quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Júlio Batista, a frase, a entrega do jogo e o interesse da CBF e do Fluzinho... time de segunda categoria

Você é tão bom, vai lá e faz.
Então, vai lá. Chega nela. Ganha a menina.
As frases acima são apenas alguns exemplos de desafios que várias vezes são lançados, ou que desejaríamos lançar para baixar a bola de algum amigo ou conhecido, que está nos provocando, às vezes criticando, afirmando que teria feito melhor e com mais qualidade alguma tarefa que estava para ser feita por qualquer um e que ninguém manifestou a disposição de executar.
Muitas vezes algum comentário feito apenas para nos incomodar, nos tirar do sério, e ver nossa reação. Comentários do tipo: não entendo o que aquela menina viu em um cara como você, com tanta gente melhor por aí.
As respostas equivalem a uma reação natural de quem comprou a provocação, mas não está disposto a comprar uma discussão.
E expressam a filosofia, correta, de que o que está bom é o que já está pronto.
A esse respeito, lembro-me e transmito sempre a meus alunos,  a alguns orientandos de trabalhos, a frase que a mim foi dita há mais de 30 anos: dissertação boa é a que foi feita e entregue. Tese boa é a que foi apresentada e defendida.
Ora, o que está feito, poderia sempre ser objeto de aperfeiçoamento e melhorias. Mas, já está feito. Já tem uma estrutura, uma base. E, por isso, pode até mesmo conter erros, e ser objeto de críticas.
Mas é só.
Nem o namorado ou o "ficante" da menina está mesmo expressando o desejo de que o companheiro crítico vá até a menina para conquistá-la, nem o autor da obra está reconhecendo que o seu provocador seja mesmo melhor e capaz de fazer. Às vezes, até muito pelo contrário.
***
É dentro desse espírito que entendi a frase dita por Júlio Batista, jogador do Cruzeiro, para Cris, o defensor do Vasco, o que me leva a questionar a razão de tanta celeuma que a frase captada por câmaras de televisão tem despertado.
Sem ter qualquer interesse em defender o jogador do time adversário, a quem não conheço, exceto por notícias de sua carreira vitoriosa e sem qualquer fator que a desabone, o fato é que a frase foi dita.
Algo do tipo: para de falar e vai lá e ganha o jogo. Marca logo o gol que vocês precisam. Liquida logo a partida, ao invés de ficar gozando ou falando que é inútil que a gente fique se esforçando para tentar tirar a diferença.
Mas, se foi no mesmo sentido comentado acima, o que justifica tanta repercussão?
Em primeiro lugar, e acho que essa a verdadeira questão, o fato de o resultado, que beneficiava o Vasco, ser prejudicial a times como o Coritiba, o Bahia, times de tradição e que já foram campeões nacionais, e ameaçados de entrarem na chamada zona da degola. Além do prejuízo potencial ao Crisciúma, time de menor expressão, embora também portador de um título nacional e também entre os ameaçados, tal qual a Portuguesa de Desportos de tanta história.
Nesse sentido, sou favorável a que houvesse uma investigação rigorosa das condições e circunstâncias em que a frase de Júlio Batista foi dita, e das provocações a ele dirigidas antes pelo zagueiro vascaíno que, de resto, já disse que tudo não passava de ironias e gozações.
Mas, tendo o fato envolvido interesses de muitos clubes, é preciso que não venha a pairar qualquer dúvida em relação a um possível acordo destinado a dar vitória ao time carioca.
A bem da lisura do campeonato. E até por força do respeito exigido pelas nossas leis ao consumidor do espetáculo esportivo: o torcedor.
E para que tal dúvida possa ser definitivamente eliminada, nada melhor que aqueles que forem investigar o caso assistam a partida, atentos principalmente ao empenho e à forma com que se comportaram em campo os jogadores de ambos os times, principalmente dos envolvidos.
Afinal, jogo de resultado combinado, em tese, não precisaria de nenhum dos dois lados se esforçarem no jogo. Nem teria qualquer jogada mais ríspida, nem lances de perigo, etc.
Embora eu tenha de reconhecer que, se combinado mesmo, seria muito difícil, perceber isso pela postura dos jogadores em campo, já que não há como se afirmar que uma jogada foi um lance de descaso ou de falha, comum de acontecer.
***
Na verdade, acho que estão crucificando Júlio Batista por muito pouco, e todo o destaque dado ao lance é ainda consequência da atitude que eu acho muito pouco profissional de Dedé. Embora ele tenha apenas feito o que vários de nós exigimos de juízes, recentemente até dos ministros do Supremo, de se declararem impedidos de participar de julgamentos onde têm alguma relação, mesmo que não interesse.
E, se alguém tem de ser criticado, se é que vale crítica nesse aspecto é o Cruzeiro. Mais especificamente, nesse caso, o técnico Marcelo Oliveira, a quem tanto elogio.
Afinal, foi ele que em várias ocasiões comentou que o time iria entrar em campo com sua força máxima, até em respeito àquelas equipes que são interessadas diretas nos resultados dos jogos em que seu time estaria envolvido.
E, contra o Vasco, Marcelo, sem maiores explicações, entrou sem vários e importantes titulares.
O que foi feito por praticamente todos os times do Campeonato, o que não tem nada de mais ou de anormal, não fosse trair o discurso que ninguém pediu que ele fizesse.
E se o fez, deveria tê-lo mantido. Ou então ser bastante transparente, declinando as razões de entrar com um time misto.
Se houve então algum acordo de facilitar o jogo para o Vasco, não foi com interveniência de JB, que é vítima na história. Mas com a direção do Cruzeiro e com seu técnico, no sentido de enviar a campo um time de menor qualificação.
***
Deixei de citar acima o Fluminense, propositadamente.
É que, no fundo, acho que todo esse desperdício de tempo discutindo algo que nunca será provado, tem como objetivo causar tumulto.
Na verdade, mais uma vez a CBF e todos os diabos do futebol, conspirando para o time tricolor escapar do rebaixamento que o ronda. Logo ele, time da preferência da CBF, como o demonstrou o campeonato do ano passado. E time beneficiado, mais uma vez, e inexplicavelmente, pela arbitragem que não expulsou Gum de campo, atendendo a pedido do próprio jogador que iria se tornar o autor do gol da virada da equipe.
Esse Fluminense que, se está na primeira divisão é apenas porque sempre é o beneficiado pela entidade maior que dirige nosso esporte, e o faz de forma tão vergonhosa, que acaba gerando sempre suspeitas de que outros times também possam agir com a mesma falta de escrúpulos e decência.
Ou seja: tão acostumados a roubarem para auxiliarem o time carioca, os cartolas da CBF e os dirigentes do beneficiado Flu, acabam sempre enxergando os outros a partir de seu próprio comportamento desprezível.
Esta a razão de tanto agito. E acusações infundadas a um profissional e a dois times que, não sendo interesse meu defendê-los, é necessário reconhecer, cometeram o erro primeiro de estarem no caminho desse time de segunda.
***
E tomara que meu Galo possa, na próxima partida, colocar o tal Fluzinho na categoria da qual ele não deveria ter saído.

Fugazes sensações

O mundo em que vivo
é habitado por vultos
sombras que deslizam
imagens que se deslocam
vertiginosamente
Manchas e borrões
que parecem me perseguir
e que se desfazem no ar
Lembranças de rostos
que se afastam sorrindo
até perderem o foco

Às vezes sinto-lhes a presença
silenciosa
sorrateira
dando densidade ao espaço
à minha volta
onde nossos espíritos
encontram-se para se divertir.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Posturas

Minha mulher sugere
que eu seja mais leve
e quem me lê, certamente,
demanda um texto mais breve
É que poucos se dão conta
da luta árdua
de quem escreve
quando as palavras não encontram ideias
que lhes preencham o espírito
e nem as ideias adaptam às palavras
Pois à ideia estruturante
não é qualquer palavra que lhe serve
Pode ser até que alguém diga que isso não existe
que é frescura
e afirmar que o problema não é o texto
mas a postura
criticando-me por não levar a vida com leveza
o que faz o ambiente com certeza
mais agradável a meu redor
Talvez melhor seria relaxar
encarar a vida com humor
para que o peso da vida
se dilua
e se derreta qual flocos de neve



sexta-feira, 22 de novembro de 2013

O algoz Barbosa e o nada inocente, mas portador de direitos, Genoíno

Então, assim de repente, descobre-se que José Genoíno sofria de uma doença grave, incapacitante, como são as cardiopatias graves.
Dignas de previsão legal que asseguram a seus portadores direitos especiais, entre os quais a possibilidade de aposentadoria com vencimentos integrais, sem qualquer desconto, inclusive o de imposto de renda.
E, embora recentemente toda a imprensa tivesse noticiado à farta que o deputado petista tivesse passado por procedimento cirúrgico de 6 horas de duração, em caso que ganhou destaque não apenas pela figura do paciente, mas exatamente pelo fato de ser ele um dos mais proeminentes réus do escândalo do mensalão, parece que apenas o presidente do Supremo não tinha conhecimento desse fato.
Razão que levou o ministro Joaquim Barbosa a determinar a prisão e, posteriormente a transferência para Brasília, do petista condenado.
Afinal, como diz o ditado popular, lugar de bandido é na cadeia. Isso para não lembrarmos de outro ditado famoso, normalmente citado em rodinhas de bar, de que bandido bom é bandido morto.
Pois bem, e que nome genérico se dá àqueles que, pegos cometendo ilícitos, são afinal condenados?
Eis aí, no mínimo, um bom motivo para que ser levado em consideração quando a discussão da pena de morte voltar a ser colocada em pauta.
***
Bem, que Genoíno, como presidente do PT que era à época, deve ter aposto assinaturas em contratos forjados para acobertarem desvios de recursos para o partido, ato que constitui crime, parece ser inquestionável.
Que comprovada, sua atitude é digna de reprovação e punição, não há como negar.
Mas daí a passar a tratar Genoíno como um bandido comum, daqueles capazes de cometer as barbaridades mais atrozes apenas para seu próprio proveito, vai uma distância muito grande.
Condenar, que é correto, não significa demonizar. Menos ainda nesse tipo de crime e,  como parece ter sido a participação de Genoíno, apenas pela posição que ocupava.
Para mim está claro que Genoíno, por sua história, seu passado, sua vida sempre à luz dos holofotes, sempre policiada e sempre distante de quaisquer fatos dignos de maiores reprovações,  nada tem de inocente.
Se em algum momento chegou a ler todos os documentos e papéis que assinava, não pode alegar que não tinha qualquer noção do conteúdo, com o qual concordava ou em caso contrário, preferia calar-se, fazendo vista grossa.
Mas, daí a não receber o tratamento que qualquer bandido tem direito por lei, do cumprimento da pena justa que lhe foi aplicada, do tratamento de que é merecedor como ser humano por seu estado de saúde, etc. é no minimo, digno de que cada um de nós reveja seus conceitos do que é a justiça dos homens, ou a sede de vingança que nos habita a todos.
E que justifica que atrocidades sejam sempre justificadas contra criminosos, tão somente para poder nos aproximar, a toda a sociedade, do mesmo ato de barbárie que tenha dado origem a toda a situação que se deseja punir.
***
Falando de outra forma, menos complicada: às vezes, parece-me que não se deseja justiça, mas tão somente vingança por parte da sociedade. Vingança que, uma vez cometida apenas nos tornaria tão ou mais bárbaros que aqueles cujo comportamento desejamos punir.
Por tal motivo, é que a polícia, a justiça, o Estado tem a obrigação de cuidar da integridade física, mental, etc. de todos que estão sob sua guarda, por mais que condenados e considerados criminosos.
Não podemos nos transformar nos monstros cujo comportamento queremos punir.
Por isso a qualquer bandido é dado o direito de passar por exame médico para verificar das condições de saúde que portavam quando da chegada a presídios. Por isso, toda e qualquer manifestação de problemas de saúde é capaz de, imediatamente, levar à quebra de certas privações ao apenado, e levar as autoridades a tudo fazerem, a seu alcance, para que aquele estado não seja agravado e tenha o tratamento adequado.
Mas, se tudo isso é feito em relação a qualquer condenado, porque Genoíno não teve tal tratamento?
E não dá para aceitar o argumento de que o réu não quis passar por um exame médico que não era de sua opção, mas cuja realização era obrigação do Estado!
***
Em minha opinião, pior ainda, porque a espetacularização da viagem ou a transformação da viagem até Brasília e a ida para a Papuda, em show, justo na simbólica data da comemoração da proclamação da República?
Apenas para que a figura de Joaquim Barbosa  de magistrado de elevados conhecimentos jurídicos, se transformasse também na de juiz zeloso, eficiente e ciente de seus deveres para com a sociedade, descambando para a figura do presidente da Corte Suprema ressentido e autoritário, até cair no ridículo de cometer o conjunto de ilegalidades por ele cometidas?
Ilegalidades que deveriam ser objeto de análise e julgamento por seus pares, pela CNJ ou órgão que existisse para poder por fim à todas as irregularidades que a vaidade e o autoritarismo podem gerar?
Afinal, se o próprio Barbosa como relator por várias vezes afirmou que Genoíno, aproveitando-se dos infringentes deveria ser considerado já condenado nos demais delitos de que era acusado, cujos embargos não foram aceitos, caracterizando assim a figura do trânsito em julgado por tais atos; se o próprio Barbosa afirmou que tal decisão beneficiava os condenados que começariam a cumprir suas penas em regime mais benéfico; se tal regime era o semi-aberto, porque prender e conduzir para regime fechado em localidade distinta da que a lei lhe assegura para cumprimento da pena?
***
Bem, agora, depois de tanta grita e manifestos assinados não apenas por simpatizantes do PT mas também por advogados de reconhecido conhecimento, condenando as atitudes de Barbosa, só agora, ele se decide por conceder o regime ainda mais benéfico que o estado de saúde de Genoíno recomenda.
Menos mal que ainda não se deu o pior e o agravamento da saúde do deputado petista ainda não chegou ao limite.
Mas, que Barbosa, a quem tanto respeito eu devoto pisou na bola literalmente, isso não há dúvidas.
E que, se sair candidato mesmo, como se alega, a qualquer cargo eletivo, é preciso muito cuidado para dedicar-lhe qualquer voto ou poder maior, acho que não resta mais dúvidas.
Pelo menos em minha de opinião.

As vozes que ouço

Todas as vozes que ouço
pedem justiça
Todas as vozes que ouço
pedem respeito
Todas as vozes que ouço
pedem apenas
compreensão
Todas as vozes que ouço
pedem alimento
pois à fome do espírito
adiciona-se a fome do pão
Todas as vozes que ouço
pedem carinho
pedem gentileza
atenção
Todas as vozes que ouço
exigem direitos
que lhes nega nosso mundo cão
Há vozes que dizem obrigado
Essas são poucas
Vozes que imploram amor
e que já estão quase roucas
Todas as vozes que ouço me habitam
e no ambiente em que vivo
ilhumana
cercado de amigos
todas as vozes que ouço
expressão a minha contradição
São vozes que me acompanham
na vertigem esquizofrênica
que permanece escondida
em minha alma.


segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Vexame do Galo que, mais uma vez, não jogou no Canindé

Vamos aceitar a ideia - equivocada- de que, já definido o campeonato brasileiro, os demais jogos tornaram-se apenas amistosos e testes para montagem de elenco, etc. para a temporada de 2014.
A ideia é falsa, todos sabem, em função de que a definição até agora foi apenas do campeão e de um dos rebaixados. Há também outros times, como o Internacional, Flamengo, São Paulo, que sabem que não correm qualquer risco e que nada mais almejam, em termos de conquistas.
A verdade é que, para ao menos 6 outros times, a luta está muito renhida, e a tentativa desesperada de fugir ao rebaixamento é a tônica e o fato que dá emoção ao fim do torneio.
Para o Atlético Mineiro, campeão da Libertadores e já com participação assegurada na próxima edição daquela competição internacional, a situação é de testes, mas longe de ter como horizonte o ano de 2014.
Afinal, o time precisa se preparar e estar completamente focado para a disputa do título de campeão interclubes de futebol, com início marcado para daqui a exatos 30 dias.
***
Assim, se o campeonato prossegue e tem ainda muita coisa importante a ser definida, creio que seja fundamental que todos, sem exceção, adotem como filosofia de trabalho o pensamento manifesto por Marcelo Oliveira, o excelente técnico campeão e bom caráter, acima de tudo.
Para Marcelo, até em respeito a todas as demais equipes que têm definições importantes a enfrentar daqui até a última rodada, é importante que todos os times entrem em campo com a mesma disposição, gana, vontade demonstrada nos jogos anteriores.
Marcelo não falou mas poderia ter dito, até em respeito ao próprio futebol, e principalmente ao torcedor. Esse que paga ingressos, com sacrifícios, durante toda a temporada, estando sempre sujeito à exploração da sua paixão clubística por diretores e cartolas sem qualquer respeito por quem, em última análise, é que sustenta todo esse circo que envolve o futebol e faz dele o maior espetáculo da terra.
Vá lá! Façamos a correção, por esse torcedor simples e abnegado, que junto com o governo e às dívidas que se acumulam com agências governamentais, é que sustentam todo o circo.
***
Pois bem. Dou aqui esse pitaco, pensando no jogo do Atlético no início da noite de ontem contra a Portuguesa de Desportos ou Lusa, no Canindé.
Sinceramente, jogo que uma associação qualquer de torcedores atleticanos deveria acionar judicialmente, pedindo de volta o dinheiro do ingresso. Ou até mesmo o dinheiro gasto nas cervejas nos bares de Belo Horizonte, por exemplo, ou o dinheiro do pay-per-view, etc.
Porque, como diria o Neto, ex-jogador e agora participante das transmissões da Band: "Brincadeira".
O que o time do Galo fez ontem dentro de campo, foi simplesmente ridículo.
Confesso que fica até difícil comentar o ocorrido.
Tudo bem. Nem transcorrido o primeiro minuto de jogo, houve o lance de contusão de Réver, que caiu sozinho, de mau jeito resultando em um tornozelo torcido.
Claro que tal lance acaba influenciando o ânimo do restante do time que, preocupado em evitar contusões que possam significar o corte da disputa do mundial, acaba não querendo por o pé em bola dividida.
Mas, daí a começar a pipocar como alguns jogadores fizeram ontem, vai uma distância grande.
Tardelli, o grande Tardelli, cantado em prosa e verso como um dos maestros do time, cujo nome tem sido sempre cobrado para estar nas convocações da seleção nacional, simplesmente evitou tocar a bola. Nem digo que não quis entrar em disputas. O que ele fez foi tentar se livrar da bola a cada vez que ela chegava a seus pés, como se a bola estivesse queimando.
Resultado: a quantidade de passes que ele errou foi lamentável. Só não foi pior do que a jogada completamente displicente que resultou no segundo gol da Portuguesa. Fruto da cobrança de um lateral que ele para se livrar da bola tocou de qualquer jeito, e depois quando viu o que tinha feito, de uma tentativa bisonha de tentar afastar o perigo da bola passando pela entrada da área, dando um toque de calcanhar, apenas para ajeitar a bola para Henrique, o atacante da Lusa.
***
Fernandinho não entrou em campo. Ainda correu no início, mas não recebeu quase bola alguma, exceto uma ou outra quadrada que sobravam ali na frente.
Luan, embora o mesmo jogador voluntarioso que tanto encanta à torcida do Galo, nada conseguia, salvo alguma arrancada que morria por não ter algum companheiro que encostasse a seu lado.
Carlos César mostrou para todos os atleticanos a falta que Marcos Rocha faz, mesmo se tivesse de entrar em campo de muletas. Não acertou uma jogada, além de distribuir pontapés para onde batesse o vento.
Com a contusão de Réver e sua substituição, Léo Silva parece ter ficado inseguro e falhando em lances que não costuma falhar.
Emerson, embora jogando mais tranquilo, ao menos aparentemente, também não conseguia acompanhar o veloz e atrevido ataque da Lusa, Diogo à frente.
A entrada de Júnior César no lugar de Réver apenas embolou o que já estava meio confuso e perdido. Parece-me que a ideia de Cuca foi testar um esquema de 3-5-2, que ninguém conseguiu entender, em campo.
Senão a entrada de Júnior César teria que provocar o deslocamento de Lucas Cândido para o meio, ajudando no primeiro combate ao veterano Gilberto Silva, que parece ter sentido o desgaste de tanto tempo fora.
Não sei, sinceramente, a intenção de Cuca. Sei apenas que deu tudo errado. Lucas e Júnior César batiam cabeça na lateral esquerda. Carlos César não marcava ninguém. O meio, era um buraco, sem qualquer jogador para cumprir o papel de Pierre, e o ataque perdeu o vôo. Parece que ficou esquecido no saguão de Confins. Oxalá ninguém o tenha levado para casa por engano e estejam no mesmo local na volta.
***
Ridículo.
Mas, como tudo que está ruim sempre pode piorar, já perdendo por dois a zero, o time ainda resolveu que ia tocar bola, trocando passes em seu próprio campo de defesa.
Momento em que pode melhorar a estatística de passes certos, já que a Portuguesa, aguardando o Galo em seu campo, não apertava a marcação.
Poucas vezes que o time foi para a frente e chegou a ultrapassar a linha do meio campo, a marcação da Lusa apertava, fazendo a bola do ataque ser retornada para o meio e daí para a zaga, para começar tudo de novo.
Perdendo e jogando mal, o time se deu ao luxo de pegar a bola do meio campo para atrasá-la para as mãos de Giovanni, acho que em lance com Júnior César.
Ou seja: se os jogadores estão com medo de se machucarem, o que é natural, que não sejam escalados. Afinal, existe o risco da contusão.
Mas, que Cuca ponha então os juniores para jogos que valem alguma coisa, no campeonato, ao menos para nossos adversários.
Que Cuca ponha jogadores novos e que queiram mostrar futebol. Já que ontem, nem mesmo pode-se dizer que o jogo estava servindo como preparativo para o Marrocos.
Porque se esse é o tipo de preparo que está sendo feito, temo que nosso vexame no Mundial será maior que aquele do time na partida de ontem.
Em que a Lusa podia sair com uma goleada sem muito esforço.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O cala a boca do Supremo e o discurso de Barroso

Também na data de ontem, e com um brilhante comentário inicial do Ministro Luis Roberto Barroso, o STF deu início à etapa que encerra definitivamente a questão da Ação Penal 470, o caso do mensalão do PT, dando um autêntico cala a boca em muitas pessoas que parece que torciam para que os mensaleiros não fossem punidos.
Porque por mais estranho que pareça, ao decidirem pelo imediato cumprimento da pena relativa aos crimes para os quais não há mais qualquer possibilidade de recursos, o Supremo tirou dessas pessoas a possibilidade de continuarem mandando os emails infelizes que andaram remetendo para infestar as caixas de correio dos conhecidos, algumas dessas mensagens até denegrindo a honra de membros da Corte ou insinuando a defesa de interesses escusos.
Tomara que agora, sem assunto, e já frustrados em suas expectativas de "preservação da impunibilidade", que lhes fornecia a desculpa e o espaço necessários para, fundamentalmente exporem sua ideologia de forma mais dissimulada e tacanha passem a torcer para que o país possa passar a limpo, também, os outros escândalos de mesma espécie, com destaque para o mensalão do PSDB mineiro, a questão da compra de votos da reeleição do PSDB de Fernando Henrique, a questão da corrupção e da formação de cartel das concorrências do metrô paulista, PSDB mais uma  vez à frente, e o caso mais recente da máfia da fiscalização da prefeitura paulistana, sob comando do PSD e do PT.
***
Por isso, acho digno de nota e elogio a leitura das considerações iniciais do Ministro Barroso, de que lamentavelmente pouco mudou em nosso país, em especial do ponto de vista político, ao mencionar o que é do conhecimento geral: a corrupção que grassa em nosso país e em nossas instituições, é suprapartidária. Listando, como exemplo os casos citados acima.
Mas além do importante comentário, também digno de nota é o fato de que EMBORA O SUPREMO TENHA CHEGADO À ÚLTIMA FASE DO CASO, ENCAMINHANDO PARA SEU ENCERRAMENTO, como desejado pela sociedade, em todo o tempo de julgamento, inclusive no caso da aceitação dos embargos infringentes houve a preocupação em se preservar um bem maior: o direito de defesa. 
Nenhum dos condenados poderá alegar que teve cerceada sua defesa, e que o Tribunal não respeitou suas tradições, como o desejavam várias pessoas e órgãos, inclusive a midia.
Nesse sentido é que eu gostaria de ver agora, os comentários que a midia irá tecer, ela que tanto ironizou especialmente a questão da aceitação dos infringentes.
E agora?
Esse pessoal da midia irá pedir desculpas ou admitir, ao menos, que seu julgamento não se confirmou e que o Supremo agiu com lisura?
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Como sei que não vamos ver a midia se desculpando, e até pelo contrário, pode ser que um ou outro órgão tenham a cara de pau de vir a público dizer que o resultado obtido se deveu a sua vigilância e cobrança atenta, é que acho que além de uma série de reformas que devem ser debatidas pela sociedade, como a reforma fiscal, a reforma política, a reforma da legislação penal, urge também que discutamos a implantação de uma legislação que estabeleça o controle social da imprensa, nos mesmos moldes de outras leis que vigoram em países mais avançados e de tradição mais democrática que nosso país.
***
Da sessão de ontem, acho que histórica do Supremo, a observar apenas dois senões. Mais uma vez, o destempero e açodamento do Ministro presidente, Joaquim Barbosa, não por suas teses que considero corretas, mas pela forma de defesa das mesmas, deselegante e de baixo nível que ele adotou.
Em segundo lugar, o discurso do Ministro Gilmar Mendes, outro que, como Barbosão, tem tradição em adotar tal tipo de comportamento teatral e impregnado de ideologia. Afinal, não se ouviu ele fazer qualquer referência, tal qual a realizada por Barroso, aos casos de outras matérias de corrupção, uma das quais até já dormitando nas gavetas do próprio STF, como o caso do mensalão do PSDB mineiro, que no fundo é de todo o partido.