Terminou o primeiro turno do Brasileirão. Em função disso, vários analistas já fazem um balanço do que foi ou tem sido essa competição, prejudicada e espremida pela Copa das Confederações. Situação que obriga a que um campeonato longo, em um país com dimensões continentais e viagens cansativas e demoradas, venha a ser disputado sem um mínimo de tempo. Seja tempo para descanso das viagens e problemas com aeroportos, seja para a necessária recuperação entre os jogos, para os atletas.
Por isso, não é de se estranhar que tantos jogadores apresentem problemas musculares, desfalcando seus times, e retirando o brilho da própria competição.
O Coritiba, a última e visível vítima que o diga.
***
Mesmo como atleticano, não há como não notar e elogiar o trabalho competente de Marcelo Oliveira no nosso principal rival, logo ele, que Kalil dispensou sob o argumento de não ter nome, autoridade, etc.
Depois de passar com brilho pelo Coritiba, Marcelo conduz agora seu time à liderança.
E, independente de gostar de Marcelo e admirar seu trabalho, tomara que daqui para a frente, tudo se altere. E ele que já subiu tão alto, inicie a descida da ladeira.
***
Mas, mesmo com o primeiro turno do Brasileirão sendo fechado, o lance da semana é, sem sombra de dúvida, o do massagista da Aparecidense, em Juiz de Fora, impedindo o Tupi de marcar o terceiro gol que lhe garantiria a classificação.
É certo que qualquer corpo estranho em campo, durante uma partida de futebol, é considerado corpo neutro, o que impediria o juiz de validar o gol do Tupi. A bola, de fato não entrou.
Mas, já passou do tempo de comportamentos como o do massagista, claramente infrator, ser premiado.
A bem da justiça, na impossibilidade de o juiz poder validar o lance, o que o Tribunal deveria fazer agora, é decretar a vitória do Tupi, seja por que motivo for: por que a bola tinha a direção do gol; por não haver mais nenhum obstáculo para que a bola entrasse, por que o lance foi um lance de autêntico jogo sujo. Porque beneficiar a Aparecidense, mesmo com a disputa de uma nova partida, seria dar o aval para que esse tipo de comportamento fosse perpetuado.
Pode-se arranjar vários motivos para que a justiça seja restabelecida. E o Tupi se classifique.
Sob pena de o futebol e suas leis, regras e convenções, muitas das quais caducas, desatualizadas, ultrapassadas, cair no ridículo de ser o local por excelência, onde o beneficiário é sempre aquele time ou clube que cometeu a infração.
***
Entretanto, em se tratando de futebol, tudo pode ser esperado.
Daí que já era hora de alguém da torcida do Tupi, com apoio de um advogado, estar analisando a possibilidade de entrar na justiça, pedindo que seu direito fosse respeitado, com base na lei de defesa dos direitos do consumidor, pelo menos.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Que soberania, cara pálida?
Novas acusações apresentadas no Fantástico, mostram que um dos alvos da espionagem americana em nosso país foi a Petrobrás.
Lamentavelmente por força de problemas em meu notebook, perdi todo o texto que havia preparado para postar ainda na última sexta feira, e que acreditava ter sido salvo.
Tudo bem, e quem tem costume de lidar com essas tecnologias modernas, quaisquer que elas sejam, sabe bem que estamos sujeitos a esses contratempos. E, também não há grandes problemas em que o conteúdo tivesse sido perdido.
Exceto que havia, mesmo de forma não intencional, uma ligação em algumas das notas com a denúncia agora apresentada.
Isso porque eu abordava a questão da pretensa invasão da Síria, por forças americanas, sob o argumento de que a ditadura sob o comando de Bashar al-Assad, havia sido a responsável pelo lançamento de armas químicas contra o próprio povo sírio, a maioria composta por civis favoráveis às forças rebeldes que lutam na tentativa de derrubada do governo, inclusive crianças.
Comentei algumas de minhas perplexidades em relação a toda a situação. Perplexidades que não querem calar.
A primeira delas, a lembrança que me veio à memória, do ataque ao Iraque de Saddam Hussein, pelas mesmas forças americanas, em função da existência, várias vezes afirmada, de armas nucleares ou melhor de um arsenal nuclear sob controle do ditador iraquiano. Armas nunca encontradas, diga-se de passagem.
Armas que foram apenas o mote, a causa para que os Estados Unidos pudessem invadir aquele país, grande produtor de petróleo, assegurando e resguardando para si, as reservas gigantescas de óleo daquele país.
Aliado ao petróleo, em minha opinião, o ataque visava também, de certa forma, resguardar o poder do dólar como moeda reserva internacional, ameaçado pela decisão de Hussein de só vender seu produto contra o pagamento em euros.
***
Naquela oportunidade, estavam dados já todos os elementos da mesma trama que envolvem hoje a situação síria. A presença de um ditador cuja amizade e manutenção no poder perdeu a importância estratégica para os Estados Unidos.
A presença de órgãos de espionagem assegurando a presença de armas nucleares, em um caso, químicas em outro. Claro, a presença desses órgãos bisbilhotando outros povos, sem que eles efetivamente tivesse algum conhecimento verdadeiro.
A questão do petróleo, no caso específico do Iraque, e os interesses do vice-presidente americano à época do ataque, e do próprio Bush, consultor que fora de grandes companhias petrolíferas, no início, fortalecidos tais interesses pelos advindos da posterior e necessária reconstrução do país destroçado, e das grandes empreiteiras e construtoras por trás do projeto.
***
Que houve o lançamento de gás Sarin, parece inegável. E, desse tipo de arma, o americano conhece e entende bem, tanto talvez, quanto os vietnamitas que foram vítimas de suas experiências com esse tipo de gás, desde os idos da guerra do Vietnam.
Mas, entre conhecer do gás e seus efeitos, conseguir até identificar sua utilização real em terras sírias e, daí, ter a certeza e poder garantir que o uso foi determinado pelas forças de Assad, e não pelos rebeldes, é no mínimo, um salto acrobático de raciocínio.
Inútil dizer que a história está repleta de exemplos de conquistas obtidas, fundadas em situações em que os ataques partiram do comando do próprio lado agredido.
Mas, os Estados Unidos adotaram a postura mais cômoda e já definiram que o responsável pelo ataque foi o ditador sírio, razão suficiente para merecer o apoio da comunidade internacional para um possível ataque.
O que só não se concretizou por força da insistência do governo russo, em não aceitar qualquer ação militar, salvo se comprovada sem sombra de dúvidas a autoria do lançamento.
Nessa situação, parece que Putin adotou a posição mais coerente, capaz até de impedir que mais uma tolice seja desencadeada sob o beneplácito da ONU.
***
Diga-se de passagem, no caso, ser também bastante curiosa a postura das Nações Unidas, extremamente ágil em se pronunciar em relação ao crime contra a humanidade, ou ao genocídio, que vem varrendo a Síria. Sinal dos tempos. Ou sinal das mudanças que todos vimos experimentando, em parte, graças ao fato de a nossa tecnologia moderna permitir, de fato, transformar o mundo cada vez mais em uma aldeia. Onde as informações fluem de forma a que todos participam dos eventos, e sentem seus efeitos, no mesmo instante em que as coisas estão se dando.
Pena que o mesmo não se deu, nem a ONU agiu de qualquer forma, tempestivamente, nos casos anteriores de Ruanda, Darfur, e outros, onde os agressores eram os países ocidentais.
***
Agora, perplexo eu comentava o que Zé Simão já publicou na Folha, como anedota: os Estados Unidos vão lançar um ataque de guerra, para manter a paz. Ou permitir que a paz seja restabelecida. O que é no mínimo curioso.
Mais ainda na região e com o principal aliado e protegido americano, Israel, tão próximo.
***
Mas, sem aceitar os argumentos até aqui apresentados em prol de uma ação militar, e sem entender os interesses americanos na Síria, os reais interesses, a verdade é que uma outra perplexidade me aflige.
Trata-se da competência dos órgãos americanos de informação, e suas espionagens que já fizeram afirmações quanto à existência de armas, de autoria de crimes, etc. e erraram tantas vezes.
Que confiança órgãos com esse histórico podem despertar?
***
E daí cheguei ao escândalo da espionagem perpetrada pela CIA, conforme denúncia de Snowden, em especial nos interesses de o governo americano, a título de detectar e poder prevenir-se contra a adoção de atos terroristas, em vigiar o Brasil.
Particularmente, afirmava no post não publicado e continuo achando curioso ainda agora, que toda essa espionagem em que nosso país parece assumir uma posição de grande destaque pelas informações das reportagens do The Guardian, venha a surgir após a descoberta de nossas jazidas de petróleo do pré-sal.
Ou seja: mais uma vez, aquele elemento comum aos casos anteriores, está presente: o petróleo.
***
Agora o Fantástico abre o jogo. A Petrobrás, a empresa líder mundial na exploração de petróleo em águas profundas, foi sim, alvo da espionagem. Talvez com maior interesse do governo americano por essas informações, que em relação à maioria das demais áreas e ministérios do governo Dilma.
E sempre lembrando que Dilma foi presidente do Conselho da Petrobrás, o que, justificaria, também, manter o controle sobre toda a comunicação e emails que a presidenta do país é parte envolvida.
***
Dilma está certa em cobrar do governo americano mais que um pedido de desculpas ou um arremedo de justificativas. E, já que cada vez mais a questão deixa de ser, como anunciada, vinculada a interesses de segurança e prevenção contra atos de terrorismo, tomando a feição de MERA e SIMPLES guerra comercial, exigir que o governo americano abra todos os seus arquivos de informações. Mesmo sabendo que isso é outra utopia, e que mesmo que concorde em abrir seus arquivos, as informações importantes capturadas não serão apresentadas.
***
Pena que tudo isso venha à luz, no exato momento em que comemoramos mais um aniversário de nossa independência como nação. Época de comemorações de nossa autonomia e soberania.
Que soberania, cara-pálida? poderia ser perguntado, quando há no mundo um país que não respeita nada que não seja seus próprios interesses e seu umbigo?
Lamentavelmente por força de problemas em meu notebook, perdi todo o texto que havia preparado para postar ainda na última sexta feira, e que acreditava ter sido salvo.
Tudo bem, e quem tem costume de lidar com essas tecnologias modernas, quaisquer que elas sejam, sabe bem que estamos sujeitos a esses contratempos. E, também não há grandes problemas em que o conteúdo tivesse sido perdido.
Exceto que havia, mesmo de forma não intencional, uma ligação em algumas das notas com a denúncia agora apresentada.
Isso porque eu abordava a questão da pretensa invasão da Síria, por forças americanas, sob o argumento de que a ditadura sob o comando de Bashar al-Assad, havia sido a responsável pelo lançamento de armas químicas contra o próprio povo sírio, a maioria composta por civis favoráveis às forças rebeldes que lutam na tentativa de derrubada do governo, inclusive crianças.
Comentei algumas de minhas perplexidades em relação a toda a situação. Perplexidades que não querem calar.
A primeira delas, a lembrança que me veio à memória, do ataque ao Iraque de Saddam Hussein, pelas mesmas forças americanas, em função da existência, várias vezes afirmada, de armas nucleares ou melhor de um arsenal nuclear sob controle do ditador iraquiano. Armas nunca encontradas, diga-se de passagem.
Armas que foram apenas o mote, a causa para que os Estados Unidos pudessem invadir aquele país, grande produtor de petróleo, assegurando e resguardando para si, as reservas gigantescas de óleo daquele país.
Aliado ao petróleo, em minha opinião, o ataque visava também, de certa forma, resguardar o poder do dólar como moeda reserva internacional, ameaçado pela decisão de Hussein de só vender seu produto contra o pagamento em euros.
***
Naquela oportunidade, estavam dados já todos os elementos da mesma trama que envolvem hoje a situação síria. A presença de um ditador cuja amizade e manutenção no poder perdeu a importância estratégica para os Estados Unidos.
A presença de órgãos de espionagem assegurando a presença de armas nucleares, em um caso, químicas em outro. Claro, a presença desses órgãos bisbilhotando outros povos, sem que eles efetivamente tivesse algum conhecimento verdadeiro.
A questão do petróleo, no caso específico do Iraque, e os interesses do vice-presidente americano à época do ataque, e do próprio Bush, consultor que fora de grandes companhias petrolíferas, no início, fortalecidos tais interesses pelos advindos da posterior e necessária reconstrução do país destroçado, e das grandes empreiteiras e construtoras por trás do projeto.
***
Que houve o lançamento de gás Sarin, parece inegável. E, desse tipo de arma, o americano conhece e entende bem, tanto talvez, quanto os vietnamitas que foram vítimas de suas experiências com esse tipo de gás, desde os idos da guerra do Vietnam.
Mas, entre conhecer do gás e seus efeitos, conseguir até identificar sua utilização real em terras sírias e, daí, ter a certeza e poder garantir que o uso foi determinado pelas forças de Assad, e não pelos rebeldes, é no mínimo, um salto acrobático de raciocínio.
Inútil dizer que a história está repleta de exemplos de conquistas obtidas, fundadas em situações em que os ataques partiram do comando do próprio lado agredido.
Mas, os Estados Unidos adotaram a postura mais cômoda e já definiram que o responsável pelo ataque foi o ditador sírio, razão suficiente para merecer o apoio da comunidade internacional para um possível ataque.
O que só não se concretizou por força da insistência do governo russo, em não aceitar qualquer ação militar, salvo se comprovada sem sombra de dúvidas a autoria do lançamento.
Nessa situação, parece que Putin adotou a posição mais coerente, capaz até de impedir que mais uma tolice seja desencadeada sob o beneplácito da ONU.
***
Diga-se de passagem, no caso, ser também bastante curiosa a postura das Nações Unidas, extremamente ágil em se pronunciar em relação ao crime contra a humanidade, ou ao genocídio, que vem varrendo a Síria. Sinal dos tempos. Ou sinal das mudanças que todos vimos experimentando, em parte, graças ao fato de a nossa tecnologia moderna permitir, de fato, transformar o mundo cada vez mais em uma aldeia. Onde as informações fluem de forma a que todos participam dos eventos, e sentem seus efeitos, no mesmo instante em que as coisas estão se dando.
Pena que o mesmo não se deu, nem a ONU agiu de qualquer forma, tempestivamente, nos casos anteriores de Ruanda, Darfur, e outros, onde os agressores eram os países ocidentais.
***
Agora, perplexo eu comentava o que Zé Simão já publicou na Folha, como anedota: os Estados Unidos vão lançar um ataque de guerra, para manter a paz. Ou permitir que a paz seja restabelecida. O que é no mínimo curioso.
Mais ainda na região e com o principal aliado e protegido americano, Israel, tão próximo.
***
Mas, sem aceitar os argumentos até aqui apresentados em prol de uma ação militar, e sem entender os interesses americanos na Síria, os reais interesses, a verdade é que uma outra perplexidade me aflige.
Trata-se da competência dos órgãos americanos de informação, e suas espionagens que já fizeram afirmações quanto à existência de armas, de autoria de crimes, etc. e erraram tantas vezes.
Que confiança órgãos com esse histórico podem despertar?
***
E daí cheguei ao escândalo da espionagem perpetrada pela CIA, conforme denúncia de Snowden, em especial nos interesses de o governo americano, a título de detectar e poder prevenir-se contra a adoção de atos terroristas, em vigiar o Brasil.
Particularmente, afirmava no post não publicado e continuo achando curioso ainda agora, que toda essa espionagem em que nosso país parece assumir uma posição de grande destaque pelas informações das reportagens do The Guardian, venha a surgir após a descoberta de nossas jazidas de petróleo do pré-sal.
Ou seja: mais uma vez, aquele elemento comum aos casos anteriores, está presente: o petróleo.
***
Agora o Fantástico abre o jogo. A Petrobrás, a empresa líder mundial na exploração de petróleo em águas profundas, foi sim, alvo da espionagem. Talvez com maior interesse do governo americano por essas informações, que em relação à maioria das demais áreas e ministérios do governo Dilma.
E sempre lembrando que Dilma foi presidente do Conselho da Petrobrás, o que, justificaria, também, manter o controle sobre toda a comunicação e emails que a presidenta do país é parte envolvida.
***
Dilma está certa em cobrar do governo americano mais que um pedido de desculpas ou um arremedo de justificativas. E, já que cada vez mais a questão deixa de ser, como anunciada, vinculada a interesses de segurança e prevenção contra atos de terrorismo, tomando a feição de MERA e SIMPLES guerra comercial, exigir que o governo americano abra todos os seus arquivos de informações. Mesmo sabendo que isso é outra utopia, e que mesmo que concorde em abrir seus arquivos, as informações importantes capturadas não serão apresentadas.
***
Pena que tudo isso venha à luz, no exato momento em que comemoramos mais um aniversário de nossa independência como nação. Época de comemorações de nossa autonomia e soberania.
Que soberania, cara-pálida? poderia ser perguntado, quando há no mundo um país que não respeita nada que não seja seus próprios interesses e seu umbigo?
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
Amores distantes
Às vezes
Busco me desprender de sua ausência
Procuro distrair meu pensamento
De forma a suprir essa carência
É quando deixo vagar sem rumo
O meu espírito
Que o vento leva para longe
Onde se esconde sua imagem
É quando tomado de paixão
E loucura
Perco a razão
E me entrego
Sem resistir à ilusão
De ter você presa ao meu corpo
Seu coração e o meu um só sopro
Você e eu em tórrida fusão
Você, musa que se tornou meu tormento
Cuja distância é o meu lamento
Inspiração que me faz sofrer
Você que ocupou toda minha vida
E foi-se embora sem despedida
Deixando só o vazio a me envolver
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
Julgamento do STF, idas e voltas nos votos e como a busca da justiça é complexa
Para o bem ou para o mal, ou para que a justiça possa ser feita, de verdade, estou achando muito interessante acompanhar pela TV Justiça as sessões do STF analisando os embargos declaratórios dos réus do mensalão.
Sem querer tomar partido ou torcer para qualquer um dos magistrados, já que não se trata disso, é interessante que o ministro Dias Toffoli, logo ele, indicado por Lula e que todos esperavam que forçasse a barra para inocentar os réus petistas, tenha na seção de ontem, sido o primeiro a manifestar-se a favor da aceitação dos embargos de declaração, por verificar haver contradição na dosimetria aplicada a Fischberg, pelo crime de lavagem de dinheiro.
Aliás, há um engano meu, foi o ministro Barroso o primeiro. Mas, várias foram as citações ao voto do colega Toffoli.
A ministra Rosa Weber, então disse ser favorável à decretação de um documento de ofício, reduzindo a pena e corrigindo o erro da apenação dada, por não conseguir aceitar que um embargo declaratório se prestasse a tal correção.
Para ela, em relação ao que se alegava, a saber, o acordão e a punição, não havia qualquer contradição. Reconhecia então, que dois crimes idênticos, cometidos por agentes distintos, tinham tido penas diferentes e completamente díspares.
***
Mas, do que se tratava, afinal?
Pelo que entendi, o problema foi de metodologia na dosimetria da pena. Ao admitir que os juízes que inocentaram os réus, não deviam participar da fase de aplicação de penas, um réu teve um número de juízes muito menor que o outro para a cominação da pena.
Claramente, isso significava que mais juízes acharam que este réu era inocente quando comparado ao outro réu, que 10 juízes condenaram achando que sua responsabilidade ou participação no delito era maior.
Ao invés de levarem em conta que isso já era ou devia ser um atenuante para Fischberg, menor quantidade de ministros condenando-o, passaram à dosagem.
E, no caso do réu considerado de maior responsabilidade, aplicou-se uma pena menor, ao final. Fischberg, mais inocente, em tese, ficou com pena maior, pelo rigor maior dos juízes que o condenaram.
***
Vencida a tese de que houvera um erro ou contradição, no sentido mais geral do termo, e que o embargo cabia nesse caso e por esse motivo, foi então a vez de Teori Zavascki pedir então a palavra para afirmar que, tendo sido voto vencido, queria fazer uma declaração e uma revisão de votos.
Para ele, em todo o julgamento, considerou de forma restrita a questão de acatar os embargos, por motivo de contradição.
Como agora, o pleno ampliava a interpretação do que era passível de ser considerado contradição, ele se via no dever moral de voltar a rever todos os seus votos anteriores, em especial, os ligados a embargos relativos ao crime de formação de quadrilha.
E, com isso, vários dos políticos que, pensava-se, seriam protegidos por votos de outros ministros, como Toffoli, acabaram podendo ter suas penas alteradas por um ministro de quem, a princípio não se esperava esse tipo de comportamento.
***
E a busca pela justiça prossegue. E reafirma-se uma vez mais a verdade de que cada cabeça, uma interpretação, e daí, uma sentença.
E também reafirma-se a interpretação de como a questão da aplicação de direitos e de justiça é complexa e intrincada.
Sem querer tomar partido ou torcer para qualquer um dos magistrados, já que não se trata disso, é interessante que o ministro Dias Toffoli, logo ele, indicado por Lula e que todos esperavam que forçasse a barra para inocentar os réus petistas, tenha na seção de ontem, sido o primeiro a manifestar-se a favor da aceitação dos embargos de declaração, por verificar haver contradição na dosimetria aplicada a Fischberg, pelo crime de lavagem de dinheiro.
Aliás, há um engano meu, foi o ministro Barroso o primeiro. Mas, várias foram as citações ao voto do colega Toffoli.
A ministra Rosa Weber, então disse ser favorável à decretação de um documento de ofício, reduzindo a pena e corrigindo o erro da apenação dada, por não conseguir aceitar que um embargo declaratório se prestasse a tal correção.
Para ela, em relação ao que se alegava, a saber, o acordão e a punição, não havia qualquer contradição. Reconhecia então, que dois crimes idênticos, cometidos por agentes distintos, tinham tido penas diferentes e completamente díspares.
***
Mas, do que se tratava, afinal?
Pelo que entendi, o problema foi de metodologia na dosimetria da pena. Ao admitir que os juízes que inocentaram os réus, não deviam participar da fase de aplicação de penas, um réu teve um número de juízes muito menor que o outro para a cominação da pena.
Claramente, isso significava que mais juízes acharam que este réu era inocente quando comparado ao outro réu, que 10 juízes condenaram achando que sua responsabilidade ou participação no delito era maior.
Ao invés de levarem em conta que isso já era ou devia ser um atenuante para Fischberg, menor quantidade de ministros condenando-o, passaram à dosagem.
E, no caso do réu considerado de maior responsabilidade, aplicou-se uma pena menor, ao final. Fischberg, mais inocente, em tese, ficou com pena maior, pelo rigor maior dos juízes que o condenaram.
***
Vencida a tese de que houvera um erro ou contradição, no sentido mais geral do termo, e que o embargo cabia nesse caso e por esse motivo, foi então a vez de Teori Zavascki pedir então a palavra para afirmar que, tendo sido voto vencido, queria fazer uma declaração e uma revisão de votos.
Para ele, em todo o julgamento, considerou de forma restrita a questão de acatar os embargos, por motivo de contradição.
Como agora, o pleno ampliava a interpretação do que era passível de ser considerado contradição, ele se via no dever moral de voltar a rever todos os seus votos anteriores, em especial, os ligados a embargos relativos ao crime de formação de quadrilha.
E, com isso, vários dos políticos que, pensava-se, seriam protegidos por votos de outros ministros, como Toffoli, acabaram podendo ter suas penas alteradas por um ministro de quem, a princípio não se esperava esse tipo de comportamento.
***
E a busca pela justiça prossegue. E reafirma-se uma vez mais a verdade de que cada cabeça, uma interpretação, e daí, uma sentença.
E também reafirma-se a interpretação de como a questão da aplicação de direitos e de justiça é complexa e intrincada.
Galo morno e Flu sem ritmo: retrato de uma pelada, que só o comentarista não viu. A propósito de comentaristas...
Invicto já há algumas partidas, no campeonato brasileiro, a verdade é que o Galo vem se arrastando. Vá lá que Cuca não repete o time já há bom tempo, seja por mudanças forçadas por expulsões e suspensões, seja por força de contusões, jogadores que, no limite de sua resistência física têm de ser poupados, etc. E agora, mais recentemente, até mesmo por convocações para a seleção brasileira.
Mas, que alguma coisa está esquisita, que o time está se arrastando, que jogadores que se destacaram no primeiro semestre, caso de Diego Tardelli por exemplo, estão muito aquém do que são capazes, também é um fato que não dá para esconder, cobrindo com uma peneira.
***
A verdade é que, mais que estar na dependência exclusiva da genialidade de Ronaldinho Gaúcho que, como foi lembrado pelo Edgar, em sua coluna do Super, é sempre muito perigoso - afinal, R10 pode a qualquer momento ser atraído pelo canto de sereia dos dólares turcos ou de outras origens - o time está sem qualquer opção de jogada, sem interesse, sem vibração, sem futebol.
Ontem, em várias oportunidades o comentarista do pay-per-view mencionou claramente a necessidade de tirar o Atlético da letargia em que se encontrava.
E, mesmo o Fluminense mostrando ser um time fraco, limitado, o Galo só se safou de mais uma derrota por força da diferença que significa ter Ronaldinho em campo. E olha que, a rigor, Ronaldinho nem jogou.
Em minha opinião, apenas cobrou faltas. Duas. E com que categoria e classe. Que golaços, que dão força à frase que diz que ele põe a bola onde quer, como se a atirasse com as mãos.
A ponto de Cavalieri nem se mexer em ambos os lances.
***
No mais, como lembra nosso antigo médio volante, Edgar, é só chutão. Muitas vezes dados pelo Victor, depois de a bola do Galo rondar sem qualquer perigo a área adversária. Aliás, esse é o desenho da jogada: a bola no ataque do Galo que, sem poder de penetração, trança para a esquerda, para o meio, para a direita e, sem arriscar um chute sequer, a bola então é retornada ao meio campo, para reiniciar a jogada. Do meio campo para a lateral, direita ou esquerda, tanto faz, que a devolve ao meio, que sem opção passa a Léo Silva ou Réver, e daí a Victor. E tome chutão.
Ora, se com o Jõ, que tem estatura elevada, não é sempre que o pivô consegue ser feito, e pior, mesmo sendo feito, não é sempre que resulta em jogada de algum proveito, ontem, com jogadores de frente de menor estatura, a bola era para fácil recuperação pelos defensores do Fluminense.
Exceto Fernandinho, e seu barbantinho exagerado, o que se viu foi Ronaldinho sumido, Guilherme sem função e sem espaço e sem conseguir se deslocar para encontrar algum meio de entrar na área. Luan, eternamente correndo, a maior parte das vezes apenas com muito boa vontade. Tardelli, uma incógnita, perdendo lances tão bisonhos que nem parecia estar querendo jogar. Errando passes, matando a bola na canela, sem dar continuidade às jogadas... O que houve com Tardelli, depois da sua frustração com a não convocação para a seleção, ele que tanto merecia ser chamado pelo Felipão?
***
Léo Silva e Réver continuam sendo batidos por qualquer bola no chão, em que jogadores mais velozes consigam avançar trocando passes.
Richarlyson, sofrível. Não marcou, não atacou, falhou no segundo gol. Sua presença em campo teve, apenas, a capacidade de mostrar porque Ronaldinho é admirado por seus companheiros e exerce uma liderança.
A homenagem que R10 prestou ao companheiro que saiu vaiado é comovente, claro. Mas o futebol de Richarlyson, infelizmente foi mesmo muito escasso. Pequenininho.
Na direita, Michel mais uma vez teve oportunidade de confirmar o que insisto em dizer: que saudade e que falta faz Marcus Rocha.
Mesmo que grande parte da torcida, incompreensivelmente, não o apoie.
***
Guilherme é outro caso a ser analisado. Durante todo o ano passado, reclamou de estar jogando fora de sua posição, que seria a de centro avante. Ontem, quando teve a oportunidade de jogar na área, enfiado entre os zagueiros, nada fez. Nem perto da área chegou. De quebra, não arriscou praticamente nenhum chute a gol.
***
É algo precisa ser feito, com urgência por Cuca. Talvez até parar de ficar dando folgas para alguns, enquanto outros estão no sacrifício. Isso pode criar um ambiente ruim, com os jogadores divididos, entre os que têm e os que não merecem folgas.
***
Ainda sobre o jogo. Aliás, sobre comentaristas em geral. Como alguns comentaristas nada comentam, limitando-se a manifestar claramente sua preferência e a torcer escandalosamente.
Ontem, no jogo do Galo, enquanto o time mineiro só mostrava sonolência, o Flu, pelo visto dava verdadeira aula de futebol, já que massacrava o Galo. Ou não? Então porque só o Atlético era criticado, se também o Fluminense não jogava nada. Aliás, justiça seja feita, o jogo estava e esteve muito mais para uma pelada que para um jogo minimamente razoável.
***
Mas, de comentaristas torcedores, não escapam outros esportes e, infelizmente, quem espera uma análise desapaixonada do que está de fato acontecendo na competição, está perdendo seu tempo.
Tostão, que por seu passado no Cruzeiro tem o direito de torcer, às vezes se dá ao luxo de comentar do Galo. Sempre algo correto, seja dito, mas sempre algo que deprecia o Galo.
Que seja um bom comentarista entre os que estão aí, que seja torcedor, tudo bem. Mas, para que ele precisa falar do Galo, se mesmo quando o Galo estava embalado nas finais da Libertadores, ele só via o chutão, o bumba-meu-boi, ou o que ele eufemisticamente chamou de espírito Galo Doido.
Ora, prefiro que ele não fale nada do Galo, se é para sempre falar só dos defeitos. E isso não significa que não admito que as falhas existam e que quero fechar os olhos... Mas, mesmo que tivesse algo a elogiar, nem que fosse a garra, o espírito de luta ou entrega de alguns, ele não fala nada, exceto sobre os defeitos.
***
Já no domingo, vendo provas de equitação, foi interessante, para não dizer divertido ver aparecer na tela o cavaleiro Vitor Teixeira. Imediatamente o torcedor comentarista falou de sua experiência, que ninguém nega e de como, por esse motivo, ele faria um circuito sem faltas, já que tinha zerado na primeira passagem.
Parece que tanto elogio foi praga. No primeiro obstáculo cavalo e cavaleiro cometeram uma falta e perderam 4 pontos, e o título.
***
No jogo de Gasquet e Ferrer, no tênis ontem, foi ainda mais divertido. Primeiro, com o francês impondo um jogo agressivo para cima do espanhol, o comentarista saiu-se com o comentário de que o francês iria trucidar em pouco tempo - ainda não tinha mais que 1 hora e 10 minutos de jogo - o adversário, quarto colocado no ranking.
O comentário foi tão sem noção, que o outro companheiro na mesma hora comentou que isso, caso o espanhol não reagisse até o final do jogo.
Não deu outra: o espanhol reagiu e esteve a ponto de vencer a partida. E foi aí que o comentarista infeliz soltou outra: como Ferrer tinha disposição e perseguia o ponto que lhe era necessário.
Em um momento, fez uma verdadeira gozação com a falha do francês que, ao receber a bola na sua esquerda, parece não ter tido forças para mudar o rumo da bola, isolando-a.
O gaiato na mesma hora ainda comentou se não iriam repetir o lance.
Na jogada seguinte, foi Ferrer quem jogou a bola na lua. Lá do outro lado da arquibancada. E o silêncio que se seguiu foi total.
Ao fim, mais uma vez, no último set, a torcida para o espanhol era notável, embora o comentarista se lembrasse de que, se recuperasse o jogo agressivo, só então, o francês teria alguma chance.
Bem, enquanto isso o francês quebrava o serviço de Ferrer, com uma dupla falta do espanhol e partia célere rumo à vitória.
Hoje todos sabemos, o francês passou às semi-finais.
***
E até quando nós teremos que continuar convivendo e tolerando esses imbecis que se acham???
Mas, que alguma coisa está esquisita, que o time está se arrastando, que jogadores que se destacaram no primeiro semestre, caso de Diego Tardelli por exemplo, estão muito aquém do que são capazes, também é um fato que não dá para esconder, cobrindo com uma peneira.
***
A verdade é que, mais que estar na dependência exclusiva da genialidade de Ronaldinho Gaúcho que, como foi lembrado pelo Edgar, em sua coluna do Super, é sempre muito perigoso - afinal, R10 pode a qualquer momento ser atraído pelo canto de sereia dos dólares turcos ou de outras origens - o time está sem qualquer opção de jogada, sem interesse, sem vibração, sem futebol.
Ontem, em várias oportunidades o comentarista do pay-per-view mencionou claramente a necessidade de tirar o Atlético da letargia em que se encontrava.
E, mesmo o Fluminense mostrando ser um time fraco, limitado, o Galo só se safou de mais uma derrota por força da diferença que significa ter Ronaldinho em campo. E olha que, a rigor, Ronaldinho nem jogou.
Em minha opinião, apenas cobrou faltas. Duas. E com que categoria e classe. Que golaços, que dão força à frase que diz que ele põe a bola onde quer, como se a atirasse com as mãos.
A ponto de Cavalieri nem se mexer em ambos os lances.
***
No mais, como lembra nosso antigo médio volante, Edgar, é só chutão. Muitas vezes dados pelo Victor, depois de a bola do Galo rondar sem qualquer perigo a área adversária. Aliás, esse é o desenho da jogada: a bola no ataque do Galo que, sem poder de penetração, trança para a esquerda, para o meio, para a direita e, sem arriscar um chute sequer, a bola então é retornada ao meio campo, para reiniciar a jogada. Do meio campo para a lateral, direita ou esquerda, tanto faz, que a devolve ao meio, que sem opção passa a Léo Silva ou Réver, e daí a Victor. E tome chutão.
Ora, se com o Jõ, que tem estatura elevada, não é sempre que o pivô consegue ser feito, e pior, mesmo sendo feito, não é sempre que resulta em jogada de algum proveito, ontem, com jogadores de frente de menor estatura, a bola era para fácil recuperação pelos defensores do Fluminense.
Exceto Fernandinho, e seu barbantinho exagerado, o que se viu foi Ronaldinho sumido, Guilherme sem função e sem espaço e sem conseguir se deslocar para encontrar algum meio de entrar na área. Luan, eternamente correndo, a maior parte das vezes apenas com muito boa vontade. Tardelli, uma incógnita, perdendo lances tão bisonhos que nem parecia estar querendo jogar. Errando passes, matando a bola na canela, sem dar continuidade às jogadas... O que houve com Tardelli, depois da sua frustração com a não convocação para a seleção, ele que tanto merecia ser chamado pelo Felipão?
***
Léo Silva e Réver continuam sendo batidos por qualquer bola no chão, em que jogadores mais velozes consigam avançar trocando passes.
Richarlyson, sofrível. Não marcou, não atacou, falhou no segundo gol. Sua presença em campo teve, apenas, a capacidade de mostrar porque Ronaldinho é admirado por seus companheiros e exerce uma liderança.
A homenagem que R10 prestou ao companheiro que saiu vaiado é comovente, claro. Mas o futebol de Richarlyson, infelizmente foi mesmo muito escasso. Pequenininho.
Na direita, Michel mais uma vez teve oportunidade de confirmar o que insisto em dizer: que saudade e que falta faz Marcus Rocha.
Mesmo que grande parte da torcida, incompreensivelmente, não o apoie.
***
Guilherme é outro caso a ser analisado. Durante todo o ano passado, reclamou de estar jogando fora de sua posição, que seria a de centro avante. Ontem, quando teve a oportunidade de jogar na área, enfiado entre os zagueiros, nada fez. Nem perto da área chegou. De quebra, não arriscou praticamente nenhum chute a gol.
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É algo precisa ser feito, com urgência por Cuca. Talvez até parar de ficar dando folgas para alguns, enquanto outros estão no sacrifício. Isso pode criar um ambiente ruim, com os jogadores divididos, entre os que têm e os que não merecem folgas.
***
Ainda sobre o jogo. Aliás, sobre comentaristas em geral. Como alguns comentaristas nada comentam, limitando-se a manifestar claramente sua preferência e a torcer escandalosamente.
Ontem, no jogo do Galo, enquanto o time mineiro só mostrava sonolência, o Flu, pelo visto dava verdadeira aula de futebol, já que massacrava o Galo. Ou não? Então porque só o Atlético era criticado, se também o Fluminense não jogava nada. Aliás, justiça seja feita, o jogo estava e esteve muito mais para uma pelada que para um jogo minimamente razoável.
***
Mas, de comentaristas torcedores, não escapam outros esportes e, infelizmente, quem espera uma análise desapaixonada do que está de fato acontecendo na competição, está perdendo seu tempo.
Tostão, que por seu passado no Cruzeiro tem o direito de torcer, às vezes se dá ao luxo de comentar do Galo. Sempre algo correto, seja dito, mas sempre algo que deprecia o Galo.
Que seja um bom comentarista entre os que estão aí, que seja torcedor, tudo bem. Mas, para que ele precisa falar do Galo, se mesmo quando o Galo estava embalado nas finais da Libertadores, ele só via o chutão, o bumba-meu-boi, ou o que ele eufemisticamente chamou de espírito Galo Doido.
Ora, prefiro que ele não fale nada do Galo, se é para sempre falar só dos defeitos. E isso não significa que não admito que as falhas existam e que quero fechar os olhos... Mas, mesmo que tivesse algo a elogiar, nem que fosse a garra, o espírito de luta ou entrega de alguns, ele não fala nada, exceto sobre os defeitos.
***
Já no domingo, vendo provas de equitação, foi interessante, para não dizer divertido ver aparecer na tela o cavaleiro Vitor Teixeira. Imediatamente o torcedor comentarista falou de sua experiência, que ninguém nega e de como, por esse motivo, ele faria um circuito sem faltas, já que tinha zerado na primeira passagem.
Parece que tanto elogio foi praga. No primeiro obstáculo cavalo e cavaleiro cometeram uma falta e perderam 4 pontos, e o título.
***
No jogo de Gasquet e Ferrer, no tênis ontem, foi ainda mais divertido. Primeiro, com o francês impondo um jogo agressivo para cima do espanhol, o comentarista saiu-se com o comentário de que o francês iria trucidar em pouco tempo - ainda não tinha mais que 1 hora e 10 minutos de jogo - o adversário, quarto colocado no ranking.
O comentário foi tão sem noção, que o outro companheiro na mesma hora comentou que isso, caso o espanhol não reagisse até o final do jogo.
Não deu outra: o espanhol reagiu e esteve a ponto de vencer a partida. E foi aí que o comentarista infeliz soltou outra: como Ferrer tinha disposição e perseguia o ponto que lhe era necessário.
Em um momento, fez uma verdadeira gozação com a falha do francês que, ao receber a bola na sua esquerda, parece não ter tido forças para mudar o rumo da bola, isolando-a.
O gaiato na mesma hora ainda comentou se não iriam repetir o lance.
Na jogada seguinte, foi Ferrer quem jogou a bola na lua. Lá do outro lado da arquibancada. E o silêncio que se seguiu foi total.
Ao fim, mais uma vez, no último set, a torcida para o espanhol era notável, embora o comentarista se lembrasse de que, se recuperasse o jogo agressivo, só então, o francês teria alguma chance.
Bem, enquanto isso o francês quebrava o serviço de Ferrer, com uma dupla falta do espanhol e partia célere rumo à vitória.
Hoje todos sabemos, o francês passou às semi-finais.
***
E até quando nós teremos que continuar convivendo e tolerando esses imbecis que se acham???
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Desabrochar das orquídeas
De repente
elas se abrem
roxas
vermelhas
brancas
até cheias de sardas
ou pequenas manchas avermelhadas
Desabusadas
Lindas
grandes em meio a botões
que ameaçam perpetuar o presente da natureza.
À primeira vista,
assemelham-se a borboletas
aflitas para desprender-se do ramo guia
e soltar-se no espaço
No centro,
entre pétalas
sépalas
o labelo
com seu formato curioso
distinto
ora um sapato
ora um chinelo
Mas, sempre, sempre lindas
Orquídeas que enfeitam o ambiente
e com certeza,
obras de arte
presentes da natureza
elas se abrem
roxas
vermelhas
brancas
até cheias de sardas
ou pequenas manchas avermelhadas
Desabusadas
Lindas
grandes em meio a botões
que ameaçam perpetuar o presente da natureza.
À primeira vista,
assemelham-se a borboletas
aflitas para desprender-se do ramo guia
e soltar-se no espaço
No centro,
entre pétalas
sépalas
o labelo
com seu formato curioso
distinto
ora um sapato
ora um chinelo
Mas, sempre, sempre lindas
Orquídeas que enfeitam o ambiente
e com certeza,
obras de arte
presentes da natureza
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Discurso de Formatura
Mais uma vez, tive a honra de ser homenageado pelos formandos de Ciências Econômicas da UNA, com a escolha de meu nome para professor paraninfo.
Assim, cumprindo uma tradição, faço aqui a postagem do discurso que proferi no Chevrolet Hall, na oportunidade.
Boa Noite,
inicio essa nossa última conversa na condição de professor e alunos, confessando-lhes uma perplexidade que me aflige, quando alvo de homenagens e distinção, como a que ora me prestam.
Porque é curioso, estranho mesmo, esse misto de sensações contraditórias a que nos vemos submetidos, nós professores.
Primeiro, a sensação do dever cumprido. A certeza de termos lhes transmitido o máximo, repassado tudo que estava a nosso alcance, do conhecimento técnico e científico de nosso campo do saber.
Em alguns momentos, inclusive, tenho a convicção de que nos superamos e entregamos agora, à sociedade, profissionais UP-TO-DATE. Situados na fronteira de nosso campo de atuação.
Vocês talvez não se recordem, mas chegaram até a cada um de nós, imaturos, uns; descrentes, outros; indecisos, alguns.
E hoje saem formados, bem preparados, prontos para conquistarem seu espaço no mercado de trabalho e deixarem, por sua passagem, rastros indeléveis de sua presença.
É que, por mais infantis, ou imaturos ou ignorantes que fossem, vocês eram terreno fértil, ávidos por saber. Aptos a receberem e multiplicarem as sementes que lhes foram lançadas. Acima de tudo, eram sonhadores. E surdos.
Especialmente surdos aos lamentos e queixas, e desânimo dos que se deixam abater e que foram ficando pelo caminho.
Isso fez de vocês vencedores. E me alegra ter sido participe de sua evolução.
A segunda estranheza provém de estar ciente de termos contribuído para torná-los, mais que bons profissionais, bons cidadãos. Plenos.
Cientes de seus direitos e, especialmente, de suas obrigações. De seus deveres de propugnarem por uma sociedade mais justa, mais solidária, mais fraterna, mais humana. Um ambiente melhor para se viver.
Afinal, como não me canso em repetir, vocês, recém graduados em ciências sociais têm o dever de fazerem difundir o gene que trazem em seu organismo, que é o gene do inconformismo. E do desejo de lutar por melhorias.
Por outro lado, ao capacitá-los para o exercício da profissão, do acesso ao mercado de trabalho e a cargos e carreiras de elevado prestígio e polpudas remunerações, às vezes avulta-se em mim uma dúvida: estivemos preparando-os - e bem, em nossa UNA - para se destacarem no mundo material. Das posses, da riqueza. Das projeções. Do status.
Curioso: logo o Status. Aquilo que te faz comprar algo de que não precisam, para pagar com o dinheiro que não têm, para exibirem para pessoas de que não gostam, só para mostrarem alguém que vocês não são.
Então? Contribuímos para, de alguma forma, permitir-lhes buscar sua felicidade? E mesmo que nenhum de nós a encontre, porque caminho mais que ponto de chegada, vocês sentem-se hoje, mais seguros na busca que empreendem?
Espero sinceramente que sim. E que, junto aos seus, com quem compartilham essa caminhada - e a quem parabenizo e estendo meus cumprimentos - sejam felizes.
Hoje e sempre.
Muito obrigado.
Assim, cumprindo uma tradição, faço aqui a postagem do discurso que proferi no Chevrolet Hall, na oportunidade.
Boa Noite,
inicio essa nossa última conversa na condição de professor e alunos, confessando-lhes uma perplexidade que me aflige, quando alvo de homenagens e distinção, como a que ora me prestam.
Porque é curioso, estranho mesmo, esse misto de sensações contraditórias a que nos vemos submetidos, nós professores.
Primeiro, a sensação do dever cumprido. A certeza de termos lhes transmitido o máximo, repassado tudo que estava a nosso alcance, do conhecimento técnico e científico de nosso campo do saber.
Em alguns momentos, inclusive, tenho a convicção de que nos superamos e entregamos agora, à sociedade, profissionais UP-TO-DATE. Situados na fronteira de nosso campo de atuação.
Vocês talvez não se recordem, mas chegaram até a cada um de nós, imaturos, uns; descrentes, outros; indecisos, alguns.
E hoje saem formados, bem preparados, prontos para conquistarem seu espaço no mercado de trabalho e deixarem, por sua passagem, rastros indeléveis de sua presença.
É que, por mais infantis, ou imaturos ou ignorantes que fossem, vocês eram terreno fértil, ávidos por saber. Aptos a receberem e multiplicarem as sementes que lhes foram lançadas. Acima de tudo, eram sonhadores. E surdos.
Especialmente surdos aos lamentos e queixas, e desânimo dos que se deixam abater e que foram ficando pelo caminho.
Isso fez de vocês vencedores. E me alegra ter sido participe de sua evolução.
A segunda estranheza provém de estar ciente de termos contribuído para torná-los, mais que bons profissionais, bons cidadãos. Plenos.
Cientes de seus direitos e, especialmente, de suas obrigações. De seus deveres de propugnarem por uma sociedade mais justa, mais solidária, mais fraterna, mais humana. Um ambiente melhor para se viver.
Afinal, como não me canso em repetir, vocês, recém graduados em ciências sociais têm o dever de fazerem difundir o gene que trazem em seu organismo, que é o gene do inconformismo. E do desejo de lutar por melhorias.
Por outro lado, ao capacitá-los para o exercício da profissão, do acesso ao mercado de trabalho e a cargos e carreiras de elevado prestígio e polpudas remunerações, às vezes avulta-se em mim uma dúvida: estivemos preparando-os - e bem, em nossa UNA - para se destacarem no mundo material. Das posses, da riqueza. Das projeções. Do status.
Curioso: logo o Status. Aquilo que te faz comprar algo de que não precisam, para pagar com o dinheiro que não têm, para exibirem para pessoas de que não gostam, só para mostrarem alguém que vocês não são.
Então? Contribuímos para, de alguma forma, permitir-lhes buscar sua felicidade? E mesmo que nenhum de nós a encontre, porque caminho mais que ponto de chegada, vocês sentem-se hoje, mais seguros na busca que empreendem?
Espero sinceramente que sim. E que, junto aos seus, com quem compartilham essa caminhada - e a quem parabenizo e estendo meus cumprimentos - sejam felizes.
Hoje e sempre.
Muito obrigado.
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