sexta-feira, 31 de outubro de 2014

A respeito de porcos e do voto nordestino

Confesso que embora às vezes eu tivesse vontade de publicar textos de outros autores em meu blog, sempre evitei tal prática.
Poder-se-ia alegar que é por mero despeito ou medo. Seja de descobrir que meu texto é muito inferior, seja para evitar que todos que me honram lendo meu blog, começassem a pedir que eu deixasse esse espaço de minha manifestação para quem se manifeste de forma melhor.
Por esse motivo, quando encontro um texto ou opinião, ou artigo que me faz querer compartilhá-lo, costumo transcrever apenas partes, não o todo. Claro que sempre faço a referência para que aqueles que o desejarem possam ter acesso a todo o conteúdo.
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Mas não é o que ocorre dessa feita. Primeiro por que muito me incomodou uma série de postagens, com curtidas e comentários elogiosos, que vi no facebook, logo depois de proclamado o resultado eleitoral, com a vitória de Dilma. Tratava-se de uma frase, reproduzida à exaustão, que falava dos porcos, e de como eles babam com a mão que os alimenta, mesmo que, à la Augusto dos Anjos, seja também a mão que os apedreja (ou mata).
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O pior de tal frase, acho, era estar sempre nas redes associada a outros comentários que demonizavam o povo nordestino, por terem dado a maioria esmagadora de seus votos, à reeleição da presidenta e o PT com seus programas assistencialistas.
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Pois bem, Fernando Simões, colega do Banco e grande amigo é nordestino. Baiano. E também ficou deverasmente incomodado com tais comentários e apoios.
E mandou-me um texto para que, caso eu gostasse o publicasse em meu blog.
Correndo o risco de depois ser cobrado de deixar só o Fernando escrevendo nesse espaço, eis o texto. Com que concordo em gênero, número e grau. Em sua beleza e poesia.
Que todos possam apreciá-lo.
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Não consegui trazer para publicar uma tabela que encimava o texto, mostrando os votos tanto de FHC quanto de Lula, nos anos de 1994, por estado nordestino, cuja fonte é o TSE.

Sobre porcos, pérolas e nordestinos
(O escrevinhamento de um Nordestino-pertencente a um Nordestino-envergonhado)

Em 1994, Fernando Henrique Cardoso venceu Lula no Nordeste na eleição para presidente pelo placar de 58,67% a 28,18% (67,55% dos votos válidos) e depois, em 1998, por 48,19% a 29,95% (61,67% dos votos válidos). Antes, Collor havia derrotado Lula, em 1989, com significativo apoio do Nordeste. Nas três ocasiões votei em Lula, portanto, estive do lado dos derrotados (como dizemos lá na terrinha: “peguei no cabo da raposa”).
O Nordeste foi protagonista nas quatro vitórias presidenciais do PT (2002, 2006, 2010 e 2014). Assim como, a região fora determinante nas vitórias de Getúlio Vargas (1950) e Juscelino Kubitschek (1956). Nasci em abril de 1963, mas a história nos conta sobre a relevância dos governos de Vargas e JK. Votei no PT quando o partido elegeu seus representantes. Assim, nas derradeiras eleições, meu lado venceu (“soltei o cabo da raposa”).
Naturalmente, estou satisfeito com os últimos resultados das eleições presidenciais e me aborreceram as derrotas que o nordeste impingiu ao meu candidato. Além dessas derrotas, também me aporrinharam as adesões de Gonzagão à ditadura militar e de Jorge Amado à ACM. Também as críticas ácidas (e no meu entender, injustas) de João Ubaldo a Dilma contrariaram as minhas expectativas em relação ao posicionamento político do meu escritor baiano mais querido. (Poderia passar um dia inteiro relatando dessabores semelhantes, mas creio que esses já sejam suficientes ao meu intuito). Todavia, em nenhum momento passou por mim a ideia de desqualificar o povo nordestino ou de diminuir (um punhado que fosse) os talentos do “Rei do Baião”, do Amado Jorge (outrora comunista), do criador da obra prima “Viva o povo brasileiro” ou de qualquer outro adorável nordestino que tenha assumido posição que me tenha desgostado.
O fato de alguém nascer em um lugar (ou mesmo crescer nesse lugar) não significa que esse alguém pertença a esse lugar. O local de nascimento é uma ocorrência independente da vontade ou da ação do indivíduo, obviamente. A nacionalidade ou naturalidade é o resultado da loteria geográfica. O pertencimento, ao contrário, é fruto de um processo contínuo de percepção crítica, identificação e comprometimento. É, portando, uma construção autónoma, própria do livre arbítrio. Ninguém escolhe onde nascer, mas pode decidir (mesmo que intuitivamente) a que “lugar” pertencer.
A percepção crítica nos dá a capacidade de recolher, ao longo do nosso existir, as pérolas que nos encantam (acontecimentos, testemunhos, tradições, valores éticos, metafísicos e estéticos etc.) e guardá-las no nosso alforje cultural. A coleção dessas pérolas é a identidade cultural de um indivíduo. A cultura de um povo é conjunto das pérolas mais comuns nos alforjes dos indivíduos que o compõem. E o comprometimento é defesa dessa riqueza, acumulada em forma de pérolas. Portanto, um indivíduo faz parte de um dado grupo se, além das pérolas que lhe são mais caras, ele é também guardião das pérolas mais comuns. Se um indivíduo desconhece essas pérolas comuns não há como defendê-las, assim com, se perceber parte do todo. E não se consubstancia o pertencimento. O pertencimento, portanto, não se antagoniza com a individualidade, já que não há dois alforjes idênticos, senão, faz parte dela.
Todos os indivíduos são capazes, em alguma dimensão, de produzir pérolas. Assim, a convivência, a observação, a comunicação e, sobretudo, a solidariedade e a empatia enriquecem a todos, fazendo aumentar a oferta no mercado de pérolas, que tem como moedas tão somente o tempo e o querer. E é por isso que há uma relação direta entre proximidade espacial e semelhança de alforjes, fazendo surgir a cultura local, que é dinâmica, se transformando a cada novo conhecimento endógeno ou importado. “O povo sabe o que quer, mas também quer o que não sabe” (Gilberto Gil). Assim, o aumento do saber é também o aumento do querer e do buscar.
Quando um brasileiro desdenha, desqualifica ou ofende o POVO NORDESTINO pelo simples fato de ele ter majoritariamente feito uma opção (a partir da sua realidade) que difere da escolha de uma elite econômica (egoísta e perversa) – e que dessa forma explicita o desejo de estabelecer uma aristocracia de fato em um ambiente de democracia de direito –, intuo que, além da incapacidade da empatia, a ignorância lhe serve como um poderoso entorpecente: fazendo com que um tolo preconceituoso (incapaz de superar a mixórdia/indolência cognitiva) se perceba sábio quando na verdade é só um idiota instruído (quando muito).
Quando um nativo do nordeste expõe publicamente sua “vergonha” também pelo fato de os seus conterrâneos (de direito) não adotarem suas certezas encasteladas – chegando ao ponto de nos comparar a porcos famintos, adoradores dos nossos (supostos) algozes, por também serem eles quem nos alimentam –, constato que esse o Nordestino-envergonhado, além de ter sido acometido pelos dos males da ignorância e do egoísmo já expostos, é absolutamente desprovido do sentimento de pertencimento ao Nordeste. Seu alforje não contém nossas pérolas comuns. Senão como explicar a absoluta falta de solidariedade, empatia e respeito aos seus irmãos. Como explicar o carecimento de espírito democrático para aceitar a vontade da maioria dos que deveriam ser seus pares. E ainda, como explicar a ausência no irmão da altivez inerente ao POVO NORDESTINO.
Assim, irmão Nordestino-envergonhado, eu, um Nordestino-pertencente, lhe trago uma boa nova: não há mais porque se envergonhar! Você até pode ter nascido no Nordeste, por obra e graça (ou desgraça, a depender do observador) da loteria geográfica, mas, definitivamente, o irmão não pertence ao Nordeste. Pois, “só é [nordestino] quem trás no peito o cheiro e a cor da sua terra, a marca de sangue dos seus mortos e a certeza de luta dos seus vivos”[i] (Vital Farias).
E, assim sendo, o irmão está alijado do sentimento da vergonha. E, por conseguinte, o irmão está livre e habilitado para galgar um pertencimento mais “nobre”. E “Que Deus te guie porque eu não posso guiar” ou “Que [Joaquim Nabuco o] resgate”[ii] (Caetano Veloso). Só não ofereça as nossas pérolas aos porcos reacionários e racistas, tão corriqueiros ultimamente nas mídias sociais, pois elas são o tesouro dos Nordestinos-pertencentes.
Axé a todos e Inté intão (Uai sô, tô vivendo em Belzonte e já ajuntei um cadin de pérolas de cá, mas meu alforje é grande e não precisei e nem vou precisar me desfazer das antigas)!




[i] Texto original: “Só é cantador...”.

[ii] Texto original: “Que Chico Buarque de Holanda nos resgate”.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Então, o fim do mundo: juros altos e Galo em baixa

Bem que alguns conhecidos haviam previsto que a reeleição de Dilma representaria o fim do mundo.
Pois bem, estavam certos.
Começou.
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Em reunião que terminou na tarde de ontem, o Copom resolveu elevar mais uma vez a taxa de juros básica de nossa economia, a Selic, que alcançou o patamar de 11,25%.
Dessa forma, aquele colegiado conseguiu surpreender a todo o mercado, que não contava com alteração da taxa, salvo na reunião de dezembro.
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Como justificativa para a decisão, a deterioração das contas públicas, e o fato de a taxa de inflação ter extrapolado o limite superior do intervalo permitido, quando considerado o período de 12 meses concluídos em setembro de 2014.
É importante recordar que o sistema de metas inflacionárias leva em consideração o período de janeiro até dezembro, não tendo qualquer significado mais importante a variação do INPC alcançado em setembro, de 6,75% (superior ao limite de 6,5%).
Entretanto, o acompanhamento da variação ocorrida a cada mês acaba sendo importante balizador dos rumos da aceleração dos preços, assim como as placas ao longo de uma estrada sinalizam ao motorista se a direção por ele tomada está correta.
Analisando por essa ótica, a variação do INPC em setembro serviria como alerta para a possibilidade de o limite não ser alcançado conforme compromisso da Autoridade Monetária para o ano em curso. Especialmente considerando-se que, o último trimestre do ano costuma ser um período de mais forte pressão inflacionária, em função das compras de fim de ano, reposição de estoques por parte do comércio, etc.
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Dessa forma, elevando-se os juros e tornando o crediário mais caro, o Banco Central poderia estar visando conter a elevação quase que natural da demanda, o que serviria para limitar o desejo e a oportunidade do comércio para praticar ajustes de seus preços.
Por outro lado, talvez estivesse já preparando o terreno para as necessárias correções de preços de serviços públicos que se encontram represados, como o de tarifas de energia elétrica e de combustíveis.
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Sob esse ponto de vista, ao arrefecer o ímpeto de uma elevação de preços por força da contenção de uma demanda crescente no fim do ano, abriria espaço para começar a praticar uma política mais realista, atendendo aos reclamos dos analistas de mercado.
De quebra, tal política poderia representar um aceno aos empresários de uma tentativa de se resgatar a confiança abalada por uma política econômica considerada fortemente intervencionista.
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Se há então argumentos em defesa da medida de elevação dos juros, de minha parte, duas questões persistem, alimentando minhas dúvidas do acerto do COPOM.
A primeira, o fato de a política de juros ser um instrumento típico para debelar reajustes de preços, provenientes de uma demanda muito aquecida, o que não me parece estar sendo o caso em nosso país nessa oportunidade.
Ao contrário, em função das reclamações dos empresários, o que estamos assistindo é a desaceleração da demanda, com os consumidores preocupados em limitar gastos, até por força da perda da confiança na manutenção dos empregos, face ao pequeno crescimento do PIB.
Assim, se nossa inflação tem um componente choque de oferta, em função de seca, por exemplo, ou de inflação de custos, os juros deixam de ter a funcionalidade que a eles costuma ser atribuída.
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A segunda dúvida é a da capacidade de a economia reagir a essa elevação de juros, no curto período de menos de dois meses, que nos separa do final do ano. Afinal, há um período de ajuste ou um lapso de tempo entre a adoção da medida e o início de seus efeitos no ambiente econômico.
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Por isso, creio que o que o BC está fazendo é sinalizar ao mercado que continua mantendo uma certa autonomia, em relação não apenas ao governo, mas também às pressões desse mercado, por um lado; e por outro lado, a preocupação em tentar resgatar a confiança dos mercados resgatando o discurso e o compromisso em manter nossa inflação sob controle mais rigoroso.
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O segundo sinal de fim do mundo: a derrota do Galo


Mas não foram apenas os juros.
Também o Atlético, mais uma vez foi ao Maracanã e não conseguiu um resultado que lhe fosse, se não favorável, ao menos mais fácil de administrar.
Novamente, como que parece seguindo uma sina, o Galo sai derrotado pelo placar de 2 a zero, o que torna muito longínqua qualquer chance de se avançar na Copa do Brasil.
Nada que não seja possível reverter, como os jogos mata-mata das etapas finais da Libertadores, ou até mesmo o jogo contra o Corínthians, tão recente em nossa memória.
Mas, precisava de o Galo fazer sua fanática torcida sofrer tanto assim?
Por que tudo para o torcedor do Atlético tem de ser conquistado no sufoco, vencendo a tudo e a todos? Com o coração querendo saltar fora da boca? Apenas para que a vitória venha com um sabor especial, extra,  proveniente da fé na mística da camisa preta e branca e no lema gritado aos ares: Eu acredito!
Ah! Galo! Que brincadeira é essa de colocar a toda essa massa em uma montanha russa de sensações e emoções???
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Ou seria a ira da Dilma? Ou a ira dos deuses que reprovam a vitória da presidenta?

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Segundo turno e o engodo do povo soberano. Só que não.

Curiosa essa eleição de segundo turno, idealizada para permitir ao eleitorado se debruçar sobre as propostas de governo apresentadas pelos candidatos mais votados em primeiro escrutínio, para analisá-las e, finalmente, decidir por aquela julgada mais adequada ao país.
Desta forma, assegura-se a formação de um consenso em torno de um candidato, visando conferir-lhe legitimidade para implantar seu programa de governo, aceito pela maioria.
Da dispersão de diagnósticos, interesses atendidos e propostas iniciais, elaboradas pelos vários partidos em disputa, avança-se, assim, para um afunilamento das propostas, permitindo que haja espaço para uma negociação e que a proposta original possa ser complementada por melhorias e novas ideias, capazes de ampliarem os interesses atendidos. Daí, selados os acordos entre as facções políticas que apresentem alguma afinidade, chega-se a uma solução de compromisso que, vitoriosa, será a linha mestra das ações do governo.
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Em minha opinião, deveria ser assim, caso cada partido, independente do número de agremiações, fosse obrigada a apresentar ao público um documento que trouxesse sua visão de país e de mundo; a identificação das questões problemas principais presentes em sua agenda; as diretrizes e ações prioritárias a serem atacadas e, mesmo que não descendo a um nível de detalhamento excessivo, uma indicação das medidas imediatas a serem adotadas para dar início a seu governo.
Isso exigiria dos partidos mais compromisso com seu programa de governo, seu matiz ideológico, seus afiliados e simpatizantes e seus eleitores, dando oportunidade para a captura até de não simpatizantes cujos interesses poderiam ter sido privilegiados pontualmente.
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Mas nossa legislação eleitoral não dá conta nem mesmo de punir o candidato que, eleito por um partido, usado como sigla de aluguel, depois vira a casaca, no famoso jogo de acomodação de interesses que caracteriza nossa realidade política.
Dessa forma, não obriga a apresentação e nem a existência de um mínimo de compromisso com o cumprimento, no mínimo das linhas gerais de seu programa. Também não permite que seja discutida e adotada pelos representantes do povo medidas destinadas a destituírem o governo eleito por descumprimento de suas propostas.
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Tudo bem, não estamos no parlamentarismo onde o voto de rejeição acaba levando à queda do gabinete. Estamos em um tipo de democracia em que o Executivo exerce um mandato imperial. Como já foi falado, a configuração de uma ditadura temporária. Com a reeleição, uma ditadura de oito anos.
Mas, tal como o sistema de metas inflacionárias exige que o governo, não cumprindo a meta prometida à sociedade, deva se justificar e, caso essa justificativa não seja acatada pode trazer punições, um esquema semelhante deveria ser pensado para funcionar para o próprio chefe do Executivo. Descumpriu seu plano e não apresentou justificativas válidas, seria instaurado um processo não de crime de responsabilidade, por não se tratar de ações ilícitas, mas destinada a levá-lo a se afastar do governo, por quebra de confiança.
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Sei que isso que estou pensando é utopia. E, dado o comportamento de nossa classe política e de nossa representação congressual, apenas daria margem para se ampliarem as negociatas, a chantagem, as trocas de favores e benefícios escusos.
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Mas, não sendo assim que funciona nosso sistema eleitoral, o segundo turno em nosso país (e não tenho condições de avaliar se apenas em nosso país ou se também em outros) acaba transformando-se em um grande plebiscito.
Vota-se não no que acreditamos ser o melhor. Votamos no menos pior. Não votamos em propostas e ideias. Votamos na não proposta.
Não concordo e não concordava com o que o PSDB representa; com os interesses que legitimamente representava e que, claro, devem ser representados sempre, mesmo que com eles não concordemos. Não achava que os interesses que estavam por trás, ou apoiando o candidato e especialmente aquele que foi indicado para ministro da Fazenda eram os que seriam os melhores para o Brasil que em meus sonhos ou delírios vejo construído.
Por isso, votei no outro. No caso, na outra.
Isso não significa que seja mais ou menos ignorante, mais ou menos responsável, mais ou menos conivente; não significa que seja corrupto, aqui não admitindo qualquer gradação; não significa que esteja ou estivesse me locupletando ou mamando nas tetas do governo ou tendo benesses, etc. etc.
Minha proposta e meu voto no primeiro turno foram outros. Em outra direção.
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Particularmente, acho PSDB e PT muito iguais. Muito semelhantes. Aliás, não apenas eu. Lembro-me da época que Lula e FHC, antes de a conquista do poder se transformar em uma briguinha que parece, às vezes, disputa de dois meninos ou dois egos super-inflados, discutirem a possibilidade de unir os dois partidos, tamanha as semelhanças entre eles.
Mas, não via no capital financeiro internacional, todo apoiando Aécio e Armínio, o parceiro ideal para nossa nação.
Testemunhei o que esse capital fez com a Islândia, com países da Europa, pude acompanhar os desdobramentos da especulação e crise nos Estados Unidos, e agora, como todo o mundo se debate para voltar a crescer.
Vi o que o capital especulativo fez com a população mais pobre dos Estados Unidos, empobrecendo-a ainda mais. E acho que no Brasil, ainda temos de criar para a grande maioria da população o mesmo padrão de vida que nos países mais avançados do mundo as populações aproveitavam nos anos 60 e 70.
Um mínimo de estado do bem estar tem de ser assegurado para nossa população, antes que possamos começar a deixar o capital fazer também aqui os estragos que fez no resto do mundo. E continua fazendo.
Basta ver o filme Inside Job. (em português Trabalho Interno, disponível no Youtube) laureado com o Oscar para documentário, para perceber do que estou falando.
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Caro amigo Tarcísio, colega de trabalho, não sou petista. Nunca fui. Acho que pela primeira vez votei no PT. Com certeza foi a primeira vez que votei em Dilma. A presidenta que você sabe como eu, como negocia, por exemplo, salários dos funcionários públicos. Negociação do tipo ou aceita assim ou assim aceita.
Não vou tratar de desmandos e roubalheiras e corrupção. Tivemos a oportunidade de ver, acontecendo ao nosso lado, caso de punições de colegas até então de reputação ilibada. E nenhum de nós sabia...
Ambos concordamos que há a necessidade de se punir todos os corruptos e mandá-los para a cadeia. Mas que nem isso vai impedir de que a corrupção e os corruptores e corrompidos continuem existindo. E nem é só na base do enriquecimento material que os prêmios são liquidados.
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Minha postagem ontem teve uma chamada em que eu falava do povo soberano, essa ficção.
Povo dependente não pode ser soberano.
Ora, todo assalariado no sistema em que vivemos não pode ser soberano, já que a sua única e exclusiva propriedade não pode ser posta para trabalhar PARA ELE. De render para ele, enquanto ele curte o ócio e o lazer.
O proprietário de trabalho apenas pode trabalhar. Não lhe sobrando tempo para mais nada.
Ah! nem nos esqueçamos que além de trabalhar, ele não pode trabalhar e produzir quando quiser. Ele depende da vontade dos outros, donos de terras e capital, para poder assegurar sua simples sobrevivência e a de seus filhos.
Tem vagabundos na sociedade. Claro que eles existem. E nem estou me referindo aos que não trabalham porque sua terra rende aluguel, ou suas máquinas geram riqueza. Se as máquinas gerassem mesmo só riquezas, nem seria possível ficar contrário a elas.
Ninguém é contra máquinas ou a existência de instrumentos do trabalho.
Eu acho que é injusto é a falta de oportunidade e de acesso a tais máquinas.
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Então, que povo soberano é esse, que tanta gente estranhou?
Povo soberano é o que tem sonhos e ainda quer lutar. Que acredita. Que acha que pode construir seu futuro, promovendo as mudanças necessárias e começando pelas mudanças de seu próprio modo de pensar e de se comportar.
Povo soberano foi uma expressão para poder dizer: olha, já passou a eleição e toda a baixaria que ela nos permitiu acompanhar, nessa que foi uma das eleições mais bizarras do nosso país, tamanha a baixaria e nível de agressão. Essa campanha mais despolitiza. Ou não? Estávamos discutindo autonomia do Banco Central nas praças, ruas e botecos?
Tudo bem, se todos que discutiam soubessem o que é um banco central e seu papel e funções.
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Povo soberano como diz o professor Galbraith em "A Economia e o Interesse Público" é como o consumidor soberano. Aquele que a teoria econômica insiste em apresentar como o que toma as decisões no mercado de que bens irá desejar e quais devem ser produzidos. Isso porque, segundo o professor, os bens são importantes. E o pensamento dominante mostra que já que os bens além de importantes são escassos, as empresas devem tentar descobrir, prever, e atender ao consumidor, produzindo o que ele deseja.
Não sendo inocente útil, o professor lembra que as empresas são grandes e têm poder. E, por óbvio, devem procurar atender também a seus interesses. Ou só a eles. E, por isso, adotam a estratégia mais antiga do exercício do poder: sua negação.
Assim, vendem a ideia de que o consumidor, que tratam como massa de manobra é o soberano no LIVRE MERCADO pelo qual muitos, esses sim, inocentes, ainda lutam.
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O povo não é soberano, mas a maioria deve ser respeitada. Sem que tentativas de golpe possam ser articuladas, porque não devem ser sequer toleradas.
Se a democracia é ruim, ainda não inventaram nada melhor.
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Volto aos interesses do capital financeiro que Armínio representava, junto a Aécio.
Não há qualquer possibilidade de que parem os fluxos de capital para nosso país. Ainda ontem, os dados mostravam que de nossa dívida de 2,1 trilhões, aproximadamente, 28 % dos títulos estavam em poder dos bancos e instituições financeiras (em queda, é verdade). Mais de 20% estavam na mão dos fundos de investimento, também em declínio a participação.
Mas aumentou e já estava em 19% a participação dos capitais externos no total de títulos da dívida brasileira.
Quanto a isso, podemos ficar descansados, o capital vai atrás não da bandeira vermelha do PT ou azul dos tucanos. Vai atrás de lucros. E aqui no Brasil, com os juros que pagamos, vale a pena o risco. Que não é tão grande assim, até por força da forte regulação exercida, na área financeira pelo Banco Central.
A dívida pública aumentou pouco, em comparação com agosto, mas sua comparação com o PIB não dá demonstrações de ter saído de controle. É preciso estar atento a ela e a seu comportamento, para evitar que os déficits primários continuem acontecendo. Mas, tais déficits ainda não estão fora de controle.
Por mais que assim o digam os economistas mais conservadores.
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E, de mais a mais, para terminar essa nota que já vai ficando demasiadamente longa: Samuel Pessôa, do Insper e que integrava a equipe de Aécio; e o professor da UFMG, de Ciências Políticas, Leonardo Avritzer, em excelente análise para o portal UOL de ontem, mostram que toda essa estrutura de estado do  bem estar, entendido aqui os programas de bolsa dos governos petistas, foram criados não pelos partidos que disputam sua paternidade.
Esses benefícios foram criados com a Constituição de 88, e constituem, não benesses para a população, mas obrigação constitucional dos governos de os proporcionarem.
Não são do PT ou do PSDB. São nossos, da sociedade brasileira (nem organizada, nem soberana).
Os partidos podem brigar para ver quem fez os programas mais focados (PSDB) ou mais abrangentes, mais universais, mais inclusivos para o povo.
Mas é preciso dar destaque, muito destaque a esse fato: não há nesses programas nenhuma vontade de transformar-se nosso pais em Cuba ou Venezuela, como a imprensa que presta um desserviço ao país costuma divulgar ou não informar corretamente.
Ainda somos o Brasil. E nossa Constituição quer que nosso povo seja tratado de forma mais digna.
Nada que prejudique as filhinhas de papai ou os playboys a terem seu carrinho zero, ou poderem passear nos shoppings e nos centros de consumo, exceto pelo fato de que pode ser que assistam a um rolezinho, de vez em quando.
Só isso.
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E compete a nós, mais que percebermos que queremos o mesmo para o país, seu bem estar e riqueza para todos, percebermos que está em nossas mãos lutarmos, dentro das regras do jogo democrático, para poder fazer valer nossa vontade. Soberana ou não.

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Eleições e democracia. E o convite para os aecistas ajudarem Dilma a construir um país melhor. Sem irem embora

Às 18:30 da tarde de ontem, teve início uma carreata acompanhada de um buzinaço pelas ruas de Belo Horizonte. Gritos de Aécio presidente podiam ser ouvidos, enquanto as redes sociais martelavam a grande notícia: o presidente do IBOPE teria ligado para o tucano e cumprimentado por sua eleição.
Em seguida, ficamos sabendo que FHC já estaria em um helicóptero, deslocando-se para a capital mineira onde, na casa de Andreia Neves, seu irmão daria início à festa da vitória.
Bombardeado por tanta comemoração antecipada, enquanto esperava o término das eleições nos estados em que o fuso horário somado ao horário de verão nos obrigava a aguardar a chegada das 20 horas, lembrei-me do episódio ocorrido no Rio de Janeiro, em 1982, que passou à história como o caso Proconsult.
Para os mais novos, que não têm conhecimento dos fatos, é importante esclarecer os fatos. Regressando do exílio em 1979, graças à Lei da Anistia, uma das primeiras medidas adotadas por Brizola foi a tentativa de recriar o Partido Trabalhista Brasileiro, o PTB de Getúlio, de Jango e de tantas conquistas para o trabalhismo histórico.
Temendo a força do político e a mística da sigla, o governo militar e a Justiça acabaram impedindo que a sigla passasse a pertencer ao político gaúcho que, por este motivo, fundou o PDT.
Em 1982, tendo crescido nas pesquisas de intenção de voto durante toda a campanha, Brizola chegava às eleições como o principal candidato ao governo do Rio, pela nova agremiação. Foi então que as forças instaladas no poder resolveram alterar a vontade das urnas para não darem a oportunidade de Brizola tornar-se vencedor.
Embora os votos ainda usassem cédulas de papel, o TRE carioca contratou uma empresa para que fosse a responsável pela totalização dos votos, lançados nos mapas relativos a cada urna eleitoral.
No meio do caminho, entretanto, enquanto os dados eram lançados, o "software" ou programa utilizado para a operação tinha um "fator delta" cuja função era retirar um percentual dos votos de Brizola e torná-los nulos ou computá-los para outros candidatos.
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Acompanhando os resultados direto da sede do Tribunal, a Globo, tendo ou não conhecimento da maracutaia, passou a anunciar o resultado oficial forjado. Mas, a rádio do Jornal do Brasil, acompanhando de cada seção eleitoral os mapas de votos, informava números completamente distintos.
Brizola foi à imprensa, denunciou a fraude e acabou desmontando todo o esquema. E acabando com a comemoração do candidato que estava à frente da apuração.
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O Caso da cadeira do Prefeito

Em 1985, em outro caso célebre, FHC concorria à prefeitura de São Paulo pelo PMDB e por estar liderando todas as pesquisas de intenção de voto,  foi convidado a fazer uma matéria para a revista Veja (sempre ela!!!).
Na matéria, já contando com a eleição assegurada, e querendo já estar com a capa pronta da edição semanal, a revista pediu e Fernando Henrique concordou em se assentar para tirar uma foto na cadeira do Prefeito.
Repórteres outros ao virem o ato solicitaram ao candidato o direito de também fotografarem o episódio, com o compromisso tácito de não publicar até depois de conhecido o resultado das urnas.
Dando como líquida e certa a eleição do favoritíssimo FHC, a Folha de São Paulo estampou a foto na matéria de capa da primeira página no dia da eleição.
A foto considerada de extrema arrogância derrotou FH e contribuiu para a vitória de Jânio Quadros. Que começou sua gestão, desinfetando a cadeira da Prefeitura, em um de seus vários gestos teatrais.
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Agora o Ministro Armínio

O mesmo fato aconteceu agora, na campanha eleitoral de Aécio, com a indicação antecipada de que seu ministro da Fazenda seria Armínio Fraga. Medida que poucos se detiveram a analisar ou comentar, mas que Dilma não deixou passar sem recibo. E lembrou, em um comentário, que foi o ex-presidente FHC que sentou na cadeira que não lhe pertencia.
E foi derrotado por isso.
O anúncio de Aécio tinha uma motivação óbvia, que era o de assegurar para si o apoio de toda a mídia internacional especializada em economia e finanças, o apoio de toda a banca internacional e de todo o capital financeiro especulativo e de todo o pensamento econômico conservador.
Não acredito que, naquele momento, houvesse muito mais que essa tentativa de crescer os olhos nesses setores que dominam o poder financeiro global e, por tal motivo, são os detentores do poder hegemônico.
Aécio como não é bobo, sabia da importância desse apoio dos donos do capital. Mas ao tomar essa medida, antipática e até arrogante, dependendo de como ela poderia ser apresentada e explorada pelo partido contrário, acabou dando a munição para que Dilma e seu PT virassem o jogo.
O PT soube explorar a presença de Armínio, ligando-o como seria de se esperar a fracassos do último mandato de FHC, como a falta de controle da meta de inflação, ligando-o aos processos de privatização que tanto lesaram o patrimônio público e que creio que, mesmo concordando, nem Armínio participava, ao menos diretamente. Ligando Armínio à quebra internacional do país, que levou o Brasil a correr atrás do socorro do FMI - a maior operação de empréstimo jamais feita pelo Fundo - e até mesmo ao apagão e queda do PIB em período em que foi o presidente do BC.
Não creio que Aécio tenha feito a indicação por considerar-se já eleito, ou por acreditar que isso seria um trampolim para sua vitória.
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Comemorações antecipadas e festas de rua

Mas, parece que os simpatizantes do PSDB não se emendam. Não aprendem.
Embora não dê para generalizar, já que muitos dos atuais eleitores de Aécio talvez nem tivessem participado de outras eleições ou manifestações cívicas anteriores, há uma parcela de eleitores mais velhos que já deveriam ter aprendido.
A festa eleitoral de véspera, ou quando ainda faltam duas horas para o encerramento das eleições, é só barulho à toa. Ou a queima de fogos já comprados por quem não tem onde guardá-los.
Porque embora não tivesse feito o comentário antes, ou apenas o tenha delineado sem aprofundar, as comparações da campanha e dos partidários/torcedores/eleitores de Aécio com a campanha de Collor em 1989 têm muitas semelhanças.
A começar de que Collor e seus coloridos eram os representantes dos bem nascidos, dos moços que foram caracterizados como playboy em sua juventude, de governadores que chegaram ao poder jovens e fizeram gestões que foram bem avaliadas. Ambos tinham uma bandeira semelhante. Um, à caça de marajás, e desejando cortar os gastos públicos, inclusive todos os subsídios. Outro, à caça de corruptos (nunca dos corruptores, claro!), desejando reequilibrar as finanças públicas mesmo que para isso, com cortes de gastos sociais subsidiados.
Collor tinha uma obsessão em domar a inflação, a que abateria com um só tiro, ou um ippon. Aécio e Armínio tinham a meta de trazer a inflação para 3%, custasse o que custasse.
Ambos eram tidos como rapazes bem apessoados, conquistadores, galanteadores e ... com alguns casos de tratamentos menos elegantes dispensado a suas companheiras.
Além disso, Collor resolveu que ia assumir para si as cores da bandeira brasileira, o hino, os símbolos da pátria.
A turma do Aécio queria ir votar com as cores da bandeira, ocuparam praças com as cores verde e amarela como se fossem os donos da brasilidade.
Collor pediu para todos irem às praças manifestar-lhe apoio em um 7 de setembro. Fomos todos de preto, para mostrar que o povo não estava com ele.
Agora a turma de Aécio, para não deixar de usar o pretinho básico comprado para a comemoração que não haverá, solicita que todos vistam o preto no dia de hoje.
Como dizia Ataulfo, nunca vi ter tanta coincidência.
***

Agora a hora do Impeachment

Mas o pior é como os aecistas tratam essa tal democracia. A maioria deles, ao menos os recém-formados, sem Pronatec, mas com um diploma conquistado com a ajuda do FIES da Dilma.
E justo eles, que mostram agora o tão pouco foram capazes de aprenderem que democracia não são nossas vitórias e conquistas, mas a realização dos sonhos do povo.
Que povo é esse?
O mesmo povo que, como eles, optaram por coisas distintas, por outras mudanças, dotados de uma visão diferente de mundo. E quem não tem visão diferente do mundo e das coisas que nele acontecem?
E quem não vive os reflexos e os efeitos dos eventos de forma distinta, subjetiva? Não foi isso que estava escrito nos livros texto de Microeconomia? A satisfação ou utilidade de um pode não ser a do outro? O valor é subjetivo?
Porque pensar que o nosso valor ou modo de ver é o melhor ou único?
Talvez porque a presidenta reeleita por vontade da maioria do povo - no Nordeste redesenhado para incluir agora os Estados do Rio de Janeiro e Minas, onde Aécio perdeu também -, tenha tocado na ferida e esses recém bacharéis nada entenderam do curso que fizeram?
Porque afinal de contas, quem disse que curso superior é para ensinar a trabalhar e obter emprego? Cursos universitários podem até contribuir com isso, mas nunca deixar de exercer sua função principal, que é ensinar as pessoas a observarem, classificarem, analisarem e identificarem problemas em sua realidade e de seu meio, e depois buscarem identificar opções ou alternativas de solução para os problemas.
Curso superior ou da universidade é para ser universal. Para fazer pensar, não para criar máquinas. "Não sois máquinas, homens é o que sois. " Chaplin,
Ora, para aprender um ofício e ter uma colocação, devemos sim procurar o Pronatec. Mas, se você puder ser contratado porque não sabe apenas como apertar o botão, mas qual o botão que deve ser apertado. Ou até se não está na hora de trocar os botões todos, tentando saídas inovadoras, então o curso superior teve esse duplo benefício para você. Facilitou até a obtenção de emprego.
***
Mas, e quanto aqueles que, sendo mais maduros, não tendo esses arroubos inconsequentes dos primeiros anos de vida ou profissão também acham que democracia é, como dizia Millor, quando o outro respeita a minha vontade. E não quando eu devo respeitar a vontade do outro. Ou seja, democracia é quando eu mando em você e ditadura é quando você manda em mim.
Então é assim? O povo vai penar nos próximos anos, por ter escolhido mal?
Então onde a força do povo e o respeito ao fato de que o povo faz acontecer, quando assim o deseja e não quando nós desejássemos que fosse?
Ah! vamos propor o impeachment da presidenta?
Quem sabe melhor não era essa turma ir estudar e aprender que a presidenta ainda está no poder, se mantém no poder, e que há leis muito criteriosas estabelecendo as condições para que tal medida possa surtir efeito?
Ora a presidenta sabia de tudo? Comprove-se isso e o líder da oposição no Senado, Aécio Neves tome as medidas que devem ser tomadas para conseguir abrir um processo por crime administrativo, ou coisa que o valha. Mas antes uma questão: Aécio irá querer se expor e ir ao embate, tornando-se líder da oposição, coisa que ele não fez nos quatro primeiros anos de seu mandato?
E a oposição não estaria melhor com líderes como Álvaro Dias, ou Aloysio, o vice de Aécio, ou Serra?
***
Ah! vamos de impeachment só para mostrar que não gostamos que nosso candidato tenha sido derrotado.
Ah! Minas que vergonha você me faz passar!
Ah! povo do Nordeste que nada vale!
Olha para quem matou o doleiro e até enterrou, ainda vivo!
Para quem comemorou a vitória que não houve, Para quem não sabe ou não quer mais viver no país, por que a Dilma ganhou, um conselho: livre-se de seu preconceito de classe. Você não é melhor que ninguém por mais rico, ou abastado, ou educado ou até mais carioca (desculpe, esse também não é mais do sudeste!). E depois de ver que você também não é paulista e não pode dar uma lição e impor uma derrota acachapante a Aécio, como eles fizeram ontem, então venha apenas deixar-se viver nesse país e ver como ele deverá melhorar muito. Afinal é um governo com preocupações mais populares, sem ser populista e mais social que o que o seu candidato estaria propenso a fazer.
Fique aqui. Quem sabe você até não ajude a construir esse país grande e de futuro radioso como é o sonho de todos nós. Com todos incluídos no barco. Que é o mesmo.
***

Derrota de Aécio

Os tucanos paulistas venceram. Aécio venceu em São Paulo por larga e ampla margem. E o que isso significa, depois de Aécio ter mostrado por duas vezes como é tão pouco confiável.
Agora veja bem. Se ele não pode ser confiável nem em relação a seu partido, o que dirá em relação ao povo?
Em 2006 foi a chapa Lulécio em Minas, com Aécio jogando contra Alckmin. Em 2010, deu a chapa Dilmasia contra o tucano José Serra.
Alguém acha que o PSDB esqueceu-se disso? Agora, eles fizeram Aécio vitorioso como a querer lhe mostrar, olha menino do Rio, aqui nós cumprimos o combinado. Não roemos a corda. Não fazemos acordos espúrios por baixo do pano.
Entendeu o recado Aécio? Entenderam aecistas? Porque agora vem a cobrança. E com juros, já que e Minas???
O que aconteceu com o povo que conhece Aécio? Não foi votar por estar na praia?
Aécio, envergonhado agradeceu ao PSDB e seus líderes. Todos paulistas.
Não falou nada do Estado que ele foi tão bem avaliado???
Nem agradeceu a sua mulher, companheira em toda essa campanha?

Mas há aecistas que ele deveria agradecer. Aqueles que não sabem perder. E que já estão prontos para entrarem em campo no terceiro tempo.
Ops! não tem terceiro tempo não?
Então tome Lula em 2018.

Ou venha para o partido que de fato quer fazer do Brasil uma democracia social:  o PSOL.


sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Chega ao fim a campanha e o Brasil que já estava, segue dividido. Sem negar, é hora de reconhecer a divisão e procurar o entendimento

Nesta sexta-feira que é o último dia que antecede as eleições que definirão os rumos do país nos próximos quatro anos, e que marca também o último debate entre os candidatos à presidência Dilma e Aécio, acho importante tecer algumas considerações sobre todo esse período eleitoral que vai se encerrando.
Começo minhas reflexões reforçando minha visão de que o país CHEGOU já profundamente dividido ao ano eleitoral de 2014 e às eleições que acontecem nesse domingo, dia 26. Ele NÃO SAI dividido, nem por força da baixaria que dominou a campanha, nem por força do discurso ou da virulência que, a partir de certo instante, os candidatos passaram a imprimir a suas participações.
***
Em minha avaliação foi o povo que chegou bastante dividido ao processo eleitoral e, foi por terem percebido essa fissura evidente que os marqueteiros de plantão planejaram as campanhas de seus produtos-candidatos, não o contrário.
Afinal, não podemos ignorar ou desconhecer que já de há muito circulavam pelas redes sociais textos, artigos, comentários que se destacavam por serem carregados de sentimentos de raiva, rancor, repletos de acusações e inverdades.
Não raro, as postagens mais impregnadas dessas características eram de pessoas que, pertencendo ao que se convencionou chamar de classe média, pronunciavam-se, ora contra o peso excessivo da carga de impostos que os sufocava, ora da aceleração dos preços nas gôndolas dos supermercados, ora de notícias de malfeitos e corrupção que volta e meia eram descobertos e vinham à luz.
Parece-me que ocupando o centro de toda essa indignação difusa, o caso do mensalão, o julgamento transformado mais em espetáculo que em um exemplo de rigor da aplicação da legislação e da punição aos culpados.
Certo que os culpados foram punidos. Certo que, como nunca antes na história desse país, gente graúda foi parar atrás das grades. Mas a transformação de todo esse processo em show, permitindo atuação histriônica até de alguns personagens que deveriam manter postura mais compatível com a liturgia da posição que ocupavam e até do momento, foi o rastilho que incendiou reações passionais por toda parte.
***
Só que, em minha opinião, essa classe média que se mostrava tão indignada não tinha motivos para o comportamento que adotava. Não pelas razões que manifestava ao menos.
Porque na maior parte das vezes eram aqueles que haviam sido contemplados por exemplo, pela política de tarifas de energia elétrica mais baratas, do consumo de suas residências. Na sua ampla maioria, proprietários de automóveis, foram as pessoas que se beneficiaram do preço contido dos combustíveis nas bombas dos postos de gasolina.
Na saúde, foram aqueles que sempre puderam contar com a facilidade e a vantagem dos planos de saúde, de que há mais de 20 anos utilizam e não abrem mão, por conhecerem as agruras de toda a população que tem de recorrer ao SUS.
E ainda na questão dos planos de saúde foram os que assistiram a uma série de decisões adotadas pela agência reguladora de tais planos, todas destinadas a assegurarem maior e mais ampla cobertura aos planos já contratados, impedindo que as prestadoras de serviços abusassem do privilégio de estarem tratando de produtos que, quando necessários sempre encontram os usuários em condições menos favoráveis.
Ora, na mesma ocasião, os remédios da farmácia popular e uma série de outros tratamentos passaram a ser assegurados pelos órgãos oficiais e, embora a qualidade tenha sempre deixado a desejar, o certo é que a garantia de acesso sempre os beneficiou, se necessário.
Na educação, grande parte das famílias puderam ver seus filhos aproveitando-se de financiamentos a juros subsidiados, e para os estudantes das áreas de engenharias, ou físicas, há que se recordar que houve grande apoio ao intercâmbio cultural tão cobrado, e possibilitado pelo programa Ciência sem Fronteiras.
Vários filhos de amigos tiveram a oportunidade que não tivemos, nós os pais, de irem fazer períodos de estágio e cursos no exterior. Seguramente, não se tratavam dos filhos das classes menos favorecidas que utilizavam-se do programa do financiamento estudantil, mas não podiam deixar os seus empregos e ocupações, de onde obtinham o sagrado dinheirinho que não podia faltar em casa.
Bem diferente da nossa classe média, cujos filhos aproveitaram-se para viajar e, assim, poderem ampliar seus horizontes.
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Então, se tais benefícios eram criados e deles se aproveitavam a classe média, como essa parcela da população poderia estar fazendo as críticas todas que fazia, do descontrole dos preços (eles que contavam com subsídios nas tarifas de energia e combustíveis)? Como podiam falar mal da qualidade da saúde, se usavam planos de saúde privados? Como podiam falar mal da educação, com os filhos aproveitando para fazer estudos e até turismo e lazer no exterior? Como poderiam criticar a corrupção se grande parte dessas pessoas tinham sua fonte de renda proveniente, senão diretamente dos órgãos envolvidos, ao menos de forma indireta de relações comerciais com as empresas que participaram dos crimes todos citados e levantados ou descobertos, só que na parte do lado de lá do balcão: o dos corruptores?
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A verdade, em minha avaliação, é que todos passaram a perceber os benefícios criados ou, na maior parte das vezes, expandido pelos governos do PT, e talvez por força de uma reação natural de quem se sente prejudicado, porque "na minha época não era assim", porque "hoje ficou tudo mais fácil", porque hoje "qualquer um pode", porque "eu tive que ralar muito para obter, contra tudo e contra todos, tudo isso que as pessoas hoje têm de mão beijada, sem esforço" passaram a atacar as políticas do governo que favoreciam aos "outros".
Muitos nem se deram conta de que eram eles os favorecidos, talvez até pela maior visibilidade dos programas que, corretamente o governo desenvolvia e implantava, de bolsas e assistência aos excluídos e que geraram as discussões das cotas, por exemplo. Claro que, atingindo um número de pessoas muito maior, vítimas até aquele momento da muito maior e mais discriminatória divisão de nossa sociedade, datada de tempos que remetiam ainda à nossa própria colonização, o governo fez maior divulgação e maior campanha de propaganda para a melhoria das condições de vida e o resgate da dignidade e cidadania dos que, aos olhos das tais classes médias tinham que ser auxiliados, por já estarem acostumados a esse tipo de situação.
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Ou seja, a classe média que acusava os programas sociais do governo, raciocinavam como aquele que não se dá por satisfeito por ter tido algum benefício, mesmo que tenha tido um grande benefício. Mas fica contra porque seu vizinho, seu conhecido obteve ainda mais vantagens.
Nem considera que o pequeno ganho que obteve, digamos 10% de vantagens, supera em muito os 200% ou 500% de benefícios direcionados ao menos favorecido, até em termos absolutos, uma vez que 10% sobre uma base maior, necessariamente é mais que 200% de nada ou de muito pouco.
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Mas, o fato de que algumas categorias estavam ganhando mais, foi explorada por todos quanto acham que o valor dos gastos com demandas sociais não poderia ter tanto apoio e atenção, simplesmente por tirarem a previsibilidade de seus negócios, ou levarem à uma elevação perigosa dos gastos públicos, perigosa por poder colocar em risco o pagamento dos juros de seus créditos.
Ou seja, os detentores do grande capital, e beneficiários últimos das políticas de cunho conservador que eram cobrados ao governo e que serviam de material à crítica, esses em conluio com seus associados, vinculados à grande midia foram os que criaram os argumentos contrários aos pacotes de bondades do governo. Foram eles que disseminaram as mentiras da perda de controle da política econômica, da volta do fantasma da inflação e outras, que levaram a massa da população a criarem o medo.
Disso se aproveitou aquela parte que, por ter perdido privilégios ou ter visto uma redução cada vez mais perceptível de diferença no acesso a tais privilégios, passou a manifestar-se também contra o governo.
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E tudo isso acontecia já antes das eleições. No mínimo, desde o meio do ano passado, em que movimentações de rua, no início por vinte centavos de aumento no preço das passagens de transporte coletivo foram tratados com violência ímpar da polícia militar, que foi o fato que fez explodir a insatisfação popular para outras regiões e cidades do país.
Daí, aproveitando-se da confusão que se instalou, vários interesses começaram a tirar proveito das manifestações, algumas delas, infiltradas nesse movimento de rua, de caráter popular, para por mais combustível na fogueira das críticas ao governo e a políticas que tinham outros alvos de interesse.
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Não foram poucos os que reclamaram dos navios de cruzeiros lotados, das estradas e ruas de nossas cidades cheias de automóveis, dos aeroportos abarrotados de farofeiros, ocupando o lugar antes destinado ao desfile das famílias de bem nascidos e elegantes e mais cultos.
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Chegando a tal situação a divisão de nosso país, é natural que tudo isso fosse explorado pelo marketing das campanhas, mesmo que obrigando um partido, como o PSDB, de tradição social democrata ou centrista, a adotar postura e encampar reivindicações da direita, até mesmo a mais raivosa.
Sobrando ao PT, a opção de se bandear todo para os interesses ditos mais populares, mesmo que sua prática no poder possa revelar que o PT já não seja mais tão vermelho ou popular como o foi em sua origem
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Talvez por isso, vários analistas chegam/têm chegado à conclusão de que os embates tenham se tornado mais duros, mais agressivos. Simplesmente pelo fato de que as distinções entre partidos e candidatos sejam mais oportunistas, de localização temporária no xadrez eleitoral que de fundo. Menos de conteúdo e mais de forma de transformação da discussão em espetáculo.
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Deixei de fora em minha análise a questão da segurança, cada vez mais debatida e usada como principal argumento muitas vezes.
É que a segurança pública não é questão relativa à esfera administrativa da União. Diz respeito mais à questão das instâncias subnacionais, basicamente Estados.
Claro que a União, sendo a cabeça da Federação poderia dar o pontapé inicial em uma discussão que envolvesse a todos os estados, para que problemas fossem debatidos e soluções encontradas. Mas não cabe a essa instância, nem ao presidente da República implantar qualquer ação nesse sentido.
Daí que, a questão da segurança ter ficado de fora, embora seja a preocupação maior de grande parte de nossa população.
***
Mas até nessa questão, devemos encarar que a violência tem agido muito mais discricionariamente, batendo, matando, atacando preferencialmente, jovens, negros, de periferia.
O que ajuda a entender a reação de alguns desses elementos escolhidos para serem vítimas do sistema de repressão policial e sua recusa de desempenharem o papel que lhe foi atribuído nessa representação.
Eles apenas reagem, se mal ou agressiva ou violentamente, eles apenas mostram que nossas mazelas sociais são mais profundas e mantidas sob um disfarce que não pode continuar existindo.
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Bem, que essa divisão que não vai acabar a partir da próxima segunda, dia 27 de outubro, não seja esquecida, encostada em algum canto de nossa vida, para que possa ser brandida dentro de mais quatro anos.
Que possa servir para que o país tenha condições de, vitoriosos e derrotados sentados em torno da mesa de discussão, permitir à sociedade debater os problemas, os interesses, as prováveis soluções ou os pontos de consenso, e de acordo para que possamos construir uma sociedade mais justa e tolerante.
***
Quanto ao debate de hoje, acredito que nada irá servir para alterar o quadro da disputa, com os candidatos, especialmente Dilma, adotando uma postura mais tranquila e propositiva. Para não alimentarem o ódio e rancor e as divisões que, qualquer que seja o eleito, deixarão marcas profundas e devem, ser evitadas, mesmo que reconhecidas.


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Os projetos dos candidatos revelam que a divisão do Brasil não vem dessa eleição. Mas só agora está sendo percebida

No jornal Metro de hoje, duas colunas chamam minha atenção e merecem algum comentário.
A primeira delas, do comentarista político do grupo Band Minas, Carlos Lindenberg que, ao dar sequência à análise dos resultados da última pesquisa Datafolha, que continua repercutindo em toda midia, parece ter de se esforçar muito para não manifestar sua insatisfação com a dianteira assumida por Dilma.
Tanto que, Lindenberg faz questão de realçar o fato de que há um empate técnico entre os dois candidatos, sem em qualquer momento fazer menção a que tal empate se dá no limite do intervalo de tolerância. Ou seja: precisaria de o resultado apontado para Dilma estar 2 pontos errados, para baixo e o de Aécio dois pontos errados para cima.
Considerando tal situação, a pesquisa estaria sendo lida com Aécio "obtendo" 4 pontos a mais, o que é forçar muito a barra, mesmo das estatísticas. Principalmente porque, como esses comentaristas torcedores dizem, a pesquisa não deixa de revelar uma vantagem numérica para Dilma.
***
Mas, parecendo inconformado com a situação, Lindenberg vai trazer números que mostram que Aécio saiu na frente, com vantagem sobre Dilma nas pesquisas de intenção de voto nesse segundo turno, situação que ele explica como sendo consequência da súbita elevação que ele demonstrou no final da primeira parte da campanha, que o levou a derrotar Marina e chegar ao segundo turno.
Para não ser injusto com o comentarista ele comenta que mesmo naquele momento, havia já empate técnico.
E passa a comentar o resultado da segunda avaliação em que, mesmo mantido o empate técnico e perdendo um ponto, Aécio estava na liderança.
Até chegar na terceira pesquisa, em que Dilma ultrapassava Aécio, situação que, ao que aparenta ser para desespero de Lindenberg, parecia que o tucano tinha atingido seu teto.
Por fim, analisa que os pontos que Dilma vem ganhando e que lhe dão o primeiro lugar nas pesquisas, são fruto não de perda de Aécio, mas de redução do nível de indecisos.
Logo, Aécio pode ainda ter êxito em promover alguma ação que consiga capturar o número daqueles que ainda não têm sua decisão firmemente tomada.
Lindenberg parece dizer: Ainda há chances Aécio! Eia, vamos!
***
Calma Lindenberg e outros torcedores, travestidos de comentaristas ou não: a pesquisa verdadeira só será feita no dia 26. Não há motivos, até lá, para medo ou ansiedade.
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Mas, ansioso pelo resultado das novas pesquisas que estão anunciadas para o dia de hoje, o colunista passa a considerar que, seja qual for o eleito, vários problemas esperam e deverão merecer a atenção especial do vitorioso.
O mais grave deles, a questão de apaziguar ou serenar os ânimos de um país completamente cindido ao meio, o que para Lindenberg só poderá obter bom resultado caso seja promovida uma reforma política, capaz de impedir que o estado atual de coisas possa ser mantido.
Pelo que dá a entender, o país não suportaria, sem consequências nefastas, a continuidade de tais divisões.
***
Ao fim, tece comentários sobre o que seriam algumas consequências desastrosas, como a de o nível do debate ter descido tanto, a ponto de os dois candidatos entrarem em uma verdadeira guerra de acusações pessoais, de nível baixíssimo e sem levar em conta as tais propostas de governo - "essas sim, que precisariam de estar sendo apresentadas ao eleitor, para que ele pudesse fazer uma boa escolha", como eles costumam dizer.
***
Em minha opinião, a frase que pus entre aspas revela apenas o fato de que, para esses comentaristas, o povo não sabe acompanhar as ações colocadas em marcha, desenvolvidas pelo atual governo, o que implica na obrigação de fazer propostas, discursos, promessas mesmo que demagógicas, o que beneficiaria muito mais ao menino do Rio e toda sua desfaçatez e jogo de cintura.
Dilma, como todos estão cansados de saber, é ruim de discurso (e até questiono se apenas de palavras ou também de alguma ação).
***
Mas, como nem tudo apresenta apenas um lado, na página seguinte, com muito menos espaço e, indubitavelmente muito mais brilho, o que até torna aceitável o menor espaço, há uma pequena matéria assinada pelo cientista político e professor Fábio Wanderley, da UFMG.
Ali, em poucas linhas, o professor ataca o ponto central de toda a discussão a que temos assistido: há sim dois projetos antagônicos de Brasil em discussão.
Um que favorece os excluídos e menos aquinhoados pela sorte: o projeto de Dilma e seu PT, já suficientemente mostrado ao país nos doze anos de poder do petismo.
Outro, destinado a favorecer as minorias privilegiadas, representado pelo tucano.
***
Com a sua experiência, e ao contrário do jornalista antes citado, Wanderley mostra que não há necessidade de que os candidatos fiquem brandindo papéis, com palavras ociosas, já que toda a sociedade sabe o que move cada  um dos projetos apresentados.
***
Ao final, o que fica para minha reflexão e indagação é como deixamos a situação econômica e social, principalmente essa última, ter chegado a tal ponto de provocar uma tal fratura na nossa sociedade, incapaz de fechar apenas pelo nosso desejo de continuar simulando que vivemos numa sociedade justa, igualitária, democrática e de oportunidade iguais para todos.
Todos nós, que temos um mínimo de bom senso e compreensão, e que não estamos apenas preocupados em correr atrás de nossas vitórias e conquistas pessoais, ou na manutenção das nossas conquistas egoísticas, por mais que tenhamos nos esforçado e dado o melhor de nós para as conseguirmos, sabemos que esse nosso esforço só pode ser coroado de êxito por causa de tantos a que, mesmo sem perceber, fomos explorando e mantendo em situação de degradação.
As oportunidades que nós tivemos e  lhes foram negadas: essa a explicação para que tivéssemos sucesso e vitórias e glórias,
Que se tornam vitórias de Pirro, caso não sejam passíveis de serem compartilhadas, divididas com aqueles que nos cercam. Como tem mostrado as queixas de tantos que se acham possuidores de mais méritos, e que tanto reclamam da violência que não lhes deixa serem o que nunca se preocuparam em ser quando apenas procuravam suas conquistar suas vantagens: seres sociais.
***
Nada como um dia depois do outro.
E uma eleição, para que possamos despertar de nossos sonhos embalados em berço esplêndido, e alicerçados na manjedoura mais simples, em chão de terra, onde nossos irmãos disputam a sobrevivência de maneira mais dolorosa.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

O que foi mesmo o choque de gestão

Cláudio Gontijo, professor da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG, em entrevista que pode ser vista no youtube, no endereço abaixo, analisa o que foi o choque de gestão do governo Aécio.

https://www.youtube.com/watch?v=5exPwKuv3Pg

Aliás como o professor deixa claro logo no início, o programa que consistiu em uma cópia adotada pela equipe técnica do governo de Minas, de plano do Banco Mundial, para ajustar as finanças públicas de Minas para completar ajuste já iniciado no governo Itamar Franco, que antecedeu ao nosso esse que é o mais carioca dos meninos de Minas aproveitando das delícias de nosso litoral.
***
E em que consistiu o tal ajuste? Corte de despesas, principalmente arrocho dos salários de funcionalismo, ou como diz Cláudio, congelamento de salários. Queda de investimentos, principalmente com efeitos desastrosos na segurança pública. Com isso, a taxa de homicídios cresceu exponencialmente, como vem sendo apresentado nos programas e debates da campanha.
***
Cláudio elogia as medidas de simplificação tributária, adotadas pelo governo Aécio. E considera louváveis medidas de melhoria na administração, embora lembrando que apenas davam sequência a ações já iniciadas no governo Itamar.
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No entanto, lembra que a essência do choque de gestão foi um atraso de pagamento no valor de R$ 250 milhões que deveria ter sido feito à Cemig. E nos informa que Aécio recebeu do presidente Lula, mais outros R$230 milhões, destinados à manutenção da rede de estradas federais no nosso Estado.
Diga-se de passagem que esse recurso faz parte do pacote de recursos que FHC recusou-se a mandar para Minas, como punição ao governo Itamar.
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Melhorou também, como o professor nos lembra, a situação do orçamento do Estado, embora no total o déficit piorado algo em torno de 2,5 bilhões de reais.
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Muito interessante ouvir um professor da UFMG tratando desse tipo de questão e tentando esclarecer o público, que vem sendo muito mal-tratado por gente que, mesmo sem entender de assunto algum, se atreve a vir discutir todos os assuntos seja economia, seja questões internacionais, etc.
Dá vontade de rir como pode ter tanta gente disposta a falar bobagem, apenas para confirmar aquilo que já suspeitávamos deles: sua completa falta de informação e de embasamento para tratar do assunto em pauta.
Isso para não falar de sua completa ignorância que é a palavra mais adequada ao caso.
Pior é que, achando-se cientes, deixam de se preocupar em ir ler, buscar informações, aprender. Ou seja, agem como Lula, que tanto gostam de atacar, especialmente por não ter tido interesse em estudar, quando teve a oportunidade.
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No fundo, são apenas pessoas que se consideram de elite, que se acham bem formadas e "de bem".
São pessoas que não conseguem engolir o fato de que, nos governos recentes, houve uma melhoria muito grande das condições de vida das pessoas dos estratos sociais menos privilegiados.
Só para deixar claro: não houve uma distribuição de renda como tradicionalmente se encara um processo desse tipo. Houve sim, melhoria das condições de vida da população antes marginalizada.
E é isso que essa nossa "classe média" não consegue admitir: que os lá do andar de baixo possam ter ajuda para subir alguns degraus ou até andares da nossa escala social.
Triste, tal constatação.
Mas nada diferente do que já ocorreu em outros países, quando políticas inclusivas e de cunho social foram também combatidas e criticadas pelos que se sentiam ameaçados por não poderem manter sua posição relativa superior.
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No fundo, apenas questões ideológicas, que não mereceriam maiores considerações, não fora o fato de algumas das pessoas que as emitem até terem algum conhecimento e merecerem algum respeito por seu comportamento e padrão de conduta.
Mas, como ninguém é perfeito...