Afinal, como nos ensina a sabedoria popular, o futuro a Deus pertence, e como nos ensinava Collor, por meio de suas camisetas nos idos de 1990, o "tempo é o senhor da razão".
Mas, embora não quisesse fazer um pitaco cheio de platitudes e lugares comuns, o passado nos ensina.
Está aí a estatística e o estudo das séries temporais, tão ao gosto de muitos colegas e analistas celebrados, para nos ensinar o conceito de tendência, e seus impactos, inclusive, quanto à previsibilidades.
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Por esse passado, e as tendências que ele permite extrair, vemos que o ex-deputado federal, que hoje se apresenta como avesso a e combatente de toda a corrupção em nosso país, foi filiado e conviveu por longos anos, no PP, o partido que desde seu nascimento já indicava prestar-se a qualquer coisa.
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Apenas a título de respeito aos registros históricos, o PP nada mais é que uma invenção de Magalhães Pinto e de Tancredo Neves e outros liberais, até então considerados opositores, unidos em reação à reforma política adotada por Figueiredo nos anos 80.
De lá para cá, já mudou de fisionomia, de integrantes e de postura, para mais recentemente, ser o partido dirigido pelo Dr. Paulo Maluf, esse nosso paladino na luta contra a corrupção.
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Interessante assinalar essa peculiaridade do PP, de um de suas eminências, e do deputado que hoje assume o papel que um dia foi de Collor, apenas que aquele caçava marajás, e esse de hoje, caça corruptos.
Antes de prosseguir, não posso me furtar a uma observação: o caçador de corruptos de agora, ou aprimorou durante seu convívio com a sua agremiação e seu líder, as técnicas de identificação e punição aos corruptos, ou então era já naquela época, como talvez sempre tenha sido, uma pessoa de visão prejudicada.
Completamente cego, sem conseguir ver um palmo à frente do nariz. Nunca viu ou criticou qualquer corrupto com quem convivia.
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Mas até essa conclusão de que o capitão nada via, é "fake".
Está lá na Carta Maior, em matéria postada em 20/12/2006, por Nelson Breve, para quem quiser se dar ao trabalho de ir consultar com o oráculo, o Google:
Com Maluf e Bolsonaro, PP pleiteia espaço na coalizão de Lula
Deixei da mesma forma, letras garrafais e cor, a chamada da matéria.
Porque, por aí pode se ver que o autoritário capitão deputado, mais que aliado de Maluf, também manifestou interesse em participar de coalizão encabeçada pelo suposto "chefe da quadrilha dos petralhas" a que ele poderia dar apoio.
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Pois bem, a matéria ainda trazia, em benefício do militar da reserva o seguinte parágrafo, que reproduzo abaixo:
O deputado Jair Bolsonaro (RJ) chegou avisando que não tinha sido cooptado. Permaneceria com o mesmo comportamento oposicionista que teve nos últimos 16 anos. “Só vou ouvir o que o presidente quer falar. Não vou apoiar ninguém. Meu voto e minha retaguarda não negocio com ninguém”, assegurou. Mas deixou aberta uma porta de interlocução dizendo que aceitaria negociar o aumento do soldo para os militares.
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Aqui uma questão de justiça, em defesa do discípulo do torturador Ustra: esse capitão da reserva, sempre fez de tudo, legal ou não, real ou apenas sob a forma de ameaça, para obter aumentos para seus colegas, e para si, enquanto envergava a farda.
Foi esse comportamento que acabou obrigando o atual líder da ordem e do respeito a ter que pedir para passar a reserva, antes que uma expulsão manchasse definitivamente sua carreira.
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De todo o pitaco até aqui, lembremos com Jânio de Freitas que o tal caçador de corruptos de hoje, ao que parece, só se insurge contra a corrupção quando essa não é de seus "chegados". Talvez quando ele não tenha como participar.
E nem mencionei, aqui, que de seu partido PP, também fazia parte o deputado Severino Cavalcanti.
Embora o capitão tenha deixado o PP e se filiado ao PFL, de vários corruptos de renome, uma história deve ser resgatada, dos registros do Congresso em foco.
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É que, esse mesmo Severino, poderia ter recebido a alcunha de "O Célere" uma vez que, em pouco tempo, descobriu-se que participava da história do "mensalinho" da Câmara, quando achacava os proprietários de restaurantes que tinham a concessão para operar na Casa.
Mas o fato a ser recuperado é que Severino só não foi eleito presidente da Câmara com o voto do capitão da reserva, porque conforme confissão do próprio capitão, ele pensou em votar em Severino, mas lembrou-se que iria pegar mal não votar em si mesmo.
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Sim, leitores desse pitaco, se algum.
O capitão da reserva já nessa altura era candidato a presidente da Câmara, tendo obtido 2 votos, um a mais que o seu.
Ainda assim comemorou a façanha de Severino, do baixo clero da Casa, ter imposto uma derrota contundente ao governo, então de Lula.
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Mas, a tendência estatística serve ainda para mostrar quem é esse apaixonado por torturadores, que prega Jesus e Deus acima de tudo e de todos.
Também reproduzo na íntegra um trecho de reportagem:
"O deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ) deverá ser punido por ter pregado o "fuzilamento" do presidente Fernando Henrique Cardoso. O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), vai reunir a Mesa Diretora em janeiro para discutir que tipo de punição poderá ser adotado.
A Folha apurou que não está descartado o pedido de cassação do mandato de Bolsonaro, maior pena prevista por falta de decoro parlamentar. Anteontem, em solenidade no Clube de Aeronáutica no Rio de Janeiro, Bolsonaro disse que "para o crime que ele (FHC) está cometendo contra o país, sua pena deveria ser o fuzilamento".
"Todas essas manifestações (no Clube de Aeronáutica) são na verdade tentativas de rompimento constitucional. Falar em fuzilamento é uma irresponsabilidade", afirmou Temer."
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Até Temer, o golpista traidor, atualmente em recesso, manifestou-se contra o absurdo que o deputado, defensor dos humanos direitos, foi capaz de pronunciar.
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Olha, não fui eu quem disse a frase do fuzilamento, contra uma autoridade constituída.
Para esse candidato que, ao que parece, tem uma caso de amor com a agressão e os crimes de tortura e fuzilamento, é interessante lembrar seu comportamento, por mais que não tenha sido punido, foi criminoso.
O que revela que ele mesmo não é um humano direito.
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Fatos, "fakes", existem muitos, mas o registro de falas do candidato não deixam margem a dúvidas.
Esse militar de segunda categoria - ele, não os militares da reserva, que dedicaram sua vida ao país e ao Exército brasileiro - foi quem, como deputado em primeiro mandato, declarou em entrevista ao New York Times que o Congresso deveria ser fechado.
Como foi ele que se referiu à necessidade de armar as crianças e ensiná-las a atirar; para que uma criança birrenta seja amanhã, protagonista de crimes que ele, em sua pregação deseja fazer desaparecer na sociedade.
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O que esse militar de reserva, que ainda teve a cara de pau de se apresentar, ontem, como professor de Educação Física apenas por ser a data de comemoração do dia do Professor, deseja, na verdade, é transformar cada criança naquilo em que a nossa sociedade já conseguiu transformar as crianças do morro, ou das comunidades, ou simplesmente favelas dos núcleos urbanos de nosso país.
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E nem vou me alongar aqui, para tratar de outras de suas propostas, todas merecedoras de críticas várias. Ao menos não no pitaco de hoje.
Refiro-me ao absurdo que é ouvir o deputado defensor da tortura, falar em cursos de EAD, para educação fundamental.
Em termos de educação, apenas lembrar de suas afirmações, destinadas a prestar elogios (merecidos!) aos Colégios Militares.
Apenas que, para o candidato, esses colégios são dignos de elogios, não pela seriedade com que tratam os conteúdos e disciplinas ministradas, em sala de aula. Mas pela disciplina que impõem.
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Também não vou tratar hoje do absurdo da proposta de seu guru em economia, de estabelecer como alíquota máxima de IR, o percentual de 20%.
Isso quando, em todo o mundo, esse imposto é progressivo, e níveis de renda mais elevadas são tributadas em valores cada vez maiores.
Aqui, na contramão do resto dos países desenvolvidos, a proposta nos leva ao aniquilamento dos mais pobres, o que parece ser a intenção do candidato, para quem um jeito de eliminar a pobreza talvez fosse apenas, e mais simples e economicamente, simplesmente, metralhar as comunidades em que esse estrato da população sobrevive.
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Enfim, vários conhecidos parecem tão descrentes e desanimados de nosso país que fazem questão de não se incomodarem com o que as tendências insistem em nos mostrar de forma até agressiva.
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Mas, o coiso não. Essa cria do pior tipo de autoritarismo fascistóide, com a corrupção para os amigos íntimos, não pode ser o escolhido por quem estudou, teve família, tem como se informar.
Sobretudo por todos os que defendem a democracia. Mesmo que reconhecendo o acerto da citação de Churchill, para quem a democracia é a pior de todas as formas de governo, excetuando-se todas as demais.
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Não à volta dos tempos de repressão, tortura e autoritarismo obscurantista.