sentido, sobre a influência de movimentos de contestação ou da esquerda no país.

Sempre destacando se tratar de uma esquerda cuja representatividade se dá tão somente nos núcleos urbanos mais industrializados e onde as organizações sindicais têm alguma importância.

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No interior, em geral, e apenas para manter a tradição, não havia diferença entre um político vitorioso da Arena 1, ou 2, ou do próprio MDB, cujas divergências eram justificadas por questões ou desavenças familiares ou pessoais. Quadro que se repete com a substituição da Arena pelo PDS, e que vai se prolongar depois da autorização para a formação de novos partidos.

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O roteiro de nossa vida política é suficientemente conhecido, para repeti-lo.

De Tancredo e Sarney, ainda em regime consentido;  a Collor, sustentado por um partido nanico, com discurso de conteúdo fortemente conservador e liberal; até a chegada do PSDB ao poder, cada vez mais com um discurso de cunho neoliberal, até o PT de Lula e a descoberta de mensalões e Lava (e Vaza ) Jato, condenando o PT definitivamente à execração pública, o que se assiste no país é apenas ao movimento pendular, entre os representantes do conservadorismo de um lado e os representantes de um discurso mais ao centro, nada revolucionário ou mesmo reformador.

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Pode-se arriscar a dizer que, momentos como aqueles que permitiram a ascensão de Lula, em 2002, revelam apenas a sinalização de um “desgaste de materiais”, mais típico de um alerta de que é necessário promover alguma mudança que permita ao povo algum momento de afrouxamento da pressão sobre ele exercida.

Em minha opinião, isso se dá porque, no fundo, a questão central que rege a vida da população como um todo, é ditada por um mesmo interesse, de nítida inspiração liberal: o poder do grande capital e do capital financeiro, em particular, independente de sua nacionalidade.

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Afinal, não nos esqueçamos que Lula assinou uma carta de compromisso ao povo brasileiro, e que os primeiros anos de seu primeiro mandato poderiam ser classificados, adequadamente, como de estelionato eleitoral.

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Assim, depois de tudo relatado nesse extenso texto, adotar o comportamento dos analistas da mídia, para tentar imputar uma avassaladora derrota às esquerdas nessas eleições municipais de 2020, realizadas sob a égide de uma severa pandemia, é desprezar, no mínimo, a história.

Porque a esquerda como tal, nunca foi vitoriosa em nosso país.

Ao contrário, sempre foi derrotada, pelo conservadorismo cultivado há anos junto à população.

Sua vitória, se alguma, é continuar sobrevivendo, mesmo sem condições objetivas mínimas para implantar para a população seu projeto de sociedade. 

Ou então comemorar que a extrema direita, radical foi, essa sim, completamente aniquilada nas urnas.

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Lugar de fala e a morte de Beto no Carrefour; a negação e a nulidade de Bolsonaro; Maradona: uma homenagem. Extensa e apaixonada, como o personagem

 Às vezes, certos termos e expressões surgem em nosso ambiente e passam a se incorporar ao nosso discurso do dia-a-dia, ganhando grande destaque.

Vários deles transformam-se em autênticos modismos, ganhando vida própria e passando a ser utilizados para expressar conceitos e ideias mais amplos que aqueles para que foram originalmente cunhados. Quando isso acontece, sua utilização acaba sendo identificada, muitas vezes,  a grupos considerados diferenciados, mais esclarecidos ou iluminados. Nesse caso, torna-se sinal da identificação de seu usuário. Diria até uma senha de pertencimento a certo grupo social de caráter cult.

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Em minha opinião, a ocorrência desse fenômeno de apropriação e ampliação do significado de um termo de origem restrita é sinal da perspicácia, até da “felicidade” do autor de seu emprego original.

Parece-me ser esse o caso da expressão “lugar de fala” que dá título a livro da filósofa Djamila Ribeiro.

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Outras expressões também transformadas em moda, especialmente em razão de sua disseminação pelas redes ditas antissociais nesse momento de profunda polarização em nossa sociedade são “cancelamento” e “lacração”: a primeira representando mais que uma discordância de caráter profundo com opinião ou comportamento manifestos por alguém, mas o próprio julgamento, condenação e justiçamento da pessoa cancelada.

E pior: o cancelamento representa a tentativa de ampliar a exposição da pessoa e suas ideias consideradas inoportunas, de forma a promover, como no passado, uma condenação em praça pública. Hoje, uma condenação ao desaparecimento, à invisibilidade e ao esquecimento eterno.

Situação de intolerância que eu considero dizer tanto sobre o autor do cancelamento, quanto do autor do comportamento abjetável, criticável.

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Não que qualquer um de nós tenha que conviver e estar sendo bombardeado com opiniões que são completamente antagônicas às nossas crenças, ideias, educação, formação, sentimentos e até visão de mundo.

Mas, nesse caso, sempre há como adotar o ensinamento antigo, que nos lembrava de que a existência de dois ouvidos (ou olhos) era para que as agressões ou bobagens entrassem por um deles e saíssem pelo outro.

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Também não vejo problema em afastarmo-nos daqueles com quem não temos afinidades e cujas opiniões apenas nos trariam desconforto, quando não discussão. Não fazer isso seria uma autosabotagem. Coisa de masoquista.

Sem procurar induzir a quem quer que seja a adotarem comportamento semelhante.

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Quanto à lacração, parece-me ser a expressão de aprovação e concordância com algum tipo de pensamento que tivemos a oportunidade de expor. Mais uma vez, sinal de identidade.

Ou sinal de uma vaidade vazia, já que restrita àqueles grupos a que pertencemos, justamente por pensarmos e nos expressarmos de forma semelhante.

Em resumo: a lacração expressa o fato de que fomos os pioneiros em emitir uma opinião que todos em nosso grupo compartilhavam.

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Mas, o pitaco de hoje não era para tratar de expressões tornadas modismos. E, como ensina o dicionário, efêmeras.

No fundo o pitaco hoje era para tratar do bárbaro assassinato, em loja do Carrefour de Porto Alegre, do Beto, o João Alberto Silveira Freitas. Homem negro. Sinal evidente do racismo estrutural de nós brasileiros, mesmo que tal comportamento seja insistentemente ignorado por Mourão e Bolsonaro.

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Porque a questão crucial aqui não é se Beto deu ou não motivo para que tentassem expulsá-lo da loja. Se ele adotou comportamento antissocial ou não. Se estava sendo inconveniente ou não. Se estava bêbado ou não. E ao que parece, e as imagens deixam perceber, Beto não cometeu nenhum ato condenável.

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Uma coisa é puxar pelo braço, falar grosso. Outra bem diferente é a união de dois homens, para covardemente se atracarem com um sozinho. E um deles, ficar desferindo murros e socos, que respingaram sangue pelo piso, enquanto o segundo valentão conseguia, pelas costas, desequilibrar o Beto e jogá-lo ao chão.

A essa altura, Beto já estava dominado. E apenas um desejo íntimo e mórbido de seviciar, de torturar, de superar a infelicidade de uma vida limitada e sem perspectivas, seria capaz de levar dois homens brancos, a assassinarem um negro.

Sim. Há que se desnudar a verdade evidente: fosse branco, Beto teria levado uns tabefes, talvez. Uns empurrões e teria saído vivo do supermercado, para ir comer o pudim de pão sossegado em sua casa.

***

Alguns dias depois, postei no facebook, mensagem de pesar e revolta contra o assassinato cruel.

Na oportunidade disse que não tinha lugar de fala. Estava errado.

Tenho sim, lugar de fala, mesmo não sendo preto. Ou “moreninho”.

E o que me dá essa posição é o fato de ser humano. E de sentir e testemunhar toda a injustiça, praticada contra outros seres humanos, apenas por terem nascido com a pele de cor escura. Preta.

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É verdade que não sou eu que levo as bolachas e esculachos dos policiais como, por exemplo, quando  voltava do estádio em uma ocasião e, no ônibus, vários de nós atleticanos comemorávamos, cantávamos, xingávamos, nos divertíamos.

Incomodávamos outros passageiros? Certamente.

Mas, descemos no mesmo ponto, eu e vários rapazes e meninos vizinhos meus, do morro.  Por acaso todos negros. Pretos.

E foram eles que os policiais elegeram para serem as vítimas da ação de saltar da viatura e dar a prensa, com direito a mãos nas paredes, alguns tapões e revista.

***

Aí é que está meu lugar de fala: na minha covardia. Total e absoluta. C O V A R D I A.

Estava escuro e, à noite, todos os gatos são de mesma tonalidade.

Recolhi-me a minha insignificância e passei pela agressão sem me manifestar. Engolindo meu silêncio e minha vergonha.

Se atitudes de outrem, até autoridades públicas, me fazem adotar comportamento tão deplorável, tão pequeno,  por causa do racismo, como não admitir que também eu fui afetado por essa praga?

Que me omiti, me cancelei naquela oportunidade; me calei e tive um comportamento de um “verme”? E tudo esse fato por culpa do racismo. Saí dali sem a dor física, dos tapões e achaques.

Mas e a dor moral? Não me assegura lugar de fala, mesmo que relativo?

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O presidente que não temos e não governa. O general que é vice de um nada e, assim, expressa sua insigne ficância (afinal ele é indemissível). Nega o racismo como a pandemia. Nega o fogo que lhe queima a pele e, quem sabe, a alma...

Esse general só mostra que a formação militar, o ensino nas academias também é mera falácia. Não existe. Como não existia e não existe em nosso país corrupção, rachadinhas, uso de verbas públicas em finalidade distinta da sua aprovação, e milhões e milhões de bombons da Kopenhagen, gerando a multiplicação de imóveis. Todos pagos à vista.

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Como não existem os Queiroz e Wassafs, nem os capitães Adriano e as milícias que sustentam o mito da paz nos morros e na periferia. A paz dos cemitérios onde jaz, sem qualquer responsabilização penal, o corpo da mulher negra, Marielle.

Também não existia luz no Amapá e nosso líder só apareceu depois de 22 dias, para dar vexames em passeio de automóvel em desrespeito às normas mais básicas de segurança no trânsito. Normas que, para ele não existem.

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O tal presidente não se manifestou sobre o depósito de 89 mil reais na conta de sua mulher. Não se pronunciou sobre a morte de Beto, não abordou a questão energética do Amapá e não cobrou do ministro da saúde, outro general de meia pataca em hombridade( e pataca e meia em subordinação) o porquê de milhões de testes, caros, estão apodrecendo em depósitos sob responsabilidade do governo federal.

Mas, tudo bem. Também o orçamento da saúde não foi gasto, em meio à pandemia. Ou foi gasto em proporção irrisória.

Afinal, era só uma gripezinha, em um país de maricas. E ladrões no comando do barco.

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Por fim, vamos falar de Maradona. O diez. O diós da Copa de 86. Ou não.

Como ele mesmo disse: Deus é apenas um. Ele era apenas um jogador.

O que foi genial com a bola nos pés, Maradona também foi como homem. Genial por se saber limitado. Com restrições. Com problemas e comportamentos condenáveis que ele nunca escondeu.

Maradona foi um personagem trágico de um tango. Se composto por ele ou não, não importa. Importa que a música que ele nos proporcionou e suas reviravoltas e os versos que elas inspiraram foram tão grandes quanto sua imagem.

Infinitas vezes maior que o Dieguito, o pequeno jogador que, um dia, como diz o canto religioso, segurou na mão de Deus. Ganhou altura e voou alto, para mandar a bola para as redes da Inglaterra. E restaurar todo o orgulho de um povo de hermanos.

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Sempre fui de gostar mais dos marginalizados. Não gostava dos mocinhos. Nas brincadeiras, optava por não ser o polícia. Respeitava os xerifes do velho oeste, mas torcia para os Billys e outros kids iguais.

Achava o Mickey chato, e muito certinho. Preferia o Pateta. Especialmente quando uma pancada o fez se transformar no temível Mancha Negra.

Torcia pelo gato Tom, nas escaramuças com o rato Jerry.

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Vi Garrincha ganhar uma Copa sozinho, em 1962. Vi Romário vencer uma Copa sozinho em 94, embora com o falso brilho de uma conquista nos pênaltis.

Mas vi Maradona jogar e ganhar, sozinho, a Copa de 1986.

E vi o gol mais belo de todas as Copas, mesmo respeitando a majestade de Pelé, com a bola nos pés.

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Maradona foi mais por ser mais humano. Mais imperfeito. Mais passional. E mostrar que todos nós, como ele, podemos nos destacar quando amamos o que fazemos. E nos divertimos quando trabalhando.

Vá descansar Diego, El Pibe.

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

Declarações risíveis se não trouxessem tanta destruição, e vergonha (alheia). E um temor: de que o liberalismo de Guedes é que leva o capitão a destruir o Estado

 A distância no tempo pode levar minha memória a me trair, por mais que eu sempre possa contar com sua companhia.

Parafraseando Arthur Azevedo em seu Plebiscito, a cena passa-se lá pelos idos de 1970, talvez 1972 e, sim: a família estava toda reunidade na sala, em torno do aparelho de televisão.

Era final de ano e assistíamos ao jornal, creio que da Bandeirantes, com apresentação de José Lino de Souza Barros.

Na ocasião havia algum tipo de conflito envolvendo as relações entre o Brasil e a China, dirigida pelo líder Mao Tsé Tung.

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Então, lá pelas tantas, José Lino leu a notícia curiosa: em razão das divergências, a Câmara de Vereadores de Nova Lima propôs, votou e aprovou um voto declarando o líder chinês “persona non grata”.

O que mereceu do Zé Lino um comentário singelo: “... e nessa noite Mao,  coitadinho, nem dormiu de tanta preocupação”.

A comicidade, o ridículo do episódio sempre me volta à lembrança, acompanhado do comentário entre espantado, divertido e irônico do apresentador.

***

Mais uma vez, nesses tempos estranhos que temos vivenciado, a lembrança frequenta meus pensamentos.

Não. Ao contrário do que alguns leitores desse pitaco poderiam imaginar, não estou me referindo a qualquer comentário, ou atitude ou postura adotada pelo mito, cada vez mais descalço, mais pés no chão, que está à frente do governo desse país.

***

Parênteses: em versão anterior, eu escrevi adotada pelo mito, etc. pés no chão, que é o dirigente desse país. Mas eu estaria criando uma “fake news”.

Porque Bolsonaro não governa. Não dirige. Não tem qualquer capacidade de comandar o que quer que seja, de liderar. De tomar decisões.

Muitos irão admitir que, provavelmente seu perfil fuja completamente ao de qualquer trabalhador. Bolsonaro não gosta de trabalhar.

O que faz, é tão somente ocupar espaço. Ocupar lugar, ali, à frente do governo.

Como um inútil. Um estorvo, embora sempre preocupado em reafirmar sua autoridade e exigir o cumprimento de suas determinações.

Não sou psicólogo, nem psicanalista, mas creio que Freud explica essa necessidade de autoafirmação.

Mas, voltemos ao tema do pitaco.

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A lembrança do episódio que abre esse pitaco diz respeito ao abilolado candidato a prefeito da Capital mineira, Bruno Engler.

E aqui, maldosamente, sugiro aos amigos leitores que procurem expandir seu conhecimento, recorrendo ao dicionário (do Google) para verificar o significado da palavra abilolado. Ali, talvez, alguém consiga encaixar o nosso deputado do PRTB em qualquer dos dois significados mais comuns, em especial o segundo.

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Pois não é que o tal político, revelando todo o ímpeto da esperança e renovação que constitui a essência da juventude, fez questão de vir a público, para afirmar que, como seu herói e ídolo maior, Bolsonaro, também não reconhece o resultado das urnas e a vitória de Joe Biden, nos Estados Unidos?

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Com declaração tão firme, sou tentado a pensar que Biden, coitadinho, deve estar sem conseguir pregar os olhos, deverasmente incomodado.

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A essa altura, classificar o candidato a prefeito como alguém excêntrico, para não gastar muita munição com quem não merece mais que risos ou pesar, é uma solução elegante que vou adotar.

Mas, é obrigação lembrar que o deputado estadual já deixou claro que aprova todas as medidas do obscuro objeto de seu desejo. Tanto em termos de decisões em relação à armas, quanto ao tratamento dispensado ao problema ambiental no país, e até à irresponsabilidade do presidente em relação ao combate à pandemia.

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Logo, não causa estranheza que o discípulo de Bolsonaro também aplauda o comportamento de seu mentor espiritual, que se recusa a cumprimentar o presidente eleito dos Estados Unidos pela conquista eleitoral.

Claro, há sempre a desculpa de que a prudência recomenda cautela  no envio de mensagem de cumprimentos, ao menos enquanto ações judiciais forem possíveis, e o ridículo, alaranjado, autoritário e derrotado Trump continuar usando e abusando do famoso Jus Sperniandi.

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Ao que parece, por seu perfil ególatra, individualista e arrogante, Trump se comporta e age como a criança que é muito rica, mimada e cheia de vontades. E que, por todo seu entorno, julga-se superior à própria realidade e às limitações que o ambiente sufocante em que exerce seu poder e se diverte com seus brinquedinhos lhe impõe.

Como tais indivíduos, a realidade pouco importa e seu ego lhe permitirá ser afastado, agora para a Flórida, para ficar em seu mundo mental, completamente estragado.

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Mas, assim como outros democratas e constitucionalistas, como alguns americanos e o próprio Bolsonaro, também eu sou favorável a que qualquer cidadão só seja considerado derrotado ou culpado, esgotadas todas as suas opções de recursos.

Também eu acho que até sentença transitada em julgado, não se pode condenar, nem querer limitar a liberdade de quem quer que seja: inimigo político, presidente estrangeiro amigo, ou até filhos...

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Constato, então, a formação de uma cadeia alimentar, de egos. Ou uma quadrilha, nos moldes da metrificada por Drummond, o Carlos: Engler que amava Bolsonaro, que amava Trump, que amava sua imagem, que não amava ninguém, desbotada e desgastada que se mostrava.

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Mas é curioso que, da mesma forma que Trump adotou sempre uma postura que os analistas políticos insistem em classificar como populista, também Bolsonaro faz questão de mostrar tal comportamento.

Afinal, entre as características definidoras do populismo e de seu agente, encontra-se a ideia germinal de que a sociedade pode ser dividida e se divide em duas categorias de pessoas. O povo, explorado, ingênuo, investido das melhores intenções e comportamentos, e o resto, definido por uma elite exploradora e corrupta.

Curioso é que esse povo, desorganizado, necessita ser dirigido por alguém capaz de representá-lo, expressar suas necessidades e os valores (conservadores) que ele cultiva. Esse povo carece de alguém que, mesmo saído da elite, seja suficientemente oportunista para se passar pela representação da vontade coletiva, amorfa.

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Assim, Trump, como Bolsonaro se proclama e age como expressão da unidade do povo, contra os exploradores, os outros, com valores e comportamento ético podres.

Outros pontos em comum são a visão nacionalista, traços autoritários, agirem como pessoas que estão sempre em guerra e procurando manter um estado constante de beligerância, de forma a  justificar a importância de sua presença vigilante. Logo, devem estar em campanha

Outras características que costumam cultivar incluem: um conteúdo repleto de negativos: antipolítica, anti-intelectualismo, anti-elite, o que lhes exige a adoção de um discurso versátil e a preferência pela democracia direta.

Utilizarem expressões grosseiras, mal-educadas, brincadeiras de mau gosto, comentários impróprios ou inadequados, postura agressiva, comportamentos misóginos, intolerantes e uma autoavaliação elogiosa são também elementos comuns entre essas tristes figuras de homens públicos, como tive a oportunidade de aprender, pesquisando mais sobre o que é o POPULISMO.

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E minha pesquisa sobre o tema serve, ao menos, para que eu possa entender a postura negacionista de Bolsonaro, em relação à questão das queimadas na Amazônia e no Pantanal; a sua reação contrária aos procedimentos recomendados pelos médicos, em relação ao controle da pandemia; suas frases sempre estúpidas, como a de que é apenas uma gripezinha, ou que quem usa máscara é covarde, ou então que precisamos parar de falar da pandemia, já que essa é uma preocupação de maricas.

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Nesse particular, é necessário reconhecer que Bolsonaro ontem se esmerou.

Comemorou que os testes com a vacina de combate e eliminação do vírus não poderia ter sequência, ao menos aquela vacina que tem um dos maiores laboratórios do mundo como um de seus patrocinadores. Comemorou e se manifestou a favor de longa vida ao vírus, sem se incomodar com a morte de importante parcela da população brasileira, aquela que ele pretende defender e representar.

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Não satisfeito, chamou a todos nós brasileiros, temerosos dos efeitos do contágio e da doença, de maricas, igualando-nos aos maranhenses que tomam o guaraná Jesus.

Por fim, mesmo que não tenha reconhecido o presidente Biden, o ameaçou com a pólvora que, se não estiver molhada, já velha e gasta, poderá ser usada como arma de defesa de nossa pátria amada, contra pretensos ataques atômicos que o pobre presidente americano tem a seu favor.

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Seria ridículo, não fosse curioso, assistir  Bolsonaro aliando-se a Maduro em uma guerra contra os ianques.

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Termino esse pitaco com uma reflexão séria e uma preocupação: cada vez mais, creio que quem comanda nosso país não é Bolsonaro.

É o infeliz Guedes, o sinistro da Economia. Ele, como representante dos interesses de seus amigos e associados, magnatas do capital financeiro, nacional ou internacional.

Ele que, por sua vocação liberal, veio para destruir o Estado brasileiro. Desconstruir nossas instituições.

Ele que manda e Bolsonaro obedece. E causa estrago cada vez que se manifesta. E deixa um rastro de destruição como consequência de todas as suas ações.