quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O funcionalismo público e as negociações salariais

Estão em curso as negociações salariais entre governo e o funcionalismo público.
Ainda que abafadas pelo rumoroso julgamento do mensalão, pelo silêncio dos depoentes da CPMI do Cachoeira, pela pressão dos prazos legais da apresentação da peça orçamentária, pela truculência do governo da presidenta Dilma - mostrando porque é considerada uma das mulheres mais fortes (na verdade poderosa) do mundo; e pelas greves das categorias de servidores.
Greves que pipocam em todo o país, já que a Constituição reconhece o direito sagrado da greve, para todas as categorias funcionais, tanto de trabalhadores do setor privado quanto do setor público.
Mas.... como diria o nosso âncora da Band, Bóris Casoy, o legítimo e sagrado direito de greve não deveria atrapalhar ou incomodar ou ferir os interesses de outros cidadãos, especialmente pelas características especialíssimas que caracterizam os serviços públicos e as atividades consideradas públicas.
E tanta é a grita da midia, de todas os tipos de midia, que até tribunais superiores já se manifestaram. Primeiro, o Supremo, para determinar que, na ausência de uma lei regulamentando o exercício desse direito pelo funcionalismo, deveria se aplicar à categoria a lei aplicável aos trabalhadores do setor privado. Depois para, indo contra a sua própria decisão, determinar que 70% dos servidores não paralisem suas atividades, mantendo especialmente os serviços essenciais em funcionamento, embora a lei mencionasse apenas 30%, na atividade privada.
Deve ser por isso que toda noite Boris e seu bordão "isso é uma vergonha" finalizam a sua cobrança de regulamentação pelo governo do preceito constitucional da greve no serviço público.
Porque, pelo andar da carruagem, o direito de greve por mais reconhecido, legítimo, sagrado, etc. etc., deverá ser exercido apenas enquanto os funcionários estiverem trabalhando. E com esse pre-requisito. De estarem trabalhando!!!
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A respeito dessa questão e, mais ainda, da postura sempre cínica da imprensa, da mídia, sempre favorável ao sagrado direito do funcionalismo, MAS... devo fazer referência ao excelente artigo de Celso Vicenzi, intitulado A greve e a desinformação jornalística, publicado no link abaixo.

http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/celso-vicenzi-a-greve-e-a-desinformacao-jornalistica.html
Também devo dizer que concordo com meu amigo e colega Ricardo Boynard, quando diz que o artigo deve ser lido com cuidado, por seu autor atuar como assessor de Sindicato vinculado à categoria de funcionários públicos, mas tal cautela apenas quanto aos benefícios prestados pela categoria, já que a desinformação da mídia, a deformação das notícias da greve, a postura sempre pró governista, sem qualquer análise ou investigação continuam válidas.
Era muito bom que meus leitores (se ainda, algum), e que a população de modo geral, pudessem ler a matéria. Mesmo que não concordando.
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Nesse espaço aqui, e para não tornar muito extenso o texto, apenas uma observação: em todo país civilizado, de primeiro mundo como, por exemplo e para não perder o costume, os Estados Unidos da América, as negociações salariais se dão em termos de contratos de 3, 4 anos de duração e validade. 
Está lá no livro de Macroeconomia do professor Olivier Blanchard, no capítulo que ele apresenta os elementos que devem ser integrados ao conceito da curva de Phillips, até chegar, finalmente, ao modelo AS-AD (Oferta Agregada e Demanda Agregada). Para determinar como o mercado de trabalho deverá ser considerado, ele expõe claramente que os trabalhadores e patrões negociam para um período maior de tempo, tomando em consideração suas expectativas de variação futura do nível de preços (projeções de inflação) e de ganhos reais de produtividade (expectativas de variações de ganhos no PIB real do setor, ou da economia).
É óbvia a constatação, e o comentário que ele tece, de que, pode acontecer, e ocorre, de na maioria das vezes, as previsões não se concretizarem, embora isso não seja suficiente para alterar as cláusulas acordadas, ao menos enquanto vigorar o prazo estipulado. Exceto, claro, se houver uma disparada (pouco provável) da inflação, o que poderia gerar a necessidade de revisão desses acordos. 
No geral, o que acontecerá é que, se os salários forem negociados em valor maior que os indicadores de inflação ou de ganhos de produtividade média, na próxima rodada de negociação, a vigorar para outros prazos, esse ganho será levado em conta pelos empregadores. E vice-versa, caso os trabalhadores considerem ter recebido menos que os indicadores.
E na próxima negociação, esses resultados se unirão às novas projeções para os anos futuros.
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Pois bem, nenhum economista em sã consciência poderia ou deveria pregar uma indexação automática, que engessaria as negociações, atrelando e tornando obrigatória a correção salarial de um ano a algum índice de preços. 
Isso seria reabilitar a famosa indexação, que nossa experiência nos mostrou servir de combustível para a inflação inercial, de péssima memória. 
Mas, fica claro que conhecidos os índices passados, os setores que perderam tentarão repor suas perdas e recuperar seu poder de compra, tentando recompor sua renda por meio da negociação. 
O verdadeiro embate irá se travar é em relação às projeções ou expectativas de variação do nível de preços e da variação real do PIB, para os anos subsequentes.
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Ora, o governo da presidenta Dilma, por meio de seus técnicos, oferece praticamente a todas as classes de funcionários denominados de carreiras estratégicas de Estado, 3 parcelas de 5%, totalizando 15,8% acumulado, até 2015. Valor que não cobre os 22,6% de inflação já divulgada e conhecida, do período que se estende desde 2008, ano da última negociação, até esse ano de 2012.
Como naquela negociação anterior o acordo fixou reajuste em 3 parcelas, o último acréscimo ocorreu em 2010, data que se for tomada como base, indica inflação já conhecida de 12% até a data atual.
Isso indica que o governo não quer negociar, mas enfiar, goela abaixo da categoria, uma perda, apenas nesse ano, de perto de 2% (grosso modo, a diferença entre os 5% de inflação projetada para 2012 e o "ganho de 3%" da diferença em três anos dos 15,8, para os 12% citados).
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A presidenta pode ser forte, mas o funcionalismo não é ingênuo ou burro, por mais que a mídia vá dizer que somos os donos do mundo, ganhamos muito bem, somos marajás e que não temos nenhum civismo.
OK! A presidenta, ou seus prepostos, com o apoio da midia pode até dizer que está negociando em respeito à categoria. Mas respeito é a postura menos adequada para adjetivar uma proposta que, em qualquer circunstância deveria ser considerada indecorosa. Pura e simplesmente indecorosa.
Afinal, não apenas para os próximos 3 anos, o sistema de metas projeta inflação de 4,5%, como ainda há que se levar em conta, mesmo com a crise internacional e as perspectivas de seu acirramento, que o país deverá crescer, pelo menos, 2% ao ano.
Ou seja, 6,5% a cada ano, mais a diluição, para não pesar muito dos 12% passados no mesmo período, é o mínimo que poderia mostrar a diferença entre ser um negociador ou um tanque, disposto a passar tratorando por quem, afinal, é que sustenta a máquina capaz de dar tanto poder à presidenta. 
É isso.

Errando e aprendendo


Eu sei
devo pedir desculpas
eu agi errado
Pensando em te punir
foi eu quem fui castigado
O que fiz foi por insegurança
medo de te perder
eu agi como uma criança
mimada, que não quer crescer

E agora
eu sei que é tarde
você vai embora
E até nessa hora
em que parte
ainda deixa uma lição
mesmo sem poder entender
o meu comportamento
ao ir-se embora, sem fazer alarde
me olha e me dá seu perdão

E agora que a sua lembrança
reflete o  meu tormento
mesmo que seja tarde
Confesso, aprendi a lição.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Buscas noturnas


Nas ruas
Nos sinais fechados
Eu vejo seu carro
A me perseguir
Procuro em todos os lugares
A sua imagem
Que insiste em se esvair

Eu vivo perdido nas trevas
E sigo  vagando nas noites
Entregue ao meu abandono
Sozinho pela madrugada
Sem rumo, como cão sem dono

E em meio à minha fantasia
Procuro escapar da loucura
De sua imagem indo embora
Em meio à noite escura

E saio à noite de carro
Rodando a cidade pra te esquecer
Fugir de sua lembrança
Teimosa, que insiste em reaparecer

E tento desviar a atenção
Tirar você de meu pensamento
Mas em cada sinal que eu paro
Retorna esta sensação
Você volta para o meu tormento

E saio sem rumo à noite
Rodando para te esquecer
Buscando fugir das lembranças
Ou procurando apenas desculpas
Uma oportunidade para te rever.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Declaração


Um anjo de Deus
desceu à terra
para florir meu caminho
Um anjo de alegria
sorriso encantado
que invade os sonhos
que sonho acordado

Menina canção
ternura mulher
que é minha inspiração
a estrela que brilha
a rocha, a estrada
o porto seguro
de minha jornada

Um facho de luz
que me toma a mão
e salvo me conduz
pela escuridão
Anjo que inebria
mulher companheira
a fé que anima
a força guerreira
Meu primeiro gole
ou minha saideira
presente e futuro
minha vida inteira.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

GALO - Campeão do Primeiro Turno

Embora não tenha qualquer significado, o título de campeão do primeiro turno é do Galo, qualquer que seja o resultado da partida contra o adversário maior, no próximo domingo. E qualquer que seja o resultado do Fluminense, que joga contra o Vasco.
Duas partidas difíceis, diga-se. A do Rio, independente da rivalidade, para que o time cruz-maltino não se afaste muito do seu adversário na tabela de classificação, criando uma distância para os dois primeiros colocados, difícil de ser superada, embora não impossível.
Já em BH, aliada à rivalidade há ainda dois outros elementos que influenciarão no jogo, tornando-o uma verdadeira guerra: a lembrança amarga do último jogo do Campeonato Brasileiro do ano passado, e do placar elástico e vergonhoso sofrido pelo Atlético; e a necessidade de o adversário tentar se reabilitar do resultado de ontem, quando protagonizou o que colegas aqui do banco, cruzeirenses, classificaram como uma vergonha.
***
Mas como já disse um desses filósofos da bola: clássico é clássico e vice-versa. O jeito é aguardar a hora do início da peleja e ficar torcendo. Torcendo para que antes do jogo, não hajam brigas e nem as agressões completamente descabidas e desnecessárias, cujo grau de violência de algumas chega a assustar. Exemplo disso, mais um infelizmente, a troca de tiros culminando com a morte de - MAIS UM - torcedor do Vasco no Rio, ontem.
Torcendo para que o juiz não contribua para tumultuar o jogo como tem, infelizmente acontecido até aqui. E que o trio de apitadores de lata possa acertar mais que falhar. E, principalmente, que possa acertar mais nos lances mais fundamentais e decisivos do jogo, para não vir a influenciar no placar.
Torcendo, no meu caso, para que o Galo continue jogando com a seriedade e entrega que os jogadores todos do grupo têm demonstrado a cada novo jogo.
***
Quanto ao jogo de ontem, mais uma vez o Botafogo mostrou ser um time "encardido". Difícil. Bem armado e bem postado em campo, com jogadores inteligentes, velozes, experientes. Afinal, o que falar de Seedorf em campo e seu toque de categoria, sua visão de jogo, seus passes e lançamentos precisos, como o que resultou no pênalty cometido por Léo Silva ontem, que culminou no segundo gol do Botafogo.
Aliás, como disse o João no intervalo do jogo de ontem, imaginar que um dia, desfilando sob nossas vistas, estariam jogadores como Seedorf, Andrezinho de um lado, e Ronaldinho Gaúcho, Jô, Rever, Victor de outro, todos jogadores com passagens por seleções e times memoráveis, não passaria pela cabeça de  nenhum torcedor, mesmo o mais apaixonado.
E ontem o Independência teve a oportunidade de ver exatamente essa constelação de estrelas do futebol mundial. Vá lá que alguns já mais para o fim de carreira, o que não retira o brilho de suas atuações, agora mais baseadas em experiência e genialidade que em gás e correria.
Mas aqui, mais uma vez a gente queima a língua, essa característica que o jogo de futebol tem e que o distingue de outras competições: a de sempre conseguir queimar nossa língua. Pois não é que Ronaldinho Gaúcho, no segundo tempo, ainda consegue dar um pique improvável e com a categoria que lhe é peculiar consegue chegar à linha de fundo para apenas rolar para Jô, no segundo gol do Galo.
Como menino, Ronaldinho. Como um finalizador, de fato, Jô.
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Do jogo mesmo, a aplicação tática do Galo, merece mais uma vez destaque. Embora eu pessoalmente acredite que nossa vitória deveu-se, entre outros fatores, à substituição do lateral esquerdo botafoguense, ainda no primeiro tempo, ele que se machucou e que vinha dando muito trabalho ali pelo lado do Serginho.
Aliás, nada contra Serginho. Já houve um momento que eu achava que ele era uma das maiores promessas saídas da base atleticana. Em especial quando arrancava em velocidade, com a bola dominada, entrando pelo meio da defesa adversária, ele que mostrava ser bom driblador.
Mas, aí veio a primeira contusão do joelho. A cirurgia. Logo depois, outra, e Serginho nunca mais voltou a ser o mesmo. Daí que continuo achando curiosa essa insistência de Cuca em colocá-lo em campo.
Atualmente, disperso no jogo, sem saber que espaço ocupar do campo, a lembrança de Serginho é sempre pelas faltas que ele comete, a maioria desncessária e violenta, e pelas bolas que desperdiça durante o jogo.
Esforçado ele é, ninguém o nega. Mas, é pouco. Muito pouco para quem tem Felipe Souto no banco, podendo ainda optar por Richarlyson.
E Cuca entrou com Serginho e ali abriu-se uma avenida que M. Azevedo, se não me engano explorou muito, levando perigo enquanto esteve em campo. A ponto de Seedorf, também jogando por ali, ter sofrido um pisão de Serginho, dentro da área, em pênalty não marcado pelo juiz. Lance que, das cadeiras da arena, pareceu ser apenas encenação do holandês.
Mas, se não deu esse pênalty, o juiz deixou de dar, como todos que prestaram atenção no escanteio de Ronaldinho, um agarrão que foi dado em Serginho, por trás, um verdadeiro abraço, já no segundo tempo. Lance que a Globo mostrou ontem, depois do Fantástico, com requinte de detalhes. Inclusive mostrando a participação não apenas do jogador que agarrou Serginho, mas do goleiro Jefferson.
***
O Galo começou meio nervoso, e logo Pierre foi amarelado e o juiz começou a inverter faltas, irritando ainda mais os jogadores e torcida. Mas pior mesmo foi quando Seedorf, com sua experiência deu uma verdadeira bronca no juiz. Bronca equivalente a um cartão amarelo ao árbitro, em uma inversão de papéis e o juiz nada... Situação que se repetiu depois, quando o camisa 28 do Botafogo, que bateu o jogo todo, também pôs o juiz em seu devido lugar e, mais tarde, até o 9 do time carioca resolver dar a sua dura no juizão. Que afinou em todas as oportunidades e não amarelou a nenhum deles.
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Em minha opinião, Cuca mexeu errado quando tirou Escudero, jogador que vinha fazendo um papel importante de fechar o meio. Jogador que já tinha feito um gol de oportunismo, iniciando nossa reação. Saiu Escudero, e Serginho continuou em campo, errando jogadas e errando bolas fáceis, embora tivesse melhorado e se firmado mais na marcação.
Mas a mexida fez o meio campo do Atlético ficar ainda mais sacrificado do que estava, com Pierre, Leandro tendo de se desdobrarem para cobrir o vácuo na direita da defesa.
Réver, mais uma vez, um grande zagueiro. Mais uma vez querendo sair jogando e driblando em frente à entrada da área. Mais uma vez perdendo a bola e quase, por muito pouco, entregando a rapadura.
Já era hora de Réver perceber que tem hora que, se o jogo é de campeonato ... bola para o mato. E bumba meu boi, não é vergonha se o time ganha e não leva gols.
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De Ronaldinho Gaúcho não há o que falar. Apenas se esmera em mostrar porque duas vezes foi escolhido o melhor do mundo. O que não é pouco. Ainda mais se nos relembra desses prêmios em duas, três jogadas, ou dois ou três lançamentos que faz em meio ao jogo.
Dele, só destacar que ele organiza o Galo em campo, cantando todas as jogadas que ele, com sua visão privilegiada de jogo, consegue vislumbrar, antes que os companheiros.
Importante esse papel do R49, ao qual a imprensa vem dando pouca atenção.
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Agora, que falta e que saudade do Marcos Rocha e do Danilinho.
E o Berolinha, hein? que volta triunfal. Que jogada bonita a do gol, desde a tentativa do passe de letra de Léo Silva, que foi interceptada, até a recuperação da bola, a virada para a direita, o passe de calcanhar de Carlos César, felizmente posto no lugar de Serginho e o toque sutil de Berola.
E o Galo lá, brilhando. Líder e campeão do primeiro turno.
***
Mas, emocionante mesmo foi, antes de tudo isso, ver os heróis do jogo entrarem em campo, embora sem o destaque que mereciam que, no meu caso acho que incluia serem anunciados pelo auto-falante do estádio.
Refiro-me ao pai e ao Felipe, o menino guerreiro, atleticano, cuja paralisia não impediu de se mostrar um vencedor. E, claro, ao pai que criou uma forma de dar pernas ao filho e mais que uma botina, inventou as asas que sustentam os vôos da imaginação de seu filho.
A esse pai, o verdadeiro herói, todos deveriam reverenciar, assim como o fez Ronaldinho, o R49 das reverências da massa.
Viva o Felipe. Viva o pai do Felipe.
E Viva o Galo!!!
 

Discurso de Formatura - mais uma homenagem


Diz uma anedota que circula pela Internet que no princípio era o Caos,  razão suficiente para provar ser a Economia a mais antiga das profissões existentes. Por esse motivo, Deus criou os céus e a terra.
Ou seja, insatisfeito com a realidade à sua volta, buscando promover transformações que pudessem fazer do ambiente caótico um espaço mais apto à promoção de satisfação e prazer, Deus inovou.
Neste momento, alguém poderia estar se perguntando que tipo de discurso é esse feito por esse professor. E antes que pudesse causar sono, respondo tratar-se do discurso de alguém que, mais que a homenagem de que é alvo nesta solenidade, é um entusiasta da ideia de que o cientista social, e com destaque o economista, tem por ofício e dever ser sempre um profissional insatisfeito com a realidade que o cerca e sujeito da mudança transformadora. O economista tem inexoravelmente o dever de ser participe, sujeito ou agente, da melhoria das condições de vida da sociedade que o acolhe.
Seja buscando eliminar as desigualdades sociais, seja procurando melhorar as condições de vida e remuneração de todos que habitam o mesmo espaço social, seja procurando sacudir e, despertar de seu sono ou torpor, aqueles que foram sempre tratados como objetos, invariavelmente para servirem como instrumento de exploração, por outros mais privilegiados ou mais espertos. Desse ponto de vista, o cientista social deve ser como tal, um Educador, na acepção mais plena da palavra. Aquele que é responsável por dotar seus semelhantes de ferramentas que lhe permitam estar sempre buscando transformar sua situação de subalternidade em outra em que ele possa assumir as rédeas de seu destino e de sua história.
Então, assim como pais, parentes, maridos, esposas, namorados, amigos, que aqui comparecem com justificado entusiasmo, por serem parte da conquista desses jovens formandos, também eu e todos vocês meus afilhados, devemos manter sempre elevado nosso entusiasmo, essa expressão de origem grega cujo significado é ser o veículo de transporte divino. O que remete ao início de meu discurso. Para concluir que, entusiasmados, somos todos portadores de centelhas divinas. E, por isso, temos a obrigação de transformar o que há errado, de injusto, de perverso à nossa volta.
Caros  formandos, vocês chegam hoje ao final de seus respectivos cursos, concluídos com sacrifícios, dificuldades, momentos de ansiedade e até desespero, e instantes vários de alegrias, de diversão, e da percepção do quanto estavam sendo modificados. De quanto estavam aprendendo e crescendo. E cada vez mais se conscientizavam do quanto deveriam ainda aprender mais e crescer mais. Afinal, essa é a trilha da ciência e do saber, já enunciada por Sócrates quando cunhou a famosa expressão só sei que nada sei.
Neste dia de festas, não vou fazer a apresentação de novas teorias, ou repetir aquelas que tanto lhes torturaram em sala de aula. Vou apenas falar brevemente de alguns princípios que julgo poderão ser muito úteis, para aqueles de vocês que quiserem adotá-los como parte de seus saberes quando enfrentando o mundo e o mercado.
Em primeiro lugar, procurem ser sempre e agir sempre com INTEGRIDADE. No sentido que consta no dicionário de terem caráter, serem honestos, e nesse país em que vivemos em que sentimos cada vez mais essa carência: incorruptíveis. Ajam e adotem atitudes sempre irrepreensíveis, mas sem esquecerem que ser íntegro é também apresentar a característica de ser inocente. Puro, não fraco.
Ao lado da integridade, zelem sempre por terem DISCIPLINA, entendido não um comportamento passivo, de submissão cega ao mais poderoso ou mais forte, mas no contexto moral de serem obedientes às regras de seu interior, de seus princípios. Perseverando e sendo firmes e constantes na busca por sempre segui-los.
Busquem e lutem pela LIBERDADE, no sentido existencialista, de realizarem escolhas autônomas, independente de condições ou limites, visando a realização da autodeterminação do ser humano. Para não fugir ao perfil: no sentido marxista, de respeitando as leis da natureza e os condicionamentos que pesam sobre a nossa história, procurarem transformar o real e interferir e melhorar a organização da sociedade em que vivem.
Tenham CRIATIVIDADE. Façam uso da inventividade, da inteligência de que são dotados, para criarem, inventarem, inovarem em todos os campos de sua vida.
Zelem por manter sua VERSATILIDADE, procurando cada vez mais ampliarem, expandirem, serem diversos em suas habilidades e qualidades, de forma a poderem aprender e realizar diferentes ações.
Já concluindo, cultivem sempre, em todos os instantes, o sentimento da SOLIDARIEDADE, situação que resulta de perceberem a comunhão de atitudes e sentimentos, de maneira que possam, no grupo em que estiverem inseridos, constituírem uma unidade sólida, capaz de opor resistência às forças externas.
Por fim, tenham FÉ. Nesse contexto, não em um sentido estrito religioso, mas a FÉ que representa que cada um de vocês sabe que contêm uma centelha divina, e como deuses que são, tem confiança absoluta na sua capacidade de conquistar o que desejam.
E guardem consigo esse ditado, cuja origem se perdeu nos tempos, mas que sempre me ajudaram a decidir que caminho eu deveria seguir:
            O homem que não sabe e não sabe que não sabe é um tolo. Fuja dele.
            O homem que não sabe e sabe que não sabe precisa de ajuda. Ensine-o.
            O homem que sabe e não sabe que sabe está dormindo. Desperte-o.
            O homem que sabe e sabe que sabe é sábio. Siga-o.
Parabéns. Felicidades.

Quantificando


Quanto pode haver de sonhos?
Quanto pode, de verdade?
Se o passado que vivemos
Transforma-se em saudade
E as cicatrizes que o tempo
Imprime em nossa vida
Vão se tornar as raízes
Dessa tal felicidade?

Quanto pode haver de sonhos
Quanto pode, de verdade
Se o sonho que eu crio
É só expressão da vontade

Quanto pode haver de sonhos
Para sustentar a crença
Se o presente é fantasia
E o futuro ilusão
Se a dor que dá no peito
por não encontrar guarida
troca, sem pedir licença
de lugar com a alegria, incontida.

Quanto pode haver de sonhos
Quanto pode, de verdade
Se a vida que eu crio
Expressa a minha vontade.