terça-feira, 3 de agosto de 2021

Um paralelo de vidas, para concluir que Jair é criminoso, seguido por seres limitados, de inclinações mais perversas

Todo ano produz safras boas e ruins.

Sem aprofundar muito no mérito, o ano de meu nascimento é justamente aquele em que veio ao mundo o presidente do Brasil.

Além da coincidência de termos nascido no mesmo ano, nada mais de comum nos vincula: ele fez carreira militar. Apesar da insistência de meu pai em que fizéssemos o Colégio Militar, pela “qualidade de ensino e, principalmente por ser gratuito”, meu avô materno, que era quem bancava nossos gastos, optou por nos colocar nos melhores colégios de Belo Horizonte, então particulares, embora o Colégio Estadual Central, público, fosse de mesma qualidade.

***

Para os mais novos, vale a explicação: muitos se dirigiam à escola militar pelo mesmo motivo que, nos anos iniciais do século XX, várias famílias optavam por matricular seus filhos em seminários: a gratuidade.

Apenas que no caso dos seminários, destacavam-se mais a qualidade e o rigor do estudo (com latim, filosofia, francês, etc.), razão porquê várias famílias, mesmo abastadas, enviavam seus filhos homens para tal formação.

Exemplo, notável, disso foi o famoso Colégio do Caraça, berço de futuros presidentes da República, políticos respeitados, cientistas de renome.

O Brasil seria um país coalhado de padres, se todos os alunos que formados no Caraça atendessem ao requisito para ali adentrarem:  vocação religiosa.

***

Concluído o atual ensino médio no Colégio Santo Antônio, fui parar na Universidade Pública, e embora reconheça que havia menos méritos que obrigação de passar no vestibular, a contribuição que a formação em instituição pública me proporcionou sempre deve ser ressaltada.

***

Já o presidente, optou em prosseguir na Academia Militar, onde havia a possibilidade de se destacar tanto pelo esforço,  inteligência e brilho, quanto pela disposição física. O presidente mesmo saiu com formação em Educação Física. O dito Cavalão, pelo vigor.

***

De minha formação superior, em Administração, para o mestrado com bolsa e apoio financeiro do governo, até cursar os créditos de doutorado na Universidade de Campinas, sempre fui um defensor intransigível da formação pública, gratuita, igualitária, sem distinções de classe, gênero, cor, etc.

Como forma de agradecer, e por alguma vocação, segui a carreira fundamental e nobre, de servidor público. Paralelamente, buscava transmitir, para outros, os conhecimentos que o ensino público e a vida, me permitiram acumular.

Confesso que o mais importante que tentei transmitir foi a capacidade de duvidar, a curiosidade, a capacidade de ir atrás e buscar conhecer, para formar meu próprio pensamento. Sempre de forma crítica.

***

Já o outro, Jair, virou tenente e, dado seu temperamento falastrão, inconsequente, de quem acredita que não é necessário qualquer elemento de razão para sustentar seus pontos de vista, optou pelo grito, pela fala que à semelhança de uma metralhadora fosse capaz de ser agressiva, grosseira, intimidatória, capaz de destilar ódio, semear discórdia e divisões.

Dada sua limitação mental, adotou como argumento principal o medo, a ameaça, a bravata, às vezes, jocosa.

***

Nessa linha, virou terrorista.

Um tipo de terrorista que não justifica, moralmente, seu comportamento pela luta em defesa de ideiais dignos, como a defesa da democracia, da igualdade de direitos, do respeito às diferenças, da tolerância, das opiniões contrárias.

Seu terrorismo sempre foi fundado no proveito próprio, sem medir as consequências de seus atos: fossem a morte de colegas, de civis inocentes.

Tal comportamento o levou a ser convidado a se retirar do Exército, ganhando ainda uma promoção e uma aura de pretensa liderança entre os colegas. O que vai alicerçar sua carreira política.

***

Medíocre, sustentou-se por mais de 28 anos na carreira política, sempre com a suposta autoridade de capitão militar. Conhecedor apenas do argumento da força, da ameaça, sempre tentou se impor brandindo ameaças, fosse a outros colegas, fosse aos funcionários lotados em seu gabinete, o que lhe valeu a entrada, em tese, para o mundo do crime.

Em minha visão, a extorsão de funcionários não configura ato ilíciito por si só, em especial em se tratando de pessoas de caráter tão rasteiro e tão aproveitadores, quanto o responsável pela extorsão, já que funcionários fantasmas.

Mas a usurpação de verba pública, seu desvio de finalidade, já que voltada a financiar aplicação diversa daquela originalmente de destino, configura, em tese, crime comum. A ser comunicado ao Parquet.

***

Seguindo o paralelo, depois de mais de 45 anos de aulas, virei aposentado.

Ele, com mais êxito, virou presidente de uma república de bananas. Não da fruta, mas de seres que revelam e desnudam o pior que têm dentro de si: o caráter autoritário, o ar de dono das verdades e do direito de definir como todos devem viver, se comportar, andar, falar, agir, amar...

***

Jair não engana ninguém. Nunca enganou. É apenas um nazi-fascista, reconhecido. Autodeclarado. Que defende a tortura. A morte, seja a de seus adversários, seja a de milhares de inocentes, talvez mais de 560 mil, apenas para sustentar suas opiniões e desejos mais inconfessáveis.

***

Jair não é um genocida apenas, embora se classifique assim, pelo que promove em relação aos negros, jovens favelados. Ou o que finge que não vê, mas incentiva, em relaçãó aos índios.

Mas mata grupos de etnias e, abstratamente, mata valores mais elevados, como a cultura, o ambiente. O meio artístico é também uma vítima de sua vocação para a morte.

Jair reveste-se, tão somente das vestes de um assassino, bastando examinar o nome que se dá a quem é responsável por mais de 500 mil mortes. Por ação ou inação,  pouco importa.

Mas se há dúvida em relação ao ato ou à omissão, há certamente algum interesse escuso, de vantagens monetárias pessoais por trás. Vide as vacinas e as negociações, dos rolos do Barros.

Tudo sob as bençãos de Amiltons, Malafaias e Macedos.

***

Pior.

Jair, que nunca foi democrata visa o golpe. Mesmo que seguido de luta fratricida, cruenta, pelas ruas.

Para isso, não se incomoda de apostar mais uma vez na divisão, jogando brasileiros manipulados, embora alguns bem intencionados contra outros, que não aceitam os grilhões do autoritarismo, mesmo que fardado.

Aos brasileiros democratas, autênticos heróis das lutas da construção de nossa sociedade e de nossas raízes, Jair antepõe falácias, mentiras, “fakenews”.

***

Por isso a cobrança das urnas com voto impresso, ditas invioláveis e auditáveis.

Nunca foi por rigor na apuração. Nunca foi para o aperfeiçoamento do processo de sufrágio basilar da democracia participativa.

Nunca foi por denúncias de manipulação. Nunca foi para que as milícias, as quais incorpora, possam ter elementos de pressão e comprovação do comportamento de povos a que submetem sua vontade e sua lei, na ausência da lei maior, do Estado.

***

Tampouco a explicação tenha a ver com a ameaça – mais uma – de não haver eleições no próximo ano. Embora tal versão pode vir a se encaixar, antes, em seus planos.

A questão é depois. Depois da realização da eleição e de sua derrota, cada vez mais o único resultado possível.

O que Jair quer é o povo nas ruas, reclamando de sua derrota. E reagindo com violência, com ataques, com lutas. Com agressões.

Não todo o povo. Basta-lhe apenas a parcela minoritária, mas barulhenta, radical, de ultradireitistas. De cada vez mais recém-descobertos nazifascistas. Desses que vestem camiseta da seleção brasileira de futebol e ganham as ruas, para mostrar o nível que a mediocridade, o ridículo e a falta de ridículo (que alimenta a ‘vergonha alheia’), a podridão revelada por uma vida vivida pelo avesso, podem gerar.

***

Infelizmente, o criminoso Jair não está sozinho.

Faz-se acompanhar de seus milhares de seguidores, crentes, fiéis. Gente que constitui tanta aberração como o seu mito.

Nazistas de inspiração. Seres abjetos alimentados por intenções assassinas.

quinta-feira, 22 de julho de 2021

Combustível adulterado, Guedes perde poder na reforma que joga Bolsonaro nos braços do PP, o partido mais investigado na Lava-Jato

 Finalmente, e de forma definitiva, cai a máscara do político antissistema e anticorrupção, escancarando de vez a face medonha do falso paladino da moralidade.

Como já ocorrera há 30 anos atrás com Collor, o pretenso caçador de marajás, Bolsonaro retorna aos braços do Centrão, local que serve de reservatório ao esgoto não tratado, que sempre lhe serviu de esconderijo e em que ele sempre chafurdou.

***

Apenas assinala-se que tal movimento, impossível de passar despercebido, não deverá provocar reação alguma dos bolsotários - os seguidores fiéis do mito, que tratarão de justificá-lo seja por sua negação (como o fez o general Augusto Heleno, para quem o Centrão não existe mais!); seja pela necessidade de governabilidade de um mandato tão vilipendiado pela mídia, pela intelectualidade, etc.

Claro: ‘Neste caso, a disposição de combater a corrupção irá ser redobrada, ampliando a fiscalização e controle do presidente sobre as práticas políticas’ (como ele fez com Ricardo Salles, com Marcelo Álvaro Antônio ou com Pazuello e a aquisição de vacinas).

***

Em medida desesperada para evitar a abertura de um processo de “impeachment”, Bolsonaro promete (mais) uma minirreforma ministerial, que desloca o general pingue-pongue Luiz Eduardo Ramos da Casa Civil para a Secretaria do Governo.

Bem, há pessoas que nasceram mesmo para serem tratadas como ioiôs e divertirem aos seus proprietários.

***

Para a Casa Civil, a promessa de indicação do senador Ciro Nogueira, presidente do PP – o partido mais investigado pela Operação Lava Jato – aquela do combate ‘fake’ à corrupção e do ‘lawfare’ (da caçada ao troféu Lula).

Ciro, membro da CPI da Covid - onde defende o (des)governo, o terraplanismo e o kit Covid -, se notabilizou por ser autor da descrição mais perfeita de Bolsonaro, em 2017, quando o classificou como fascista.

Se confirmado ministro, mais uma vez confirma a sabedoria popular quando afirma que: “um gambá cheira o outro”.

***

Na dança das cadeiras, dizem que Ônyx pode ser deslocado para um futuro ministério do Trabalho, espaço político menor no então superministério da Economia e, por isso mesmo, já de algum tempo para cá,  destinado a pessoas minúsculas, seja no caráter, seja na formação.

Nesse aspecto, é meu dever ressaltar o gigante que é o deputdado Ônyx, em relação ao servilismo e ao comportamento bajulador.

***

Por fim, a reforma serve para constatar, atingir e desmembrar a super pasta da Economia, entregue ao dito Posto Ipiranga, Paulo Guedes, o combustível mais adulterado ou ‘batizado’ do país.

E é a Guedes que eu gostaria de dedicar mais atenção nesse pitaco.

A Guedes, o economista liberal da Escola de Chicago, que leu Keynes ao menos três vezes no original, e que tem em sua ficha corrida uma passagem (modesta!) como assessor do governo do ditador sanguinário e corrupto do Chile, Pinochet.

Daquele período, apenas destacar que a Reforma da Previdência de perfil liberalóide feita em nosso vizinho, naquela oportunidade, e que servia de inspiração do sinistro para nosso país, foi um retumbante fracasso, criando hordas de idosos miseráveis, a circularem pelas cidades do Chile.

Situação de tanta dramaticidade que obrigou à recriação da Previdência pública por Bachelet, no retorno do Chile à democracia.

***

E se não consigo tratar de Paulo Guedes como tendo um currículo, muito se deve ao fato de ele ser ou ter sido investigado, antes de chegar ao ministério, em processos fraudulentos relativos a prejuízos proporcionados a Fundos de pensão que ele, como homem do mercado financeiro, geria.

Diz Marco Antônio Villa que Guedes é o Pacheco, personagem de Eça de Queiroz. (Não li e vou fazer isso ainda nessa oportunidade). Diz também que sempre foi apenas gestor do mercado financeiro. Se teve lucros, ganhos, benefícios e até algum valor, isso se deve à atividade especulativa, que praticava.

***

Mas, com a  reforma Guedes perde poder – mas não perde nem a vergonha, nem o brio, nem a cara de pau, preferindo permanecer preso ao governo mais que a fruta agarrada ao pé da jabuticaba.

Razões para tanto não faltam ao fundador do Ibmec, membro do Conselho de grupos empresariais com atuação em várias áreas, inclusive de instituições ligadas à ‘educação’ como o grupo HSM, o grupo Ânima, e outros próximos da influência e interesses de sua irmã Elizabeth Guedes, vice-presidente da Associação Nacional de Universidades Privadas – ANUP.

***

Só para refrescar a memória, Guedes é o crítico ferrenho não só da participação marcante do Estado no âmbito econômico, como também do ensino público; dos mecanismos de financiamento de ensino superior, como o Fies; da previdência pública e solidária; dos direitos trabalhistas, entre outras atrocidades, reveladoras de sua verdadeira ojeriza por todos os cidadãos mais fragilizados de nossa sociedade.

Dele, infelizmente, são notórias frases e comentários que mostram o valor que atribui às empregadas domésticas, em sua função essencial para a saudável gestão de grande parte dos lares brasileiros; sua ideia de precarizar os direitos do trabalhador, no afã de reduzir custos trabalhistas e ‘expandir’ empregos.

Como se fosse possível a expansão de empregos em economias onde cada vez mais as máquinas substituem os trabalhadores; nossos trabalhadores não têm acesso à educação de qualidade, cada vez mais necessária em sociedades sofisticadas, onde os processos de produção se especializam na tecnologia do conhecimento.

***

Mais recente agora, afetando seu inimigo de sempre, o trabalhador comum, o cidadão comum, pretende eliminar subsídios concedidos às empresas que atingem a eliminação do vale-refeição, entre mais outros direitos.

Em relação à reforma tributária, já manifestou não ver qualquer problema em aumentar a taxação de livros (hoje, isentos).

Também é dele a pérola de que apenas pela existência do FIES, que ele considera uma aberração, é que o filho do porteiro que zerou a prova do ENEM consegue frequentar uma universidade. Um absurdo, para quem com sua visão de classe é defensor de unhas e dentes da meritocracia.

***

Mostrando toda sua sordidez e seu caráter excludente, de classe, também é dele a ideia de se eliminar o SUS, substituído por vouchers que permitam à população “excluída”, poderem optar por irem se tratar em hospitais como o Albert Einstein.

Falar de Guedes provoca engulhos. Pior é ver suas projeções que deixariam corado o Dr. Pangloss e até mesmo Cândido ou Pollyana.

Por tais projeções, a economia brasileira está crescendo desde 2019 a taxas de PIB chinês; a economia saiu da Covid como em curva de V, provavelmente já alcançando patamares superiores ao de antes da pandemia.  O desemprego caiu, e cai 1 milhão de pessoas a cada quadrimestre. O déficit fiscal foi zerado em 2019, primeiro ano de sua desastrada e inoperante gestão.

O problema maior da economia e da sociedade brasileira é o grande número de idosos e aposentados que, sem qualquer espírito de cooperação pública e solidariedade social, insistem em viver cada vez mais, quem sabe até os 120 anos.

E, por fim,  e para mim a última desfaçatez desse pulha, uma população que só sabe reclamar e reivindicar, sem qualquer motivo. Afinal, segundo consta, é dele o tuíte com a frase: “Por que reclamam do preço do gás se não têm dinheiro para comprar comida?”

***

Paulo Guedes, o Posto Ipiranga, o COMBUSTÍVEL ADULTERADO, ex-homem forte do desgoverno, merece ao menos uma referência positiva por um acerto: é dele a afirmação de que “se fizer muita besteira, o dólar pode ir a R$ 5”.

Autocrítico: o dólar chegou lá e de lá dificilmente irá cair.

terça-feira, 29 de junho de 2021

O governo se suja de Barros, junto a ministros, familícia, ausência de atitudes, amigos bandidos e bandidos pets. Para cada um, um bandido de estimação

Não sou uma pessoa medrosa. No entanto, tenho medos, alguns até exagerados, como o de altura.

Sempre tenho a impressão, sei lá porque, de que o chão lá embaixo está com o dedo me chamando, me atraindo. Grande parte das vezes, fico com minhas mãos molhadas de um suor inoportuno. Por isso, prudentemente evito beiradas de sacadas, varandas, janelas.

Mas não evito andares elevados. Já andei muito de ultra-leve, não tenho medo de avião, e desci escorregando de toboáguas insanos. (Eu insano. Não o brinquedo!). Também já passei pela experiência de circular por montanhas russas (de porte médio, sem looping).

No caso da montanha russa, não saí de lá com uma sensação boa.

***

E se inicio este pitaco com meus temores é que, cada vez mais, me assalta a ideia de que nosso país está vivendo uma situação de autêntica montanha russa. Pior: sem qualquer equipamento de segurança.

O que justifica a dificuldade de manter os pitacos com uma periodicidade mínima razoável.

***

Afinal, as coisas estão acontecendo, ou melhor, se desconstruindo de forma avassaladora. Aos trambolhões. Como que em um turbilhão.

O que tem me deixado espantado, mas satisfeito. Porque a desconstrução que era a estratégia de ação política do desgoverno de nosso país, atingindo instituições, valores, relações sociais, e colocando em risco o Estado de direito, a Democracia e a Paz Social, alcança -  e já não era sem tempo! - ao próprio governo.

Governo que vê suas entranhas putrefatas corroídas, expostas em praça pública, para que toda a naçao possa perceber aquilo que ele é. O que sempre foi: antro de corrupção. Governo de milicianos corruptos, protegidos por uma espécie de farda ou manto de honradez.

***

Então, cada vez que eu preparava meu pitaco, e antes de postá-lo, a realidade já era outra, talvez paralela, e o pitaco já estava desatualizado. Atropelado por fatos novos e mais dignos de atenção, que surgiam de forma avassaladora.

***

Foi assim com a questão da CPI e suas várias e acertadas inflexões: i) do atraso criminoso, face à falta de vontade política para a negociação e compra de vacinas pelo governo para,  ii) a discussão do kit de tratamento precoce, com substâncias “off label” e “off the rails”. Ou, iii) a formação de um gabinete paralelo, de aconselhamento ao responsável pela mortandade a que o país foi condenado. Em outras palavras, a tentativa em identificar os cúmplices do genocida no comando.

***

Naquela oportunidade, gostaria de ter manifestado minha impressão de que a investigação do tal gabinete paralelo, e dos médicos citados como seus integrantes, não levaria a lugar algum. Não apenas pela regular e constante -  E PREVISÍVEL –  postura negacionista adotada pelos depoentes. Mas pelo equívoco em que a CPI incorria, em minha visão.

É que a negação de existência de um gabinete paralelo não representava,  necessariamente, MAIS uma mentira. Necessariamente não era fake.

***

Como o que veio a público foi um vídeo de uma reunião, no Palácio, do irresponsável pelo desgoverno de nosso país com alguns dos médicos defensores das teses ‘terraplanistas’ do tratamento precoce, não vejo como condenar aos conselheiros, mesmo que errados, por decisões tomadas por outra pessoa.   

Isso não significa que a expressão gabinete paralelo fosse uma criação ou invenção da CPI. Nunca podemos deixar cair no esquecimento que a ideia de formação de um “shadow cabinet” ou gabinete sombra ou ainda gabinete paralelo apresentada verbalmente pelo médico virologista Paolo Zanotto, advogado da opção pela linha anticientífica.

***

Mas, se houve a reunião, se médicos recomendavam tratamentos ineficazes, se foi formado um grupo consultivo ou não, gostaria de fazer duas reflexões.

A primeira, relativa às consequências desse gabinete junto ao vassalo que ocupava o ministro da Saúde e sua equipe, inteiramente desprestigiados, tratados como o descarte de lixo na mesa de baralho.

A segunda, ligada a uma questão que considero mais delicada, já que não considero ser um ato criminoso, nem criticável, que alguém, obrigado a tomar decisões em assuntos que não domina, queira ouvir opiniões – às vezes até antagônicas- para formar seu juízo.

***

Assim ainda que tal gabinete existisse e suas propostas fossem completamente equivocadas, como provaram ser, não acho que quem o integrava devesse ser acusado, ou condenado pela mera expressão de suas crenças.

Se tais pessoas merecem alguma punição, essa deve ser adotada pelos órgãos e conselhos de classe a que pertencem, com base nos códigos de conduta profissionais a que tais profissionais estão sujeitos.

***

De mais a mais, se o responsável pelo des- governo adotou as propostas sugeridas, mesmo falhas, e insistiu teimosamente em sua defesa, ele é o responsável exclusivo, único, do resultado e pela mortandade atingidos. Ou seja: se há alguém a se imputar o crime pelas mortes evitáveis, esse é o ocupante do poder executivo. Apenas ele.

***

Afinal, quantos de nós já não fomos aconselhados por amigos a assumirmos a direção de um carro mesmo depois de comemorações com drinks e bebedeiras?  Quantos de nós já não ouvimos sugestões para a adoção de comportamentos ilegais, imorais, de mau gosto? Quantos fomos aconselhados a adotar alguma decisão, como a de abandonar um emprego, nos endividarmos além de nossas possibilidades, de não pagarmos uma fatura, ou até de, ao invés de conversar, dar um jeito de entrar na justiça, fazendo litigância de má-fé?

Importa frisar: independente dos maus conselhos, não é o fato de recebermos orientações equivocadas que nos levam a agir. Ao contrário, nossas ações se dão sob a inspiração de nossos princípios, nossas crenças, ou de nossa avaliação dos riscos e potenciais consequências e penalidades.

***

Logo, o mesmo deve valer para aquele cujas decisões causaram a morte de mais de 510 mil brasileiros. É este irresponsável, por omissão ou dolo, que deve ser responsabilizado por toda nossa tragédia.

***

Mas, em mais uma das reviravoltas inesperadas da montanha russa a que estamos submetidos, surge agora uma denúncia séria de corrupção, feita por um deputado da base governista e ao que parece integrante do grupo de pessoas do círculo mais íntimo ao presidente, o deputado Luis Miranda. E, de repente, o governo se vê apanhado em um verdadeiro looping.

Que o deputado seja íntimo do presidente fica claro não só por ter tido acesso ao gabinete oficial, levando de carona o seu irmão. Em especial, a questão é que o presidente não se viu acanhado ou constrangido em fazer comentários desabonadores de figuras de elevada posição em seu governo. Observo que o presidente não falava de um inimigo político, mas o acusado de estar cometendo mais uma merda, era ninguém menos que seu líder, o seu representante maior junto ao Legislativo.

***

E, informado do ato suspeito, o que fez o criminoso instalado no Planalto? Nada, exceto prevaricar, em mais um crime para constar em sua ficha corrida.

Isso, se não vislumbrou ali uma janela de oportunidade para que um filho seu se aproximasse e se envolvesse com alguns dos suspeitos de participação na ação espúria.

***

Se Ricardo Barros se envolveu em falcatruas com a Precisa (a sucessora da Global) e seus dirigentes; se agiu para liberar vacinas sem aprovação da Anvisa, a preços majorados e em condições atípicas, completamente esdrúxulas; se quis se beneficiar deste trambique, além de outros, com testes, etc. foi o senador Flávio Bolsonaro quem acompanhou, “como qualquer parlamentar o faria”, o presidente das empresas suspeitas ao BNDES, para tratar de questões financeiras.

***

Vale destacar aqui é que a suspeição quanto ao contrato de compra desta vacina não atinge à metade do valor do contrato de aquisição de equipamentos de informática (computadores, laptops) para distribuição a escolas do país, patrocinada pelo FNDE, operação com irregularidades identificadas, denunciadas e, finalmente suspensa pela AGU, fato que Elio Gaspari não se cansa de registrar em sua coluna na Folha de São Paulo.

***

De igual forma, é importante lembrar que Marcelo Álvaro Antônio, Ministro do Turismo do  governo Bolsonaro pelo período de dois anos, foi denunciado pelo Ministério Público de Minas Gerais por vários crimes (falsidade ideológica, associação criminosa e apropriação indébita),  sem qualquer reação por parte do presidente.

Ao contrário, sua exoneração do cargo só ocorreu em consequência de o ministro ter publicado críticas duras ao ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos e à articulação política do governo.

***

Destaca-se também a presença de Ricardo Salles no Ministério do Meio Ambiente, condenado por crime de improbidade administrativa, em primeira instância, sentença revertida dois anos depois pela segunda instância; além de suspeito de crimes ambientais e investigado pela PF.

***

Ou seja, o que não dá mais para esconder é que o governo Bolsonaro está repleto de ações e pessoas suspeitas, tanto entre seus auxiliares, quanto entre seus familiares (vide as ligações com milicianos no Rio, as rachadinhas de Flávio ou de Carluxo, ou os cheques de Queiroz para Michelle).

E que a opção pela inação alimenta uma suspeita ainda maior sobre o comportamento (ou a falta dele) por parte do presidente eleito sob a bandeira ilusória do combate à corrupção.

***

Resta apenas perguntar: identificado que o presidente não tem apenas um, mas vários bandidos de estimação, dos quais se torna cúmplice por omissão, o que dizer de seus eleitores, em especial daqueles que alegam não ter bandido pet?

 

quarta-feira, 9 de junho de 2021

Pitacos autônomos divagando sobre a autonomia de Queiroga, Pazuello, Luana, Tite, seleção...

 Conforme os dicionários, autonomia significa a capacidade de gerir a própria vida, ou autogovernar-se, seguindo sua própria vontade e usando seus próprios meios e princípios.

Do ponto de vista filosófico, é a capacidade de agir com liberdade moral e intelectual, tomar decisões como sujeito consciente de seus direitos e deveres em sociedade.

***

Sob esse prisma, o que falar do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, em seu segundo depoimento à CPI da Covid? Como avaliar sua presença e declarações em contraposição ao comportamento do ex-ministro, o dissimulado, covarde e indigno general Pazuello? Ou em comparação à presença, na semana anterior, da médica Luana Araújo?

***

A princípio, apenas admitir que todos eles atendem ao significado constante nos dicionários, sendo plenamente capazes de gerirem suas vidas. Todos agem por vontade própria, conforme seus princípios, desejos, recursos.

Assim o general, sem qualquer conhecimento, preparo ou competência técnica ou moral para ocupar o cargo de ministro para o qual foi nomeado, durante toda sua gestão apenas conseguiu demonstrar toda sua sordidez.

Ávido em se manter ocupando uma posição proeminente, capaz de lhe facilitar o acesso a aventuras futuras no âmbito político optou, sem desfaçatez e de forma consciente, em prestar sinais de vassalagem explícita: caso invulgar de um general que serve de pilar para as sandices de um capitão.

***

“É simples assim: um manda e outro obedece”, frase lapidar e digna de qualquer rato de esgoto, pode ser visualizada no link abaixo, do youtube: https://www.youtube.com/watch?v=NRLwxzs219Y para não cair jamais no esquecimento.

***

Ocorre que, o que considero um comportamento subalterno, subserviente, pode ser a atitude que irá tornar o general credor da gratidão eterna do capitão genocida, a ponto de permitir que atos de transgressão disciplinar ao Regimento do Exército se transformem apenas em mais um drible, um lance de Mané Garrincha, transformando o generalato do Alto Comando e o povo brasileiro, apenas mais um joão.

***

Pazuello tinha autonomia, embora do ponto de vista filosófico, adota comportamento típico das serpentes rastejantes, incapaz de agir com liberdade moral para tomar decisões como um sujeito consciente de seus direitos e deveres em e com a sociedade.

***

Envergonhando o Exército, essa instituição que muito pouco tem em sua história de que se orgulhar (vide todo o golpismo praticado em todo o século passado e a lista de atos de desrespeito aos mais triviais direitos humanos!), Pazuello se desvencilha de uma punição merecida.
E merecida não por ter participado de passeio motociclístico, com esportistas radicais, e ter subido em carro de som atendendo a chamado de um superior hierárquico.

Mas por ter aproveitado aquele momento para discursar o mais patético discurso de puxa-saquismo ao PR, a que ficou bajulando.

***

Já a médica Luana é o típico caso de bolsominion arrependida.

Dotada de personalidade forte e grande vontade de se destacar, a mulher de sete instrumentos e cantora de um único disco, na falta de convite para participar de algum ‘reality show’ de celebridades ou subs, viu cair como uma luva o convite para ocupar secretaria encarregada de combater a pandemia.

***

Competência técnica, conhecimento científico especializado, fluência verbal e capacidade de leitura e atualização não podem lhe ser negados.

O que permitiu que dominasse completamente o ambiente da CPI, dando um autêntico show de conhecimento e altivez. O que permitiu a imediata identificação das razões porque, embora indicada, não teve seu nome referendado para ocupar o cargo.

***

Se se sentiu desprezada por sua antiga turma, não passou recibo ou apelou para demonstrações agressivas. No máximo, apontou de forma destacada sua discordância em relação à visão plana da terra, ou com a borda de que pretendiam se atirar em aventuras golpistas futuras.

***

Faça-se justiça à médica Luana, cujo comportamento foi, o tempo todo, de quem tem autonomia, salvo quando de sua preocupação em tirar a responsabilidade de sua lamentável experiência de seu parceiro, dr. Queiroga.

***

Comportamento que Marcelo Queiroga não foi capaz de adotar, ao criticar a sua indicada de forma subreptícia, dissimulada, fosse quando deu a entender que ela era dotada de uma personalidade muito estelar (ou solar), fosse quando deixou no ar o fato de a médica ser muito individualista ao ponto de ser desagregadora ou não conseguir trabalhar em equipe.  

Caraterísticas, afinal, de uma pessoa que se considera a ‘última bolacha do pacote’ ou muito superior aos demais colegas.

***

Nesse sentido, há de convir, não há comparação possível a ser feita entre a Dra. Luana, a Dra. Nise ou Mayra Pinheiro.

Dra. Luana, ao menos mostrou a hombridade que, equivocada, alegou ter identificado no ministro. E, sem dúvida, mostrou autonomia no conceito filosófico do termo.

***

Já o Dr. Marcelo Queiroga também mostrou ser também subserviente, mas não por sua participação ontem ou na primeira vez que esteve prestando informações à CPI.

No caso do ministro atual, até pior: se em sua primeira participação se mostrou mais evasivo, desta vez mostrou comportamento mais submisso.

Ah! sim. Teve de adotar uma posição pessoal, agora contrária ao uso da cloroquina. Mas, nem em relação a esse tema, foi firme.

***

Se a cloroquina e os medicamentos do tratamento precoce não têm eficácia comprovada, isso não significa que são ineficazes, quem sabe algum estudo futuro seja capaz de....

De mais a mais, a recomendação do uso do kit covid, incluindo a indicação de dosagem de medicamentos, não será retirada do site do Ministério, nem mesmo, como o ministro alegou, deslocada para uma parte dedicada a história do ministério e da pandemia.

***

Queiroga tem autonomia. Mas no sentido daquela detida por Pazuello, alheia ao do conceito filosófico da palavra.

E antes que me esqueça, há uma enorme distância entre ambos os personagens: Queiroga não consegue ser tão abjeto e rasteiro quanto o militar, agora estrategista.

***

E nem precisava de tanta perda de tempo elaborando perguntas para o ministro atual.

Bastava lembrar de sua fala a respeito de política pública de saúde, quando chegava para encontro com Pazuello, antes mesmo de ser formalmente nomeado ministro, que pode ser vista no link:

 https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/03/16/queiroga-diz-que-politica-e-do-governo-bolsonaro-ministro-executa

Para ele, a política é do governo. Ministro da saúde (em minúsculas mesmo) é apenas executor.

***

Quem se colocou, desde logo, como mero serviçal foi o próprio Queiroga. Querer que ele oriente, critique, ou seja, exerça o papel técnico que, em tese, o fez ser nomeado, é querer demais.

Quem nasceu para centavo, nunca chega a real.

***

Quanto à seleção, aos jogadores e seu movimento contra a realização da Copa América, e em relação a Tite, não dá para esperar nada diferente.

Não apenas porque no meio dos jogadores há pessoas de todas as correntes ideológicas ou de pensamento, o que é direito delas, como por medo de punições que a máquina de fazer dinheiro a partir desse esporte consegue movimentar. O que pode custar muito caro a todo o grupo.

É isso.

quinta-feira, 27 de maio de 2021

O círculo de ódio: reflexões sobre movimentos extremistas da (ultra)direita e da manipulação das fraquezas de seus apoiadores

Este pitaco é para tratar do Brasil. Esse Brasil tão bem descrito na coluna de Sérgio Rodrigues, na edição impressa da Folha de hoje, como um país dividido, de forma maniqueísta em Brasil A e B, respectivamente o país das forças pró-vida e pró-morte. De forma tão simplesmente binária quanto organizada e oposta.

E, no entanto, é tudo um país único: Brasil. Brasil A.D ou D.D., antes ou depois da destruição.

***

Mas, começo por registrar um evento ao qual ainda não fiz referência e que, de forma inequívoca, causou uma profunda cicatriz em minha forma de refletir nosso país e o mundo.

Trata-se da exclusão da deputada Liz Cheney,  filha do ex-vice presidente republicano Dick Cheney, da cúpula de líderes (ela ocupava um dos três cargos mais importantes) daquela bancada.

Pelas notícias e análises veiculadas, a deputada foi ferrenha advogada do impeachment do presidente derrotado Trump, após a invasão, por ele incentivada, ao Capitólio.

***

Curioso é o fato de a deputada adotar comportamento neocon, ou seja, de cunho conservador, considerado à direita do partido dos vermelhos (os republicanos, o que mostra que a cor, em si, não pode ser responsabilizada por qualquer posicionamento político!). 

Isso antes da eleição de um populista da direita ultra-radical, que exigiu a destituição da deputada da liderança: Donald Trump.

***

Levando em conta o histórico de fanfarrão de Trump, mais preocupado com o mundo das celebridades, mesmo que em níveis mais rasteiros do ponto de vista cultural, confesso ter sérias dúvidas quanto ao posicionamento político que imputam a Trump, de direitista extremado.

Ao contrário, minha opinião é que, atraído pelos holofotes proporcionados pelo cargo, e em função de seu desmesurado ego, Trump era o idiota ou o fantoche mais adequado para se envolver em uma luta, a princípio vista como derrotada, dentro de seu próprio partido.

***

Por trás de Trump, as ligações espúrias, nefastas, dos irmãos Koch com Steve Bannon, o ideológo e responsável pela eleição do fanfarrão.

Creio que, ao longo de seu mandato, as ações de Trump foram, na maior parte das vezes, orientadas pela troica, ao menos até a morte de David Koch, em 2019.

Mas, é indiscutível que Trump conquistou, contra a maioria das apostas, não apenas a indicação de seu partido para a corrida eleitoral à presidência, como foi eleito, com manipulações ou não.

Claro, para tanto, muito contribuiu o movimento do Tea Party, já bastante robusto, desde a indicação de Sarah Palin como candidata a vice de John McCain, em 2008 (ou desde antes, das obras de Ayn Rand).

***

Voltemos ao nosso país. Aqui, como na matriz, o miliciano genocida que ocupa a presidência da República sempre foi um boquirroto, um fanfarrão, capaz de abrir a boca para manifestações completamente toscas, abjetas, baixas, grosseiras.

Um idiota que se gabava de nunca ter feito nada na vida, de relevante, exceto ameaças, a maior parte das vezes, infundadas por delirantes ou espetaculosas.

Desde a ameaça terrorista de instalar artefatos explosivos na cidade do Rio de Janeiro, quando militar, até depois de sua expulsão por meio do “convite para se retirar”,  na carreira de representante do povo.

***

Como deputado, sua folha corrida é como o grau de sua inteligência: nula.

Mas, se apresenta sinais de deficiência cognitiva e de intelecto, o deputado miliciano sabia como se comportar para, no esgoto e nas sombras, ganhar apoio, fazer fortuna e apropriar-se de dinheiro dos outros em favor próprio, seja por meio de contratações de funcionários fantasmas, seja por rachadinhas.

Esperto, logo encaminhou os filhos para, sob a governança de Queiroz, reproduzirem a apropriação indébita de recursos privados ou públicos.

***

Além disso, é inegável sua vaidade, típica da personalidade de portadores de psicopatias ou sociopatias graves.

E o indivíduo com tal perfil foi escolhido, assim como Trump, para servir de invólucro para as ideias de um astrólogo com pretensões a filósofo mor e guru político, como Olavo de Carvalho. Personagem que mantém vínculos de amizade com Steve Bannon e Dugin.

***

Surge aqui um terceiro nome, Aleksandr Dugin, referenciado como o guru de Putin.

A ligar os três gurus, uma visão baseada no tradicionalismo com base em trabalhos de filósofos tidos como esotéricos, como René Guénon e o italiano Julius Évola.

Em sua leitura dos filósofos responsáveis por estruturar o tradicionalismo, pontos em comum, como um olhar crítico à idade moderna, de que desdenham. Para eles, a queda de valores e símbolos da espiritualidade, o predomínio do raciocínio científico e da razão sobre os valores religiosos, o materialismo e a organização da vida social em organizações supranacionais, globalistas, são males que devem ser combatidos e destruídos, pela capacidade de tais valores estabelecerem comportamentos sociais comuns ou comunistas!!

***

Sob tal ideia de manutenção do status quo, ou até da volta no tempo, para a época de sociedades de castas e direitos não reconhecidos para todos, sua linha de ação se baseia em negacionismo, construção de realidades paralelas, mentiras ou “fake news”, ou uma “fake reality”.

Para tocar tal disparate em frente, e transformá-lo em diretrizes de políticas públicas, só pessoas inteiramente ocas de conteúdo, conhecimento, ou discernimento.

Aqueles por quem sentimos vergonha alheia, já que incapazes, de se envergonharem por si mesmos.

***

O que me causa estranheza é que tais políticos eleitos não representam apenas uma embalagem espalhafatosa para  ideias esotéricas. Eles têm seguidores. Logo, representam uma camada de indivíduos que, para mim, representam o pior dos seres vivos a habitarem o esgoto da sociedade humana.

Pessoas que, provavelmente, nem mesmo tinham consciência de toda a podridão que continham e vieram cultivando ao longo de uma vida, provavelmente de frustrações e incapacidade de lidarem com dificuldades, adversidades. Sempre desenvolvendo teorias conspiratórias centradas em inimigos que lhes roubaram o que era seu por direito (divino?).

Indivíduos limitados, medíocres, incapazes de extraírem lições das derrotas e de se tornarem vitoriosos.

***

Daí, ausentes de valores mais dignos, passam a pregar e destilar ódio; discursos de negação da vida, do direito à diversidade, de proteção aos mais desvalidos e mais fracos; de desrespeito ao meio ambiente, à mãe Gaia, templo de toda a vida.

***

Claro, aí no meio, alguns distraídos, cada vez mais arrependidos de terem tomado a embarcação que lhes vendeu o sonho utópico da viagem mais mirabolante. Alguns, como parte dos eleitores de Trump, incompetentes para lidarem com as mudanças de que se tornaram vítimas, que lhes roubaram o emprego, a renda, a vida digna.

O que lhes acarreta um problema sério, em uma sociedade em que pessoas sempre foram classificadas como vencedores ou perdedores (losers).

***

Em um ambiente em que se vende a ilusão da concorrência entre iguais, livres, em igualdade de condições, perdedores criam a visão mais trágica de si mesmo, perdendo o auto-respeito e o amor próprio. Tornam-se, aos seus próprios olhos, uns párias. Dispostos a tudo.

Aqui a influência de personagens como os irmãos Koch, ou os magnatas do capital financeiro, os plutocratas que não se preocupam com a  utilização de dinheiro para a produção ou a geração de emprego e renda. Preocupam-se apenas em atividades especulativas, rent seeking.

***

Ninguém fala ou expõe a realidade nua e crua: a concorrência não é livre nem todos têm as mesmas armas e condições. A meritocracia é apenas uma falácia.

***

Se existem esses perdedores, ludibriados em sua fé no mercado e nas condições (falsas) de livre concorrência dos mercados, não devemos nos esquecer que, mais cedo ou mais tarde, o conhecimento das verdadeiras condições acaba por se impor. O que cria as condições favoráveis para o arrependimento.

***

Pior são os que não nutrem essa visão idílica da sociedade em que vivemos. Os ratos de esgoto que, com o advento da internet e das redes sociais apropriaram-se do espaço novo, para destilarem suas ignomínias.

quinta-feira, 13 de maio de 2021

Pitacos vários, refletindo sobre a cloroquina; os decretos e as bravatas do Senhor da Morte; e a importância da Amazônia para a sobrevivência do Exército

 Já tive a oportunidade de me manifestar antes, mas não custa repetir a minha opinião: Bolsonaro é apenas um covarde.

Característica que, conforme os recentes casos noticiados e fartamente documentados, parece  um padrão de conduta típico, forjado nas escolas e academias militares ou no convívio na tropa.

Tal juízo se confirma pela observação do comportamento do ministro general Luiz Eduardo Ramos, da Casa Civil, e sua decisão de se esconder para tomar a vacina contra a Covid; ou do general Pazuello, ex-ministro da Saúde, em sua covardia ridícula no atendimento à convocação para testemunhar na CPI da Covid, do Senado; ou o comportamento omisso do general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, salientado em reportagem de março último da IstoÉ; e até mesmo do general Mourão, sempre solícito em expor suas opiniões discordantes aos jornalistas, embora preferindo se resguardar de apresentá-las diretamente ao presidente.

***

Admitida a covardia ostensiva de Bolsonaro, há que se analisar seu discurso não como um conjunto de desculpas esfarrapadas e vadias. Há que se buscar, em suas falas, mesmo que desconexas, algum motivo recôndito. Motivo das reflexões deste pitaco.

Assim, por mais que não concordemos com a racionalidade (se alguma!) de seu comportamento, uma reflexão talvez permitisse lançar alguma luz sobre o caos de seu mandato.

***

Nesse sentido, por mais que já tenha sido exposta a lógica de sustentação da sua defesa da cloroquina e outros medicamentos ineficazes, é importante destacar que a hipótese aqui  sustentada é a de que tal defesa, longe de estar ligada a questões médicas, farmacêuticas ou de saúde, tem a ver com a Economia.

***

Em várias ocasiões Bolsonaro teve a oportunidade de manifestar sua preocupação com os rumos da economia, em especial com a taxa de crescimento do país e com a decorrente redução das taxas de desemprego. Ou vice-versa.

Nunca é demais lembrar que o inimigo com que se confronta, o oponente privilegiado que o capitão elegeu como alvo a ser batido, e até condenado ao esquecimento, não é outro senão o presidente Lula, que no último ano de seu mandato entregou uma taxa de crescimento de 7,5% do PIB.

***

Daí seu temor e suas críticas à adoção das medidas recomendadas pela ciência, de restrição ou isolamento social, expressos desde o início da pandemia na afirmação de que  “ Se a economia afundar, acaba o governo...” .

Também não é demais lembrar que seu ídolo, Trump, apresentava números de desempenho econômico em seu país,  que Bolsonaro sonhava atingir. Isso, antes da chegada da Covid.

***

E pouco importa que ele tivesse acreditado no discurso estapafúrdio e destrutivo de Paulo Guedes, indicando-o para o Ministério da Economia e para o papel de principal conselheiro.

Guedes não entregou nenhum resultado positivo prometido no primeiro ano de governo. O que não impediu de continuar angariando o apoio dos setores empresariais de nossa elite putrefata, espoliadora e especulativa, acrescida de uma rara capacidade de adotar um comportamento de puxa-saco. Além de seguir o perfil do chefe: negando em um dia a afirmação mais descabida que havia feito no dia anterior.

***

Bolsonaro percebeu que não conseguiria levar a economia a um comportamento minimamente esperado, seja por culpa de Guedes e pelas políticas ou não-políticas adotadas; seja em razão da chegada da pandemia. Daí seu apego à cloroquina.

***

Não que fosse sua intenção promover uma mortandade recorde da população do país (mesmo que intuísse que as vidas ceifadas seriam as da população mais pobre, mais necessitada e, em sua visão, menos merecedora de sua atenção e cuidados); nem que perseguisse a chamada imunidade de rebanho, conceito cujo significado tenho dúvidas que fosse capaz de enteder.

Não se tratava de saúde pública, mas de procurar estimular e levar a população às ruas em busca de emprego, com a ajuda do desmonte que Guedes arquitetara em relação às relações de trabalho, cada vez mais precarizadas e à retirada de direitos trabalhistas históricos.

***

O que revela que, mesmo tendo afirmado ter lido a obra de Keynes, na língua original, Guedes foi incapaz de entender que o comportamento do nível de emprego não depende da disposição do trabalhador, senão que do estado de expectativas e das decisões do empresário,  dono dos meios de produção.

Comprando a ilusão vendida pelo bufão Guedes, e em busca da expansão do nível de atividade econômica, Bolsonaro parece ter visto na cloroquina o passaporte, ou o seguro para que o trabalhador pudesse se dirigir ao seu local de trabalho dando curso à produção.

Dessa forma, a cloroquina reduziria o medo de o trabalhador se infectar ou transformaria a infecção em algo banal, sem gravidade (“uma gripezinha”!).

***

Por isso o desespero do ex-capitão quando o desenvolvimento de estudos médicos começou a demonstrar tanto a ineficácia da cloroquina no tratamento da pandemia, quanto os seus efeitos colaterais potencialmente letais.

Voltar atrás na recomendação do remédio significaria não apenas admitir seu erro, mas aceitar ficar a reboque de governadores e prefeitos, que ele encarava como potenciais concorrentes ao Planalto, na adoção das medidas sanitárias que ele tanto criticara.

Além disso, tal retrocesso poderia ser interpretado como a admissão de sua responsabilidade em relação a algumas das mortes ocorridas.

Talvez essa seja a razão de optar por partir para o tudo ou nada, aprofundando sua aposta, mantendo e intensificando o  comportamento omisso e irresponsável adotado desde o início da crise sanitária.

***

Quanto à reiteração das bravatas de que teria pronto um decreto visando impedir as medidas de isolamento social decididas por prefeitos e governadores, à essa altura, quando a vacinação avança mesmo a passos lentos no território nacional, minha opinião é de que servem a outro propósito.

Acredito até que acabará emitinto o decreto, assim que os índices de vacinação em relação à população forem maiores, e os valores de contágio e óbitos estiverem em níveis tão reduzidos quanto aqueles de ocupação da capacidade dos serviços hospitalares.

***

Nesse caso, e com a crise sob maior controle, o ex-capitão poderá tentar uma jogada para ser lembrado como o responsável por medidas que permitirão a tão necessária retomada da economia, como ele sempre pregou. Sem consequências maiores e mais graves para o povo.  

A ideia seria, então, procurar ser lembrado como a última referência na defesa dos interesses dos trabalhadores, para aproveitar-se da memória curta do eleitorado.

***

Embora não vinculada imediatamente ao senhor da morte, outra questão que acho interessante discutir nesse pitaco  diz respeito à visão dos nossos militares (o que inclui o capitão) em relação à Amazônia.

É corrente a opinião de que os militares têm, a respeito daquela região, uma visão ultrapassada, anacrônica, de defesa das riquezas do território nacional e de nossa soberania. Sob essa ótica, os militares serviriam para impedir que forças militares estrangeiras promovessem uma invasão, com possível domínio e anexação daquelas terras aos seus países e interesses.

***

Tal crença seria cômica, especialmente quando se sabe que, aos militares e ao governo atual, pouco importa que houvesse a exploração econômica das terras amazônicas e suas riquezas por empresas de capital e interesses estrangeiros.

O ponto focal é que houvesse a exploração econômica do bioma, que deixaria de ser tratado como um santuário, passando a gerar algum tipo de renda para o país ou grupos nacionais associados.

***

Se a questão da exploração nacional versus estrangeira é uma falsa questão, qual o verdadeiro interesse dos militares na Amazônia?

A hipótese que apresento é a de que a soberania é mera cortina de fumaça, artifício para justificar o discurso da necessidade da presença das Forças Armadas no local. E justificar a existência e custeio de uma instituição como o Exército nacional, sem qualquer outra função aceitável e crível, em benefício do Estado e do povo brasileiro.  

terça-feira, 11 de maio de 2021

Nossa índole acovardada e a covardia de quem apenas ladra e ameaça. E o desejo de morte que ronda Bolsonaro desde os planos de explodir quartéis

Maio. Mês tradicionalmente dedicado às mães, essas guerreiras e... antigamente, até às noivas.

Diz a lenda, por ser o início do período de clima mais quente na Europa, o que facilitava a higienização necessária aos noivos.

***
No Brasil da pandemia de 2021, mês de sequência de perdas, de mortes, embora em ritmo menos intenso que o da avassaladora mortalidade do mês de abril, como se a natureza estivesse nos dando um descanso, reunindo e reagrupando suas distintas forças, na definição e planejamento de novo e arrasador ataque.

Que os médicos e entendidos da área temem seja com o potencial devastador de um tsunami.

***

Isso, apesar da quantidade de vacinas com que a ciência nos brindou, de forma e em tempo recorde. E das campanhas de imunização a que assistimos, com uma ponta de inveja, se espalharem pelos mundo.

No Brasil, reconhecidamente capaz de promover campanhas de vacinação em massa, exemplo de sistema de saúde pública para outros povos, a vacinação não avança: caminha a passos lentos.

Por falta de vacinas, não negociadas e não adquiridas de forma tempestiva por um governo que privilegia a morte. Um governo que opta por tratamentos de curandeirismo, charlatanismo, garrafadas e raízes, e remédios sem qualquer eficácia científica.

***

Um governo que opta por acusar, irresponsavelmente, o maior senão exclusivo fornecedor dos insumos necessários para a produção e o envase das vacinas – Coronavac ou Astrazeneca – à disposição da sociedade brasileira.

O que leva, para agravar nossa situação, à interrupção da vacinação iniciada de forma precária, agravando o que já era um caos.

***

De resultado, vacinação e proteção pela metade. Avanço da doença e mortes.

Morte como a de Paulo Gustavo, o último brasileiro de maior fama, vítima da “gripezinha” da Covid. Um brasileiro que deixa em nosso povo, por sua luta, suas bandeiras e sua forma de mostrar amor ao seu povo, marca semelhante àquela de Ayrton Senna. Por sua graça e leveza, e humor, a mesma marca dos Mamonas Assassinas.

Por ser um representante de nossa cultura, a mesma dor da perda de um Aldir Blanc, um Agnaldo Timótheo. E como um brasileiro comum, representar mais de 425 mil vidas (considerando-se apenas as contabilizadas corretamente!) que se perderam para tristeza de todos nós.

***

Mas, destaca-se que a morte, marca da pandemia e da irresponsabilidade criminosa de Bolsonaro, não é apenas a provocada pelo contágio e falta de vacinas.

Inclui-se aqui, a morte de 3 crianças ainda bebês, além de uma professora e uma auxiliar de ensino, em Saudades, Santa Catarina, fruto de ataque de um rapaz  ainda adolescente, de 18 anos, sem motivação aparente, salvo forte indício de desvio de conduta e forte desajuste social.

Caso para estudo de psicólogos e psiquiatras. E esboço da sociedade em que podemos nos transformar, quando armas de fogo – e não armas brancas como adagas – se encontrarem à disposição de qualquer desajustado.

***

Inclui-se também, e para pior, a chacina de Jacarezinho, praticada sem qualquer justificativa minimamente tolerável, autorizada por verdadeiros assassinos, genocidas. Políticos e autoridades que se acham deuses, capazes de não apenas julgarem, condenarem, mas executarem todos aqueles que insistem em querer sobreviver e existir, por mais precárias sejam as condições de vida, apenas por serem pretos, pobres, habitantes de comunidades.

Políciais que comemoram a “limpeza étnica” que foram autorizados a fazer ou pela qual recebem cumprimentos e reconhecimento de quem não respeita a lei, o Estado de direito e suas consequências.

Aqui o ponto é que, bandidos ou não, todos merecem um julgamento justo, um tratamento justo, uma prisão que permita sua reeducação e não a continuidade de seu processo de barbarização e selvageria, de educação para o crime.

***

Processo que apenas tem sequência nas cadeias entre torturas de toda espécie, uma vez que iniciado na própria invisibilidade a que são condenados, seja como indivíduos, seja como comunidade, abandonada e esquecida pelo Estado.

Até que, no caso, algum interesse particular, abjeto e desumano venha surgir, seja de cunho imobiliário; seja por ordem dos chefões do tráfico, enfrentando a disputa de pontos de comando e influência; seja por um ignóbil, beócio, covarde sob as vestes de um tiranete, disposto a tensionar a situação e cutucar e desrespeitar ordens do Supremo Tribunal Federal.

***

Ora, o sociopata que ocupa a “Casa de Vidro”, não mantém apenas relações próximas com milicianos e bandidos de toda espécie, sejam os senhores da mineração na Amazônia, ou os criminosos do desmate ilegal; sejam os militares reformados como o  coronel e ex-deputado Jairo e seu filho Jairinho, ou os Queiroz e Adrianos; sejam os verdadeiros empresários do tráfico de drogas, armas e até seres humanos, em qualquer Vieira Souto ou Alto de Pinheiros de nosso país.

E o prazer que extrai da morte não é de agora. Data de quando, ainda capitão, planejou explodir bombas em unidades militares, sem levar em conta as baixas que poderia provocar entre colegas de farda. O que provocou sua “expulsão” (mesmo disfarçada) do Exército, cujos generais agora se rastejam como sabujos aos seus pés.

***

E é importante frisar: a medida terrorista e assassina contra seus colegas, visava apenas chamar a atenção para os seus interesses (financeiros) mais reles.

Como agora, todo o comportamento negacionista e genocida que adota tem apenas o interesse na reeleição e na blindagem aos delinquentes de seus filhos.

E  cônjuge (ou conge), para que não nos esqueçamos de perguntar por que Queiroz depositou 89 mil para Michelle?

***

Quanto aos generais, trânsfugas ou apenas covardes pobres coitados, que se borram nas calças apenas por tomarem uma vacina, também eles têm seus objetivos escusos: o poder. Tão apenas o poder e a glória que o poder inebriante proporciona, e que eles acreditam, melancolicamente, que perderam em 85.

Exceto o nosso sargento Garcia, embora sem a grandeza do soldado do Zorro, o nosso Pazuello.

Este é apenas subserviente mesmo. E vive para obedecer quando “um manda”...

***

Quanto a Bolsonaro, e suas ameaças de decretos contra isolamento social, de tomar medidas autorizadas pelos bolsotários que o acompanham como pescadores acompanham as sereias mais sem caráter, vale a certeza: ele apenas ladra.

Como todo bom cão rufião, apenas late e não morde.

Manda (policiais, como no Rio), mas não tem coragem nem capacidade de agir por conta própria.

Em síntese: apenas tem interesse em criar tumulto e ameaças, que nunca serão cumpridas.

No fundo é apenas um pobre covarde.

***

Termino admitindo também eu, a minha covardia, como parte do povo brasileiro e dos cidadãos de bem: fosse outra nossa índole, já estaríamos ocupando as ruas, de onde só sairíamos depois de afastado o personagem por trás de tanta vilania.