sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tomando posse


Faz de mim sua gaveta
me deixa desarrumada
Me deixa bagunçada
Me trata como uma qualquer

Me faz de gato e sapato
Me xinga e me acusa
Me suja e me lambuza
Me usa como você quiser

Me lança a sua rede
Me atira na parede
Me trata como mulher
Me dê amor e carinho
Carrega-me em seus braços
Faz de mim o que quiser

Só nunca me abandones
Nem sai em busca de outras
Pois sou eu, a sua mulher

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Festas e despedidas


Feche a porta
Apague a luz
Puxe a cortina do quarto
Não deixe nenhuma fresta
Para que a claridade
Atrapalhe a nossa festa

Vem deitar aqui a meu lado
Vem esquentar o meu corpo
Vem fazer amor comigo
Vem me proteger do frio

Vem para me dar conforto
Vem me causar arrepio
Vem matar o meu tesão
E curar meu desvairio

Vem na penumbra da noite
Como um menino vadio
Que chega sem pedir nada
Pra preencher meu vazio

E quando a madrugada
Sinaliza o amanhecer
O meu menino arredio
Volta a desaparecer
Parte e me deixa sozinha
Satisfeita de prazer
Entregue a minhas lembranças
Que me fazem adormecer

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

A propósito de recordes


Primeiro foram os índios
Os negros de Palmares
Os homens do Conselheiro
Os jagunços cangaceiros
Do bando de Lampião
Seguiram-se-lhes os comunistas
os estudantes, os  padres, os seminaristas
que arrastados aos porões da ditadura
acusados de subversivos
desceram ao inferno das salas de tortura
de onde poucos conseguiram sair  vivos.
            Enquanto isso, nas delegacias especializadas
criminosos comuns tornavam-se notícia
manchetes de jornais que sem assunto
Sob os olhares complacentes da polícia
Anunciavam o surgimento de outro presunto
Depois vieram  os pivetes da praça da Sé
Os sem terra do Pará
O triste destino, do sono de morte, do índio Galdino
Junto à chacina do dia-a-dia
em que  o cidadão comum perde a vida
só por estar na hora errada
no trajeto de uma bala perdida
                                   Agora, na zona central da cidade
à noite, quando a rua está vazia
repete-se o grotesco espetáculo
assiste-se a outra cena de horror
o covarde massacre dos sem-teto
dos sem direito e sem dignidade
gente sem vida e sem alegria
refugiados sob um ralo cobertor
na esperança de se proteger da noite fria
E na calada da noite em que se perpetra o crime
E enterramos a esperança de uma sociedade solidária
O  silêncio ou o choro que emitimos
Tem como causa a perda de outra batalha:
não conseguirmos nesta Olimpíada
Quebrarmos nosso recorde de conquista de medalhas.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sugestões para levantar o astral


Vê se deixa de lado
Essa mágoa
Essa queixa
Esse ar desolado
E abandona a expressão
O olhar conformado
e desfaz a imagem
que você cultivou
De que é um pobre coitado
Sempre reclamando alguma dor
Vê se deixa de lado
Essa sua postura
De quem sofre calado
Mal quisto, mal tratado
Vê se altera o humor
Que te faz parecer
Ser um estraga-prazer
Sempre mal-humorado

Vê se esquece dos problemas
Vence o pavor do escuro
Supera a insegurança
O medo do futuro
Vê se afasta a vergonha
Derrota a timidez
E enfrenta a vida
Sempre com altivez
Para que mais à frente
Ao fim da caminhada
Mais que a mera viagem
A simples trajetória
Você tenha deixado
Gravado na memória
Conquistas e derrotas
Que fizeram história

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O apagão do Galo

Fim de semana estranho, ao menos em se tratando de futebol. Não apenas pelos resultados, ou pela falta deles, no caso dos líderes. Mas pela qualidade ou falta dela.
Do jogo do Fluminense, no sábado, apenas a observação feita por alguém a meu lado no boteco: são os porcos magros que sujam a água. E o Atlético Goianiense, que já havia aprontado para cima do Galo no primeiro turno, arrancando um empate, aprontou de novo, vencendo o Fluminense, em terreiro adversário. É verdade que o time carioca estava desfalcado de Fred, o que é um baita desfalque, mas o time goiano mereceu os dois gols que fez e ainda mereceu um terceiro gol, logo no início do segundo tempo. Gol que seria a pá de cal.
Como não foi feito, deu espaço para os cariocas crescerem e ainda partirem para cima, marcando um gol e dando um verdadeiro sufoco.
***
Já no domingo, nos Aflitos, foi a vez do Galo desperdiçar a oportunidade de voltar à liderança, perdendo para o Náutico por 1 a zero, placar que não fez justiça ao futebol apresentado pelo time pernambucano. Ou ao completo apagão que tomou conta do time atleticano, desde o início do jogo.
Como prenúncio do que estaria por vir, nem bem iniciado o jogo, Rafael Marques deu uma pixotada dentro da área e por muito pouco o time alvi-rubro não marca o primeiro gol.
Daí para a frente o panorama do jogo não sofreu muita alteração, o Atlético tentava se impor, adiantando seu meio campo, matando as jogadas do Náutico antes mesmo que elas pudessem ser criadas, mas, mesmo assim, quem conseguia avançar e levar perigo ao gol adversário foi o Náutico.
O Galo parecia disperso e, pior, repetindo o mesmo defeito que vem apresentando em alguns jogos em que a marcação do time adversário é mais forte, sem dar espaços para as arrancadas de Bernard e as jogadas de Ronaldinho Gaúcho. Ou seja: mantendo a bola de pé em pé, transmitindo a falsa impressão de ter total domínio do jogo, mas trocando passes sem qualquer objetividade, não raras vezes, acabando por retornar a bola até as mãos do goleiro Victor.
***
Assim, a bola que estava com Bernard é tocada para Ronaldinho, que passa a Marcos Rocha, que joga para Pierre, daí a Donizete, Réver e... quando a gente pensa que a jogada irá ser recomeçada, com o time voltando ao ataque, o que se vê é um replay da jogada anterior, bola para Pierre, daí a Marcos Rocha, que atrasa para Rafael Marques, daí a Réver, a Júnior, de novo a Réver, até Victor.
Já disse isso aqui, outra vez, e repito. Parece que o time, sem condições de sair com jogadas tramadas, bola de pé em pé, com objetividade e para a frente, prefere ficar tentando as ligações diretas, com chutão para a frente, de preferência dados por Victor. Isso para um ataque de baixinhos como Danilinho, Bernard, Ronaldinho.
Parece que a expectativa é sempre de que o Jô surja do nada, para fazer o pivô, ou que Leonardo tenha a mesma condição de tentar a jogada que o artilheiro do Galo, embora seja evidente que a forma de jogar de ambos seja distinta.
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E, buscando ir trocando passes até dentro da área, ou até dentro do gol, o Atlético afunila todas as jogadas, centralizando muito as tentativas de gol, e facilitando que a defesa adversária consiga se fechar de forma mais eficiente.
Ora, de há muito, ouço que para vencer uma defesa compacta, a melhor jogada é pelas extremidades do campo. Por conta disso, fiquei ontem tentando contar quantas jogadas pelas pontas foram feitas pelo time do Galo.
E descobri que, exceto os escanteios de Ronaldinho, a jogada de linha de fundo do Galo costuma ser feita por Marcos Rocha, que volta com a bola para o bico da área, de onde troca passes com seus companheiros, tentando entrar pelo meio fechado, o que sempre termina com a bola sendo retornada para Pierre, Donizete, e daí para Réver, já de novo no nosso campo de defesa.
Do lado de Júnior César, ainda há algum lance de chegada à linha de fundo, para que seja efetuado o cruzamento para a área, de forma a que um dos nossos baixinhos possam disputar bolas altas com defesas compostas de jogadores sempre de maior estatura.
Quando Jô ainda está em campo, pode a jogada funcionar e levar algum perigo, mas com Leonardo, especialmente, jogando mais fora da área, voltando para buscar a bola como estava ontem, é exigir demais que ele tenha capacidade para ir lá dentro, disputar as poucas bolas centradas.
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Bem, há muitos anos, quando como campeões mineiros o Atlético disputava a Taça Brasil, lembro-me de que em geral, começávamos a competição tendo que eliminar algum time capixaba, para depois disputarmos, em melhor de três jogos, com algum time pernambucano, em geral, o Náutico.
Lembro-me de que o Náutico era um verdadeiro bicho-papão e que, em geral, era o responsável por nossa desilução e desclassificação.
Pois foi esse sentimento que começou a me passar pela cabeça quando o jogo começou e o Galo mostrou que estava em dia de muito pouca inspiração. Especialmente o Rafael Marques, dando a impressão de estar completamente aturdido. Fora de jogo.
***
Não fora Victor, o time do Galo não só teria perdido, como ainda teria amargurado uma sonora goleada e protagonizado um dos maiores vexames do ano.
Poderíamos ter sofrido além do gol de pênalty, outros dois ou três gols, não fosse a excelente participação do goleiro atleticano.
***
Mas tudo bem. Perdemos, mas evitamos o pesadelo e o vexame.
Agora é esperar que o time que tanto errou no Timbu, possa ter gasto todo o seu estoque de falhas e possa pegar o Grêmio no domingo, com outra disposição e pegada.
E que, com o apoio da torcida possa, inclusive, não venha a ser novamente prejudicado pelo juiz.
Afinal, se não iria apagar a má impressão da partida, ainda assim, é de se esperar que o juiz marque corretamente todas as faltas havidas, em especial, aquelas que ocorrem dentro da área, e que poderiam mudar o resultado da partida.
Falo do pênalty claro em Berola, não apitado. Falta que poderia permitir ao Galo chegar a um empate, mesmo que injusto pelo que jogou. Mas, falta, ainda assim.

Tomar as rédeas é preciso


Primeiro chegam
Os homens de ar soturno
Todos com semblante sério
E olhar de reprovação
Vêm com um ar de mistério
No fim do horário noturno
Sem dar sinais de cansaço
E sem demonstrar emoção

Chegam firmando o passo
Só com a bagagem de mão
Vestidos de terno escuro
Próprio para a ocasião
E agem como se fossem
os guardiães do futuro
mascates da realidade
donos de nossas verdades

E postam-se em torno à mesa
Do banquete não servido
Negociando migalhas
De olho na sobremesa
Atentos às nossas falhas
Que nos tornam suas presas


E quem há de querer, algum dia
Tratamento melhor receber
E quem vai desfazer o encanto
Que esses homens parecem exercer
E quem vai quebrar a letargia
Para sorte melhor merecer
Deverá transformar seu destino
Tomar em suas mãos o poder.