sexta-feira, 16 de setembro de 2022

Dúvidas sobre a razão da insistência e a viabilidade de uma terceira via e outras dúvidas que não podem ser esquecidas

Interessante notar que,  de qualquer ângulo que a analisemos, Tebet, a palindrômica Simone, não consegue alterar ou disfarçar o verdadeiro sentido de sua candidatura oportunística e conservadora.

Não à toa, grande parte de seu partido adotou postura contrária à sua intenção de ocupar  o espaço que os meios tradicionais de comunicação tanto batalharam para desbravar, o de uma terceira via, de centro-direita.

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Não por acaso os antigos políticos do PMDB, em especial os representantes das regiões menos favorecidas do país, se insurgiram contra a indicação de um candidato cujas chances reduzidas de vitória baseavam-se nas quimeras e ilusões tramadas pelas narrativas construídas por uma pretensa elite intelectual, associada aos interesses dos grandes capitais, em especial o parasitário capital financeiro.

Políticos experientes, contando com longo tempo de experiência e sobrevivência em meio às negociatas urdidas nos salões dos palácios dos governos, os líderes do PMDB mesmo em tempos pós-pandêmicos não perderam sua capacidade olfativa nem tiveram seu faro afetado: antes, a realidade de sua região e de seus conterrâneos mais desfavorecidos lhes indicava o caminho possível.

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Ante a barbárie da fome e da miséria; da aprovação do conjunto de leis destinadas a precarizar as relações de trabalho e a submeter o trabalhador apenas à supressão de direitos;  da aplicação do receituário neoliberal que suprime qualquer possibilidade de ter acesso a  condições  dignas de saúde pública e assistência social, de educação e capacitação para si e para seus descendentes, e de assegurar uma condição de vida pós-laboral minimamente decente, os representantes da velha política sabem bem a opção que resta a seus eleitores. E essa opção é representada por Lula e a recordação dos tempos de melhores condições de vida de seus governos.

Daí que não surpreende a tentativa de cristianização de Simone, uma candidata que, apesar de toda sua louvável atuação na CPI da Covid, merecedora de reconhecimento e elogios, não passa de uma versão mais light do viés conservador e neoliberal.  que a acompanha desde o berço.

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E importa assinalar também que, a ninguém minimamente informado, o tom feminista adotado pelo discurso da candidata é capaz de convencer. Principalmente quando suas propagandas de campanha a apresentam como a primeira candidata a presidente do Senado de nosso país.

Propaganda que apenas serve para aguçar a curiosidade: afinal, porque Simone, defensora, apoiadora e voto certo a favor de todos os principais projetos de interesse do governo atual, contrários aos interesses da sofrida classe trabalhadora, rompeu com o governante de plantão?

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Porque ela retirou seu apoio vindo a assumir uma postura mais crítica?

Será que, como dizem as más línguas pelos corredores do prédio do Senado, a senadora se sentiu traída por não ter tido o apoio esperado à sua reivindicação por parte do Planalto? Será que se sentiu desprestigiada, depois de tanta demonstração de fidelidade ao Executivo? Será que sua consciência finalmente se manifestou ao perceber o vultoso investimento, de bilhões de reais, na candidatura e eleição de seu adversário Rodrigo Pacheco, para ocupar o cargo que ela almejava?

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Para os que acompanham o dia-a-dia da política, o tom feminista de Tebet corre o risco de beirar o ridículo: candidata à presidência do Senado, seu feminismo não a impediu de, anos antes, tramar para a derrubada de outra mulher, legítima e democraticamente eleita, ocupante do cargo de maior relevo do Executivo do país.

A quem o feminismo de Tebet visa ludibriar?

Quanto às pautas que ela defende, que são de conhecimento público, incluem  a indenização aos fazendeiros responsáveis pela ocupação ilegal de terras. Ou as manobras destinadas à paralisação e interrupção da demarcação de terras indígenas, um imperativo constitucional.

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Apenas surfando nas ondas de uma mídia carcomida e de uma nata de jornalistas que exalam o odor de naftalina, Simone poderia acreditar ser o nome viável para ocupar o espaço do espectro político-eleitoral de nosso país.

O que apenas mostra a miopia dos estrategistas da terceira via. Ou o mal 'caratismo' de seus defensores, que atribuem comportamentos semelhantes aos polos antagônicos existentes, como se houvesse qualquer afinidade entre a justiça e a democracia de um lado e um regime autoritário de outro. 

Afinal, se for para dar sequência à implantação do receituário neoliberal e conservador, melhor permanecer com um autêntico representante da ultradireita radical, ainda mais se acompanhado de um ex-assessor de coisa alguma (o sempre presente Aspone!) de um grupo de professores e economistas de Chicago e Harvard, comandados por Jeffrey Sachs, junto ao governo de Augusto Pinochet.

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Nunca é demais lembrar da passagem ociosa de Guedes pelo Chile, naquela época de trevas, ao lado de um militar de fato, um general autoritário e sanguinário que, com apoio do governo americano visava aplicar as políticas de destruição das bases de uma sociedade justa e equitativa. Tudo com o objetivo de permitir a sobre-exploração do trabalho e a geração de superlucros.

Favorecendo, em especial, a empresas americanas ou consorciadas com as grandes empresas fornecedoras de produtos primários do Chile.

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Não é necessário enfatizar a analogia das situações experimentadas pelo Chile dos anos 70 e 80, com o Brasil do atraso do atual governo. Ambos sob comando de militares e apoio dos Exércitos desviados de suas funções; ambos de viés autoritário, ambos com a presença sempre prejudicial de Guedes.

Interessa aqui, no entanto, mais que o paralelismo, a conclusão óbvia:  entre um governo de centro direita, dedicado a implantar as políticas voltadas à expansão do poder do capital, e um e um governo já comprovado, radical de direita, porque não abrir o flanco ao inimigo?

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Por que não apostar suas fichas em quem já mostrou ao que veio e sua disposição para passar como um trator por cima de um conjunto de leis consideradas muito benevolentes, geradoras de direitos e condições jugadas apenas como elementos dificultadores do processo de exploração sem limites de recursos nacionais: humanos e naturais.  

Entre a ilusão de alguma viabilidade eleitoral de uma terceira via com Tebet e o reconhecimento da verdade nua e crua daqueles que desejam romper o pacto social que inspirou a Constituição cidadã de 88, o melhor é se aliar com a força bruta e a barbárie.

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Com direito a tentar, se necessário, extirpar da face do país, a todos aqueles que ainda nutriam algum sentimento de humanismo e solidariedade.

Não há pois, 2ª via. Há uma opção apenas: a civilização ou a volta ao mundo da selvageria e da lei do mais forte.

Não há a luta do bem contra o mal. Há a luta pela vida contra a morte. Da paz e união contra as armas e as demonstrações de violência e ódio.

Há Lula.

Ou o abismo.

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Fora isso apenas dúvidas:

Por que Queiroz depositou 89 mil reais para Michelle?

Como o valor de 51 imóveis, de cerca de 26 milhões foram conduzidos para liquidação do pagamento da compra dessas propriedades?

Como multiplicar os rendimentos para permitir a aquisição de 107 imóveis, o que nem uma grande imobiliária é capaz de alcançar no mesmo período de tempo?

Onde anda a fantasma Wal do Açai e que cargo ela ocupa hoje?

Quem mandou matar Marielle?

 

 

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

O tempo urge e com ele a necessária desmitificação do mal

 Eu desejava iniciar este pitaco parafraseando a célebre abertura de uma das mais importantes obras de toda a Humanidade:

“Um espectro ronda nosso país”.  Um fantasma ronda nosso processo eleitoral.

O fantasma do golpe contra a democracia e o Estado de Direito e contra as liberdades democráticas que nós, o povo brasileiro, lutamos tanto para conquistar, após 21 anos de escuridão.

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Razão porquê devemos nos unir e canalizar todos os nossos esforços nessa reta final de campanha para levar o candidato da paz e da conciliação, o candidato da esperança à vitória no primeiro turno.

De forma a afastar de vez qualquer possibilidade de que todos os fascistas, todos os extremistas e ultrarradicais de direita venham a ter a oportunidade de darem vazão a toda sua contradição e ignorância.

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Afinal,  nossa Lei Maior lhes assegura o direito de liberdade de opinião e de livre manifestação e os autoriza a saírem às ruas para manifestarem apoio, inclusive, à eliminação do direito de continuarem emitindo suas opiniões equivocadas.

De continuarem se manifestando livremente nas ruas, para onde carregam faixas e cartazes, que pedem a implantação de um regime autoritário, ditatorial, onde apenas a vontade de uma minoria – em geral militar ou armada -  será respeitada.

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Este, nosso problema e nosso fantasma: parte da população, embora minoritária, mostrar-se aguerrida, esganiçada, até histérica, na busca de seu autoengano.

Lembro-me aqui, e faço parênteses para falar do grande advogado Sobral Pinto e seu apoio aberto ao golpe militar que derrubou um governo democraticamente eleito, sob a desculpa falaciosa de que o presidente – um estancieiro rico – estivesse conduzindo o Brasil para o comunismo.

Em documentário que aborda a trajetória do Doutor Sobral (Sobral Pinto, o Homem que não tinha Preço, 2012), ele admite ter mudado de opinião sobre o golpe logo nos primeiros dias, quando viu militares batendo e espancando o povo sofrido que lhes dava apoio.

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Devemos pois, nos cercarmos de toda a cautela, para podemos gritar a plenos pulmões, e levantar a 'hastag' nas redes sociais reafirmando nossa crença inabalável no império da vontade popular:

#FASCISTAS NÃO PASSARÃO!

O que exige, de cada um de nós, estarmos munidos de paciência, respeito e argumentos cuja difusão permita convencer a todos os eleitores de Simone, a palindrômica,  darem um voto capaz de impedir que o representante das forças antidemocráticas ganhe musculatura e força.

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Nunca é demais recordar que a mera passagem ao segundo turno do representante do obscurantismo, do defensor da tortura e de torturadores, do advogado da ideia de que adversários políticos devem ser extirpados, quem sabe até da Solução Final, tal qual a Alemanha dos anos 30, servirá para destampar e liberar as piores forças existentes enrustidas no nosso país.

Ataques a adversários, ataques a mulheres, ataques a jornalistas e a todos que apenas usam de seu raciocínio e do direito de desejarem estar melhor informados, deixarão de ser episódicos, para se transformarem em rotina.

#fascistasnãopassarão!

 

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Não será mais apenas o atual ocupante do cargo que irá se apresentar fingindo falta de ar, ou mostrando qualquer falta de empatia com familiares de vítimas da pandemia, por taxar o sentimento de luto como simples mimimi,  seja por achar que o tratamento com o luto é papel apenas dos sofridos e explorados trabalhadores coveiros.

Não será mais apenas este misógino que irá agredir jornalistas, ou se sentir no direito de estuprar mulheres, desde que não sejam muito feias. Não será mais esse genocida que irá se referir ao direito dos invasores de terras de defenderem seus crimes contra as populações originárias, indígenas ou quilombolas, tratadas como gado e pesadas em arrobas.

#fascistasnãopassarão!

 

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A possibilidade de este covarde chegar ao segundo turno, alimentada por uma tentativa marqueteira de se vender ovelha no lugar do lobo do mal, tentando mostrar-se agora o coitadinho, o arrependido, só dá relevo a sua covardia.

Tal qual seus apoiadores armados, valentes para invadir comemorações de aniversário, aproveitando-se do fator surpresa, pegando desprevenidos os que consideram seus desafetos.  Ou suficientemente fortes para atacarem e tentarem decapitar, em seu ódio insano, algum colega de trabalho apenas por ter opinião divergente.

#fascistasnãopassarão!

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O período de trevas e catástrofes que a mera hipótese de segundo turno nos leva a imaginar e temer pode bem ser ilustrada por este marginal eleito deputado estadual por São Paulo, Douglas Garcia.

Macho e forte o suficiente para ofender e agredir a uma mulher. Verdadeiro tigrão.

Hombridade não sustentada para pedir a lavratura de um B.O. contra Leão Serva, o diretor da TV Cultura, este sim, contra quem ele até teria direito de se insurgir, por ter tomado seu celular e ter colocado o aparelho em modo avião.

Isso, se não seguisse ao pé da letra o caráter de seu mito: covarde!

#fascistasnãopassarão!

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Do coronelzinho do PDT, que está conseguindo jogar na lama toda a história que construiu desde os tempos que era do partido de sustentação ao governo da ditadura, o PDS, até depois quando de sua passagem por todos os vários partidos e siglas por que passou de forma oportunista no período da democratização, não há muito o que falar.

Mais que sua ficha, ele está jogando na lata de lixo a história do PDT, o passado e o sonho de Brizola, fundador do partido em razão de a Justiça ter-lhe negado o direito de uso da sigla que era sua, por direito: o PTB. Sigla entregue a Ivete Vargas, e que desde então só descambou a ponto de ter hoje em sua direção um Roberto Jefferson.

#fascistasnãopassarão!

 

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Então não há o que falar de um ressentido, despeitado, cujo fim se aproxima inexorável: junto ao gestor da morte.

Mas, há que se tentar convencer aos respeitados partidários e filiados do partido de Brizola. Para mostrar a cada um deles que o líder maior da sigla estaria empenhado com toda a sua energia na tentativa de não deixar o Brasil que ele amava, se perder nas garras do fascismo.

#fascistasnãopassarão!

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A oportunidade que se abre a todos nós, democratas, nesse instante é clara: derrotar o monstruoso carniceiro. O ator canastrão, cujas lágrimas de crocodilo e falso arrependimento não conseguem enganar mais ninguém, salvo a malta de seus seguidores, cada vez mais concentrada nas pessoas de mesma dimensão de caráter nulo, e tão descerebrados quanto o espectro fantasmagórico que lhes serve de paradigma.

Afinal, aqueles todos que se deixaram enganar de boa fé em 2018, e eles existem em número bastante razoável, já se encontram, a essa altura, em pleno domínio e consciência de sua capacidade de enxergar o mal, e combatê-lo.

#fascistasnãopassarão!

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Toda nossa energia em favor de definição das eleições no primeiro turno.

Com Lula, lá!

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Elucubrações sobre a independência e sua recente comemoração

Consulto o google para entender melhor o significado de independência.

Uma das mais de 170 milhões de referências indica tratar-se de uma desassociação de um ser em relação a outro. Uma separação, à moda de um parto, quando o bebê deixa o ventre materno: um nascimento.

Para mim, o centro da questão está em haver uma ruptura de uma relação de dependência anteriormente existente.

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Permito-me uma reflexão: se o parto explicita o término de relação de dependência entre o filho e a mãe, como entender a continuidade da relação de dependência que persiste existindo, principalmente em relação à mãe, desde em razão de cuidados, especialmente em relação à alimentação?

Dependência que torna-se até maior, já que sem a proteção do útero, passa a depender além dos alimentos, das roupas e agasalhos, e dos cuidados de higiene, ampliando-se até para outras pessoas, como os pais e avós?

Acredito que apenas dialeticamente podemos compreender a essência dessa autonomia do filho parido, em relação à sua mãe, para se ver às voltas com novas e mais complexas dependências.

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Nesse mês de setembro não é fora de propósito, muito pelo contrário, aplicar o termo ao nascimento de um tipo diferente de ser: um país. O que explica o destaque e as comemorações relativas à independência de um Estado em relação a outro(s).

Nesta acepção, outra referência do Google (cuja fonte indica o senado.leg.br) vincula a ideia de independência a vários conceitos citando com exemplos, em primeiro lugar, liberdade, autonomia, autodeterminação; seguido de isenção, imparcialidade, neutralidade.

Em terceiro lugar, aparecem os conceitos de soberania, insubmissão, ausência de subordinação.

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Dessa forma, se já era difícil captar o significado real de autonomia e autodeterminação em relação ao recém-nascido, fica ainda mais difícil entender o conceito de ausência de subordinação de um país ou um Estado em relação a outros.

Por exemplo, a 7 de setembro de 1822 o Brasil tornou-se um país independente de Portugal. Sem querer aprofundar a discussão quanto à forma, se um ato isolado e inesperado de revolta ou o coroamento de um movimento de forças sociais que já vinham se acumulando; se através de um grito heróico e retumbante ou de acertos frutos de uma negociação diplomática, o certo é que o Brasil tornou-se um país liberto e autonômo em relação a Portugal.

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A conquista de tal status em relação a Portugal, assegurando-lhe o fim da subordinação à Metrópole como nos ensina a História, não foi alcançada sem o apoio e o financiamento da Inglaterra.

Ao apoio da Coroa inglesa ao novo Estado que surgia, somou-se a concordância de Portugal em abrir mão, sem uma confrontação militar, da terra onde ‘em se plantando tudo dá’.

E de onde as minas de ouro e diamantes sustentaram, por séculos, a opulência de uma realeza e um classe de negociantes improdutiva e sanguinária.

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Açúcar, mais tarde café, diamantes e o ouro em seguida, foram algumas das mercadorias  que permitiram que as riquezas brasileiras servissem de mecanismo de sustento de um reino caracterizado por seu caráter parasitário.

Mas nem de longe essas foram as mercadorias principais do fluxo de comércio entre as duas nações, e todas as outras que aproveitavam-se da inoperância e improdutividade portuguesa.

Improdutividade reconhecida pela opção por entregar a produção de nossas mercadorias a outros povos, de maior engenho e perícia, consolando-se em obter rendimentos da concessão da produção de tais riquezas.

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Mas, dentre todas, a mercadoria que consistia o verdadeiro tesouro não era senão o SER HUMANO, o negro escravizado capturado na África, cujo tráfico enchia os cofres de Portugal e das nações amigas, de ouro, riquezas e sangue.

O que abre espaço para que se dê uma combinação perversa, de caráter externo: nosso país se torna subordinado a uma nação já por si dependente do trabalho, engenho, arte e conhecimento de outras nações.

Internamente, nossos latifundiários, os senhores de terras e da produção de nossas riquezas eram dependentes da exploração do trabalho de mão de obra escravizada, a que submetiam pela força das armas, da tortura e de castigos desumanos.

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Assim, apesar de o país tornar-se autônomo em relação a Portugal, não apenas não pode ser caracterizado como um Estado capaz de alcançar sua autodeterminação Ou seja, se passa a ser um país em SI, não é capaz de adotar diretrizes e políticas capazes de transformá-lo em um m Estado PARA SI.

Torna-se um país para atender aos interesses da Inglaterra, nação hegemônica naquele período. O que ganha imediato apoio das classes empresariais, dos produtores dos bens primários tornados insumos que sustentavam a oficina do mundo.

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Império ou  república, anos depois, a classe de senhores da terra e aristocratas, muitos atrelados ao comércio, só conseguiu se manter às custas de uma produção cujo custo principal não se contabilizava em recursos financeiros.

Dando sequência à exploração selvagem e sanguinária oriunda desde a época colonial.

Mudaram as formas de dependência, mas essas se agravaram a cada nova etapa de nossa história, do que dá testemunho a decisão de libertar, desassociar o trabalhador escravizado do senhor que o explorava.

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Deixado à sua própria sorte na luta por sua sobrevivência, nunca é demais esquecer a decisão de se pagar indenizações aos senhores escravocratas, pela ‘propriedade’ que lhes foi desapropriada.

Quanto ao cenário de autodeterminação em relação a outras nações,  estando as classes produtivas, as mais favorecidas economicamente, dependentes das relações comerciais estabelecidas e cristalizadas desde a época de colônia, e que tiveram sequência tanto no período do império quanto na república, o que se constata é que a independência nada mais é que uma quimera.

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Apenas a queda da hegemonia britânica, por ocasião do período de guerras, conseguiu nos tornar independentes da Inglaterra, nos tornando, como à própria nação em decadência, subalternos, agora, dos Estados Unidos.

Mais uma vez, altera-se e torna-se cada vez mais sofisticada nossa forma de dependência. Cada vez mais, aparentemente nos transmitindo uma imagem de um país mais livre, embora cada vez mais subordinado.

E, mais uma vez, contando com a colaboração de nossa elite financeira e econômica, cada vez mais associada em seu enriquecimento aos interesses estrangeiros.

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Capital nacional cuja associação com o capital internacional, acaba arrastando para a defesa de seus interesses antipatrióticos, as elites políticas.

Fenômeno que se mantém e até se fortalece, mesmo quando de propostas internas de desenvolvimento de um programa nacional de desenvolvimento industrial, capaz de por fim a nossa situação de subdesenvolvimento e exploração.

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Um modelo baseado na atração de empresas de capital externo, que no limite, transforma nossa submissão de importadores de bens de consumo, ou mais tarde de bens de capital, para importadores de tecnologia.  

Lembrando mestre Celso Furtado, uma proposta que nos transforma em país de subdesenvolvimento industrializado.

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De tudo já dito, que independência há que se comemorar? E para quem?

Para os pobres? Para os pretos? Para os famintos e miseráveis? Para os abandonados sem escolarização, ou invisíveis que lotam as ruas das cidades?

Para as mulheres? Para os trabalhadores cada vez mais precarizados, sem direitos, talvez nem mais o de sonhar, em meio ao turbilhão que os envolve e que a propanda dissemina, de se transformar em empreendedores?

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Nesse instante, apesar de mostrar todo seu nível intelectual rasteiro e sua completa incapacidade de entender e discutir a data; apesar de não ter o que falar ou comemorar por total incapacidade de compreensão de outra coisa que não seja seu próprio ego; o que esperar de um político inepto e inapto, incapaz de trabalhar e de governar, de tomar decisões minimamente reveladoras de empatia com a população que desgraçadamente o elegeu?

O que destacar em campanha fora de hora e despropositada, em data idealizada e retratada em quadro de Pedro Américo como a de um grito, onde Pedro ergue valentemente a sua espada?

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O que esperar de alguém que teria dificuldade até para ser classificado como escória da raça humana?

Senão a imagem da vara que deve acalentar a seus eleitores e apoiadores, e o grito que os conduz ao gozo freudiano: imbrochável!

Apenas mais uma fake-news para incendiar seus seguidores. 

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Que venha o 7 de Setembro da parada, não o da desunião

Já houve época em que ir à parada militar era uma diversão imperdível para as crianças.

Em minha visão infantil, uma época em que os militares mereciam respeito da população, e vê-los marchando em uniformes de gala, alguns; em total sincronismo de gestos e movimentos; ou desfilando, outros, em cavalos que chamavam a atenção, era algo que nos enchia de orgulho.

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Só mais tarde, essa visão infantil foi se perdendo, à medida que ia conhecendo mais de nossa história e entendendo de forma mais detalhada e mais aprofundada, o papel real dos militares em nossa sociedade, como um dos principais grupos responsáveis por grande parte de nossas mazelas.

Foi quando percebi que os militares, em especial desde o golpe da República se arvovaram, como categoria, em serem os “pais protetores da pátria”. Posando como os responsáveis por assegurar mais que a estabilidade política, da democracia e das instituições, como os defensores dos valores maiores do povo brasileiro; os guardiões dos limites do pensamento, da ação e até dos sonhos e desejos da sociedade civil.

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Quanto à sociedade civil, era encarada como composta por uma massa ignorante e incapaz de definir e procurar construir seu próprio futuro, seguir seus próprios caminhos, apesar de e mesmo que com derrotas em sua marcha para libertação.

Por outro lado, restava uma minoria de pessoas que compunham a elite econômica e política do país. A elite política, enquanto no poder, sempre considerada corrupta e mais preocupada com seus interesses pessoais. Merecedora, pois, de se tornar alvo de ações voltadas para sua destituição do poder e sua queda.

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Ações sempre baseadas em concepções e movimentos golpistas  insufladas e incentivados, curiosamente, por parcela da mesma elite política, aquela afastada do poder, na oportunidade.

Mais que ser oposição e deixar momentaneamente de se aproveitar das benesses de estar no comando do país, essa parcela da elite tornava-se presa fácil das análises e das soluções recomendadas pelos interesses de grupos militares, sempre prontos a promoverem as intrigas e fomentar a insatisfação. No intuito de assumirem sempre, e em toda a circunstância, a condução dos desígnios do país.

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Afinal, todo o século XX de nossa história republicana não foi mais que uma sucessão de tentativas de golpes e movimentos militares, e alguns golpes exitosos, de que o movimento tenentista que agora completa cem anos, é apenas um exemplo.

Outros movimentos, como a Coluna Prestes, a Intentona, a Revolução de 30, a deposição de Getúlio, Jacareacanga e Aragarças, até chegarmos ao golpe de implantação da ditadura militar de 1964, são exemplos da interferência indevida de quem está sempre, por suas ações, negando a própria razão de ser da instituição que integram.

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O que explica que os movimentos golpistas,  gestados na caserna, ganham vida própria se espalhando para o ambiente civil, onde vão semear e fomentar a discórdia.

Ocorre que, por questões estratégicas, tais movimentos são apresentados como dotados de um sentido inverso, como expresso no alerta de Castelo Branco, por ocasião do período que antecedeu o golpe contra João Goulart:

“Eu os identifico a todos. E são muitos deles, os mesmos que, desde 1930, como vivandeiras alvoroçadas, vêm aos bivaques bolir com os granadeiros e provocar extravagâncias do Poder Militar.”

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Interessante é que a deposição de Goulart teve, em todo o seu desenrolar a presença de questões militares e dos valores que lhe são caros, de disciplina e autoridade. E foi não apenas um movimento de que os militares se aproveitaram, como o iniciaram e, como não podia deixar de ser, foram os beneficiários, por longos e tenebrosos 21 anos.

Quanto à outra parte da elite, a econômica, sempre foi pródiga em financiar os interesses militares, apenas que sob a forma de institutos de estudos, como o IPES, de que não por acaso, o general Golbery do Couto e Silva, foi das principais lideranças.

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O que comprova que, desde cedo, os militares souberam estabelecer laços com a classe dos grandes empresários e financistas, sabendo sempre se aproveitar e se locupletar dos resultados da atividade econômica fundada “sob a inspiração das regras do  mercado.”

Mercado sempre amigo, e incentivado.

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Que a parada de 7 de setembro, quando se completam 200 anos de comemoração de uma das maiores farsas de nossa história, tenha sido apropriada para a comemoração e o comício de um mau ex-militar, e um tipo ainda pior de político, infelizmente conduzido ao poder democraticamente, que tenta sua reeleição a ferro e fogo, não é fora do ‘script , portanto.

E, antes de me tornar alvo de críticas esclareço que não é por falta de respeito a todos os dignos brasileiros, de diversas origens, que lutaram e sacrificaram com a própria vida para a independência do país que refiro-me ao episódio como uma farsa.

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Aqui, o que tenho em mente é destacar que encaro a Independência como uma conquista que nos foi concedida, fruto de uma batalha que ainda não era capaz de se tornar a conquista de um povo e uma sociedade madura, justa e livre.

O que explica que os ideiais de seus líderes políticos e situados no governo não tenham vingado, como a proposta de libertação dos escravizados. Da mesma forma, a luta do povo não pode ser transformadora, lembrando-me a mensagem da fábula da lagarta que tentava se libertar do casulo.

Ao ver a luta e o esforço da lagarta para romper o casulo e sair voando transformada em borboleta, o bom homem resolveu utilizar-se da tesoura, libertando aquele pequeno ser, nem mais lagarta, nem ainda borboleta.

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Abreviada nossa Independência, ela não foi capaz de forjar as bases para a formação de uma nação cuja população estivesse apta a travar as lutas que conduziriam a sua emancipação.

Nossa independência, concedida em troca de indenizações pagas à antiga metrópole ou em troca da transferência das dívidas portuguesas assumidas junto à Inglaterra, acabou por nos levar a reproduzir, do lado de cá do Atlântico, as mesmas relações desiguais e injustas, de exploração da época de colônia.

O histórico de formação de nossa dívida externa, ou nossa formação cultural e econômica de subserviência os padrões europeus, capazes de configurarem um Brasil dual, nos moldes de Caio Prado Jr. em História Econômica do Brasil,  são comprovações de nossa inserção de colonização de exploração, que nos persegue ainda nos dias de hoje (liberal para tratar com os europeus, e de caráter escravagista voltada para seu interior).

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Infelizmente esse 7 de setembro ganha coloração mais acinzentada, sob as nuvens escuras que surgem no horizonte, tentando ofuscar e apagando o raiar do sol da verdadeira liberdade.

Trazendo a ameaça das trevas para somar-se à representação da insensatez, e à figura trágica e patética de quem apenas simboliza a morte e a destruição.

Razão porquê o temor de que amanhã, sob os auspícios de parcela da sociedade civil podre, carcomida, incompetente e ressentida, por todos os predicados que ostenta, possamos assistir a uma tentativa real de golpe.

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Golpe tentado com a PEC da universalização da corrupção e da compra de votos e apoio, até aqui incapaz de levar o mau militar e deputado, e péssimo presidente, a ultrapassar seu adversário nas pesquisas da corrida eleitoral.

Golpe tentado e fracassado no 7 de setembro do ano passado.

Golpe que pode ter seu estopim na convocação feita pela excrescência do filho deputado, para que todos os adeptos e partidários do pai, legalmente armados, saiam para manifestar seu apoio e seu poder para impor sua vontade.

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Golpe que tenta impor a vontade de uma parcela da sociedade que só é capaz de viver sob a disciplina e as ordens vindas de uma autoridade superior. Incompetente para decidir e trilhar seus próprios caminhos. Um conjunto de pessoas incapaz de assumir suas responsabilidades e as falhas de suas opções. Pessoas que só conseguem viver tuteladas. Adeptas da pior forma de pensamento político, de cunho fascista e antiliberal.

Que esse 7 de setembro, que tenta se impor como uma data de dominância do verde e amarelo, não se transforme em data do vermelho escuro do sangue, de uma guerra civil, aliás, reivindicada certa feita pelo deputado representante da destruição.

terça-feira, 30 de agosto de 2022

Frases a serem melhor debatidas; o gesso que não permite qualquer debate; e a liberdade de expressão dos empresários do zap

A sociedade civil tutelada, considerada incapaz de decidir seus objetivos e seus rumos:

"Quem decide se um povo vai viver numa democracia ou numa ditadura são as suas Forças Armadas. Não tem ditadura onde as Forças Armadas não apoiam. No Brasil, temos liberdade ainda. Se nós não reconhecermos o valor desses homens e mulheres que estão lá, tudo pode mudar".

Declaração feita a apoiadores no cercadinho em frente ao Palácio do Alvorada.,  em  18 de janeiro de 2021.

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A destacar que o autor da frase foi excluído do Exército acusado pela prática de atos terroristas.

Naquela ocasião, ainda jovem, planejou colocar e explodir bombas em instalações militares,  atentando contra  a vida dos soldados, talvez como forma de reconhecimento desse valor de seus colegas.

Expressando a covardia que é sua marca, a frase é construída de forma a comportar uma ameaça e, ao mesmo tempo, deixar aberto o caminho para um recuo.

Afinal, se os grupos armados não apoiam e se omitem sem tomar partido, dificilmente qualquer movimento contra o regime democrático terá êxito, por mais cindida que esteja a sociedade civil.

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Logo é uma obviedade dizer que não tem ditadura onde Forças Armadas não apóiam, embora as forças armadas podem não ser, exatamente, as institucionais.

O que nos permite entender a preocupação em armar a população, e as diversas vezes em que se manifestou a favor de atuação de grupos milicianos, em defesa de uma pretensa liberdade.

O que me dá a chance de filosofar: nada como o autoengano.

Afinal, nunca foi a questão de defesa da segurança pessoal.

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Em discurso proferido em São Paulo, em comemoração ao 7 de setembro de 2021, novamente a frase de caráter dúbio, covarde:

“Dizer mais a vocês, nós acreditamos e queremos a democracia, a alma da democracia é o voto. Não podemos admitir um sistema eleitoral que não oferece qualquer segurança por ocasião das eleições. Dizer também que não é uma pessoa do Tribunal Superior Eleitoral que vai nos dizer que esse processo é seguro e confiável porque não é....

Desejar a democracia, discursar favorável ao voto é louvável. Embora a mesma declaração permita trazer a ameaça de atentado à  democracia e ao voto, se este as condições do sistema eleitoral, e até se o voto não for aquele por ele determinado.

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Sem a apresentação de qualquer prova, mínima que seja, em descrédito do sistema de urnas eletrônicas e no voto digital, Tchutchuca não deseja alterar o sistema de votação, consagrado e justo.

Seu desejo não é o de implantar voto em papel, urnas manuais, sujeitas a todo o tipo de manipulação, por todos aqueles participantes do processo eleitoral e de escrutínio. (A tal respeito, tendo sido escrutinador em 3 ou 4 eleições, até o ano de 1985, posso afirmar que, mesmo sem qualquer intenção desonesta, em várias oportunidades, fui testemunha da existência de condições para a prática de fraudes).

Seu único e evidente desejo é claro: tumultuar. Fomentar a desconfiança para, caso derrotado, poder atiçar seus milicianos contra o resultado desfavorável.

 E daí, incentivar o golpe.

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Em 22 de agosto passado, em entrevista concedida ao Jornal Nacional, questionado se respeitaria o resultado das urnas, o tchutchuca do Centrão, respondeu:

 "Seja qual for [o resultado das urnas], eleições limpas devem e têm que ser respeitadas. Limpas e transparentes tem que ser respeitadas".

Muitos comemoraram a fala, atribuída à intenção de tranquilizar o país. Fala, mais uma vez, de caráter dúbio.

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 E, embora respeitados âncoras de jornal televisivo, nenhum dos entrevistadores fez a pergunta básica: o que o candidato entende por eleições limpas? Como definir e controlar o conceito de limpas e sua aplicabilidade?

 Admito que uma coisa é ser jornalista e querer extrair os fatos e opiniões. Outra muito diferente é ser mero leitor de teleprompter. Notícias que já chegam prontas para apresentação.

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E reconheço que não gosto de Bonner, desde que em reunião de equipe de editoria selecionava as matérias a serem apresentadas ao Hommer Simpson, que considerava que todos nós fôssemos.

Mas, a lista de frases golpistas que apresentei serve apenas para tentar reforçar o ponto: qualquer Simpson da vida real iria questionar o que se entende por eleições limpas.

Os apresentadores do Jornal Nacional, não!

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Aceitaram a frase e mudaram de assunto, da mesma forma que se comportaram quando Renata perdeu a fala, não por falta de ar como o “tigrão das jornalistas” ironizando a Covid, mas pega no contrapé por uma desculpa obtusa de figura de linguagem.

Figura de linguagem, de retórica ou tropo de palavras são estratégias usadas pelo orador, para provocar determinado efeito na interpretação do ouvinte.

Imitar pacientes com falta de ar, atende apenas à má estratégia de tentar ser grosseiramente e grotescamente jocoso.

O representante da morte se divertindo com o sofrimento e a morte por asfixia, de centenas de milhares de brasileiros.

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Debate da Band

Tive ciência, hoje, de que no debate da Band, o tigrão das jornalistas teria afirmado que não iria cumprimentar a mão de presidiário.

Em minha opinião, Lula é que não deveria, em nenhuma hipótese, apertar a mão de um genocida, dono de fortuna em imóveis adquiridos com pagamentos feitos com dinheiro em espécie, não contabilizados.

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Ainda em relação ao debate, concordo com a excelente análise de Luiz Eduardo Soares, para quem o Debate da Band foi apenas um show midiático, ou reality, sem alcançar seu objetivo: de expor ideias e propostas e aprofundar em sua discussão.

Eu mesmo fui de opinião que Lula estava muito apático. Todos queriam ver, no centro da arena, a luta sangrenta entre Lula x Tchutchuca.

Mas o formato do debate, totalmente engessado, impede tal confronto ou a oportunidade de comparação.

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Por sorteio, o candidato a dar continuidade à desconstrução do país foi o primeiro a fazer perguntas aos demais. Escolheu e bateu pesado em Lula.

Como um boxeador, Lula acusou o golpe, ficou tonto, mas não beijou a lona. Preferiu ficar nas cordas, puxando ar.

A partir daí, a pergunta deveria ser feita, pelo mesmo critério de sorteio, por outro candidato.

Por óbvio, estando em segundo lugar nas pesquisas, a segunda pergunta seria dirigida a ao despresidente.

O que impedia Lula de levantar qualquer questão ao atual mandatário.

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Até em certo momento, Lula pediu licença para fazer um comentário sobre outro assunto, distinto do que a pergunta que lhe foi endereçada.

Mas, seria uma deselegância, uma descortesia, fugir do tema, ao qual ele acabou voltando.

Debates assim, com tantas amarras, servem apenas para aquilo que Luiz Eduardo Soares nos apresenta: mostrar quem está do lado do fascismo e aqueles que têm muitas convergências com o fascista.

Não é debate. E todos os candidatos se situam contra o que não pode ser deseducado, até para firmar posição em prol da pacificação.

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Grupo de whatsapp de empresários

Tem causado muita crítica o “desrespeito à liberdade de expressão” protagonizada por medida adotada por Alexandre de Moraes, a pedido da Polícia Federal, para dar continuidade às investigações contra empresários, ricos e poderosos, que faziam, abertamente, apologia à um atentado à democracia.

Editoriais, como o do Jornal da Band, ou opiniões como a de seu âncora, Oinegue, são críticas pesadas à decisão, chegando a dar a entender que, com tal comportamento, Moraes está jogando seu currículo no lixo.

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Claro, os empresários, homens, brancos, ricos, anunciantes importantes para qualquer meio de comunicação, merecem ser tratados como o que são: patrões da mídia.

E, forçoso reconhecer: aparentemente não foram além de manifestar seu caráter e sua opinião desprezível. Gananciosa e ególatra.

Eles apenas trocavam ideia. Em prol do cometimento de um crime.

Imagino apenas se o grupo de whatsapp denunciado fosse composto por gente ligada ao comando do tráfico, cada um deles postando elogios à qualidade das drogas, ao melhor formato de distribuição, aos preços ou até à logística de distribuição de armas, de forma a prestar segurança ou, depois, cobrar dívidas contraídas por usuários.

A liberdade de expressão seria defendida tão enfaticamente?

 

 

 

 


segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Observações do debate e avaliação dos candidatos e suas mensagens

Tenho plena convicção de que vou falar o óbvio mas, às vezes, o inesperado que a vida nos apresenta acaba impactando e alterando nosso comportamento e nossos planos.

Essa a explicação para a ausência de pitacos praticamente em todo esse mês de agosto, justo no momento em que tem início a campanha eleitoral que, por si só, é um instante raro e repleto de assuntos e temas para comentários.

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Mas, uma batida de automóvel, ainda no primeiro sábado do mês, e a obrigação de a estabelecer contatos com a seguradora, providenciar documentos, desde a comunicação do sinistro, até a busca por imagens de câmaras que permitissem entender a dinâmica do acidente e eventuais responsabilidades, acabaram por ocupar muito mais de meu tempo, de minha atenção e até de minha energia.

Felizmente, nenhum de nós condutores, tivemos problemas além do susto. E fora o orgulho ferido, sempre doloroso, as perdas foram apenas materiais. Menos mal.

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E, embora tivesse o desejo de fazer observações a respeito das entrevistas dos principais candidatos concedidas na semana passada ao Jornal Nacional, a própria evolução dos fatos já nos apresenta novos e mais importantes aspectos a serem objeto de comentários.

Refiro-me especialmente ao debate entre os presidenciáveis ocorrido na noite de ontem, sob patrocínio da Rede Bandeirantes e um pool formado por Folha, Uol, TV Cultura.

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Debate que acabou se tornando um duelo desigual, entre 3 candidatos representantes da direita civilizada,  somados a um ultra-radical fascista e a Ciro Gomes, sempre centrado em sua própria pessoa, contra um candidato de ... esquerda?

Afinal, enredado em meio ao arco de alianças que permitiu a Lula formar uma coalização com 10 partidos de distintas ideologias e concepções, como analisar a posição e postura de Lula?

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Está bem, Lula ganhou tempo de propaganda eleitoral, cuja importância todos reconhecem. Mas, a que tipo de promessas e ofertas foi agregando partidos e apoios tão contraditórios como do PSOL e do PSD; PSB e Avante; Pcdo B, PV, Solidariedade e Rede?

Tamanha diversidade, como o candidato faz sempre questão de marcar, desde a sua excelente entrevista dada a Bonner e Renata ( a melhor de todoas, em minha opinião!) assinala sua capacidade de composição, sua disposição ao diálogo e à pacificação, etc.

Mas, da mesma forma que o auxilia, pode também trazer prejuízos, como me pareceu ter acontecido no debate, ontem.

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Explico: o temor de perder apoios impede que o candidato aborde uma série de temas, que podem ferir sensibilidades e interesses dos seus apoiadores, enquanto o obriga a tratar de outros, caros aos aliados, e para os quais ele pode não estar tão bem preparado.

O que ajuda a explicar o que muitas pessoas sentiram e já comentaram, a respeito de sua participação ontem: Lula pareceu cansado. Muito preso ao passado, a realizações de seu governo.

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Em sã consciência, não há como negar que seu governo teve muitos pontos positivos, como ele faz questão de assinalar, em todas as oportunidades.

Mas tratar o passado com os olhos de hoje, tiram de perspectiva e foco o momento e as limitações que cercaram seus mandatos. Em especial o primeiro, onde assumiu o governo de um país, muito próximo a uma terra arrasada.

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Sim, teve o plano real e a inflação não fugiu ao controle, embora tivesse superado os dois dígitos ao final do governo FHC.

Adicionalmente, a economia do país havia quebrado, a segunda vez, por questões da gestão cambial que quase nos impôs a necessidade de decretação de uma moratória.

Medida evitada em razão de vultoso empréstimo feito pelo FMI, o que nos colocou e obrigou a todos os candidatos daquele período, a assumirem o compromisso de cumprir as determinações do Fundo (como sempre!).

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Lula, é bom lembrar, teve que assinar uma carta, ao lado dos demais candidatos, se comprometendo a cumprir os acordos com o Fundo. Origem do que depois veio a ser a Carta aos Brasileiros, por ele anunciada e difundida.

É importante ainda lembrar que o primeiro ministro da Fazenda de seu governo não conseguiu escapar da adoção de uma política aos moldes do fundo, de cunho essencialmente liberal. Neoliberal, para recordar um termo então muito usado.

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Sua primeira indicação para presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (embora não fosse sua primeira opção) era um banqueiro, cuja missão era cooptar o apoio de seus colegas banqueiros.

Lula teve êxitos, inclusive apoiando a Campanha contra a Fome e depois fazendo políticas sociais, de inclusão, ninguém nega.

Mas, os donos do grande capital, principalmente financeiro, mas também dos grandes empresários lucraram como ‘nunca antes na história desse país’.

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A incorporação de perto de 46 milhões de brasileiros no mercado de consumo, foi um tremendo êxito, gerador até de situação econômica de pleno emprego e crescimento.

Mas, os ricos foram muito mais beneficiados, o que significa que a conta foi paga pelos setores da chamada classe média. Razão para que até hoje Lula tenha dificuldades para obter apoio junto a esses segmentos.

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Então, recordar do ambiente daquele período é importante para ajudar, objetivamente, a ver as dificuldades que Lula enfrentou, e que impossibilitaram que ele pudesse fazer mais ou diferente.

O problema é que se esse passado, visto hoje, permite análises que mostrem que outras decisões e alternativas, talvez tivessem apresentado resultados mais eficientes, a verdade é que esse passado abre também a caixa de Pandora da corrupção e compra de apoios.

O que traz para 2022, o tema já tão surrado e gasto, dominante em 2018.

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E aqui Lula fica emparedado, e se comporta de forma a não apresentar sugestões.

O que permite que, no debate, o candidato do Novo (partido que de novo só tem o nome!), Luiz Felipe venha fazer discurso de radicalismo neoliberal, desejando privatizar a tudo e a todos.

E, ao contrário do que muitos analistas indicam, a falta de Estado com atuação forte e necessária entre os mais desfavorecidos, o candidato do passado elitista, venha pregar a redução do Estado a um mínimo. Agravando mais o problema que já foi chamado de “ausência do pobre no Orçamento”.

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A candidata do União Brasil, com raízes nos segmentos mais elititstas, em especial no agronegócio, também se vê às voltas com o discurso único, e equivocado, da criação do Imposto Único, de Marcos Cintra Cavalcanti Albuquerque, seu vice.

Esse mesmo Marcos Cintra favorável à volta da CPMF, no início do governo do tchutchuca do Centrão, tigrão apenas com mulheres a Vera.

A ideia de imposto único, suficiente debatida, no fundo é a ideia de um imposto regressivo ao limite. Com a finalidade de impedir o uso de instrumentos de política fiscal para uma economia voltada ao povo brasileiro (não apenas aos ricos!).

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Ciro, embora tenha boas ideias, e um bom projeto, não convence com discurso de paz e amor, ele que sempre foi truculento e com uma propensão de uso de práticas típicas de um coronel tirano.

Tebet foi quem mais aproveitou a oportunidade de se mostrar e fazer um discurso coerente com sua posição. Ela, de direita, que se notabilizou com uma participação irrepreensível, na CPI da Covid.

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Já quanto ao tchutchuca, mostrou apenas mais do mesmo: grosseria, mentiras e ‘fakes news’, a postura arrogante e autoritária, de caráter tipicamente golpista. Além de misoginia, falta de traquejo e postura, e até mesmo falta de cultura e dicção.

Mostrou números de um País das Maravilhas, onde posa de Chapeleiro Louco. Um mundo paralelo de fantasias e de desconstrução do país.

Típico de quem, arbitrariamente, utiliza do momento eleitoral para adota políticas demagógicas e populistas, ao menos enquanto durarem as eleições.

Passadas as eleições, se vitorioso, voltará a decretar sigilos de 100 anos para toda sua campanha, e suas motociatas excludentes, tudo sob o poder das forças milicianas armadas por sua gestão irresponsável.

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

Pitacos sortidos, a respeito de uma sociedade que se perdeu nela mesma

O primeiro pitaco é a título de homenagem a Bárbara Vitória, a menina de 10 anos de idade e todo um futuro pela frente, interrompido brutal e estupidamente no último domingo.

Crime cometido com conotação sexual, o que levou a sua morte, tendo em vista a menina conhecer, o principal suspeito pelo crime hediondo.

Nessa hora de tristeza, em que a família da menina merece solidariedade irrestrita, apenas uma observação sobre o suspeito e seu suposto suicídio: não há pena maior e condenação pior para um criminoso torpe que o remorso.

Punição que vai além da justiça dos homens e de qualquer desejo de vingança, como Raskolnikov já comprovava em Crime e Castigo do genial Dostoiévski.

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A propósito de crimes e castigos, lembro-me que era ainda menino quando soube da morte de meu bisavô, assassinado.

Pelulante, metido a valentão como as crianças que estão acordando para o mundo, cobrei meu avô em relação à atitude que ele teria tomado. Para mim, era imperativo que ele tivesse lavado a honra da família conforme a tradição de Talião.

Foi quando ouvi pela primeira e única vez a história pela boca de meu avô: o assassino era um compadrer que devia ao meu bisavô. Ao saber do ato tresloucado do pai, sua filha, abandonou-o, em reação à morte do padrinho.

O pobre coitado acabou louco, internado.

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Castigo divino

 

Pelo que conheço de leituras esparsas da Bíblia, os livros que a compõem referem-se a dois momentos no tempo e a dois Testamentos. O primeiro momento, que relata o Gêneses e o Êxodo, entre outros episódios, corresponde ao Antigo Testamento.

Nele, a figura de Deus que nos é transmitida é a de um Deus rancoroso, vingativo, que poderia ser classificado como autoritário e cujos castigos em grande medida consistiam em punições violentas, muitas vezes nos moldes da Lei de Talião.

Para ser mais preciso, da lei cuja origem é o Código de Hamurabi da Babilônia, datado de 1770 antes de Cristo e anterior aos livros judeus em centenas de anos, conforme me ensina o Google.

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Parece-me que alguns cristãos, desses que em testemunho de sua fé passeiam com as Escrituras debaixo do braço em qualquer lugar onde vão, têm pouco tempo para leitura ou pouco fôlego, focando sua leitura apenas nesse primeiro Testamento.

Mas, o que gostaria de assinalar é que não há como negar que todos os livros evidenciam que seus autores estavam narrando uma História cujo objetivo era, sem dúvida, apacentar a população, como às ovelhas.

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Nesse sentido, agiam como os pastores no pastoreio, protegendo, cuidando, alimentando, e impondo suas leis, seu estilo de comportamento e suas crenças aos demais cidadãos.

Nunca é demais concluir, mesmo aceitando-se a fé individual e sua capacidade de produzir milagres e remover montanhas, que nesse sentido a Religião e sua expressão eram um mecanismo de manipulação do povo, e seu ópio.

 

Amor divino

O segundo Testamento contido na Bíblia é composto pelos Evangelhos, e corresponde às narrativas consideradas pelo Igreja e a Santa Sé, como as mais adequadas, dentre todos os evangelhos escritos, para manter o povo cordato e obediente.

Afinal, os Evangelhos que chegaram até os nossos dias e se tornaram os mais conhecidos foram 4 em meio a um número bem maior de evangelhos, a partir dessa seleção considerados apócrifos.

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No entanto, esse Novo Testamento apresenta não apenas a figura do Deus tornado Homem, como Jesus, o Nazareno.

Ele tenta ainda difundir uma mensagem que vai na direção contrária à figura do Pai autoritário e punitivo da primeira parte da Bíblia.

Agora o Deus é um ser sensível, capaz de entregar o próprio Filho, que é ele mesmo, em sacrifíco para a redenção de todos os homens. Todos pecadores.

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A mensagem agora transmitida coloca o Amor como o valor maior e a lei máxima a ser seguida.

Ao contrário da teoria do estabelecimento do Contrato Social para a criação do Estado, cuja base é negociação de uma solução de compromisso, a proposta dos Evangelhos para a boa convivência social é a de uma sociedade onde todos deveriam evitar a adoção de atitudes egocêntricas.

O amor ao próximo é a única forma que poderia, em tese, criar uma sociedade fraterna: Ama ao próximo como amas a ti mesmo.

Pelo visto, ou o  sacrifício da morte de Jesus deu errado ou foi a humanidade que falhou. O que levou Hobbes à conclusão inexorável de o homem ser o lobo do homem.

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A mensagem de Cristo, ele próprio interpretado como personificação do Amor, parece não ser aquela usada como guia para uma série de cristãos de carteirinha, responsáveis pela doação de dízimos vultosos e que pregam a vingança e não a justa punição como a que o próprio Jesus admitia ao tentar organizar a lista dos apedrejadores da mulher infiel.

Cristãos que cobram nas redes sociais a pena de morte para o criminoso de Bárbara Vitória. Destinatários da mensagem do Papa Francisco, que questiona os valores cristãos daqueles que pregam a aplicação dessa sentença.

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Projetos de Lei de penas perpétuas

Enquanto isso, para dar sequência ao festival de bestialidades que vem assolando o país desde a chegada da besta fera ao poder em 2019, pregando o ódio, estimulando a divisão na sociedade e exercendo o papel de motorista da morte, na Câmara Federal aprova-se um projeto de Lei que nitidamente visa retirar do criminoso qualquer possibilidade de recuperação e reintegração social, condenando-o a ficar o maior tempo possível segregado do convívio social, no limite, até o final de sua vida.

(Não o FEBEAPÁ, Festival de Besteiras, do ponto de vista cultural de modos e costumes sociais de Stanislaw Ponte Preta!)

Este projeto, proposta de um capitão das forças militares auxiliares do genocida do Planalto, teve trâmite em regime de urgência, anexado por Lira, o presidente da Casa, a outro projeto anterior, mais uma vez atropelando os regulamentos internos.

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Lira, discípulo de Eduardo Cunha e agora, o anjo protetor do 01 Neurônio, proteção vendida a peso de orçamentos de ouro, embora secretos, não escapará, assim como seu beneficiário do braço longo da justiça: sem nenhum revanchismo, apenas nos limites da lei, no papel que se regojiza desempenhar de cúmplice.

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A eterna luta do Bem contra o mal (oficial)

Enquanto isso, em culto na Câmara, o ex-terrorista continua sua pregação da luta que se avizinha, do mal contra o Bem. Profético, poderia até aprofundar a descrição do mal, da morte, do genocídio, do golpe, da ditadura contra o Bem, representado pelos defensores dos valores da democracia, da justiça social, do respeito à diversidade.

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Em se tratando de golpe, a questão é que o miliciano no poder não engana ninguém. Como seu ídolo Trump, é covarde. Prefere ficar assistindo desatinos de seus seguidores pela tevê que ir à luta.

Covarde típico, o que torna mais assustador o momento atual é sua capacidade de destilar nos fascistas que o seguem partirem para o tudo ou nada.

Como disse bem Ruy Castro em sua coluna ontem, esse estrupício miliciano não deseja um golpe.

Encarnação da morte, o que ele parece incentivar, cada vez mais é o início de uma guerra civil, cruenta e fratricida.