quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Para não falar que não falei do Galão e de que queimei a língua ontem

O Galo ganhou, com direito a golaço de Berolinha. Com passe magistral de Guilherme para o empate de Jô, e com toda a crônica esportiva tendo de reconhecer o acerto das mexidas promovidas por Autuori.
Sinal de que ontem foi dia de eu morder a língua. E de ter de dar a mão à palmatória.
O que não invalida o fato de eu achar que o Galo pressionou e saiu com um placar injusto pelo volume de jogo apresentado no primeiro tempo. Que marcou a saída de bola, que vinha sendo minha maior crítica ao time. O que valeu ter dado um sufoco no Independiente Santa Fé.
Que Ronaldinho Gaúcho estar jogando de volante, principalmente quando tínhamos um jogador a mais, se não foi ordem do técnico, deveria ter sido corrigida imediatamente, com uma tremenda bronca do treinador.
Se foi por ordem do treinador, resgata a pulga que esteve todo o tempo em minha orelha, e minha prevenção com Autuori.
Se foi por questões médicas, mais uma vez, o técnico demorou para fazer a substituição que acabou fazendo no final do jogo.
Que mais uma vez, e se resgatando da falha ridícula no jogo contra o América, Otamendi brilhou.
Que alguém precisa avisar a Fernandinho que ele joga com mais alguns companheiros.
E, finalmente, que achei que Victor falhou no gol do time colombiano.
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Enfim, o Galo ganhou e embora adepto do futebol bem jogado, de preferência ao futebol de resultados, dá-nos tranquilidade para continuar na marcha em busca do segundo título.

A vitória de Pirro dos juros e dos globetes do Jornal da Globo

Ver à noite, no Jornal da Globo, os apresentadores darem a notícia, com uma satisfação digna de nota, da decisão da reunião do COPOM, na noite de ontem, de elevar a Selic em 0,25%, é no mínimo constrangedor.
Primeiro pelo significado de uma elevação da Selic, sinal de que o governo está preocupado em conter a inflação, curiosamente, até atendendo à grita dos analistas do mercado financeiro que a Globo tanto escuta e dá espaço.
Segundo pelos impactos que a elevação de juros representa, seja para o consumo, as decisões de investimento, todas contidas, seja pelo desemprego potencial.
Mas, pior é que a alegria manifesta pelos bonecos de ventríloquo dos interesses do capital financeiro, não poderiam deixar de passar a oportunidade para dar uma estocada em Dilma e no governo.
Assim, ficamos sabendo que a taxa de juros básica não apenas atinge o percentual de 10,75%, como volta ao patamar que vigorava quando do início do governo Dilma.
E de quebra, temos ainda nossa atenção chamada para o fato de que a volta ao que vigorava no início do mandato significa que a política econômica da presidenta foi um malogro, a ponto de termos voltado ao ponto de partida, o que nas entrelinhas significa que passamos todo esse mandato, dando voltas sem sair do lugar. Ou que perdendo tempo precioso.
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Ok, como diriam os roqueiros da Blitz, vocês venceram.
Afinal, a ideia do fracasso da política econômica autoritária e intervencionista de Dilma, e de seu desejo de manter a Autoridade Monetária, leia-se o Banco Central sob sua tutela, é mesmo o único resultado no horizonte de visão de Globo, Waacks e Bóris Casoys da vida. Incapazes de verem o mundo fora das lentes que lhes foram impostas pela força dos mercados.
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Porque não reconhecer que, durante esse mandato, incorporamos quase uma população da Espanha ao mercado consumidor, tornando esse um patrimônio da nação brasileira invejável aos olhos de todo o mundo; que milhões de famílias puderam sair da linha de miséria e atingir um patamar capaz de lhes prover um mínimo de existência digna; que o desemprego esteve em um patamar recorde de baixa, é não querer ver que enquanto o mercado esperneava, o povão acreditava estar melhorando de vida.
O que talvez ajudasse a explicar o motivo de Dilma aparecer ainda como líder disparada nas pesquisas eleitorais. Ou de essas mesmas pesquisas mostrarem que o povo brasileiro deseja mudanças, sinal de sua evolução, mas mudanças que ele acredita que só Dilma terá condições de comandar.

Novo show de destempero no Supremo

É uma pena que, o primeiro negro que tenha tido a honra - e o mérito reconhecido, de ter assento como Ministro do STF, e atualmente ocupando a presidência de nossa Corte Suprema apresente, em certas situações, comportamento tão autoritário, ou no mínimo, pautado por tanta deselegância ou falta de educação pura e simples.
Vá lá que, do ponto de vista jurídico seja ele que esteja com a razão, e que outros colegas seus se deixem influenciar por motivos não necessariamente restritos ao campo do Direito e à aplicação estrita das leis e da Justiça.
Mas, sua atuação e intervenção sempre belicosa, sempre arrogante e autoritária, como se fosse ele, por ser o presidente da Casa, o único guardião dos valores maiores da Corte, ou o último guardião, acaba fazendo com que perca a razão. Não raro, por mais que agrade aos menos esclarecidos, acaba jogando contra sua pessoa e seu juízo, grande parte da opinião pública. Aquela parcela da população que julga que o país não precisa de ter um paladino da moralidade, nem um herói a quem recorrer.
Até porque o Ministro Joaquim Barbosa está longe de ser esse super-herói que acredita ser, e seus julgamentos, como o de seus colegas, também não são isentos ou imparciais. Nem defesos de críticas. E controvérsias.
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Ontem, mais uma vez, o que se viu durante do julgamento dos embargos infringentes acatados dos réus do mensalão foi um Barbosa incapaz de aceitar qualquer opinião divergente da sua. Capaz de interromper o voto de seus colegas, voto que, como o Ministro Barroso foi feliz em deixar claro e cristalino, tem tanto valor quanto o do presidente da Corte.
Assim sendo, a postura autoritária do presidente, e a interrupção da leitura do voto de seu colega, transforma-se apenas em uma demonstração cabal de seu despreparo para ocupar qualquer posição de maior projeção e poder.
O que é uma pena, para quem foi para ele, ou para quem o transformou em candidato preferido para ocupar, por mais absurdo que pudesse ser, a própria Presidência do Brasil.
Diga-se de passagem que papel que o fez jogar para uma plateia sedenta por sangue e por vingança, e movida por um inconfessável sentimento egoísta, ao ver serem os réus do mensalão os mesmos membros de um governo que, a seus olhos, traiu seu voto e suas promessas, ao começar uma distribuição de renda digna dos melhores sistemas capitalistas, a saber: tirar dos assalariados situados no topo da pirâmide para dar renda para os não assalariados ou aqueles situados no chão da pirâmide.
Ou seja: um governo que tirou de quem se sentia remediado para dar aos pobres, já que a distribuição de renda posta em marcha por Lula e seu PT, embora real e visível, não afetou, nem poderia fazê-lo, aos donos do dinheiro. Esses aliás, ganharam até mais que antes.
Pois bem. A classe média que havia votado em Lula, em 2002, e em seu discurso moderninho de Paz e Amor, ressentida, é que não perdoa os membros do governo que a ludibriou. Aí incluídos, os Zé Dirceus, Genoínos e que tais.
E é essa mesma turma, de viés pequeno burguês, e que já há muito perdeu o caráter de classe revolucionária ou reformista, que é a expressão mais acabada do conservadorismo no que o termo conservador tem de pior, ou seja, a incapacidade de aceitar a própria transformação do mundo e dos tempos. Apegando-se e ficando aferrada a um passado que adota um comportamento completamente alheio ao presente, e que renega e tenta destruir o futuro.
Felizmente, o futuro ainda está por ser construído, e sua construção é atribuição nossa. Aqui e agora. Hoje e em cada momento de nossas vidas.
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É essa turma que choca o ministro Barbosa, que guiado pela vaidade natural de todo e qualquer ser humano, vislumbra-se como um ser iluminado, dono da verdade e da razão.
O que me lembra Collor, e seus arroubos de senhor do tempo e como tal, senhor da razão.
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Quanto ao julgamento em si, percebe-se que nem é apenas o ministro Barroso, transformado nesse triste episódio em adversário de Barbosa, o magistrado que nutre dúvidas quanto à possibilidade de condenação dos réus.
Afinal, se os embargos infringentes foram aceitos, é porque no primeiro momento, também outros  4 julgadores tiveram dúvidas semelhantes quanto ao crime que  imputado aos mensaleiros, ou quanto à sua prescrição. Não fosse assim, os embargos nem teriam sido aceitos.
Por outro lado, quando Barroso foi interrompido de forma tão atabalhoada e deseducada por Barbosa, a contagem já demonstrava 4 votos a favor de desconsiderar-se o crime em discussão para os réus. Ou a contagem não terminou ontem, em 4 a 1, para os réus, derrotado o relator Ministro Fux?
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Nada disso entretanto é levado em consideração pela mídia, que prefere continuar demonizando os mensaleiros - tratamento bastante distinto, em relação aos mensaleiros peessedebistas de Minas, ou trensaleiros do PSDB paulista, ou dos mensalinhos do DEM.
Mas, da mídia, tudo pode-se esperar, já que ela esquece que é concessão de serviço de  utilidade pública para fazer o jogo de seus interesses privados, alguns nem um pouco dignos - ou dos interesses de seus parceiros e aliados.
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Para concluir, apenas uma questão para reflexão relativa ao destempero de Barbosa. Na linha do aqui se faz, aqui se paga...
Porque afinal, o que vai ficar de tudo isso, é ele passar para a história como colega de Corte de juízes e ministros tão distintos quanto Barroso, Toffoli, Lewandoswski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e etc.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Esperas e torcidas

O atleticano espera a hora do jogo
o folião espera o carnaval
exceto na Bahia ou no Recife
onde já é carnaval desde o Natal
o mercado espera a definição da Selic
e aposta em juros mais altos
enquanto o povo espera que a situação melhore
a inflação decline
o país vença a Copa
- na verdade, espera antes, que tenha Copa
o político espera a eleição
já preparado
já dispensado de seu trabalho
árduo
Alguns de nós esperamos mais saúde
por mais e melhor educação
E todos, sem exceção
esperam e torcem pelo fim da violência
enquanto se esgueiram e rastejam
entre balas perdidas
e tentam se proteger de agressões gratuitas

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

De volta a questão da maioridade penal

Há muito tempo atrás, postei aqui minha opinião sobre a questão da maioridade penal, que volta agora ao debate, graças a projeto apresentado e derrotado no Congresso de autoria do senador Aloysio Nunes.
Através da grande imprensa, ficamos sabendo que o projeto de redução da maioridade penal, que contava inclusive com o apoio do governador paulista foi derrotado, o que toda a midia está considerando uma perda de oportunidade. Um atraso.
Por trás da notícia, sempre, o argumento da impunidade, razão do crescente número de adolescentes praticando crimes bárbaros em nosso país.
É verdade. Os números não mentem, mesmo que sirvam tão somente como o que são: registros. Nada a ver, por esse motivo, passar a fazer projeções estatísticas para uma possível escalada de crimes de adolescentes no futuro.
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Como da outra vez que me manifestei quanto ao tema, continuo acreditando que a discussão está mal colocada. Não se trata de reduzir a maioridade penal e pronto. Com tudo ficando resolvido como num passe de mágica.
Porque se hoje se aprova a redução desejada, para a idade de 16 anos, com fortes argumentos a seu favor, admito, inclusive o de que com essa idade o adolescente já tem condições de escolher até o presidente da República, nada indica que em pouco tempo, as mesmas vozes que agora propõem essa idade, e pelos mesmos motivos, não venham a ter de propor nova redução para 14, quem sabe 12 ou até 10 anos no futuro.
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Em minha opinião, a verdade é que, recrutados pelo crime, especialmente nas favelas e nas bocas de tráfico, os adolescentes ganham status, ganham  poder, visibilidade, coisas que lhes são negadas a cada momento, nas ruas e asfalto dos grandes centros  urbanos.
Não poderia ser apenas pela antecipação da idade de puni-los com a privação da liberdade que eles passariam a ter outro comportamento social. Isso é muito pouco e de privação de liberdade a vida deles já é repleta. Liberdade para se divertir, para irem ao shopping encontrar os amigos - os rolezinhos e a reação histérica da sociedade já indica isso - liberdade para andarem pelo centro da cidade, desocupadamente, apenas sentindo-se cidadãos normais. Toda essa liberdade já lhes é negada por todos nós, que lhes negamos o maior direito de todos, de serem tratados como seres humanos ou ainda o direito de serem tratados como inocentes até prova em contrário.
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Mas, antes que me acusem de ser desses que passam a mão na cabeça dos marginais, incentivando a impunidade, é importante deixar claro que minha opinião apenas expressa o fato de não acreditar que a redução da maioridade, por si só venha a resolver uma questão que não pode ser vista apenas por seu lado legalista, policialesco, mas que deve envolver uma discussão muito mais ampla, envolvendo psicólogos, pedagogos, assistentes sociais, médicos, antropólogos, sociólogos, etc. uma ampla gama de pessoas de profissões diversificadas, para que possa surgir uma discussão mais ampla e mais propícia a que o problema possa ser tratado com a dimensão e consideração que merece.
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Acho pobre uma discussão centrada apenas na proposição de se reduzir a maioridade penal. Até porque acho que essa é uma situação típica para que pudéssemos analisar e aprender com situações semelhantes vivenciadas e tratadas por outros países.
A Inglaterra, por exemplo, há alguns anos condenou como se adultos fossem, dois menores, que ainda não tinham completado os 10 anos, se não me falha a memória, acusados de terem sequestrado e abusado de uma garotinha de idade ainda inferior à deles.
Se não me engano, ambos passaram por uma série de entrevistas com profissionais especializados, que concluíram que ambos sabiam o que estavam fazendo, tinham plena consciência de seus atos e consequências, o que lhes valeu a condenação à prisão perpétua, creio.
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Ora, é verdade que a situação de dois meninos de classe média britânica é bastante diferente das condições de vida ou não-vida, de miséria e degradação de grande parte de nossas crianças. Mas, acho que essa é a situação mais adequada quando há algum tipo de delito envolvendo menores: analisar o grau de entendimento da ação que resolveram praticar e o grau de discernimento por eles experimentado em relação às consequências dos atos por eles cometidos.
Aí sim, punir com o rigor da lei e do direito por eles desrespeitado. Sem que a sociedade fique preocupada em olhar apenas a idade cronológica de cada autor de um crime, para poder começar a punir, até para evitar que dentro em breve, estejamos discutindo, sem qualquer mudança nos números e estatísticas, ou no pânico já instalado em nossas cidades, se deveríamos reduzir ainda mais a maioridade penal, quem sabe para 4 ou 5 anos.

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

O Galo, o futebol do Galo e toda minha preocupação

Não fui nem pude assistir ao jogo do Galo ontem, no Independência, contra o América.
Mas, a julgar pelo placar, creio que cada vez mais nós, atleticanos devemos ficar preocupados com a campanha de nosso time na Libertadores.
Nada contra o time lutador do América, e seu artilheiro Obination, artilheiro também do Mineiro.
Mas, quarta agora, é o time do Santa Fé, no Independência. E só mesmo com muita fé e ajuda de todos os santos, a começar do São Victor.
Afinal, como Jô afirmava em entrevista concedida durante a semana,  elogiando o trabalho de Autuori, o técnico chegou e ao analisar o time, percebeu que se tratava de um conjunto que poderia bem ser classificado como uma bagunça organizada. Razão para levar tantos gols.
Daí a preocupação do treinador em dar mais equilíbrio à defesa do time. Para deixar a equipe mais fechada e com mais condições de partir para a frente, onde iria aproveitar mais a criatividade dos atacantes.
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Ou muito me engano ou tomar dois gols do América, com o segundo gol em uma das muitas bobeiras e vacilos que a defesa costuma cometer durante qualquer jogo, não é sinal de que nada que esteja sendo feito, nos treinos, esteja sendo cumprido em campo.
E até entendo que o excelente Otamendi, cuja estréia contra o Cruzeiro nos deu tanta tranquilidade, possa ter deixado para cometer todas as falhas ontem, como ouvi dizer que falhou no primeiro gol.
Mas, sei não...
E estou preocupado...
E nem sei se eu acredito. Especialmente quando olho o túnel e vejo lá Autuori.
Uma pessoa que não tenho nenhum motivo para criticar o trabalho. Mas que não me inspira confiança. Que não põe o time para marcar a saída de bola, não põe os jogadores para encurtar os espaços, e que em minha opinião, mexe mal e demora para mexer.
Mas, que pode queimar minha língua. E que, como atleticano, até torço para que venha mesmo a me fazer arrepender.
É isso.

De volta à normalidade: o mercado impõe e o COPOM eleva os juros

Primeiro foram os juros. Depois a preocupação em passar uma informação crível e factível aos mercados, relacionada ao número mágico do superávit primário. 
Marcada pela realização de mais uma das reuniões do calendário da agenda do COPOM, esta semana começa com novas especulações do mercado sobre a decisão quanto à taxa de juros básica de nossa economia. Alguns acreditam em novo aumento de 0,25%. Outros esperam um valor maior, novamente de 0,5%, fazendo a taxa SELIC saltar para os 11%, onde deverá se fixar aguardando a evolução dos acontecimentos.
E assim vemos chegar ao fim a queda de braço que a presidenta Dilma e sua equipe econômica tentaram travar com o mercado financeiro, sem êxito.
E vemos a presidenta cada vez mais submissa e curvada aos interesses do capital financeiro nacional e a seus parceiros e associados estrangeiros.
Para não perder tempo, e não deixar a pressão afrouxar, as instituições e os consultores do mercado financeiro continuam elevando suas previsões para a inflação em 2014, fazendo as previsões saltarem de 5,93 projetado na semana passada para 6% essa semana. 
Divulgando números que indicam uma resistência maior à queda da elevação de preços, deixam pouco espaço de manobra às autoridades econômicas, em especial aos diretores do Banco Central, que têm voto no COPOM.
Ao lado da pressão sobre os juros, prosseguem ameaçando o governo com a possível queda do rating de nossa economia, descendo um grau na avaliação de nossa economia como grau de investimento.
Isso, independente do corte anunciado na semana passada, de mais 44 bilhões nos gastos do governo, projetando um superávit primário de 1,9%.
Em relação a essa frente de batalha, as objeções são relativas à projeção do crescimento do PIB, embutida nas contas apresentadas pelo governo, algo superiores à projeção dos mercados. E à dúvida na capacidade de o governo honrar as promessas de cortes, em especial em ano de Copa e eleições.
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Embora todos os analistas e seus porta-vozes irão alegar sempre, a preocupação em manter a inflação controlada, utilizando para tanto todo o arsenal de medidas de caráter monetário e fiscal visa apenas assegurar o poder de compra real do povo, principalmente dos menos favorecidos, que são aqueles que mais perdem com a corrosão do poder de compra de seus ganhos.
E sob tal argumento, continuaram colocando pressão para que o governo se comporte de maneira que, curiosamente, mais atende aos interesses de tantos quanto vivem da aplicação a juros de seus capitais.
Quanto ao desemprego, cujo número pequeno ainda é considerado recorde, esse já dá sinais de que não se manterá por muito tempo mais tão reduzido, dando sinais de que o número de demissões tende a subir.
Entretanto, para os defensores dos interesses do capital financeiro, e dos rentistas, uma elevação da taxa de desemprego, mesmo em nível como a prevista, de perto de 40% força de trabalho é plenamente tolerável, e até de interesse do próprio trabalhador.
Para o ex diretor do Banco Central, Alexandre Schwartsman, por exemplo, além de contar com o seguro desemprego, que lhe assegura a sobrevivência por um certo período de tempo, a perda de postos de trabalho é típica de economia com o mercado de trabalho muito aquecido, e de interesse do próprio trabalhador, que busca posições mais favoráveis, arriscando-se mais em busca de ganhos potenciais da maior rotatividade. 
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Raciocínio que só não consegue justificar como, com a ocorrência de quase a metade da perda de postos de trabalho, o mercado de trabalho terá condições de se manter aquecido e próximo do pleno emprego.
Além disso, há que se lembrar que são exatamente economistas como Schwartsman que cobram mudanças na legislação social, sempre batendo na tecla do impacto das despesas do seguro desemprego no resultado das contas públicas e, pior, na redução do superávit primário.