Uma semana repleta de leituras, diferentes interpretações e novidades. Assim pode ser caracterizada a semana compreendida pelos dias 10 e 14 de junho.
No intervalo, entre os desmentidos, as mentiras, e o jogo de dissimulação provocado pelas reações do ex-juiz e seu bando de amigos da Procuradoria, também conhecida pela alcunha de República de Curitiba, a paralisação do dia 14.
Longe, muito longe de poder ser caracterizada como uma greve geral. E ao mesmo tempo, com uma participação popular que poderia ser classificada como impressionante, pela capacidade de aglutinar milhares de pessoas que ocuparam a Av. Paulista, em São Paulo, e vários quarteirões da Afonso Pena, na capital mineira.
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Verdade que o principal motivo da manifestação, a Reforma da Previdência trata de uma questão que afeta a um público maior que aquele presente nas ruas. Mas, também é verdade que a maior parte dos debates, das notícias, dos anúncios, dos comentários sobre a Previdência, sua crise no Brasil, e a necessidade de promoção de alterações, além das propostas apresentadas não foram nunca adequadamente tratadas e debatidas.
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Que o regime de Previdência tem atravessado um período de crise em todo o mundo, especialmente maior longevidade que aqueles que são seus beneficiários têm ostentado, não se discute.
Afinal e felizmente, uma das consequências consideradas mais benéficas do progresso de nossas sociedades, tem sido o avanço da medicina e de sua capacidade em assegurar maior tempo de vida, com maior qualidade para todos nós.
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Vivendo mais tempo, e aposentando depois de respeitados tempos obrigatórios de contribuição, independente da idade da pessoa ao se aposentar, verifica-se que, mesmo naqueles países em que existe a definição de uma idade mínima (o que não é o caso do Regime Geral de Previdência no Brasil), a Previdência de tempos em tempos enfrenta um problema sério: a expectativa de vida elevada e a atualização dos valores a serem pagos em todo esse período de vida como aposentado, indica uma fragilidade bastante consistente, comparada ao montante do fundo capitalizado (individualmente ou coletivamente) para financiar essa despesa.
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Foi assim no Japão, por exemplo, quando o governo resolveu elevar as idades mínimas limites para a aposentadoria, bem como as contribuições a serem pagas pela população. Como foi assim em outros países da Europa.
Em comum, sempre tais alterações ou reformas, acarretam manifestações, nem sempre disciplinadas, dos atingidos pelas mudanças.
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Então, as manifestações aqui realizadas são típicas do jogo democrático, juntando especialmente aqueles que se consideram os mais atingidos, tanto em seus direitos futuros, quanto em sua expectativa de direitos.
E, se aqui no Brasil as manifestações não são maiores, embora sejam importantes até como instrumentos de pressão sobre os políticos que deverão dar seus votos a favor das reformas, em parte isso é reflexo da nossa mídia, dos órgãos de comunicação que permitem que inverdades ou meias-verdades sejam disseminadas, contribuindo para a desinformação da maioria da população.
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Infelizmente, a ação das empresas da mídia tem a ver com seus interesses particulares, muito mais que com a obrigatoriedade de, detentoras de concessões públicas cedidas pelo governo, ajudar na divulgação da realidade da situação previdenciária no país.
Então além de não informar, a imprensa desinforma. Quando muitas vezes, sem qualquer análise crítica, procura atender ao interesse do governo e do governante de plantão, confundindo atender ao interesse público, do povo, com o interesse de quem está no poder.
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Ok, Devo admitir que estar no poder é sinal de que tem respaldo público, mas não necessariamente da maioria da população do país.
Afinal, aqui no Brasil, nas últimas eleições, o desencanto com a política em si mesma e seu exercício, levou ao poder um candidato derrotado pelo número de eleitores que, desencantados, optaram por anular seu voto, votar em ninguém, sem contar o fato de que ainda havia mais de 40 milhões de eleitores que se manifestaram pelo candidato da oposição.
Ou seja: Bolsonaro ganhou o governo, mas não é o porta-voz de anseios de toda a população. Longe disso.
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Mas, os interesses das empresas da imprensa ainda se unem aos interesses de outros grupos de capitais associados, como os bancos que as financiam e que, nesse momento de crise econômica e e crise das empresas da mídia, exigem divulgação parcial, apenas daquilo que favorece aos seus lucros.
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É isso que explica o porque da discussão da reforma ser tudo, menos democrática. E os comentários e análises terem de tudo, menos o chamado contraditório. Com opiniões contrárias sendo escamoteadas, ridicularizadas, ou apenas relegadas ao esquecimento.
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Mas, dito isso e perdido algum tempo com essas divagações, a semana foi também de leitura do Relatório da Reforma da Previdência, feita pelo relator, deputado Samuel Moreira e, posteriormente das interpretações daquele texto.
E nessa hora, em que há que se reconhecer que o projeto de Reforma encaminhado ao Congresso pelo governo foi aperfeiçoado em vários de seus aspectos, não pode passar despercebido o papel e os chiliques do ministro tigrão da Economia, o irado e raivoso e irônico Paulo Guedes, que em suas horas de lazer e folga, junto aos banqueiros seus colegas e amigos, deve se contentar em ser apenas um tchutchuca.
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Participando ativamente da grande usina de crises em que o governo se transformou, como bem disse o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ministro da Economia resolveu assumir o protagonismo de vez, nas hostes ou para agradá-las bolsonarianas.
Assim, veio a público criticar o relatório que se curvou à pressão dos funcionários públicos, principalmente aqueles do Congresso,e retirou 30 bilhões de economias da sua proposta original, por ter flexibilizado as regras de transição para o novo regime.
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Em boa hora, mais uma vez Maia defendeu seus pares, alegando que a proposta do relator era muito mais rigorosa que aquela que o próprio Guedes enviou ao Congresso, para cuidar das regras de transição dos militares.
O que serve para mostrar, de contrapeso, como Guedes consegue ser sabujo. E bajular aos seus patrões.
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Aliás, outro não é o motivo de seu histrionismo, ao alegar que a reforma, se feita conforme o Relatório, irá destruir a Previdência.
E aqui o problema não é nem o BPC, que felizmente não será alterado, como queria o tigrão para os idosos pobres, nem a aposentadoria do trabalhador rural.
Na verdade, a questão central é o Regime de Capitalização, derrotado e excluído do relatório. Como tem sido derrotado e eliminado dos países que adotaram esse regime - em total de 30, em todo o mundo, e já arrependidos em número de 18.
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Mas se a ideia é ruim, porque a insistência de Guedes em sua aprovação e implementação?
Por que os fundos que a previdência e/ou uma poupança individual para a aposentadoria poderiam criar, e que seriam geridas pelos grandes bancos, alcança a casa dos trilhões de reais.
Dinheiro demais, a custo muito reduzido, se algum, para ficar à disposição de bancos financiarem grandes interesses de agentes financeiros em suas operações especulativas nas bolsas, ou de megacorporações.
É essa fábula que Guedes, o tchutchuca do sistema financeiro se comprometeu a entregar aos seus colegas, e agora "patrões", e que ele não poderá honrar.
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Logo ele, oriundo do sistema financeiro, ex-diretor de banco, ex-gestor de Fundos com operações suspeitas de vários milhões de reais em negociações, conforme a CVM, ávido para entregar os fundos da previdência para a gestão de seus camaradas....
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Por isso sua reação inusitada, seu esperneio...
E a tentativa de jogar para a claque de Bolsonaro, para ver se a pressão das redes sociais desse bando de idólatras consegue demover os deputados de suas convicções (se alguma...) fazendo retornar, em plenário essa semente do mal.
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Para isso, Guedes não hesita em queimar antigos amigos, desfazer-se de amizades. Jogá-las aos leões.
Por isso, esse capacho que ocupa o ministério da Economia, não se sentiu nem um pouco ofendido por ter visto Bolsonaro entrar em sua área, para sugerir que a Petrobras não aumentasse o preço de combustíveis; nem para proibir que propagandas fossem feitas pelo Banco do Brasil, de novo sem conhecimento de Guedes.
Agora, a conversa direta com um subordinado seu, sem seu conhecimento.
Afinal, foi o próprio Bolsonaro que afirmou que falou ao Levy que ou tirava o diretor indicado, ou na segunda feira, os dois estariam na rua.
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Fosse do conhecimento de Guedes o desejo manifesto pelo presidente, o mínimo que esse ex-banqueiro deveria fazer era dizer ao seu patrão que ele resolveria o problema internamente.
Até com a saída, mais honrosa, de Levy.
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Mas na verdade, o que esse ministrinho sem qualquer pejo (para ficar mais claro, sem qualquer vergonha ou pudor) está fazendo é calar-se para dar a entender que está preocupado com a pauta de seu chefe. Nem que para isso, tenha que demitir Levy, por esse ter seguido a legislação financeira e bancária, que impede que certas cláusulas contratuais tenham seu conteúdo aberto a conhecimento público.
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Nem Levy é bobo em incorrer em crime para agradar à miopia persecutória de Bolsonaro, nem o próprio Guedes desconhece que, a abertura desejada por seu capitão pateta dos financiamentos feitos pelo Banco, pode acabar criando instabilidade e medo em eventuais empresas/empresários internacionais, com intenção de investir no país.
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Mas vale passar a imagem de que ficou ao lado do presidente, seja porque o seu subordinado não abriu a "caixa-preta" do Banco, seja por que não repassou mais dinheiro do Banco ao Tesouro - quem sabe até porque tal medida poderia ser considerada, depois uma espécie de "pedalada".
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Se Guedes ficou chateado com Levy pela sua dificuldade em repassar os empréstimos ao Banco feitos pelo Tesouro, é mais compreensível.
Afinal, é na mão desse ministrinho liberal que pela primeira vez a Regra de Ouro teve de ser alterada para conseguir cobrir o rombo que ele, do alto de sua competência não conseguiu fazer.
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Por isso, acena com a crítica à Reforma da Previdência, para agradar aos seus aliados no mercado financeiro. E para conseguir o apoio das classes empresariais produtoras, já que a capitalização desenhada contém também a destruição da segurança ao trabalho, que a legislação trabalhista tentou, mas não conseguir atingir.
Ou apenas para mostrar - além de sua falta de caráter, e solidariedade, que joga o que seu mestre mandar. E deixa sua defesa ser feita por adoradores de mitos em redes sociais.
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De Moro, dizer o que? Depois que o pacote de medidas contra a corrupção e a criminalidade que ele apoiou e encampou propunha que qualquer prova poderia ser usada no combate ao crime, independente da forma que fosse obtida, só restaria mesmo clamar agora, pelo crime do vazamento de suas conversas e conchavos.
Afinal, Moro é apenas um ministro de desculpas, escusas e descuidos. E vazamentos são algo típico de sua praia, desde que ocupava a cadeira de juiz.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
terça-feira, 4 de junho de 2019
Tudo ao mesmo tempo, agora: Bolsonaro, Neymar e MC Reaça
Impossível, nos episódios que assistimos e nos tempos que o país atravessa, não nos deixarmos ser influenciados por alguns acontecimentos tornados públicos, alguns de natureza francamente particular, todos igualmente trágicos.
Como não estamos alienados do mundo à nossa volta, tal situação permite que dramas particulares ganhem uma dimensão gigantesca, como que inflados justamente para ocupar o vazio de notícias relevantes ou fatos realmente importantes ou até mesmo da apresentação de debates saudáveis, sobre a nossa sociedade, nosso ambiente político, nossa economia.
***
Antecipo que não quero que nossa imprensa, a mídia se preocupe a ficar apenas repercutindo atos e fatos considerados de caráter nobre, ou de espírito elevado.
Acho que uma imprensa assim, rósea ou candidamente influenciada pelo espírito de Pollyana seria muito chata.
E a verdade é que a imprensa pode até noticiar ou destacar, mas não é ela que cria os fatos. Os problemas. As tragédias.
***
E, torpedeado por tais fatos, que de forma alguma nos dizem respeito e sobre os quais deveríamos nos abster de emitir juízos de qualquer espécie, acabamos sendo levados a participar, a emitir opiniões, apoiar ou torcer, manifestar-nos.
Ou ainda, no meu caso, a procurar refletir não apenas sobre os eventos e seus desdobramentos, mas sobre outras questões que os cercam, como a coincidência temporal dos acontecimentos.
E, ao dar margem para que o pensamento se transforme em passageiro dessa viagem que é o livre pensar, acabo estabelecendo algumas conexões, ligando alguns fatos que, sem qualquer vinculação causal entre si, dão margem a que cheguemos à conclusão de que, no universo, tudo conspira para que sua ocorrência se dê AQUI e AGORA.
***
Senão vejamos: ocupa a presidência de nosso país, eleito democraticamente pela maioria dos eleitores que se dispuseram a ir às urnas, um político que sempre que se manifestou, o fez de forma a destacar sua visão machista, preconceituosa, homofóbica e autoritária.
Que em campanha o candidato tivesse explorado características auto-apregoadas de virilidade para se destacar e conquistar votos de uma parcela do eleitorado, pode ser compreensível, embora sujeito a críticas.
Mas, não devemos nos esquecer que esse candidato, já na oportunidade, sofria um processo movido pela deputada Maria do Rosário, sua colega de Câmara, por declarações com claro conteúdo de estímulo ao crime de estupro.
***
Eleito presidente, esse candidato não perdeu a oportunidade, em várias ocasiões, de continuar manifestando sua intolerância, desde a escolha de ministros, como as Damares das cores de roupas, até a exibição em suas redes sociais de cenas do carnaval, com claro conteúdo erótico. Mas não ficou preso na chuva ou chuveirada carnavalesca, passando a protagonizar piadas ridículas sobre o povo japonês, além de outras manifestações descabidas, como a da censura à peça publicitária do Banco do Brasil, ou a assinatura do decreto de armas, etc.
***
E aqui devo dizer que, justiça seja feita, o presidente, apelidado de Cavalão quando ainda estava no Exército, nunca mostrou outra imagem ou apresentou uma imagem falsa de sua pessoa ou de sua índole. Se votaram nele, ainda assim, é algo que, mais tarde, afastado do calor dos acontecimentos, deverá ser objeto de pesquisas em psicologia social, de massas, para entender o que representava tal "mito", no imaginário de seus seguidores.
***
A ascensão de Bolsonaro e o papel de destaque que passa a ocupar, cada vez mais, no entanto, gera um certo aval, uma sinalização positiva, um certo estímulo a que aqueles que têm mentalidade tristemente comparável à sua, se sintam à vontade para dar asas a sua imaginação.
O que pode ser, mesmo involuntariamente e sem que o presidente compactuasse ou aprovasse tais comportamentos, uma explicação para o aumento recente dos casos de feminicídio, ou de violências policiais, para citar apenas alguns.
***
Pois é nesse mesmo momento que vem a público mais dois casos, com ingredientes que misturam alguns desses mesmos elementos, "incentivados" por Bolsonaro.
O caso triste e lúgubre de MC Reaça, cujo espírito em busca de paz o levou ao auto-extermínio, e o caso de Neymar Jr. essa figura cada vez mais perdida, e seu assessor principal, seu pai, cada vez mais patético.
***
Esse pitaco hoje não é para julgar a ninguém, nem apoiar a qualquer das partes envolvidas, nem condenar a quem quer que seja.
Seu sentido é muito mais destacar que em ambos os casos, do MC e do jogador, havia a questão da figura do macho alfa envolvido, da mulher submetida e/ou vítima, de agressões que podem ter sido físicas e até morais, e de certos tipos de reações típicas da autoridade que perde o controle da situação, quando contrariado por quem devia prestar apenas e tão somente obediência.
***
MC Reaça ao que parece, deixou-se dominar pelo pânico, pelo temor de ter cometido um ato bárbaro e de suas consequências. Do pavor de não ter como encarar sua esposa e as famílias envolvidas.
Dominado por violenta emoção, preferiu a busca da felicidade sob outras vestes.
***
Quanto a Neymar, infelizmente parece ter mudado muito.
Lembro-me ainda de quando o elogiava por ter adotado um ato dificilmente visto entre os rapazes que começam a se destacar e ganhar dinheiro, de grande maturidade como o do reconhecimento de seu filho.
Lembro-me de como se portou em todas as ocasiões em que estava presente seu menino, todas sempre dignas de elogios.
***
Até me vem à memória uma reportagem feita pela Folha, há muito tempo, em que seu pai dizia que, apesar de estar já milionário, Neymar ainda pedia dinheiro para comprar até um carro, por não estar sob seu controle a administração do que ele recebia. Tudo para mostrar como Neymar era humilde, simples e um bom menino.
***
Pena que o gênio tenha se deixado alterar em tão pouco tempo, ou que a máscara que lhe queriam impingir não conseguisse se manter por muito tempo.
***
É isso, que MC Reaça descanse em paz. E os demais atores de nosso pitaco tenham condições de analisar e, até rever seus comportamentos.
Para o bem deles mesmos.
Para o bem do ambiente que estamos vivendo
Como não estamos alienados do mundo à nossa volta, tal situação permite que dramas particulares ganhem uma dimensão gigantesca, como que inflados justamente para ocupar o vazio de notícias relevantes ou fatos realmente importantes ou até mesmo da apresentação de debates saudáveis, sobre a nossa sociedade, nosso ambiente político, nossa economia.
***
Antecipo que não quero que nossa imprensa, a mídia se preocupe a ficar apenas repercutindo atos e fatos considerados de caráter nobre, ou de espírito elevado.
Acho que uma imprensa assim, rósea ou candidamente influenciada pelo espírito de Pollyana seria muito chata.
E a verdade é que a imprensa pode até noticiar ou destacar, mas não é ela que cria os fatos. Os problemas. As tragédias.
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E, torpedeado por tais fatos, que de forma alguma nos dizem respeito e sobre os quais deveríamos nos abster de emitir juízos de qualquer espécie, acabamos sendo levados a participar, a emitir opiniões, apoiar ou torcer, manifestar-nos.
Ou ainda, no meu caso, a procurar refletir não apenas sobre os eventos e seus desdobramentos, mas sobre outras questões que os cercam, como a coincidência temporal dos acontecimentos.
E, ao dar margem para que o pensamento se transforme em passageiro dessa viagem que é o livre pensar, acabo estabelecendo algumas conexões, ligando alguns fatos que, sem qualquer vinculação causal entre si, dão margem a que cheguemos à conclusão de que, no universo, tudo conspira para que sua ocorrência se dê AQUI e AGORA.
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Senão vejamos: ocupa a presidência de nosso país, eleito democraticamente pela maioria dos eleitores que se dispuseram a ir às urnas, um político que sempre que se manifestou, o fez de forma a destacar sua visão machista, preconceituosa, homofóbica e autoritária.
Que em campanha o candidato tivesse explorado características auto-apregoadas de virilidade para se destacar e conquistar votos de uma parcela do eleitorado, pode ser compreensível, embora sujeito a críticas.
Mas, não devemos nos esquecer que esse candidato, já na oportunidade, sofria um processo movido pela deputada Maria do Rosário, sua colega de Câmara, por declarações com claro conteúdo de estímulo ao crime de estupro.
***
Eleito presidente, esse candidato não perdeu a oportunidade, em várias ocasiões, de continuar manifestando sua intolerância, desde a escolha de ministros, como as Damares das cores de roupas, até a exibição em suas redes sociais de cenas do carnaval, com claro conteúdo erótico. Mas não ficou preso na chuva ou chuveirada carnavalesca, passando a protagonizar piadas ridículas sobre o povo japonês, além de outras manifestações descabidas, como a da censura à peça publicitária do Banco do Brasil, ou a assinatura do decreto de armas, etc.
***
E aqui devo dizer que, justiça seja feita, o presidente, apelidado de Cavalão quando ainda estava no Exército, nunca mostrou outra imagem ou apresentou uma imagem falsa de sua pessoa ou de sua índole. Se votaram nele, ainda assim, é algo que, mais tarde, afastado do calor dos acontecimentos, deverá ser objeto de pesquisas em psicologia social, de massas, para entender o que representava tal "mito", no imaginário de seus seguidores.
***
A ascensão de Bolsonaro e o papel de destaque que passa a ocupar, cada vez mais, no entanto, gera um certo aval, uma sinalização positiva, um certo estímulo a que aqueles que têm mentalidade tristemente comparável à sua, se sintam à vontade para dar asas a sua imaginação.
O que pode ser, mesmo involuntariamente e sem que o presidente compactuasse ou aprovasse tais comportamentos, uma explicação para o aumento recente dos casos de feminicídio, ou de violências policiais, para citar apenas alguns.
***
Pois é nesse mesmo momento que vem a público mais dois casos, com ingredientes que misturam alguns desses mesmos elementos, "incentivados" por Bolsonaro.
O caso triste e lúgubre de MC Reaça, cujo espírito em busca de paz o levou ao auto-extermínio, e o caso de Neymar Jr. essa figura cada vez mais perdida, e seu assessor principal, seu pai, cada vez mais patético.
***
Esse pitaco hoje não é para julgar a ninguém, nem apoiar a qualquer das partes envolvidas, nem condenar a quem quer que seja.
Seu sentido é muito mais destacar que em ambos os casos, do MC e do jogador, havia a questão da figura do macho alfa envolvido, da mulher submetida e/ou vítima, de agressões que podem ter sido físicas e até morais, e de certos tipos de reações típicas da autoridade que perde o controle da situação, quando contrariado por quem devia prestar apenas e tão somente obediência.
***
MC Reaça ao que parece, deixou-se dominar pelo pânico, pelo temor de ter cometido um ato bárbaro e de suas consequências. Do pavor de não ter como encarar sua esposa e as famílias envolvidas.
Dominado por violenta emoção, preferiu a busca da felicidade sob outras vestes.
***
Quanto a Neymar, infelizmente parece ter mudado muito.
Lembro-me ainda de quando o elogiava por ter adotado um ato dificilmente visto entre os rapazes que começam a se destacar e ganhar dinheiro, de grande maturidade como o do reconhecimento de seu filho.
Lembro-me de como se portou em todas as ocasiões em que estava presente seu menino, todas sempre dignas de elogios.
***
Até me vem à memória uma reportagem feita pela Folha, há muito tempo, em que seu pai dizia que, apesar de estar já milionário, Neymar ainda pedia dinheiro para comprar até um carro, por não estar sob seu controle a administração do que ele recebia. Tudo para mostrar como Neymar era humilde, simples e um bom menino.
***
Pena que o gênio tenha se deixado alterar em tão pouco tempo, ou que a máscara que lhe queriam impingir não conseguisse se manter por muito tempo.
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É isso, que MC Reaça descanse em paz. E os demais atores de nosso pitaco tenham condições de analisar e, até rever seus comportamentos.
Para o bem deles mesmos.
Para o bem do ambiente que estamos vivendo
terça-feira, 28 de maio de 2019
Manifestações em prol de quem de mito, passou a mico. Pior: um mico que flerta com o golpe
Posso estar enganado, mas aprendi desde pequeno que se alguém pede socorro, é porque se encontra ou se sente em situação de perigo.
No caso de pedir apoio, ajuda, é um reconhecimento (nem sempre ruim!) de que não está em uma posição de força. Não está confortável.
Raras vezes o pedido de auxílio é sinal de humildade ou alguma atitude especial, visando incorporar muito maior quantidade de pessoas em projetos, ações, propostas, de forma a dar-lhes a oportunidade de se sentirem participantes, sujeitos da ação. Mesmo quando a tarefa é, reconhecidamente hercúlea.
***
Por outro lado, dentre as muitas lições que tive a oportunidade de aprender com minha avó, uma lição que nunca esqueci foi a de que, quando você tem alguma queixa ou reclamação a fazer, você deve procurar direto a pessoa que tem a responsabilidade pela solução do problema enfrentado.
Por mais que todas as pessoas devam sempre ser valorizadas, qualquer que seja sua função, dirigir uma reclamação àquelas pessoas que não têm condições ou autoridade para resolver a questão, pode soar como simples desabafo, apenas uma atitude para chamar a atenção, sem qualquer efeito senão o barulho, além de se tornar uma perda de tempo.
Desta forma, a fazer alguma reclamação, procure quem pode ter a solução e trate direto com essa pessoa.
***
Refiro-me a essas recordações em razão do instante que nosso país atravessa, marcado pelo envolvimento do próprio presidente da República em convocação de manifestações públicas de apoio a seu governo. A ponto de ter manifestado, em várias ocasiões, a vontade de ir às ruas, congratular-se com o povo.
Ora, se de fato tivesse o apoio da população, ou ainda a certeza de ter tal apoio, seria no mínimo perda de tempo patrocinar tais convocações.
Afinal, ou se tem ou não se tem o apoio ou a certeza dele. E não deveriam caber dúvidas disso.
***
Exceto que o presidente esteja se sentindo fraco. O que não é o caso, por suas intervenções, comemorando o resultado das manifestações por ele convocadas.
***
E, se é verdade que o presidente não foi às ruas, como manda a prudência e o aconselharam seus assessores, sabemos todos que esteve presente ao menos no mundo virtual, em que passa grande parte do tempo em que deveria estar governando o país.
E, se as manifestações não foram um fiasco, ao menos conseguiram juntar um contingente de pessoas, sempre prontas a, posteriormente, acorrerem às redes sociais e acreditarem em fotos manipuladas, para expandirem o número de participantes significativamente.
Afinal, há uma certa percepção equivocada de todos que estamos presentes em algum evento, muito por força de nosso envolvimento emocional, de que o movimento é mais poderoso e tem mais presença de público que o que a realidade fria nos indica.
Coisas da visão distorcida da paixão.
***
E, embora ao pedir apoio a seu governo, o presidente mostre que não é o mito que se apregoa, estando mais próximo de ser um grande mico, impressiona-me o fato de não procurar ir direto levar suas queixas ou demandas àqueles que têm a responsabilidade e competência para ajudarem a resolver a situação.
Afinal, se Bolsonaro foi eleito (democrática e desgraçadamente!), também os deputados e senadores foram escolhidos pelo povo para representá-los. E é com os membros do Congresso que o presidente tem a obrigação de se sentar e entrar em entendimentos.
Se é de fato seu desejo promover reformas que permitam que o país possa evoluir e voltar a ser uma nação rica, de economia em crescimento, emprego e mais justiça e igualdade de oportunidades para todos.
***
O problema é que alegando que isso é o jeito velho de se fazer política, através de entendimentos, negociações, acordos e soluções de compromisso, o irresponsável que ocupa a presidência aproveita para lançar sobre toda a classe política a pecha de corrupta e venal.
***
Talvez por ter estado quase 30 anos no Congresso, vivendo nas sombras, nos espaços onde se realizam as negociações mais escusas e indecentes, o presidente tenha ficado tão viciado como o fumante de boca torta do cachimbo. E, a partir daí, acredite que todas as negociações sejam negociatas. Sempre abjetas.
O que o faz se recusar a se reunir e discutir qualquer assunto de caráter mais nobre. Mesmo que de discutível resultado para o povo, último beneficiário das medidas.
***
Porque ou é isso, ou vai ficando cada vez mais claro que a intenção do presidente é muito mais autoritária, muito mais truculenta. Ou seja, suas reformas devem passar como ele as desenhou, sem qualquer espaço para alterações, mesmo que para seu aperfeiçoamento.
Especialmente porque aperfeiçoar as medidas, no sentido do atendimento aos interesses do povo, significa muitas vezes obrigar outros setores mais poderosos, a abrirem mão de todos os benefícios e vantagens que idealizaram.
***
Digo isso, mas acho que, no fundo, o que move Bolsonaro não é o desejo de fazer o Congresso se amesquinhar, se apequenar e passar, por temor, a aprovar tudo que seu mestre enviar e mandar.
Pior que isso: acho que, no fundo, o que esse presidente deseja é fechar o Congresso, com apoio da população ou parte dela. No fundo, o que ele parece desejar é fechar tudo e, como já citado por um de seus filhos, mandar um cabo e um soldado para fechar até o Supremo.
***
Importa observar que nessa função de jogar a Constituição na lata de lixo, a julgar por declarações que apenas mantiveram o mesmo tom e conteúdo das emitidas pelo presidente, Bolsonaro conta com o apoio de, ao menos, seu Ministro do Gabinete da Segurança Institucional, o general linha dura Augusto Heleno.
E confesso, que fiquei surpreso ao procurar pesquisar de que se trata a tal Segurança Institucional.
Porque, ingenuamente, acreditava que era o general responsável por cuidar da Segurança das Instituições do Brasil.
Mas, qual não foi minha surpresa ao descobrir que o cargo tem a função de prestar assistência direta e imediata ao Presidente, assessorando pessoalmente em assuntos militares e de segurança.
Logo, nada a ver com respeito às Instituições. Nem, necessariamente ao livrinho.
***
Para ser justo, devo admitir que muitos que foram às manifestações, provavelmente repeliriam um golpe como o prenunciado.
Como foi dito pela imprensa, apenas uma minoria de pessoas, a pior espécie delas, as ressentidas, podem ter essa ambição, ainda não escancarada totalmente.
A maioria, pode sim ter ido às ruas para aprovar a reforma da Previdência de Paulo Guedes ou melhor dizendo de seus patrões do mercado financeiro.
Ou o pacote anticorrupção de Moro, o juiz que prende e arrebenta, desde que não seja colega de ministério, ou tenha mostrado arrependimento de práticas delituosas, como nos casos dos ministros da Casa Civil ou do Turismo.
***
Alguns podem até achar mesmo que o COAF, que sempre esteve ligado ao Ministério da Fazenda, onde tinha autonomia e independência até para poder fornecer subsídios à Lava Jato, deveria ir parar sob o comando de um ministro desmoralizado, que poderia interromper investigações, especialmente contra colegas, filhos e outros que tais.
***
Mas, que eu gostaria de ter acesso a resultados de pesquisas com tais pessoas, bem intencionadas, para poder avaliar o quanto se deixam iludir com as propostas que defendem sem conhecer, isso é fato.
***
De minha parte, afirmo que tais reformas não irão permitir o país voltar a crescer. Até mesmo as contas do governo, é discutível que possam ter melhoras imediatas ou de médio prazo.
O país vai continuar tendo corrupção, por que isso é da parte podre da nossa sociedade, aqui ou em qualquer lugar do mundo.
A Previdência, em especial a proposta de capitalização, irá apenas aumentar a desigualdade e a conflagração entre os brasileiros.
Iremos sucatear nossa educação superior, de qualidade elevada, mas não iremos nos incomodar, já que meninas continuarão usando rosa e meninos se vestirão de azul.
***
Sobretudo um alerta: Bolsonaro flerta com o golpe. E tem cheiro de golpe no ar.
No caso de pedir apoio, ajuda, é um reconhecimento (nem sempre ruim!) de que não está em uma posição de força. Não está confortável.
Raras vezes o pedido de auxílio é sinal de humildade ou alguma atitude especial, visando incorporar muito maior quantidade de pessoas em projetos, ações, propostas, de forma a dar-lhes a oportunidade de se sentirem participantes, sujeitos da ação. Mesmo quando a tarefa é, reconhecidamente hercúlea.
***
Por outro lado, dentre as muitas lições que tive a oportunidade de aprender com minha avó, uma lição que nunca esqueci foi a de que, quando você tem alguma queixa ou reclamação a fazer, você deve procurar direto a pessoa que tem a responsabilidade pela solução do problema enfrentado.
Por mais que todas as pessoas devam sempre ser valorizadas, qualquer que seja sua função, dirigir uma reclamação àquelas pessoas que não têm condições ou autoridade para resolver a questão, pode soar como simples desabafo, apenas uma atitude para chamar a atenção, sem qualquer efeito senão o barulho, além de se tornar uma perda de tempo.
Desta forma, a fazer alguma reclamação, procure quem pode ter a solução e trate direto com essa pessoa.
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Refiro-me a essas recordações em razão do instante que nosso país atravessa, marcado pelo envolvimento do próprio presidente da República em convocação de manifestações públicas de apoio a seu governo. A ponto de ter manifestado, em várias ocasiões, a vontade de ir às ruas, congratular-se com o povo.
Ora, se de fato tivesse o apoio da população, ou ainda a certeza de ter tal apoio, seria no mínimo perda de tempo patrocinar tais convocações.
Afinal, ou se tem ou não se tem o apoio ou a certeza dele. E não deveriam caber dúvidas disso.
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Exceto que o presidente esteja se sentindo fraco. O que não é o caso, por suas intervenções, comemorando o resultado das manifestações por ele convocadas.
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E, se é verdade que o presidente não foi às ruas, como manda a prudência e o aconselharam seus assessores, sabemos todos que esteve presente ao menos no mundo virtual, em que passa grande parte do tempo em que deveria estar governando o país.
E, se as manifestações não foram um fiasco, ao menos conseguiram juntar um contingente de pessoas, sempre prontas a, posteriormente, acorrerem às redes sociais e acreditarem em fotos manipuladas, para expandirem o número de participantes significativamente.
Afinal, há uma certa percepção equivocada de todos que estamos presentes em algum evento, muito por força de nosso envolvimento emocional, de que o movimento é mais poderoso e tem mais presença de público que o que a realidade fria nos indica.
Coisas da visão distorcida da paixão.
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E, embora ao pedir apoio a seu governo, o presidente mostre que não é o mito que se apregoa, estando mais próximo de ser um grande mico, impressiona-me o fato de não procurar ir direto levar suas queixas ou demandas àqueles que têm a responsabilidade e competência para ajudarem a resolver a situação.
Afinal, se Bolsonaro foi eleito (democrática e desgraçadamente!), também os deputados e senadores foram escolhidos pelo povo para representá-los. E é com os membros do Congresso que o presidente tem a obrigação de se sentar e entrar em entendimentos.
Se é de fato seu desejo promover reformas que permitam que o país possa evoluir e voltar a ser uma nação rica, de economia em crescimento, emprego e mais justiça e igualdade de oportunidades para todos.
***
O problema é que alegando que isso é o jeito velho de se fazer política, através de entendimentos, negociações, acordos e soluções de compromisso, o irresponsável que ocupa a presidência aproveita para lançar sobre toda a classe política a pecha de corrupta e venal.
***
Talvez por ter estado quase 30 anos no Congresso, vivendo nas sombras, nos espaços onde se realizam as negociações mais escusas e indecentes, o presidente tenha ficado tão viciado como o fumante de boca torta do cachimbo. E, a partir daí, acredite que todas as negociações sejam negociatas. Sempre abjetas.
O que o faz se recusar a se reunir e discutir qualquer assunto de caráter mais nobre. Mesmo que de discutível resultado para o povo, último beneficiário das medidas.
***
Porque ou é isso, ou vai ficando cada vez mais claro que a intenção do presidente é muito mais autoritária, muito mais truculenta. Ou seja, suas reformas devem passar como ele as desenhou, sem qualquer espaço para alterações, mesmo que para seu aperfeiçoamento.
Especialmente porque aperfeiçoar as medidas, no sentido do atendimento aos interesses do povo, significa muitas vezes obrigar outros setores mais poderosos, a abrirem mão de todos os benefícios e vantagens que idealizaram.
***
Digo isso, mas acho que, no fundo, o que move Bolsonaro não é o desejo de fazer o Congresso se amesquinhar, se apequenar e passar, por temor, a aprovar tudo que seu mestre enviar e mandar.
Pior que isso: acho que, no fundo, o que esse presidente deseja é fechar o Congresso, com apoio da população ou parte dela. No fundo, o que ele parece desejar é fechar tudo e, como já citado por um de seus filhos, mandar um cabo e um soldado para fechar até o Supremo.
***
Importa observar que nessa função de jogar a Constituição na lata de lixo, a julgar por declarações que apenas mantiveram o mesmo tom e conteúdo das emitidas pelo presidente, Bolsonaro conta com o apoio de, ao menos, seu Ministro do Gabinete da Segurança Institucional, o general linha dura Augusto Heleno.
E confesso, que fiquei surpreso ao procurar pesquisar de que se trata a tal Segurança Institucional.
Porque, ingenuamente, acreditava que era o general responsável por cuidar da Segurança das Instituições do Brasil.
Mas, qual não foi minha surpresa ao descobrir que o cargo tem a função de prestar assistência direta e imediata ao Presidente, assessorando pessoalmente em assuntos militares e de segurança.
Logo, nada a ver com respeito às Instituições. Nem, necessariamente ao livrinho.
***
Para ser justo, devo admitir que muitos que foram às manifestações, provavelmente repeliriam um golpe como o prenunciado.
Como foi dito pela imprensa, apenas uma minoria de pessoas, a pior espécie delas, as ressentidas, podem ter essa ambição, ainda não escancarada totalmente.
A maioria, pode sim ter ido às ruas para aprovar a reforma da Previdência de Paulo Guedes ou melhor dizendo de seus patrões do mercado financeiro.
Ou o pacote anticorrupção de Moro, o juiz que prende e arrebenta, desde que não seja colega de ministério, ou tenha mostrado arrependimento de práticas delituosas, como nos casos dos ministros da Casa Civil ou do Turismo.
***
Alguns podem até achar mesmo que o COAF, que sempre esteve ligado ao Ministério da Fazenda, onde tinha autonomia e independência até para poder fornecer subsídios à Lava Jato, deveria ir parar sob o comando de um ministro desmoralizado, que poderia interromper investigações, especialmente contra colegas, filhos e outros que tais.
***
Mas, que eu gostaria de ter acesso a resultados de pesquisas com tais pessoas, bem intencionadas, para poder avaliar o quanto se deixam iludir com as propostas que defendem sem conhecer, isso é fato.
***
De minha parte, afirmo que tais reformas não irão permitir o país voltar a crescer. Até mesmo as contas do governo, é discutível que possam ter melhoras imediatas ou de médio prazo.
O país vai continuar tendo corrupção, por que isso é da parte podre da nossa sociedade, aqui ou em qualquer lugar do mundo.
A Previdência, em especial a proposta de capitalização, irá apenas aumentar a desigualdade e a conflagração entre os brasileiros.
Iremos sucatear nossa educação superior, de qualidade elevada, mas não iremos nos incomodar, já que meninas continuarão usando rosa e meninos se vestirão de azul.
***
Sobretudo um alerta: Bolsonaro flerta com o golpe. E tem cheiro de golpe no ar.
segunda-feira, 20 de maio de 2019
Aproxima-se o Caos; ele atende pelo nome de Bolsonaro e na teoria da conspiração que formulo, foi plantado ali pelos militares linha dura de outrora
A verdade é que, a cada dia mais, em minha humilde opinião,
fica difícil entender nosso país. A não ser que compartilhemos da ideia, que
vinha sendo difundida já desde a campanha eleitoral, como galhofa, de que a
posse de Bolsonaro, no primeiro dia de 2019, nos remeteria ao Brasil dos anos ....
60´s.
Pois bem, em 1961 tivemos a posse de Jânio da Silva Quadros na
presidência do país, eleito com a espetacular marca de mais de 3 milhões de
votos, para o cumprimento de um dos mandatos mais breves de nossa história
republicana.
Como todos sabemos, Jânio, o Breve, não passou sentado na
cadeira presidencial do dia 25 de agosto daquele mesmo ano, fruto de uma
tentativa esdrúxula de golpe ou auto-golpe, que incluía o fechamento do
Congresso, suportado por todos os seus eleitores.
A ideia, simples e engenhosa, era de ameaçar renunciar impulsionado
por forças ocultas, para que os seus eleitores saíssem às ruas exigindo sua
permanência e dispostos a intimidarem o Congresso e outros Poderes. A oportunidade ímpar, já que dia 25, comemorava-se
o dia do Soldado e, sendo essa data o início de mais um fim de semana, a carta
renúncia – amplamente divulgada pela mídia, não seria lida em plenário
tornando-a inútil.
Curioso era ter Pedroso Horta, ministro da Justiça do tresloucado
líder, ter levado a carta – de existência concreta, real – à Casa Legislativa,
na certeza de encontrar a Casa vazia, com a maioria dos deputados no se
acotovelando no espaço que mais apreciavam na Capital Federal: o saguão do
aeroporto.
***
Os fatos hoje, já passaram à história, encontrando-se com
Tancredo, uma das lideranças da oposição, e ao mencionar a carta, o matreiro político
das Minas Gerais, correu ao seu gabinete de onde disparou telefonemas para o Aeroporto,
solicitando que os deputados fossem comunicados de que deveriam voltar ao Congresso
imediatamente.
A carta renúncia foi lida. O golpe de Jânio saíra pela culatra,
o que foi reconhecido por ele mesmo, em aula/palestra que proferiu na FGV São
Paulo, em que estive presente, em 1977/78.
***
Agora, passados quase 60 anos de tal narrativa, vemos o presidente,
o tenente sem noção afastado das Forças Armadas, em um acordo para não ser
excluído ( o que lhe valeu a promoção a capitão, posto que ele nunca atingiu)
ir às redes sociais e, tentando repetir o gesto de Jânio, o Breve, se lamuriar
em relação às forças nada ocultas das corporações, não descritas ou identificadas
para mantê-las obscuras.
E, em texto que compra a ideia de teoria da conspiração que
os malucos e mal-intencionados de seus filhos são porta-vozes, resolveu divulgar
um texto lamentando, não sua incapacidade total, plena de governar, mas sua
incapacidade, tolhido por espectros de corporações que não consegue delinear.
Tudo senão arquitetado, bastante compatível com o seu guru,
o astrólogo que, em um dia de sombras, chuvas e trovoadas, viu em seu mapa
astral a presença do sol em sua casa do conhecimento. O que o tornou um ....
filósofo.
***
Situação que, com o perdão da brincadeira infame, virou
bordão e meme das redes: se o filósofo que ele conhece é esse aí, um tal de
Olavo, então melhor é mesmo fechar os cursos de Filosofia.
***
O que talvez ele ignore é que seu guru nunca frequentou
qualquer curso formal da ciência mãe, junto com a História das ciências sociais
e humanas.
***
Voltando ao texto, toda a imprensa não se deixou levar pelo
blefe de Bolsonaro, o que não alivia a situação política, ao contrário a agrava
em minha opinião.
E digo o porque. A tentativa canhestra, como toda a ação de
nosso presidente, seja ao comentar as maniffestações populares contra os cortes
da Educação, seja para ser engraçado e popular com fã (ele ainda tem isso?) de
origem oriental, que lhe pediu para fazer uma “selfie”.
Feita a foto, com sua elegância o paspalhão foi falar do
tamanho “pequenininho” do órgão sexual de seu admirador. Brincadeira que, sem
mimimi e fugindo dessa postura de politicamente correto, cai muito bem para um
presidente de um país onde se encontra a maior colônia de japoneses, depois do
Japão.
***
Mas o quadro é mais grave porque se sabe que o presidente
está enfraquecido, não aprova nada na Câmara, além de agora estar vendo a
própria Câmara derrubar seu projeto de reforma da Previdência para apresentar
outro, de autoria do legislativo. Um
projeto que terá mais respaldo, mais votos, e o que temo sinceramente: maior
rigor até, com certas questões, já que o BPC e o benefício do trabalhador rural
são pontos de honra de toda a Casa.
Custo a crer que irão mexer mais fundo com os militares, mas
com outras questões e categorias, é algo bastante provável.
***
Já sem demononstrar qualquer apoio no Congresso, o
presidente caricato presta-se a isso mesmo, tonar-se personagem de tirinhas,
enquanto procura se desvencilhar das atrapalhadas de seus filhos, especialmente
do Flávio, cujos laços com as milícias vão se tornando cada vez mais evidentes.
Afinal, não foram poucas as homenagens a policiais que
envergonham a corporação e a farda que vestiam, e que Flávio tinha como amigos,
heróis e ídolos.
Mas, porque citar Flávio?
Porque deixar passar de liso o pai, o “capitão”, que tinha
como ídolo e ainda o tem, um Brilhante Ustra e outros torturadores; e que, como
bem lembrado por Jânio de Freitas na Folha de ontem, foi que passou ao filho a
votação, o gabinete, e os funcionários todos que estão envolvidos hoje com
Flávio.
***
Com uma chance muito grande de estar certo no palpite, não é
difícil perceber que Flávio apenas saiu, herdou e vem mantendo a situação que,
como filho, recebeu do pai.
O que atemoriza e enfraquece ainda mais o (des)governo de
Jair. Aquele que, em tom de brincadeira lembrou que também era Messias.
***
Nesse meio tempo, agiganta-se meu receio, já que ao publicar
o texto em que alega ser refém da ingovernabilidade, o próprio presidente deve
admitir ser verdadeiro o trecho do artigo, que diz que ele nada fez, e que seu
governo é um não-governo, até aqui.
***
Mas o texto, a difusão, a repercussão, tudo em como propósito
fortalecer o movimento de apoio ao seu desgoverno, já convocado para domingo
próximo, dia 26.
Uma manifestação em desagravo do capitão caricato. Que, a julgar por áudios que já foram objeto
de comentário da imprensa, pode se tornar algo muito mais agressivo e sério e
violento.
Afinal, o caminhoneiro que já se manifestou, e foi citado
pela midia, a julgar por sua educação, conhecimento e cultura, palavreado e mensagem,
já está pintado com todas as cores da guerra.
Que pode se transformar em um grande divisor de águas no
nosso país, pouco afeito a lutas fraticidas (peo que las hay, nos morros, nas
comunidades, nos confrontos com a polícia, e até dentro dos lares, entre
maridos e mulheres).
***
Engano comparar a situação atual com o pedido de Collor nos
anos 90, para o povo ocupar as praças vestidos de verde e amarelo! ( O povo
saiu e foi às ruas no 7 de setembro, de preto!!! Pacificamente, para por a pá
de cal no então presidente).
Embora esse seja outro espelho de Bolsonaro, a verdade é que agora a cisão é mais
pronunciada e o lado que apóia o presidente, está mais armado, tanto nos
espíritos quanto nos preparativos para a luta.
***
Em tudo isso, assusta-me o comportamento dos militares, já
identificado por alguém (que me esqueci, como o silêncio de rádio, que antecipa
o início da luta.
Quietos, silenciosos, parece que eles estão à espreita, para
que, ao primeiro sinal de radicalização mais evidente ou de maior gravidade, as
FsAs (forças armadas) cumpram as suas funções constitucionais e assumam o
poder.
***
O que me faz até ter pensado em se as Forças não terem planejado
tudo isso, estrategicamente, como uma forma de vingar e restaurar a imagem tão
arranhada que deixaram da última vez que frequentaram o poder.
Assim, em minhas viagens, fico pensando se não teria sido
tudo programado. A descoberta de alguém que tendo origem militar, guarda algum carisma.
Uma pessoa que fala bobagens sem qualquer pudor, por seu destempero. Que além
disso, e por suas posturas junto ao povo e na Câmara, já se mostrou contra a
liberdade e a democracia. Contra as esquerdas e os movimentos sociais. Contra a
ordem e a justiça, já que tem como ídolos generais torturadores. Por acaso,
colegas de nossos generais que o cercam e o vigiam para terem a certeza de que
ele estará confinado a limites aceitáveis.
Esse militares, sabem ainda de que os pés de Jair são de
barro, e que o discurso de corrupção, tanto quanto em Collor era só uma
falseta.
Então, a hora que for necessário, tais militares estimulam
guerras intestinas, entre os apoiadores do Jair, agora vítima de sua estupidez.
E enquanto o Bolsonaro se mostra um trapalhão, os militares aguardam. Em silêncio.
Sorvendo o prazer de ver seu plano funcionando como idealizado.
***
Ao fim, para evitar o mal maior, assumem.
E terão apoio e atenderão a chamados até da esquerda pouco
atenta.
E os Mourões e Helenos e Villas Boas irão poder mostrar toda
sua competência e genialidade, que de fato são detentores. E irão finalmente,
vingar seus amigos, generais linha dura, tão vilipendiados pela história.
***
O que permite que a história possa ser reescrita, com as
mesmas tintas ou mais graves. As tintas da vingança.
Em um “1984” vermelho.
terça-feira, 14 de maio de 2019
Governo fake, criador de mentiras e fatos pitorescos cômicos. No fundo, o uso da comédia como arma de desconstrução
Ausente por dois meses deste espaço, admito que várias são as explicações para tal afastamento. Desde uma sensação de desalento, de descrença na capacidade de minhas postagens contribuírem para a formação de uma mentalidade mais crítica de análise do ambiente e da sociedade em que vivemos, até uma autocrítica tão aguda, que chega a doer.
***
Afinal, reconheço várias de minhas limitações, de várias espécies, inclusive intelectuais, e não me sinto nem um pouco apto a me tornar um crítico de arte. Arte, de qualidade duvidosa, mas ainda assim, arte. Do tipo da realidade paralela tratada no filme Matrix, mas que, em nossa realidade, destacam uma competência avassaladora, dos atores, de desempenharem papéis tão nonsense.
***
Ou pior: do tipo mais arrasador da comédia, do pastelão escrachado, cuja capacidade de fazer rir da situação absurda em que a realidade é capaz de se transformar, acaba tendo o efeito mais corrosivo, da desconstrução do mundo. Da desconstrução do real.
***
Tal situação de desconstrução pela crítica aguda que o humor permite pode ser ilustrada, por exemplo, pelo lamentável episódio protagonizado pela toda poderosa Rede Globo, e sua equipe de esportes, no jogo realizado no Maracanã, entre Santos e Vasco.
Premiar, por julgamento popular via redes sociais o atleta Sidão, goleiro do Vasco derrotado, como melhor em campo é, antes de mais nada um achincalhe. Uma piada de mau gosto, agressiva, desnecessária. Mais infame ainda, pelo fato de o goleiro ter, nitidamente sido o grande responsável pela derrota de seu time, determinante de ao menos dois gols do adversário.
***
Pior em minha opinião, foi não apenas ir até o fim na gozação, entregando o prêmio ao aturdido jogador. Pior foi o fato que o ser humano Sidão, ainda nos trajes de goleiro, mostrou uma elegância e uma dignidade tão elevada, tão superior que reduziu a Globo, a repórter constrangida, e toda a equipe de esportes daquela estação de televisão a um bando de comediantes tão descartáveis e tão dignos de compaixão quanto o apresentador do programa que se pretende de humor nas noites do SBT.
***
Constrangimento que não passou de fake, dadas as repetição desnecessária de toda a história no programa Fantástico, com gozações divertidas???, por parte do engraçadinho??? Tadeu Schmidt.
Aliás, fazendo um parênteses, que desserviço para a própria Globo, o Tiago Leifert prestou, ao introduzir, um novo jeito de apresentação de programas esportivos, desde 2009. Programas mais leves, mais divertidos??? e cheios de brincadeiras e gozações.
***
Mas tudo que aconteceu com Sidão, teve como objeto o de desconstrução, pelo grande público, de uma promoção interativa da Globo.
Desconstrução tão exitosa que a própria Globo já se desculpou e mais ainda, já alertou que irá mudar o formato da premiação.
***
A esse propósito, de interatividade e participação constante do telespectador, é preciso lembrar e criticar sempre a ideia. Não por ser contra a maior participação democrática, popular, etc.
Mas por que a eleição via redes sociais é, dado o volume de participações, uma situação que permite que o anonimato se estabeleça e prevaleça.
O que permite que situações protegidas por esse "não deixar pistas", possa causar problemas muito mais sérios.
***
Estamos vivendo pois, uma situação de desconstrução. Processo tão grande e avassalador, que muitas vezes, imperceptível. E capaz de levar de roldão pessoas com um mínimo de capacidade intelectiva, crítica e racional.
***
Daí a razão de à nossa volta vivermos situações cada vez mais kafkianas.
Tão despropositadas que o ministro da Educação, intelectual sobejamente reconhecido, ao querer ironizar e classificar a situação que o país atravessa em sua área de atuação, afirmar que vivemos em mundo como o descrito por Kafta.
***
O que nos leva a registrar o lapso do ministro como apenas uma galhofa. Ou como uma mentira.
O ministro mente. E sabe que mente. E por mentir tanto, não se permite, classificar a realidade como Kafkiana, já que sabe que tal classificação não se aplica.
E ao mentir com consciência, traído por seu inconsciente, o ministro comete um ato falho. O que vivemos é uma situação de kafta. De alimentação. Pela ausência ou pela miséria. Ou porque a gente não quer só comida...
E ao mentir como o faz o ministro mente, consciente mente.
***
Razão por que, também para desconstruir as universidades e o ensino público de qualidade reconhecida internacionalmente, com suas equipes de pesquisa e publicações, resolveu punir algumas Universidades.
Pelo fato de, naqueles espaços, os alunos e equipe de professores e funcionários em respeito à autonomia que lhes é assegurada pela Carta maior, procurarem exercer o direito legítimo de se reunirem, pesquisarem, questionarem, criticarem e chegarem a conclusões construtivas. Na contramão da desconstrução do grupo no governo.
***
E como mente o ministro, para fugir às críticas, ele estende o corte. E mente que não era um corte generalizado, linear, mas um contingenciamento. E mente quando afirma que a partir de setembro, com a reforma da previdência aprovada, os gastos serão autorizados e retomados.
***
Mais uma vez, como mente o ministro, sua consciência lhe trai. E desconstrói o saco de maldades que ele preparava. Afinal, o ministro de Educação pode ser tolo, ou parecer tolo. Pode ser divertido.
Mas obrigatoriamente, economista que é, deve saber fazer conta de chocolates.
Mesmo que tenha errado propositadamente, para que o presidente ao seu lado tivesse mais barrinhas para poder ir, com toda o recato que a situação exigia, comer o objeto da ilustração.
Um fato pândego!!!
***
E é essa a conclusão a que chego, e que me faz ter dificuldades para analisar a situação que estamos vivenciando.
O presidente mente, ao dizer que prometeu ao ministro fazer dele membro do STF. O ministro, por quem cada vez menos moro de amores, mente descaradamente, ao dizer que não houve o acordo que o presidente afirma ter havido.
O presidente mente para contentar o ministro mentiroso, como quem mente para a criança mal comportada na festa de aniversário, visando constrangê-la a se comportar bem, já que terá um presente surpresinha ao final da festa.
***
O presidente, antes, já tinha mentido ao convocar esse juizinho para sua equipe, mentindo e vendendo à população a ideia de que iria fazer um governo sério, justo, de combate, por exemplo, ao grave problema da corrupção no país.
O ministro já tinha mentido antes, quando transformou sua perseguição a um político específico, em combate geral a toda a classe política corrupta.
***
O ministro mentiu quando assumiu um cargo para poder se projetar no Executivo, quem sabe almejando uma candidatura baseada em sua popularidade até ao cargo máximo.?
Paladino da mentira, teve suas asas cortadas em pleno voo pelo presidente mentiroso, cuja família percebeu o cheiro da traição no ar.
Por isso a desconstrução da figura do ministro da Justiça e o afago para manter o menino mentiroso quietinho em seu canto, até o fim da festa.
***
Mas no atual governo, mente a ministra Damares, que quer ser a mamãe dos índios, e flagrante atitude de alienação parental, já que os índios não terão a visita de papai Moro.
E todos no governo mentem, ao brincar de casinha com a ministra Damares, de forma tão lúdica e divertida. E sadia.
Tão sadia quanto a população brasileira, alimentada pelos frutos que as cidades lhes proporcionam, como as mangas das árvores nos centros urbanos.
A ministra da Agricultura, autora da tirada divertida, não sabe, talvez, é que também há jacas plantadas, ao menos aqui, em certas regiões de Belo Horizonte.
***
Mas, divertidamente, desconstrói a necessidade de se adotar políticas públicas voltadas à alimentação da população. Porque, afinal, seu interesse é a agricultura para exportação e divisas e lucros para fazendeiros que não se preocupam com sustentabilidade.
***
Por fim, para não ficar muito extenso esse texto, o ministro Paulo Guedes mente. E mente descaradamente, ao afirmar que a Reforma da Previdência irá permitir ao governo uma economia e uma poupança que lhe permitirá realizar investimentos que o país precisa para criar empregos e voltar a crescer.
Homem do mercado financeiro, ele começou mentindo em relação à cifra que seu projeto irá economizar. De 1 trilhão, saltou para 1,2 trilhão.
Depois mentiu, ao deixar claro que por menos de 700 bilhões de economia, não implanta a sua proposta principal, de previdência por capitalização.
Aqui sim, ele não apenas mente, como torna-se hilário. Logo sua principal meta está ameaçada???
Por fim, mente com o discurso de que irá utilizar os recursos poupados da previdência, para fazer investimentos.
Logo ele, um liberal, cuja filosofia é não interferir na economia.
Exceto se, comicamente, não quiser interferir diretamente, mas optar por auxiliar com subsídios, aos empresários a realizarem tais inversões tão necessárias.
Mas toda mentira do senhor Guedes o conduz a uma maior, que é também uma desconstrução. A desconstrução da Previdência Brasileira.
***
No futuro, a desconstrução da nação e do povo.
***
E nem precisamos falar das mentiras e desconstruções do guru do presidente e seus filhos. Aquele autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho e suas guerras mentirosas de tuítes com militares e outros parceiros do presidente, que insistem em não obedecer a suas maquinações.
Mas, parece-me que os militares, engolindo em seco, estão também mentindo. Ou só se divertindo. Vendo a desconstrução que o regime civil consegue protagonizar.
***
E para encerrar, falando sério: os assassinos de Marielle ainda não foram todos identificados. Os mandantes continuam invisíveis. Mesmo após o oba oba de uma identificação de executores. E hoje, comemoram-se 14 meses de sua execução.
Por vários interesses que incluem o das milícias, de quem os filhos do presidente - e o próprio - são tão amigos.
***
Enquanto isso, Queiroz mente e ganha dinheiro espertamente. E mente o Flávio, o senador, o que faz como mente.
***
E o presidente vai a Dallas, Texas, receber um prêmio fake. Mentiroso e de desconstrução. Dado pela Câmara de Comércio Brasil - Estados Unidos, a um presidente que ainda não fez nada para melhorar o comércio entre nosso país e os Estados Unidos.
Mas, vale o puxa-saquismo, como já lembrava Aldemar Vigário - personagem inesquecível do grande ator cômico (esse autêntico e verdadeiro) Lúcio Mauro.
***
E o presidente vai para a região berço da KKK (a região Sul, não o Texas!) que se notabilizou no cinema por ser a terra dos ranchos e do bangue-bangue.
A terra da arminha...
***
É isso. Difícil escrever em meio a tanto desatino.
***
Afinal, reconheço várias de minhas limitações, de várias espécies, inclusive intelectuais, e não me sinto nem um pouco apto a me tornar um crítico de arte. Arte, de qualidade duvidosa, mas ainda assim, arte. Do tipo da realidade paralela tratada no filme Matrix, mas que, em nossa realidade, destacam uma competência avassaladora, dos atores, de desempenharem papéis tão nonsense.
***
Ou pior: do tipo mais arrasador da comédia, do pastelão escrachado, cuja capacidade de fazer rir da situação absurda em que a realidade é capaz de se transformar, acaba tendo o efeito mais corrosivo, da desconstrução do mundo. Da desconstrução do real.
***
Tal situação de desconstrução pela crítica aguda que o humor permite pode ser ilustrada, por exemplo, pelo lamentável episódio protagonizado pela toda poderosa Rede Globo, e sua equipe de esportes, no jogo realizado no Maracanã, entre Santos e Vasco.
Premiar, por julgamento popular via redes sociais o atleta Sidão, goleiro do Vasco derrotado, como melhor em campo é, antes de mais nada um achincalhe. Uma piada de mau gosto, agressiva, desnecessária. Mais infame ainda, pelo fato de o goleiro ter, nitidamente sido o grande responsável pela derrota de seu time, determinante de ao menos dois gols do adversário.
***
Pior em minha opinião, foi não apenas ir até o fim na gozação, entregando o prêmio ao aturdido jogador. Pior foi o fato que o ser humano Sidão, ainda nos trajes de goleiro, mostrou uma elegância e uma dignidade tão elevada, tão superior que reduziu a Globo, a repórter constrangida, e toda a equipe de esportes daquela estação de televisão a um bando de comediantes tão descartáveis e tão dignos de compaixão quanto o apresentador do programa que se pretende de humor nas noites do SBT.
***
Constrangimento que não passou de fake, dadas as repetição desnecessária de toda a história no programa Fantástico, com gozações divertidas???, por parte do engraçadinho??? Tadeu Schmidt.
Aliás, fazendo um parênteses, que desserviço para a própria Globo, o Tiago Leifert prestou, ao introduzir, um novo jeito de apresentação de programas esportivos, desde 2009. Programas mais leves, mais divertidos??? e cheios de brincadeiras e gozações.
***
Mas tudo que aconteceu com Sidão, teve como objeto o de desconstrução, pelo grande público, de uma promoção interativa da Globo.
Desconstrução tão exitosa que a própria Globo já se desculpou e mais ainda, já alertou que irá mudar o formato da premiação.
***
A esse propósito, de interatividade e participação constante do telespectador, é preciso lembrar e criticar sempre a ideia. Não por ser contra a maior participação democrática, popular, etc.
Mas por que a eleição via redes sociais é, dado o volume de participações, uma situação que permite que o anonimato se estabeleça e prevaleça.
O que permite que situações protegidas por esse "não deixar pistas", possa causar problemas muito mais sérios.
***
Estamos vivendo pois, uma situação de desconstrução. Processo tão grande e avassalador, que muitas vezes, imperceptível. E capaz de levar de roldão pessoas com um mínimo de capacidade intelectiva, crítica e racional.
***
Daí a razão de à nossa volta vivermos situações cada vez mais kafkianas.
Tão despropositadas que o ministro da Educação, intelectual sobejamente reconhecido, ao querer ironizar e classificar a situação que o país atravessa em sua área de atuação, afirmar que vivemos em mundo como o descrito por Kafta.
***
O que nos leva a registrar o lapso do ministro como apenas uma galhofa. Ou como uma mentira.
O ministro mente. E sabe que mente. E por mentir tanto, não se permite, classificar a realidade como Kafkiana, já que sabe que tal classificação não se aplica.
E ao mentir com consciência, traído por seu inconsciente, o ministro comete um ato falho. O que vivemos é uma situação de kafta. De alimentação. Pela ausência ou pela miséria. Ou porque a gente não quer só comida...
E ao mentir como o faz o ministro mente, consciente mente.
***
Razão por que, também para desconstruir as universidades e o ensino público de qualidade reconhecida internacionalmente, com suas equipes de pesquisa e publicações, resolveu punir algumas Universidades.
Pelo fato de, naqueles espaços, os alunos e equipe de professores e funcionários em respeito à autonomia que lhes é assegurada pela Carta maior, procurarem exercer o direito legítimo de se reunirem, pesquisarem, questionarem, criticarem e chegarem a conclusões construtivas. Na contramão da desconstrução do grupo no governo.
***
E como mente o ministro, para fugir às críticas, ele estende o corte. E mente que não era um corte generalizado, linear, mas um contingenciamento. E mente quando afirma que a partir de setembro, com a reforma da previdência aprovada, os gastos serão autorizados e retomados.
***
Mais uma vez, como mente o ministro, sua consciência lhe trai. E desconstrói o saco de maldades que ele preparava. Afinal, o ministro de Educação pode ser tolo, ou parecer tolo. Pode ser divertido.
Mas obrigatoriamente, economista que é, deve saber fazer conta de chocolates.
Mesmo que tenha errado propositadamente, para que o presidente ao seu lado tivesse mais barrinhas para poder ir, com toda o recato que a situação exigia, comer o objeto da ilustração.
Um fato pândego!!!
***
E é essa a conclusão a que chego, e que me faz ter dificuldades para analisar a situação que estamos vivenciando.
O presidente mente, ao dizer que prometeu ao ministro fazer dele membro do STF. O ministro, por quem cada vez menos moro de amores, mente descaradamente, ao dizer que não houve o acordo que o presidente afirma ter havido.
O presidente mente para contentar o ministro mentiroso, como quem mente para a criança mal comportada na festa de aniversário, visando constrangê-la a se comportar bem, já que terá um presente surpresinha ao final da festa.
***
O presidente, antes, já tinha mentido ao convocar esse juizinho para sua equipe, mentindo e vendendo à população a ideia de que iria fazer um governo sério, justo, de combate, por exemplo, ao grave problema da corrupção no país.
O ministro já tinha mentido antes, quando transformou sua perseguição a um político específico, em combate geral a toda a classe política corrupta.
***
O ministro mentiu quando assumiu um cargo para poder se projetar no Executivo, quem sabe almejando uma candidatura baseada em sua popularidade até ao cargo máximo.?
Paladino da mentira, teve suas asas cortadas em pleno voo pelo presidente mentiroso, cuja família percebeu o cheiro da traição no ar.
Por isso a desconstrução da figura do ministro da Justiça e o afago para manter o menino mentiroso quietinho em seu canto, até o fim da festa.
***
Mas no atual governo, mente a ministra Damares, que quer ser a mamãe dos índios, e flagrante atitude de alienação parental, já que os índios não terão a visita de papai Moro.
E todos no governo mentem, ao brincar de casinha com a ministra Damares, de forma tão lúdica e divertida. E sadia.
Tão sadia quanto a população brasileira, alimentada pelos frutos que as cidades lhes proporcionam, como as mangas das árvores nos centros urbanos.
A ministra da Agricultura, autora da tirada divertida, não sabe, talvez, é que também há jacas plantadas, ao menos aqui, em certas regiões de Belo Horizonte.
***
Mas, divertidamente, desconstrói a necessidade de se adotar políticas públicas voltadas à alimentação da população. Porque, afinal, seu interesse é a agricultura para exportação e divisas e lucros para fazendeiros que não se preocupam com sustentabilidade.
***
Por fim, para não ficar muito extenso esse texto, o ministro Paulo Guedes mente. E mente descaradamente, ao afirmar que a Reforma da Previdência irá permitir ao governo uma economia e uma poupança que lhe permitirá realizar investimentos que o país precisa para criar empregos e voltar a crescer.
Homem do mercado financeiro, ele começou mentindo em relação à cifra que seu projeto irá economizar. De 1 trilhão, saltou para 1,2 trilhão.
Depois mentiu, ao deixar claro que por menos de 700 bilhões de economia, não implanta a sua proposta principal, de previdência por capitalização.
Aqui sim, ele não apenas mente, como torna-se hilário. Logo sua principal meta está ameaçada???
Por fim, mente com o discurso de que irá utilizar os recursos poupados da previdência, para fazer investimentos.
Logo ele, um liberal, cuja filosofia é não interferir na economia.
Exceto se, comicamente, não quiser interferir diretamente, mas optar por auxiliar com subsídios, aos empresários a realizarem tais inversões tão necessárias.
Mas toda mentira do senhor Guedes o conduz a uma maior, que é também uma desconstrução. A desconstrução da Previdência Brasileira.
***
No futuro, a desconstrução da nação e do povo.
***
E nem precisamos falar das mentiras e desconstruções do guru do presidente e seus filhos. Aquele autoproclamado filósofo, Olavo de Carvalho e suas guerras mentirosas de tuítes com militares e outros parceiros do presidente, que insistem em não obedecer a suas maquinações.
Mas, parece-me que os militares, engolindo em seco, estão também mentindo. Ou só se divertindo. Vendo a desconstrução que o regime civil consegue protagonizar.
***
E para encerrar, falando sério: os assassinos de Marielle ainda não foram todos identificados. Os mandantes continuam invisíveis. Mesmo após o oba oba de uma identificação de executores. E hoje, comemoram-se 14 meses de sua execução.
Por vários interesses que incluem o das milícias, de quem os filhos do presidente - e o próprio - são tão amigos.
***
Enquanto isso, Queiroz mente e ganha dinheiro espertamente. E mente o Flávio, o senador, o que faz como mente.
***
E o presidente vai a Dallas, Texas, receber um prêmio fake. Mentiroso e de desconstrução. Dado pela Câmara de Comércio Brasil - Estados Unidos, a um presidente que ainda não fez nada para melhorar o comércio entre nosso país e os Estados Unidos.
Mas, vale o puxa-saquismo, como já lembrava Aldemar Vigário - personagem inesquecível do grande ator cômico (esse autêntico e verdadeiro) Lúcio Mauro.
***
E o presidente vai para a região berço da KKK (a região Sul, não o Texas!) que se notabilizou no cinema por ser a terra dos ranchos e do bangue-bangue.
A terra da arminha...
***
É isso. Difícil escrever em meio a tanto desatino.
quarta-feira, 13 de março de 2019
Discurso de Colação de Grau: País maluco, beleza
Colação de grau de um
Curso de Ciências Econômicas, temos de falar do Brasil.
Razão por que inicio homenageando Charles Lutwidge Dodgson, o Lewis Carroll, sua Alice e seu país das maravilhas.
Razão por que inicio homenageando Charles Lutwidge Dodgson, o Lewis Carroll, sua Alice e seu país das maravilhas.
E o Gato de Cheshire,
personagem de uma palestra sobre Planejamento Estratégico, que fiz há não muito tempo. E que se iniciava
com Alice dizendo ao gato que estava perdida e perguntando qual caminho tomar
para sair de onde estava. Ao que o Gato respondeu com outra pergunta: e para
onde você quer ir?
Surpresa, a menina disse
que não sabia, o que fez o Gato encerrrar o assunto: então você não está
perdida. Pode tomar qualquer caminho, apenas terá que andar bastante.
Hoje isso chama ter foco.
***
***
Confesso que, hoje em
dia, enxergo nesse país das maravilhas uma semelhança muito grande com o
nosso pa-tro-pi, abençoado por Deus e
bonito por natureza, e onde, em geral, em fevereiro tem carnaval. E que ando me
sentindo como Alice, a maior parte das vezes. Especialmente, quando ela afirma
que não deseja ficar entre gente maluca e ouve do Gato que isso é impossível.
“Somos todos malucos
aqui” “Eu sou louco, você é louca ... ou então não estaria aqui”, filosofa o
sábio animal, personagem eternizado por um sorriso que se estendia de orelha a
orelha. E que, ao longo do livro, podia surgir ou desaparecer de repente ou
lentamente, aos poucos, deixando, às vezes, visível apenas seu rosto, e sempre,
sempre, com aquele sorriso fixo, escancarado, de orelha a orelha: a primeira
imagem a surgir, a última a desaparecer.
***
***
E olhe que o Gato nem era
eleitor no Brasil, embora eu identifique sorriso igual, estampado no rosto dos eleitores transformados em
Pangloss ou Pollyanas, alheios à situação do país, que não deveria inspirar
sentimentos senão de arrependimento e lágrimas.
Delineado este cenário,
qualquer análise do Brasil, deve partir da premissa de que o país se encontra
imerso no mais puro, refinado e nostálgico instante de psicodelia. Situação
descrita à perfeição por nosso filósofo da tevê e sua exclamação: Loucura,
loucura, loucura.
***
***
Reconheço que se o
movimento psicodélico nos remete aos anos 1970, reviver tal período pode ser muito
positivo, se lembrarmos que o lema do movimento era “Paz e Amor”.
Afinal, paz e amor é tudo
que precisamos nos dias de hoje, não apenas para cumprir o mandamento maior das
religiões cristãs – que nos ensina a amar uns aos outros – mas para ter presente
a verdade de que o amor que nos une, não pode ser causa de rupturas e
separações.
O que exige de cada um de nós nos perguntarmos o que fazer para impedir que o respeito e a tolerância deem espaço à discriminação.
Para que não assistamos, inertes, ao crescimento das estatísticas que assinalam que, desde 2011, foram assassinadas 4 422 pessoas LGBTs, apenas em razão de sua orientação sexual, conforme relatório encomendado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e enviado à Advocacia Geral da União, no final de 2018.
O que exige de cada um de nós nos perguntarmos o que fazer para impedir que o respeito e a tolerância deem espaço à discriminação.
Para que não assistamos, inertes, ao crescimento das estatísticas que assinalam que, desde 2011, foram assassinadas 4 422 pessoas LGBTs, apenas em razão de sua orientação sexual, conforme relatório encomendado pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e enviado à Advocacia Geral da União, no final de 2018.
E o que fez a AGU, além
de decidir não divulgar os relatórios sobre o tema? O que serve apenas para
esconder o fato de que, a cada 16 horas uma pessoa LGBT é vítima de homofobia,
em nosso país?
***
***
E quanto ao amor
heterossexual, como podemos contribuir para cessar a violência contra as
mulheres, algumas das quais punidas apenas por serem superiores, em vários
atributos, aos machos, seus companheiros?
Em um sistema econômico
que valoriza tanto a propriedade privada, ainda que em alguns casos essa
propriedade deva se submeter a sua função social, que ações positivas executar
para que esses machos aprendam que propriedade é um conceito aplicável apenas
às coisas. Não às pessoas.
***
***
Nos anos 80, Renato Russo
lançava o sucesso “Que país é esse”?
Temo afirmar-lhes que tal dúvida não poderia ser mais atual. Afinal, que país é esse onde ridicularizamos o esforço do passarinho que, à moda dos Chicos Mendes, lutava para apagar o incêndio da floresta, com as gotas de água que levava em seu bico?
O que hoje, talvez, significasse ter resiliência.
Temo afirmar-lhes que tal dúvida não poderia ser mais atual. Afinal, que país é esse onde ridicularizamos o esforço do passarinho que, à moda dos Chicos Mendes, lutava para apagar o incêndio da floresta, com as gotas de água que levava em seu bico?
O que hoje, talvez, significasse ter resiliência.
Ao contrário, nós
toleramos as agressões ambientais, e aceitamos bovinamente que as companhias
valorizem menos a vida, as vidas, privilegiando a ampliação dos lucros.
***
***
O que fazer para que
nossa ainda que pálida lucidez possa controlar nossa maluquez?
Para que a mesma comoção popular causada pelo segurança do supermercado que agrediu e causou a morte da cadela Manchinha, em dezembro passado, possa se repetir com os Pedros Henriques? Afinal, maluco beleza ou só surtado, Pedro Henrique Gonzaga também foi vítima de um segurança, sendo morto por estrangulamento sem que causar a mesma reação.
E olhe que o segurança autor do mata-leão nem podia estar ali, trabalhando, condenado que tinha sido por agressão a sua companheira.
***
Para que a mesma comoção popular causada pelo segurança do supermercado que agrediu e causou a morte da cadela Manchinha, em dezembro passado, possa se repetir com os Pedros Henriques? Afinal, maluco beleza ou só surtado, Pedro Henrique Gonzaga também foi vítima de um segurança, sendo morto por estrangulamento sem que causar a mesma reação.
E olhe que o segurança autor do mata-leão nem podia estar ali, trabalhando, condenado que tinha sido por agressão a sua companheira.
***
Que país é esse em que
aplaudimos e somos todos solidários à indicação dos policiais bombeiros que
atuaram em Brumadinho ao Nobel da Paz, enquanto nos silenciamos frente ao
extermínio de 13 suspeitos, já rendidos, em ação da Polícia Militar em morro
carioca. Ação que o governador e ex-juiz Witzel, chamou de “ação legítima da
polícia para combater narco-terroristas.”
***
***
Eventos que se sucedem em
um país que libera a posse de armas para combater a violência, e aqui devemos lastimar
a morte da criançada de Suzano; discute
a aprovação de um pacote de medidas contra o crime, que flexibiliza o conceito
da legítima defesa e o direito da Policia de atirar primeiro e questionar
depois; que abranda cada vez mais o crime de Caixa 2, certa vez classificado
pelo juiz Moro de mais grave que a corrupção.
***
***
Que país é esse, em que
se comemora, amanhã, um ano da morte de Marielle – sempre presente, e seu
motorista, crime ainda sem solução?
Marielle: mulher, negra,
homossexual, política, de esquerda. Coquetel pra lá de explosivo, devo admitir.
***
***
Caros afilhados, o que
fazer para que nossa loucura seja restrita a pedir Paz e Amor?
A sermos mais solidários, mais respeitadores. Menos juízes e mais companheiros? Malucos, guiados pela Beleza.
A sermos mais solidários, mais respeitadores. Menos juízes e mais companheiros? Malucos, guiados pela Beleza.
Se me permitirem, indico
uma saída possível: que nos preocupemos com aquilo que realmente importa: a
Vida.
A vida e o convívio
nosso, de cada dia, com os nossos familiares, tão merecedores de aplausos e
cumprimentos quanto cada um de vocês. A eles, vocês devem, além de base e
apoio, sua sanidade.
***
***
Para terminar celebrando
a alegria, faço aqui uma referência a um dos muitos Chicos que servem de exemplos
para todos nós.
Desta vez, Chico Xavier que nos ensina:
Desta vez, Chico Xavier que nos ensina:
"Quem eu sou, interfere
diretamente naqueles que estão ao meu redor".
"Se cubra de Gratidão, se encha de amor e recomece..."
Um dia bonito nem sempre é um dia de sol. Mas com certeza é um dia de PAZ.
"Se cubra de Gratidão, se encha de amor e recomece..."
Um dia bonito nem sempre é um dia de sol. Mas com certeza é um dia de PAZ.
Vão ser felizes. Brasil
pela soma de todos nós. Deus no interior de cada um de nós.
segunda-feira, 11 de março de 2019
País do Carnaval: mitos e nulidades. Ações contraditórias em um país que, no fundo, gosta da corrupção, mas odeia a mudança. E a volta do General da Banda
Diz a lenda de que aqui no Brasil, o ano começa para valer apenas a partir do Carnaval. No entanto, como excepcionalmente nesse 2019, o calendário marcava os festejos de Momo para março, resolvi romper a tradição aqui nos pitacos, começando fevereiro com a proposta de elaborar uma espécie de dicionário que facilitasse entender o governo recém empossado e sua lógica de funcionamento. Se alguma (lógica).
***
A retomada das aulas; a antecipação, apesar de na 'marra', democrática, já que feita pelo povo nas ruas, da folia, e a sucessão de eventos protagonizados pelo (des)governo instalado em Brasília, no entanto, acabaram se impondo a meu ímpeto.
Sem conseguir entender a dimensão, a finalidade, a quantidade de eventos, que se desenrolava em vertiginosa velocidade, todos com a marca característica do governo mitológico de Bolsonaro, acabei derrotado pelo desânimo e resolvi promover Mais um recesso nestes pitacos.
***
Confesso que não sei dizer se queria ter tempo para entender e comentar, ou se estava apenas como no dito popular, dando corda para ver o novo e despreparado governo ir se enrolando em suas próprias atitudes.
Na verdade, sentia-me estupefato, já que surpreso é uma expressão pouco forte, e não considero honesto de quem quer que seja, alegar que não sabia...
Afinal, em minha opinião, a eleição de um mi...dessa vez um militar da reserva sem qualquer condição, conhecimento ou preparo para sequer atingir o alto oficialato, não poderia nos guiar a algum lugar diferente.
***
Pior ainda, em minha humilde opinião, há que sempre se retornar à história do mito das cavernas, e analisar o mito, qualquer que ele seja, mas especialmente a sua representação atual em nosso país, por um ponto de vista distinto.
Por que o mito, nas cavernas e na realidade da vida no mundo exterior, nada mais é do que sombras, invólucros, abstrações, sem existência concreta real, a que reputamos a capacidade de representar nossos anseios, nossos desejos, nossos medos.
***
Ou seja, os mitos, como sombras, são nossas histórias e histerias. São nossas desculpas para o exercício de nossas ações que, no mais íntimo de nós mesmos, racionalmente renegamos. São as nossas justificativas para que, em grupo, já que individualmente talvez nossa racionalidade acabasse prevalecendo, possamos agir. Em grupo, e como irracionais, apenas expressão de nossa barbárie, animais enfim libertos.
***
Mas, o que resta do mito quando descobrimos sua real função, sua volatilidade etérea, sua opacidade oca?
O que resta quando percebemos e vinculamos o mito criado à nossa imagem e semelhança, a nossa dimensão real, individual, mística e ínfima?
***
Diz a lenda que até se mata para preservar a história. O que nos faz adotar um comportamento, novamente irracional, para dar um mínimo de traços de coerência e razão para toda a nossa tradição. Sob pena de não nos aceitarmos mais, e não nos tolerando, partirmos para a guerra com todos os que, sendo iguais, nos são próximos. Ou pior ainda, sob a pena de partirmos para uma guerra com nosso próprio eu.
***
Pois bem, o resultado das minhas viagens e divagações está em parte exposta já aí em cima.
O povo que elegeu o mito está agora, em alguns poucos casos, tendo noção dos pés de barro do ídolo. Em outros, ainda, está já na fase de criar maiores fantasias, de forma a não terem que aceitar a trágica e dolorosa realidade de que o rei está nu.
***
Laranja é agro e agro é tech
Em meio ao alheamento autoimposto, ao afastamento, pude ver a deposição de um ministro, já sem forças desde a formação do governo em seu início, sob a forte influência de um seu desafeto, por acaso filho do presidente.
A medida teve como justificativa para sua adoção, a descoberta de que por baixo dos panos, havia um laranjal em plena floração.
E, como chefe da tropa da agricultura cítrica, estava Bebianno, presidente do partido nanico, de suporte ao presidente eleito.
***
A extrema imprensa
Claro, e a extrema-imprensa, como agora os mitômanos inconformados se referem a todos que insistem em apontar que as sombras das paredes da gruta são imagens refletidas da realidade exterior, a higienização não era mais que uma desculpa para a briga interna por poder, entre filhos aproveitadores das tetas do governo e da política de que sempre se serviram e políticos tradicionais, mesmo que de reputação questionável.
***
Em relação à tal extrema imprensa, vale observar que são acusadas de tentarem mostrar que a realidade exterior costuma ser muitas vezes melhor, outras nem tanto, algumas vezes até piores, mas sempre diferentes... das sombras das paredes da gruta.
Ou seja, desmontam o mito, contra o que se insurgem os que não reconhecem terem sido feitos de ingênuos por tanto tempo.
***
Pois no governo atual, pau que dá em Chico não alcança Marcelos, nem Álvaros Antônios, ainda firme no posto de Ministro de Turismo.
Embora sua jornada pelo laranjal em Minas, seja de conhecimento cada vez mais público.
***
O combate à corrupção e a tudo que foi feito de errado nos últimos anos
A verdade é que, em minha análise, a população brasileira ou grande parcela que a compõe, jamais teve a luta contra a corrupção como um bem comum, dir-se-ia um bem público, pelo qual todos deveríamos lutar, reivindicar e conservar.
***
Nesses dias de reflexão, lembrei-me do ex-governador paulista, Ademar de Barros, célebre pela expressão do rouba mas faz. Eleito tantas vezes, prefeito e até novamente governador do estado bandeirante.
***
Também me lembrei do ex-prefeito indicado pela Ditadura para a cidade de São Paulo, Maluf. Aquele que foi condenado por mau uso de verba pública quando, como prefeito, resolveu homenagear os jogadores da seleção tricampeã de futebol do mundo, com um fusca para cada um dos atletas.
***
Maluf ainda indicado por militares, seria governador de São Paulo, onde alardeava sua competência, face ao volume de obras e de, segundo denúncias, de propinas que alimentava seu governo.
Maluf voltaria a ser eleito prefeito por voto popular e, pior, conseguiu impor um poste à cidade, fazendo Celso Pitta seu sucessor.
Várias outras vezes, foi eleito deputado federal. Como se sabe, assim como Jânio Quadros, sempre foi um ídolo dos taxistas.
***
Também por São Paulo, foi várias vezes eleito deputado federal o ex-ministro da Fazenda da Ditadura, Delfim Netto.
Cuja passagem pelos ministérios que ocupou, lhe renderam várias suspeições, como o caso da formação do Bradesco, o caso da guerra à carne suína, em 1977/78.
De mais saudosa memória foi o caso da Delfin, de pessoas de seu círculo de amizades, que se transformou no escândalo da Delfin, até desaguar no famoso Caso Coroa Brastel.
Mais recentemente, teve o nome envolvido em obras de hidrelétricas suspeitas de corrupção dos governos petistas.
***
No Rio, a eleição e reeleição de Moreira Franco, Garotinho, Sérgio Cabral, mostram como parcela da classe média não se importa muito com a corrupção. Ao contrário, parece que parte dela deseja é estar se aproveitando, seja usufruindo algumas regalias, seja com indicações para postos onde também possam passar a aproveitar de rendimentos extraordinários.
***
Em Minas e seus Aécios, ou no Rio Grande do Sul, ou outros estados onde igualmente existem Marcelos Mirandas e Mestrinhos, eleitos todos, fico em dúvida se a população quer mesmo combater a corrupção.
Acho que, ao contrário o que não desejam é mudannça. No "status quo".
***
Assim, o que se tem de mágoa com o PT não é a questão da roubalheira. Mas de fazer ricos terem de conviver com pessoas menos aquinhoadas, nas rodovias, nas ruas, nos shoppings, nos aeroportos e até nos navios de cruzeiros pela costa.
***
O que se tem contra o PT foi ter feito a doméstica mais cara para o patrão da classe média alta, colocando em risco o equilíbrio financeiro de sua casa.
Ao passo que, para a doméstica beneficiada, sempre restava o pavor de, agora que passava a aproveitar as delícias do consumo, perder o emprego.
***
O PT trouxe foi desassossego, razão da autêntica raiva que deixou na sociedade.
***
E mais de desgovernos
Veio a reforma da previdência, ainda a ser toda detalhada em suas maldades embutidas.
Mas antes de isso poder se revelar, o próprio ex-capitão já tratou de desidratá-la, fazendo o papel de oposição a seu próprio projeto.
***
Claro que os homens do mercado financeiro, agora no governo, que visam expandir os negócios financeiros, especialmente pela capitalização de mercado nas contribuições previdenciárias, não ficaram satisfeitos.
Mas, tal qual o juizinho transformado em Ministro, se calam.
Correm o risco ainda semelhante, de se transformarem em fantoches.
***
E veio o Carnaval e os vídeos de fazer corar até mesmo Frota, esse titã na luta pela conservação da moral e dos costumes.
***
Na Educação, o ministro apalermado que queria crianças em fila, quem sabe batendo continência à bandeira e cantando o hino nacional, não se contentou com tal recomendação. Ainda queria que as crianças fossem filmadas e lessem o lema de campanha de seu mito maior.
***
Nem o autoproclamado, nesse mundo de gente que se quer e se acha tudo, filósofo Olavo de Carvalho aguentou o baque e já deu ordem para seus pupilos largarem o osso. Deixarem o governo.
O ministro da Educação já começou a atender ao seu outro mito, mesmo que de menor relevância.
***
No Itamarati, outro idiota, Araújo, enfia os pés pelas mãos e dá declarações e adota posturas que, se deixarem de pé a casa do Barão de Rio Branco, não irão contribuir, da mesma forma, para o comércio externo do país.
Que já perdeu contratos com árabes, chineses, e só tem beneficiado a produção e comércio americanos.
***
E voltando ao Carnaval
Antigamente havia uma marchinha General da Banda cujos versos dizia: " Mourão, Mourão, catuca por baixo que ele vai".
A única - honrosa, devo admitir, exceção no desgoverno de Brasília, chama-se general Mourão.
Que pode ser não só a vara a catucar no Carnaval mas talvez alguma esperança de arrumação.
***
Agora que o país, tal qual esse blog e suas postagens, poderia de fato só começar a funcionar depois do Carnaval, não há dúvidas.
Minha dúvida é se deveria voltar a funcionar depois do Carnaval, tendo em vista o que está aí.
É isso.
***
A retomada das aulas; a antecipação, apesar de na 'marra', democrática, já que feita pelo povo nas ruas, da folia, e a sucessão de eventos protagonizados pelo (des)governo instalado em Brasília, no entanto, acabaram se impondo a meu ímpeto.
Sem conseguir entender a dimensão, a finalidade, a quantidade de eventos, que se desenrolava em vertiginosa velocidade, todos com a marca característica do governo mitológico de Bolsonaro, acabei derrotado pelo desânimo e resolvi promover Mais um recesso nestes pitacos.
***
Confesso que não sei dizer se queria ter tempo para entender e comentar, ou se estava apenas como no dito popular, dando corda para ver o novo e despreparado governo ir se enrolando em suas próprias atitudes.
Na verdade, sentia-me estupefato, já que surpreso é uma expressão pouco forte, e não considero honesto de quem quer que seja, alegar que não sabia...
Afinal, em minha opinião, a eleição de um mi...dessa vez um militar da reserva sem qualquer condição, conhecimento ou preparo para sequer atingir o alto oficialato, não poderia nos guiar a algum lugar diferente.
***
Pior ainda, em minha humilde opinião, há que sempre se retornar à história do mito das cavernas, e analisar o mito, qualquer que ele seja, mas especialmente a sua representação atual em nosso país, por um ponto de vista distinto.
Por que o mito, nas cavernas e na realidade da vida no mundo exterior, nada mais é do que sombras, invólucros, abstrações, sem existência concreta real, a que reputamos a capacidade de representar nossos anseios, nossos desejos, nossos medos.
***
Ou seja, os mitos, como sombras, são nossas histórias e histerias. São nossas desculpas para o exercício de nossas ações que, no mais íntimo de nós mesmos, racionalmente renegamos. São as nossas justificativas para que, em grupo, já que individualmente talvez nossa racionalidade acabasse prevalecendo, possamos agir. Em grupo, e como irracionais, apenas expressão de nossa barbárie, animais enfim libertos.
***
Mas, o que resta do mito quando descobrimos sua real função, sua volatilidade etérea, sua opacidade oca?
O que resta quando percebemos e vinculamos o mito criado à nossa imagem e semelhança, a nossa dimensão real, individual, mística e ínfima?
***
Diz a lenda que até se mata para preservar a história. O que nos faz adotar um comportamento, novamente irracional, para dar um mínimo de traços de coerência e razão para toda a nossa tradição. Sob pena de não nos aceitarmos mais, e não nos tolerando, partirmos para a guerra com todos os que, sendo iguais, nos são próximos. Ou pior ainda, sob a pena de partirmos para uma guerra com nosso próprio eu.
***
Pois bem, o resultado das minhas viagens e divagações está em parte exposta já aí em cima.
O povo que elegeu o mito está agora, em alguns poucos casos, tendo noção dos pés de barro do ídolo. Em outros, ainda, está já na fase de criar maiores fantasias, de forma a não terem que aceitar a trágica e dolorosa realidade de que o rei está nu.
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Laranja é agro e agro é tech
Em meio ao alheamento autoimposto, ao afastamento, pude ver a deposição de um ministro, já sem forças desde a formação do governo em seu início, sob a forte influência de um seu desafeto, por acaso filho do presidente.
A medida teve como justificativa para sua adoção, a descoberta de que por baixo dos panos, havia um laranjal em plena floração.
E, como chefe da tropa da agricultura cítrica, estava Bebianno, presidente do partido nanico, de suporte ao presidente eleito.
***
A extrema imprensa
Claro, e a extrema-imprensa, como agora os mitômanos inconformados se referem a todos que insistem em apontar que as sombras das paredes da gruta são imagens refletidas da realidade exterior, a higienização não era mais que uma desculpa para a briga interna por poder, entre filhos aproveitadores das tetas do governo e da política de que sempre se serviram e políticos tradicionais, mesmo que de reputação questionável.
***
Em relação à tal extrema imprensa, vale observar que são acusadas de tentarem mostrar que a realidade exterior costuma ser muitas vezes melhor, outras nem tanto, algumas vezes até piores, mas sempre diferentes... das sombras das paredes da gruta.
Ou seja, desmontam o mito, contra o que se insurgem os que não reconhecem terem sido feitos de ingênuos por tanto tempo.
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Pois no governo atual, pau que dá em Chico não alcança Marcelos, nem Álvaros Antônios, ainda firme no posto de Ministro de Turismo.
Embora sua jornada pelo laranjal em Minas, seja de conhecimento cada vez mais público.
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O combate à corrupção e a tudo que foi feito de errado nos últimos anos
A verdade é que, em minha análise, a população brasileira ou grande parcela que a compõe, jamais teve a luta contra a corrupção como um bem comum, dir-se-ia um bem público, pelo qual todos deveríamos lutar, reivindicar e conservar.
***
Nesses dias de reflexão, lembrei-me do ex-governador paulista, Ademar de Barros, célebre pela expressão do rouba mas faz. Eleito tantas vezes, prefeito e até novamente governador do estado bandeirante.
***
Também me lembrei do ex-prefeito indicado pela Ditadura para a cidade de São Paulo, Maluf. Aquele que foi condenado por mau uso de verba pública quando, como prefeito, resolveu homenagear os jogadores da seleção tricampeã de futebol do mundo, com um fusca para cada um dos atletas.
***
Maluf ainda indicado por militares, seria governador de São Paulo, onde alardeava sua competência, face ao volume de obras e de, segundo denúncias, de propinas que alimentava seu governo.
Maluf voltaria a ser eleito prefeito por voto popular e, pior, conseguiu impor um poste à cidade, fazendo Celso Pitta seu sucessor.
Várias outras vezes, foi eleito deputado federal. Como se sabe, assim como Jânio Quadros, sempre foi um ídolo dos taxistas.
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Também por São Paulo, foi várias vezes eleito deputado federal o ex-ministro da Fazenda da Ditadura, Delfim Netto.
Cuja passagem pelos ministérios que ocupou, lhe renderam várias suspeições, como o caso da formação do Bradesco, o caso da guerra à carne suína, em 1977/78.
De mais saudosa memória foi o caso da Delfin, de pessoas de seu círculo de amizades, que se transformou no escândalo da Delfin, até desaguar no famoso Caso Coroa Brastel.
Mais recentemente, teve o nome envolvido em obras de hidrelétricas suspeitas de corrupção dos governos petistas.
***
No Rio, a eleição e reeleição de Moreira Franco, Garotinho, Sérgio Cabral, mostram como parcela da classe média não se importa muito com a corrupção. Ao contrário, parece que parte dela deseja é estar se aproveitando, seja usufruindo algumas regalias, seja com indicações para postos onde também possam passar a aproveitar de rendimentos extraordinários.
***
Em Minas e seus Aécios, ou no Rio Grande do Sul, ou outros estados onde igualmente existem Marcelos Mirandas e Mestrinhos, eleitos todos, fico em dúvida se a população quer mesmo combater a corrupção.
Acho que, ao contrário o que não desejam é mudannça. No "status quo".
***
Assim, o que se tem de mágoa com o PT não é a questão da roubalheira. Mas de fazer ricos terem de conviver com pessoas menos aquinhoadas, nas rodovias, nas ruas, nos shoppings, nos aeroportos e até nos navios de cruzeiros pela costa.
***
O que se tem contra o PT foi ter feito a doméstica mais cara para o patrão da classe média alta, colocando em risco o equilíbrio financeiro de sua casa.
Ao passo que, para a doméstica beneficiada, sempre restava o pavor de, agora que passava a aproveitar as delícias do consumo, perder o emprego.
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O PT trouxe foi desassossego, razão da autêntica raiva que deixou na sociedade.
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E mais de desgovernos
Veio a reforma da previdência, ainda a ser toda detalhada em suas maldades embutidas.
Mas antes de isso poder se revelar, o próprio ex-capitão já tratou de desidratá-la, fazendo o papel de oposição a seu próprio projeto.
***
Claro que os homens do mercado financeiro, agora no governo, que visam expandir os negócios financeiros, especialmente pela capitalização de mercado nas contribuições previdenciárias, não ficaram satisfeitos.
Mas, tal qual o juizinho transformado em Ministro, se calam.
Correm o risco ainda semelhante, de se transformarem em fantoches.
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E veio o Carnaval e os vídeos de fazer corar até mesmo Frota, esse titã na luta pela conservação da moral e dos costumes.
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Na Educação, o ministro apalermado que queria crianças em fila, quem sabe batendo continência à bandeira e cantando o hino nacional, não se contentou com tal recomendação. Ainda queria que as crianças fossem filmadas e lessem o lema de campanha de seu mito maior.
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Nem o autoproclamado, nesse mundo de gente que se quer e se acha tudo, filósofo Olavo de Carvalho aguentou o baque e já deu ordem para seus pupilos largarem o osso. Deixarem o governo.
O ministro da Educação já começou a atender ao seu outro mito, mesmo que de menor relevância.
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No Itamarati, outro idiota, Araújo, enfia os pés pelas mãos e dá declarações e adota posturas que, se deixarem de pé a casa do Barão de Rio Branco, não irão contribuir, da mesma forma, para o comércio externo do país.
Que já perdeu contratos com árabes, chineses, e só tem beneficiado a produção e comércio americanos.
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E voltando ao Carnaval
Antigamente havia uma marchinha General da Banda cujos versos dizia: " Mourão, Mourão, catuca por baixo que ele vai".
A única - honrosa, devo admitir, exceção no desgoverno de Brasília, chama-se general Mourão.
Que pode ser não só a vara a catucar no Carnaval mas talvez alguma esperança de arrumação.
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Agora que o país, tal qual esse blog e suas postagens, poderia de fato só começar a funcionar depois do Carnaval, não há dúvidas.
Minha dúvida é se deveria voltar a funcionar depois do Carnaval, tendo em vista o que está aí.
É isso.
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