Que a análise econômica não tem nada de científica, muitos já o disseram e muito já foi escrito a respeito.
Ainda no último domingo, foi Jânio de Freitas na Folha que tratou do assunto, para comentar o curioso, e completamente ilógico comportamento da turma da oposição ao governo brasileiro, capitaneados por esse arremedo de partido que é o PSDB.
Para o colunista da Folha, durante muito tempo a oposição criticou o governo petista, na versão Lula ou Dilma, em função da manutenção de juros escorchantes, responsáveis diretos pelo pífio desempenho de nossa economia.
Pois bem, bastou que o Ministro presidente do Banco Central tomasse a liderança do movimento que levou o Copom em agosto de 2011 a dar início à redução da taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, para que a oposição começasse a criticar tal queda, alegando dessa feita, um pretenso abandono do sistema de metas de inflação.
Diga-se de passagem que o sistema de metas de inflação nem de longe fora ameaçado, tendo apenas o foco das ações da Autoridade Monetária se alterado parcialmente, deixando de considerar a taxa de juros como único instrumento, substituída por algumas medidas consideradas de supervisão prudencial - em linha, aliás, com o reforço à supervisão do sistema financeiro, que Basiléia chegou à conclusão que deveria ser perseguido depois dos epísódios da crise financeira de 2008 e seus desdobramentos.
***
E, só para constar, é bom que se recorde que o programa de metas inflacionárias prevê uma meta alvo, no caso brasileiro de 4,5% de inflação, que admite uma tolerância de variação de 2 pontos percentuais, tanto para cima quanto para baixo.
Assim, só para deixar clara a questão: o sistema diz que o BC tem o dever de manter a inflação no intervalo compreendido entre 2,5 e 6,5% e, qualquer valor no interior dessa faixa significa que o programa não apenas continua sendo adotado, mas que está sendo adotado COM ÊXITO.
Então, como entender que aqueles que antes criticavam a política de juros elevados foram os primeiros a criticarem a queda desses juros?
Deixando de lado a clara e inequívoca defesa que essa turma de analistas econômicos sempre adotou em prol da manutenção de interesses e benefícios de setores econômicos privilegiados e mais poderosos, como o sistema financeiro, prejudicado com a redução de seus ganhos e sem a bandeira de um suposto custo elevado do dinheiro como justificativa para manutenção de spreads estratosféricos, a conclusão é uma só. E aponta para o fato de que a dita oposição não tinha, como não tem é discurso.
E, sem discurso, bandeiras ou argumentos, atacava por um motivo a questão dos juros e, tão logo o governo agiu na direção que eles propugnavam, mudou o argumento, mudou a direção da crítica, apenas para continuarem marcando a oposição de ser do contra.
***
Assim, os juros altos que passaram a declinar a cada reunião do Copom, atingindo os níveis mais baixos de nossa história recente, tanto em termos nominais quanto reais (descontada a inflação), tudo dentro de um programa destinado a reduzir o custo do dinheiro, estimular o investimento e até o crediário, enfim, estimular corretamente a manutenção do crescimento da nossa economia e do emprego, viraram objeto de uma nova crítica.
***
Em termos de política fiscal deu-se o mesmo fenômeno. Visando estimular a demanda, razão primeira das decisões de produzir e de investir do empresariado, sempre de olho na elevação das vendas, de suas receitas e de sua rentabilidade, o governo resolveu reduzir a carga de tributos sobre alguns produtos, notadamente o IPI, prorrogando em várias oportunidades a duração dessa medida.
Sim, não há como negar: a redução atingiu de forma privilegiada à indústria automobilística, o que dá ensejo à crítica de que mesmo o governo do partido dos trabalhadores teve de se curvar aos interesses de grupos empresariais tão poderosos quanto o da indústria automobilística.
Mas, feita a crítica, é importante que se recorde que, desde os anos 50, e depois na época do milagre do fim dos anos 60, início dos 70, foi o automóvel e a indústria a ele vinculada, que serviu de ponto de germinação ou indústria polo, aquela que por seu crescimento cria demanda derivada para várias outras indústrias.
E o IPI acabou sendo reduzido também para outros vários produtos como os de material de construção, ligados à indústria de construção civil, a indústria que mais assegura a geração de empregos, e outros ainda, como os produtos de linha branca, etc.
Ao agir assim, o governo adotava política econômica para estimular a demanda e as compras, com o que contava com o concurso de medidas destinadas a facilitarem e a baratearem o crediário, além de estarem adotando medidas cobradas diariamente por empresários e "analistas" de araque, que sempre se bateram pela redução da carga tributária.
E o governo continuou agindo: reduzindo a incidência tributária sobre a folha de pagamentos, primeiro para alguns setores (sempre os privilegiados e mais poderosos), mas estendendo as mesmas medidas para um série de outros setores, posteriomente, na tentativa de reduzir o custo de produção industrial, e estimular as vendas e o crescimento.
Dessa forma, substituiu os encargos sobre a folha, por outros que incidiam sobre o faturamento.
E o que a oposição, aquela que tanto criticava o ônus da carga tributária começou a bradar, através de seus arautos? Que o estímulo à redução de preços e ao crediário, juntos iriam por mais lenha na fogueira, alimentando o recrudescimento do processo inflacionário, indicando claramente a subordinação do Banco Central à política econômica e o consequente abandono do sistema de metas...
***
Quando para não dar combustível à inflação, o governo não corrigiu o preço dos combustíveis e, para não prejudicar as contas da Petrobras, resolveu reduzir a CIDE, outra medida de cunho fiscal, ao invés de aplaudirem a preocupação com o controle inflacionário, correram a criticar o fato de que a Petrobras seria prejudicada, menos preocupados com a saúde da empresa e mais preocupados com os minoritários e o valor das ações em bolsa, face a reação dos mercados...
E quando clamavam pela redução de custos industriais e o governo resolveu reduzir o custo de energia, de fundamental importância na formação de preços de produtos beneficiados, alegaram que o governo queria quebrar as concessionárias de energia elétrica, o que não agradaria aos mercados, cuja reação se daria com a derrocada dos preços das ações nas bolsas.
***
Quando o governo estimulou o financiamento de longo prazo para aquisição de imóveis, a critica chegou, inclusive, a argumentar que, dada a escassez de mão de obra para a construção civil, o resultado da medida seria mais lenha na fogueira da inflação.
Mais tarde, quando os bancos públicos cortaram agressivamente os juros na ponta do tomador individual, estimulando o crédito ao consumo e obrigando os bancos privados a reduzirem suas margens, sob a ameaça de perderem parcelas expressivas de mercado, mais uma vez o fantasma da inflação e da descapitalização de bancos com ações em bolsa serviram de temas para as críticas. Críticas de analistas que só se lembram dos pequenos interesses e dos menos poderosos nessa hora, dos minoritários.
***
Ao fim de 2012, esses mesmos analistas comemoraram, por falta de bandeiras, de juízo, ou até de vergonha na cara, para não alegar o tal patriotismo, o fracasso do crescimento da economia brasileira.
Segundo eles, o crescimento do PIB de apenas 1%, se tanto, aliado ao não cumprimento da meta de superávit primário, que não teria sido alcançada não fora a adoção de artifícios e malabarismos contábeis que envolveram até o uso do Fundo Soberano, somaram-se ao descontrole da inflação que começou a se manifestar novamente. Tudo somado, o resultado é o retumbante fracasso das políticas do governo petista. Do governo Dilma.
Na verdade, tudo bem analisado, indica a falta de argumento, de proposta e de projeto de um falido PSDB, que se prepara agora para mais uma derrota fragorosa do menino do Rio. Aquele mesmo que promoveu um choque de gestão em Minas, que quebrou as finanças do Estado.
***
O que salta aos olhos é que, sem discurso, o discurso que se segue não precisa ter racionalidade, bastando apenas ser sempre do contra.
A inflação não tem, como responsáveis, o câmbio, que em parte do ano foi objeto de ações que visavam a desvalorizar nossa moeda, de forma a aumentar a competitividade de nossos produtos industríais e nossas exportações. Nem tem como uma de suas várias causas os problemas climáticos, que afetaram os alimentos, alguns dos quais já suficientemente afetados por aumento da demanda de alimentos no mercado internacional (caso da carne, por exemplo).
O descumprimento das metas de superavit primário não é encarada como seguindo a mesma linha dos orçamentos de vários outros países, sempre lembrados como modelos, pelo menos naquelas ocasiões em que estão adotando medidas distintas das nossas. E não segue a lógica da redução da tão falada carga tributária, reclamada por tantos que agora a criticam.
Os juros, embora em níveis mais baixos, ainda são mais elevados que de grande parte de nossos parceiros comerciais, embora indiquem que o governo abandonou de vez o sistema de metas, ao menos na visão tacanha e medíocre dos analistas que são meros porta-vozes dos bancos. Empregadinhos de quinta categoria.
O crescimento do PIB, um fracasso, não tem nenhuma análise mais séria. Trata-se de falhas do governo e da adoção de políticas econômicas insustentáveis, mal planejadas e colocadas em ação por uma equipe incompetente, como diriam ... os tabloides ingleses.
***
Em minha opinião, para fechar essa longa nota: o estímulo ao consumo tem um momento de crescimento, vivido em 2010 no último ano de governo Lula, mas depois começa a apresentar crescimentos decrescentes, já que chega um momento em que a classe cujo consumo pode crescer, estimulando toda a demanda, tem de começar a liquidar os créditos recebidos.
Mas, além disso, e lembrando que o consumo cresceu pela incorporação de novos contingentes de consumidores, beneficiados pela política de distribuição de renda do petismo, a chamada classe C ou nova classe média, realizado o sonho de ter comprado seu primeiro carro, de ter trocado os aparelhos eletro-eletrônicos por outros mais modernos e mais sofisticados tecnologicamente, de ter começado a viajar e a fazer turismo e até a "andar de avião" ou fazer cruzeiros, não irá continuar demandando, em escala ampliada, esses bens recém adquiridos, o que irá fazer a demanda se desacelerar naturalmente.
A menos que prosseguisse o processo de incorporação de novas camadas de famílias consumidoras, o que acho bem mais complexo.
E é bom que se lembre que, quando passam a aumentar o consumo de serviços, aí sim, temos o espaço para a elevação de preços por falta de mercados concorrenciais organizados, para a fixação de um certo patamar de preços.
Já quanto à pequena evolução de investimentos, creio que tem mais a ver com uma culpa sim do governo. Não pelos motivos alegados pelos economistas do mercado. Mas pelo fato de que, na medida em que o governo foi, paulatinamente, esperando uma reação do empresariado que não se efetivou, foi criando abrindo seu saco de bondades e criando novos benefícios a esses empresários.
Vendo essa reação, o que os empresários fizeram, em minha opinião, foi exatamente ficarem esperando, adiando suas decisões, protelando os investimentos, para forçarem a que mais benefícios lhes fossem concedidos.
Ou seja, o que não é nem um pouco irracional: jogaram na inércia, para arrancarem do governo mais e mais benesses.
Afinal, esse é o jogo. E o nome do jogo é capitalismo.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Sobre o tempo
O tempo
A tudo aplaca
Congela os sentimentos
Amortece a dor
O tempo também é remédio
Que regenera a perda de um grande amor
O tempo
Cicatriza
Cura a ferida de alguém que se perdeu
E cria a resistência
Faz suportar a ausência
Daquele que já se foi
O tempo permite
Que sem alarde
Possamos reconstruir a caminhada
O tempo é o combustível
O motor que nos induz
A ir em frente por essa estrada
O tempo silencioso
É um sábio que nos faz recobrar a vontade
E o passar do tempo
É que nos faz resgatar o prazer
Que é sinônimo
De viver felicidade
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
Quem sabe o amor?
Quem sabe a influência do relevo
O confronto entre o mar e a cordilheira
Ou o risco sempre presente
Da erupção de um vulcão jorrando lava
Cinza e destruição
Em uma corrida louca
Guiada pelo fogo da paixão
Insana!
Que se espraia e leva tudo de roldão?
Quem sabe não seria a influência
Dos ventos gélidos trazidos lá do sul
Que se esboroam sempre contra o paredão eterno
E se revelam inaptos para fazer disseminar
Exceto o ar pesado da poluição?
Ou seria a sensação perene da transitoriedade
De se saber faltar o chão em meio a um sismo
Que sacode feroz suas entranhas
Tal como o sentimento que extirpa a razão
E justifica a sensibilidade que se ergue desse chão?
Quem sabe não fosse a atmosfera
Que torna o Chile sublime inspiração?
Ou não seja o amor que a todos contagia
Capaz de explicar a simbiose
Que associa o Chile à poesia
Ainda Santa Maria e lições da fatalidade
Procurar e achar culpados e responsáveis é um dos esportes da preferência nacional. Punir os responsáveis é que são "outros quinhentos" como dizia minha avó.
E, no caso de Santa Maria, sem tomar a defesa de nenhum dos lados envolvidos, a verdade é que há um amontoado de causas, de erros e, portanto, de responsáveis. De tal modo, que punir a um, deixando de punir aos demais torna-se tão injusto, que acaba "validando" a impunidade de todos.
Tome-se o caso dos donos da casa, cada vez mais confirmado que estava com excesso de lotação. Ou sem o alvará, vencido. Ou pagando por um show em que, pelo contrato, haveria um evento pirotécnico.
Ou não?
Ou o show pirotécnico não estava incluído no contrato e, pois, seria de desconhecimento da boate? Quem sabe um brinde dos músicos ao público ali presente?
Nesse caso, também os músicos deveriam ser responsabilizados.
E quanto ao fato de o alvará estar vencido? Sem tomar qualquer defesa, insisto, a casa já funcionava há quanto tempo? Desde seu início, estava com a documentação em ordem, com alvará expedido e autorização de funcionamento?
E foi antes ou depois de o alvará ter expirado que a boate e seus proprietários resolveram eliminar as saídas de emergência? Ou, como indica o bom senso, essas saídas nunca existiram, e a casa ainda assim estava autorizada a funcionar, o que apenas nos mostra que há também aí, uma responsabilidade dos órgãos de controle da Prefeitura? E como foi a inspeção e qual o resultado obtido do laudo que a Prefeitura deve ter solicitado ao Corpo de Bombeiros?
E quem mandou os seguranças, se é que o fizeram, impedir a abertura de portas, para evitar que os frequentadores saíssem sem pagar?
Ou ninguém deu essa ordem, ao menos nessa fatídica noite, já que essa era uma ordem comum, natural, digamos, capaz de por em curso um comportamento tão óbvio que não precisava ser dada para ser cumprida?
***
Com efeito, não há e nunca haverá uma forma capaz de fazer com que mães, pais, irmãos e amigos se recuperem de perdas tão expressivas quanto a de pessoas a quem se ama: seja um filho, uma filha, um namorado, um amigo, etc.
Não há como a cidade de Santa Maria se recuperar, por mais que passem os anos de tantas vidas ceifadas ainda no seu desabrochar.
Não há como compensar o próprio pais, de tanta perda de talentos em potencial.
A verdade é que perdemos todos. Como está expresso no trecho que serve de abertura ao livro Por Quem os Sinos Dobram, não me pergunte por quem os sinos dobram, eles dobram por ... todos nós.
Mas, isso não significa que devemos ficar apenas nos lamentando, e procurando culpados ou punições.
Precisamos urgentemente, como exortou ontem a presidenta Dilma, em reunião com os prefeitos eleitos, a agir para evitar que novas catástrofes venham a acontecer.
***
Urge que tomemos Santa Maria como exemplo, para que possamos adotar as providências necessárias para que esse tipo de acontecimento fortuito e funesto possa se repetir.
E isso passa por uma discussão séria do que é necessário que seja feito para que nossa juventude possa se divertir sem riscos. E pais possam saber que os filhos estão se divertindo sem colocarem sua vida em jogo.
Passa também, e em minha opinião de forma muito mais importante, por uma mudança de mentalidade de quem culpa a burocracia, os custos dos programas de prevenção, justificando por tais custos e possíveis prejuízos, a ausência de compromisso com a vida e a segurança; a marginalidade e o desrespeito com as regras e legislações, como ontem um representante de sindicato de bares e similares parecia, em um jornal televisivo, senão defender buscar atenuantes para a irresponsabilidade daqueles que preferem ficar à margem da lei.
***
Enquanto isso, em nossas ruas, as motos, o trânsito, o álcool, as drogas e a violência prosseguem matando de forma indiscriminada jovens estudantes ou não, universitários ou não, trabalhadores ou não, pais de famílias ou não, sem que a sociedade lhes dedique mais que um ou outro artigo nos jornais, mais a título de aliviar nossa consciência coletiva que de resolver os problemas que estão na raiz dessa situação macabra.
É uma pena.
E, no caso de Santa Maria, sem tomar a defesa de nenhum dos lados envolvidos, a verdade é que há um amontoado de causas, de erros e, portanto, de responsáveis. De tal modo, que punir a um, deixando de punir aos demais torna-se tão injusto, que acaba "validando" a impunidade de todos.
Tome-se o caso dos donos da casa, cada vez mais confirmado que estava com excesso de lotação. Ou sem o alvará, vencido. Ou pagando por um show em que, pelo contrato, haveria um evento pirotécnico.
Ou não?
Ou o show pirotécnico não estava incluído no contrato e, pois, seria de desconhecimento da boate? Quem sabe um brinde dos músicos ao público ali presente?
Nesse caso, também os músicos deveriam ser responsabilizados.
E quanto ao fato de o alvará estar vencido? Sem tomar qualquer defesa, insisto, a casa já funcionava há quanto tempo? Desde seu início, estava com a documentação em ordem, com alvará expedido e autorização de funcionamento?
E foi antes ou depois de o alvará ter expirado que a boate e seus proprietários resolveram eliminar as saídas de emergência? Ou, como indica o bom senso, essas saídas nunca existiram, e a casa ainda assim estava autorizada a funcionar, o que apenas nos mostra que há também aí, uma responsabilidade dos órgãos de controle da Prefeitura? E como foi a inspeção e qual o resultado obtido do laudo que a Prefeitura deve ter solicitado ao Corpo de Bombeiros?
E quem mandou os seguranças, se é que o fizeram, impedir a abertura de portas, para evitar que os frequentadores saíssem sem pagar?
Ou ninguém deu essa ordem, ao menos nessa fatídica noite, já que essa era uma ordem comum, natural, digamos, capaz de por em curso um comportamento tão óbvio que não precisava ser dada para ser cumprida?
***
Com efeito, não há e nunca haverá uma forma capaz de fazer com que mães, pais, irmãos e amigos se recuperem de perdas tão expressivas quanto a de pessoas a quem se ama: seja um filho, uma filha, um namorado, um amigo, etc.
Não há como a cidade de Santa Maria se recuperar, por mais que passem os anos de tantas vidas ceifadas ainda no seu desabrochar.
Não há como compensar o próprio pais, de tanta perda de talentos em potencial.
A verdade é que perdemos todos. Como está expresso no trecho que serve de abertura ao livro Por Quem os Sinos Dobram, não me pergunte por quem os sinos dobram, eles dobram por ... todos nós.
Mas, isso não significa que devemos ficar apenas nos lamentando, e procurando culpados ou punições.
Precisamos urgentemente, como exortou ontem a presidenta Dilma, em reunião com os prefeitos eleitos, a agir para evitar que novas catástrofes venham a acontecer.
***
Urge que tomemos Santa Maria como exemplo, para que possamos adotar as providências necessárias para que esse tipo de acontecimento fortuito e funesto possa se repetir.
E isso passa por uma discussão séria do que é necessário que seja feito para que nossa juventude possa se divertir sem riscos. E pais possam saber que os filhos estão se divertindo sem colocarem sua vida em jogo.
Passa também, e em minha opinião de forma muito mais importante, por uma mudança de mentalidade de quem culpa a burocracia, os custos dos programas de prevenção, justificando por tais custos e possíveis prejuízos, a ausência de compromisso com a vida e a segurança; a marginalidade e o desrespeito com as regras e legislações, como ontem um representante de sindicato de bares e similares parecia, em um jornal televisivo, senão defender buscar atenuantes para a irresponsabilidade daqueles que preferem ficar à margem da lei.
***
Enquanto isso, em nossas ruas, as motos, o trânsito, o álcool, as drogas e a violência prosseguem matando de forma indiscriminada jovens estudantes ou não, universitários ou não, trabalhadores ou não, pais de famílias ou não, sem que a sociedade lhes dedique mais que um ou outro artigo nos jornais, mais a título de aliviar nossa consciência coletiva que de resolver os problemas que estão na raiz dessa situação macabra.
É uma pena.
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Eu-niverso fantástico
De que depende
A universalidade do canto
Senão da aldeia
Do eu interior
Onde se esboça o riso
E manifesta-se o pranto?
No entanto, mais humano o eu
Quanto mais interior
Mais o espaço é a liberdade dos sonhos
Mais se revela a fantasia
E, sem censuras,
Maior e mais infinito
O universo.
Penso.
E se canto o pensamento
Revelo apenas o encantamento
De ser humano.
Retorno de férias: contabilizando tragédias
Depois de uns dias de recesso, o blog está de volta.
Com a mesma proposta e mesmo pique de sempre. Assim como o Galo nosso time, que continua o mesmo. Sem as novidades de impacto que outros times apresentaram, apenas a manutenção de um plantel um ano mais experiente e maduro, e com uma média de idade ainda maior que a do ano anterior.
Tudo graças às hábeis negociações que privilegiaram trazer jogadores já rodados, experientes e alguns em fins de carreira, em troca de liberação de jogadores novos, de qualidade, mas que não agrada ao técnico.
Enfim, dia 13 já se aproxima, e o São Paulo está vindo aí.
Pela Libertadores, já que antes, pelo Campeonato Mineiro, participaremos da reinauguração do Mineirão, enfrentando nosso eterno rival, esse todo modificado e com um técnico sério e competente.
Pois é: falta apenas uma semana.
***
Infelizmente nossa volta tem o signo da tragédia que se abateu sobre Santa Maria.
Mas, contrariando a grande maioria dos que cobram agora um punição exemplar para os donos da discoteca, transformada em casa de shows, em minha opinião o acidente foi exatamente isso. Um acidente.
O que não quer dizer que não houve erros, falhas e, como sempre, uma série de irresponsabilidades.
Mas, não acho que a morte de mais de 240 pessoas, a maioria jovens, universitários, gente com toda a vida pela frente e milhares de sonhos interrompidos abruptamente deva ser atribuída apenas à irresponsabilidade da falta de uma licença de funcionamento. De um alvará vencido.
Isso porque quem já teve a oportunidade de ver como é o funcionamento do setor de emissão de licença e alvarás sabe bem que, tivesse cumprido as normas e dado entrada com o pedido de licença, tivesse pedido a renovação do alvará, a autorização teria sido dada, mesmo sem que o funcionário sequer fosse ao local fazer alguma vistoria.
E, embora o momento seja de dor, comoção, raiva, etc. etc. o que é perfeitamente natural, há uma pergunta que não quer calar: caso a boate tivesse licença para funcionar regularmente, e tivesse ocorrido o show, os sinalizadores e o espetáculo pirotécnico que iniciaram o incêndio teriam sido impedidos?
Duvido.
E a sobrelotação que parece ter acontecido não teria acontecido? Os seguranças e leões de chácara agiriam para impedir a entrada de jovens que, como se sabe, pressionariam para estar no interior da festa.
***
Do conjunto de falhas e erros, não escapa ninguém, o que configura ainda de forma mais explícita o acidente: o alvará vencido, a inação da prefeitura, a ausência de um programa regular de vistoria de casas noturnas pelo Corpo de Bombeiros, a superlotação, a contratação de um show cujo conjunto protagonista faz uso de fogos de artifício. A não inspeção, pelo Corpo de Bombeiros, das condições do local para sediar um show com efeitos pirotécnicos.
***
Em visita a Santiago do Chile, nesse recesso, e percorrendo as ruas do centro, onde situa-se a belíssima construção que serviu, até o fim da ditadura Pinochet, para abrigar a Câmara e o Senado fomos informados de que havia ali, em exposição permanente, as únicas lembranças que sobraram de uma igreja (parece-me que algo ligado a sinos) e de uma festa religiosa que foi interrompida por um terrível incêndio.
As relíquias expostas em homenagem aos que morreram nas fatídicas festividades, por força de uma vela que atingiu as faixas pendentes dos enfeites religiosos. E para servir de lição: as pesadas portas do templo, conforme nos informou o guia, abriam-se apenas para o lado de dentro, quando a população em fuga forçava inutilmente as portas para o lado de fora da igreja.
Diz o guia que, desde aquela data, as portas de lugares públicos devem ser abertas em vai-e-vem, podendo ser pressionadas, e abrindo, em qualquer direção.
***
Em meio a todo o drama e luto vivido por todo o país, e em especial pelos familiares de tantos jovens vítimados pelo fogo e pela cortina de fumaça, resta-nos, em homenagem a todos que lá perderam suas vidas, que nunca mais a legislação permita que lugares públicos possam se instalar contando com apenas uma porta. Que os acessos de entrada e saída possam ser obstruídos com qualquer que seja o material ou obstáculo. Que lugares aptos a receberem 2000 pessoas, não tenham várias saídas de emergência, etc. etc.
***
Em meio à tanta dor, é dever de justiça, elogiar o comportamento da Presidenta Dilma que imediatamente abandonou a reunião de que participava em Santiago e se deslocou até Santa Maria, onde mais que sua solidariedade, montou um verdadeiro gabinete de crise, tentando minorar o problema e dar um mínimo de conforto aos familiares enlutados.
***
Expressando minha solidariedade a todos os que perderam seus familiares, amigos, namorados, jovens, etc. na tragédia da madrugada de ontem, deixo de comentar outros assuntos, aos quais prometo voltar amanhã, em especial na área econômica.
Mas não poderia me furtar também de comentar a coluna de Jânio de Freitas na Folha de ontem: uma excelente e muito bem descrita demonstração de como a economia se presta a manipulações de cunho político, se não apenas a isso.
Com a mesma proposta e mesmo pique de sempre. Assim como o Galo nosso time, que continua o mesmo. Sem as novidades de impacto que outros times apresentaram, apenas a manutenção de um plantel um ano mais experiente e maduro, e com uma média de idade ainda maior que a do ano anterior.
Tudo graças às hábeis negociações que privilegiaram trazer jogadores já rodados, experientes e alguns em fins de carreira, em troca de liberação de jogadores novos, de qualidade, mas que não agrada ao técnico.
Enfim, dia 13 já se aproxima, e o São Paulo está vindo aí.
Pela Libertadores, já que antes, pelo Campeonato Mineiro, participaremos da reinauguração do Mineirão, enfrentando nosso eterno rival, esse todo modificado e com um técnico sério e competente.
Pois é: falta apenas uma semana.
***
Infelizmente nossa volta tem o signo da tragédia que se abateu sobre Santa Maria.
Mas, contrariando a grande maioria dos que cobram agora um punição exemplar para os donos da discoteca, transformada em casa de shows, em minha opinião o acidente foi exatamente isso. Um acidente.
O que não quer dizer que não houve erros, falhas e, como sempre, uma série de irresponsabilidades.
Mas, não acho que a morte de mais de 240 pessoas, a maioria jovens, universitários, gente com toda a vida pela frente e milhares de sonhos interrompidos abruptamente deva ser atribuída apenas à irresponsabilidade da falta de uma licença de funcionamento. De um alvará vencido.
Isso porque quem já teve a oportunidade de ver como é o funcionamento do setor de emissão de licença e alvarás sabe bem que, tivesse cumprido as normas e dado entrada com o pedido de licença, tivesse pedido a renovação do alvará, a autorização teria sido dada, mesmo sem que o funcionário sequer fosse ao local fazer alguma vistoria.
E, embora o momento seja de dor, comoção, raiva, etc. etc. o que é perfeitamente natural, há uma pergunta que não quer calar: caso a boate tivesse licença para funcionar regularmente, e tivesse ocorrido o show, os sinalizadores e o espetáculo pirotécnico que iniciaram o incêndio teriam sido impedidos?
Duvido.
E a sobrelotação que parece ter acontecido não teria acontecido? Os seguranças e leões de chácara agiriam para impedir a entrada de jovens que, como se sabe, pressionariam para estar no interior da festa.
***
Do conjunto de falhas e erros, não escapa ninguém, o que configura ainda de forma mais explícita o acidente: o alvará vencido, a inação da prefeitura, a ausência de um programa regular de vistoria de casas noturnas pelo Corpo de Bombeiros, a superlotação, a contratação de um show cujo conjunto protagonista faz uso de fogos de artifício. A não inspeção, pelo Corpo de Bombeiros, das condições do local para sediar um show com efeitos pirotécnicos.
***
Em visita a Santiago do Chile, nesse recesso, e percorrendo as ruas do centro, onde situa-se a belíssima construção que serviu, até o fim da ditadura Pinochet, para abrigar a Câmara e o Senado fomos informados de que havia ali, em exposição permanente, as únicas lembranças que sobraram de uma igreja (parece-me que algo ligado a sinos) e de uma festa religiosa que foi interrompida por um terrível incêndio.
As relíquias expostas em homenagem aos que morreram nas fatídicas festividades, por força de uma vela que atingiu as faixas pendentes dos enfeites religiosos. E para servir de lição: as pesadas portas do templo, conforme nos informou o guia, abriam-se apenas para o lado de dentro, quando a população em fuga forçava inutilmente as portas para o lado de fora da igreja.
Diz o guia que, desde aquela data, as portas de lugares públicos devem ser abertas em vai-e-vem, podendo ser pressionadas, e abrindo, em qualquer direção.
***
Em meio a todo o drama e luto vivido por todo o país, e em especial pelos familiares de tantos jovens vítimados pelo fogo e pela cortina de fumaça, resta-nos, em homenagem a todos que lá perderam suas vidas, que nunca mais a legislação permita que lugares públicos possam se instalar contando com apenas uma porta. Que os acessos de entrada e saída possam ser obstruídos com qualquer que seja o material ou obstáculo. Que lugares aptos a receberem 2000 pessoas, não tenham várias saídas de emergência, etc. etc.
***
Em meio à tanta dor, é dever de justiça, elogiar o comportamento da Presidenta Dilma que imediatamente abandonou a reunião de que participava em Santiago e se deslocou até Santa Maria, onde mais que sua solidariedade, montou um verdadeiro gabinete de crise, tentando minorar o problema e dar um mínimo de conforto aos familiares enlutados.
***
Expressando minha solidariedade a todos os que perderam seus familiares, amigos, namorados, jovens, etc. na tragédia da madrugada de ontem, deixo de comentar outros assuntos, aos quais prometo voltar amanhã, em especial na área econômica.
Mas não poderia me furtar também de comentar a coluna de Jânio de Freitas na Folha de ontem: uma excelente e muito bem descrita demonstração de como a economia se presta a manipulações de cunho político, se não apenas a isso.
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Fim de Forças
Resistência
não
mais a mesma força
forçando
a luta
não
mais a mesma chama
corrosiva
Resistência
passiva
minada
no cansaço
vitorioso.
Já
não lutas.
Ao
primeiro golpe
inverte
o adversário
que
solitário
se
desmorona
perante
o mundo.
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