segunda-feira, 22 de abril de 2013

Relembrando a história




Abençoada por Deus
Por seus encantos naturais
Nossa terra guarda escondidas,
Entranhas feridas
Dores que não se calam jamais

Desde o tempo de colônia
Fruto da exploração comercial
Implantou-se o trabalho escravo
Que tratava o índio como animal

Mas para ampliar a riqueza
Promovendo a acumulação de capital
Teve início o tráfico negreiro
Sob o patrocínio de Portugal
E a beleza desta terra
Tingiu-se do sangue africano
Que irrigava nossa plantação
A lavoura, o café de exportação

E mesmo sofrendo tanto abuso
O braço negro não se abatia
Deixando gravadas em nossa cultura
Suas festas e sua alegria
E depois de lutas e tanta amargura
Que manchavam o nome do Império
Isabel, a Redentora
Assinou a abolição da escravatura

E pra ter mercado para a produção
Gerada pela revolução industrial
O negro passou a ter salário
Que mudou a forma da escravidão
Mas o negro não bancou o otário
E sonhando subir na escala social
Ocupou um mês do calendário
Tornando-se o rei do carnaval

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Devaneios e desperdícios



Assim, como quem chega de repente
Sem anúncio e sem fanfarra
Ele invadiu de vez a minha vida
Tomou-me pela mão
Passeou comigo por lugares que não conhecia
Ou não recordava
Aclarou os lugares sombrios
Que eu recusava visitar
E me trouxe de volta a alegria
A música, o barulho de risos
Distantes
No espaço? No tempo?
Então enlaçou minha cintura
Convidou-me para dançar
E me levou em seus braços
Rodopiando sob os candelabros de cristais
Leve como as plumas transportadas pelo vento
Até perdermos o sentido da realidade
E a vida voltar a ter o mesmo gosto
De meus tempos de infância.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Cuca com medo, Serginho ??? em campo??? - Conferindo as apostas feitas ontem

Não joguei na mega-sena. Sem palpite, não quis arriscar qualquer dinheiro, e muito menos enfrentar as filas das lotecas.
De mais a mais, como não tenho muita simpatia por alguns dos números sorteados, qualquer aposta que eu fizesse não seria a premiada, impedindo-me de dividir o prêmio com o apostador paranaense, que faturou sozinho os R$ 37 milhões da bolada.
***
Outra aposta errada que fiz foi relativa à SELIC, que foi elevada em 0,25%, retornando ao nível de 7,5%.
Uma elevação que alguns analistas de mercado já estão considerando pouco significativa e incapaz de conter a escalada de preços. E que alguns já temem que possa ser uma decisão do tipo do tiro que saiu pela culatra.
Afinal, o BC reconhece que a inflação está dando sinais de desequilíbrio e que as medidas até aqui adotadas mostraram-se inóquas. Reconhece assim, a necessidade de mexer na política monetária e subir os juros. Mas o faz de maneira frágil. O que servirá para alimentar as especulações em torno da necessidade de futuros aumentos. Do ponto de vista das expectativas, pode vir a agravá-las mais que tentar amainá-las. A ver.
***
Lembrando o prof. Samy Dana, da FGV, para quem parte da inflação é de responsabilidade dos empresários que preferiram ampliar suas margens, mantendo seus preços ao invés de reduzi-los, repassando para o consumidor as desonerações fiscais implementadas pelo governo, nada impede que esses empresários, temendo um maior rigor monetário e queda de vendas, ampliem mais ainda suas margens, agindo preventiva e defensivamente.
É verdade que o professor apresenta como uma possível solução, o estímulo, e até o patrocínio do governo, à geração de um ambiente de maior concorrência. Solução que, nos dias de hoje, só consigo entender como uma sugestão para que o governo se utilize do instrumento da política cambial, para estimular importações.
Afinal, se as razões para que os empresários não expandam seus investimentos em nosso país, como tem sido constantemente apresentadas, são mais de cunho estrutural, não seria por investimentos internos que a concorrência mais disseminada seria alcançada.
Entretanto, elevar juros, atrair dólares, valorizar o real, e aumentar importações é filme que já cansamos de assistir e que, mesmo sem deixar os ares de uma tragédia, tende a vir a se repetir como farsa.
Isso porque o espaço para que prossigamos aumentando nossos déficits em conta corrente são cada vez mais diminutos. E nosso grau de dependência externa, de consequências imprevisíveis, já está chegando ao limite.

Mas, a importação resolve, sim. Ao menos a curto prazo.
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Vencedores da queda de braço, resta agora esperar quanto tempo o mercado, que não criticou a falta de autonomia do BC quando ele decide elevar os juros atendendo a recomendações nada sutis do ministro da
Fazenda e até mesmo da presidenta, vai arguir a intromissão do Executivo que insinuou aumentos de taxa inexpressivos. Ao menos aos olhos do mercado, que é quem mais se beneficia e lucra com essa medida.
De resto, parece que o BC está é, sem agravar as tensões e sem alimentar expectativas, sinalizando que acredita que a inflação vai mesmo continuar seu processo de arrefecimento.
O que justifica uma medida paliativa, por ora.
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Quanto ao Galo, entrou com medo - representado o medo pela postura mais defensiva, em razão da entrada de Serginho.
Com isso, atraiu o São Paulo para cima. E o time de São Paulo avançou como o faminto que se depara com um prato de comida à sua frente. E com as portas abertas.
Marcando a saída de bola do Galo, exercendo marcação sob pressão no meio, o São Paulo ganhou as ações na intermediária e foi absoluto no jogo, não apenas no primeiro tempo, em que o ataque atleticano só conseguiu tramar uma única jogada.
No mais o panorama era a defesa do Galo rebatendo, a bola sendo recuperada pelo time paulista e dá-lhe lances de ataque e de perigo.
Ora, sob tal bombardeio, mesmo estando segura a defesa, como estava ontem, é acreditar muito na sorte imaginar que não vai haver um momento de falha, ou de distração.
Tudo bem que Luan não estava bem. Que Marcos Rocha não estava dando conta de marcar na lateral, já que perdido sem saber mesmo a que tipo de função deveria se dedicar, se de defesa ou de armador. Que Ronaldinho não teve espaço e nem podia dominar a bola que já chegavam dois ou trés adversários para contê-lo.
Mas, é preciso dizer logo: Richarlyson estava se desdobrando e fazendo um partidão. Réver, tranquilo como sempre e Léo Silva seguros na área. Pierre, um leão e Donizete, procurando sair ligando o ataque, o que não é sua especialidade.
E só.
***
No mais a constatação de que, medroso, ao invés de lançar Moraes ou o próprio Guilherme, em substituição a Tardelli, Cuca resolveu por o seu jogador mais amado: Serginho.
Quanto a esse, nem vou falar muito: para mim, nem jogador é.
Mas foi capaz de desarticular todo o meio e fazer o meio campo se perder e ser dominado pelo São Paulo.
Por não saber o que fazer, onde jogar, errar passes, fazer faltas, não marcar ninguém, essa praga por quem Cuca parece nutrir a maior paixão, desde o início era sinal de que entramos para classificar o time brasileiro.
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Sinal de que aqueles que dizem que Cuca é medroso e na hora H nega fogo, têm razão.
Sem meio e sem poder de municiar o ataque, só mesmo esperar por milagres na defesa.
Pouco, muito pouco para o time que é o de melhor campanha na disputa.
No segundo tempo, desesperado, Cuca tirou Luan e fez entrar Alecsandro, que continuou como Jô, completamente perdido e isolado na frente.
Até que Serginho foi, finalmente sacado e entrou.... Neto Berola.
Bem, aí o melhor foi ir tratar de outras coisas, porque embora velocista, todo mundo sabe que o Berolinha é um Éder Luiz piorado, já que sem nem mesmo a inteligência dele.
Mas, Berolinha é queridinho da Galoucura. E por isso, entra.
Porque futebol mesmo....
Bem, com Cuca mostrando seu desepero por ter escalado mal, e mais tarde mostrando que também mexe mal, só restava ao São Paulo marcar o placar que eu até imaginei, 2 a zero.
Mas eu apostei no time errado, infelizmente.
Porque Cuca, com Serginho a tira-colo nos transformou ontem, na temida imagem do cavalo paraguaio.


Comemorações e conquistas



Um dia, quem sabe
Vou ver meu time tornar-se campeão
E vou sair para comemorar nas ruas
E abraçar gente desconhecida
Com quem vou repartir goles da minha bebida
E beber direto no gargalo da garrafa
Ou da latinha que me for oferecida
Vou entoar palavras de ordem em homenagem
E ficar rouco de tanta alegria
E vou cantar o hino de meu time
E até beijar cada menina linda
Que a meu lado passar sorrindo
E vou varar toda a madrugada
Perambulando alegre pelas ruas da cidade
Comemorando o sonho da conquista
Vivendo esse instante de felicidade
Para isso basta que façamos
A esperança nossa arma e segredo
Para que a confiança possa se impor ao medo
E dominado pela raça e coração
O nosso time jogue com o espírito
Do time que é o verdadeiro campeão

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Apostas para todos os gostos hoje

Quarta feira cheia de apostas no ar.
Desde apostas em relação à decisão do COPOM quanto ao novo valor da taxa básica de juros, a Selic, quanto a outros temas menos espinhosos, mas nem por isso, mais tranquilos.
Exceto talvez as  apostas na Mega-Sena, acumulada mais uma vez, e prometendo o pagamento de um prêmio superior a R$ 37 milhões, para quem acertar a totalidade das dezenas sorteadas.
E quando digo talvez, é por não ter ainda digerido devidamente a série de denúncias de haver, em certos momentos, uma manipulação de resultados, cuja finalidade nunca ficou muito clara, embora também nenhum tipo de investigação mais séria a respeito das acusações tenha sido jamais realizada ou divulgada como acho que merecido.
Entretanto, como diz o título da peça teatral que virou bordão, como o brasileiro tem por profissão a esperança, e também eu sou brasileiro e não desisto nunca, é muito provável que também eu vá fazer uma fezinha, que é pra vida melhorar.
Afinal, sonhar não custa nada...
***
À noite, nesse horário completamente inadequado que a televisão resolveu nos impor, apenas visando o atendimento de seus interesses relacionados à manutenção de sua grade de programação, teremos o Galão da Massa contra o São Paulo.
Jogo difícil, na casa do adversário e, pelas características de que se reveste, sujeito a muita pressão, nervosismo e catimba.
Afinal, ao São Paulo, nenhum outro resultado importa, exceto vencer. Qualquer tropeço pode representar o adeus à permanência na Libertadores que, pela campanha até aqui realizada pelo time paulista,  seria o resultado mais justo.
Tanto que o São Paulo não depende apenas de seu resultado, o que ajuda a tornar o confronto de hoje no Morumbi, ainda mais nervoso.
Pelo lado do Atlético, embora ostentando a tranquilidade de jogar já como o time que acumulou maior número de pontos na primeira fase, conquistando as vantagens decorrentes dessa posição,  também há uma certa agitação. Afinal, o time pega um adversário desesperado e que, caso venha a obter um bom resultado, pode vir a ser o próximo adversário da equipe, já na fase do mata-mata.
E, depois de obtida uma vitória, a psicologia esportiva assinala que o time paulista teria um estado de espírito e ânimo mais confiante para a próxima decisão.
De mais a mais, todos se recordam que o Atlético não jogou bem contra o São Paulo no Independência, tendo vencido por placar apertado e passando sufoco no final.
Ainda está na memória de muitos torcedores, o chute nos instantes finais dado por um Ganso completamente livre, da entrada da área, que passou tirando tinta da trave de Victor.
Ganhamos é bem verdade e iniciamos ali a campanha até agora vitoriosa. Mas, se ali serviu como estímulo para a arrancada, não deve ser esquecido o perigo que o time paulista representa.
Acho que dá Galo. Talvez 2 a zero. Mas reconheço que isso é mais desejo e torcida que uma análise fria.
E acho que dá Galo, mais que pela necessidade de se eliminar o São Paulo, time mais experiente em mata-mata, várias vezes campeão da Libertadores, e  que cresce nos momentos decisivos, pelo fato de que é mais uma partida. E não concebo que qualquer jogador profissional pudesse entrar em campo achando que o jogo já está ganho ou não vale mais nada.
Em minha maneira de ver, qualquer jogo é jogo. E brigo para vencer até o jogo de palitinhos, a purrinha.
São Paulo vem sem Jadson, um de seus principais jogadores, sem o artilheiro Luis Fabiano, e com um Osvaldo em estado de graça. Mas, o Galo vem com Tardelli querendo a oportunidade de calar a boca, em campo, daqueles que o acusam de ser enganador. Mesma razão que deve levar Jô a querer mostrar que, quando estimulado e feliz, qualquer pessoa cresce e até resgata o que, um dia, já foi razão de elogios vários.
Situação semelhante à de Richarlyson. Ou de Ronaldinho Gaúcho, que a cada partida tem que provar que está completamente recuperado e jogando o melhor de seu futebol.
Mas, além desses motivos pessoais, o mais importante é que o time do Galo está fechado e focado. E que mais que as questões pessoais que podem influenciar a todos, o coletivo está e continua se impondo em campo.
***
A última aposta é relativa à decisão a ser adotada pelo COPOM hoje.
Depois de tantas declarações, inclusive a correta afirmação de Mantega, de que os juros não são necessariamente capazes e suficientes para derrubar os preços, mas certamente muito bons para derrubar as expectativas, creio que a Selic pode aumentar.
Até mesmo a presidenta Dilma dá sinais de que essa é uma possibilidade real, embora depois de tal declaração eu não tenha visto nenhum analista de mercado, ou ligado a bancos, ou jornalistas da grande imprensa, ou quem quer que seja, dizendo que a presidenta está se intrometendo em questões em que não deveria. Como também ninguém lembrou de falar que a autonomia do Banco Central foi desrespeitada ou que não existe.
De minha parte, talvez essa seja a constatação mais interessante: quando as autoridades do executivo falavam em reduzir a taxa de juros, na contra-mão do interesse dos mercados, isso era uma vergonha e a autonomia do BC era violentamente questionada.
Agora, que o mesmo fenômenos se reproduz, exceto que na direção julgada correta, ninguém fala da autonomia.
Então, até para mostrar que existe sim a autonomia do Banco Central, eu torço para que o COPOM mantivesse a taxa básica, ainda que com voltando a aviés de alta.
Mas isso, sei bem, é torcida. Melhor mesmo é a taxa se elevar agora, talvez em até mais que o mercado espere, quem sabe em 0,75%. Para  fazer eco às palavras da presidenta, de que não há acordo com a inflação. Por outro lado, para dar tempo a que a inflação caia, as expectativas sejam revertidas, a população possa pensar que o governo está preocupada com ela e seus interesses, e para obrigar a imprensa mal intencionada a ter que, finalmente, admitir que, caso a opção adotada não surta os efeitos esperados, o fracasso não se deve à inação do governo, mas ao mau-caratismo de quem, aproveitando-se do momento, procura apenas elevar suas margens de lucro.
Pena que isso se dê em alimentos, especialmente. Mas, vem aí uma safra que pode ajudar ainda mais no combate à inflação e desmacaramento dos gananciosos de sempre.
Mais tarde, lá pelo final do ano, quem sabe com a inflação na meta ou próximo dela, a política não possa ser alterada novamente, e Dilma aproveitar de um ano de 2014 de novo soluço de crescimento para conquistar mais um mandato popular.
Enfim, a Selic deve elevar hoje, em 0,5%, já que a pressão é para algo nesse nível.
***
No mais e sem qualquer aposta, hoje, no Mineirinho, mais um showzaço de André Rieu. Aqui o  resultado é garantido e sem erro. Pelo menos no palco.

É a vida, é a vida, é a vida



Meros detalhes
Fragmentos de um sonho vão
Passam ligeiros
Sem deixar rastros
E sem raízes
Tênues que são
São fantasias ou devaneios
Delírios que povoam a imaginação
E que se escondem nos desvãos do tempo
Desmancham-se como fumaça
E desvanecem
Mal se deparam com outra desilusão
É a construção jamais erguida
Projeto que nunca saiu do chão
Voo abortado
De asas cerradas
Que nega à vida outra dimensão
Meros grilhões
Simples detalhes
Que mantêm presos
Nossos pés no chão
Terra batida
Onde descalços
Nossas passadas
São os sinais
Que marcam nossa  frustração

terça-feira, 16 de abril de 2013

Torpedeando a razão

De repente
a explosão de uma bomba
mais que a poeira que gera
ou o choro que produz
tomba a racionalidade
e mancha de vermelho sangue
outra vez a humanidade

Em meio à perplexidade
a que um tal ato induz
uma certeza impera:
ao homem essa besta fera
mentor de tal explosão
mais que a sensibilidade
faltou a luz da razão