Em evento em que esteve presente no dia de ontem, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministro Joaquim Barbosa, tratou de forma ácida da existência de um número tão elevado de partidos políticos, como ocorre no Brasil hoje.
Segundo o Ministro, a existência de um número grande de partidos é péssima e não é boa para o sistema político no nosso país, já que nenhum sistema político funciona com 10, 12, ou até 15 partidos. Menos ainda com 32 partidos, como é nosso caso hoje. Com o agravante de estarem em constituição outras vinte e tantas agremiações, o que nos levaria a contar com mais de 59 ou 60 partidos.
Realmente um exagero, especialmente quando examinadas algumas das siglas e o tipo de interesses que elas poderiam estar representando, como por exemplo o Partido dos Estudantes, ou o Partido dos Servidores Públicos, ou ainda e pior, MUITO PIOR, em minha opinião, um Partido Militar Brasileiro.
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Questionado ainda como conviver com tamanha salada de siglas e letrinhas, o Ministro mais uma vez defendeu a existência das chamadas cláusulas de barreira ou cláusulas de exclusão, criada pelo Congresso e derrubada pelo STF, sob a alegação de sua inconstitucionalidade.
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Para início de pitaco, já postei aqui, na semana passada, comentário relativo ao assunto, em que manifestava minha opinião de que não é o número exagerado de siglas partidárias que torna inviável o funcionamento do sistema político, necessariamente. Na oportunidade comentei pesquisa que fiz no Google, que indicou a existência de mais de 30 (confesso que não contei) partidos nos Estados Unidos, considerado o país mais livre e democrático de nossos tempos.
Pois bem, embora lá a existência de tantas siglas seja tolerada, apenas dois partidos têm expressão e acabam revezando-se no poder: os republicanos e os democratas. Com relação às eleições, comentei na oportunidade até me lembrar de vários candidatos à Presidência, como Ralph Nader, ou Ross Perot, que apoiados na legislação americana lançaram-se como candidatos independentes.
Claro, não tiveram êxito e a existência de tantas siglas e agremiações, transmite-nos a sensação de que seja mais que tolerada, até proposital, para dar um ar de maior liberdade ao sistema político, dominado pelo bipartidarismo.
Bipartidarismo que, em alguns casos, acaba trazendo problemas mais sérios para o país como a situação que os Estados Unidos começam a viver agora, a partir desse 1 de outubro de 2013, em que a Câmara de Deputados republicana, não aprovou o Orçamento para o exercício fiscal que tem início nessa data.
Por outro lado, o Senado, dominado pelos Democratas, não aprova a chantagem feita pelos deputados, o que ajuda a tornar mais difícil a solução do problema,.
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No caso específico, desnecessário dizer que, mais uma vez, os democratas estão certos em minha opinião e não podem ceder à chantagem dos republicanos e seus interesses mesquinhos e visão canhestra.
Afinal, aprovado há três anos, e ainda não permitido entrar em funcionamento, o programa de Saúde Pública proposto por Obama foi a sua grande conquista, e a promessa de seu encaminhamento ao Congresso no primeiro mandato e de sua implementação no segundo, foi a grande bandeira que permitiu a eleição do democrata para o cargo mais importante dos Estados Unidos.
Isso quer dizer que o programa de Saúde é desejo da maioria dos americanos e dos eleitores americanos, independente de sua condição ou filiação política, por sua importância e pelo seu forte caráter de buscar reduzir desigualdades sociais.
Mas, olhando seu próprio umbigo, como é comum, os Republicanos não se preocupam muito com a questão social ou com a população americana, diga-se a grande maioria que seria beneficiada. Como sempre, correm para defender seus interesses egoístas, impedindo a aprovação do aumento dos impostos que financiariam a melhora no sistema.
Ora, como Republicanos são ricos ou representam os interesses dos mais ricos e o aumento de impostos em países desenvolvidos (longe, bem longe do que acontece no nosso Brasil) quem paga são os mais abastados, esses políticos preferem prejudicar a maioria dos cidadãos, para resguardar os bens e posses e riqueza de uma minoria.
O resultado disso: a chantagem abjeta, como é toda chantagem com o governo do presidente Obama, que deve se sujeitar a adiar por mais um ano a implementação do Plano, ou não terá votada e aprovada a lei orçamentária que praticamente significa a paralisia dos Estados Unidos e de sua economia.
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Repartições públicas, museus, monumentos, tudo paralisado a partir de hoje, já que a Administração não pode continuar funcionando sem a aprovação do Orçamento. Enquanto isso, funcionários públicos em licença sem remuneração, forçada. Situação que provoca um problema adicional para 1 milhão de famílias desses funcionários.
Pior ainda, se há como agravar mais o problema: a não aprovação de elevação do limite do endividamento do governo, o que irá afetar a capacidade de pagamento dos títulos americanos, com consequências, inclusive no exterior.
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Observando tal situação, era o caso de se refletir se a existência de apenas duas siglas, revezando-se no poder, e com essa possibilidade de uma dominar uma casa legislativa, estando a outra em mãos contrárias, possa representar a situação ideal.
E, a conclusão a que se chega é que, talvez devesse haver algum mecanismo que permitisse ao presidente, assegurar a maioria, ao menos da Casa mais importante. O que iria transformar a democracia representativa de forma escancarada em um ditadura por período determinado.
Uma alternativa era assegurar que a maioria em ambas as casas fosse de uma mesma sigla, o que implicaria em adotar alguma espécie daquilo que um dia já experimentamos no Brasil e não funcionou: o voto vinculado.
Alguns pensariam na possibilidade de existência de um terceiro partido, do tipo de um moderador ou tertius. Ora, mais cedo ou mais tarde veriam que nem os interesses políticos ideológicos existentes na sociedade estariam plenamente representados, nem esse partido exerceria o papel que dele se espera, do ponto de vista da solução dos problemas nacionais.
Esse partido, o fiel da balança acabaria sim, sendo o que nosso PMDB tenta ser desde sempre aqui em nosso Brasil: o partido que pende para onde está o poder e para quem pode, por esse motivo, oferecer mais.
Afinal, o é dando que se recebe tornou-se frase lapidar para caracterizar a política partidária em nosso país, tendo sido enunciada exatamente por um político peemedebista, o Robertão.
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Para não deixar que a cena política se transforme apenas em um grande balcão de negócios, com apenas um corretor para quem sempre irá sobrar a gorda comissão, talvez fosse o caso de se abrir um pouco o leque, talvez permitindo a existência de mais 2 ou 3 partidos além dos 2 mais fortes e poderosos.
E quanto aos partidos mais ideológicos e mais extremistas? Impedi-los de existir ou tolerá-los como se faz nas democracias bem comportadas?
Só aí, já teríamos, talvez a justificativa para mais umas 3 ou 4 siglas. O que nos levaria fácil, fácil ao número de 10 ou 12.
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De fato, o que acho um absurdo, mas respeito é fundar-se um partido com interesse tão corporativo e medíocre como a defesa de interesses de funcionários públicos (de nível federal ou estadual? ou ainda municipal?) ou o partido dos estudantes ( de ciências biológicas, médicas, para lutarem contra os médicos estrangeiros ou a possibilidade de prescrição de receita médica por farmacêuticos; ou de ciências exatas?).
Ora, que interesses maiores, mais amplos, mais sociais esses grupos iriam defender que não estariam sendo representados pelos partidos tidos como principais, aos quais acabariam se agregando e compondo?
Por que não esses grupos (diria grupelhos!) não se inscrevem em bloco nas siglas existentes, como facções dentro do partido maior. Afinal, correntes e facções sempre existiram e existirão dentro de qualquer partido grande, exatamente para defender interesses menores - e às vezes, até inconfessáveis.
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Percebe-se pois, que a grande quantidade de siglas que se tenta formar, pretende mesmo é participar da farra do fundo público partidário, o que exigiria então era uma Reforma Política em nosso país, para definir melhor o acesso a esses recursos. Se eles devessem continuar existindo, como é minha opinião que deveriam.
A maioria das siglas quer é ter direito a tempo de meios de comunicação para poderem negociar espaço e vantagens pessoais nas grandes coalizões que se formam exatamente para abocanhar os míseros segundos assegurados a essas siglas.
O que as torna siglas de aluguel, claro. E seus participantes, meros políticos venais. Prontos para continuar alimentando outros mensalões, do PSDB de Minas ou do PT de Lula e Zé Dirceu, ou para generalizar, continuar alimentando processo de compra de votos, a la FHC e seu Ronivon.
***
Cláusulas de barreira seriam, em minha opinião, o melhor, mas se agridem o direito constitucional de livre associação, devem ser resolvidos em um Reforma Política cada vez mais necessária e urgente, como a presidenta Dilma percebeu tão logo se inteirou das manifestações populares de junho e do clamor que subia da voz rouca das ruas.
Porque associar livremente não pode ser proibido, mas pode se estabelecer que partidos sem representatividade não poderiam ter direito aos recursos públicos de campanha, por exemplo, exceto se cumpridas certas exigências: um certo número de votos, para mostrar representatividade.
***
Mas, para voltar ao meu ponto de início: se não concordo com Joaquim Barbosa, na questão da liberdade para se criarem siglas e partidos, nem com sua visão de que um número elevado é prejudicial ou pode ser, ao menos concordo com a questão de se discutir a implantação de algumas restrições, para não chegarmos àquele extremo, de termos partidos formados sob a inspiração do bloco do eu sozinho. Tudo apenas para mamar nas tetas fartas (nem tanto!) do governo.
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Não fiz antes a ressalva antes, ao partido da Rede de Sustentabilidade de Marina, embora não seja do meu agrado a candidata. Mas ao menos parece ser um partido com intenções sérias e mais estruturado que os demais que vão sendo criados por aí.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
segunda-feira, 30 de setembro de 2013
Galo chegando... porque o resto não quer avançar...
Um golaço de Marcos Rocha desde o início da jogada com a roubada de bola e o avanço de Fernandinho trocando passes com Tardelli, até a inversão feita para que o lateral acertasse um belíssimo chute a gol.
Antes, uma jogada de Fernandinho pela esquerda, avançando até a linha de fundo como autêntico ponta-esquerda e a presença de Luan no lugar certo, no miolo da área.
Ao final, o escanteio batido para a área e o bate-rebate que permitiu que a bola sobrasse limpa para Alecsandro dar um toque com tranquilidade para dentro do gol de Aranha, decretando a vitória do Galo de virada.
Dessa forma, o time conseguiu, mesmo sem muito brilho especialmente no tempo final, superar o trauma do gol tomado no início, em pixotada patrocinada por Réver, que tentou sair jogando dando chapéu no adversário.
Talvez por força da bobagem feita, e que beque nenhum poderia se atrever a fazer, o capitão do Galo andou errando bolas infantis, mostrando uma insegurança muito grande, apenas superada no segundo tempo do jogo.
Antes disso, reconhecendo toda a dedicação de Réver, e sua importância para a campanha da conquista da Libertadores, a torcida o aplaudiu e ovacionou, gritando seu nome, e apoiando-o.
Mesmo comportamento que já havia sido adotada em relação a Victor, por ocasião do frangaço que ele havia engolido na partida contra o Vasco.
***
A esse respeito, tirando o chapéu para a torcida e enaltecendo o apoio que ela julgou necessário dar a ambos os atletas, no momento em que eles mais precisavam, fiquei pensando em qual seria a reação, caso a falha fosse, por exemplo, de Marcos Rocha ou de Júnior César.
Claro que sei a reação que a torcida teria, dada sua impaciência e intolerância, especialmente com nosso excelente lateral direito. Mas, independente de estar jogando sério e marcando o ataque santista sem dar espaços para quem fosse que caísse por seu setor, foi de Marcos Rocha o lance mais bonito do jogo, a que se seguiu um passe para Tardelli no segundo tempo, lance que o péssimo bandeira assinalou um impedimento que não houve.
***
Em relação ao gol do Santos, há ainda que se falar do impedimento de Cicinho, lance tão difícil que, mesmo o comentarista precisou fazer uso dos recursos computacionais para ter a certeza de que o jogador santista estava à frente da linha da bola e da defesa do Galo.
***
Entretanto, mais uma vez, o futebol do Galo caiu no segundo tempo, quando o Santos começou a trocar toda sua equipe, tirando jogadores do meio e até da defesa e substituindo-os por atacantes. Enquanto o Santos vinha todo para cima do Atlético, no jogo de abafa, o Atlético não conseguia armar qualquer jogada mais perigosa, limitando-se a voltar o futebol burocrático e sem inspiração que tem sido mostrado jogo após jogo: bola na frente, para ser tocada para Josué, que toca para Léo Silva ou Réver, que faz a bola voltar até o chutão de ..... Giovanni, para que Jô possa tentar escorar a bola na frente e, em tendo êxito, possa rolar a bola para um companheiro a seu lado voltar para Pierre ou Josué, que vai atrasar a bola para Réver ou ....
Faça-me o favor, que jogo feio e sem objetividade.
Pior: atrai o adversário para cima do nosso time, que fica completamente sem espaços. Até para tentar uma jogada de contra-ataque.
E tome sufoco e haja coração.
Até Alecsandro, que havia entrado em campo não tinha nem 5 minutos, pegou uma bola lá no ataque e, sem opção, atrasou lá da frente para o goleiro do Galo.
Justiça seja feita: goleiro que entrou muito bem e está sendo capaz de suprir a ausência de Victor.
***
Mas, mais que querer saber o que acontece com o Galo no segundo tempo, e mais que querer saber o que está por trás da queda de futebol do time, ontem o que mais me deixou intrigado foi saber porque o time tanto insistia em por a bola no alto. Porque não fazer o trivial, de por a bola no chão e sair rolando.
Afinal, como dizia ou diziam que dizia Neném Prancha: "meu filho, a bola é de couro, couro de vaca, vaca gosta de grama. Logo, põe a bola para rolar na grama..."
***
Enquanto isso, lá em Novo Hamburgo, o outro time de Minas fazia o trivial e despachava mais um pretenso adversário. Pena que o time do adversário seja formado por um elenco muito bom, talvez dos melhores do campeonato, mas tem um técnico que é muito fraquinho...
E enquanto Dunga for técnico ou achar que é, o time do Inter não irá conseguir fazer jus ao seu elenco. O que é uma pena especialmente para o futebol.
***
Futebol que, a julgar pelo minuto de silêncio que ninguém respeita e que foi respeitado no início da segunda etapa do jogo de ontem, perdeu o técnico Marão, Mário Celso, que montou e foi campeão com a seleção mineira nos idos de 62, um dos times mais brilhantes armados em nosso Estado.
Com goleadas homéricas, e vitórias contra cariocas, paulistas, paranaenses, o time de Marão foi, acho, o último campeão do torneio de seleções estaduais.
Time que contava com Amauri, Noventa, Ernani, Marcial, Luiz Carlos, Tião, e tantos outros jogadores que nos deram tantas alegrias.
***
Devo encerrar admitindo que, por mais que eu não acreditasse, Cuca está com a razão. É o Galo, o único time que, pelo que estou vendo, pode tentar impedir o Cruzeiro de se tornar campeão. Porque o resto está fazendo a maior força para não colocar em risco o título dos azulados.
Botafogo perdendo para Bahia, Ponte Preta, em pleno Maraca. Atlético Paranaense perdendo de goleada para o Vitória, em seu campo, é sinal de que só o Galo mesmo. Embora a 18 pontos de distância...
sexta-feira, 27 de setembro de 2013
De lemas e associações
Compromisso com a convivência
não é preocupar-se em apor adjetivos
que só restringem
e limitam
aquilo que se deseja abrangente
mesmo sabendo que o convívio é complexo
mesmo sabendo quão difícil
o nosso intento
que é tentar relacionar
com toda gente
Senão que é ser simples e objetivo
para que a ideia que nos motiva
e que é nosso lema
por ser o que nos inspira
possa surtir efeito
e ser o embrião da unidade
mesmo ciente de que não é tarefa fácil
unir o que nasce e desenvolve-se
sob o signo de visceral
diversidade
Mas, nessa idade
o que mais pode importar
se o respeito se manifesta?
se já restou mais que provado
que cada um, mesmo a seu modo,
fez seu caminho
e se podemos ir avante como grupo
que é bem melhor
que cada um
seguir sozinho.
quarta-feira, 25 de setembro de 2013
Novos partidos, mais ingredientes para a salada de letrinhas
O TSE aprovou no dia de ontem, a criação de mais dois partidos políticos em nosso país, ambos aptos já a participar das eleições do ano que vem, inclusive com a indicação de candidato a presidência; além de horário gratuito nos rádios e tevês, e financiamento pelo Fundo partidário.
Foram aprovados o PROS - Partido Republicano da Ordem Social, seja lá o que isso possa vir a significar e o Solidariedade do deputado Paulinho da Força Sindical.
Como se sabe, mais uma legenda ainda pode ser criada até o dia 5 de outubro, a Rede Sustentabilidade de Marina Silva, cuja demora em registro nos TREs tem despertado suspeitas de que a demora esteja mais vinculada à força representada pela ex-senadora, ex-ministra e ex-candidata a presidência, e ao estrago que ela poderia fazer ao projeto de reeleição da presidenta Dilma.
Afinal, Marina aparece em todas as pesquisas colocada em segundo lugar na preferência do eleitorado, com a previsão de um percentual de votos capaz de provocar irremediavelmente a necessidade de um segundo turno.
Claro que, embora essa possibilidade traga um potencial de estrago muito maior aos planos do PT, já que a eleição em segundo turno acabaria assumindo um caráter plebiscitário, agora entre duas candidaturas que, a princípio, poderiam parecer ter muitos pontos em comum, inclusive sua origem, é inegável que atrapalha também os planos de Aécio e seu PSDB e de Eduardo Campos.
Como se sabe, Marina é oriunda do PT e em seu discurso defende muitos pontos caros à uma esquerda que poderíamos chamar de esquerda light, a começar da questão do meio-ambiente, da sustentabilidade. Temas que, mesmo não agradando nem um pouco aos interesses do grande capital, não impediriam o fato de que todas as correntes situadas mais direita do espectro político, da centro direita de Aécio à direita de um Bolsonaro ou Maluf, pudessem se unir em torno da sua candidatura, de forma a retirar o PT do poder, em que está instalado há 12 anos.
***
Na verdade, o que Marina representa, é uma incógnita, embora seu discurso mais moderado tenha sido muito bem recepcionado e mostrou-se bem ao gosto de grande parcela do eleitorado mais conservador, mas não extremista, como por exemplo o de Minas. Aliás, até mesmo de um eleitorado como o de BH, capital das Minas, onde ela foi a mais votada candidata nas eleições passadas, expressão do cansaço do eleitor em relação a mais do mesmo.
Mas, é bom lembrar que se as posturas de Marina são bastante avançadas em relação à questão da terra, do meio-ambiente, das questões ecológicas, suas declarações em questões outras que estiveram presentes na agenda da disputa eleitoral, como o aborto para citar um único exemplo, é bastante influenciada por sua opção religiosa, evangélica que é, e portanto mais conservadora.
O mesmo discurso conservador pode ser observado em outras questões relativas a comportamento e questões de cunho mais pessoal.
Já em relação a outros grandes problemas nacionais, pouco se sabe e pouco se procura conhecer de sua posição pessoal ou do que é sua plataforma.
Certo mesmo é que sua presença na cédula como candidata a presidência atrapalha e muito os planos de Aécio, de Eduardo Campos, embora ambos possam ainda ter mais uma chance, em função de idade e etc., nas eleições de 2018.
Afirma-se inclusive, que a candidatura de Campos nesse momento teria apenas a finalidade de que o governador de Pernambuco pudesse se cacifar e ganhar mais visibilidade e força para daqui há quatro anos.
Já em relação a Aécio, a dúvida é outra, e tem a ver com a necessidade de que para chegar fortalecido a 2018 ele deveria estar ocupando algum cargo executivo, de maior visibilidade, além da eterna briga intestina do PSDB, que reforçaria muito uma candidatura paulista, caso ele fosse derrotado em 2014.
***
Mas, não era isso que eu queria comentar nesse pitaco e sim a expressão crítica de todos os comentaristas e jornalistas e apresentadores de televisão, ao noticiarem a criação dos dois partidos.
Em alguns casos, inclusive, deixando claras suas críticas em relação à quantidade exagerada de partidos existentes em nosso sistema político eleitoral.
Bem, por curiosidade, fui pesquisar no santo Google, a quantidade de partidos existentes nos Estados Unidos, considerada a nação mais democrática do mundo, pero no mucho.
É que já tinha ouvido falar que lá são muitas as siglas e agremiações, muitos os partidos existentes, embora o que chega a nosso conhecimento é a informação da existência de dois partidos, Democratas e Republicanos.
Por ocasião das eleições realizadas naquele país, no máximo se comenta na existência de um ou outro candidato independente, como por exemplo, já se falou a tempos atrás, de Ralph Nader, o líder da luta a favor dos direitos do consumidor.
Pois bem, a verdade é que sites consultados indicaram que disputam as eleições naquele país, ao menos 6 partidos, embora as regras do jogo lá são de forma a que, de fato apenas dois deles tenham chances, os mais famosos.
Inclusive, como se sabe, com a vontade do povo manifestada nas urnas pouca influência tendo em algumas situações, já que o sistema eleitoral americano prevê a eleição indireta como a realmente decisiva. Essa regra que explica, por exemplo, a eleição de Bush filho, embora ele tivesse sido derrotado em número de votos populares por Al Gore.
É que lá o 'establishment' tem peso e se manifesta, o que torna o país mais democrático do mundo mais uma ficção de quem foi capaz de elevar o cinema e toda sua fantasia ao ponto que Hollywood conseguiu projetá-lo.
***
No caso brasileiro, o problema não é a quantidade de siglas, que alcança as 32. Nem a necessidade de que a continuidade dos partidos passasse a depender do cumprimento das chamadas cláusulas de barreira, que obriga a ter um mínimo de percentual de votos e candidatos eleitos, em mais de um estado da federação.
Essas cláusulas já existem ou estão previstas, e deveriam, no caso ser apenas mais bem fiscalizadas.
Afinal, cada grupo de pessoas que se associam deveriam ter uma ideia comum, um pensamento comum, uma visão de mundo ao menos semelhante. E, não é difícil imaginar que essas visões de mundo são bastante díspares, justificando a criação de várias agremiações, mesmo que aos olhos da maioria, algumas delas com ideias também disparatadas.
O problema é que não a criação de novos partidos no nosso país não apresenta qualquer distinção em relação a questões de fundo ideológico, como seria de se esperar. Tão somente, serve para que grupos de oportunistas, com os mesmos pensamentos de milhares de pessoas inscritas e militantes de outras siglas, às quais se encontravam ligados até pouco antes da criação dos novos partidos, aproveitam a oportunidade para terem condições de acesso a tempo de propaganda, para depois transformarem esse direito em matéria de negociação, tudo visando tão somente o enriquecimento e a obtenção de vantagens pessoais.
O problema é que, não há nenhuma divergência de fundo, de conteúdo, nenhuma ideia ou proposta nova, distinta, mesmo que fosse estapafúrdia, apresentada pelas novas siglas. Situação que, no caso, apenas serve para enfraquecer nossa democracia e sua representatividade.
Ora, como todos os partidos acabam se tornando meramente uma salada de letras, às vezes desconexas até, estar em qualquer deles é normal e não causa nem surpresa nem espanto, o que contribui para que a infidelidade partidária não seja realmente uma traição a qualquer princípio programático ou de concepção de vida.
Não se trata de trair ideais (afinal, um conjunto vazio de ideias), mas de fazer arranjos que possam acomodar grupos políticos rivais. Em que a rivalidade é apenas em relação a qual dos grupos irá se aproveitar das vantagens do exercício do poder, em dado momento.
***
Pior ainda, no caso da criação de novas siglas é que, percebendo esse problema da infidelidade partidária, que nega e suprime o interesse e desejo do eleitor (na hipótese também fantasiosa de que o eleitor vota por ideias e plataformas e convicções políticas) que elegeu um candidato de um partido que depois muda para outro com posições diametralmente opostas, nossa legislação tentou impedir esse troca-troca de siglas.
Ficou aberta entretanto a possibilidade de que a infidelidade, agora com outro nome e outra forma, pudesse continuar acontecendo, desde que os eleitos por um partido - para não serem punidos com a perda do mandato, migrassem para um partido novo.
Ou seja: mais uma vez o jeitinho brasileiro funcionando para consagrar o pior que tem no nosso caráter macunaímico.
Foram aprovados o PROS - Partido Republicano da Ordem Social, seja lá o que isso possa vir a significar e o Solidariedade do deputado Paulinho da Força Sindical.
Como se sabe, mais uma legenda ainda pode ser criada até o dia 5 de outubro, a Rede Sustentabilidade de Marina Silva, cuja demora em registro nos TREs tem despertado suspeitas de que a demora esteja mais vinculada à força representada pela ex-senadora, ex-ministra e ex-candidata a presidência, e ao estrago que ela poderia fazer ao projeto de reeleição da presidenta Dilma.
Afinal, Marina aparece em todas as pesquisas colocada em segundo lugar na preferência do eleitorado, com a previsão de um percentual de votos capaz de provocar irremediavelmente a necessidade de um segundo turno.
Claro que, embora essa possibilidade traga um potencial de estrago muito maior aos planos do PT, já que a eleição em segundo turno acabaria assumindo um caráter plebiscitário, agora entre duas candidaturas que, a princípio, poderiam parecer ter muitos pontos em comum, inclusive sua origem, é inegável que atrapalha também os planos de Aécio e seu PSDB e de Eduardo Campos.
Como se sabe, Marina é oriunda do PT e em seu discurso defende muitos pontos caros à uma esquerda que poderíamos chamar de esquerda light, a começar da questão do meio-ambiente, da sustentabilidade. Temas que, mesmo não agradando nem um pouco aos interesses do grande capital, não impediriam o fato de que todas as correntes situadas mais direita do espectro político, da centro direita de Aécio à direita de um Bolsonaro ou Maluf, pudessem se unir em torno da sua candidatura, de forma a retirar o PT do poder, em que está instalado há 12 anos.
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Na verdade, o que Marina representa, é uma incógnita, embora seu discurso mais moderado tenha sido muito bem recepcionado e mostrou-se bem ao gosto de grande parcela do eleitorado mais conservador, mas não extremista, como por exemplo o de Minas. Aliás, até mesmo de um eleitorado como o de BH, capital das Minas, onde ela foi a mais votada candidata nas eleições passadas, expressão do cansaço do eleitor em relação a mais do mesmo.
Mas, é bom lembrar que se as posturas de Marina são bastante avançadas em relação à questão da terra, do meio-ambiente, das questões ecológicas, suas declarações em questões outras que estiveram presentes na agenda da disputa eleitoral, como o aborto para citar um único exemplo, é bastante influenciada por sua opção religiosa, evangélica que é, e portanto mais conservadora.
O mesmo discurso conservador pode ser observado em outras questões relativas a comportamento e questões de cunho mais pessoal.
Já em relação a outros grandes problemas nacionais, pouco se sabe e pouco se procura conhecer de sua posição pessoal ou do que é sua plataforma.
Certo mesmo é que sua presença na cédula como candidata a presidência atrapalha e muito os planos de Aécio, de Eduardo Campos, embora ambos possam ainda ter mais uma chance, em função de idade e etc., nas eleições de 2018.
Afirma-se inclusive, que a candidatura de Campos nesse momento teria apenas a finalidade de que o governador de Pernambuco pudesse se cacifar e ganhar mais visibilidade e força para daqui há quatro anos.
Já em relação a Aécio, a dúvida é outra, e tem a ver com a necessidade de que para chegar fortalecido a 2018 ele deveria estar ocupando algum cargo executivo, de maior visibilidade, além da eterna briga intestina do PSDB, que reforçaria muito uma candidatura paulista, caso ele fosse derrotado em 2014.
***
Mas, não era isso que eu queria comentar nesse pitaco e sim a expressão crítica de todos os comentaristas e jornalistas e apresentadores de televisão, ao noticiarem a criação dos dois partidos.
Em alguns casos, inclusive, deixando claras suas críticas em relação à quantidade exagerada de partidos existentes em nosso sistema político eleitoral.
Bem, por curiosidade, fui pesquisar no santo Google, a quantidade de partidos existentes nos Estados Unidos, considerada a nação mais democrática do mundo, pero no mucho.
É que já tinha ouvido falar que lá são muitas as siglas e agremiações, muitos os partidos existentes, embora o que chega a nosso conhecimento é a informação da existência de dois partidos, Democratas e Republicanos.
Por ocasião das eleições realizadas naquele país, no máximo se comenta na existência de um ou outro candidato independente, como por exemplo, já se falou a tempos atrás, de Ralph Nader, o líder da luta a favor dos direitos do consumidor.
Pois bem, a verdade é que sites consultados indicaram que disputam as eleições naquele país, ao menos 6 partidos, embora as regras do jogo lá são de forma a que, de fato apenas dois deles tenham chances, os mais famosos.
Inclusive, como se sabe, com a vontade do povo manifestada nas urnas pouca influência tendo em algumas situações, já que o sistema eleitoral americano prevê a eleição indireta como a realmente decisiva. Essa regra que explica, por exemplo, a eleição de Bush filho, embora ele tivesse sido derrotado em número de votos populares por Al Gore.
É que lá o 'establishment' tem peso e se manifesta, o que torna o país mais democrático do mundo mais uma ficção de quem foi capaz de elevar o cinema e toda sua fantasia ao ponto que Hollywood conseguiu projetá-lo.
***
No caso brasileiro, o problema não é a quantidade de siglas, que alcança as 32. Nem a necessidade de que a continuidade dos partidos passasse a depender do cumprimento das chamadas cláusulas de barreira, que obriga a ter um mínimo de percentual de votos e candidatos eleitos, em mais de um estado da federação.
Essas cláusulas já existem ou estão previstas, e deveriam, no caso ser apenas mais bem fiscalizadas.
Afinal, cada grupo de pessoas que se associam deveriam ter uma ideia comum, um pensamento comum, uma visão de mundo ao menos semelhante. E, não é difícil imaginar que essas visões de mundo são bastante díspares, justificando a criação de várias agremiações, mesmo que aos olhos da maioria, algumas delas com ideias também disparatadas.
O problema é que não a criação de novos partidos no nosso país não apresenta qualquer distinção em relação a questões de fundo ideológico, como seria de se esperar. Tão somente, serve para que grupos de oportunistas, com os mesmos pensamentos de milhares de pessoas inscritas e militantes de outras siglas, às quais se encontravam ligados até pouco antes da criação dos novos partidos, aproveitam a oportunidade para terem condições de acesso a tempo de propaganda, para depois transformarem esse direito em matéria de negociação, tudo visando tão somente o enriquecimento e a obtenção de vantagens pessoais.
O problema é que, não há nenhuma divergência de fundo, de conteúdo, nenhuma ideia ou proposta nova, distinta, mesmo que fosse estapafúrdia, apresentada pelas novas siglas. Situação que, no caso, apenas serve para enfraquecer nossa democracia e sua representatividade.
Ora, como todos os partidos acabam se tornando meramente uma salada de letras, às vezes desconexas até, estar em qualquer deles é normal e não causa nem surpresa nem espanto, o que contribui para que a infidelidade partidária não seja realmente uma traição a qualquer princípio programático ou de concepção de vida.
Não se trata de trair ideais (afinal, um conjunto vazio de ideias), mas de fazer arranjos que possam acomodar grupos políticos rivais. Em que a rivalidade é apenas em relação a qual dos grupos irá se aproveitar das vantagens do exercício do poder, em dado momento.
***
Pior ainda, no caso da criação de novas siglas é que, percebendo esse problema da infidelidade partidária, que nega e suprime o interesse e desejo do eleitor (na hipótese também fantasiosa de que o eleitor vota por ideias e plataformas e convicções políticas) que elegeu um candidato de um partido que depois muda para outro com posições diametralmente opostas, nossa legislação tentou impedir esse troca-troca de siglas.
Ficou aberta entretanto a possibilidade de que a infidelidade, agora com outro nome e outra forma, pudesse continuar acontecendo, desde que os eleitos por um partido - para não serem punidos com a perda do mandato, migrassem para um partido novo.
Ou seja: mais uma vez o jeitinho brasileiro funcionando para consagrar o pior que tem no nosso caráter macunaímico.
terça-feira, 24 de setembro de 2013
As dificuldades de se buscar fazer justiça. Quando as evidências enganam...
Ouço agora, em programa jornalístico da Record: o laudo da polícia criminalística de São Paulo confirma não ter sido encontrado vestígios de veneno no bolo ou no refrigerante ou suco do lanche feito pela família que foi encontrada morta.
Com tal resultado, fica cada vez mais forte a versão de que não houve os crimes que levaram a polícia a suspeitar e conseguir autorização para prender e prender, finalmente, o namorado da vítima.
Por questão de justiça, é preciso reconhecer que todas as informações e indícios apontavam o dedo acusador para o boliviano, pai de uma filha da mulher encontrada morta.
Acusações de agressão contra a namorada que inclusive já tinha registrado boletim de ocorrência contra o namorado; o fato de o boliviano ser considerado de temperamento agressivo e explosivo; de ter estado na noite anterior, com a filha menor do casal, visitando a família vitimada; de ter participado do lanche, mas não ter provado (nem ele, nem a filha) daquilo que os demais comeram. O fato de ter voltado no dia seguinte à casa da namorada, o que não era seu costume, etc. etc.
É preciso mesmo admitir: tudo indicava ter havido uma chacina, e o suspeito, para tranquilidade da sociedade estava já preso.
Mas, não.
Como se sabe, a pressa é péssima conselheira. E nos leva a juízos equivocados.
E foi esse o caso, a julgar pela constatação de que não houve envenenamento.
Houve sim, um acidente, mais um com vazamento de gás, em um apartamento em que o vazamento referido já teria feito uma vítima, rapaz de 23 anos de idade, recém-casado, além da filha que o casal esperava e que foi abortada.
Parece-me que nem foi esse o único caso de problemas com o vazamento de gás, naquele local.
***
Confesso que também eu, ouvindo as notícias, cheguei a acreditar que, pelo menos nesse caso, a polícia agiu rapidamente e solucionou o crime.
Ledo engano.
Mais um engano e uma peça que nos prega a vida. E a pressa de querer fazer justiça a qualquer custo, que às vezes nos invade e nos impele a acusar sem suficientes elementos que capazes de darem suporte a nossas convicções tão apressadas e, por isso, insustentáveis.
***
Na verdade o problema é que desejamos sangue. Vingança. Intimamente, queremos a aplicação da lei de Talião.
Parece-me ainda não sermos suficientemente evoluídos e humanos ou racionais, para formarmos nossas verdades em momentos de comoção. Mesmo que, como no caso da família de São Paulo, não tenhamos qualquer contato ou conhecimento com quaisquer dos envolvidos.
Mas, a mídia, o bombardeio de informações nos coloca como participantes desses eventos e pior, nos induz a formação de juízos que podem ser completamente equivocados.
E esse é um perigo a que estamos sujeitos e que poucas vezes nos preocupamos em discutir.
***
Tratando ainda de laudos, o do menino de 13 anos de idade, suspeito de ter matado os pais policiais, além da avó e uma tia-avó, afirmando ser o menor portador de uma doença mental que o fazia ter o mesmo comportamento de um Dom Quixote é mais uma peça do intrincado quebra-cabeças que cerca toda a situação.
Especificamente nesse caso, não que as notícias não estivessem certas ao apontar, desde as primeiras versões a suspeita da polícia quanto à autoria da chacina e o protagonismo do menor.
Mas, a reação de vizinhos, de colegas, de parentes, ao menos no início da fase de tomada de depoimentos, poderia fazer levantar suspeitas de outra autoria, com a história toda apresentada servindo tão somente para esconder vestígios ou encobrir a verdade por trás da chacina.
O laudo agora, embora mais uma peça que deverá continuar ensejando suspeitas e dúvidas, apresenta mais uma evidência que corrobora a versão primeira investigada.
Quanto à família do garoto e a reação que terá nesse momento, é de se esperar que não soubesse mesmo da situação do menor e de seu problema mental, embora os parentes pudessem saber de que o menino foi vítima de falta de oxigenação no cérebro em procedimento a que se submeteu quando ainda muito novo.
Mas, nesse caso, talvez nem os pais soubessem da possibilidade de o menino ter delírios, já que como o laudo informa, a doença não provoca necessariamente transtornos que pudessem ser identificados com facilidade.
***
Ou seja: como são enganosos nossos julgamentos, capazes de nos fazerem facilmente acusar um inocente e, por força de uma série de circunstâncias, como a carinha boa e simpática de um menino, adotarmos postura de simpatia inesgotável por quem efetivamente cometeu atos condenáveis pela sociedade.
Com tal resultado, fica cada vez mais forte a versão de que não houve os crimes que levaram a polícia a suspeitar e conseguir autorização para prender e prender, finalmente, o namorado da vítima.
Por questão de justiça, é preciso reconhecer que todas as informações e indícios apontavam o dedo acusador para o boliviano, pai de uma filha da mulher encontrada morta.
Acusações de agressão contra a namorada que inclusive já tinha registrado boletim de ocorrência contra o namorado; o fato de o boliviano ser considerado de temperamento agressivo e explosivo; de ter estado na noite anterior, com a filha menor do casal, visitando a família vitimada; de ter participado do lanche, mas não ter provado (nem ele, nem a filha) daquilo que os demais comeram. O fato de ter voltado no dia seguinte à casa da namorada, o que não era seu costume, etc. etc.
É preciso mesmo admitir: tudo indicava ter havido uma chacina, e o suspeito, para tranquilidade da sociedade estava já preso.
Mas, não.
Como se sabe, a pressa é péssima conselheira. E nos leva a juízos equivocados.
E foi esse o caso, a julgar pela constatação de que não houve envenenamento.
Houve sim, um acidente, mais um com vazamento de gás, em um apartamento em que o vazamento referido já teria feito uma vítima, rapaz de 23 anos de idade, recém-casado, além da filha que o casal esperava e que foi abortada.
Parece-me que nem foi esse o único caso de problemas com o vazamento de gás, naquele local.
***
Confesso que também eu, ouvindo as notícias, cheguei a acreditar que, pelo menos nesse caso, a polícia agiu rapidamente e solucionou o crime.
Ledo engano.
Mais um engano e uma peça que nos prega a vida. E a pressa de querer fazer justiça a qualquer custo, que às vezes nos invade e nos impele a acusar sem suficientes elementos que capazes de darem suporte a nossas convicções tão apressadas e, por isso, insustentáveis.
***
Na verdade o problema é que desejamos sangue. Vingança. Intimamente, queremos a aplicação da lei de Talião.
Parece-me ainda não sermos suficientemente evoluídos e humanos ou racionais, para formarmos nossas verdades em momentos de comoção. Mesmo que, como no caso da família de São Paulo, não tenhamos qualquer contato ou conhecimento com quaisquer dos envolvidos.
Mas, a mídia, o bombardeio de informações nos coloca como participantes desses eventos e pior, nos induz a formação de juízos que podem ser completamente equivocados.
E esse é um perigo a que estamos sujeitos e que poucas vezes nos preocupamos em discutir.
***
Tratando ainda de laudos, o do menino de 13 anos de idade, suspeito de ter matado os pais policiais, além da avó e uma tia-avó, afirmando ser o menor portador de uma doença mental que o fazia ter o mesmo comportamento de um Dom Quixote é mais uma peça do intrincado quebra-cabeças que cerca toda a situação.
Especificamente nesse caso, não que as notícias não estivessem certas ao apontar, desde as primeiras versões a suspeita da polícia quanto à autoria da chacina e o protagonismo do menor.
Mas, a reação de vizinhos, de colegas, de parentes, ao menos no início da fase de tomada de depoimentos, poderia fazer levantar suspeitas de outra autoria, com a história toda apresentada servindo tão somente para esconder vestígios ou encobrir a verdade por trás da chacina.
O laudo agora, embora mais uma peça que deverá continuar ensejando suspeitas e dúvidas, apresenta mais uma evidência que corrobora a versão primeira investigada.
Quanto à família do garoto e a reação que terá nesse momento, é de se esperar que não soubesse mesmo da situação do menor e de seu problema mental, embora os parentes pudessem saber de que o menino foi vítima de falta de oxigenação no cérebro em procedimento a que se submeteu quando ainda muito novo.
Mas, nesse caso, talvez nem os pais soubessem da possibilidade de o menino ter delírios, já que como o laudo informa, a doença não provoca necessariamente transtornos que pudessem ser identificados com facilidade.
***
Ou seja: como são enganosos nossos julgamentos, capazes de nos fazerem facilmente acusar um inocente e, por força de uma série de circunstâncias, como a carinha boa e simpática de um menino, adotarmos postura de simpatia inesgotável por quem efetivamente cometeu atos condenáveis pela sociedade.
Efeito Dominó (postando de novo)
Às
vezes
A
sensação de estar à frente
De
peças de dominó enfileiradas
Arrebata-me
Miro-as
metidas em seus ternos
Ou
corpetes
Os
botões brancos reluzindo
Disformes
Meço
a distância que os separa
E a
fragilidade a que se sujeitam
Como
castelos de cartas
A
que apenas um ligeiro sopro
Faz
ruir
Arrastando
consigo todo o conjunto
Estou
ciente
Do
que um simples peteleco
Expressão
de minha vontade
Poderia
provocar
Liberando-me
dos grilhões que eles teceram
E
que me envolvem
A
ponto de ficarem
Ali
à minha frente
Fitando-me
zombeteiros
Enquanto
permaneço imóvel
O
olhar postado fixo
Na
fila organizada
Um
peteleco e a metamorfose
De
uma vida
E o
que me custaria
Tentar
deter o formigamento que me dá
Na
extremidade do dedo
E
que me atiça?
A
curiosidade de procurar antecipar o barulho
O
choque de uma peça atônita contra a outra
E o
ruir
A
queda
O
escombro
E
poeira apenas...
Um
peteleco
Pondo
abaixo toda uma montagem
Construída
pacientemente
Ao
longo de tantas dores de coluna
E
de joelhos sobre os quais me mantinha agachado
Apenas
para ver a última peça se esboroar
Na
superfície lisa
E
quem sabe,
Sem
que fosse essa a intenção
Por
em movimento uma engrenagem
Capaz
de disparar algum projétil
Que
sempre poderia ter como fim
Um
novo alvo
Ou
que poderia passar ao largo
Frustrando
meu intento
E
flutuando no vazio e na ausência
Adorno
ideal
Para
a devastação e o nada
Do
caos gerado por um simples peteleco
segunda-feira, 23 de setembro de 2013
Galo no primeiro tempo e Vasco no segundo tempo: porque o futebol do Galo não voltou para o segundo tempo?
Infelizmente, sou obrigado a concordar com Élcio, que comentou minha nota sobre o não futebol do Galo em São Paulo, dizendo que esse aí, de agora, é que é o verdadeiro futebol do Atlético.
O do time que conquistou a Libertadores, foi o sonho de uma noite de verão, e nós ainda nem bem começamos a primavera.
Mas, dizer que concordo também não constitui verdade integral. Porque a afirmação do amigo é parcial. Como parcial, por exemplo, foi o futebol do Galo ontem, no Independência, contra o Vasco.
Um início de primeiro tempo como o daquele time do primeiro semestre, com o time sufocando o Vasco e não deixando a defesa vascaína ter tempo para pensar ou sair jogando. Sem condições de dominar a bola e sair tocando, restava os chutões que, como sabemos bem, sob pressão, acabam não sendo capazes de isolarem a bola para o outro lado do campo, afastando, ao menos momentaneamente, o perigo.
Em geral, esses chutões saem prensados e batem nos adversários que estão muito em cima, fazendo com que a bola seja recuperada logo pelo adversário, muitas vezes antes de sequer chegarem a cruzar a linha do meio campo.
E dá-lhe sufoco e correria. E se o time que está jogando na pressão troca passes, rápidos e os jogadores têm habilidade e invertem suas posições, leva desespero ao adversário acabando por impor-se a ele e construindo uma vitória consagradora.
Então, vejamos como isso se aplica à partida de ontem. Com três minutos de jogo, Ronaldinho Gaúcho mostra que pode até não ter mais capacidade de correr, mas é capaz de fazer correr a bola e, tudo isso, com uma inteligência e argúcia típica dos grandes craques.
Não diria que com visão de jogo, porque um passe de calcanhar, de costas para o lance não permite isso. Mas permite dizer que é um jogada feita com base na malícia, na experiência de quem sabe que um toque de calcanhar naquelas condições é sempre capaz de encontrar algum jogador entrando livre pelo meio da defesa adversária, já desguarnecida pela necessidade de seus jogadores terem de ir dar combate na intermediária.
Daí, a genialidade.
E o primeiro gol do jogo, de Fernandinho.
Mas não ficou nisso. O Galo continuou fervendo, matando qualquer possibilidade de reação do time carioca e levando desespero ao seu técnico, Dorival à beira do campo. E o desespero, somado ao descontrole emocional demonstrado pelos jogadores cruz-maltinos acabou fazendo com que o chute, cruzamento de Ronaldinho em direção ao gol acabasse sendo interceptado pela defesa contrária, tirando qualquer chance de defesa do goleiro, e indo estampar o 2 a zero no placar.
***
E aí?
Com dois a zero e o Vasco sentindo muito e mostrando estar muito abalado pela sequência de 4 partidas sem vitória e o fato de estar na zona de descenso, com toda que cerca o clube de São Januário, que inclui brigas políticas e até atraso de salários, o jogo era forma para uma sonora e implacável goleada do alvinegro de Belo Horizonte.
Fosse nosso adversário, por exemplo, onde os jogadores parecem ter ainda muito que mostrar para consolidar sua carreira, e portanto, avançam no adversário como se fossem uma horda de famintos em direção a um prato de comida, o resultado no primeiro tempo já seria uma goleada inapelável.
Mas, no campeão da Libertadores, o que aconteceu?
Talvez com a desculpa de o jogo já estar ganho, de o Vasco não ter mais pernas ou condições emocionais para iniciar uma reação, ou com a desculpa pior de que deveria passar a se poupar para a maratona de jogos que irá enfrentar (como se os demais adversários, inclusive o Vasco não tivessem a mesma maratona, nessa loucura de Copa do Brasil junto ao campeonato nacional), tudo com vistas ao mundial, o time parou.
E no segundo tempo, o que se viu foi um Atlético acuado, jogando atrás da linha divisória do meio-campo, sem capacidade de sair do sufoco que o time carioca aprontou, invertendo completamente o panorama do jogo.
Quem começasse a assistir ao jogo a partirdaquele momento não acreditaria que o Vasco é que fosse o time de branco. E, partindo para cima e dominando um Galo com medo, recuado, nessa bobagem de esperar sobrar uma bola para partir em contra-ataque. Digo bobagem porque os que entendem de futebol ( e quem não entende, não é?) sabem que contra-ataque só funciona quando o desespero domina completamente o adversário, a ponto de ele desmantelar qualquer esquema tático e partir para cima, sem controle.
Ora não foi isso que Dorival armou na volta do segundo tempo.
Ao contrário, mexeu bem, colocou gente da base e com talento, pôs o time para correr, com jogadores novos, mas antes de mais nada, fechou sua defesa e se protegeu. E inverteu completamente o jogo.
***
Com o Vasco não dando espaços para o Galo, e arriscando chutes de qualquer distância, coisa que o Galo pouco tenta e tentou, sabe-se lá porque, acabou acontecendo o inacreditável mais uma vez. E dessa vez com o nosso goleirão Victor. Que pegou um frango, entre as pernas que deve entrar para a galeria dos maiores frangos de sua vida.
Como essa situação acontece com todos os jogadores, e a torcida reconhece o quanto o nosso goleirão tem contribuído com as vitórias e conquistas que temos obtido, aplaudiu o goleiro, deu-lhe apoio moral e aí, com 2 a 1 estampado no placar e o Vasco acreditando numa virada, foi a hora de o time do Atlético acordar e partir de volta para cima. Aí sim, aproveitando alguns lances mais afoitos do meio campo do Vasco, o que permitiu uma série de ataques e bolas perigosas, que não entraram no gol do time carioca por capricho.
E porque àquela altura, uma goleada seria injustiça muito grande com o corajoso e brioso time carioca.
Terminou assim, dois a um, e até Ronaldinho Gaúcho tendo que voltar para ajudar a defesa, despachando a bola com bumba-meu-boi típico de qualquer grande jogador dos gramados de várzea.
Mas, pelo menos, asseguramos mais 3 pontinhos, subindo para oitavo lugar, nesse campeonato que está com uma qualidade tão ruim, que está todo embolado.
***
Exceto Náutico e Cruzeiro, na verdade, todo mundo está muito mal e o campeonato está com um dos níveis técnicos mais baixos de toda sua história.
Não acho correto. Acho um desrespeito falar, como ouvi, na Libertadores, que se o time que está lá na frente não ganhar não ganha mais, já que o campeonato é o mais fácil de ser conquistado.
Será? Não foi o time lá da frente que tornou tudo mais simples, afinal?
Pode ser. Mas, nesse campeonato, o que acho que eles fizeram foi apenas praticar um futebol com regularidade, típica de um time bem organizado e bem montado e estruturado.
O problema é que é o único com essa regularidade.
O resto está fazendo o diabo para perder seus jogos e fazerem difícil o que poderia ser mais fácil.
Isso sim, é gostar de viver perigosamente.
O do time que conquistou a Libertadores, foi o sonho de uma noite de verão, e nós ainda nem bem começamos a primavera.
Mas, dizer que concordo também não constitui verdade integral. Porque a afirmação do amigo é parcial. Como parcial, por exemplo, foi o futebol do Galo ontem, no Independência, contra o Vasco.
Um início de primeiro tempo como o daquele time do primeiro semestre, com o time sufocando o Vasco e não deixando a defesa vascaína ter tempo para pensar ou sair jogando. Sem condições de dominar a bola e sair tocando, restava os chutões que, como sabemos bem, sob pressão, acabam não sendo capazes de isolarem a bola para o outro lado do campo, afastando, ao menos momentaneamente, o perigo.
Em geral, esses chutões saem prensados e batem nos adversários que estão muito em cima, fazendo com que a bola seja recuperada logo pelo adversário, muitas vezes antes de sequer chegarem a cruzar a linha do meio campo.
E dá-lhe sufoco e correria. E se o time que está jogando na pressão troca passes, rápidos e os jogadores têm habilidade e invertem suas posições, leva desespero ao adversário acabando por impor-se a ele e construindo uma vitória consagradora.
Então, vejamos como isso se aplica à partida de ontem. Com três minutos de jogo, Ronaldinho Gaúcho mostra que pode até não ter mais capacidade de correr, mas é capaz de fazer correr a bola e, tudo isso, com uma inteligência e argúcia típica dos grandes craques.
Não diria que com visão de jogo, porque um passe de calcanhar, de costas para o lance não permite isso. Mas permite dizer que é um jogada feita com base na malícia, na experiência de quem sabe que um toque de calcanhar naquelas condições é sempre capaz de encontrar algum jogador entrando livre pelo meio da defesa adversária, já desguarnecida pela necessidade de seus jogadores terem de ir dar combate na intermediária.
Daí, a genialidade.
E o primeiro gol do jogo, de Fernandinho.
Mas não ficou nisso. O Galo continuou fervendo, matando qualquer possibilidade de reação do time carioca e levando desespero ao seu técnico, Dorival à beira do campo. E o desespero, somado ao descontrole emocional demonstrado pelos jogadores cruz-maltinos acabou fazendo com que o chute, cruzamento de Ronaldinho em direção ao gol acabasse sendo interceptado pela defesa contrária, tirando qualquer chance de defesa do goleiro, e indo estampar o 2 a zero no placar.
***
E aí?
Com dois a zero e o Vasco sentindo muito e mostrando estar muito abalado pela sequência de 4 partidas sem vitória e o fato de estar na zona de descenso, com toda que cerca o clube de São Januário, que inclui brigas políticas e até atraso de salários, o jogo era forma para uma sonora e implacável goleada do alvinegro de Belo Horizonte.
Fosse nosso adversário, por exemplo, onde os jogadores parecem ter ainda muito que mostrar para consolidar sua carreira, e portanto, avançam no adversário como se fossem uma horda de famintos em direção a um prato de comida, o resultado no primeiro tempo já seria uma goleada inapelável.
Mas, no campeão da Libertadores, o que aconteceu?
Talvez com a desculpa de o jogo já estar ganho, de o Vasco não ter mais pernas ou condições emocionais para iniciar uma reação, ou com a desculpa pior de que deveria passar a se poupar para a maratona de jogos que irá enfrentar (como se os demais adversários, inclusive o Vasco não tivessem a mesma maratona, nessa loucura de Copa do Brasil junto ao campeonato nacional), tudo com vistas ao mundial, o time parou.
E no segundo tempo, o que se viu foi um Atlético acuado, jogando atrás da linha divisória do meio-campo, sem capacidade de sair do sufoco que o time carioca aprontou, invertendo completamente o panorama do jogo.
Quem começasse a assistir ao jogo a partirdaquele momento não acreditaria que o Vasco é que fosse o time de branco. E, partindo para cima e dominando um Galo com medo, recuado, nessa bobagem de esperar sobrar uma bola para partir em contra-ataque. Digo bobagem porque os que entendem de futebol ( e quem não entende, não é?) sabem que contra-ataque só funciona quando o desespero domina completamente o adversário, a ponto de ele desmantelar qualquer esquema tático e partir para cima, sem controle.
Ora não foi isso que Dorival armou na volta do segundo tempo.
Ao contrário, mexeu bem, colocou gente da base e com talento, pôs o time para correr, com jogadores novos, mas antes de mais nada, fechou sua defesa e se protegeu. E inverteu completamente o jogo.
***
Com o Vasco não dando espaços para o Galo, e arriscando chutes de qualquer distância, coisa que o Galo pouco tenta e tentou, sabe-se lá porque, acabou acontecendo o inacreditável mais uma vez. E dessa vez com o nosso goleirão Victor. Que pegou um frango, entre as pernas que deve entrar para a galeria dos maiores frangos de sua vida.
Como essa situação acontece com todos os jogadores, e a torcida reconhece o quanto o nosso goleirão tem contribuído com as vitórias e conquistas que temos obtido, aplaudiu o goleiro, deu-lhe apoio moral e aí, com 2 a 1 estampado no placar e o Vasco acreditando numa virada, foi a hora de o time do Atlético acordar e partir de volta para cima. Aí sim, aproveitando alguns lances mais afoitos do meio campo do Vasco, o que permitiu uma série de ataques e bolas perigosas, que não entraram no gol do time carioca por capricho.
E porque àquela altura, uma goleada seria injustiça muito grande com o corajoso e brioso time carioca.
Terminou assim, dois a um, e até Ronaldinho Gaúcho tendo que voltar para ajudar a defesa, despachando a bola com bumba-meu-boi típico de qualquer grande jogador dos gramados de várzea.
Mas, pelo menos, asseguramos mais 3 pontinhos, subindo para oitavo lugar, nesse campeonato que está com uma qualidade tão ruim, que está todo embolado.
***
Exceto Náutico e Cruzeiro, na verdade, todo mundo está muito mal e o campeonato está com um dos níveis técnicos mais baixos de toda sua história.
Não acho correto. Acho um desrespeito falar, como ouvi, na Libertadores, que se o time que está lá na frente não ganhar não ganha mais, já que o campeonato é o mais fácil de ser conquistado.
Será? Não foi o time lá da frente que tornou tudo mais simples, afinal?
Pode ser. Mas, nesse campeonato, o que acho que eles fizeram foi apenas praticar um futebol com regularidade, típica de um time bem organizado e bem montado e estruturado.
O problema é que é o único com essa regularidade.
O resto está fazendo o diabo para perder seus jogos e fazerem difícil o que poderia ser mais fácil.
Isso sim, é gostar de viver perigosamente.
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